quinta-feira, 19 de maio de 2011

O amor perfeito da Virgem Santíssima


 Sto Afonso

Como águia real, estava sempre com os olhos postos no divino sol, de maneira tal, diz São Pedro Damião, que as atividades na vida não lhe impediam o amor, nem o amor lhe obstaculizava as atividades. Assim é que Maria esteve figurada no altar da propiciação em que nunca se apagava o fogo nem de noite nem de dia.

Nem mesmo o sono impedia Maria de amar a Deus. E se semelhante privilégio se concedeu a nossos primeiros pais no estado de inocência, como afirma Santo Agostinho, dizendo que tão felizes eram quando dormiam como quando estavam despertos, não se pode negar que semelhante privilégio o teve também a Mãe de Deus, como o reconhecem entre outros São Bernardino e Santo Ambrósio, que deixou escrito falando de Maria: Quando descansava seu corpo, estava vigilante sua alma, verificando-se nela o que diz o Sábio: "não se apaga pela noite sua lâmpada" (Pr 31,18). E assim é, porque enquanto seu corpo sagrado tomava o necessário descanso, sua alma, diz São Bernardino, livremente tendia a Deus, e assim era mais perfeita contemplativa do que haviam sido os demais quando estavam despertos. De modo que bem podia dizer com a Esposa: "Eu dormia, mas meu coração velava" (Ct 5,2). Era, como diz Suarez, tão feliz dormindo quanto velando.

Em suma, afirma São Bernardino que Maria, enquanto viveu na terra, constantemente esteve amando a Deus. E diz que ela não fez senão o que a divina sabedoria lhe mostrou que era o mais agradável a Deus, e que o amou tanto quanto entendeu que devia ser amado por ela. De maneira que, fala Santo Alberto Magno, bem pode-se dizer que Maria esteve tão plena de santa caridade que é impossível imaginar algo melhor nesta terra. Cremos, sem medo de ser desmedidos, que a Santíssima Virgem, pela concepção do Filho de Deus, recebeu tal infusão de caridade quanto podia receber uma criatura na terra. Pelo que diz São Tomás de Vilanova que a Virgem com sua ardente caridade foi tão bela e de tal maneira enamorou a seu Deus, que Ele, prendado de seu amor, baixou a seu seio para fazer-se homem. Esta Virgem com sua formosura atraiu a Deus desde o céu e preso por seu amor ficou atado com os laços de nossa humanidade. Por isto exclama São Bernardino:  eis aqui uma donzela que com sua virtude feriu e roubou o coração de Deus.

Sto Afonso de Ligório, As Glórias de Maria
 
 
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