quarta-feira, 27 de abril de 2011

A Salvação é o Negócio mais IMPORTANTE e o mais Descuidado

Por Santo Afonso Maria de Ligório


Quam dabit homo commnitationem pro anima sua?
“Que dará o homem em troca da sua alma?”
(MT.16,26.)

Coisa estranha! Ninguém quer passar por negligente nos negócios do mundo, e muito não tem pejo de descuidar no negócio da eternidade, o mais importante de todos. Muitos fazem até tudo para perderem a alma, e a maior parte dos cristãos vivem como se as verdades eternas fossem outras tantas fábulas. Nós ao menos não sejamos tão insensatos e pensemos seriamente de que nada nos serviria ganharmos o mundo inteiro, se depois viéssemos a perder a nossa alma.

Perdida alma, está tudo perdido, e para sempre!

A salvação eterna é certamente o negócio que, sobre todos os outros, mais nos interessa, porque dele depende a nossa eterna felicidade ou desgraça. Todavia é deste negócio que os cristãos menos se ocupam.
Não se poupa nenhum cuidado, nem se perde nenhum momento, para chegar a tal dignidade, ganhar tal demanda, concluir tal negócio; que de conselhos então, que de providenciais! Não se come, não se dorme. Mas depois, que se faz para assegurar a salvação eterna? Como é que se vive? Não se faz nada, ou, para melhor dizer, faz-se tudo para a perder, e a maior parte dos cristãos vive como se a morte, o juízo, o inferno, o céu e a eternidade não fossem verdades da Fé, mas sim fábulas inventadas pelos poetas.
Que mágoa não sentimos quando se perde uma demanda, uma colheita! Quantos cuidados para reparar o prejuízo! Quando se perde um cavalo, um cão, quantas diligências para os reaver! Perdemos a graça de Deus, e dormimos e gracejamos e rimos! – Coisa estranha! Cada um tem pejo de passar por negligente nos negócios do mundo; e são inúmeros os que não têm pejo de se descuidar do negócio da salvação, o mais importante de todos! Confessam que os Santos foram verdadeiros sábios, porque só trabalharam para se salvarem, e eles mesmos ocupam-se de todas as coisas do mundo com exceção da sua própria alma!
Mas vós, diz são Paulo, ao menos vós, meus irmãos, aplicai-vos ao grande negócio da vossa salvação eterna, que é o negócio que mais vos interessa: Rogamus vos, ut vestrum negotium agatis. “Por quanto”, exclama Jesus Cristo, “de que serve ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma? ou que dará o homem em troca de sua alma? ” Perdida a alma está tudo perdido, e perdido para sempre.
Persuadamo-nos de que a salvação eterna é para nós o negócio mais importante, por ser irreparável se não o realizarmos. Portanto, afim de o levarmos a feliz êxito, não receiemos trabalhos nem fadigas. “O reino eterno”, diz são Bernardo, “não se dá aos preguiçosos, mas aos que se houverem valorosamente no serviço de Jesus Cristo. ”

Oração:

Ah! meu Deus, graças Vos dou por me achar ainda aqui aos vossos pés não no inferno, tantas vezes por mim merecido. Mas de que me serviria a vida que me concedeis, se eu continuasse a viver privado da vossa graça? Nunca mais isto me suceda! Virei-Vos as costas e Vos perdi, ó meu supremo Bem. Arrependo-me de todo o coração e antes tivesse morrido mil vezes! Eu Vos perdi; mas o Profeta me diz que sois todo bondade e Vos deixais achar pela alma que Vos busca: Bonus est Dominus animae quarenti illum . Se no passado tenho fugido de Vós, ó, Rei de meu coração, agora Vos busco e só a Vós quero buscar. Amo- Vos, † Jesus, meu Deus, amo-Vos sobre todas as coisas, com todo o afeto da minha alma. Aceitai-me e não desprezeis o amor de um coração que algum tempo Vos desprezou. Doce me facere voluntatem tuam – “Ensinai-me a fazer a vossa vontade.” Dizei-me o que devo fazer para vos agradar; quero fazer tudo que desejardes. Meus Jesus, salvai a minha alma, pela qual destes o sangue e a vida; daí-me a graça de Vos amar sempre nesta vida e na outra. Espero tudo pelos vossos merecimentos. Confio também em vossa intercessão, ó grande Mãe de Deus e minha Mãe, Maria Santíssima.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A Importância da Oração e Meditação

Oração

Quem não reza, se condena!
Em primeiro lugar, Deus nos faz conhecer, por este meio, o grande amor que nos tem.Quer maior prova de amizade uma pessoa pode dar a seu amigo do que lhe dizer: pede-me o que quiseres e de mim receberás?Ora, é justamente isso que o Senhor nos diz: “Pedi e vos será dado, buscai e achareis”.Por isso mesmo, a oração se torna poderosa junto de Deus para nos alcançar todos os bens.A oração tudo pode, quem reza alcança a Deus o que quer. "Bendito seja Deus que não rejeitou minha oração, nem retirou de mim a sua misericórdia”.Diz Santo Agostinho: “Quando percebes que não te falta a oração, fica sossegado, pois a misericórdia de Deus não te faltará”.E São João Crisóstomo disse: “Sempre se alcança, até mesmo enquanto estamos rezando”.Quando pedimos ao Senhor, já antes de terminados de pedir, ele nos dá a graça que suplicamos.

Se portanto, somos pobres, queixemo-nos só de nós mesmos.Somos pobres porque assim o queremos e por isso não merecemos compaixão.Que compaixão pode merecer um mendigo, que tendo um patrão muito rico prefere ficar na sua miséria só para não pedir o que lhe é necessário?Deus está pronto a enriquecer todos os que lhe pedem: “É Rico para todos que o invocam”.
A prece humilde consegue tudo de Deus.Saibamos também que ela nos é útil e mesmo necessária para nossa salvação.Para vencermos as tentações temos necessidade absoluta da ajuda de Deus.Algumas vezes, em tentações mais fortes, a graça suficiente que Deus não nega a ninguém, poderia bastar para resistirmos ao pecado.Mas, devido às nossas más tendências, ela não nos bastará; necessitamos então de uma graça especial.Quem reza, alcança esta graça; quem não reza, não a consegue e se perde.

Tratando-se particularmente da graça da perseverança final, isto é, de morrer na amizade de Deus, o que é absolutamente necessário para a nossa salvação, do contrário estaremos para sempre perdidos, esta graça Deus não a dá senão a quem pede.Este é um dos motivos porque muitos não se salvam, pois são poucos os que cuidam de pedir a Deus a graça da perseverança final.(Santo Afonso Maria de Ligório - A Prática do Amor a Jesus Cristo).

Meditação

Diz São João Gerson que quem não medita as verdades eternas não pode, a não ser por milagre, viver como cristão.A razão é que, sem meditação, não há luz e se caminha na escuridão.As verdades da fé não se enxergam com os olhos do corpo, mas com os olhos da alma, quando nosso espírito as medita.Quem não faz meditação sobre as verdades eternas, não pode vê-las e por isso anda no escuro, facilmente se apega às coisas sensíveis e por causa delas despreza os bens eternos.Santa Teresa escreveu: “Embora pareça que não há imperfeições em nós, descobrimos grande número delas, quando Deus faz ver o nosso íntimo, o que ele costuma fazer na meditação”.São Bernardo também escreveu: “Quem não medita, não julga com severidade a si mesmo, porque não se conhece”.A oração controla nossos afetos e dirige nossos atos para Deus; mas sem oração, os afetos de nossa alma se apegam à terra, nossas ações acompanham os afetos e assim tudo acaba em desordem.

É impressionante o que se lê na vida da venerável irmã Maria Crucifixa.quando rezava, como que ouviu um demônio gloriar-se de ter feito uma religiosa deixar a meditação.Em espírito viu que, após essa falta, o demônio tentava a religiosa a cometer uma falta grave e ela já estava para consentir.Correndo depressa, chamou-lhe atenção e livrou-a da queda.Dizia Santa Teresa que quem deixa a meditação “em pouco tempo se torna um animal ou um demônio”.

Dizia São Luís Gonzaga: “Não existirá muita perfeição, se não existir muita meditação”.Reparem bem nesta frase as pessoas que amam a perfeição!
Santa Catarina de Bolonha dizia: “Quem não medita muito, fica sem o laço de união com Deus.Nesta situação não será difícil para o demônio, encontrando a pessoa fria no amor de Deus, levá-la a se alimentar com uma fruta envenenada”.

Santa Teresa também dizia: “Quem persevera na meditação, mesmo que o demônio a tente de muitas maneiras, tenho certeza que Senhor a levará ao porto da salvação...Quem não pára no caminho da meditação, chegará ainda que tarde”.Também dizia que: “O demônio se esforça muito em afastar a pessoa da meditação porque ele sabe que as pessoas perseverantes na oração estão perdidas para ele”.
... “Quantos bens se conseguem na meditação!Dela nascem os bons pensamentos, manifestam-se nossos piedosos afetos, desenvolvem-se os grandes desejos, tomam-se às resoluções firmes de se dar inteiramente a Deus.Dessa maneira, a pessoa lhe sacrifica os prazeres terrenos e todos os desejos desordenados.

Na Oração nasce ainda o desejo de se retirar à solidão ficar a sós com Deus, e o desejo de conservar o recolhimento interior nas ocupações externas e necessárias.Disse “ocupações necessárias”, isto é, seja por causa da direção da família, seja por causa dos próprios deveres, ou dos trabalhos exigidos pela obediência.Mesmo assim pessoas de oração devem amar a solidão e não se dissipar em ocupações extravagantes e inúteis; do contrário, perderão o espírito de recolhimento, este grande meio de manter a união com Deus: “És um jardim fechado, minha irmã, minha esposa”.Nossa alma, esposa de Jesus Cristo, deve ser um jardim fechado a todas as criaturas, não admitindo outros pensamentos e ocupações que não sejam de Deus ou para Deus.Os corações dissipados não se tornam santos.

Os santos que se dedicam a conquistar pessoas para Deus, não perdem o recolhimento mesmo entre as canseiras da pregação, do ouvir confissões, do reconciliar inimigos, do assistir os doentes.O mesmo acontece com aqueles que se dedicam ao estudo.Quantos estudam muito e se esforçam para se tornar sábios e acabam não se tornando nem sábios nem santos.A verdadeira sabedoria é a sabedoria dos santos: “Saber amar a Jesus Cristo.O amor de Deus traz consigo a ciência e todos os bens: “Com ela me vieram todos os bens”, isto é, com a caridade.Quem deixa a oração por causa do estudo não busca a Deus, mas a si mesmo.

O maior mal além disso é que sem meditação não se reza.Dizia o bispo de Osma, João Palafox: “Como podemos conservar a caridade, se Deus não nos dá a perseverança?Como o Senhor nos dará a perseverança, se não a pedimos?Como a pediremos sem oração?Sem oração não existe comunicação com Deus, para se manter a vida cristã”.De fato quem, não faz meditação enxerga pouco as necessidades de sua alma, não conhece bem os perigos a que se expõe para se salvar, nem os meios que se deve usar para vencer as tentações.Assim conhecendo pouco a necessidade da oração, deixará de rezar e certamente se perderá.(A prática do amor a Jesus Cristo, Sto. Afonso Maria de Ligório)

Então amados irmãos e irmãs, vejam o que as Sagradas Escrituras nos diz:
“Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram” (Hb 11,6)
Então é preciso procurar a Deus!Mas aonde?Como chegar até Ele?
São Padre Pio de Pietrelcina nos ensina que: "Nos livros procuramos o conhecimento de Deus; na oração encontramos Deus vivo.A oração é a melhor arma que temos, é a chave do coração de Deus”.
É na oração que encontramos o Nosso Deus!
Deus quer que o busquemos sempre, por isso Ele nos Diz:
É necessário orar sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18,1)
Porque meus irmãos e irmãs, orando nós nos afastamos do mal e nos aproximamos do nosso Bem Absoluto que é Deus.Pois sem ele não há vida “Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito” (Jo 1,3).Sem Ele nós não somos nada, pois ele mesmo nos diz: “Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).E como podemos observar não há possibilidade de permanecer em Cristo sem oração!

Então o que rezar?
Vejamos o que os Papas disseram:

Papa São Pio X: “O rosário é a mais bela e a mais preciosa de todas as orações à Medianeira de todas as graças: é a prece que mais toca o coração da Mãe de Deus.Rezai-o todos os dias”.


Papa Pio XII: “Será em vão o esforço de remediar a situação decadente da sociedade civil, se a família, princípio e base de toda a sociedade humana, não se ajustar diligentemente à lei do Evangelho.E Nós afirmamos que, para desempenho cabal deste árduo dever, é sobretudo conveniente o costume do Rosário em família.
....De novo, pois, e categoricamente, não hesitamos em afirmar de público que depositamos grande esperança no Rosário de Nossa Senhora como remédio dos males do nosso tempo” (Encíclica Ingruentium malorum de 15 de setembro de 1951).

Papa Pio XI: “O Rosário é “uma arma poderosíssima para pôr em fuga os demônios...Ademais, o Rosário de Maria é de grande valor não só para derrotar os que odeiam a Deus e os inimigos da Religião, como também estimula, alimenta e atrai para as nossas almas as virtudes evangélicas” (Encíclica Ingravescentibus malis de 29 de setembro de 1937)

Papa Bento XV: “A Igreja, sobretudo por meio do Rosário, sempre encontrou nela (em Maria), a Mãe da graça e a Mãe da misericórdia, precisamente conforme tem o costume de saudá-la.Por isso, os romanos Pontífices jamais deixaram passar ocasião alguma, até o presente, de exaltar com os maiores louvores o Rosário mariano, e de enriquecê-lo com indulgência apostólicas”.(Encíclica Fausto appetente de 29 de junho de 1921).

Papa Beato Pio IX: “Assim como São Domingos se valeu do Rosário como de uma espada para destruir a nefanda heresia dos albigenses, assim também hoje os fiéis exercitados no uso desta arma, que é a reza cotidiana do Rosário, facilmente conseguirão destruir os monstruosos erros e impiedades que por todas as partes se levantam” (Encíclica Egregiis de 3 de dezembro de 1856).

Papa Leão XIII: “Queira Deus, é este um ardente desejo Nosso, que esta prática de piedade retome em toda parte o seu antigo lugar de honra!Nas cidades e nas aldeias, nas famílias e nos locais de trabalho, entre as elites e os humildes, seja o Rosário amado e venerado como insigne distintivo da profissão cristã e o auxílio mais eficaz para nos propiciar a divina clemência” (Encíclica Jucunda semper de 8 de setembro de 1894).

E não podíamos de deixar de acrescentar uma fala de São Luís Maria Grignion de Montfort sobre o Santo Rosário:
Dizia ele:"Não é possível expressar quanto a Santíssima Virgem estima o Rosário sobre todas as demais devoções, e quão magnânimo é ao recompensar os que trabalham para pregá-lo, estabelecê-lo e cultivá-lo. Recitado enquanto são meditados os mistérios sagrados, o Rosário é manancial de maravilhosos frutos e depósito de toda espécie de bens. Através dele, os pecadores obtêm o perdão; as almas sedentas se saciam; os que choram acham alegria; os que são tentados, a tranqüilidade; os pobres são socorridos; os religiosos, reformados; os ignorantes, instruídos; os vivos triunfam da vaidade, e as almas do purgatório (por meio de sufrágios) encontram alívio. Perseverai, portanto, nessa santa devoção, e tereis a coroa admirável preparada no Céu para a vossa fidelidade".(Tratado Da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem)

Como podemos observar a prática de oração que os Romanos Pontífices e os santos nos orientam é o Santo Rosário.Rezai com fé e sem pressa de terminar.Pois como dizia o Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo, Confessor e Doutor da Igreja, em seu livro a Prática do amor a Jesus Cristo.A Paciência é o princípio da Perfeição!

Agora já sabemos o que rezar!Mas o que vamos meditar?Nesse assunto nos socorre Santo Afonso Maria de Ligório.

"Quanto ao que meditar, não há assunto mais útil do que as verdades da vida: a morte, o julgamento, o inferno e o céu.Devemos meditar especialmente na morte, imaginado estarmos enfermos para morrer numa cama, com o crucifixo nas mãos e próximos a entrar na eternidade.Mas, principalmente para quem ama a Jesus Cristo e deseja crescer no seu santo amor, não existe meditação mais útil do que a Paixão do Redentor.‘O Calvário é a montanha das pessoas que amam’.Quem ama a Jesus Cristo sempre faz sua meditação sobre esta montanha, onde não se respira outro ar senão o amor de Deus.Vendo um Deus que morre por nosso amor e porque nos ama – ‘amou-nos e se entregou por nós’ – é impossível não o amar intensamente.Das chagas de Jesus Crucificado saem continuamente flechas de amor que ferem os corações mais duros.Feliz aquele que faz continuamente nesta vida a sua meditação sobre o monte Calvário!Montanha feliz, amável, querida, quem se afastará de ti?Desprendendo fogo, abrasas as pessoas que moram permanentemente sobre ti!". (Prática do amor a Jesus Cristo).

Como sabemos a Santa Missa é o Sacrifício de Cristo no Calvário, então é na Santa Missa que encontramos com o cheiro do amor exalado no calvário.É o momento mais oportuno para nós meditarmos a Paixão de Nosso Senhor!Termino com as palavras de São Padre Pio de Pietrelcina, que responde a uma pergunta de um entrevistador.Pergunta o entrevistador: Padre, como devemos assistir à Missa?Responde o santo:"Como assistiam no Calvário Nossa Senhora e São João, renovando a fé, meditando na Vítima que se oferece para nós.Nunca deixa o altar sem derramar lágrimas de arrependimento e amor a Jesus.Escutem a Virgem que vos fala e vos acompanhará".

Não é a toa que o Grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório nos ensina em um de seus livros.
“Diz São Boaventura: "Se quereis progredir no amor de Deus , meditai todos os dias a Paixão do Senhor.Nada contribui tanto para a santidade das pessoas como a Paixão de Cristo".E dizia já Santo Agostinho: "Vale mais uma lágrima derramada ao lembrar da Paixão, do que o jejum a pão e água em cada semana".É por isso que os santos se ocuparam tanto em meditar as dores de Cristo.”
São Francisco de Assis tornou-se um grande santo com esse meio.Um dia, foi encontrado chorando e gritando em alta voz.Perguntaram-lhe o porquê.
-"Choro as dores e as humilhações do meu Senhor.O que mais me faz chorar é que os homens, por quem ele sofreu tanto, vivem esquecidos dele".Dizendo isso, soluçava mais ainda ao ponto de também cair em prantos a pessoa que o interrogava.Quando ouvia o balido de um cordeiro, ou de outra coisa que lhe lembrava Jesus Sofredor, vinham-lhe as lágrimas.Estando doente, alguém o aconselhou a ler um livro piedoso.Ele respondeu: "Meu livro é Jesus Crucificado".Por isso é que exortava seus confrades a pensar sempre na paixão de Jesus Cristo."Quem não se enamora de Deus, vendo Cristo morto na cruz, não se abrasará jamais". (Santo Afonso Maria de Ligório - Prática do amor a Jesus Cristo)

Rezem, Meditem e vão à Santa Missa e que Deus os abençoe!!!

sábado, 23 de abril de 2011

Apostolado Maria Santíssima e Modéstia




Somos um apostolado que deseja difundir a modéstia em toda a sua plenitude, tendo em Nossa Senhora o exemplo perfeito a ser imitado. Mas o que é a modéstia? Tal como ensinou Santo Tomás de Aquino, a modéstia diz respeito à virtude que regula todas as ações exteriores: gestos, palavras, tom de voz, atitudes, recreações – e mais especificamente, a maneira e o recato na hora de se vestir. 

Mas a modéstia é, acima de tudo, Nosso Senhor Jesus Cristo feito homem, que andando sobre a terra manifestou-nos toda a Sua doutrina pelo exemplo vivo de Sua Pessoa.  Diz o Santo Evangelho: “E toda a multidão procurava tocar-Lhe, porque saía Dele virtude, e curava a todos” (S. Lucas, 6,19). Escreveu Santo Afonso Maria de Ligório no Tratado da Castidade: “Nosso ideal mais perfeito de modéstia foi, porém, o nosso Divino Salvador mesmo (…). Por isso exalta o Apóstolo a modéstia de seu Divino Mestre, escrevendo a seus discípulos: ‘Rogo-vos pela mansidão e modéstia de Cristo’ (II Cor 10, 1).”.

De Jesus Cristo – que é Deus – não se pode dizer apenas que foi modestíssimo, mas que Ele é a Modéstia, da mesma maneira que é Ele “o Caminho, a Verdade, e a Vida”. Deus, com efeito, simplesmente É. Ocorre que Jesus Cristo não desejou vir ao mundo senão por Nossa Senhora, que, como atestado pela Santa Igreja e cantado por todos os santos e almas piedosas, é a medianeira de todas as graças. Buscamos, pois, a Modéstia – que é Cristo – pelas mãos Imaculadas de Maria.

Nossa Senhora, que foi perfeita em tudo, foi perfeitamente modesta. Dizemos, com São Pedro Damião: “Em vossas mãos – Nossa Senhora – estão todos os tesouros da misericórdia de Deus” e repetimos com Santo Antonino: “Quem pede, sem Maria, tenta voar sem asas”. Pedimos, portanto – e o fazemos humildemente – que Aquela que foi concebida sem pecado original nos conceda a graça de imitá-La. É esta a maneira mais rápida – diz São Luís Maria Grignion de Montfort – de chegar a Jesus Cristo: fazer tudo por intermédio da Virgem Santíssima!

Nosso Apostolado procura favorecer a modéstia, movido pelas palavras da mesma Virgem Santa por ocasião da aparição em Fátima, em 1917. Nossa Senhora revelou a pequena Beata Jacinta Marto: “Virão umas modas que ofenderão muito a Nosso Senhor”, e também “Quem segue a Deus não deve andar com as modas. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo”. Meditemos a profundidade destas palavras! Nossa Senhora já anunciava um mundo de modas ofensivas, imorais, que em nada refletem os valores evangélicos! E, infelizmente, estas modas se tornaram a regra de nossa sociedade – e não a exceção. Eis a urgência – como pediu o Santo Padre Pio XI – de uma verdadeira Cruzada contra as modas indecentes!

Neste contexto, não podemos deixar de mencionar as diversas revoluções na moda que – de maneira mais ofensiva, desde o século XX – vêm caminhando obstinadamente para a nudez completa e o igualitarismo entre homens e mulheres, adultos e crianças. Assim como o mundo e o demônio se dispuseram a fazer da moda uma verdadeira arma para espalhar sua Revolução contra a pureza e a modéstia, nós pretendemos levantar a bandeira da Contra-Revolução a fim de defender estas virtudes tão vilipendiadas, por meio deste apostolado completamente mariano.

Procurando a verdadeira modéstia – que em tudo reflita as virtudes de Cristo – nada melhor do que recorrer a Mãe de Deus. Ela é a destruidora de todas as heresias, a ruína dos soberbos: queres conhecer a verdadeira modéstia? Basta pousar os olhos em Maria Santíssima, como diz a música “Na Cova da Iria”: Vestir com modéstia, com muito pudor, olhai como veste a Mãe do Senhor! Nossa Senhora é, de fato, o meio seguro e verdadeiro para alcançar a modéstia; Seus filhos não se aborrecem com tão excelso exemplo a ser imitado, mas – ao contrário – fazem uníssono com São Bernardo: “De Maria, nada basta!”.

O Apostolado Maria Santíssima e Modéstia reconhece em Nossa Senhora o exemplo perfeito para chegar a Jesus Cristo. Não somos mais do que um brado pela intercessão poderosa da Virgem Maria por todas as almas que buscam a virtude da modéstia em particular: Ave Mater Modestissima, ora pro nobis! Este Apostolado é, portanto, de Maria, com Maria, em Maria, por Maria e para Maria. É completamente consagrado a Nossa Senhora, a Rainha Absoluta da Modéstia.


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segunda-feira, 18 de abril de 2011

A prática da mortificação cristã

Livre-tradução do Artigo “La mortificación cristiana” do Cardeal Desidério José Mercier (1851-1926) publicado em “Cuadernos de La Reja” número 2 do Seminário Internacional Nossa Senhora Corredentora da FSSPX.
Nota: Todas as práticas de mortificação que reunimos aqui são recolhidas dos exemplos dos santos, especialmente Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, Santa Teresa, São Francisco de Sales, São João Berchmans, ou são recomendadas por reconhecidos mestres da vida espiritual, como o Venerável Louis de Blois, Rodriguez, Scaramelli, Abade Allemand, Abade Hamon, Abade Dubois, etc.

Artigo 1 – Objeto da mortificação cristã

A mortificação cristã tem por fim neutralizar as influências malignas que o pecado original ainda exerce nas nossas almas, inclusive depois que o batismo as regenerou. Nossa regeneração em Cristo, ainda que anulou completamente o pecado em nós, nos deixa sem embargo muito longe da retidão e da paz originais. O Concílio de Trento reconhece que a concupiscência, ou seja, o triplo apetite da carne, dos olhos e do orgulho, se deixa sentir em nós, inclusive depois do batismo, afim de excitar-nos às gloriosas lutas da vida cristã (Conc. Trid., Sess. 5, Decretum de pecc. orig.).

A Escritura logo chama esta tripla concupiscência de “homem velho“, oposto ao “homem novo” que é Jesus que vive em nós e nós mesmos que vivemos em Jesus, como “carne” ou natureza caída, oposta ao “espírito” ou natureza regenerada pela graça sobrenatural. Este velho homem ou esta carne, ou seja, o homem inteiro com sua dupla vida moral e física, deve ser, não digo aniquilado, porque é coisa impossível enquanto dure a vida presente, mas sim mortificado, ou seja, reduzido praticamente à impotência, à inércia e à esterilidade de um morto; há que impedir-lhe que dê seu fruto, que é o pecado, e anular sua ação em toda a nossa vida moral.

A mortificação cristã deve, portanto, abraçar o homem inteiro, estender-se a todas as esferas de atividade nas quais a natureza é capaz de mover-se. Tal é o objeto da virtude de mortificação. Vamos indicar sua prática, recorrendo sucessivamente as manifestações múltiplas de atividade em que se traduz em nós:

I) A atividade orgânica ou a vida corporal;

II) A atividade sensível, que se exerce seja debaixo da forma do conhecimento sensível pelos sentidos exteriores ou pela imaginação, seja debaixo da forma de apetite sensível ou de paixão;

III) A atividade racional e livre, princípio de nossos pensamentos e de nossos juízos, e das determinações de nossa vontade;

IV) Consideraremos a manifestação exterior da vida de nossa alma, ou nossas ações exteriores;

V) E, finalmente, o intercâmbio de nossas relações com o próximo.

Artigo 2 – Exercício da mortificação cristã

A. Mortificação do corpo

1º Limite-se, tanto quanto possa, em matéria de alimentos, ao estritamente necessário. Medite estas palavras que Santo Agostinho dirigia a Deus: “Me ensinastes, oh meu Deus, a pegar os alimentos somente como remédios. Ah, Senhor!, aqui quem de entre nós não vai além do limite? Se há um só, declaro que este homem é grande e que deve grandemente glorificar vosso nome” (Confissões, liv. X, cap. 31);

2º Roga a Deus com frequência, roga-lhe a cada dia que lhe impeça, com Sua graça, de transpassar os limites da necessidade, ou deixar-se levar pelo atrativo do prazer;

3º Não pegue nada entre as refeições, ao menos que haja alguma necessidade ou razões de conveniência;

4º Pratique a abstinência e o jejum, mas pratique-os somente debaixo da obediência e com discrição;

5º Não lhe está proibido saborear alguma satisfação corporal, mas faça-o com uma intenção pura e bendizendo a Deus;

6º Regule seu sono, evitando nisto toda relaxação ou molície, sobretudo pela manhã. Se pode, fixe-se uma hora para deitar-se e levantar-se, e obrigue-se a ela energicamente;

7º Em geral, não descanse senão na medida do necessário; entregue-se generosamente ao trabalho, e não meça esforços e penas. Tenha cuidado para não extenuar seu corpo, mas guarde-se também de agradá-lo: quando sentir que ele está disposto a rebelar-se, por pouco que seja, trate-o como a um escravo;

8º Se sente alguma ligeira indisposição, evite irritar-se com os demais por seu mal humor; deixe aos seus irmãos o cuidado de queixar-se; pelo que lhe cabe, seja paciente e mudo como o divino Cordeiro que levou verdadeiramente todas as nossas enfermidades;

9º Guarde-se de pedir uma dispensa ou revogação à sua ordem do dia pelo mínimo mal-estar. “Há que fugir como da peste de toda dispensa em matéria de regras“, escrevia São João Berchmans;

10º Receba docilmente, e suporte humilde, paciente e perseverantemente a mortificação penosa que se chama doença.

B. Mortificação dos sentidos, da imaginação e das paixões

1º Feche seus olhos, diante de tudo e sempre, a todo espetáculo perigoso, e inclusive tenha a valentia de fechá-los a todo espetáculo vão e inútil. Veja sem olhar; não se fixe em ninguém para discernir sua beleza ou feiúra;

2º Tenha seus ouvidos fechados às palavras bajuladoras, aos louvores, às seduções, aos maus conselhos, às maledicências, às zombarias que ferem, às indiscrições, à crítica malévola, às suspeitas comunicadas, a toda palavra que possa causar o menor esfriamento entre duas almas;

3º Se o sentido do olfato tem que sofrer algo por consequência de certas doenças ou debilidades do próximo, longe de queixar-se disso, suporte-o com uma santa alegria;

4º No que concerne à qualidade dos alimentos, seja muito respeitoso do conselho de Nosso Senhor: “Comei o que vos for apresentado“. “Comer o que é bom sem comprazer-se nisto, o que é mau sem mostrar aversão, e mostrar-se indiferente tanto em um como no outro, esta é a verdadeira mortificação“, dizia São Francisco de Sales;

5º Ofereça a Deus suas comidas, imponha-se na mesa uma pequena privação: por exemplo, negue-se um grão de sal, um copo de vinho, uma guloseima, etc.; os demais não o perceberão, mas Deus o terá em conta;

6º Se o que lhe apresentam excita vivamente seu atrativo, pense no fel e no vinagre que apresentaram a Nosso Senhor na cruz: isto não lhe impedirá de saborear o manjar, mas servirá de contrapeso ao prazer;

7º Há que evitar todo contato sensual, toda carícia em que se poria certa paixão, em que se buscaria ou onde se teria um gozo principalmente sensível;

8º Prescinda de ir aquecer-se ao menos que lhe seja necessário para evitar-lhe uma indisposição;

9º Suporte tudo o que aflige naturalmente a carne; especialmente o frio do inverno, o calor do verão, a dureza da cama e todas as incomodidades do gênero. Faça boa cara em todos os tempos, sorria a todas as temperaturas. Diga com o profeta: “Frio, calor, chuva, bendizei ao Senhor“. Felizes se podemos chegar a dizer com gosto esta frase tão familiar a São Francisco de Sales: “Nunca estou melhor do que quando não estou bem“;

10º Mortifique sua imaginação quando lhe seduz com a isca de um posto brilhante, quando se entristece com a perspectiva de um futuro sombrio, quando se irrita com a recordação de uma palavra ou de um ato que o ofendeu;

11º Se sente em você a necessidade de sonhar, mortifique-a sem piedade;

12º Mortifique-se com o maior cuidado sobre o ponto da impaciência, da irritação ou da ira;

13º Examine a fundo seus desejos, e submeta-os ao controle da razão e da fé: você não deseja mais uma vida longa que uma vida santa? prazer e bem-estar sem tristeza nem dores, vitórias sem combates, êxitos sem contrariedades, aplausos sem críticas, uma vida cômoda e tranquila sem cruzes de nenhum tipo, ou seja, uma vida completamente oposta à de nosso divino Salvador?

14º Tenha cuidado de não contrair certos costumes que, sem ser positivamente maus, podem chegar a ser funestos, tais como o costume de leituras frívolas, dos jogos de azar, etc.;

15º Trate de conhecer seu defeito dominante, e quando o tiver conhecido, persiga-o até suas últimas pregas. Por isso, submeta-se com boa vontade ao que poderia ter de monótono e de entediado na prática do exame particular;

16º Não lhe está proibido ter bom coração e mostrá-lo, mas fique atento para o perigo de exceder o justo meio. Combata energicamente os afetos demasiado naturais, as amizades particulares, e todas as sensibilidades moles do coração.

C. Mortificação do espírito e da vontade

1º Mortifique seu espírito proibindo-lhe todas as imaginações vãs, todos os pensamentos inúteis ou alheios que fazem perder o tempo, dissipam a alma, e provocam o desgosto do trabalho e das coisas sérias;

2º Deve distanciar de seu espírito todo pensamento de tristeza e de inquietude. O pensamento do que poderá suceder no futuro não deve preocupá-lo. Quanto aos maus pensamentos que o molestam, deve fazer deles, distanciando-os, matéria para exercer a paciência. Se são involuntários, não serão para você senão uma ocasião de méritos;

3º Evite a teimosia em suas ideias, e a obstinação em seus sentimentos. Deixe prevalecer de boa vontade o juízo dos demais, salvo quando se trate de matérias em que você tem o dever de pronunciar-se e falar;

4º Mortifique o órgão natural de seu espírito, ou seja, a língua. Exerça-se de boa vontade no silêncio, seja porque sua Regra o prescreve, seja porque você o impõe espontaneamente;

5º Prefira escutar os demais do que falar você mesmo; mas, sem embargo, fale quando convenha, evitando tanto o excesso de falar demasiado, que impede os demais expressar seus pensamentos, como o de falar demasiado pouco, que denota indiferença que fere ao que dizem os demais;

6º Não interrompa nunca quem fala, e não corte com uma resposta precipitada quem lhe pergunta;

7º Tenha um tom de voz sempre moderado, nunca brusco nem cortante. Evite os “muito”, os “extremamente”, os “horrivelmente”, etc.: não seja exagerado em seu falar;

8º Ame a simplicidade e a retidão. A simulação, os rodeios, os equívocos calculados que certas pessoas piedosas se permitem sem escrúpulo, desacreditam muito a piedade;
9º Abstenha-se cuidadosamente de toda palavra grosseira, trivial ou inclusive ociosa, pois Nosso Senhor nos adverte que nos pedirá conta delas no dia do Juízo;

10º Acima de tudo, mortifique sua vontade; é o ponto decisivo. Adapte-a constantemente ao que sabe ser do beneplácito divino e da ordem da Providência, sem ter nenhuma conta nem de seus gostos nem de suas aversões. Submeta-se inclusive a seus inferiores nas coisas que não interessam para a glória de Deus e os deveres de seu cargo;

11º Considere a menor desobediência às ordens e inclusive aos desejos de seus Superiores como dirigida a Deus;

12º Lembre-se de que praticará a maior de todas as mortificações quando ame ser humilhado e quando tenha a mais perfeita obediência àqueles a quem Deus quer se se submeta;

13º Ame ser esquecido e ser tido por nada: é o conselho de São João da Cruz, é o conselho da Imitação: não fale apenas de si mesmo nem para bem nem para mal, senão busque pelo silêncio fazer-se esquecer;

14º Diante de uma humilhação ou repreensão, se sente tentado a murmurar. Diga como Davi: “Melhor assim! Me é bom ser humilhado!“;

15º Não entretenha desejos frívolos: “Desejo poucas coisas, e o pouco que desejo, o desejo pouco“, dizia São Francisco;

16º Aceite com a mais perfeita resignação as mortificações chamadas de Providência, as cruzes e os trabalhos unidos ao estado em que a Providência o pôs. “Quanto menos há de nossa eleição, mais há de beneplácito divino“, dizia São Francisco de Sales. Queríamos escolher nossas cruzes, ter outra distinta da nossa, levar uma cruz pesada que tivesse ao menos algum brilho, antes que uma cruz ligeira que cansa por sua continuidade: Ilusão! Devemos levar nossa cruz, e não outra, e seu mérito não se encontra em sua qualidade, senão na perfeição com que a levamos;

17º Não se deixe turbar pelas tentações, pelos escrúpulos, pelas aridezes espirituais: “o que se faz durante a sequidão é mais meritório diante de Deus do que o que se faz durante a consolação“, dizia o santo bispo de Genebra;

18º Não devemos entristecer-nos demasiado por nossas misérias, senão mais bem humilhar-nos. Humilhar-se é uma coisa boa, que poucas pessoas compreendem; inquietar-se e impacientar-se é uma coisa que todo o mundo conhece e que é má, porque nesta espécie de inquietude e de despeito o amor próprio tem sempre a maior parte;

19º Desconfiemos igualmente da timidez e do desânimo, que fazem perder as energias, e da presunção, que não é mais do que o orgulho em ação. Trabalhemos como se tudo dependesse de nossos esforços, mas permaneçamos humildes como se nosso trabalho fosse inútil.

D. Mortificações que há que praticar em nossas ações exteriores

1º Deve ser o mais exato possível em observar todos os pontos de sua regra de vida, obedecer sem demora, lembrando-se de São João Berchmans, que dizia: “Minha maior penitência é seguir a vida comum“; “Fazer o maior caso das menores coisas, tal é o meu lema“; “Antes morrer que violar uma só de minhas regras!“;

2º No exercício de seus deveres de estado, trate de estar muito contente com tudo o que parece feito de propósito para desagradá-lo e molestá-lo, lembrando-se também aqui da frase de São Francisco de Sales: “Nunca estou melhor quando não estou bem“;

3º Não conceda jamais um momento à preguiça; da manhã à noite, esteja ocupado sem descanso;

4º Se sua vida se passa dedicada, ao menos em partes, ao estudo, aplique os seguintes conselhos de Santo Tomás de Aquino aos seus alunos: “Não se contentem com receber superficialmente o que lêem ou escutam, senão tratem de penetrar e aprofundar seu sentido. – Não fiquem nunca com dúvidas sobre o que podem saber com certeza. – Trabalhem com uma santa avidez em enriquecer seu espírito; classifiquem com ordem em sua memória todos os conhecimentos que possa adquirir. – Sem embargo, não tratem de penetrar os mistérios que estão por acima de sua inteligência“;

5º Ocupe-se unicamente da ação presente, sem voltar ao que precedeu nem adiantar-se pelo pensamento ao que vem a seguir; diga com São Francisco: “Enquanto faço isto, não estou obrigado a fazer outra coisa“; “Apressemo-nos com bondade: será tão logo tanto quanto esteja bom“;

6º Seja modesto em sua compostura. Nenhum porte era tão perfeito como o de São Francisco; tinha sempre a cabeça direita, evitando igualmente a ligeireza que a gira em todos os sentidos, a negligência que a inclina adiante e o humor orgulhoso e altivo que a levanta para trás. Seu rosto estava sempre tranquilo, livre de toda preocupação, sempre alegre, sereno e aberto, sem ter sem embargo uma jovialidade indiscreta, sem risadas ruidosas, imoderadas ou demasiado frequentes;

7º Quando se encontrava só mantinha-se em tão boa compostura como diante de uma grande assembleia. Não cruzava as pernas, não apoiava a cabeça no encosto. Quando rezava, ficava imóvel como uma coluna. Quando a natureza lhe sugeria seus gostos, não a escutava em absoluto;

8º Considere a limpeza e a ordem como uma virtude, e a sujeira e a desordem como um vício: evite os vestidos sujos, manchados ou rasgados. Por outra parte, considere como um vício ainda maior o luxo e o mundanismo. Faça de modo de ao ver sua vestimenta e adereços, ninguém diga: está desarrumado; nem: está elegante; senão que todo o mundo possa dizer: está decente.

E. Mortificações para praticar em nossas relações com o próximo

1º Suporte os defeitos do próximo: faltas de educação, de espírito, de caráter. Suporte tudo o que nele lhe desagrada: seu modo de andar, sua atitude, seu tom de voz, seu sotaque, e todo o resto;

2º Suporte tudo a todos e suporte até o fim e cristãmente. Não se deixe levar jamais por essas impaciências tão orgulhosas que fazem dizer: Que posso fazer de tal o qual? Em que me concerne o que diz? Para que preciso o afeto, a benevolência ou a cortesia de uma criatura qualquer, e desta em particular? Nada é menos segundo Deus que estes desprendimentos altaneiros e estas indiferenças depreciativas; melhor seria, certamente, uma impaciência;

3º Encontra-se tentado a irar-se? Pelo amor a Jesus, seja manso. De vingar-se? Devolva bem por mal. Diz-se que o segredo de chegar ao coração de Santa Teresa, era fazer-lhe algum mal. De mostrar a alguém uma cara má? Sorria com bondade. De evitar seu encontro? Busque-o por virtude. De falar mal dele? Fale bem. De falar-lhe com dureza? Fale doce e cordialmente;

4º Ame fazer o elogio de seus irmãos, sobretudo daqueles a quem sua inveja se dirige mais naturalmente;

5º Não diga acuidades em detrimento da caridade;

6º Se alguém se permite em sua presença palavras pouco convenientes, ou mantém conversações próprias para danificar a reputação do próximo, poderá às vezes repreender com doçura a quem fala, mas mais frequentemente será melhor distanciar habilmente a conversação ou manifestar por um gesto de descontentamento ou de desatenção querida que o que se está dizendo o desagrada;

7º Quando lhe custe fazer um favor, ofereça-se a fazê-lo: terá duplo mérito;

8º Tenha horror de apresentar-se diante de si mesmo ou dos demais como uma vítima. Longe de exagerar suas cargas, esforce-se em encontrá-las leves. O são em realidade muito mais frequentemente do que parece, e o seriam sempre se tivesse um pouco mais de virtude.

Conclusão

Em geral, saiba negar à natureza o que pede sem necessidade.

Saiba fazer-lhe dar o que ela nega sem razão. Seus progressos na virtude, disse o autor da Imitação de Cristo, serão proporcionais à violência que saiba fazer-se.
Dizia o santo Bispo de Genebra: “Há que morrer afim de que Deus viva em nós: porque é impossível chegar à união da alma com Deus por outro caminho que pela mortificação. Estas palavras: Há que morrer! são duras, mas serão seguidas de uma grande doçura, porque não se morre a si mesmo senão para unir-se a Deus por esta morte“.

Quisera Deus que pudéssemos aplicar-nos com pleno direito as seguintes palavras de São Paulo: “Em todas as coisas sofremos a tribulação… Trazemos sempre em nosso corpo a morte de Jesus, afim de que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos” (2 Cor. 4, 10).

Dor de Maria Santíssima em consentir na morte de Jesus

Por Santo Afonso Maria de Ligório
 
Virgem Maria em lágrimas Proprio Filio suo non pepercit, sed pro nobis omnibus tradidit illum ― «Não poupou a seu próprio Filho, mas entregou-o por nós todos» (Rm 8, 32).
 
Sumário. Embora Maria Santíssima já tivesse consentido na morte de Jesus Cristo, desde que aceitou a maternidade divina, quis todavia o Pai Eterno, que ela renovasse o consentimento no tempo da Paixão, afim de que, juntamente com a vida do Filho, fosse também sacrificado o coração da Mãe. Pelos merecimentos deste consentimento tão espontâneo como doloroso, a Santíssima Virgem foi feita Reparadora do gênero humano, e credora de toda a nossa gratidão. Quantos, porém, lhe pagam com a ingratidão mais monstruosa, renovando pelo pecado a paixão do Filho e as dores da Mãe!
 
I. Ensina Santo Tomás que, conferindo a qualidade de mãe direitos especiais sobre os filhos, parece conveniente que Jesus, inocente e sem culpa própria merecedora de suplício, não fosse destinado à morte de cruz sem que a Santíssima Virgem consentisse e o oferecesse espontaneamente a morrer. Verdade é que Maria já dera o seu consentimento quando foi escolhida para Mãe do Redentor. Quis, porém, o Eterno Pai que ela o renovasse no tempo da Paixão, afim de que, juntamente com o sacrifício da vida do Filho, fosse também sacrificado o coração da Mãe.

A Bem-Aventurada Virgem, ao pensar no Filho amado, que em breve ia perder, tinha os olhos sempre arrasados de lágrimas, e, como ela mesma revelou à Santa Brígida, um suor frio corria-lhe pelo corpo, por causa do temor do doloroso espetáculo que se avizinhava. Eis que, chegando finalmente o dia destinado, veio Jesus e chorando se despediu da Mãe, para ir morrer. Diz Cornélio a Lapide que, para compreendermos a dor que Maria então sentiu, seria mister que compreendêssemos o amor que tal Mãe tinha a tal Filho. Como, porém, poderemos fazer ideia disso?

Ah! os títulos unidos de serva e mãe, de filho e Deus acenderam no coração da Virgem um incêndio composto de mil incêndios, de tal modo que São Guilherme de Paris chega a dizer que Maria amou a Jesus Cristo tanto, que uma pura criatura não seria quase capaz de amá-lo mais: Quantum capere potuit hominis modus. No tempo da Paixão, todo este incêndio de amor se converteu num mar de dor. Pelo que São Bernardino disse: «Todos os sofrimentos do mundo, se fossem ajuntados, não poderiam igualar à dor de Maria». Pobre Mãe! E nós não nos compadeceremos dela?
II. Dizem os santos Padres que a Bem-Aventurada Virgem, pelos merecimentos que adquiriu oferecendo a Deus o grande sacrifício da vida de seu Filho, deve com razão ser chamada: Reparadora do gênero humano; restauradora das nossas misérias, Mãe de todos os fiéis cristãos, nova Eva que nos gerou para a vida, dissemelhante da outra Eva que foi a causa primeira da nossa perdição. ― Por isso o Bem-aventurado Alberto Magno afirma que, assim como somos obrigados a Jesus Cristo pela paixão a que se submeteu por nosso amor, somos obrigados igualmente a Maria pelo martírio que na ocasião da morte do Filho quis sofrer espontaneamente pela nossa salvação.

Infelizmente, porém, quantos cristãos, em vez de se mostrarem agradecidos, pagam à nossa boa Mãe com a mais monstruosa ingratidão! ― Disto exatamente se queixou a mesma Santíssima Virgem com a Bem-aventurada Colleta, franciscana. Aparecendo-lhe um dia e mostrando-lhe Jesus Cristo, todo desfigurado pelas chagas: «Filha», disse-lhe, «eis aí como os pecadores tratam continuamente a meu Filho, renovando-lhe a morte e a mim as dores».

Ó minha bendita Mãe! é assim que os homens respondem ao amor que lhes mostrastes, consentindo em que vosso Jesus morresse pela nossa salvação. Ingratos como são, nem depois de o haverem crucificado, deixam de persegui-lo com os seus pecados, e assim continuam também a afligir-vos, ó grande Rainha dos Mártires. Eu também fui um daqueles infelizes. Ah! minha Mãe dulcíssima, alcançai-me lágrimas para chorar tamanha ingratidão. Pela dor que sentistes, quando vosso Filho se despediu de vós para ir de encontro à morte, obtende-me a graça de contemplar sempre com fruto os mistérios dolorosos da sua Paixão, especialmente nestes dias em que a Igreja faz dela recordação especial. Esta graça eu vo-la peço pelo amor do mesmo Jesus Cristo; de vós a espero. (*I 241.)


Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Primeiro: Desde o primeiro Domingo do Advento até Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 372-374.
 

Sobre o Silêncio no Sacrário e na Igreja




"É bom para o homem suportar o jugo desde a sua juventude. Que esteja solitário e silencioso, quando o Senhor o impuser sobre ele..." (Lm 3,27-28)

Já dizia Santa Maria Faustina Helena Kowalska (25/08/1905 - 5/10/1938):

"Entrei na cela, as irmãs já se tinha deitado.Entrei na minha cela...lancei-me ao chão e comecei a rezar ardentemente.Havia silêncio como num Sacrário.Todas as irmãs repousavam, tal como hóstias brancas, encerradas no cálice de Jesus, e apenas da minha cela Deus podia ouvir um gemido da alma!..." (Santa Maria Faustina Helena Kowalska - Diário)

Santa Faustina diz que na sua cela pairava um tremendo silêncio, e ela compara ao silêncio do Sacrário, e na sua cela, ela reza ardentemente, de forma que Deus podia ouvir o gemido da sua alma.Ainda mais deve-se rezar no silêncio quando estivermos no sacrário, pois Deus está ali!

Ora, não foi Deus que disse a Moisés para subir até o topo do Monte Sinai, e no silêncio do Monte, Ele ditou as Suas valiosíssimas ordens?Confiram:

"O Senhor desceu sobre o cume do monte Sinai; e chamou Moisés ao cume do monte. Moisés subiu..." (Ex 19,20)

E em outra parte do Livro do Êxodo diz:

"Moisés levantou-se com Josué, seu auxiliar, e subiu o monte de Deus" (Ex 24,13).

"Moisés subiu ao monte. A nuvem cobriu o monte e a glória do Senhor repousou sobre o Monte Sinai, que ficou envolvido na nuvem durante seis dias. No sétimo dia, o Senhor chamou Moisés do seio da nuvem.Aos olhos dos israelitas a glória do Senhor tinha o aspecto de um fogo consumidor sobre o cume do monte.Moisés penetrou na nuvem e subiu a montanha. Ficou ali quarenta dias e quarenta noites" (Ex 24,15-18).

Alguém pode perguntar, porque ficar calado no sacrário e não rezar o Rosário em "comunidade"?
A essa pergunta responde o Santo Profeta Zacarias:

"Toda criatura esteja em silêncio diante do Senhor: ei-lo que surge de sua santa morada" (Zc 2,17)

Também disse o Santo Profeta Sofonias:

"Silêncio diante do Senhor Javé!" (Sf 1,7)

E o Santo Profeta Habacuc disse:

"Mas o Senhor reside em sua santa morada; silêncio diante dele, ó terra inteira!" (Hab 2,20)

E o Santo Jó disse:

"Se pudésseis guardar silêncio, tomar-vos-iam por sábios" (Jó 13,5)

No livro dos Provérbios está escrito:

"...o homem sábio guarda silêncio" (Pr 11,12)

E o Santo Profeta Jeremias dizia:

"Bom é esperar em silêncio o socorro do Senhor" (Lm 3,26).

"Permanecendo só e em silêncio, quando Deus lho determinar!" (Lm 3,28)

Disse Nosso Senhor Jesus Cristo:

"Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á" (Mt 6,6)

O quarto aqui quer dizer não somente o nosso quarto e sim estar em silêncio, longe de todos, a sós; ou seja recolhido sozinho e rezendo mentalmente!Por que em silêncio?Porque Nosso Senhor disse: "fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo".Ou seja cale-se e reze em silêncio!Para que ninguém saiba o que estás pedindo ou agradecendo, e assim o Pai que está vendo tudo no secreto, possa te recompensar!

Então como devo me portar ao entrar no Silencioso Sacrário?
Ajoelhe-se e no silêncio de sua alma, humilhe-se e contemple o Teu Senhor!Se não puder ficar de joelhos, diz o Senhor dos Exércitos: "Senta-te em silêncio" (Is 47,5).E dê glória a Deus.E humilhe-se ainda mais!E se seus olhos encherem de lágrimas e o teu coração encher do Espírito Santo, a ponto de fazer suspirar a tua alma, observe a fala do Santo Profeta Ezequiel: "Suspira em silêncio" (Ez 24,17).Observando tudo isso não quebraras o silêncio no Sacrário e darás grande alegria a Deus!

Pois disse o Santo Profeta Jeremias:

"O Senhor é bom para quem nele confia, para a alma que o procura" (Lm 3,25)

Então, completa o Santo Rei Davi:

"Em silêncio, abandona-te ao Senhor, põe tua esperança nele" (Sl 36,7).Pois "...os que esperam no Senhor possuirão a terra" (Sl 36,9)

Que possamos lembrar de Judite, que quando entrando no seu quarto, "...movendo em silêncio os lábios, ela orou com lágrimas a Deus" (Jt 13,6)

Que no silêncio do Sacrário, Deus possa escutar o gemido da nossa alma!

Obs1: "Lembrando que na liturgia tradicional, o Sacrário é o centro das atenções numa igreja:deve estar instalado de modo inamovível no centro do altar-mor.Na nova liturgia o altar tem preferência sobre o Sacrário, este fica de lado ou numa capela à parte.Por isso que na liturgia tradicional, logo quando os fiéis entram na igreja, automaticamente "entra-se no sacrário" e o silêncio é pleno, agora com a nova liturgia, na maioria das igrejas, os sacrários estão separados do altar-mor e não se observa o silêncio nem na igreja e nem no sacrário, por isso ao entrar em uma igreja aonde o sacrário não está no centro do altar-mor, permaneça mesmo assim em absoluto silêncio!Pois como dizia a Beata Jacinta Marto: 'Nossa Senhora não quer que a gente fale na igreja'"


Fonte

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A devoção à Santíssima Virgem



"Por isso a devoção à Santíssima Virgem é necessária a todos os homens para a salvação e, muito especialmente, àqueles que são chamados a uma perfeição particular" (São Luis Maria Grignon de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, 40-43).


Por meio da devoção à Santíssima Virgem, o cristão que devotamente a praticar todos os dias, estará garantida (segundo as condições espirituais necessárias - estado de graça-) a salvação de sua alma. "Não há relatos de uma pessoa que tenha pedido auxílio da Santíssima Virgem e que não tenha sido atendida", diz o santo.

Procuremos nos apegar à Santíssima Virgem e às suas devoções como um meio de buscar a perfeição espiritual, com devoção e dedicação as santas obras de caridade, comunhões eucarísticas, Missa todos os domingos e se possível quantas vezes o cristão puder assistir nos dias de semana. A devoção a esta tão bondosa Mãe é a garantia da salvação de nossas almas, pois se por meio da Santíssima Virgem Nosso Senhor veio ao mundo, é por meio da Santíssima Virgem que nós devemos ir ao Nosso Senhor.

Rezemos todos os dias o Santo Terço, se possível o Rosário meditando nos mistérios desde o nascimento de Nosso Senhor, sua morte de Cruz e sua Ressurreição.

Devemos oferecer tudo a Deus pedindo a intercessão da Santíssima Virgem.
"É como se um pobre oferecesse um presente a um rei, o rei não o receberia como se fosse presente de sua esposa. Mas, se o pobre entregasse tal presente à esposa do rei, ela então iria entregar tal presente que seria recebido com muita alegria pelo rei."

A analogia é feita por São Luís Montfort, não exatamente com estas palavras, mas com o mesmo sentido.

Procuremos nos apegar a esta tão bondosa Mãe! Muitas pessoas que deveriam ser condenadas tiveram suas almas salvas por que na hora da morte invocaram a presença da Santíssima Virgem.


Salve Maria Imaculada!!!
 
 
Fonte:
 

sábado, 9 de abril de 2011

Sobre Comungar em Pé




“Livrai-me, Senhor, de meus inimigos, porque é em vós que ponho a minha esperança.Ensinai-me a fazer vossa vontade, pois sois o meu Deus.Que vosso Espírito de bondade me conduza pelo caminho reto”. (Sl 142, 9s) “...fazer vossa vontade, meu Deus, é o que me agrada, porque vossa lei está no íntimo de meu coração”.(Sl 39,9)

Dizia Santo Agostinho de Hipona:
"Vem, Senhor, iluminar as trevas do meu coração.Concede-me a fé verdadeira, a esperança firme, a caridade perfeita e a clara visão para cumprir Tua Vontade”. (Santo Agostinho de Hipona)

E também dizia Santa Paula Frassinetti:
Vontade de Deus, tu és o meu Paraíso!” (Santa Paula Frassinetti)

Ora caríssimos, o que importa é fazer a VONTADE DE DEUS!
Sobre comungar de pé, digo-vos que é da vontade de Deus que se comungue de joelhos e não de pé! Vejamos porque:

1º- “Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos”.(Fl 2,9-10)

2º- “...Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará glória a Deus” (Rm 14,11)

3º- “...todo joelho deve dobrar-se diante de mim...” (Is 45,23)

4º- "Vinde, inclinemo-nos em adoração, de joelhos diante do Senhor que nos criou" (Sl 94,6)

Ai esta bem colocado a vontade de Deus quando nos colocamos a sua Presença.Devemos nos AJOELHAR.Ora, por acaso não se acredita que Jesus Cristo é Deus?Por acaso o Sacramento da Eucaristia não é o Próprio Deus, feito carne.Não se diz: “HOC EST ENIM CORPUS MEUM - ISTO É O MEU CORPO”?Ora, se Jesus é Deus e Deus Verdadeiro, e se a Santa Eucaristia é o Próprio Deus, com o seu Corpo, Alma, Sangue e Divindade, então porque não se AJOELHA para recebê-lo?

Quem não se ajoelha para receber Nosso Senhor Jesus Cristo, ou não pode por motivo de doença, ou é orgulhoso (soberbo)!Se for por motivo de doença, ajoelhe com o seu coração!Mas se você é saudável e pode ajoelhar e não o faz, lembre-se da fala de São Pedro Apóstolo que diz sobre os soberbos:

"...revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes" (I Pd 5,5).
E também São Tiago diz:
"Por isso, ele diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes" (Tg 4,6)

E o Espírito Santo disse:
"Assim como sai um hálito fétido de um estômago estragado, assim como a perdiz atrai para a armadilha, e o cabrito para os laços, assim é o coração dos soberbos, e daquele que está à espreita para ver a ruína do próximo" (Eclo 11,32).

Alguém poderá dizer: 'Eu não ajoelho, nem por isso eu arruíno o meu próximo!'.

Para quem pensa assim, trago a fala de Santa Catarina de Sena, que diz:
"O meu primeiro próximo sou eu mesmo" (Santa Catarina de Sena - O Diálogo)

E por isso São Bento de Núrsia, dizia em sua santa Regra, quanto aos monges dar e receber alguma coisa:
"...ninguém ouse dar ou receber alguma coisa sem ordem do Abade, nem ter nada de próprio, nada absolutamente, nem livro, nem tabuinhas, nem estilete, absolutamente nada, já que não lhes é lícito ter a seu arbítrio nem o próprio corpo nem a vontade" (São Bento - Regra)

E disse São Paulo Apóstolo:

"Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá.Porque o templo de Deus é sagrado - e isto sois vós." (I Cor 3,16-17)

São Paulo Apóstolo, diz que nós somos o templo de Deus e que o Espírito Santo mora em nós, isto é depois do batismo, através da graça santificante.E não podemos expulsar o Espírito Santo, pecando mortalmente, pois isso é como destruir o templo, no qual fala o Santo Apóstolo, e quem morrer, ou seja pecar mortalmente, e não se emendar com Deus através do sacramento da Confissão até no último dia de sua vida; permancendo em estado de pecado mortal, diz o Apóstolo: "Deus o destruirá", ou seja irá para o inferno!E ele termina dizendo que o nosso corpo é sagrado.Por isso que eu devo fazer a Vontade de Deus, rejeitando a minha, para não profanar o meu corpo, e não pecar mortalmente!

Também devemos lembrar que a Soberba é um dos SETE PECADOS CAPITAIS, ou sete vícios capitais.Vícios que são próprios do Demônio!

Se você pode ajoelhar e não o faz porque não o quer, você é soberbo e está arruinando a você mesmo!

Por ventura alguém poderá citar o tópico 90 da Declaração: REDEMPTIONIS SACRAMENTUM (CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS), que diz:

«Os fiéis comunguem de joelhos ou de pé, de acordo com o que estabelece a Conferência de Bispos», com a confirmação da Sé apostólica. «Quando comungarem de pé, recomenda-se fazer, antes de receber o Sacramento, a devida reverência, que devem estabelecer as mesmas normas».

Ora veja como foi muito mal elaborada essa declaração, sobre o tópico acima.Pois pode o homem que recebeu autoridade de Deus ir contra o próprio Deus?Ora deveria essa declaração ter dito e citado as quatro passagens das Sagradas Escrituras que mandam comungar de joelhos, pois é da Vontade de Deus e é a Sua palavra; é a sua DOUTRINA!

Disse Deus sobre Sua palavra:

As minhas palavras, "são palavras sinceras, puras como a prata acrisolada, isenta de ganga, sete vezes depurada" (Sl 11,7)

Passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei” (Mt 5,18)
Sabem porque?Nosso Senhor Jesus Cristo responde:

Porque “as palavras que vos tenho dito são espírito e vida!”(Jo 6,63)

E disse também:
"...bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!" (Lc 11,28)

Pois a Palavra de Deus é:

"É Viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração" (Hb 4,12)

"É Doce" (Hb 6,5)

"É Cura para todas as coisas" (Sb 16,12)

"É Provada, é um escudo para quem se fia em Deus" (Pr 30,5)

"É Verdadeira e não permanece na mentira" (I Jo 10)

"É Semente incorruptível, viva e eterna" (I Pd 1,23)

"É Eterna" (I Pd 1,24; Is 40,8)

"Não se deixa acorrentar" (II Tm 2,9)

"É Pura" (II Sm 22,31; Sl 17,31)

"É Santa" (At 10,44)

"É o capacete da salvação e a espada do Espírito" (Ef 6,17)

"É sustentadora do Universo" (Hb 1,3)

"É Reta, e em todas as suas obras resplandece a fidelidade" (Sl 32,4)

E sobre a Doutrina disse:
"Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.Porque meu jugo é suave e meu peso é leve" (Mt 11,29-30)

E disse São Paulo Apóstolo sobre a Doutrina de Nosso Senhor:
"Certa é esta doutrina, e quero que a ensines com constância e firmeza, para que os que abraçaram a fé em Deus se esforcem por se aperfeiçoar na prática do bem. Isto é bom e útil aos homens" (Tt 3,8)

E em outra parte disse o santo Apóstolo:
"Recomenda esta doutrina aos irmãos...alimentado com as palavras da fé e da sã doutrina que até agora seguiste com exatidão" (I Tm 4,6)

E São João Evangelista disse:
"Todo aquele que caminha sem rumo e não permanece na doutrina de Cristo, não tem Deus. Quem permanece na doutrina, este possui o Pai e o Filho"(II Jo 1,9)

E São Paulo Apóstolo faz uma crítica justa:
"Quem ensina de outra forma e discorda das salutares palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, bem como da doutrina conforme à piedade, é um obcecado pelo orgulho, um ignorante, doentio por questões ociosas e contendas de palavras. Daí se originam a inveja, a discórdia, os insultos, as suspeitas injustas, os vãos conflitos entre homens de coração corrompido e privados da verdade, que só vêem na piedade uma fonte de lucro" (I Tm 6, 3-5)

Para terminar, adverte-nos Nosso Amável Senhor Jesus Cristo:

"Aplicai os ouvidos para ouvir minha voz, sede atentos para escutar minha palavra!" (Is 28,23)."Eu não mudarei minha palavra dada" (Sl 88,35).Pois ela "é justiça no último dia" (Jo 12,48).E "ela não falha!" (Tb 14,6).Então, "não sejas incrédulo à minha palavra" (Eclo 16,29)."Quem menosprezar a minha palavra perder-se-á; quem respeitar o meu preceito será recompensado" (Pr 13,13).Pois "quem ouve as minhas palavras com atenção, encontra a felicidade" (Pr 16,20)

Então que todo o joelho se dobre na presença de Deus!


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