segunda-feira, 30 de maio de 2011

Guia Mariano de Modéstia


"Tal como Maria, vista com modéstia — Seja modesta, para ser como Maria."

Fonte
    "A modéstia é a virtude mais esquecida [...] ela é indispensável para a proteção da castidade. É inútil procurar restaurar a castidade nos indivíduos, nas famílias e na sociedade se a sua salvaguarda, a modéstia, é ignorada e atacada em tão larga escala [...]. Modéstia e moral são um grande problema nos dias de hoje sendo, dentre muitas outras, pedras que impedem nossa salvação. São necessárias uma mudança e uma limpeza em nosso estilo de vida."

    "A Cruzada Mariana apresenta Maria como o perfeito modelo para todos os Cristãos e beseia-se no Magistério da Igreja, nos Santos, em revelações privadas e nos Papas, que são a Autoridade Suprema de Ensino na Igreja sobre modéstia."


Obs.: A maior parte desta obra é a cópia original do livro Marylike Modesty Handbook of the Purity Crusade of Mary Immaculate do Padre Bernard A. Kunkel, fundador da Marylike Crusade (Cruzada Mariana) em prol da castidade e modéstia por meio de imitação da Santíssima Virgem. Ressaltando que o Papa Pio XII deu a benção papal ao apostolado do Pe. Kunkel em duas diferentes ocasiões e seus estatutos foram aprovados pela autoridade eclesiástica vaticana.


 ATO  DE  CONSAGRAÇÃO  AO  IMACULADO    CORAÇÃO  DE  MARIA   PARA  OBTER  A  PUREZA 

Oh, Imaculado Coração de Maria, Virgem Puríssima, atenta aos terríveis perigos morais que ameaçam por todos os lados. Ciente da minha própria fraqueza humana, voluntariamente me coloco, de corpo e alma, este dia e para sempre, sob a Vossa solicitude e proteção.
Consagro-Vos o meu corpo, com todos os seus membros, e peço-Vos que me ajudeis a nunca o usar como uma ocasião de pecado para os outros. Ajudai-me a lembrar-me de que o meu corpo é "Templo do Espírito Santo," que devo usar segundo a Santa Vontade de Deus para a minha salvação e a dos outros.
Consagro-Vos a minha alma, e peço-Vos, a Vós e a Jesus, que me guardeis e me leveis com segurança para Casa — que é o Céu — por toda a eternidade.
Oh, Maria, minha Mãe, tudo o que sou, tudo que tenho é Vosso, Guardai-me e conservai-me debaixo do Vosso manto de misericórdia, como coisa e propriedade Vossa.
"Jesus, Maria, eu Vos amo; salvai as Almas!"

Imprimatur: Albert R. Zuroweste
Bispo de Belleville, Illinois





Baixe  o Guia pelo link abaixo; 

http://dc383.4shared.com/download/aVTYcZhN/guia_mariano_de_modestia.pdf




Fontes: 

domingo, 29 de maio de 2011

A Virtude da Pobreza e a Virgem Santíssima


Sto Afonso Maria de Ligório

Quem ama as riquezas, dizia São Felipe Neri, não chegará a ser santo. E afirmava Santa Teresa: É claro que vai perdido quem caminha atrás de coisas perdidas. Pelo contrário, dizia a mesma santa que a virtude da pobreza abarca todos os demais bens. Disse: "a virtude da pobreza", que, como diz São Bernardo, não consiste em ser pobre, senão em amar a pobreza. Por isto afirma Jesus Cristo: "Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus" (Mt 5,3). Bem aventurados porque não querem outra coisa mais que a Deus e em Deus encontram todo bem e encontram na pobreza seu paraíso na terra, como o entendeu são Francisco ao dizer: "Meu Deus e meu tudo".

Amemos esse bem no qual estão todos os bens, como exorta Santo Agostinho: Ama um bem no qual estão todos os demais. E roguemos ao Senhor com Santo Inácio: Dá-me só teu amor, que se me dás tua graça sou de todo rico. E quando nos aflija a pobreza, consolemo-nos sabendo que Jesus e sua Mãe Santíssima foram pobres como nós. Diz São Boaventura: O pobre pode receber muito consolo com a pobreza de Maria e a de Cristo.

Mãe minha amantíssima, com quanta razão disseste que em Deus estava teu gozo: "E se alegra meu espírito em Deus meu salvador", porque neste mundo não ambicionaste nem amaste outro bem mais que a Deus. Atrai-me após ti. Senhora, desprende-me do mundo e atrai-me a ti para que ame o único que merece ser amado. Amém.

Sto Afonso Maria de Ligório, As Glórias de Maria


Fonte:

http://anjosdeadoracao.blogspot.com

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A Virgem Santíssima nos últimos tempos


S. Luís Maria Grignion de Montfort

Nesses últimos tempos, Maria deve brilhar, como jamais brilhou, em misericórdia, em força e em graça. Em misericórdia para reconduzir e receber amorosamente os pobres pecadores e desviados que se converterão e voltarão ao seio da Igreja Católica; em força contra os inimigos de Deus, os idólatras, cismáticos e ímpios empedernidos, que se revoltarão terrivelmente para seduzir e fazer cair, com promessas e ameaças, todos os que lhes forem contrários. Deve, enfim, resplandecer em graça, para animar e sustentar os valentes soldados e fiéis de Jesus Cristo que lutarão por seus interesses.

Maria deve ser, enfim, terrível para o demônio e seus sequazes como um exército em linha de batalha, principalmente nesses últimos tempos, pois o demônio, sabendo bem que pouco tempo lhe resta para perder as almas, redobra cada dia seus esforços e ataques. Suscitará, em breve, perseguições cruéis e terríveis emboscadas aos servidores fiéis e aos verdadeiros filhos de Maria, que mais trabalho lhe dão para vencer. (...) Deus deu a Maria tanto ódio a esse amaldiçoado inimigo de Deus, tanta clarividência para descobrir esse ímpio orgulhoso, que o temor que Maria inspira ao demônio é maior que o que lhe inspiram todos os anjos e homens e, em certo sentido, o próprio Deus. Não que a ira, o ódio, o poder de Deus não sejam infinitamente maiores que os da Santíssima Virgem, pois as perfeições de Maria são limitadas, mas, em primeiro lugar, Satanás, porque é orgulhoso, sofre incomparavelmente mais, por ser vencido e punido pela pequena e humilde escrava de Deus, cuja humildade o humilha mais que o poder divino; segundo, porque Deus concedeu a Maria tão grande poder sobre os demônios que infunde-lhes mais temor um só de seus suspiros por uma alma, que as orações de todos os santos; e uma só de suas ameaças que todos os outros tormentos. O que Lúcifer perdeu por orgulho, Maria ganhou por humildade.

S. Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem (Leitura Obrigatória)
 
 
Fonte:

terça-feira, 24 de maio de 2011

Sobre a Leitura do Livro dos Salmos



Os ensinamentos abaixo foram retirados da Carta de Santo Atanásio à Marcelino sobre a Interpretação dos Salmos.Esta carta foi escrita por volta do ano 350 e trata da exegese e importância dos Salmos.

"Falando com maior precisão, pontualizemos então que se toda a Escritura divina é mestra de virtude e de fé autêntica, o livro dos Salmos oferece, ademais, um perfeito modelo de vida espiritual. Igual a quem se apresenta diante de um rei e assume as corretas atitudes corporais e verbais, não seja que apenas abra a boca, seja arrojado fora por sua falta de compostura, também a aquele que corre até a meta das virtudes e deseja conhecer a conduta do Salvador durante sua vida mortal; o sagrado Livro o conduz primeiro, através da leitura, à consideração dos movimentos da alma e, a partir daí, vai representando sucessivamente o resto, ensinando aos leitores graças a ditas expressões. Neste livro, chama a atenção que alguns salmos contenham narrações históricas, outros admoestações morais, outros profecias, outros súplicas e outros, todavia, confissão.

Na forma de narração, temos os seguintes salmos: 18; 43; 48; 49; 72; 76; 88; 89; 106; 113; 126; e 136.

Em forma de oração, temos os salmos: 16; 67; 89; 101; 131; e 141.

Os proferidos como súplica, petição instante, são os salmos: 5; 6; 7; 11; 12; 15; 24; 27; 30; 34; 37; 42; 53; 54; 55; 56; 58; 59; 60; 63; 82; 85; 87; 137; 139; e 142.

Em forma de súplica junto com ação de graças, temos o salmo 138.

Entre os que só suplicam, temos os salmos: 3; 25; 68; 69; 70; 73; 78; 79; 108; 122; 129; e 130.

Em forma de confissão, temos os salmos: 9; 74; 91; 104; 105; 106; 107; 110; 117; 135; e 137.

Aqueles que entrelaçam narração com confissão, são os salmos: 9; 74; 105; 106; 117; 135; e 137.

Um salmo que combina confissão com narração e ação de graças é o 110.

Tem forma de admoestação o salmo 36.

Os salmos que contém profecia são: 20; 21; 44; 46; e 75.

No 109 temos anunciação junto com profecia.

Os salmos que exortam e prescrevem, e como que ordenam, são: 28; 32; 80; 94; 95; 96; 97; 102; 103; e 113.

O salmo 149 combina exortação com louvor.

Descrevem a vida ornada pela virtude os salmos: 104; 111; 118; 124; e 132.

Aqueles que expressam louvor são: 90; 112; 116; 134; 144; 145; 146; 148; e 150.

São salmos de ação de graças: 8; 9; 17; 33; 45; 62; 76; 84; 114; 115; 120; 121; 123; 125; 128; e 143.

Aqueles que anunciam uma promessa de bem-aventurança são: 1; 31; 40; 118; e 127.

Demonstrativo de alegre prontidão com (acréscimo) de cântico: o 107.

Outro há que exorta à fortaleza: o 80.

Temos os que reprovam aos ímpios e iníquos, como os: 12; 13; 35; 51; e 52.

O salmo 4 é uma invocação.

Aqueles salmos que falam [do cumprimento] de votos, são: o 19 e o 63.

Tem palavras de glorificação ao Senhor: 22; 26; 38; 39; 41; 61; 75; 83; 96; 98.

Acusações escritas para provocar vergonha são: o 57 e o 81.

Se encontram acentos hínicos nos: 47 e 64.

O salmo 65 é um canto de júbilo e se refere à ressurreição.

Outro, o 99, é unicamente canto de júbilo.

Estando, então, os salmos dispostos acima ordenados desta maneira, é possível aos leitores - como já o disse antes - descobrir em cada um deles os movimentos e a constituição de sua alma, do mesmo modo que descobrem o gênero e o ensinamento que cada um lhes transmitem.

Igualmente se pode aprender deles as palavras a dizer para agradar o Senhor, ou com quais palavras expressar o desejo de corrigir-se e arrepender-se ou de dar-lhe graças. Tudo isto impede, ao que recita literalmente estas expressões, cair na impiedade. Já que não somente tenhamos de dar a razão das nossas obras ao Juiz (Supremo), como também de toda palavra inútil (Mt 12,36):

Se queres bendizer a alguém, aprendes como fazê-lo e em nome de quem, nos salmos 1; 31; 40; 11; 118 e 127.

Se desejas censurar as conjurações dos judeus contra o Salvador, aí tens o segundo (salmo 2) de nossos poemas.

Se os teus te perseguem e muitos se levantam contra ti, recita o terceiro (salmo 3).

Se estando aflito, invocaste ao Senhor e porque te escutou queres dar-lhe graças, entoa o 4, ou o 74, ou o 114.

Se a ti basta que os malfeitores te preparam armadilhas e queres que bem de manhã tua oração chegue a seus ouvidos, recita o 5.

Se a ameaça de castigo do Senhor te intranquiliza, podes recitar o 6 ou o 37.

Se alguns se reúnem para tramar algo contra ti, como o fez Ajitófel contra Davi, e chega a teus ouvidos, canta o salmo 7 e confia no Senhor em te defender.

Se, observando a extensão universal da graça do Salvador e a salvação do gênero humano, queres conversar com Deus, canta o salmo 8.

Queres entoar o cântico da vindima, para dar graças ao Senhor? Tens novamente a tua disposição o 8 e também o 83.

Em honra à vitória sobre os inimigos e a liberação da criatura, sem vangloriar-se, e sim reconhecendo que estes feitos magníficos são obra do Filho de Deus, recita o já mencionado salmo 9.

Se alguém quer confundir-te ou assustar-te, tem confiança no Senhor e repete o salmo 10.

Ao observar a soberba de tantos e como o mal cresce, ao ponto que já não há ações santas entre os homens, busca refúgio no Senhor e diga o salmo 11.

Prolongam os inimigos seus ataques? Não desesperes como se Deus te esquecera, e sim invoca-o cantando o salmo 12.

Não te associes de modo algum com os que blasfemam impiamente contra a Providência, mas bem suplica ao Senhor recitando os salmos 13 e 52.

Aquele que queira aprender quem é o cidadão do reino dos céus deve dizer o salmo 14.

Necessitas orar porque teus adversários assediam tua alma? Canta os salmos 16; 85; 87 e 140.

Se quiseres saber como rezava Moisés, aí tens o salmo 89.

Foste libertado de teus inimigos e perseguidores? Canta o salmo 17.

Te maravilham a ordem da criação e a providente graça que nela resplandece, como também os preceitos santos da Lei? Canta então o 18 e o 23.

Vendo sofrer os atribulados, consola-os orando e recitando-lhes as palavras do salmo 19.

Vês que o Senhor te conduz e pastoreia, guiando-te pelo caminho reto, alegra-te dele e salmodia o 22!

Te submergem os inimigos? Eleva tua alma até Deus salmodiando o 24 e vejas que os iníquos caem malogrados.

Te cercam os inimigos, tendo suas mãos totalmente manchadas de sangue, e não buscam mais que perder-te e confundir-te? Então, não confies tua justiça a um homem - toda justiça humana é suspeita! - mas peça ao Senhor que te faça justiça, já que ele é o único Juiz, recitando o 25; 34 ou 42.

Quando te assaltam violentamente os inimigos e se congregam como um exército e te depreciam como se ainda não estivesses ungido, e por isso te façam a guerra, não temas, canta muito o salmo 26.

A natureza humana é débil, e se [apesar dela] os perseguidores se fazem tão desavergonhados e insistem, não lhes faças caso, suplica em troca ao Senhor com o salmo 27.

Se queres aprender como oferecer sacrifícios ao Senhor com ação de graças, recita então com inteligência espiritual o salmo 28.

Se dedicas e consagras tua casa, isto é, tua alma que hospeda ao Senhor, como também a casa corpórea na que moras fisicamente, recita com ação de graças o 29 e, entre os salmos graduais, o 126.

Se vês que és depreciado e perseguido por amigos e conhecidos à causa da verdade, não perdas o ânimo por isso, nem temas aos que se te opõem, e sim, aparta-te deles e, contemplando o futuro, salmodia o 30.

Se ao ver aos batizados e resgatados de sua vida corruptível, ponderas e admiras a misericórdia de Deus, canta em te favor tuas louvações com o salmo 31.

Se desejas salmodiar em companhia de muitos, reúne os homens justos e probos, e recita o 32.

Se caíste vítima de teus inimigos e sagazmente pudeste evitar seus assédios, reúne os homens mansos e recita em sua presença o salmo 33.

Se vês o céu para cometer o mal que impera entre os transgressores da Lei, não penses que a maldade é algo natural neles, como o afirmam os hereges, e sim recita o 35 e te convenças de que a eles lhes correspondem a responsabilidade pelo pecado.

Se vês os malvados cometerem muitas iniqüidades e avalentarem-se contra os humildes, e queres exortar a alguém que nem se junte com os iníquos, nem lhes tenha inveja, pois seu porvir será a queda, então dê para ti mesmo e para os outros o 36.

Se, por outro lado, querendo prestar atenção à tua própria pessoa, e vendo que o inimigo se dispõe a atacar-te - pois lhe agrada provocar a este tipo de pessoas - querendo fortalecer-te contra ele, canta o salmo 38.

Se tendo que suportar ataques dos perseguidores, queres aprender as vantagens da paciência, recita então o 39.

Quando vendo multidão de pobres e mendigos, queres mostrar-te misericordioso com eles, serás capaz de sê-lo graças à recitação do salmo 40, já que com ele elogias aos que já atuaram compassivamente, e exortas aos demais a que ajam de igual maneira.

Se ansiando buscar a Deus, escutas as burlas dos adversários, não te perturbes, mas considerando a recompensa eterna de tal nostalgia, consola tua alma com a esperança em Deus, e, superados os pesares que te afligem nesta vida, entoa o salmo 41.

Se não queres deixar de recordar os inumeráveis benefícios que o Senhor outorgou a teus pais, como o êxodo do Egito e a estadia no deserto, e que bom é Deus e quão ingratos os homens, tens os salmos 43; 77; 88; 104; 105; 106 e 113.

Se havendo-te refugiado em Deus, poderoso defensor no perigo, queres dar-lhe graças e narrar suas misericórdias para contigo, tens o 45.

Pecaste, sentes vergonha, buscas fazer penitência e alcançar misericórdia? Encontrarás palavras de arrependimento e confissão no salmo 50.

Ainda assim deves suportar calunias por parte de um rei iníquo, e vês como se encoraja o caluniador, alija-te dali e usa as expressões que encontras no 51.

Se te atacam, te acossam e querem trair-te, entregando-te à justiça, como o fizeram zifeos e filisteus com Davi, não perdas o valor: tem ânimo, confia no Senhor e louvai-o com as palavras dos salmos 53 e 55.

A perseguição te sobrevem, cai sobre ti e, sem sabê-lo, penetra inesperadamente na cova que te escondias, nem assim temas, pois ainda nesse aperto encontraras palavras de consolo e de memorial indelével nos salmos 56 e 141.

Se quem te persegue dá a ordem de vigiar tua casa, e tu, apesar de tudo, logras escapar, dá graças a Deus, e inscreve o agradecimento em teu coração, como sobre uma estrela indelével, em memória de que não pereceste e entoa o salmo 58.

Se os inimigos que te afligem proferem insultos, e os que aparentavam ser amigos lançam acusações contra ti, e isto perturba tua oração por um breve tempo, reconforta-te louvando a Deus e recitando as palavras do 54.

Contra os hipócritas e os que se vangloriam descaradamente, recita - para vergonha sua - o salmo 57.

Contra os que arremetem selvagemente contra ti e querem arrebatar-te a alma, contraponha tua confiança e adesão ao Senhor; quanto mais se encorajem eles, tanto mais descansa nele, recitando o 61.

Se perseguido, retira-te para o deserto e nada temas por estar ali só, pois tens a Deus junto de ti, a quem, muito de madrugada, podes cantar-lhe o 62.

Se te aterrorizam os inimigos e não cessam em conjurarem contra ti, buscando-te sem descanso, ainda que sejam muitos, não te aflijas, já que seus ataques serão como feridas causadas por flechas atiradas por crianças; entoa, então (confiante), os salmos 63; 64; 69 e 70.

Se desejas louvar a Deus recita o 64.

E quando queiras catequizar alguém acerca da ressurreição, entoa o 65.

Imploras a misericórdia do Senhor? Louva-o salmodiando o 66.

Se vês que os malvados prosperam gozando de paz e os justos, em troca, vivem em aflição, para não tropeçar nem escandalizar-te, recita também tu o 72.

Quando a ira de Deus se inflama contra o povo, tenhas palavras sábias para seu consolo no 73.

Se andas necessitado de confissão, salmodia o 9; 74; 91; 104; 105; 106; 107; 110; 117; 125 e 137.

Queres confundir e envergonhar os pagãos e hereges, demostrando que nem um só deles possui o conhecimento de Deus, e sim unicamente a Igreja Católica? Podes, se assim o pensas, cantar e recitar inteligentemente as palavras do 75.

Se teus inimigos te perseguem e te cortam toda possibilidade de fuga, ainda que estejas muito afligido e grandemente confundido, não desesperes, e sim clama; e se teu grito é escutado, dá graças a Deus recitando o 76.

Porém, se os inimigos persistem e invadem e profanam o templo de Deus, matando os santos e arremessando seus cadáveres às aves do céu, não te deixes intimidar nem temas sua crueldade, e sim compadece com os que padecem e ora a Deus com o salmo 78.

Se desejas louvar ao Senhor em dia de festa, convoca os servos de Deus e recita os salmos 80 e 94.

E se novamente os inimigos todos, se reúnem, assaltando-te por todas as partes, proferindo ameaças até à casa de Deus e aliando-se contra a piedade, não te amedrontes por sua multidão ou seu poder, já que tens uma âncora de esperança nas palavras do salmo 82.

Se vendo a casa do Senhor e seus tabernáculos eternos, sentes nostalgia por eles, como tinha o Apóstolo, recita o salmo 83.

Quando havendo cessado a ira e terminado o cativeiro, quiseras dar graças a Deus, tens o 84 e o 125.

Se quiseres saber a diferença que medeia entre a Igreja católica e os cismáticos, e envergonhar estes últimos, podes pronunciar as palavras do 86.

Se quiseres exortar-te a ti e a outros, a render culto verdadeiro a Deus, demostrando que a esperança em Deus não fica confundida, e sim que, ao contrário, a alma fica fortalecida, louva a Deus recitando o 90.

Desejas salmodiar o Sábado? Tens o 91.

Queres dar graças no dia do Senhor? Tens o 23; ou, desejas fazê-lo no segundo dia da semana? Recita o 47.

Queres glorificar a Deus no dia de preparação? Tens o louvor do 92.

Porque então, quando ocorreu a crucifixão, foi edificada a casa ainda que os inimigos trataram de rodeá-la, é conveniente cantar como cântico triunfal o que se enuncia no 92.

Se te sobrevindo o cativeiro, e a casa, sendo derrubada, volta a ser edificada, canta o que se contém no 95.

A terra se livrou dos guerreiros e apareceu a paz: reina o Senhor e tu queres fazê-lo objeto de teus louvores, aí tens o 96.

Queres salmodiar o quarto dia da semana? Faça-o com o 93; pois num dia como esse foi o Senhor entregue e começou a assumir e executar o juízo contrário à morte, triunfando confiadamente sobre ela. Se lês o Evangelho, verás que no quarto dia da semana os judeus se reuniram em Conselho contra o Senhor, e também verás que com todo valor começou a procurar-nos justiça contra o diabo: salmodia, com respeito a tudo isto, com as palavras do 93.

Se, ademais, observas a providência e o poder universal do Senhor, e queres instruir a alguns na obediência e na fé, exorta-os diante de tudo a confessar decididamente, salmodiando o 99.

Se tens reconhecido o poder de seu juízo, quer dizer que Deus julga temperando a justiça com sua misericórdia, e queres acercar-te dele, tens para este propósito as palavras do 100 entre os salmos.

Nossa natureza é débil... se as angústias da vida te fizeram similar a um mendigo, e sentindo-te exausto buscas consolo, entoa o 101.

É conveniente que sempre e em todo lugar demos graças a Deus... se desejas bendizê-lo, estimula tua alma recitando o 102 e o 103.

Queres louvar a Deus e saber, como, por que motivos e com quais palavras fazê-lo? Tens o 104; 106; 134; 145; 146; 147; 148 e 150.

Prestas fé ao que disse o Senhor e tens fé nas palavras que tu mesmo dizes quando rezas? Profere o 115.

Sentes que vais progredindo gradualmente em tuas obras, de modo que podes fazer tuas as palavras: "esquecendo o que fica atrás de mim, me lanço até o que está adiante" (Fil 3,13)? Podes então entoar para cada um dos degraus de teu adiantar um dos quinze salmos graduais.

Tens sido conduzido ao cativeiro por pensamentos estranhos e te achas nostalgicamente puxado por eles? Te embarga o arrependimento, desejas não cair no futuro e, ainda assim, segues cativo deles? Senta-te, chora, e como o fez Anato ao povo, pronuncia as palavras do 136!

És tentado e, assim, sondado e provado? Se quando superada a tentação quiseres dar graças, utiliza o salmo 138.

Te achas novamente acossado pelos inimigos e queres ser libertado? Pronuncia as palavras do 139.

Desejas suplicar e orar? Salmodia o 5 e o 142.

Se alçado o tirânico inimigo contra o povo e contra ti, ao modo de Golias contra Davi, não temas: tenha fé, e como Davi, salmodia o 143.

Se maravilhado pelos benefícios que Deus outorgou a todos e também a ti, queres bendizê-lo, repete as palavras que Davi disse no 144.

Queres cantar e louvar ao Senhor? O que deves entoar está nos salmos 92 e 97.

Suponhamos que desejas entoar os salmos que resumem o louvor a Deus, e que vão encabeçados pela Aleluia, podes usar: o 104; 105; 106; 111; 112; 113; 114; 115; 116; 117; 118; 134; 135; 145; 146; 147; 148; 149 e o 150.

Se ao salmodiar queres destacar o que se refere ao Salvador, encontrarás referências praticamente em cada salmo; assim, por exemplo:

Tens o 44 e o 100, que proclamam tanto sua geração eterna do Pai como sua vinda na carne;

O 21 e o 68 que preanunciam a cruz divina, como também todos os padecimentos e perseguições que suportou por nós;

O 2 e o 108 que apregoam a maldade e as perseguições dos judeus e a traição de Judas Iscariotes;

O 20, 49 e 71 proclamam seu reinado e sua potestade de julgar, como também sua manifestação a nós na carne e a vocação dos pagãos.

O 15 anuncia sua ressurreição dentre os mortos;

O 23 e 46 anunciam sua ascensão aos céus.

Ao ler o 92, 95, 97 ou 98, cais na conta e contemplas os benefícios que o Salvador nos outorgou graças a seus padecimentos.

FIM!



Fonte:

http://voltaparacasa.com.br/conselhos

domingo, 22 de maio de 2011

O Dom da Medalha Milagrosa

O Dom da Medalha Milagrosa
Folheto da Chapelle Notre Dame de la
Medaille Miraculeuse


    Dentre as medalhas mais difundidas, encontra-se a Medalha da Imaculada, conhecida no mundo inteiro como a Medalha Milagrosa.
 
   A Medalha recapitula, através de seu rico simbolismo, os mistérios da fé. Evoca também os mistérios da Encarnação e da Redenção, evoca o lugar ímpar ocupado por Maria no desígnio de Deus; o amor do Coração de Cristo e de Sua Mãe por todos os homens, a maternidade universal da Virgem Maria, o mistério da Igreja e as relações entre a terra e o Céu.


Ó Maria concebida sem pecado,
  Rogai por nós que recorremos à Vós!
 
 
Baixe o folheto pelo link abaixo;
 
 
Fonte:

“Avisos” – São João da Cruz

Primeiramente: tenha sempre a alma o desejo contínuo de imitar a Cristo em todas as coisas, conformando-se à sua vida que deve meditar para sabre imitá-la, e agir em todas as circunstâncias como ele próprio agiria.

Em segundo lugar, para bom poder fazer isto, se lhe for oferecida aos sentidos alguma coisa de agradável que não tenda exclusivamente para a honra e a glória de Dus, renuncie e prive-se dela pelo amor de Jesus Cristo, que, durante a sua vida, jamais teve outro gosto, nem outra coisa quis senão fazer a vondade do Pai, a que chamava sua comida e manjar. Por exemplo: se acha satisfação em ouvir coisas em que a glória de Deus não está interessada, rejeite esta satisfação e mortifique a vontade de ouvir. Se tem prazer em olhar objetos que não levam a Deus, afaste este prazer e desvie os olhos. Igualmente nas conversações e em qualquer outra circunstância, deve fazer o mesmo. 

Em uma palavra, proceda deste modo, na medida do possível, em todas as operações dos sentidos; no caso de não ser possível, basta que a vontade não queira gozar desses atos que lhe vão na alma. Desta maneira há de deixar logo mortificados e vazios de todo o gosto, e como às escuras. E com este cuidado, em breve aproveitará muito.

Para mortificar e pacificar as quatro paixões naturais que são gozo, esperança, temor e dor, de cuja concórdia e harmonia nascem inumeráveis bens, trazendo à alma grande merecimento e muitas virtudes, o remédio universal é o seguinte:

Procure sempre inclinar-se não ao mais fácil, senão ao mais difícil. Não ao mais saboroso, senão ao mais insípido. Não ao mais agradável, senão ao mais desagradável. Não ao descanso, senão ao trabalho. Não ao consolo, mas à desolação. Não ao mais, senão ao menos. Não ao mais alto e precioso, senão ao mais baixo e desprezível. Não a querer algo, e sim a nada querer. Não a andar buscando o melhor das coisas temporais, mas o pior; enfim, desejando entrar por amor de Cristo na total desnudez, vazio e pobreza de tudo quanto há no mundo.

Abrace de coração essas práticas, procurando acostumar a vontade a elas. Porque se de coração as exercitar, em pouco tempo achará nelas grande deleite e consolo, procedendo com ordem e discrição.
(…)

O espiritual deve: 1.º Agir em seu desprezo e desejar que os outros o desprezem. 2.º Falar contra si e desejar que os outros também o façam. 3.º Esforçar-se por conceber baixos senrimentos de sua própria pessoa e desejar que os outros pensem do mesmo modo.

São João da Cruz – Subida do Monte Carmelo – Livro I – Capítulo XIII, §3-7; 9.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O amor perfeito da Virgem Santíssima


 Sto Afonso

Como águia real, estava sempre com os olhos postos no divino sol, de maneira tal, diz São Pedro Damião, que as atividades na vida não lhe impediam o amor, nem o amor lhe obstaculizava as atividades. Assim é que Maria esteve figurada no altar da propiciação em que nunca se apagava o fogo nem de noite nem de dia.

Nem mesmo o sono impedia Maria de amar a Deus. E se semelhante privilégio se concedeu a nossos primeiros pais no estado de inocência, como afirma Santo Agostinho, dizendo que tão felizes eram quando dormiam como quando estavam despertos, não se pode negar que semelhante privilégio o teve também a Mãe de Deus, como o reconhecem entre outros São Bernardino e Santo Ambrósio, que deixou escrito falando de Maria: Quando descansava seu corpo, estava vigilante sua alma, verificando-se nela o que diz o Sábio: "não se apaga pela noite sua lâmpada" (Pr 31,18). E assim é, porque enquanto seu corpo sagrado tomava o necessário descanso, sua alma, diz São Bernardino, livremente tendia a Deus, e assim era mais perfeita contemplativa do que haviam sido os demais quando estavam despertos. De modo que bem podia dizer com a Esposa: "Eu dormia, mas meu coração velava" (Ct 5,2). Era, como diz Suarez, tão feliz dormindo quanto velando.

Em suma, afirma São Bernardino que Maria, enquanto viveu na terra, constantemente esteve amando a Deus. E diz que ela não fez senão o que a divina sabedoria lhe mostrou que era o mais agradável a Deus, e que o amou tanto quanto entendeu que devia ser amado por ela. De maneira que, fala Santo Alberto Magno, bem pode-se dizer que Maria esteve tão plena de santa caridade que é impossível imaginar algo melhor nesta terra. Cremos, sem medo de ser desmedidos, que a Santíssima Virgem, pela concepção do Filho de Deus, recebeu tal infusão de caridade quanto podia receber uma criatura na terra. Pelo que diz São Tomás de Vilanova que a Virgem com sua ardente caridade foi tão bela e de tal maneira enamorou a seu Deus, que Ele, prendado de seu amor, baixou a seu seio para fazer-se homem. Esta Virgem com sua formosura atraiu a Deus desde o céu e preso por seu amor ficou atado com os laços de nossa humanidade. Por isto exclama São Bernardino:  eis aqui uma donzela que com sua virtude feriu e roubou o coração de Deus.

Sto Afonso de Ligório, As Glórias de Maria
 
 
Fonte:

terça-feira, 17 de maio de 2011

Sobre a Santa Missa



Dizia São Bernardo:

"Fica sabendo, ó cristão, que mais se merece assistir devotamente uma só Missa (na igreja), do que distribuir todas as riquezas aos pobres e peregrinar toda a Terra".

Também disse São Tomás de Aquino:

"O martírio não é nada em comparação com a Santa Missa. Pelo martírio, o homem oferece à Deus a sua vida; na Santa Missa, porém, Deus dá o seu Corpo e o seu Sangue em sacrifício para os homens.Se o homem reconhecesse devidamente esse mistério, morreria de amor.A Eucaristia é o milagre supremo do Salvador; é o Dom soberano do Seu amor."

E São João Maria Vianney disse:

"Agradeçamos, pois, ao Divino Salvador por Ter nos deixado este meio infalível de atrair sobre nós as ondas da divina misericórdia.A Santa Missa é uma embaixada à Santíssima Trindade; de inestimável valor; é o próprio Filho de Deus que a oferece."

Dizia Santo Agostinho:

"Na hora da morte, as Missas à que houveres assistido, serão a tua maior consolação. Um dos fins da Santa Missa, é alcançar para ti o perdão dos teus pecados. Em cada Missa, podes diminuir a pena temporal devida aos teus pecados, pena essa que será diminuída na proporção do teu fervor.Assistindo com devoção à Santa Missa, prestas a maior das honras à Santa Humanidade de Jesus Cristo.Ele se compadece de muitas das tuas negligências e omissões. Perdoa-te os pecados veniais não confessados, dos quais, porém, te arrependes; preserva-te de muitos perigos e desgraças que te abateriam.Diminui o império de satanás sobre ti mesmo. Sufraga as almas do Purgatório da melhor maneira possível.Uma só Missa a que houveres assistido em vida, será mais salutar que muitas a que os outros assistirão por ti depois da morte.Será ratificada no Céu a bênção que do Sacerdote recebes na Santa Missa."

E São Francisco de Assis dizia:

"Sinto-me abrasado de amor até o mais íntimo do coração pelo santo e admirável Sacramento da Santa Eucaristia e deslumbrado por essa clemência tão caridosa de Nosso Senhor, a ponto de considerar grave falta , para quem, podendo assistir a uma Missa, não o faz."

Também disse São Boaventura:

"A Santa Missa é a obra na qual Deus coloca sob os nossos olhos todo o amor que Ele nos tem; é de certo modo, a síntese de todos os benefícios que Ele nos faz."

E São Francisco de Salles disse:

"A Missa é o sol da Igreja."

São Lourenço disse:

"Nenhuma língua humana pode exprimir os frutos de graças, que atrai o oferecimento do Santo Sacrifício da Missa."

E São Jerônimo dizia:

"Nosso Senhor Jesus Cristo nos concede tudo o que Lhe pedimos na Santa Missa; e o que mais vale é que nos dá ainda o que nem sequer cogitamos pedir-Lhe e que, entretanto, nos é necessário.Cada Santa Missa a que assistires, alcançar-te-á, no Céu, maior grau de glória."

Também Santa Matilde:

"Todas as Missas tem um valor infinito, pois são celebradas pelo próprio Jesus Cristo, com uma devoção e amor acima do entendimento dos Anjos e dos homens, constituindo o meio mais eficaz, que nos deixou Nosso Senhor Jesus Cristo, para a salvação da humanidade."

E afirmava São João Crisóstomo:

"Após a consagração, eu tenho visto esses milhares de Anjos formando a corte real de Jesus, em volta do tabernáculo, eu os tenho visto com meus próprios olhos."

Então como devemos ASSISTIR a Santa Missa?

São Padre Pio de Pietrelcina responde:

"Como assistiam no Calvário Nossa Senhora e São João, renovando a fé, meditando na Vítima que se oferece para nós.Nunca deixa o altar sem derramar lágrimas de arrependimento e amor a Jesus.Escutem a Virgem que vos fala e vos acompanhará"

É errado rezar o Santo Rosário durante a Santa Missa?Isso impede de ouvirmos com fruto a Santa Missa?
Responde o Papa São Pio X:

"A recitação destas orações não impede ouvir com fruto a Missa, desde que haja um esforço possível de seguir as cerimônias do Santo Sacrifício".E "É coisa boa rezar também pelos outros, quando se assiste à Santa Missa; e até o tempo da Santa Missa é o mais oportuno para rezar pelos vivos e pelos mortos" (CATECISMO MAIOR DE SÃO PIO X - Terceiro Catecismo Da Doutrina Cristã; nº 667 - 668)

Fonte:

Caridade com o Próximo

“(…) Que diremos duma teoria errônea da correção fraterna? É o mais difícil dos deveres e a mais obscura das obrigações, e uma teoria errônea a seu respeito causa muito escândalo aos outros e muitas vezes infunde também uma idéia exagerada da nossa própria importância.
Devemos nos lembrar que são poucos os que, em virtude de sua posição ou adiantamento, são de qualquer modo chamados a corrigir os seus irmãos; ainda um menor número é competente para fazê-lo com doçura; e não há ninguém cuja santidade não seja submetida à mais rude provação pelo perfeito cumprimento deste dever.

Ao contrário, os que assumirem com leviandade e por conta própria esta responsabilidade delicada não somente pecam por desobediência, por falta de respeito, por arrogância, por azedume, por presunção e por exagero, como são causa de pecado para os outros, fazendo das coisas de Deus um escândalo e um obstáculo. 
Antes, portanto, de empreender a correção fraternal, verifiquemos se temos vocação para isto, consultando a opinião de outros, tanto quanto a nossa própria. Quando tivermos certeza desta vocação, façamos preceder nossa correção pela oração e a deliberação.
Podemos acrescentar que corrigir o nosso próximo com o fim de edificar uma terceira pessoa é uma prática que raramente evita conseqüências desagradáveis, e só não prejudica nossa humildade por ser uma prova de que não temos esta de todo. 
Nessa fase da vida espiritual [isto é, na via purgativa ou dos principiantes], só podemos, a respeito da correção fraternal, reconhecer que ela existe. Mais adiante, Deus no-la confiará e saberemos empregá-la. Se por acaso este dever nos fosse imposto agora, não deveríamos empreendê-lo sem tremer e refletir, esperando que Deus nos ajude com o resto.

Portanto, guardar-nos-emos de edificar o próximo por estes meios. Vejamos agora o verdadeiro meio de edificá-lo. Podemos fazê-lo de dois modos: pela mortificação de Jesus e pela doçura de Jesus.
Primeiro, pela mortificação de Jesus, isto é: guardar o silêncio sob justas repreensões, abster-nos de julgamentos levianos e superficiais, não insistir pelos nossos direitos de um modo pedante e desagradável, servir aos outros com desinteresse, sem nos queixarmos das dificuldades e dos transtornos que nos causam, e sem exagerarmos, teimosa e tolamente, os pontos onde todos têm direito de guardar sua liberdade; são estes os modos pelos quais devemos praticar a mortificação de Jesus no nosso trato com os outros, e, além da edificação que assim daremos, conseguiremos por essas práticas um grau de perfeição interior acima de toda a nossa previsão. E isso porque quase não há uma inclinação corrupta, orgulho secreto ou dobra de amor próprio que elas não atinjam e purifiquem. 

Entretanto, devemos também edificar pela doçura de Jesus.
Uma resposta branda afugenta a cólera, diz a Escritura. 

Palavras boas e meigas, como as de Nosso Senhor, são em si um apostolado.
Ao contrário, palavras irônicas e mordazes, embora tenhamos muitas vezes o direito de empregá-las, ajudam continuamente o demônio em seu trabalho, prejudicam as almas dos outros, infringindo na nossa feridas que não deixam de ser sérias.
  Nossas maneiras devem ser cheias de unção, sendo por si um meio de atrair os outros, e de fazê-los amar o espírito que nos anima.
A frieza, a falta de interesse, um certo e inexplicável ar de superioridade ou mesmo uma afetada condescendência, no entanto, são coisas não raro encontradas em pessoas piedosas. Não dominaram ainda o seu espírito a ponto de empregá-lo graciosamente, ou não apreciam como deviam a delicadeza e a ternura. Não têm, portanto, presente ao espírito uma imagem fiel de Jesus, e dificilmente O podem refletir na sua conduta exterior.
Nosso próprio aspecto deve estar sujeito à Graça.

Quanto mais nos esforçarmos em gravar a imagem de Jesus em nossos corações, tanto mais a Sua doçura transparecerá, sem o sabermos, em nossas feições.
A não ser em tempos de grande dor física (e mesmo isto nem sempre o impede), a paz interior e a harmonia da alma se refletem visivelmente no semblante.
Notemos que no Evangelho de São Marcos, escrito sob o ditado de São Pedro, há freqüentes alusões à expressão e aos gestos de Nosso Senhor; e a história do jovem que não teve coragem de renunciar ao dinheiro, bem como a própria conversão de São Pedro, mostram o que podia a doçura do olhar de nosso Salvador.
Praticamos também esta doçura, louvando todo o bem que descobrirmos nos outros, mesmo quando ele se mistura ao que não é bom.
Quem louva livremente, porém sem extravagância, sempre influi na conversa, e pode empregar sua influência na causa de Deus.
Um espírito crítico, pelo contrário, diverte pela vivacidade ou assusta pela malícia, mas não suaviza, não atrai, não persuade, não governa
Devemos exercer também essa doçura cristã, interpretando favoravelmente as ações duvidosas, sem tomarmos todavia atitude forçada ou pouco natural, e sobretudo sem desculparmos pecados positivos. Fora disto há vasto campo de ação para essa amável prática. Nunca a praticareis sem fazerdes obra de missionário pela glória de Deus, ainda que de modo inconsciente.
Devemos guardar-nos também de certos olhares, de umas certas maneiras, e sobretudo de um certo silêncio, que fazem sentir aos outros que interiormente os censuramos. Nada é mais irritante do que isto. Quando o pecado presenciado torna o santo silencioso, há no seu silêncio uma triste doçura, que mostra sua aflição pelo pecador, e que se esforça por amá-lo apesar do pecado. O nosso silêncio crítico, tão contrário à doçura de Jesus, irrita aos outros e os põe na defensiva. 
Assim arrojam o pouco de Graça que ainda possuíam, endurecendo seus corações contra qualquer Graça possível. Esse silêncio severo, sendo de fato a mais clara das correções fraternas, ninguém o pode exercer sem verificar, pelos métodos que indiquei, se tem ou não o direito de corrigir seu irmão. Ainda assim é o meio mais arriscado de cumprir uma obrigação já por si perigosa.
Faz também parte da doçura de Jesus não permitirmos que nossa piedade ou devoção incomode aos outros. Quando Santa Joana Francisca de Chantal passou a estar sob a direção espiritual de São Francisco de Sales, seus criados diziam que o antigo diretor da senhora a fizera rezar uma ou duas vezes por dia, e ela todos incomodava assim, ao passo que o novo diretor a fazia rezar o dia inteiro e a ninguém incomodava. Um pouco de prudência bastaria, de certo, para que as nossas Comunhões e orações não perturbassem o arranjo da família, nem exigissem dos outros a menor abnegação. Ninguém deveria ter má vontade para essas coisas; mas nós nada lhes devemos impor. Assim é que o nosso trato com os outros deve a um tempo santificar a nós mesmos e edificar ao próximo, pelo duplo exercício da mortificação e da doçura de Jesus.

Provavelmente já nos ocorreu que, nesta fase da nossa carreira, nosso trato com os outros se resumisse principalmente no governo da língua.
Não sei o que deve surpreender mais: se a importância inesperada que a Santa Escritura assinala ao dever de governar a língua, ou se a inteira indiferença que este dever inspira até às almas piedosas. Só quem toma a concordância [bíblica] e procura na Bíblia todas as passagens que se referem ao assunto, desde os Provérbios e o Eclesiástico até S. Tiago, terá uma idéia da soma total de ensinos contidos sob este título [do governo da língua] e do espaço que ocupa naquele único volume. É incompatível com a brevidade que me proponho o entrar detalhadamente no assunto. Basta sugerir a cada um esta única pergunta: a atenção escrupulosa que cada um presta ao governo da língua está de todo em proporção com a tremenda verdade revelada por São Tiago quando disse: ‘Se eu não puser um freio à minha língua, toda a minha religião é vã’? A resposta dificilmente deixará de ser tão assustadora quanto humilhante.
Mas como governar a língua? A simples enumeração dos males há de implicitamente sugerir os remédios. Atendei a uma hora de conversa em qualquer companhia cristã. O assunto volve quase unicamente em torno das ações e dos caracteres dos outros! A razão é provavelmente esta: o trono do juízo de Nosso Senhor como que já está erigido na terra, não estando porém ocupado, mas à Sua espera. Nós, entretanto, com incivilidade, sem convite, subimos constantemente os degraus, sentamo-nos no Seu trono, antecipando e imitando a Sua sentença sobre os nossos irmãos. Procedendo deste modo, vemos quanto nossa conduta é perniciosa. Esta idéia nos ajudará de certo a purificar a nossa conversa da discussão desnecessária sobre motivos e ações alheias. Na maioria das vezes, porém, é só depois de longamente percorrido o caminho da devoção, e quando já nos prejudicamos irreparavelmente, que começamos a dedicar ao governo da nossa língua um pouco do cuidado que merece e que imperiosamente exige.
O primeiro efeito da espiritualidade em nós é o de avivar o nosso lado crítico. Temos novas medidas para avaliar, temos nova luz para ver tudo, e com esses novos meios de observação prejudicamos nosso juízo sobre o próximo. Fazei disto o assunto do vosso exame particular, e vos surpreendereis de ver quão numerosas são vossas quedas. Com efeito, édifícil exagerar a facilidade, a multidão ou os efeitos fatais dos pecados a que nos levam todas essas conversas sobre os outros, mesmo quando temos e melhor e mais benévola das intenções. (…)”
(FABER, Padre Frederick William [1814 – 1863], in: O PROGRESSO NA VIDA ESPIRITUAL, tradução segundo o original inglês por Marianna Nabuco, Editora Vozes, Petrópolis:1924, páginas 82-87. Doutor em Teologia, Co-Fundador e Superior do Oratório de São Filipe Néri de Londres e, sobretudo, morto em odor de santidade, Padre Faber é considerado o maior escritor espiritual do século XIX.)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Um Caminho Espiritual com Maria

Um Caminho Espiritual com Maria
Folheto da Chapelle Notre Dame de la
Medaille Miraculeuse


   Há apenas um caminho para entrarmos no Reino de Deus. É o Cristo. Sem Ele nada podemos fazer. Mas para nos ajudar a nos aproximarmos Dele, Jesus nos deu Maria, Sua Mãe.
 
Deixemo-La fazer em nós o que Ela quer: unir-nos à Jesus!
 
 
Baixe o folheto pelo link abaixo;
 

Fonte:

 
 

Os santos dos últimos tempos e devoção a Nossa Senhora - S. Luís Maria Grignion de Montfort


Todos os ricos do povo, para me servir da expressão do Espírito Santo (Sl 44,13), suplicarão, conforme a explicação de São Bernardo, vossa face em todos os séculos, e particularmente no fim do mundo; isto é, os mais santos, as almas mais ricas em graça e em virtudes serão as mais assíduas em rogar à Santíssima Virgem que lhes esteja sempre presente, como seu perfeito modelo a imitar, e que as socorra com seu auxílio poderoso.

Disse que isto aconteceria particularmente no fim do mundo e em breve, porque o Altíssimo e sua santa Mãe devem suscitar grandes santos, de uma santidade tal que sobrepujarão a maior parte dos santos, como os cedros do Líbano se avantajam às pequenas árvores em redor, segundo revelação feita a uma santa alma.

Estas grandes almas, cheias de graça e de zelo, serão escolhidas em contraposição aos inimigos de Deus a borbulhar em todos os cantos, e elas serão especialmente devotas da Santíssima Virgem, esclarecidas por sua luz, alimentadas de seu leite, conduzidas por seu espírito, sustentadas por seu braço e guardadas sob sua proteção, de tal modo que combaterão, derrubarão, esmagarão os hereges com suas heresias, os cismáticos com seus cismas, os idólatras com suas idolatrias, e os ímpios com suas impiedades; e com a esquerda edificarão o templo do verdadeiro Salomão e a cidade mística de Deus, isto é, a Santíssima Virgem que os Santos Padres chamam "o templo de Salomão" e "a cidade de Deus".

Por suas palavras e por seu exemplo, arrstarão todo o mundo à verdadeira devoção e isto lhes há de atrair inimigos sem conta, mas também vitórias inumeráveis e glória para o único Deus. É o que Deus revelou a São Vicente Ferrer, grande apóstolo de seu século, e que se encontra assinalado em uma de suas obras.

O mesmo parece ter predito o salmo 58 (14,15), em que se lê: "Et scient quia Deus dominabitur Jacob et finium terrae; convertentur ad vesperam, et famem patientur ut canes, et circuibunt civitatem - E saberão que Deus reinará sobre Jacob, e até aos confins da terra; voltarão à tarde e padecerão fome como cães, e rodearão a cidade, em busca do que comer". Esta cidade que os homens encontrarão no fim do mundo para se converterem e saciarem a sua fome de justiça é a Santíssima Virgem, que o Espírito Santo demonina "cidade de Deus" (Sl 86,3)

São Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem.

Fonte:

http://anjosdeadoracao.blogspot.com

sábado, 14 de maio de 2011

O nome de Maria...


A Virgem, cheia de graça, ultrapassou os Anjos, por sua plenitude de graça. E por isto é chamada Maria, que quer dizer, "iluminada interiormente", donde se aplica a Maria o que disse Isaías: (58,11) O Senhor encherá tua alma de esplendores. Também quer dizer: "Iluminadora dos outros", em todo o universo; por isso, Maria é comparada, com razão, ao sol e à lua.

(...) O Anjo reverenciou a Bem-Aventurada Virgem, como mãe do Soberano Senhor e, assim, ela mesma como Soberana. O nome de Maria, em siríaco, significa soberana, o que lhe convém perfeitamente.

A Virgem ultrapassou os anjos em pureza. Não só possuía em si mesma a pureza, como procurava a pureza para os outros. Ela foi puríssima de toda culpa, pois foi preservada do pecado original e não cometeu nenhum pecado mortal ou venial, como foi livre de toda pena.

(...) A Virgem foi isenta de toda maldição e bendita entre as mulheres. Ela é a única que suprime a maldição, traz a bênção e abre as portas do paraíso. Também lhe convém, assim, o nome de Maria, que quer dizer "Estrela do mar". Assim como os navegadores são conduzidos pela estrela do mar ao porto, assim, por Maria, são os cristãos conduzidos à Glória.

Sto Tomás de Aquino, O Pai Nosso e a Ave Maria
 
Fonte:

Maria cuida de cada um de nós

Maria cuida de cada um de nós 

S. Boaventura anima os pecadores nestes termos: Que deves fazer, se por causa de teus pecados temes a vingança de Deus? Vai, recorre a Maria, que é a esperança dos pecadores. Estás, porém, receoso de que ela não queira tomar tua defesa? Pois então fica sabendo que é impossível uma tal repulsa; pois o próprio Deus encarregou-a de ser o refúgio dos pecadores.
É lícito a um pecador desesperar de sua salvação, quando a própria Mãe do Juiz se lhe oferece por mãe e advogada? pergunta o Abade de Adão de Perseigne. E continua: Vós, ó Maria, que sois a Mãe da Misericórdia, recusaríeis interceder junto ao vosso Filho que é Juiz, por um filho vosso que é pecador? Em favor de uma alma recusaríeis falar ao redentor, que morreu na cruz para salvar os pecadores? Não; não podeis fazê-lo; pelo contrário, de coração vos empenhais por todos que vos envocam. Pois sabeis perfeitamente que aquele Senhor, que constituiu vosso Filho medianeiro de paz entre Deus e o homem, também vos constituiu a vós medianeira entre o juiz e o réu. Agradece, portanto, ao Senhor que te deu uma tão grande medianeira, exorta S. Bernardo. Por manchado de crimes, por envelhecido que sejais na iniquidade, não percas a confiança, ó pecador. Dá graças ao Senhor que em sua nímia misericórdia não só te deu o Filho por advogado, senão também para aumento de tua confiança te concedeu esta grande medianeira, cujos rogos tudo alcançam. Recorre, pois, a Maria e serás salvo.

EXEMPLO
Como narram os Anais da Companhia de Jesus, vivia em Bragança de Portugal um moço que era associado da Congregação Mariana. Infelizmente, deixou a congregação e levou uma vida muito perdida. Chegou ao ponto de um dia resolver-se a dar cabo da vida, atirando-se a um rio. Mas, antes de executar seu tenebroso plano, lembrou-se em boa hora de encomendar-se a Nossa Senhora. Disse-lhe: Outrora eu era mariano e levava uma vida piedosa. Ó Maria, ajudai-me também agora. Pareceu-lhe então ver Nossa Senhora e ouvir as palavras: Que vais fazer? Queres perder ao mesmo tempo a alma e o corpo? Vai, confessa-te e volta à Congregação Mariana. O moço caiu em si. Agradeceu à Santíssima Virgem a graça recebida e mudou de vida.

Fonte: Livro ”Glórias de Maria” de Santo Afonso de Ligório – Maio com Maria (ano ímpar) – Dia 11, p.173.


quarta-feira, 11 de maio de 2011

Para Imitar Maria


Para Imitar Maria
 
 
Folheto da
Chapelle Notre Dame de la Medaille Miraculeuse

"Santíssima Virgem, dignai-vos obter para mim gosto pela oração e pelo silêncio. 
Amém."


Rezemos 7 dias...

1º dia - Tornar-se Humilde como Maria
 dia - Amar como Maria
 dia - Acreditar como Maria
 dia - Esperar como Maria
 dia - Castidade como Maria
 dia - Pobreza de Maria
 dia - Obediência e Paciência de Maria
 
 
 
Baixe o Folheto pelo link abaixo;
 


Fonte:

terça-feira, 10 de maio de 2011

O Coração de Maria e os Novíssimos

O Coração de Maria e os Novíssimos

           
A mensagem de Fátima manifesta o que chamamos os “novíssimos” do homem. A morte, por exemplo, se mostra como um fato inevitável, e as preocupações em torno a esta realidade adquiriam então uma gravidade especial em razão da guerra que causava tantas mortes: “Jacinta, em que pensas? E não poucas vezes respondia: “Nessa guerra que deve vir, em tanta gente que vai morrer e ir ao inferno. Que pena! Se deixassem de ofender a Deus não viria a guerra nem iriam ao inferno”.
           
O dogma do Purgatório nos é apresentado também de uma forma tremenda, no caso de uma tal Amélia: “Então me lembrei de perguntar por duas moças que tinham morrido fazia pouco tempo. Eram minhas amigas e iam à minha casa para aprender a ser tecelãs com a minha irmã maior:

- A Maria das Neves já está no Céu?
- Sim, está. (Parece-me que devia ter uns 17 anos)
- E a Amélia? 33
- Estará no Purgatório até o fim do mundo. (Parece-me que devia
ter de 18 a 20 anos)”.
           
Mas se a morte e o Purgatório aparecem desta maneira tão viva nos relatos de Fátima, sem dúvida é o dogma do Inferno o que ocupa um lugar importante, especialmente nas experiências místicas dos videntes, e ainda de um modo mais impressionante na sensível alma de Jacinta: “Nossa Senhora nos mostrou como que um mar de fogo. Mergulhados nesse fogo, os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras, ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao  cair das fagulhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero, que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa”.
           
As crianças tinham já recebido um primeiro ensino de Lúcia. Jacinta lhe pergunta: o que é o inferno? E Lúcia responde como pode: “- É uma cova de bichos e uma fogueira muito grande (assim me explicava minha mãe) e vai para lá quem faz pecados e não se confessa e fica lá sempre a arder.

- E nunca mais sai de lá?
- Não.
- E depois de muitos anos, muitos anos?!
- Não; o inferno nunca acaba. E o Céu também não. Quem vai para o Céu nunca mais de lá sai. E quem vai pra o inferno também não.
- Não vês que são eternos, que nunca acabam?
           
Fizemos, então, pela primeira vez, a meditação do inferno e da eternidade”.
          
Lúcia se perguntava: “Como é que Jacinta, tão pequena, se deixou possuir e chegou a compreender um espírito tão grande de mortificação e de penitência?” E achava a resposta assim: “Parece-me que foi, primeiro, por uma graça especial que Deus quis lhe conceder por meio do Imaculado Coração de Maria. Segundo, pondo seu olhar no inferno e na desgraça das almas que caem ali. Algumas pessoas, mesmo as piedosas, não querem falar às crianças sobre o inferno para não as assustar. Deus, no entanto, não duvidou em mostrá-lo a três crianças, e uma de apenas seis anos, ainda sabendo que se tinha de horrorizar tanto que quase ia morrer de susto”.
          
Mas não só o inferno: o Céu entra também na mensagem de Fátima com a alegria de uns simples e inocentes pedidos infantis. Nossa Senhora responde a Lúcia que lhe pergunta de onde vem: “Sou do Céu”. E já na primeira aparição a Virgem Maria promete o Céu aos seus pequenos interlocutores, depois das perguntas interessadas, mas simples, de Lúcia:

“- E eu também vou para o Céu?
- Sim, vais.
- E a Jacinta?
- Também.
- E o Francisco?
- Também, mas tem que rezar muitos Terços”.
           
Nas últimas despedidas entre Lúcia e seus primos se estabelece um emotivo diálogo: “Chegou, por fim, o dia de partir para Lisboa. A despedida cortava o coração. Permaneceu muito tempo abraçada ao meu pescoço e dizia, chorando: - Nunca mais nos tornaremos a ver! Reza muito por mim, até que eu vá para o Céu”. Francisco diz com toda a naturalidade: “vou para o Céu”. O mesmo dizia Jacinta: “Eu vou para o Céu”. E, apesar desta certeza da salvação, as crianças continuam a sua vida de fé e de esperança como se não tivessem recebido uma graça tão grande. Deste modo até parecia que o Céu estava ao alcance das mãos: as recomendações para o Céu eram feitas como se tratasse de uma região conhecida, onde moram familiares nossos: “Saudações a Nosso Senhor e a Nossa Senhora; e dizei-lhes que sofro tudo o que queiram pela conversão dos pecadores e em reparação do Coração Imaculado de Maria”.

(Retirado do blogue: Escravas de Maria)