quinta-feira, 30 de junho de 2011

Fuga das ocasiões de pecado: um dos mais graves deveres da vida espiritual


I. Da obrigação de evitar as ocasiões perigosas
 

Um sem número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e queixam: Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade! 

Falando aqui da ocasião de pecado, temos em vista a ocasião próxima, pois deve-se distinguir entre ocasiões próximas e remotas. Ocasião remota é a que se nos depara em toda a parte e que raramente arrasta o homem ao pecado. Ocasião próxima é a que, por sua natureza, regularmente induz ao pecado. Por exemplo, achar-se-ia em ocasião próxima um jovem que muitas vezes e sem necessidade se entretêm com pessoas levianas de outro sexo. Ocasião próxima para uma certa pessoa é também aquela que já a arrastou muitas vezes ao pecado. Algumas ocasiões consideradas em si não são próximas, mas tornam-se tais, contudo, para uma determinada pessoa que, achando-se em semelhantes circunstâncias, já caiu muitas vezes em pecado em razão de suas más inclinações e hábitos. Portanto, o perigo não é igual nem o mesmo para todos. 

O Espírito Santo diz: 'Quem ama o perigo nele perecerá' (Ecli 3, 27). Segundo S. Tomás, a razão disso é que Deus nos abandona no perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos. São Bernardino de Siena diz que dentre todos os conselhos de Jesus Cristo, o mais importante e como que a base de toda a religião, é aquele pelo qual nos recomenda a fuga da ocasião de pecado. 

Se fores, pois, tentado, e especialmente se te achares em ocasião próxima, acautela-te para não te deixares seduzir pelo tentador. O demônio deseja que se se entretenha com a tentação, porque então torna-se-lhe fácil a vitória. Deves, porém, fugir sem demora, invocar os santos nomes de Jesus e Maria, sem prestar atenção, nem sequer por um instante, ao inimigo que te tenta. S. Pedro nos afirma que o demônio rodeia cada alma para ver se a pode tragar: 'Vosso adversário, o demônio, vos rodeia como um leão que ruge, procurando a quem devorar' (I Ped 5, 8). São Cipriano, explicando essas palavras, diz que o demônio espreita uma porta por onde possa entrar na alma; logo que se oferece uma ocasião perigosa, diz consigo mesmo: 'eis a porta pela qual poderei entrar', e imediatamente sugere a tentação. Se então a alma se mostrar indolente para fugir da tentação, cairá seguramente, em especial se se tratar de um pecado impuro. É a razão por que ao demônio mais desagradam os propósitos de fugirmos das ocasiões de pecado, que as promessas de nunca mais ofendermos a Deus, porque as ocasiões não evitadas tornam-se como uma faixa que nos venda os olhos para não vermos as verdades eternas, as ilustrações divinas e as promessas feitas a Deus. 

Quem estiver, porém, enredado em pecado contra a castidade, deverá, para o futuro, evitar não só a ocasião próxima, mas também a remota, enquanto possível, porque em tal se sentirá muito fraco para resistir. Não nos deixemos enganar pelo pretexto da ocasião ser necessária, como dizem os teólogos, e que por isso não estamos obrigados a evitá-la, pois Jesus Cristo disse: 'Se teu olho direito te escandaliza, arranca-o e lança-o de ti' (Mt 5, 29). Mesmo que seja teu olho direito deverás arrancá-lo e lançar fora de ti, para que não sejas condenado. Logo, deves fugir daquela ocasião, ainda que remota, já que, em razão de tua fraqueza, tornou-se ela uma ocasião próxima para ti. 

Antes de tudo devemos estar convencidos que nós, revestidos de carne, não podemos por própria força guardar a castidade; só Deus, em Sua imensa bondade, nos poderá dar força para tanto. 

É verdade que Deus atende a quem Lhe suplica, mas não poderá atender à oração daquele que conscientemente se expõe ao perigo e não o deixa, apesar de o conhecer, pois, como diz o Espírito Santo, quem ama o perigo perecerá nele. 

Ó Deus, quantos cristãos existem que, apesar de levarem uma vida piedosa, caem finalmente e obstinam-se no pecado, só porque não querem evitar a ocasião próxima do pecado impuro. Por isso nos aconselha S. Paulo (Fil 2, 12): 'Com temor e tremor operai a vossa salvação'. Quem não teme e ousa expor-se às ocasiões perigosas, principalmente quando se trata do pecado impuro, dificilmente se salvará. 

II. De algumas ocasiões que devemos evitar cuidadosamente
 
Como queremos salvar nossa alma, é nosso dever fugir da ocasião do pecado. Principalmente devemos abster-nos de contemplar pessoas que nos suscitam maus pensamentos. 'Pelos olhos entra a seta do amor impuro e fere a alma', diz S. Bernardo (De modo bene viv., c. 23), e essa seta, ferindo-a, tira-lhe a vida. O Espírito Santo dá-nos o conselho: 'Desviai vossos olhos de uma mulher adornada' (Ecli 9, 8). 

Para se livrar de tentações impuras, um antigo filósofo arrancou os olhos. Nós, cristãos, não podemos assim proceder, mas devemos cegar-nos espiritualmente, desviando os olhos de objetos que possam ocasionar-nos tentações. São Luís Gonzaga nunca olhava para uma mulher e, mesmo em conversa com sua própria mãe, tinha os olhos postos no chão. É claro que o mesmo perigo existe para mulheres que cravam seus olhares em homens. 

Em segundo lugar, deve-se evitar todas as más companhias e as conversas e entretenimentos em que se divertem homens e mulheres. Com os santos te santificarás e com os perversos te perverterás. Anda com os bons e tornar-te-ás bom, anda com os desonestos e tornar-te-ás desonesto. 

O homem toma os hábitos daqueles que convivem com ele, diz São Tomás de Aquino. Se estiveres metido numa conversação perigosa, que não possas abandonar, segue o conselho do Espírito Santo: Cerca teus ouvidos de espinhos para que os pensamentos impuros dos outros não achem neles entrada. Quando São Bernardino de Siena, ainda pequeno, ouvia uma palavra desonesta, sentia o rubor subir à sua face, e por isso seus companheiros tomavam cuidado para não pronunciar tais palavras em sua presença. E Santo Estanislau Kostka sentia tal asco ao ouvir tais palavras, que perdia os sentidos. 

Quando ouvires alguém conversando sobre coisas impuras, volta-lhe as costas e foge. Assim costumava proceder São Edmundo. Havendo uma vez abandonado seus companheiros por estarem conversando sobre coisas desonestas, encontrou-se com um jovem extraordinariamente belo, que lhe disse: Deus te abençoe, caríssimo. Ao que o Santo perguntou, admirado: Quem és tu? Ele respondeu: Olha para minha fronte e lerás meu nome. Edmundo levantou os olhos e leu: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Com isso Nosso Senhor desapareceu e o Santo sentiu uma alegria celestial em seu coração. 

Achando-te em companhia de rapazes que conversam sobre coisas desonestas e, não podendo retirar-te, não lhes dês atenção, volta-lhes o rosto e dá-lhes a conhecer que tais conversas te desagradam. 

Deves também abster-te de considerar quadros menos decentes. São Carlos Borromeu proibiu a todos os pais de família conservarem tais quadros em suas casas. Deves igualmente evitar a leitura de maus livros, revistas e jornais, e não só dos que tratam ostensivamente de coisas imorais, como também dos que tratam de histórias insinuantes, como certos poetas e romancistas. 

Vós, pais de famílias, proibi a vossos filhos a leitura de romances: estes causam muitas vezes maiores danos que os livros propriamente imorais, porque deixam nos corações dos jovens certas más impressões que lhes roubam a devoção e os induzem ao pecado. São Boaventura diz (De inst. nov., p. 1 , c. 14): 'Leituras vãs produzem pensamentos vãos e destroem a devoção'. Dai a vossos filhos livros espirituais, como a história eclesiástica, ou vidas de santos e semelhantes. 

Proibi a vossos filhos representar um papel qualquer em comédia inconveniente e mesmo a assistência a representações imorais. 'Quem foi casto para o teatro, de lá volta manchado', diz São Cipriano. Se para lá se dirigiu aquele jovem ou aquela donzela, em estado de graça, de lá voltam ambos em estado de pecado. Proibi também a vossos filhos a ida a certas festas, que são festas do demônio, nas quais há danças, namoros, canções impudicas, gracejos e divertimentos perigosos. Onde há danças, celebra-se uma festa do demônio, diz Santo Efrém. 

Mas que há de ruim quando se graceja? dirá alguém. Esses tais gracejos não são gracejos, mas crimes, responde São João Crisóstomo, são graves ofensas contra Deus. Um companheiro do padre João Vitellio, contra a vontade deste servo de Deus, se dirigiu uma vez para um tal divertimento em Nórcia. Que lhe aconteceu? Perdeu primeiramente a graça de Deus, entregou-se em seguida a uma vida desregrada e foi finalmente assassinado por seu próprio irmão. 

Poderás aqui perguntar-me se é pecado mortal namorar. Responderei a essa pergunta na segunda parte, c. 6, § IV. Aqui só direi que tais namoros tornam-se ocasião próxima do pecado. A experiência ensina que em tais casos só poucos deixam de pecar. Se não pecam já no começo, caem no decorrer do tempo. No princípio se entretêm só por mútua inclinação; esta torna-se, porém, em breve, paixão, e a paixão, uma vez arraigada, cega o espírito e arrasta a muitos pecados de pensamentos, palavras e obras. 

III. Fúteis objeções contra as sobreditas verdades
 
Objetar-me-ás: Mudei duma vez de vida; não tenho nenhuma má intenção, nem mesmo uma tentação quando vou visitar fulana ou sicrana. Respondo: Conta-se que há uma espécie de ursos que caçam macacos: ao avistar o urso, fogem estes para as árvores. Mas que faz o urso? Deita-se debaixo da árvore e faz-se de morto. Descem os macacos com esse engano e então, de um salto, captura-os e devora-os. É o que pratica o demônio: representa a tentação como morta, e assim que desceres, isto é, logo que te expuseres ao perigo, desperta-a de novo, e ela te tragará. Oh! Quantos cristãos, que se davam ao exercício da oração e da comunhão e, mesmo, levavam uma vida santa, não caíram nas garras do demônio, porque se expuseram ao perigo. 

  A história eclesiástica narra que uma mulher mui piedosa se ocupava em obras de caridade e, em especial, em enterrar os corpos dos Santos Mártires. Encontrando uma vez o corpo de um mártir que ainda dava sinais de vida, levou-o para sua casa, curou-o e o mártir restabeleceu-se. Mas que aconteceu? Por causa da ocasião próxima, esses dois santos – pois esse nome mereciam – primeiramente perderam a graça de Deus e depois a Fé. 

Mas a visita àquela casa, a continuação daquela amizade, me traz proveitos, dizes. Sim, porém, se notares que ‘aquela casa é o caminho para o inferno’ (Prov 7, 27), nenhum proveito te trará, e tu a deves deixar se desejas ser feliz. Mesmo que fosse teu olho direito a causa da perdição, deverias arrancá-lo e lançá-lo longe de ti, diz o Senhor. Nota as palavras: lança-o de ti, não deves deixá-lo perto, mas repeli-lo para longe, isto é, deves evitar por completo a ocasião. – Mas daquela pessoa nada tenho a temer, pois ela é tão devota – dizes. A isso responde São Francisco de Assis: O demônio tenta diferentemente os cristãos piedosos que se deram inteiramente a Deus e os que levam uma vida desregrada. Ele não procura prendê-los com uma corda já no princípio; contenta-se com um cabelo, servindo-se então de um fio e, finalmente, de uma corda, arrastando-os ao pecado. 

Quem quiser ser preservado deste perigo deve já no começo evitar todos os fios, todas as ocasiões, quer sejam saudações, quer presentes. 

Ainda uma observação importante: Um penitente que nunca evitou seriamente as ocasiões perigosas, nas quais tem regularmente caído em pecado mortal, apesar de todas as suas confissões, deverá fazer uma confissão geral, visto terem sido inválidas as confissões feitas em tal estado, em razão da falta de propósito de evitar a ocasião próxima. O mesmo se deve dizer a respeito dos que confessam seus pecados, mas nunca deram sinal de emenda, continuando logo depois da confissão a cometer os mesmos pecados, sem empregar nenhum meio contra a queda. Só uma confissão geral poderá trazer-lhes garantia e tranqüilidade, servindo de base para uma verdadeira emenda; feita a confissão, poderão encetar uma vida nova e perfeita, pois os maiores pecadores, como acima provamos, poderão, com a graça de Deus, alcançar a perfeição.” 

(Santo Afonso Maria de Ligório, Escola da Perfeição Cristã,Compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955, páginas 44-48)     

terça-feira, 28 de junho de 2011

Fatos da vida de São Domingos Sávio

Fatos da vida de São Domingos Sávio
narrados por São João Bosco
 
 
Devoção à Mãe de Deus

Entre os dons que Nosso Senhor lhe outorgou distinguia-se o seu fervor na oração. O seu espírito estava tão habituado a conversar com Deus que, em qualquer lugar, mesmo no meio da maior confusão, Domingos concentrava os seus pensamentos e, com piedoso afeto, elevava o coração a Deus.

Quando orava em comum, parecia um anjo; de joelhos, imóvel, em atitude devota, com o rosto sorridente, a cabeça um pouco inclinada e os olhos baixos, parecia outro São Luís.

Bastava vê-lo para se ficar enternecido. Em 1854 o Conde Cays foi eleito presidente da Companhia de São Luís, fundada no Oratório. Da primeira vez que tomou parte nas nossas cerimônias, viu um menino numa atitude devota que lhe causou grande admiração. Terminada a função, quis saber quem era aquele rapaz que tanto o impressionara: - era Domingos Sávio.

Sacrificava quase sempre uma parte do recreio para ir à Igreja e ali rezar a coroa das Sete Dores de Maria, ou, pelo menos, a ladainha de Nossa Senhora das Dores.

Não se contentava em ser devoto de Maria Virgem Imaculada. Em honra da celeste Senhora fazia todos os dias alguma mortificação. Nunca fitava pessoas de sexo diferente. Indo às aulas, raramente levantava os olhos do chão. Passando às vezes perto de espetáculos públicos, que para os companheiros era objeto de curiosidade e de satisfação, ao perguntarem-lhe se tinha gostado, Domingos respondia que não tinha visto nada.

Um dia, um companheiro encolerizado reprovou esse seu modo de proceder, dizendo-lhe:

- Para que tens esses olhos, meu parvo, se não vês tais coisas?

- Os meus olhos, respondeu Domingos, quero-os para ver o rosto da nossa Mãe Celeste, a Virgem Maria, quando, se for digno disso, me receber Deus no Paraíso.

Cultivava uma devoção especial ao Imaculado Coração de Maria. Todas as vezes que entrava numa igreja, ia direto ao Seu altar para Lhe pedir que conservasse o seu coração bem longe de qualquer impureza.

- Maria,- dizia ele – quero ser sempre Vosso filho. Fazei que morra antes que me suceda à desgraça de cometer um pecado contra a modéstia.

Todas as sextas-feiras destinava uma parte do tempo para ler um bom livro ou ir à igreja com alguns companheiros, orar pelas almas do Purgatório ou em homenagem a Maria Santíssima. Muito grande era a devoção de Domingos a Nossa Senhora.

Viam-no radiante de alegria todas as vezes que podia levar alguém para rezar diante do altar da Mãe de Deus. Certo sábado convidou um amigo a ir com ele a igreja rezas as Vésperas da Bem-Aventurada Virgem Maria. Este tentou: esquivar-se alegando estar com as mãos frias. Domingos tirou imediatamente as luvas, ofereceu-as ao companheiro e entraram ambos na igreja. Noutra ocasião emprestou o capote a um companheiro friorento para o mesmo fim. Quem não ficará tomado de admiração perante tais atos de generosidade?

Maio, o mês consagrado a Nossa Senhora, era para Domingos o mês do seu maior fervor. Combinava com os outros para, em cada dia do mês, fazerem uma cerimônia particular, além das que se faziam na igreja. Preparava uma série de exemplos edificantes, que narrava aos companheiros para animá-los a serem devotos de Maria Santíssima. Falava nisso durante os recreios e incitava-os a comungarem, especialmente no mês das flores, como preito a Maria: Era o primeiro a dar o exemplo, aproximando-se todos os dias da Sagrada Mesa com seráfico recolhimento.

Um episódio curioso revela-nos a ternura que ele consagrava à Mãe de Deus. Os alunos do seu dormitório deliberaram fazer, as expensas suas, um elegante altarzinho para solenizarem com mais brilho o encerramento do mês de Maria. Domingos era uma doba doura nesse trabalho; mas chegando-se à altura do pagamento da cota, que cada qual devia dar, começaram as dificuldades. Domingos declarou:

- Até aqui vamos bem, mas para estas coisas precisa-se de dinheiro e é o que eu não tenho. No entanto, quero contribuir de qualquer modo, custe o que custar.

E, dizendo isto, foi buscar um livro que lhe tinha sido dado de prêmio, e pedindo licença aos superiores, voltou radiante de alegria dizendo:

- Meus amigos, estou em condições de concorrer com alguma coisa para honrar a Virgem Santíssima; pegai neste livro, tirai dele a utilidade que puderdes; é a minha oferta.

Á vista daquele ato espontâneo de generosidade, os companheiros enterneceram-se e também quiseram oferecer livros e objetos. Com esse material fizeram uma rifa, e conseguiram arranjar mais do que o necessário para as despesas.

Concluído o altar, os alunos queriam celebrar a festa com a maior solenidade. Todos trabalhavam o mais que podiam, mas não conseguindo acabar a ornamentação, foi preciso trabalhar de noite.

- Eu passarei a noite a trabalhar – disse Domingos.

- Ao menos, vinde acordar-me assim que tudo estiver pronto, para eu ser um dos primeiros a admirar o altar ornamentado em homenagem à nossa querida Mãe.

Os companheiros obrigaram-no, porém, a ir-se deitar, visto estar convalescente de uma doença que tivera. Domingos não queria e foi necessário insistir muito para que obedecesse.

Freqüência dos Sacramentos

Está comprovada pela experiência que os melhores sustentáculos da mocidade são o Sacramento da Confissão e da Comunhão. Dai-me um rapaz que freqüente estes sacramentos: tal rapaz crescerá, passará pela puberdade, chegará à virilidade e, se Deus for servido, à mais avançada velhice, com um procedimento que servirá de exemplo a todos os que o conheceram.

Praza a Deus que todos os rapazes compreendam isto, para o praticarem, e bem assim todos os que se ocupam da educação da juventude para o ensinarem.

Antes de vir para o Oratório, Domingos aproximava-se destes dois Sacramentos uma vez por mês, segundo o uso das Escolas. Depois os freqüentou com mais assiduidade. Um dia, ouviu do púlpito esta máxima:

Jovens, se quiserdes perseverar no caminho do Céu, recomendo-vos estas três coisas: aproximai-vos muitas vezes do Sacramento da Confissão, freqüentai a santa Comunhão, e escolhei um confessor a quem possais abrir o vosso coração, mas não o troqueis sem necessidade”.

Domingos compreendeu a importância destes três conselhos. Começou por escolher um confessor e conservou-o durante todo o tempo que esteve no Oratório. Para que este pudesse formar um juízo exato da sua consciência, quis como era natural, fazer uma Confissão geral de toda a sua vida.

Confessava-se, a princípio todos os quinze dias, mas tarde todos os oito dias, comungando com a mesma freqüência. O confessor, notando o grande progresso que fazia nas coisas do espírito, aconselhou-o a comungar três vezes por semana, e, ao cabo de um não, permitiu-lhe a comunhão diária.

Foi durante algum tempo dominado pelos escrúpulos; por isso, queria confessar-se de quatro em quatro dias e ainda mais amiúde; mas o seu diretor espiritual não concordou com esse desejo e obrigou-o à disciplina da confissão semanal.

Tinha uma confiança ilimitada no confessor. Falava com ele das coisas da consciência, mesmo fora do confessionário, e com toda a simplicidade. Alguém o aconselhou a mudar de confessor, de vez em quando, ao que ele anuiu:

O confessor – dizia ele – é o médico da alma; não é costume trocá-lo a não ser por falta de confiança, ou porque o mal está muito adiantado. Não estou nestes casos. Tenho plena confiança no meu confessor que, com bondade e solicitude paternal, se empenha no aperfeiçoamento da minha alma; além disso, não vejo em mim chaga que ele não possa curar”.

No entanto, o diretor ordinário aconselhou-o a mudar, uma ou outra vez, de confessor, especialmente por ocasião dos Exercícios espirituais; sem opor a mínima dificuldade, obedeceu prontamente.

Domingos vivia alegre porque estava sempre em paz com a sua consciência.

"Se tenho qualquer mágoa no coração – dizia ele – vou ao meu confessor que me aconselhe o que Deus quer que eu faça, pois, Jesus Cristo disse que a voz do confessor é a voz de Deus. Se desejo alcançar alguma coisa importante, então vou receber a Hóstia Sagrada na qual está: o mesmo corpo, sangue, alma e divindade que Jesus Cristo ofereceu a Seu Pai Eterno Pai por nós na Cruz. Que mais me falta para ser feliz? Neste mundo, nada. Só me resta poder gozar no Céu d’Aquele que hoje adoro e contemplo, sobre os altares, com os olhos da fé”.

Com estes pensamentos, Domingos passava dias verdadeiramente felizes. Daqui nascia aquele contemplamento, aquela alegria celestial que transparecia em todas as suas ações. Compreendia muito bem tudo o que fazia, e tinha um teor de vida cristã, como convém que o tenha quem deseja fazer a Comunhão diária. Por isso, o seu comportamento era, sob todos os pontos de vista, irrepreensível. Convidei os seus condiscípulos a dizerem-me, durante os três anos que ele viveu conosco, lhe notaram algum defeito a corrigir ou alguma virtude a adquirir.

Todos, a uma, responderam que nunca encontraram nele coisa alguma que merecesse correção, nem virtude que se lhe devesse acrescentar às que já praticava.
A sua preparação para receber o Pão dos Anjos era piedosa e edificante. À noite, antes de se deitar, recomendava-se sempre assim:

Graças e louvores se dêem a todo o momento, ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!”

De manhã, era esse grande ato precedido de uma preparação suficiente; mas a ação de graças, essa não tinha fim. Muitas vezes, se ninguém chamava, esquecia-se da refeição, do recreio e algumas vezes do estudo, permanecendo em oração, ou melhor, na contemplação da divina Bondade, que de um modo inefável comunica aos homens os tesouros da Sua infinita misericórdia.

Era para ele uma verdadeira delícia o poder passar algumas horas diante de Jesus Sacramentado. Invariavelmente, ao menos uma vez por dia, costumava fazer-Lhe uma visita, convidando outros a ir em sua companhia. A sua oração predileta era a coroinha do Sagrado Coração de Jesus para reparação das injúrias que recebe dos hereges, dos infiéis e dos maus cristãos.

Para que as suas Comunhões produzissem maior fruto, e, ao mesmo tempo, o estimulassem a fazê-las cada vez com mais fervor, tinha-lhes fixado para cada dia um fim especial.

Eis como distribuía as intenções durante a semana:

Domingo:- Em honra da Santíssima Trindade.
Segunda: - Pelos benfeitores espirituais e temporais.
Terça: - Em honra de São Domingos e do Anjo da Guarda.
Quarta: - A Nossa Senhora das Dores, pela conversão dos pecadores.
Quinta: - Em sufrágio das almas do Purgatório.
Sexta: - Em honra da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Sábado: - Em honra de Maria Santíssima, para obter a Sua proteção durante toda a vida e à hora da morte.

Tomava parte, com arroubos de alegria, em todas as cerimônias que tivessem por fim honrar o Santíssimo Sacramento. Se acontecia encontrar o Viático, ao ser levado a algum doente, ajoelhava-se logo, onde quer que fosse, e, se tinha tempo, acompanhava-O até terminar a cerimônia.

Um dia passou o Viático perto dele. Chovia e os caminhos estavam enlameados. Não tendo outro sítio para se ajoelhar, ajoelhou-se mesmo sobre a lama. Um dos seus amigos repreendeu-o depois, observando-lhe que, em tais circunstâncias, Nosso Senhor não exigia. Domingos respondeu-lhe:

Joelhos e calças tudo é de Deus: por isso tudo deve servir para Lhe dar honra e glória. Quando passo perto d’Ele, não só me atiraria ao chão para honrá-lO, mas até a uma fornalha, porque assim participaria do fogo da caridade infinita que O impeliu a instituir este grande Sacramento”.

Em circunstâncias análogas, viu um dia um militar que se deixava ficar de pé no momento em que passava bem perto o Santíssimo Sacramento. Não se atrevendo a convidá-lo para que se ajoelhasse, tirou do bolso um lencinho, estendeu-o sobre o terreno sujo, e fez-lhe sinal para que se servisse dele. O soldado, a princípio, acanhou-se; mas, por fim, deixando de lado o lenço, acabou por se ajoelhar no meio do caminho.

Na festa do corpo de Deus foi com outros companheiros, vestidos de batida, à procissão da paróquia. Não cabia em si de alegria; e julgou aquilo prova de uma preferência e distinção assinalada, a maior lhe não poderiam dar.

Domínio de si mesmo

Quem reparasse na compostura exterior de Domingos Sávio, achava-lhe tanta naturalidade, que pensava tê-lo Nosso Senhor criado assim mesmo. Mas os que o conheceram de perto, ou tiveram a responsabilidade da sua educação, podem asseverar que havia nisso grande esforço humano coadjuvado pela graça de Deus.

A vivacidade do seu olhar obrigava-o a não pequeno esforço, dada a sua firme resolução de dominá-la. Um dia, confiou a um amigo:

A princípio, quando me decidi a dominar completamente os meus olhares, tive de suportar não pequena fadiga, e até, por isso, sofri fortes dores de cabeça”. Com efeito, era tão reservado, que ninguém, dos que o conheceram, se lembra de tê-lo visto olhar para qualquer coisa que excedesse os limites da rigorosa modéstia – “Os olhos – dizia ele – são duas janelas. Pelas janelas, passa tudo o que se deixa passar. Por estas janelas, tanto podemos deixar passar um anjo como um demônio, e permitir tanto a um como a outro que se aposse do nosso coração”.

Certo dia, um dos seus companheiros trouxe inadvertidamente para a escola uma revista e que havia algumas figuras pouco sérias e irreligiosas, Um grupo de rapazes rodeou-o para ver aquelas gravuras que causariam asco, mesmo aos infiéis e pagãos. Domingos também se aproximou. Quando viu, porém, do que se tratava, foi surpreendido. Em seguida, com um sorriso de ironia, deitou-lhe a mão e rasgou-a em mil bocados. Os outros rapazes, atônitos, entreolharam-se mortificados, sem pestanejar. Domingos, então, disse-lhes:

-Pobres de nós! Nosso Senhor deu-nos os olhos para contemplar as belezas de tudo o que Ele criou, e vós servir-vos deles para olhar tais indecências, inventadas pela malícia dos homens para corromper as almas? Esquecestes o que tantas vezes vos foi ensinado? O Salvador diz-nos que com um olhar inconveniente manchamos as nossas almas, e vós a deliciar-vos com os olhos postos em coisas tão vergonhosas?!...

- Nós, respondeu um deles, fazíamos por distração.

- Sim, sim, por distração; no entanto, por distração, ide-vos preparando para o inferno. Riríeis no inferno se lá caísseis?

- Mas nós- retorquiu outro – não víamos grande malícia naquelas gravuras.

- Pior ainda. Não ver a maldade em semelhantes indecências é sinal de que já estais habituados a contemplá-las. Mas o hábito não desculpa, antes, pelo contrário, torna-vos mais culpados. Ó Job! Ó Job! Tu velho, mas eras um santo; sofrias de uma doença, que te obrigava a viver deitado sobre um monturo de imundície; e, contudo, fizeste um pacto com os teus olhos para que não olhassem, nem de leve, coisas inconvenientes!

A estas palavras, todos se calaram e ninguém se atreveu a censurá-lo nem lhe fazer qualquer observação.

Á modéstia nos olhos aliava Domingos uma grande reserva no falar.

Quando alguém falava, ele calava-se; por várias vezes truncou uma expressão para dar aos outros liberdade de se expandirem. Os seus mestres foram unânimes em asseverar que nunca tiveram motivo para repreendê-lo, tão modelar foi sempre o seu procedimento no estudo, na aula, na igreja e em toda a parte. Até nas próprias ocasiões em que lhe fizessem qualquer injúria, sabia moderar, mais do que nunca, a língua e o seu temperamento.

Um dia, preveniu um companheiro de um mau hábito. Este, em vez de receber de bom grado a observação, zangou-se. Cobriu-o de vitupérios, e depois investiu contra ele a socos e a pontapés. Domingos teria podido fazer valer as suas razões com os fatos, pois, era mais velho e tinha mais força. Mas não quis senão a vingança dos cristãos. Ficou com o rosto ruborizado, mas refreou o ímpeto de ira e limitou-se a dizer a seguintes palavras:

Perdôo-te esta ofensa. Não trates os outros desta maneira”.

(Extraído do jornal: “O Desbravador” – Maio de 2001)
 
Fonte:

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Recolhimento do Domingo

Como é cheia de solicitude para conosco a Divina Providência que nos deu a noite, com sua paz e sossego, como recolhimento do dia. Foi esta mesma Providência, cuidadosa, que também nos deu, generosamente, para reparação da perda de forças da semana, o recolhimento do domingo. Mil vezes, bendito o dia do Senhor!

Podemos repetir aqui o que dissemos a respeito do recolhimento do dia: só sabe apreciar, devidamente, a importância do descanso dominical quem sabe trabalhar, deveras, durante os seis dias úteis da semana. É uma necessidade esse descanso. Mas também é um prêmio, uma festa, uma renovação.

Mas, ninguém, melhor do que o homem de fé, compreende todo o alcance deste recolhimento semanal.

Entretanto, como decaiu, vergonhosamente, entre os homens de hoje, a idéia reparadora, pacificadora e santificadora do domingo! Para muitos, infelizmente, o domingo é o dia desabusado, que se começa no sábado, com o recebimento do salário, salário que, muita vez, será malbaratado no jogo, no cinema, em bebidas e revistas.

Para outros, o domingo do homem é bem semelhante ao domingo do animal que não puxa a carroça ou não sulca, como o arado, a terra; come-se muito, dorme-se mais ainda.

Outros acham que o domingo só tem razão de ser, quando se tem para ele uma novidade: um divertimento, um passeio.

Para outros ainda, toda a preocupação do domingo se cifra na indumentária, tanta vez em flagrante desacordo com a sua idade, sua posição, seus haveres, seu trabalho… E o domingo – quanta vez! – se passa no campo de excursão (que, em certas circunstâncias e com certa cautela, seria um bem), ou na piscina ou na praia, ou no esporte ou no bar ou em visita e não sei onde mais; mas, em todo o caso, não são muitos os que se lembram de que o domingo é o dia da família, é o dia de Deus, por excelência.

Sim, é o dia do Senhor, com a assistência devota à santa missa, que deveria ser o centro do domingo… O cristão, então, se lembra de que não é só corpo, mas também espírito; lembra-se de que se deve trabalhar não somente para essa terra, mas também para o céu.

Desapegou-se um pouco da matéria, que o prendeu toda a semana, e de suas exigências, e levanta, liberto, seu coração a Deus, para o qual ele foi criado e no qual encontrará sua felicidade.

O domingo, considerado cristãmente, e tomado a sério, tem uma força transformadora e santificante extraordinárias.

Para os cristãos mais fervorosos, vem, ainda, à tardinha ou à noite, a assistência às vésperas ou à bênção do Santíssimo, talvez com nova pregação, que os colocam, pouco a pouco, nesse estado de cristianismo, convencido e convincente, que falta a tantos que se dizem católicos e que traem, na primeira oportunidade, sua fé, tão mal protegida e, pior ainda, tão mal alicerçada.

E que dizer do domingo nos presbitérios fervorosos e nos conventos de bom espírito? Naqueles, é dia de intensa atividade, mas atividade que eleva, que não perturba, e que é tão de acordo com a atividade no céu e para o aperfeiçoamento da almas: as santas missas mais numerosas e mais frequentadas, o confessionário assediado, a mesa sagrada cheia de comensais piedosos; as pregações, os batizados, as reuniões das associações, o catecismo solene, a bênção do Santíssimo.

Ó dia feliz para o cura de almas fervoroso: é, realmente, o dia do Senhor!

Nos conventos, os domingos tomam uma aparência do repouso eterno: um grande silêncio e uma grande paz envolvem a casa de Deus. Da igreja conventual emerge uma onda de bem-estar sobrenatural, que penetra as celas, os claustros, os jardins, as oficinas desertas, mas, principalmente, as almas. Tudo respira um ar solene, e, ao mesmo tempo, singelo e íntimo, sinal de presença de Deus Nosso Senhor.

Os contemplativos, também aqueles, ou, principalmente, aqueles que souberam desenvolver, durante a semana, sua atividade em trabalhos manuais ou intelectuais, ei-los mergulhados em alguma leitura profunda ou prostrados diante dos altares, ou, passeando, lentamente, em oração, pela horta.

Quando soa o grande sino, para logo se povoa o coro ou a capela, e o cântico ou salmodia quebra, com vantagen, aquele silêncio benéfico…

Mas o domingo também é, por excelência, o dia da família. É o dia feliz em que pais e filhos, irmãos e irmãs se encontram mais unidos depois de uma semana de quase separação pelos trabalhos e ocupações de cada um. A casa está mais limpa, enfeitada. A refeição principal, melhorada. Todos com roupas melhores, limpas, frescas. E chegam os parentes, os amigos íntimos. Visita-se o jardim, o quintal; presta-se uma atenção carinhosa a todas as plantas e árvores. Improvisa-se um divertimento, um recreio. É o dia da família cristã.

Como é, realmente, belo o recolhimento da semana: o domingo, transfigurado pelo amor de Deus, embelezado pelo espírito de família. Bem se compreende por que a impiedade procura profanar este dia sagrado. Bem se compreende por que o néo-paganismo procura estragar este recolhimento que tanto fala das suas grandes belezas da terra: a casa de Deus e o lar.

Maria Santíssima, a Virgem do Templo, a Senhora da casa de Nazaré, chorou diante de pastorinhos humildes, Melânia e Maximini, lá nas Montanhas de Salete, chorou, contemplando a destruição criminosa do recolhimento da semana: o domingo, o dia do Senhor.

Amemos este dia extraordinário e saibamos tirar dele aquela força e espírito de fé e de renovação que Deus Nosso Senhor, por meio dele, nos quer conceder.

Como é formoso este recolhimento semanal!

E já se compreende por que a encantadora Santa Teresinha do Menino Jesus, com sua alma delicada e cheia de beleza, gostava tanto do domingo e suspirava à noite: Ai! que passou este dia lindo! amanhã será segunda-feira… Como tarda o domingo eterno do céu!…

(Reconhimento, pelo Frei Henrique Golland Trindade O.F.M, Bispo de Bonfim, edição de 1945)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Frases do Cura D'ars - A Santíssima Virgem

A SANTÍSSIMA VIRGEM
São João Maria Vianney – o Cura d’Ars

"As Três Pessoas Divinas contemplam a Santíssima Virgem. Ela é sem mancha, está ornada de todas as virtudes que a tornam tão formosa e agradável à Trindade".

"Deus podia ter criado um mundo mais belo do que este que existe, mas não podia ter dado o ser a uma criatura mais perfeita que Maria".

"O Pai compraz-se em olhar o Coração da Santíssima Virgem como a obra-prima das suas mãos".

"Se um pai ou uma mãe muito ricos tivessem muitos filhos e todos eles viessem a morrer, restando apenas um, esse herdaria todos os bens. Pelo pecado original, todos os filhos de Adão morreram para a graça, e somente Maria, isenta do pecado, herdou as graças de inocência e favores que caberiam aos filhos de Adão, se eles tivessem permanecido em estado de inocência. Deus tornou Maria depositária das suas graças".

"Nesse período [antes do Natal], Jesus e Maria eram por assim dizer uma só pessoa. Jesus, nesses tempos felizes para Maria, só respirava pela boca dEla".

"Maria deseja tanto que sejamos felizes!".

"São Bernardo diz que converteu mais almas por meio da Ave-Maria que por meio de todos os seus sermões".

"A Ave-Maria é uma oração que jamais cansa".

"O meio mais seguro de conhecermos a vontade de Deus é rezarmos à nossa boa Mãe".

"Se o pecador invoca essa boa Mãe, Ela fá-lo entrar de algum modo pela janela".

"Se o inferno pudesse arrepender-se, Maria alcançaria essa graça".

"Maria! Não me abandoneis um só instante, permanecei sempre ao meu lado!".

"Tenho bebido tanto nessa fonte [no coração da Santíssima Virgem], que há muito tempo teria secado se não fosse inesgotável".

"Quando as nossas mãos tocam uma substância aromática, perfumam tudo o que tocam. Façamos passar as nossas orações pelas mãos da Santíssima Virgem. Ela as perfumará".

 
Fonte:

Qual sua postura na Missa?

Diz o Concílio de Trento: "Se somos, forçosamente, obrigados a confessar que os fiéis não podem exercer obra mais Santa nem mais divina do que este Mistério terrível, no qual a Hóstia vivificadora, que nos reconciliou com

Deus Pai, é, todos os dias, imolada pelos sacerdotes, parece bastante claro que devemos ter muito cuidado para fazer esta ação com grande pureza de coração e com a maior devoção exterior possível".

Os primeiros cristãos nos deram admiráveis exemplos a este respeito. Segundo o testemunho de S. João Crisóstomo, ao entrar na Igreja, beijavam, humildemente, o assoalho e guardavam, durante a Santa Missa, tal recolhimento que se julgava estar em lugar deserto.

Era de observar o preceito da liturgia de S. Tiago: "Todos devem se conservar no silêncio, no temor, no medo e no esquecimento das coisas terrestres, quando o Rei dos reis, Nosso Senhor Jesus Cristo, vem imolar-se e dar-se em alimento aos fiéis".

São Martinho conformou-se, exatamente, com esta recomendação. Nunca se sentava na igreja; de joelhos, ou em pé, orava com ar compenetrado de um santo assombro. Quando lhe perguntavam pela razão desta atitude, costumava dizer: "Como não temeria, visto que me acho em presença do Senhor?".

Ora, se o próprio Jesus expulsou, a chicote, os profanadores do templo, como tratará os cristãos audaciosos? 
 
- Sobre conversas vãs durante a Missa:

Não é proibido responder a uma pergunta útil nem dizer uma palavra necessária; é proibido, conversar coisas inúteis, fazer observações sobre o próximo, saudar-se mutuamente, como se estivesse na rua, e outras coisas semelhantes que impedem seguir, atentamente, a Santa Missa.

Jesus Cristo nos preveniu: "Os homens darão conta, no dia do Juízo, de toda palavra ociosa" (Mt. 12, 36). Ora, haverá palavras mais inúteis do que as proferidas durante o tremendo Mistério do Altar?

São Crisóstomo opina que os que falam e riem, durante a Santa Missa, merecem ser fulminados na Igreja. Com esta ameaça, o santo Doutor aponta também os que, por direito e dever, deveriam impedir as irreverências: os pais que não repreendem nem corrigem os filhos dissipados; os mestres e amos que não vigiam a atitude de seus alunos e criados. 
 
- A melhor posição durante a Missa:

São Paulo nos convida, quando diz que, "ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e nos infernos" (Fl. 2, 10). Com mais razão ainda, devemos guardar esta atitude durante a presença real do divino Salvador, isto é, desde a elevação até a Comunhão.

Muitas pessoas, homens sobretudo, têm o mau costume de ficar em pé durante toda Missa; apenas inclinam-se à consagração para levantar-se logo depois, como se Jesus não estivesse presente.

Quem não puder permanecer de joelhos durante toda a Missa, poderia ficar em pé até o momento da consagração e depois da Comunhão. A presença real de Nosso Senhor torna também inconveniente o costume de muitas pessoas de sentarem-se, sem motivo de força maior, imediatamente depois da elevação. Se estivessem na presença dos grandes da terra, em alguma reunião mundana, a força não lhes faltaria, mesmo para tomar atitudes muito mais penosas do que a de estar de joelhos!

- A modéstia dentro e fora da Igreja:

As senhoras e moças que vão à Missa vestidas à última moda, às vezes bastante indecente para lugar tão santo. Estas pessoas não medem a imensa dívida que contraem para com Deus. O luxo é como um archote que acende desejos ilícitos até no coração dos justos; que fogo não acenderá nos levianos e impuros! As pessoas adornadas com tanto cuidado são sempre perigosas: desviam do altar a atenção dos homens e são a causa de distrações e pensamentos criminosos. Quem prepara o veneno comete um pecado mortal, mesmo que não o tome aquele a quem é destinado; o mesmo acontece com estas pessoas: pecam pelo único fato de expor os outros à tentação. Sua falta é ainda mais escandalosa, quando assim se apresentam na Santa Missa. Como responderão por suas vítimas no dia do Juízo? Acrescenta a isso que são uma ocasião de pecado para outras senhoras, a quem servem de figurinos de imitação.

Será, porém, na hora da morte, principalmente, que experimentarás quanto o Senhor é bom para os que honram os sagrados Mistérios do Altar, ao passo que os indiferentes e tíbios meditarão, num amargo, mas inútil arrependimento, o prejuízo que fizeram a seus interesses eternos.

- Por fim o que diziam os Santos sobre a Santa Missa:
 "Fica sabendo, ó cristão, que mais se merece participar devotamente de uma só Missa, do que distribuir todas as riquezas aos pobres e peregrinar toda a Terra." (São Bernardo)

"Eis o meio mais adequado para assistir com fruto a Santa Missa: consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos." (São Leonardo de Porto Maurício)

"Como nós devemos ouvir a Santa Missa?. - Como a assistiam a Santa Virgem Maria e as Santas mulheres. Como São João assistiu ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrificio sangrento da cruz." (São Pio de Pietrelcina)


Fonte:

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Quinta Rosa - Confraria



Confraria


                Estritamente falando, não há senão uma Confraria do Rosário, aquela que os membros concordam em rezar o Rosário completo de cento e cinquenta Ave Marias todo dia. Porém, ao considerar o fervor daqueles que o rezam, devemos distinguir três tipos:


                - Membros Ordinários que rezam (e meditam) o Rosário completo uma vez por semana; 


                - Membros Perpétuos que se propõem a rezá-lo (e meditá-lo) uma vez por ano;


               - Membros cotidianos, que prometem rezá-lo uma vez por dia, ou seja, quinze dezenas somando cento Aves Marias (e dezesseis PAI Nossos – meditando nos mistérios). Nenhum dos membros da confraria do Rosário implica-se sob pena de pecado. Não se trata nem mesmo de um pecado venial faltar às obrigações, porque seu empreendimento é totalmente voluntário e não obrigatório. Contudo, não devem se alistar a Confraria pessoas que não cumprirão o dever de rezar o Rosário, quantas vezes forem necessárias, sem, entretanto, negligenciar as obrigações de seu estado de vida.


                Sempre que o Rosário coincide com uma obrigação do estado de vida, santo como o Rosário é, deve-se dar preferência à obrigação a ser cumprida. De igual forma, pessoas enfermas não são obrigadas a rezarem o Rosário por completo ou mesmo em parte, se este esforço os cansar e piorar o seu estado.


                Caso não possa rezá-lo por alguma obrigação devida à obediência ou por esquecimento involuntário, ou por alguma necessidade urgente, não se comete pecado nem mesmo venial. Você receberá os benefícios da Confraria da mesma forma, compartilhando de suas graças e méritos de seus irmãos e irmãs no Santo Rosário que o rezam por todo o Mundo.


                Meus queridos Católicos, mesmo que você deixe de rezar o Rosário por pura negligência ou preguiça, desde que você não possui desprezo formal contra ele, você não pecou, absolutamente falando, entretanto você perde sua participação nas orações, boas obras e méritos da Confraria. Se você não for fiel nas coisas pequenas e voluntárias, quase  sem perceber, você poderá cair no hábito de negligenciar grandes coisas obrigatórias e que poderão leva-lo ao pecado. Porque – “Aquele que despreza as coisas pequenas, pouco a pouco cairá.” (Ecl 19,1)


9º Capitulo - Extraído do Livro "O Segredo do Rosário" São Luiz M. Grignion de Montfort

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sobre a Caridade

A primeira caridade consiste em pregar a verdade, pois é a verdade que livra as almas do erro e do pecado!

Mais mesmo essa primeira caridade, ou seja, em levar a verdade, deve ser sem interesse!Pois o primeiro vínculo da Caridade é a HUMILDADE!Pois assim disse São Paulo Apóstolo: "A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor" (I Cor 13, 4-5).Mas é impossível pregar a verdade sem ter ao menos um interesse!E qual é então o esse interesse?O único interesse ao levar a verdade é a Salvação das almas!Se não fosse para nós salvar, porque teria o Verbo se encarnado e habitado junto á nós?
Foi a caridade sem interesse próprio, a não ser o da salvação das almas, que fez São Paulo tirar do fundo de sua alma essa fala sobre a caridade (amor) de Cristo, confiram:

"O amor de Cristo nos constrange" (II Cor 5,14).

Porque o Santo Apóstolo disse isso?Foi porque Nosso Senhor Jesus Cristo, nos deu todo o seu amor: 'sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou' (Jo 13,1).Mas sem interesse, praticamente força-nos a amá-Lo! Pois Deus não precisa de nós para nada.Mas quis se entregar todo a nós!Se fosse suficiente apenas a morte do cordeiro, para a nossa salvação, Ele mesmo teria deixado que os seus algozes O tivessem matado quando era uma criancinha sem defesa!Mas não!Ele quis se entregar por completo.Diz São Paulo Apóstolo: "Nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor" (Ef 5,2).
Santa Catarina de Sena nos diz que: "A culpa não é reparada neste mundo pelos sofrimentos, suportados unicamente como sofrimentos, mas sim pelos sofrimentos aceitos com amor, com desejo, com interna contrição.Não basta a força da mortificação; ocorre o anseio da alma." (Santa Catarina de Sena - O Diálogo)

Foi por isso que Nosso Senhor não quis morrer quando criança.Quis sofrer tudo por amor e se entregar por amor.Pois ele mesmo diz: "Mas devo ser batizado num batismo; e quanto anseio até que ele se cumpra!" (Lc 12,50).Que batismo é esse?Senão o Martírio!(Batismo de Sangue)E virando para os Apóstolos disse: "Vós bebereis o cálice que eu devo beber e sereis batizados no batismo em que eu devo ser batizado" (Mc 10,39).Que batismo é esse?Senão o martírio!(Batismo de Sangue)

Por isso disse Jesus aos seus discípulos na Quinta-feira Santa: "Para que o mundo saiba que amo o Pai: levantai-vos e vamos".
-Mas, para onde?
-Morrer pelos homens, na cruz!

E Santa Teresa de Lisieux dizia:
"Martírio! eis o sonho de minha juventude!O sonho que cresceu comigo à sombra dos claustros do Carmelo...Aí, também, percebo que meu sonho é loucura, pois não conseguiria limitar-me a desejar um só gênero de martírio...Para me satisfazer, precisaria de todos eles...Quisera, como tu, meu adorado Esposo, ser flagelada e crucificada...Como São Bartolomeu, quisera morrer esfolada...Como são João, quisera ser escaldada em azeite a ferver.Quisera submeter-me a todos os tormentos que Se infligiam aos mártires...com Santa Inês e Santa Cecília, quisera apresentar meu pescoço à espada, e, como Joana D'Arc, minha querida irmã, quisera sobre a fogueira murmurar teu nome, ó JESUS...Pensando nos tormentos que serão a sorte dos cristãos na era do Anticristo, sinto o coração alvoroçar-se, e quisera que tais tormentos me fossem reservados...Jesus, Jesus, quisesse escrever todos os meus desejos, ser-me-ia necessário pedir emprestado teu Livro da Vida, onde se relatam todos os feitos dos Santos, e quereria tê-los praticado por amor a Ti..." (Santa Teresa de Lisieux - História de uma alma)

No final da fala Santa Teresa de Lisieux revela que sofreria tudo, por amor de Jesus! Eis ai o segredo e o maior nível da caridade.O AMOR!Pois disse São Paulo Apóstolo:

"Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade" (I Cor 13,13)Pois "Se eu falasse a língua dos anjos, adivinhasse o futuro, partilhasse os meus bens com os pobres e entregasse o corpo às chamas, mas não tivesse a caridade, tudo isso de nada valeria!" (I Cor 13,1-12)

Ai está a tradução de Caridade (Amor).A verdadeira caridade é aquela sem interesse próprio, exceto o interesse na salvação da pessoa a qual amamos.Por isso Deus nos deu os Mandamentos, que Nosso Senhor resumiu em dois: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo"!E Pensando nisso disse Nosso Senhor Jesus Cristo aos Apóstolos: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura (Mc 16,15).Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi (Mt 28,19-20).Recebestes de graça, de graça dai! (Mt 10,8).Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração (Mt 11,29).Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós (Jo 13,15)".

Então vamos!Que possamos fazer CARIDADE para com o próximo, começando conosco mesmo!

Mas alguém poderá dizer: "Eu trabalho o dia todo e não tenho tempo para caridades!"

Quem assim pensa, deve observar uma fala de São João Maria Vianney que diz:

"O tesouro do cristão não está na terra, mas nos céus.Por isso o nosso pensamento deve estar voltado para onde está nosso tesouro.Esta é a mais bela profissão do homem: rezar e amar.Se rezais e amais, eis ai a felicidade do homem sobre a terra" (São João Maria Vianney - Catecismo)

Não digo que pareis de trabalhar, mas que mantenhas o trabalho para o seu sustento.Mas que não deixe de fazer caridades!

Então que possamos ousar de caridade para com o nosso próximo, e lembrando que o meu primeiro próximo sou eu mesmo!Então que ouçamos o que nos diz São Paulo Apóstolo:

Ninguém te despreze por seres jovem. Ao contrário, torna-te modelo para os fiéis, no modo de falar e de viver, na caridade, na fé, na castidade.Enquanto eu não chegar, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino”.(I Tm 4,12-13)

É por ele que todo o corpo - coordenado e unido por conexões que estão ao seu dispor, trabalhando cada um conforme a atividade que lhe é própria - efetua esse crescimento, visando a sua plena edificação na caridade”.(Ef 4,16).

Agindo desta maneira estaremos contribuindo para que se cumpra o que disse Nosso Senhor Jesus Cristo: "Conhecereis a verdade e a verdade vos livrará!" (Jo 8,32)



Fonte:


domingo, 19 de junho de 2011

A Modéstia no Vestir – Normas Marianas

“Não pode considerar-se decente um vestido não pode ser cujo decote desça mais do que dois dedos abaixo da base do pescoço, que não cubra os braços pelo menos até ao cotovelo, e que não chegue um pouco abaixo dos joelhos. Além disso, são impróprios os vestidos de tecidos transparentes” [Palavras do Cardeal Vigário do Papa Pio XI].

1. O de ser Mariana é ser Modesta sem compromisso. Seja “como Maria”, a Mãe de Cristo.

2. Os vestidos ou blusas Marianas hão de ter mangas compridas ou, pelos menos, até ao cotovelo, e as saias devem chegar abaixo dos joelhos.

3. (NOTA: devido a condições de mercado impossíveis de alterar, as mangas curtas são toleradas, temporariamente, com Aprovação Eclesiástica, até que a feminilidade Cristã se volte de novo para Maria, como o modelo do Pudor no vestuário.)

4. Os vestidos Marianas devem cobrir completamente o busto, peito, ombros, e costas, excepção feita à abertura do decote, desde que, abaixo da base do pescoço, essa abertura não exceda os cinco centímetros, tanto à frente como nas costas, e outros cinco centímetros na direcção dos ombros.

5. A modéstia Mariana não pode admitir o uso de tecidos transparentes, rendas, e alguns tecidos de malha, organdi, nylon, etc. -, a menos que tenham outro material (opaco) por baixo. Mas o seu uso moderado como ornamentação é aceitável.
6. Os vestidos Marianos devem evitar o uso impróprio de tecidos cor de carne.

7. Os vestidos Marianos não acentuam excessivamente o corpo: disfarçam, em vez de revelarem, as formas da pessoa que os usa.

8. Um vestido Mariano deve ser uma cobertura de modéstia, ou seja, deve estar dentro das normas marianas do Pudor no vestuário (cf. Ponto 3) mesmo depois de se tirar o casa co, papa ou estola (no caso de vestidos de festa).

A moda “mariana” deve, tanto quanto possível, ocultar as formas do corpo em vez de as acentuar, Fica automaticamente eliminado o uso de roupa muito justa, como calças de ganga ou outro tecido, camisolas, calções acima dos joelhos, blusas de tecidos finos e vestidos cavados, etc. Estas normas marianas são um guia para avivar o “sentido de pudor”. Toda a jovem que as seguir, erguendo o olhar até Maria como seu modelo e ideal, não terá qualquer problema de modéstia no vestuário; não será uma ocasião de pecado, nem uma causa de embaraço ou de vergonha para os outros.

“Tal como Maria, vista-se com modéstia — Seja modesta, para ser como Maria.”

Ato de Consagração ao Imaculado Coração de Maria para obter a pureza
Oh, Imaculado Coração de Maria, Virgem Puríssima, atenta aos terríveis perigos morais que ameaçam por todos os lados. Ciente da minha própria fraqueza humana, voluntariamente me coloco, de corpo e alma, este dia e para sempre, sob a Vossa solicitude e protecção.

Consagro-Vos o meu corpo, com todos os seus membros, e peço-Vos que me ajudeis a nunca o usar como uma ocasião de pecado para os outros. Ajudai-me a lembrar-me de que o meu corpo é “Templo do Espírito Santo,” que devo usar segundo a Santa Vontade de Deus para a minha salvação e a dos outros.

Consagro-Vos a minha alma, e peço-Vos, a Vós e a Jesus, que me guardeis e me leveis com segurança para Casa — que é o Céu — por toda a eternidade.

Oh Maria, minha Mãe, tudo o que sou, tudo que tenho é Vosso, Guardai-me e conservaime debaixo do Vosso manto de misericórdia, como coisa e propriedade Vossa.

“Jesus, Maria, eu Vos amo; salvai as Almas!”

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Quarta Rosa - Bem-aventurado Alano de la Roche



Bem-aventurado Alano de la Roche

Todas as coisas, até mesmo as mais santas, estão sujeitas a mudanças, especialmente quando elas dependem do livre arbítrio do homem. Não há, pois, porque estranhar que a Confraria do Santo Rosário tenha mantido seu primeiro fervor por um século desde sua instituição por São Domingos. Após este período, parecia ter sido enterrada e esquecida.

Sem dúvida, também a maldade e inveja do diabo foi largamente responsável em fazer com que as pessoas negligenciassem o Santo Rosário, e assim bloquearam as fontes das graças de DEUS que esta devoção atrai ao Mundo.

Assim, em 1349 DEUS puniu a Europa inteira e lhe enviou a mais terrível peste que jamais fora conhecida em qualquer de suas terras. Iniciou-se no leste e se espalhou através da Itália, Alemanha, França, Polônia e Hungria, trazendo desolação por onde chegou, pois entre 100 homens dificilmente um sobreviveu para contar o que acontecera. Cidades, vilas, arraiais e mosteiros ficaram quase que completamente desolados durante os três anos que a epidemia durou.

Este castigo de DEUS fora rapidamente seguido por mais dois outros: a heresia dos Flagelantes e um trágico cisma no ano de 1376.

Mais tarde, quando estas calamidades cessaram, pela misericórdia de DEUS, Nossa Senhora pediu ao Bem-aventurado Alano que reavivasse a antiga Confraria do Santíssimo Rosário. O Bem-aventurado Alano era um Padre Dominicano do Mosteiro de Dinán, na Bretanha. Ele era um célebre teólogo e famoso por seus sermões. Nossa Senhora o escolheu, porque, desde que a Confraria tinha sido originalmente criada nesta província, era-lhe adequado que um Dominicano da mesma província tivesse a honra de a restabelecer.

O Bem-aventurado Alano iniciou seu nobre trabalho em 1460 após ter recebido os conselhos especiais de Nossa Senhora. Depois ele recebeu a urgente mensagem de Nosso SENHOR, tal qual ele mesmo nos conta. Um dia quando estava celebrando a Missa, Nosso SENHOR, que queria motivá-lo a pregar o Santo Rosário, lhe disse na Sagrada Hóstia: Como podes Me crucificar novamente tão depressa?

Como assim, SENHOR? – Perguntou o Bem-aventurado, horrorizado.
Respondeu JESUS: “Tu já Me crucificastes uma vez por teus pecados, e Eu de minha vontade seria crucificado novamente aos invés de ver MEU PAI ofendido pelos pecados que tu cometestes. Tu estás a Me crucificar de novo agora porque tens todo o conhecimento e compreensão de que precisas para pregar o Rosário de Minha Mãe, mas não estás a fazê-lo. Se tu o tivesses feito, terias ensinado a muitas almas o caminho certo e os teria tirado do pecado, mas não estás a fazê-lo e tu mesmo és culpado dos pecados que eles cometem”.

Esta terrível reprovação fez com que o Bem-aventurado Alano se dedicasse a pregar o Rosário intensamente.

A Santíssima Virgem lhe disse também um dia a fim de o inspirar a pregar o Santo Rosário mais e mais: “Tu fostes um grande pecador na juventude, mas eu obtive de meu FILHO a graça da tua conversão. Se fosse possível, gostaria eu de ter passado por todos os tipos de sofrimentos a fim de salvar-te, pois a conversão dos pecadores é uma glória para mim. E eu pedi, também, que tu fosses digno de pregar o Rosário por toda a parte.”

São Domingos também apareceu ao Bem-aventurado Alano e disse-lhe dos grandes resultados de seu apostolado; ele havia pregado o Santo Rosário incessantemente, seus sermões tinha tido grande fruto e muitas pessoas se converteram durante suas missões. Ele disse ao Bem-aventurado Alano:
“Vede os maravilhosos resultados que tive ao pregar o Santo Rosário! Tu e aqueles que amam Nossa Senhora devem fazem o mesmo, por meio do santo exercício do Rosário, atraireis todos à verdadeira ciência das virtudes.”

Isto é, em resumo, o que a história nos ensina a cerca do estabelecimento do Santo Rosário por São Domingos e sua restauração pelo Bem aventurado Alano de la Roche.

8º Capitulo - Extraído do Livro "O Segredo do Rosário" São Luiz M. Grignion de Montfort