domingo, 25 de setembro de 2011

A devoção e os frutos do Santíssimo Rosário



Quase rosa, plantata super rivos aquarum, fructificate - «Frutificar como rosal plantado sobre as correntes das águas» (Ecclus. 39, 17)

Sumário. O santíssimo Rosário merece ser rezado com respeito e atenção, pois é uma devoção sublime e excelente sob todos os pontos de vista. Foi aprovada pela Igreja, enriquecida de indulgências pelos Sumos Pontífices, e glorificada por Deus com milagres estupendos. Por outro lado, este Saltério celeste, em razão das orações que o compõem, encerra tudo o que há de mais belo na Igreja Católica. Em que estima tens tão precioso tesouro? Como é que costumas rezar o Rosário?


I. Considera a excelência da devoção do santíssimo Rosário. Já se sabe que foi revelada a São Domingos pela divina Mãe, na ocasião em que, estando aflito o Santo e lamentando-se, com Nossa Senhora, dos grandes danos que naquele tempo faziam à Igreja os hereges albigenses, a Virgem lhe disse: “este terreno será sempre estéril, enquanto sobre ele não cair a chuva”. Entendeu então São Domingos que esta chuva era a devoção do Rosário que ele devia publicar. Com efeito, o Santo foi logo pregando por toda a parte, e esta devoção veio a ser abraçada por todos os católicos; de tal maneira, que presentemente não há devoção mais praticada por todas as classes dos fiéis do que a do santíssimo Rosário.

Que não têm dito os hereges para desacreditar este uso? Mas, para nos persuadirmos da sua impiedade, basta sabermos que esta devoção foi aprovada pela Igreja, que a honrou com a instituição de uma solenidade especial; os Sumos Pontífices enriqueceram-na de indulgências, e Deus a glorificou por milagres estupendos. Por outra parte, é conhecido o grande bem que ao mundo tem resultado desta nobre devoção. Quantos por meio dela têm sido livres dos pecados? Quantos conduzidos a uma vida santa? Quantos têm obtido uma boa morte e hoje estão salvos? O próprio demônio, obrigado a isso por São Domingos, declarou pela boca de um possesso, que não se condenou nenhum daqueles que até à morte perseveraram em rezar devotamente o Rosário. 

Nem isso nos pode admirar; porquanto, sendo este Saltério celeste composto da contemplação dos mistérios, da Oração dominical e da Saudação Angélica, encerra em si tudo o que há de mais sublime na Igreja Católica. Examina-te aqui sobre se tens o santíssimo Rosário na devida estima, já que é uma devoção tão exímia sob todos os pontos de vista.

II. Para compreendermos quanto agrada à Santíssima Virgem a devoção do santo Rosário, basta refletirmos nas belas promessas por ela feitas àquele que constantemente reza o Rosário.  “A todos os”, disse Nossa Senhora ao Bem-aventurado Alano, “que recitarem o meu Saltério, prometo a minha proteção especialíssima. O Rosário será para todos um penhor seguro da sua predestinação à glória, porquanto é uma arma poderosíssima contra o inferno para extirpar os vícios, dissipar o pecado e vencer as heresias. Aquele que recitar devotamente o santo Rosário, não será oprimido pelas desgraças, não morrerá de morte imprevista, sem sacramentos; mas converter-se-á, se for pecador; crescerá na graça se for justo, e será feito digno da vida eterna. Os que na terra se esmerarem em propagá-lo, serão por mim assistidos em todas as suas necessidades”.

O fruto desta consideração será que rezaremos frequentemente o santo Rosário, e o rezaremos devotamente, com a coroa benta na mão, acompanhando-o da contemplação dos mistérios, e pondo-nos, sendo possível, diante de uma imagem de Maria. Considerando também de uma parte as perseguições de que é alvo a Igreja Católica, e da outra a confiança esclarecida que os Sumos Pontífices põem nesta arma poderosíssima, rezemos muitas vezes o Saltério celeste para que seja acelerado o triunfo da Igreja.

Ó Virgem gloriosa, Rainha do santíssimo Rosário, congratulo-me convosco pela homenagem que no mundo inteiro vos tributam tantas confraternidades que se gloriam de vosso venerável Nome. Prostrado diante do vosso trono, rogo-vos que lanceis um olhar benigno sobre a herança que Jesus Cristo adquiriu com o seu sangue, e renoveis em seu favor um daqueles prodígios que vos mereceram o título de Rainha das Vitórias. Igualmente vos rogo, ó minha Mãe, que me permitais unir-me hoje e sempre a tantos confrades, vossos filhos diletos, e vos saúde sempre com a saudação angélica: Ave, cheia de graça, o Senhor é convosco (Luc. 1, 28).

“Ó Deus, cujo Filho unigênito pela sua vida, morte e ressurreição nos mereceu os prêmios da salvação eterna, concedei-me propício, que contemplando estes mistérios no santíssimo Rosário da Bem-aventurada Virgem Maria, possa imitar o que eles contêm e conseguir o que prometem. Pelo mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor” (Or. festi) (*I 276).


Fonte: LIGÓRIO, Santo Afonso Maria de. Meditações para todos os dias e festas do ano tiradas das obras ascéticas. Tomo Terceiro: desde a duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Frisburgo: Herder & Cia, 1922, p. 374-377. Em Mulher Católica.

Práticas de devoção em Honra de Maria Santíssima: Novenas




Os devotos de Maria celebram com muita atenção e fervor as novenas de suas festividades. E durante elas a Santíssima Virgem lhes dispensa, com muito amor, as graças inúmeras e especialíssimas. Viu um dia Santa Gertrudes, debaixo do manto de Maria, uma multidão de almas que nos dias precedentes tinham se preparado, por meio de devotos exercícios, para celebrar a festa da Assunção. 

São os seguintes os exercícios que se podem praticar nas novenas:


1. Práticas piedosas
a) Fazer oração mental, de manhã e à tarde, e visitar o Santíssimo Sacramento, acrescentando 9 Pai-Nossos e Gloria Patri.


b)Todos os dias visitar alguma imagem da Virgem e então agradecer ao Senhor as mercês que lhe concedeu, e pedir a Maria um favor especial para si mesmo. 


c) Fazer numerosas jaculatórias a Jesus e a Maria. Nada podemos fazer, que seja mais agradável à nossa Mãe, do que amar a seu Filho. Disse-o ela a Santa Brígida: Se queres que eu seja tua devedora, ama a meu Filho Jesus. 

d) Ler, durante um quarto de hora, algum livro que lhe trate das glórias. 


2. Exercícios de penitência. Com a devida licença do confessor, impor-se alguma mortificação exterior, como o cilício, o jejum, a abstinência de frutas à mesa, de comidas mais saborosas. Melhores são, entretanto, durante essas novenas, as mortificações interiores, como abster-se de ver e ouvir curiosidades, entregar-se ao retiro, ao silêncio, à obediência; evitar a impaciência nas respostas, suportar as contrariedades e outras semelhantes. Elas se podem praticar com menor perigo de vanglória, e maior merecimento, dispensando até a licença do diretor espiritual.


3. Exercício mais proveitoso, porém, será tomar, desde o princípio da novena, o propósito de corrigir-se de algum defeito a que se é mais inclinado. Por isso é bom, por ocasião das visitas acima mencionadas, pedir perdão das culpas passadas, renovar o propósito de nunca mais cair, e implorar para esse fim o auxílio de Maria. 


4. O obséquio mais agradável a Maria, entretanto, é imitação de suas virtudes. Assim é bom, em cada novena, propormo-nos alguma virtude especial de Maria, a mais adaptada ao mistério que se celebra. Por exemplo, na festa da Conceição, a pureza de intenção; na festa da Natividade, a renovação do espírito; na Apresentação, o desapego daquilo a que nos sentimos mais presos; na Anunciação, a humildade e o amor dos desprezos; na Visitação, a caridade para com o próximo, fazendo esmolas, ou pelo menos rezando pelos pecadores; na Purificação, a obediência aos superiores; e finalmente, na Assunção, a prática do desapego, fazendo tudo como preparação à morte, e aplicando-nos em viver cada dia como se fosse o último da vida. Desse modo as novenas produzirão grandes resultados. 


5. Muito recomendável é a comunhão frequente, e mesmo diária, durante a novena. Dizia o Padre Ségneri, que não podemos honrar melhor a Maria, do que por meio de Jesus. A Virgem (segundo o Padre Crasset) revelou a uma alma santa que não se lhe pode oferecer coisa mais cara do que a santa comunhão, porque é aí que o Salvador colhe nas almas os frutos de sua Paixão. É claro, pois, que a Santíssima Virgem nada deseja mais de seus devotos, que os ver receber a santa Comunhão. 


6. Finalmente, no dia da festa, depois da comunhão, é preciso oferecermo-nos ao serviço dessa divina Mãe, pedindo-lhe a virtude que nos propusemos na novena, ou alguma outra graça especial. E é bom escolher cada ano, entre as festas da Virgem, uma para a qual nos prepararemos com maior fervor. Nesse dia então de novo nos consagraremos de um modo mais especial ao ser serviço, elegendo-a por Senhora nossa, Advogada e nossa Mãe. Então lhe pediremos perdão das negligências cometidas em seu serviço, durante o ano findo, com a promessa de maior fidelidade para o ano vindouro. Pedir-lhe-emos, finalmente, que nos aceite por servos, e nos alcance uma santa morte.



Fonte: Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, tradução do padre Geraldo Pires, CSSR, 17ª edição, Editora Santuário, Aparecida, SP; págs. 446-448.

Práticas de devoção em Honra de Maria Santíssima: o Rosário e o Ofício



Observação: Santo Afonso diz: "A devoção do santo Rosário, como se sabe, foi revelada a São Domingos pela divina Mãe, quando, estando o Santo aflito e queixando-se a Sua Senhora dos hereges albingenses, que naquele tempo causavam grande dano à Igreja, a Virgem lhe disse: Este terreno há de ser estéril até que nele caia a chuva. Entendeu então São Domingos que essa chuva era a devoção do Rosário, que ele devia publicar". - Esse conceito do Santo autor mostra o que se tinha por certo sobre o Rosário, a partir dos meados do século XV. Hoje as pesquisas históricas não repetem esse conceito. Entretanto, piamente continua o Rosário ligado a São Domingos, e seus filhos tornaram-se os apóstolos dessa devoção no mundo inteiro. Em 1470 Alano de Rupe fundou a primeira confraria do Rosário. A atual maneira de rezá-lo fixou-se no século XVI. A partir do ano 1726 proibiu Bento XIII qualquer mudança dessa forma de recitação. (Nota do tradutor).


1. Atualmente não há devoção mais praticada pelos fiéis de toda classe, do que esta do santo Rosário. Os hereges modernos como Calvino, Bucero e outros, que não têm dito para desacreditá-lo? Mas é assaz notório o bem que trouxe ao mundo esta augusta devoção. Quantos, por meio dela, têm sido livres dos pecados! Quantos conduzidos a uma vida santa! Quantos, depois de uma boa morte, foram por ela salvos! Podemos ler a esse respeito uma quantidade de livros. Para nós basta dizer que esta devoção foi aprovada pela Santa Igreja, e enriquecida pelos Sumos Pontífices com muitas indulgências. Para lucrar as indulgências dos Dominicanos, unidas às recitações do Rosário, é necessário ir meditando nos mistérios que o compõem. Os livros referentes ao assunto dão as necessárias e cabais explicações para o caso. 

A - Quem recita o terço ganha: 1) cada vez 5 anos de indulgência (Sixto IV); 2) se se rezar em comum, indulgência de 10 anos; 3) indulgência plenária, no último domingo do mês, se se rezar ao menos 3 vezes cada semana. Condições: Confissão e comunhão e oração segundo a intenção do Papa (Bento XII).

B - Se o terço tiver indulgências dos Crucíferos, ganham-se 500 dias em cada Pai-Nosso e Ave-Maria, ainda que se não o reze todo, mas alguns Pai-Nossos e Ave-Marias, à vontade. 

C - Os associados da confraria do Rosário lucram mais indulgências em certas ocasiões como vem especialmente nos manuais da confraria. - (Nota do tradutor).
É preciso rezar o Rosário com devoção, sem esquecer o que a Santa Virgem disse a Santa Eulália. Cinco dezenas, disse-lhe a Senhora, recitadas com pausa e devoção, me são mais agradáveis do que quinze, ditas às pressas e com menor devoção. Por isso é bom recitá-lo de joelhos, diante de uma imagem da Virgem, e fazer no princípio de cada dezena um ato de amor a Jesus e a Maria, pedindo-lhes alguma graça. Note-se também que é melhor recitar o Rosário em comum do que só. 

2. Quanto ao Ofício Parvo de Nossa Senhora, diz-se que São Pedro Damião o compôs. A quem o recita concedeu a Igreja várias indulgências e a Santíssima Virgem tem mostrado muitas vezes quanto lhe é agradável essa devoção, como se pode ver em Auriema. 

(O Ofício Mariano é antiquíssimo e foi recomendado pelo Doutor e Cardeal da Igreja, São Pedro Damião (1072). Já existia 300 anos antes dele, mas o Santo tornou-o mais usado e recomendou-o como proteção em várias tribulações, como por exemplo lhe sentira a eficácia. A atual forma do Ofício vem das mãos de São Carlos Borromeu, santo Cardeal de Milão (1584).) - (Nota do tradutor).
3. Agradam também muito a Nossa Senhora suas Ladainhas, pelas quais se ganham indulgências; o hino Ave Maris Stella (Eu te saúdo, Estrela do mar), que ela encomendou a Santa Brígida recitasse todos os dias. Sobretudo estima o Magnificat, porque, recitando-o, louvamos a Deus com as mesmas palavras com que ela o louvou. 

Fonte: Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, tradução do padre Geraldo Pires, CSSR, 17ª edição, Editora Santuário, Aparecida, SP; págs. 448-450.
 
 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Bom Exemplo

No sermão da montanha o divino Mestre chama a seus apóstolos o “sal da terra” e a “luz do mundo” (Mt. 5, 13-14).

Seremos “sal da terra” na medida em que formos santos. O sal insípido para que serve? “Que pode sair de puro de uma fonte impura?” (Ecli. 34, 4). Só presta para ser atirado aos caminhos e calcado aos pés.

Verdadeiro “sal da terra”, pelo contrário, o apóstolo piedoso será um verdadeiro agente de conservação da sociedade, no meio da corrupção humana. Farol que brilha durante a noite, o clarão do seu exemplo, mais ainda do que da sua palavra, dissipará – omo verdadeira “luz do mundo” – as trevas acumuladas pelo espírito do mundo, e fará resplandecer o ideal da verdadeira felicidade, que Jesus traçou nas oito bem-aventuranças.

O que mais favorece a prática da vida cristã são, precisamente, as virtudes daqueles que têm a missão de ensinar os fiéis. Pelo contrário, as suas fraquezas afastam as almas de Deus; “Por vossa causa o nome de Deus é blasfemado entre os gentios” (Rom. 2, 24). O apóstolo deve ter nas mão a tocha do bom exemplo, mais do que bonitas palavras nos lábios e, antes de pregar a virtude, deve praticá-la. “Aquele que tem a missão de dizer coisas sublimes é, por isso mesmo, obrigado a traduzi-las na prática”, diz S. Gregório. (1)

Com toda a razão alguém observou que o médico do corpo pode tratar dos seus doentes sem que ele próprio goze de saúde. Porém, o médico de almas deve ter a alma sã, porque dá alguma coisa de si mesmo. Os homens têm o direito de ser exigentes com aqueles que pretendem reformá-los. Com efeito, se a moral com que se orna o pregador mais não é do que um invólucro falaz, logo o descobrem e recusam-lhe a confiança.

O sacerdote terá grande poder para falar da oração, se o povo o vir frequentemente em colóquios íntimos com o Hóspede do tabernáculo, tantas vezes abandonado. Será ouvido ao pregar o trabalho e a penitência, se ele próprio for laborioso e mortificado. Ao fazer apologia da caridade fraterna, encontrará corações atentos, se difundir à sua volta o bom odor de Jesus Cristo, reflectindo na sua conduta a doçura e a humildade do divino Mestre, “como modelo do seu rebanho” (1 Ped. 5, 3).

O professor sem vida interior julga ter cumprido o seu dever, cingindo-se exclusivamente ao programa lectivo. Se tiver vida interior, uma frase que lhe escape dos lábios, uma comoção que se lhe espelhe no rosto, um gesto expressivo, a sua maneira de fazer o sinal da cruz, de dizes uma oração, antes e depois da aula – mesmo que seja de matemática – podem ser mais eficazes do que um sermão inteiro.

A religiosa, em serviço de um hospital ou num asilo, tem poder e meios eficazes para fazer germinar nas almas um amor profundo a Jesus Cristo e ao Evangelho. Falte-lhe a vida interior, e nem sequer dará por esse poder, ou conseguirá, apenas, promover actos exteriores de piedade.

O cristianismo propagou-se menos pelos sermões e polêmicas, do que pelo espetáculo dos costumes cristãos, tão opostos ao egoísmo, à injustiça e à corrupção dos pagão. Na sua obra prima, “Fabíola”, o cardeal Wiseman descreve bem o fascínio que o exemplo dos primeiros cristãos exerceu sobre as almas pagãs mais carregadas de preconceitos contra a nova religião. Nessa belíssima narração, assistimos à ascensão de uma alma para a luz. Os sentimentos nobres, as virtudes modestas ou heróicas, que a filha de Fábio descobre em certas pessoas de todas as classes sociais, impõem-se à sua capacidade de admirar. Mas que a revelação para a sua alma, quando verifica que todos aqueles cuja caridade, dedicação, modéstia, doçura, moderação, culto da justiça e da castidade ela admira, pertencem a essa “seita” que sempre lhe apresentaram como a mais execrável! Desde aquele momento, torna-se cristã.

Como seria irresistível o apostolado dos católicos sobre os pagãos modernos, se possuíssem o esplendor de vida cristã descrito pelo ilustre purpurado, e que afinal mais não é do que a fidelidade ao Evangelho! Muitas vezes, contudo, a agressividade das nossas polêmicas, ou a maneira de reivindicar direitos, mais parece provir do orgulho ferido que do desejo de defender os interesses de Jesus!

A irradiação exterior de uma alma unida a Deus é extraordinariamente poderosa. Foi ao ver o modo como o Padre Passerat celebrava a santa Missa, que o jovem Desurmont decidiu entrar na Congragação do Santíssimo Redentor, que tanto haveria de ilustrar.

O povo tem intuições que não falham. Pregue um homem de Deus e o povo acode em multidão. Cesse porém a sua conduta de corresponder ao que se tinha o direito de esperar, e logo a obra fica comprometida e ameaça ruína.

“Que vejam as vossa obras, e glorifiquem o vosso Pai, que está nos Céus” (Mt. 5, 16), dizia Nosso Senhor. S. Paulo recomenda, frequentemente, o bom exemplo aos seus discípulos Tito e Timóteo: “E tu serve de exemplo em tudo pelo teu bom comportamento” (Tit. 2, 7). “Sê o exemplo dos fiéis: Na palavra, no procedimento, na caridade, na fé e nas castidade” (1 Tim. 4, 12). Ele próprio exclama: “O que vistes em mim é o que deveis praticar” (Fil. 4, 9). “Sede imitadores meus, como eu o sou de Cristo” (1 Cor. 11, 1). E a sua linguagem de verdade apoia-se nessa segurança e nesse zelo que , de forma alguma, excluem a humildade e que faziam dizer a Nosso Senhor: “Qual de vós me acusará de pecado?” (Jo. 8, 46).

É tão somente quando seguir “as obras e os ensinamentos de Jesus” (Act. 1,1), que o apóstolo se tornará “um operário que não tem de que se envergonhar” (2 Tim. 2, 15).

“Antes de tudo, caríssimos filhos – dizia Leão XIII – lembrai-vos de que a pureza e a santidade da vida são a condição indispensável do verdadeiro zelo e o melhor penhor de vitória” (2).

“Um homem perfeito e santo – diz Santa Teresa – faz maior bem às almas do que grande número de outros, que apenas seja bem instruídos e prendados”.

“Se o espírito não for regulado por uma conduta verdadeiramente cristã e santa – declara S. Pio X – difícil será levar os outros à prrática do bem”. E acrescenta: “Aqueles que são chamados às obras católicas, devem ser homens de vida tão ilibada que a todos sirvam de exemplo eficaz”. (3)

Notas: (1) São Gregório Magno, Pastor, 2 p, c. III);

(2)Encíclica de Leão XIII, de 8 de setembro de 1899;

(3) Encíclica de São Pio X, aos bispos da Itália, de 11 de junho de 1905.

Fonte: A Alma de todo apostolado – J.B. Chautard.



Fonte:

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Hábitos religiosos obrigatórios da Família Católica




A casa de família - deve ser benzida e nela entronizado o quadro do Sagrado Coração de Jesus. Está escrito que ricas bênçãos Deus derramará sobre a casa e seus habitantes, sempre que isso se der. Pelos quartos, à cabeceira das camas, haverá um quadro de santo, um Crucificado. Aqui te dou o conselho de procurares antes poucos, mas belos quadros ou imagens, do que muitos e feios.

No horário da casa - haverá tempo marcado para as orações da manhã e da noite. Que belo costume esse de se unir a família perante o oratório da família e aí rezar pelos presentes e ausentes!

Nos dias da semana - o domingo tem lugar de honra. É dia sagrado, dedicado primeiro à oração e à Missa e somente depois aos divertimentos inocentes. É também dia respeitado, até nos trajes festivos da família. O mesmo se dá com os dias de festa religiosa. No aniversário dos batizados, das primeiras comunhões, a família faz questão de agradecer a Deus as graças que esses dias trouxeram.

As devoções da família - Se o pai já trouxe algumas de seu tempo de moço, ou se na tua mocidade praticava algumas, continua com elas na casa. Sobretudo a devoção a Nossa Senhora não pode faltar, em caso algum. Pois é garantia de salvação eterna e fonte de muita bênção material. Mas, não o esqueças nunca, a primeira devoção cristã é a Santa Eucaristia. Amor a nosso Senhor Sacramentado - pela assistência à Santa Missa - deve ser precioso patrimônio de todo lar cristão.

Fidelidade á fé - A cristã a recebeu dos pais e deve deixá-la aos filhos. Do contrário, os privaria da herança mais preciosa na vida. Tudo farás, leitora, para conservá-la em ti e nos teus. Para isso é preciso praticar a oração... fugir dos livros maus e procurar os bons. Sobretudo é necessário viver de acordo com aquilo que se crê. Combaterás energicamente as superstições que tanto prejudicam a fé e ofendem a Deus. Se algum dos teus se afastar da fé, não descanses nas tuas orações e sacrifícios para convertê-lo. Cedo ou tarde o conseguirás...

Trecho do livro: As três chamas do lar - Pe. Geraldo Pires de Sousa


créditos ao excelente blog http://catolicosribeirao.blogspot.com
 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Pequena Explicação do Santo Sacrifício da Santa Missa

Por
Santo Afonso Maria de Ligório
 
1.Explicação.

A Santa Missa é um compendio de toda a vida de Jesus Cristo.

-O Intróito significa o desejo que tinham os santos Patriarcas da vinda do Senhor.

-O Kyrie Eleison significa as vozes dos Patriarcas e Profetas, que pediam a Deus esta vinda há tanto tempo desejada.

-O Gloria in Excelsis significa o nascimento do Senhor.

-As orações significam a apresentação no templo e a oferenda determinada por lei.

-A Epistola significa a pregação de São João Batista, anunciando aos homens o reino de Cristo.

-O Gradual significa a conversão das multidões ao ouvirem a pregação de S.João Batista.

-O Evangelho significa a pregação do Senhor que da esquerda nos passa á direita, isto é, das coisas temporais ás eternas, e do pecado á graça; as luzes e o incenso á leitura do Evangelho significam que este iluminou o mundo, enchendo-o do suave aroma da graça de Deus.

-O Credo significa a conversão dos santos Apóstolos e dos outros discípulos do Senhor.

-As Secretas, que principiam depois do Credo, significam os ocultos conciliabulos dos Judeus contra Cristo.

-O Prefácio terminado com o Hosana In Excelis, significa a entrada solene de Jesus Cristo em Jerusalém no dia de Ramos.

-As outras orações secretas que se recitam em seguida significam a Paixão do Senhor.

-A Elevação da hóstia, significa a elevação de Cristo na Cruz.

-O Pater Noster significa a oração do Senhor quando pendente da cruz.

-A fracçao da hóstia significa a chaga aberta pela lança.

-O Agnus Dei significa o pranto de Maria no descimento da cruz.

-A Comunhão do Sacerdote, significa a sepultura.

-O Post-communio, significa a ressurreição.

-O Ite Missa est, significa a ascensão.

-A benção do sacerdote, significa a vinda do Espírito Santo.

-O Evangelho final significa a pregação dos santos Apóstolos, quando, cheios do Espírito Santo, começaram a pregação do Evangelho por todo o mundo e a conversão do povos.


Fonte:

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sétima Rosa - Coroa de Rosas




Coroa de Rosas

                Desde que o Bem-aventurado Alano de la Roche restabeleceu esta devoção, a voz povo que é a voz de DEUS, o chamou de O Rosário. A palavra rosário quer dizer “coroa de rosas”, vindo a ser: toda vez que o povo reza o Rosário de maneira devota eles colocam uma coroa de cento e cinquenta e três rosas vermelhas (cor de rosa) e dezesseis rosas brancas nas cabeças de JESUS e Maria. Por se tratarem de rosas celestiais, estas rosas nunca murcham, nem perdem sua fragrância e delicada beleza.

                Nossa Senhora mostrou sua total aprovação do nome de Rosário. Ela revelou a várias pessoas que cada vez que elas rezam uma Ave Maria, elas lhe dão uma linda rosa e que a cada Rosário completo uma coroa de rosas.

                O conhecido Jesuíta, Irmão Alfonso Rodriguez, tinha por costume rezar seu Rosário com tanto fervor que ele estava habituado a ver rosas brancas saírem de sua boca a cada PAI Nosso e uma rosa vermelha a cada Ave Maria. As rosas vermelhas e brancas são iguais beleza e fragrância, tendo por única diferença a cor.

                As crônicas de São Francisco nos dizem que um jovem frade tinha um costume louvável de rezar o Rosário de Nossa Senhora diariamente antes do jantar. Um dia, não se sabe porquê, deixou de rezar. O sino do refeitório já havia tocado quando ele pediu ao superior permissão para rezar antes de ir à mesa, e tendo obtido a permissão recolheu-se à sua cela para rezar.

                Após um longo tempo que se retirara, o Superior enviou outro frade para chamá-lo, e este o encontrou em ser quarto banhado por uma luz celestial a olhar Nossa Senhora que tinha dois Anjos consigo. Lindas rosar saíam de sua boca a cada Ave Maria; os Anjos as recolhiam uma a uma, colocando-as na cabeça de Nossa Senhora, e ela sorridente as aceitava.

                Finalmente, dois outros frades que foram enviados a fim de saber o que acontecia aos dois primeiros também puderam ver a mesma bela e admirável cena, e Nossa Senhora não se retirou até que o Rosário fosse rezado completamente.

                O Rosário completo é, pois, uma grande coroa de rosas e o Terço de cinco dezenas é uma pequena coroa de flores ou uma pequena coroa de rosas celestiais que colocamos nas cabeças de JESUS e Maria. A rosa é a rainha das flores, e o Rosário, depois da Santa Missa é a melhor das devoções. 


11º Capitulo - Extraído do Livro "O Segredo do Rosário" São Luiz M. Grignion de Montfort

domingo, 11 de setembro de 2011

Regulamento de Vida para uma pessoa se santificar no meio do mundo


Extraído e adaptado das obras de Santo Afonso Maria de Ligório


De manhã:
1) Levantar-se a uma hora certa, como por exemplo, às 5 horas ou às 5:30, e nunca alterar a hora sem causa justa;

2) Oferecer, logo que acordar, o coração a Deus, fazer o sinal da cruz e vestir-se prontamente e com modéstia; depois rezar de joelhos três Ave-Marias em honra do Coração Imaculado da Santíssima Virgem Maria para obter uma grande pureza de coração, de corpo e espírito;

3) Fazer a oração e meditação da manhã durante meia hora, ou ao menos por espaço de um quarto de hora.

4) Assistir à Santa Missa todas as vezes que puder.

Durante o Dia:
5) Fazer pelo menos um quarto de hora de leitura espiritual;

6) Recitar o terço meditando em seus mistérios, sendo possível reze-o em família;

7) Fazer a visita ao Santíssimo Sacramento e à Santíssima Virgem, na Igreja caso possível;

N.B. Para estes três exercícios, se fixa a hora em que as ocupações de cada um permita:

8) Dizer freqüentemente e dum modo especial, no principio e no fim do trabalho, orações jaculatórias, e fazer principalmente atos de amor a Deus como: “Ó meu bom Jesus! Eu vos amo. Eu quero amar-vos; fazei que eu vos ame muito, etc". não esquecendo a prática da comunhão espiritual;

9) Exercitar-se na mortificação dos olhos, dos ouvidos, da língua, abstendo-se de olhar para coisas inúteis, de as escutar e dizer, ainda que não sejam perigosas, para deste modo mais facilmente se abster das más e perigosas;

10) Aproveitar as ocasiões de sofrer alguma pena, contradição ou humilhação por amor a Deus. Submeter-se em todas as contrariedades e padecimentos, em todas, à vontade de Deus, dizendo: "Oh! Meu Deus! Vós assim o quereis, a vossa vontade seja feita".

11) Quando estiver à mesa, abster-se de alguma coisa de que mais goste; nunca saciar inteiramente o apetite, nem comer fora da hora da comida sem necessidade.

12) Evitar a ociosidade, as más companhias, as más leituras e as ocasiões do pecado, especialmente aquelas em que a castidade pode sofrer perigo. Santo Afonso, Santa Tereza e muitos outros Santos dizem que uma das principais regras para a perfeição e santificação d’uma alma, é evitar a familiaridade das pessoas de diversos sexos, ainda que essas pessoas sejam religiosas, porque muitas vezes o demônio lança em nosso coração certas afeiçõezinhas menos puras para com elas, fazendo passar por espirituais coisas que são verdadeiras loucuras;

13) Fazer o sinal da cruz nas tentações, sobre tudo nas carnais, estando só e dizer no fundo do coração: "Jesus! Maria! José! Socorrei-me". Não se perturbar, se a tentação continuar, mas orar mais vivamente e dizer: "Ò meu Jesus! Antes quero morrer que ofender-vos".

14) Não se perturbar, se tiver a desgraça de cometer algum pecado mesmo grave, mas fazer um perfeito ato de contrição com o propósito de não cair mais e de confessar na primeira ocasião que puder;

À Noite:
15) Fazer, em uma hora fixa, como por exemplo, às nove horas, a oração da noite e o exame de consciência; dizer os Atos cristãos e as Ladainhas da Santíssima Virgem depois de ler alguma coisa acerca do que deve meditar no dia seguinte;

16) Depois de ter rezado as três Ave Marias, como de manhã, despir-se com modéstia; estando na cama cobrir-se sempre com decência e conservar-se nela com modéstia; ocupar o espírito na meditação do dia seguinte, no pensamento da morte ou em qualquer outro santo pensamento, e fazer ou dizer as orações jaculatórias que puder, até que venha o sono.

17) Escolher um bom confessor, em quem tenha confiança; abrir-lhe bem o coração e deixar-se guiar pelos seus conselhos, e nunca o deixar sem grave motivo;

18) Confessar-se uma vez por semana e comungar tantas vezes quantas o seu diretor permitir;

19) Nutrir no seu coração uma devoção constante e terna para com Maria Santíssima. Repetir a Ave Maria quando o relógio der horas, ao entrar em casa e ao sair, acrescentando: "Jesus Maria e José, eu vos amo; não permitais que eu vos ofenda". Jejuar nos sábados e na véspera das sete festas de Maria Santíssima. Fazer uma novena com preparação para cada uma delas, bem como as do Natal, Pentecostes e Santo Patrono. Trazer os escapulários ou algumas medalhas piedosas e inspirar aos outros a devoção à Maria Santíssima.

20) Ouvir sermão todas as vezes que puder. Entrar em uma congregação, para se ocupar do que interessa a alma. Fazer com o mesmo fim um dia de retiro espiritual, todos os meses. E todos os anos exercícios espirituais por espaço de quatro ou cinco dias.

São João Maria Vianney sobre os "bailes"



  Ars era o lugar predileto dos jovens dançarinos das vizinhanças. Tudo era pretexto para um baile. Para acabar com eles, o Santo Cura d’Ars levou 25 anos de combate renhido.

Explicava que não basta evitar o pecado, mas deve-se fugir também das ocasiões. 

Por isso, abrangia no mesmo anátema o pecado e a ocasião de pecado. Atacava assim ao mesmo tempo a dança e a paixão impura por ela alimentada: “Não há um só mandamento da Lei de Deus que o baile não transgrida. [...] Meu Deus, poderão ter olhos tão cegos a ponto de crerem que não há mal na dança, quando ela é a corda com que o demônio arrasta mais almas para o inferno? O demônio rodeia um baile como um muro cerca um jardim. As pessoas que entram num salão de baile deixam na porta o seu Anjo da Guarda e o demônio o substitui, de sorte que há tantos demônios quantos são os que dançam”.  
O Santo era inexorável não só com quem dançasse, mas também com os que fossem somente “assistir” ao baile, pois a sensualidade também entra pelos olhos. Negava-lhes também a absolvição, a menos que prometessem nunca mais fazê-lo. Ao reformar a igreja, erigiu um altar em honra de São João Batista, e em seu arco mandou esculpir a frase: Sua cabeça foi o preço de uma dança!... É de ressaltar-se que os bailes da época, em comparação com os de hoje, sobretudo do pula-pula frenético e imoral do carnaval e as novas danças modernas, eram como que inocentes. Mas era o começo que desfechou nos bailes atuais.

  A vitória do Pe.Vianey neste campo foi total. Os bailes desapareceram de Ars. E não só os bailes, mas até alguns divertimentos inofensivos que ele julgava indignos de bons católicos.

 Junto a eles combateu também as modas que julgava indecentes na época (e que, perto do quase nudismo atual, poderiam ser consideradas recatadas!).

    As moças, dizia, “com seus atrativos rebuscados e indecentes, logo darão a entender que são um instrumento de que se serve o inferno para perder as almas. Só no tribunal de Deus saber-se-á o número de pecados de que foram causa”. Na igreja jamais tolerou decotes ou braços nus.

 
“Se crês, meu irmão, que hás de morrer, que existe eternidade, que se morre só uma vez, e que, dado este passo em falso, o erro é irreparável para sempre e sem esperança de remédio: por que não te decides, desde o momento em que isto lês, a praticar quanto puderes para te assegurar uma boa morte?” (Santo Afonso Maria de Ligório).

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Sobre a Morte Corporal

Dizia Santo Afonso Maria de Ligório:

"Devemos estar prontos para aceitar a morte, aquela morte que é da vontade de Deus.Temos de morrer.Nossa vida vai terminar na última doença e não sabemos qual delas nos levará a sepultura.Portanto, é necessário que nos preparemos em todas as enfermidades para abraçar a morte que Deus nos tem destinado.
Alguém poderá dizer:

"Mas eu fiz tantos pecados e nenhuma penitência!Queria viver, não por viver, mas para dar alguma satisfação a Deus antes de morrer.
Dize-me, como sabes que, vivendo farás penitência e não te comportarás pior do que antes?Neste momento podes esperar que Deus te tenha perdoado.Mas que melhor penitência do que aceitar com resignação a morte, se Deus assim o quer?.
São Luis Gonzaga, que morreu jovem com 23 anos abraçou a morte alegremente, dizendo: 'Encontro-me agora, assim espero, na graça de Deus.Mais tarde não sei o que serás de mim.Morro contente, se nesta hora Deus quiser me chamar para a outra vida'.E São João de Ávila dizia que uma pessoa, encontrando-se com boas disposições, mesmo medíocres, deve desejar a morte para sair do perigo em que sempre vivemos neste mundo, de poder pecar e perder a graça de Deus".(Santo Afonso Maria de Ligório - A Prática do Amor a Jesus Cristo)

Dizia São Cipriano de Cartago:
"Que motivo há pois para ansiedade e desassossego? Quem fica inquieto e triste nesta situação, senão quem não tem esperança e fé? Só deve temer a morte quem não quer ir para o Cristo. E só não quer ir para o Cristo quem não crê que vai começar a reinar com Ele.

Está escrito que o justo vive da fé. (Rm. I, 17). Se és justo e vives da fé, se verdadeiramente crês no Cristo, porque recusas ser chamado para junto dEle, porque não te rejubilas de ficar livre do diabo, uma vez que estás seguro, pela promessa do Senhor, de que ficarás com o Cristo? Assim, se deu com o justo Simeão, que foi verdadeiramente um justo e observou com fé inteira os preceitos de Deus. Fora-lhe prometido, por revelação divina, que não morreria sem ver o Cristo. Por isso, quando o Cristo, recém-nascido, veio ao templo com sua mãe, conheceu no Espírito que havia nascido Aquele de quem tivera revelação. E assim que o viu, soube que estava prestes a morrer. Alegrando-se, então, pela morte próxima e certo do chamado iminente, tomou nas mãos o Menino e, bendizendo o Senhor, exclamou: "Despede agora, Senhor, o teu servo, em paz, segundo a tua palavra; pois os meus olhos já viram a tua salvação" (Lc. 2,29).

Tema morrer, sim, mas aquele que não tendo renascido na água e no Espírito, é propriedade do fogo da Geena. Tema morrer quem não participa da cruz e da paixão do Cristo. Tema morrer quem passa desta morte a uma segunda morte. Tema morrer o que deixando o século será atormentado pela chama inextinguível das penas eternas. Tema morrer quem encontra na terra uma protelação dos sofrimentos e gemidos". (São Cipriano de Cartago - De Mortalitate)

Termina Santo Afonso Maria de Ligório dizendo:
"Se amamos a Deus de verdade, devemos ardentemente desejar vê-Lo e amá-Lo com todas as forças do céu.Isso ninguém pode fazer perfeitamente nesta vida.Mas, se a morte não nos abre a porta, não podemos entrar no paraíso.Santo Agostinho exclamava: "Morra eu, Senhor, para vos ver".Senhor, fazei-me morrer porque, se não morro, não posso vos amar e vos ver face a face" (Santo Afonso Maria de Ligório - A Prática do Amor a Jesus Cristo)



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