domingo, 29 de janeiro de 2012

O Matrimônio - Parte II

Breve Tratado do Matrimônio
Padre Jean Viollet


Índice:

Publicaremos hoje:

MATRIMÔNIO
A PREPARAÇÃO PARA O MATRIMÔNIO
  • A ESCOLHA
  • LEIS DO AMOR CONJUGAL
O MATRIMÔNIO ENTRE CRISTÃOS NÃO É UM
SIMPLES CONTRATO, MAS SIM UM SACRAMENTO
DIREITOS E DEVERES RECÍPROCOS DOS ESPOSOS
BOM ENTENDIMENTO CONJUGAL
PATERNIDADE E MATERNIDADE
FILHOS E SUA EDUCAÇÃO
CONCLUSÃO

III - A ESCOLHA

1- Da escolha depende o futuro

A escolha do esposo e da esposa é de importância primordial, porque não se pode esquecer que compromete definitivamente o futuro. Dessa escolha depende a felicidade ou infelicidade do futuro lar, a vida moral e espiritual da família.

2- Não confundir qualidades físicas e qualidades morais


A escolha pode ser deformada de várias maneiras. Primeiro, porque preocupam-se mais com as qualidades físicas do que com as qualidades morais. O gosto que se tem em presença de uma “bela pessoa” tira ao espírito a liberdade de exame e julgamento; impede ver a pessoa tal como é, com suas qualidades e defeitos; leva-nos a esquecer que as satisfações dos sentidos são variáveis e inconstantes e que a felicidade reside mais na união dos corações e das vontades, cuidadosas de um mesmo ideal moral.

3- A situação financeira não substituirá nunca o amor

As considerações de dinheiro, as vaidades sociais não são menos perigosas quando se trata de se unir para sempre. Ao ter em vista problemas de dinheiro e de situação financeira, quando se trata de fundar um lar, os esposos estão se preparando para as piores desilusões, se decidirem pelo matrimônio para satisfação de simples vaidades sociais ou amor ao dinheiro, sem preocupar-se de pôr em primeiro plano as considerações morais, fundamento do amor conjugal.

4- Pôr em primeiro plano o valor moral da pessoa

Se a atração física deve ter sua parte na escolha do cônjuge, o valor moral da pessoa deve ser colocado sempre em primeiro plano. Por isso, esclarecimentos sérios e seguros devem preceder a decisão final.

5- Necessidade de um estudo aprofundado

É necessário que os pais ou, na sua falta, pessoas de toda confiança, ajudem seus filhos a se esclarecer, sobre os antecedentes dos candidatos e de sua família, do ponto de vista moral e religioso. Não devem negligenciar a questão da saúde. Ninguém tem direito, numa questão de que dependem futuras exigências, de agir sem rodear-se de todas as garantias possíveis e sem assegurar-se das aptidões morais e físicas da pessoa para a criação de uma família sadia. Não é raro que pessoas sem escrúpulos, querendo casar, disfarcem mais ou menos seus verdadeiros sentimentos.

6- A família – O meio social


Ainda que não se case com a família e o meio social da pessoa escolhida, seria agir com grande imprudência decidir-se a casar sem estar previamente assegurado de que os hábitos de seu meio e sua educação não serão de natureza a provocar conflitos e incompreensões.

7- Harmonias secundárias

Mas, se para o bom entendimento se exige, antes de mais nada, a compreensão mútua, há contudo harmonias secundárias que seria perigoso desprezar. As diferenças de meio social, de educação recebida e a desproporção de fortunas são outros tantos elementos que podem provocar dificuldades e desentendimentos que perturbarão o desembaraço das relações quotidianas. Seria erro psicológico crer que o amor se basta a si mesmo, e que as dificuldades da vida não podem exercer sobre ele nenhuma influência para o bem ou para o mal.

8- A harmonia exige um ideal comum

Uma das condições essenciais para a boa harmonia conjugal é a comunhão de ideal moral e de convicções religiosas. Antes de comprometer-se pelos laços do matrimônio, os interessados deveriam sempre assegurar-se de que existe concordância na sua maneira de encarar os grandes problemas da vida. Nunca poderão estar de acordo os que encaram a vida comum como divertimento com os que a consideram como vocação; os que não partilham os mesmos princípios de moral conjugal; os que têm convicções religiosas com os que não as têm. Se os esposos não querem ver surgir-lhes desacordos trágicos e sofrimentos sem saída, precisam, antes mesmo do matrimônio, se colocar de acordo nas grandes diretivas de seu ideal conjugal e familiar. Uma mesma direção moral é o fundamento mais seguro para o bom entendimento conjugal. Amar é orientar-se juntamente no presente em direção a um ideal cuja realização se procura em comum.

9- Este ideal é especialmente necessário quando se tratar de educar os filhos

O problema de concordância das convicções morais e de crenças religiosas ganha toda sua importância quando se trata da educação dos filhos, e da influência a exercer sobre suas consciências. Quantas divisões dramáticas quando, cada um dos esposos, pretende passar para as almas dos filhos convicções contrárias às de seu cônjuge.

10- Os caracteres

Apesar dos preconceitos correntes, cremos que o matrimônio entre pessoas de caráter diferente, até mesmo opostos, nem sempre é de se desaconselhar. Não é raro que caracteres diferentes sejam complementares e se harmonizem na mesma medida em que necessitam um do outro.

11- Matrimônio de coração ou matrimônio de razão

É preciso opor os matrimônios de “coração” aos matrimônios de “razão”? Certamente que não, porque seria deixar entender que, de um lado, o coração tem o direito de ser insensato e que, por outro lado, a razão pode decidir-se independentemente dos sentimentos. Os matrimônios que apresentam as maiores probabilidades de sucesso são aquele em que coração e razão se compreenderam e se entenderam harmoniosamente. O matrimônio não é uma loteria, mas um ato livre, no qual, após ter rezado a Deus e examinado todas as circunstâncias, a vontade se decide com pleno conhecimento de causa.

IV - LEIS DO AMOR CONJUGAL

1- Há uma moral de vida conjugal
É preconceito corrente que, após receber o sacramento do matrimônio, os esposos tenham o direito de se comportar como bem lhes parece, e que não estejam submetidos a nenhuma obrigação moral especial.

2- Responsabilidades da união conjugal
De todos os atos humanos, o amor é um dos que implicam mais responsabilidades pessoais e sociais. Se todos os atos humanos dependem da lei moral, como poderia este ser exceção? Não é da maneira como nos comportamos em face do amor que depende a felicidade ou infelicidade do outro? E não é no seio da união conjugal que as potências geradoras assumem sua significação moral para o bem ou para o mal?

3- Leis do matrimônio – A fidelidade

Quais são, então, as leis do amor conjugal? A primeira é a fidelidade. Os que pretendem que existe o direito de se conciliar o amor e a infidelidade, dariam, por isso mesmo, prova de que não amam sinceramente. É para assegurar a sinceridade do dom que um faz ao outro fazem, marido e esposa, que o matrimônio está declarado indissolúvel. Esta indissolubilidade ajudará os cônjuges a triunfar das vicissitudes, dos sofrimentos e das tentações da vida. Fidelidade e indissolubilidade estão intimamente ligadas. A fidelidade é não só possível, mas relativamente fácil para cônjuges que, durante sua adolescência viveram castamente, para os que têm convicções religiosas e se aplicam, no decorrer de seu amor, em afastar ocasiões de fraqueza, em dominar os egoísmos da natureza, em destruir em si os defeitos susceptíveis de comprometer a boa harmonia conjugal.

4- A infidelidade não rompe a união conjugal


Isso não quer dizer que as paixões humanas não possam provocar, por vezes, a infidelidade de um ou outro dos esposos. A infidelidade, apesar do que dela pensam os partidários do divórcio, não dá nenhum direito ao esposo lesado romper suas promessas. A falta de um dos cônjuges não autoriza o outro a cometer uma falta semelhante, quebrando o laço que tinha consentido livremente ao se casar.

5- Condenação do divórcio

O divórcio está, assim, em oposição formal às leis da união conjugal. O fato de ser aceito pela lei civil em nada muda seu caráter de imoralidade. O legislador não pode mudar, à sua vontade, leis morais que devem, normalmente, presidir às promessas mútuas dos esposos no matrimônio.

6- Lei da unidade

À lei de fidelidade e de indissolubilidade vem se juntar a de unidade do laço conjugal, a saber, que o matrimônio não é concebível senão entre um único homem e uma única mulher. O casamento repetido entre divorciados não passa de poligamia disfarçada.

7- União conjugal e procriação dos filhos

Abordamos aqui o difícil problema da castidade conjugal, quer dizer, das regras morais que devem presidir à união dos esposos. Basta que consideremos o plano de Deus fora de qualquer idéia preconcebida, para concluir que a união dos sexos tem como fim principal e primeiro a continuação da espécie. Ainda que haja entre marido e esposa elementos de união espiritual aos quais teremos de voltar, não se pode perder de vista que a primeira conseqüência do dom que mutuamente se fazem um ao outro, não somente de seu coração mas também de seu corpo, deve incluir a aceitação leal das conseqüências que resultam naturalmente disto, a saber, a concepção eventual de filhos.

8- Os filhos devem nascer no seio da família

No pensamento de Deus, nunca os filhos devem nascer de uma aventura passageira. Os infelizes que nascem nestas condições são as vítimas do egoísmo humano. Deve presidir ao nascimento e educação dos filhos uma união sincera e duradoura. Por isso, a instituição do matrimônio se confunde com a da família. Mas, no seio da vida conjugal, levantam-se certos problemas que os esposos devem encarar com sinceridade, se querem que Deus abençoe seu lar e se estão decididos a evitar faltas que os afastariam da vida e da perfeição cristã.

9- A temperança

Não devem esquecer que os ameaça um perigo, o de praticar prazeres sexuais à custa do devotamento generoso e desinteressado. Por isso, desde o princípio do matrimônio, deverão se aplicar à prática da virtude de temperança. Grande número de esposos cessam de se amar depois de alguns anos de casamento, por que procuraram o máximo de prazeres e negligenciaram desenvolver entre si as qualidades desinteressadas que dão ao amor todo seu valor moral e espiritual. Para viver e se desenvolver, o amor tem necessidade de lutar contra os egoísmos da natureza e, muito especialmente, contra os egoísmos da carne.

10- O amor e dom de si

As alegrias da união conjugal são legítimas e podem contribuir poderosamente para a manutenção da boa harmonia dos esposos, mas sob condição de que sejam conformes ao plano divino, quer dizer, que possam servir, se Deus o quer, a dar vida a filhos. O amor se orienta naturalmente para o dom, primeiro o dom dos esposos um ao outro, depois, por esse dom, o dos dois esposos conjuntamente aos filhos que lhes são confiados.

11- O número de filhos

Por pouco que os esposos tenham compreendido a grandeza de sua vocação familiar, multiplicarão generosamente o número de seus filhos tanto quanto permitir a saúde da esposa e as condições materiais da existência. Se absterão de pretextos mais ou menos egoístas, demasiadas vezes invocados por aqueles que limitam, sem maior razão, o número de seus filhos. Mas, por mais desejosos que estejam de criar uma família numerosa, talvez um dia se encontrem perante dificuldades que irão levantar, inevitavelmente, a questão da limitação do número de seus filhos.

12- Perfeição conjugal e castidade

Esta limitação, se apoiada em razões válidas, significa, para os esposos, o difícil problema da continência. Sabem que a moral reprova os meios ilícitos de evitar filhos. Desde logo se aplicarão a evitá-los e, para se fortalecerem contra sua própria fraqueza, buscarão na oração e na prática dos sacramentos os socorros que lhes são necessários. Para evitar que a continência prejudique a boa harmonia conjugal e o seu equilíbrio moral, multiplicarão, um em relação ao outro, as atenções e delicadezas do coração e procurarão, juntos, um derivativo às exigências da carne, no maior devotamento para com seus filhos e sua educação. Reservado, além disso, o direito de dar um ao outro marcas de ternura e velando para que estas tendam mais à união dos corações do que dos corpos, não se perturbarão se essas ternuras vierem a provocar involuntariamente alguma excitação de ordem sexual, uma vez que essas excitações não tenham sido procuradas e queridas por si mesmas. Além disso, se confiarão lealmente a um diretor espiritual esclarecido e se ajudarão mutuamente a pôr em prática seus conselhos. Não sendo perfeitos, e exigindo a prática da abstinência conjugal longos e difíceis esforços, não se deixarão desencorajar por quedas sempre possíveis. Reconhecê-las-ão humildemente e continuarão seus esforços que os levarão, pouco a pouco, a um estado melhor e mais perfeito. A Igreja, que perpetua a misericórdia de Jesus Cristo, reserva para o pecador de boa vontade a maior indulgência, desde que este reconheça humildemente suas fraquezas e se esforce por delas triunfar. ¹
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1- Existem métodos naturais que permitem determinar, com maior ou menor exatidão, o período de fecundidade e infecundidade da mulher. Tais métodos permitiriam evitar, à vontade, concepções indesejadas. Até que ponto é legítimo o emprego destes métodos? Não o é, certamente, quando o método é usado pelos esposos com intenção egoísta, quando poderiam normalmente aumentar o número de seus filhos. Mas quando for utilizado legitimamente, quer dizer, por razão grave, tais como: saúde da mulher, dificuldades econômicas, perigo de desunião ou desvio de conduta, nunca os esposos devem perder de vista que o seu uso tende a multiplicar os egoísmos carnais, em prejuízo da generosidade do coração. Os esposos que desejam elevar seu amor mútuo para uma espiritualidade sempre mais elevada, não usarão tal método senão para evitar um mal maior, e se esforçarão em substituí-lo por esforços cada vez mais generosos no sentido da continência.
 

O Matrimônio - Parte I

Breve Tratado do Matrimônio
Padre Jean Viollet


Índice:


Publicaremos hoje:

  • MATRIMÔNIO
  • A PREPARAÇÃO PARA O MATRIMÔNIO
A ESCOLHA
LEIS DO AMOR CONJUGAL
O MATRIMÔNIO ENTRE CRISTÃOS NÃO É UM
SIMPLES CONTRATO, MAS SIM UM SACRAMENTO
DIREITOS E DEVERES RECÍPROCOS DOS ESPOSOS
BOM ENTENDIMENTO CONJUGAL
PATERNIDADE E MATERNIDADE
FILHOS E SUA EDUCAÇÃO
CONCLUSÃO


O Padre Viollet, bem conhecido pelos seus livros sobre a família e a educação, expõe em algumas páginas os princípios e regras do matrimônio cristão. Numa época em que a instituição familiar está sendo muito ultrajada, em que se perdem as referências, esta obra ajudará os jovens que se preparam para o matrimônio, e também os esposos, em conhecerem melhor a grandeza deste estado de vida. O autor não se contenta com relembrar os princípios, mas dá também valiosos conselhos para formar uma família capaz de atravessar todas as dificuldades da vida, uma família fundada sobre um amor verdadeiro, e não sobre o egoísmo.


I – MATRIMÔNIO

1- O chamamento para o matrimônio

Entre as vocações às quais os homens estão chamados pela Providência, o matrimônio é umas das mais elevadas. Pelo matrimônio o homem e a mulher, colaboradores de Deus na procriação dos filhos, são chamados a se santificar mutuamente e recebem, ao mesmo tempo, a missão de formar, pela educação, o coração, a inteligência e a vontade dos filhos que lhe são confiados, até chegar o dia em que os mesmos são finalmente capazes de se conduzir por si próprios.

2- Baseia-se no amor

Porque Deus é amor e porque Ele criou o mundo por amor, quis que seus filhos nascessem do mesmo modo, isto é, pelo amor que une um homem e uma mulher para a vida inteira. Por esta razão, o casamento deve ser considerado com um respeito religioso. Aliás, é consagrado por um sacramento, o sacramento do Matrimônio.

3- Pede longa preparação

Por conseguinte, o homem e a mulher têm de preparar-se antecipadamente e por longo tempo, durante os seus anos de adolescência, para a sublime vocação que fará deles os colaboradores da obra divina. Para preparar-se para isto, o jovem deverá conservar o seu corpo na castidade, aprender a respeitar a mulher, adquirir as qualidades sobre as quais poderá, com toda confiança, repousar o coração da esposa. A jovem deverá ser reservada, cuidar da guarda do seu coração, não procurar as emoções sentimentais sem futuro, mas acostumar-se a missões de devotamento e generosidade, começando no seio da própria família.

4- O que deve ser o amor


O amor não é uma satisfação dos sentidos; também não é um sonho novelesco. É um sentimento forte e profundo, o dom generoso e durável de um só homem para uma só mulher. Exige que cada um dê ao outro o melhor de si mesmo, aplique-se a lutar contra os defeitos que constituem um obstáculo para a harmonia conjugal, conquiste as qualidades e virtudes que enriquecem o amor e lhe dão todo seu valor moral e espiritual. O verdadeiro amor não se confunde, como amiúde acreditam os jovens, com uma beatitude sem mistura. É feito de alegrias e penas, de desenvolvimentos e sacrifícios. Os que pretendem não ter do amor senão suas alegrias, o matam antecipadamente; ao passo que aqueles que aceitam seu fardo e seus cuidados, o garantem contra os egoísmos da paixão e as dificuldades da vida.

5- Origem do amor

O amor conjugal não é uma invenção humana. É querido por Deus. É desvio de seu fim natural não procurar nele mais do que a satisfação dos desejos da paixão, sem fazer por onde gerar filhos e se consagrarem os esposos à sua educação, dando-lhes o melhor de si mesmos.


II - A PREPARAÇÃO PARA O MATRIMÔNIO

1- O valor do amor depende do valor das almas

Se há tantos matrimônios que não perseveram, é porque não foram preparados e porque os que se uniram não tinham compreendido as suas exigências morais e espirituais. É preconceito corrente que o amor aparece e desaparece sem se saber como e sem que seja erro de ninguém. A verdade é inteiramente outra. Se o aparecimento do amor é sempre resultado de um encontro fortuito ou preparado, a sua duração e profundidade dependem do valor das almas e da maneira de como elas se preparam para amar.

2- Os erros dos jovens
Para um jovem, não é preparação para amar multiplicar os prazeres sensuais nos dias da sua adolescência. Tais falsos prazeres, que se pretendem justificar pelo odioso provérbio: “é preciso gozar a juventude”, desenvolvem hábitos de prazer egoísta e sem responsabilidade, que terão por resultado diminuir o respeito devido à esposa e a si próprio. Dando livre curso aos instintos inferiores, os adolescentes diminuem as delicadezas de coração e o controle da vontade. Preparar-se para amar é aprender a respeitar-se a si mesmos e fazer-se respeitar pelo outro sexo; é forjar sua vontade com vista às obrigações futuras; é amar antecipadamente aquela que é ainda desconhecida, por fidelidade antecipada; é conquistar as qualidades de coragem, de lealdade, de domínio de si e de abnegação sobre as quais se apoiará, um dia, o coração da esposa.

3- Os erros das jovens

Para a jovem, preparar-se para amar é habituar seu coração para todas as delicadezas da fidelidade. Provocar e perturbar o sexo forte com jogos de sedução não é aprender a amar; nem multiplicar, pelo namorico, as falsas emoções da sensibilidade; nem sonhar com paixões amorosas irrealizáveis. O coração não vive senão pelo dom de si. Ora, para aprender a devotar-se, a jovem deverá exercitar-se no devotamento sob todas as suas formas. A moça que não souber esquecer-se de si mesma no decorrer de sua adolescência, não o saberá fazer na sua vida familiar.

4- O amor é enriquecimento mútuo

O amor não vive se não for alimentado pelo enriquecimento mútuo do marido pela esposa e da esposa pelo marido. Muitos casamentos falham porque os noivos não possuem as qualidades que teriam enriquecido e feito desabrochar a alma do seu cônjuge.

5- Como se preparar

Por isso, os jovens e as jovens devem aplicar-se em desenvolver ao máximo, durante seus anos de adolescência, as qualidades próprias de cada sexo. O homem deve se forjar uma personalidade forte e corajosa, um julgamento reto, uma consciência leal; conquistar as qualidades que darão à esposa o sentimento de poder se abandonar com confiança à retidão e generosidade de seu marido. A esposa deve desenvolver em si todas as sensibilidades do coração; conquistar as qualidades de dona de casa e se mostrar apta a todos os atos que tornam amável e atraente o lar. Um e outra deveriam preparar-se para bem educar seus filhos, devotando-se durante a sua adolescência, às obras de formação da juventude. 


A Santa Família



José acolheu com delicadeza esse grande sentimento e respondeu com o mesmo amor. O amor entre eles era tão sublime que já podia pertencer ao nível dos anjos. José nunca reclamou para si satisfações humanas, sempre disponível a advinhar os desejos de Maria Santissima, era sempre pronto a todas as necessidades.

José sentiu muita alegria a ver o seu filho crescer, dia após dia, abraçando-o, sabendo bem quem ele era. Com amor ele cuidava de toda a família, não economizando fadiga.

Quando chegou o tempo de fugir para o Egito, não teve dúvidas ou tenteamentos, deixou tudo aquilo que tinha, inclusive a segurança de como manter a família, para salvar seu filho. Muitos não dão o devido valor do seu papel como pai e todo o seu empenho para com a familia.

Mestre de integridade, José soube ser um exemplo para todos os pais de família, demonstrou que era possível amar ardentemente, mas de um amor para com o núcleo familiar sem pretender nada para si: a alegria era a luz reflexa do perfume das virtudes.

Cada família deveria pegar como exemplo esta Santa Família daquela época. Quantos casais interpretam o próprio papel como o mais importante, desenvolvendo o amor egoístico para o proprio prazer; assim acusam o outro, enquanto não fazem nada para compreende-lo.

Os filhos são como botões de rosas. E’ necessário que o jardineiro as regue adequadamente e o sol as aqueça, a fim de que com o tempo a flor se abra no seu esplendor emitindo o seu suave perfume. Mas se os botões vêem abandonados, as ervas daninhas procurarão sofocá-los e a falta de água, antes ou depois, os farão morrer; para eles não tem saída, sozinhos não conseguirão sobreviver.

Assim é para os nossos meninos, eles são belissimos botões e atendem de abrir-se; é necessário porém regá-los com a luz da verdade e aquecê-los com o sol do amor. Vocês devem dedicar muito cuidado a eles, a fim de que as ervas daninhas dos vícios e das falsas inclinações não os sufoquem. Mas se de um lado devem se preocupar pelo crescimento humano deles, do outro lado devem se empenhar pelo crescimento espiritual e moral deles, para transferir aquela luz que permitirá a eles de caminhar em direção à justa estrada. Quantas mães e pais não fazem faltar nada ao filho, doando até o supérfluo, achando que assim estão doando a ele, a felicidade.

No dias de hoje, quantos são numerosos os rapazes, os meninos infelizes que atendem dos pais a única coisa preciosa, o amor, o afeto e um guia seguro para o caminho a seguir.

A família é o amor conjugal que recai sobre os filhos e se fecha no núcleo familiar. O botão se transforma em flor, alimentado pelo amor dos pais, o seu perfume será mais ou menos intenso na proporção das virtudes que se conseguiu cultivar juntos.

Família, sublime oportunidade de crescimento para todos os seus membros, é o amor que chama amor e no amor a alegria de doar e de ver os frutos. Se às vezes a fadiga fará descer lágimas de suor, serão gotas para alimentar a vontade de proseguir e crescer juntos.

Se um dos membros não quer exercitar o seu dever ou é incapaz de doar porque está ainda fechado no seu egoísmo, pouco importa aos outros membros que sabem amar, o ajudarão a crescer.

Maria e José eram unidos docemente na alegria e na dor pelo seu filho tão amado que se entregaram de corpo e alma: Jesus era o sol deles. Souberam acudir docemente o botão deles, regando dia após dia com as suas virtudes e aquecendo-o com o amor deles. Devemos fixar eles com confiança, devemos pedir ajuda e eles virão a nós como se fossemos seus filhos, ampararão nos e nos darão o desejo de crescer e de acudir os nossos botões, se tivermos. Farão nos experimentar na família aquele desejo de amar o que somente os anjos possuem.







Fonte:

http://escravasdemaria.blogspot.com

Padre Pio: a Espiritualidade do Vaticano II e do Novus Ordo Missae


Padre Pio (25 de maio de 1887 - 23 de setembro de 1968) foi beatificado em 02 de maio de 1999, e canonizado em 16 de junho de 2002 pelo Papa João Paulo II. Ele é o único sacerdote conhecido por ter recebido os estigmas completo. Ele NUNCA celebrou o Novus Ordo Missae.

O último ano deste século morrer, decadente vai ver a beatificação do Padre Pio, o santo monge a quem Deus enviou como um sinal para a nossa idade. Pois, enquanto todo mundo quer nos fazer acreditar em uma nova Igreja "carismática", estranhamente não encontramos há qualquer santos milagrosos como os que encontramos ao longo da história da Igreja, começando com o Pentecostes. Padre Pio parece fechar a procissão de seu número, fazendo tão magnificamente, sendo o único padre de ter suportado os estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Muito tem sido escrito sobre o Padre Pio, mais de 600 obras, parece os autores sempre salientar o lado extraordinário de sua vida: não só seus carismas particulares (leitura das almas, cura, ressuscitando pessoas mortas, bilocação, êxtases, exalando e profetizando perfume, etc), mas também os sofrimentos incríveis que ele suportou desde sua infância, as perseguições sofridas de alguns clérigos e até mesmo irmãos na religião, bem como suas duas grandes obras de caridade: a fundação da Casa do Sofrimento e grupos de oração.

Em resumo, elas apresenta-o para nós como um "santo" mais para ser admirado do que imitar, para que, no final, perdemos as aulas mais interessantes a serem aprendidas a partir desta vida, e as aplicações práticas que poderiam transformar a nossa. Tentaremos, portanto, ainda que imperfeitamente, expor algumas destas lições, esperando que todos seremos capazes de aproveitá-las, e que o Padre, do céu alto, vai socorrer-nos, como ele prometeu a todos os aqueles que gostariam de se tornar seus "filhos espirituais".

Na aurora da vida totalmente sacrificado a Deus e às almas, o que há para ser encontrado é uma família piedosa, pobre e numerosa, onde a abnegação de cada membro amolece e transforma as duras realidades da vida diária. Aqui vemos confirmado o ditado de Mons. Segur de que é nas famílias onde o espírito de sacrifício está faltando e que as vocações estão em maior risco. Batizado no dia depois de seu nascimento - uma graça para o qual ele foi grato toda a sua vida, Padre Pio foi batizado de Francesco, um presságio de sua vocação franciscana, que viria a ser descoberto por ocasião de uma visita de um monge Capuchinho implorando alimentos para o convento . Mesmo assim, a sua vocação não era decidido sem luta:

"Senti duas forças conflitantes dentro de mim, rasgando meu coração: o mundo queria-me para si, e Deus me chamou para uma vida nova. Seria impossível descrever esse martírio. A mera lembrança da batalha que teve lugar dentro de mim gela o sangue muito em minhas veias....".

Ele ainda não tinha16 anos quando entrou para o noviciado. Acima da porta do claustro, como uma bem-vinda, ele leu o sinal: "Fazei penitência ou perecer". A regra da vida diária incluía muitas orações, trabalho bastante, e pouco de leitura, sendo restrita especialmente para o estudo da Regra e Constituições.

Irmão Pio fez-se visível pela abundância das lágrimas que derramou no período da manhã de oração mental, que nas casas dos Capuchinhos é consagrado à meditação da Paixão; lágrimas tão abundante que era necessário para espalhar uma toalha na frente dele no o piso do coro. Tal como acontece com São Francisco, foi a esta contemplação amorosa e compassiva de Jesus crucificado que estava a dever a graça de receber, mais tarde, os estigmas dolorosos em seu corpo. Mesmo assim, ele confidenciou ao seu diretor espiritual, Pe.Agostino: "Em comparação com o que eu sofro na minha carne, o combate espiritual que eu suporto são muito piores."

Expiatório para com os pecadores: Trials Interior

Parece que Deus espera que o justo para expiar de modo especial, por meio da tentação, o pecado público de seus contemporâneos. Numa altura em que a psicanálise, com o seu talento para explicar afastado a culpa e o pecado, foi ganhando influência, Padre Pio, como a pequena Teresinha teve que passar por uma crise quase insuportável de escrúpulos, o que o atormentava por três longos anos. Em seguida, depois da tempestade veio a noite, uma noite da alma que durou dezenas de anos, com apenas lampejos ocasionais de luz: "Eu vivo em uma noite perpétua... Encontro-me incomodado por tudo, e eu não sei se eu ajo bem ou mal. Eu posso ver que não é um escrúpulo, mas a dúvida sobre se eu sinto ou não estou agradando o Senhor me esmaga. E essa ansiedade se repete para mim em todos os lugares: no altar, no confessionário, em toda parte!".

É com o pensamento de suas experiências místicas em mente que suas máximas deve ser meditado:"O amor é mais bonito na companhia do medo, porque é desta forma que se torna mais forte.""Quanto mais se ama a Deus, menos um a sente!".

Santa Teresa do Menino Jesus oposição ao racionalismo orgulhoso de seu dia, a pequena via da infância espiritual, mas ela também é expiada por terríveis tentações contra a fé. Seu grito: "Eu vou acreditar!" é bem conhecida. Padre Pio também experimenta tentações violentas e prolongadas contra a fé, assim como suas cartas ao padre. Agostino testemunha:

"Blasfêmias pela minha cabeça sem parar, e ainda mais falsas idéias, idéias de infidelidade e incredulidade. Eu sinto minha alma paralisada em cada instante da minha vida, isso me mata ... Minha fé é sustentada apenas por um esforço constante de minha vontade contra qualquer tipo de persuasão humana. Minha fé é apenas o fruto do esforço contínuo que eu exalto de mim mesmo. E tudo isso, Pai, não é algo que acontece algumas vezes por dia, mas ela é contínua ... Pai, como é difícil de acreditar!".

Que lições preciosas para nós devemos, por exemplo, ser surpreendidos em encontrar-nos tentados a tal ponto.

Diretor Espiritual

Padre Pio superou essas provações terríveis, seguindo o que havia sido ensinado no noviciado: a perseverança na oração, mortificação dos sentidos, fidelidade inabalável às exigências do dever de Estado e, finalmente, a perfeita obediência ao sacerdote encarregado de sua alma. Sua experiência adquirida dolorosamente lhe permitiu atrair para si as almas desejosas de perfeição e ser exigente.

Para as almas que ele dirigiu, ele deu uma regra de cinco pontos: a confissão semanal, diária de comunhão e de leitura espiritual, exame de consciência de cada oração da noite e mental duas vezes por dia. Como para a recitação do rosário, que é tão necessário escusado será dizer....

"A confissão é o banho da alma. Você deve ir pelo menos uma vez por semana. Eu não quero almas para ficar longe de confissão mais de uma semana. Mesmo um quarto limpo e desocupado reúne pó; retorne depois de uma semana e você vai ver que precisa de pó de novo!".

Para aqueles que se declaram indigno de receber a sagrada Comunhão, ele responde:
"É bem verdade, não somos dignos de tal dom. No entanto, a abordagem do Santíssimo Sacramento em estado de pecado mortal é uma coisa e de ser indigno é outra completamente diferente. Todos nós somos indignos, mas é Ele quem nos convida. É Ele quem o deseja. Vamos nos humilhar e recebê-Lo com um coração contrito e cheio de amor".

Para outro, que lhe disse que o exame diário de consciência parecia inútil, já que sua consciência lhe mostrou claramente em cada acção, se foi bom ou ruim, ele respondeu:

"Isso é verdade. Mas cada comerciante experiente neste mundo, não só mantém o controle durante todo o dia de saber se ele perdeu ou ganhou em cada venda. À noite, ele faz a contabilidade para o dia para determinar o que deveria fazer no dia seguinte. Segue-se que é indispensável para fazer um rigoroso exame de consciência, breve mas lúcida, todas as noites".

"O mal que vem para as almas com a falta de leitura de livros sagrados me faz tremer... Que leitura o poder espiritual tem de levar a uma mudança de curso, e fazer até mesmo as pessoas mundanas entrar no caminho da perfeição!".

Quando Padre Pio foi condenado a não exercer qualquer ministério, ele passava seu tempo livre, não na leitura de jornais - "evangelho do Diabo", mas na leitura de livros de história, doutrina e espiritualidade. Apesar disso, ele ainda diria: "Uma procura por Deus em livros, mas encontra-O em oração."

Seus conselhos para a oração mental são simples:

"Se você não consegue meditar bem, não desista fazendo o seu dever. Se as distrações são numerosoa, não desanime; fazer a meditação da paciência, você ainda lucro. Decidir sobre a duração da sua meditação, e não deixar o seu lugar antes de terminar, mesmo se tiver de ser crucificado... Por que você se preocupa tanto, pois não sabe como meditar como gostaria? A meditação é um meio para alcançar Deus, mas não é um objetivo em si. Meditação visa o amor de Deus e do próximo. Amar a Deus com toda a tua alma, sem reservas, e amar o próximo como a ti mesmo, e você terá cumprido metade de sua meditação".  
O mesmo vale para assistir ao santo sacrifício da missa: é mais preocupado em fazer atos (de contrição, fé, amor ...) do que com reflexões ou considerações intelectuais. Para alguém perguntando se é necessário seguir a Missa em um missal, Padre Pio respondeu que somente o sacerdote precisa de um missal. Segundo ele, a melhor maneira de assistir ao Santo Sacrifício é de unir-se à Virgem das Dores, ao pé da cruz, na compaixão e amor. É só no paraíso, ele assegura seu interlocutor, que vamos aprender de todos os benefícios que recebemos, ajudando na santa missa.
Padre Pio, que era tão afável e agradável em suas relações com as pessoas, pode se tornar severo e inflexível quando a honra de Deus estava em jogo, especialmente na igreja.

O sussurro dos fiéis seria cortado pela autoridade do Pai, que se abertamente encarar qualquer um que não conseguiu manter uma postura de oração... Se alguém ficou de pé, mesmo que fosse, porque não havia lugares deixados nos bancos da igreja, ele categoricamente convidá-o a se ajoelhar para participar dignamente no santo sacrifício da Missa.

Nem mesmo um coro desatento seria poupado: "Meu filho, se você quiser ir para o inferno, você não precisa da minha assinatura".A moda pós-guerra caiu sob a mesma reprovação:

Padre Pio, sentado em seu confessionário aberto, durante todo o ano se verificou que as mulheres e meninas que confessou a ele estavam usando saias não muito curtas. Ele iria até causar lágrimas a ser derramadas quando alguém que estava esperando na fila por horas se afastou por causa de um hemline ofender... Em seguida, algumas almas daria um passo à frente para oferecer ajuda. Em um canto, eles unsavam a orla, ou então emprestavam ao penitente um casaco. Finalmente, às vezes o Pai permitia o penitente humilhado para ir à confissão.

Um dia, seu diretor espiritual o repreendeu por sua conduta dura. Ele respondeu: "Eu poderia obedecê-lo, mas cada vez que é Jesus que me diz como devo lidar com as pessoas sua maneira grave, então, fui inspirado a partir de cima, exclusivamente para a honra de Deus ea salvação das almas".

Mulheres que satisfazem sua vaidade em seu vestido nunca pode colocar a vida de Jesus Cristo, além disso elas até perdem os ornamentos de sua alma, assim como o ídolo entra em seu coração.
E que ninguém censurá-o por falta de caridade: "Peço-lhe para que não me critique, invocando a caridade, porque a maior caridade é entregar almas cativadas por Satanás, a fim de conquistá-las para Cristo".

Padre Pio e do Novus Ordo Missae

Ele era um modelo de respeito e submissão para com os seus superiores religiosos e eclesiásticos, especialmente durante o tempo em que ele foi perseguido. No entanto, ele não poderia permanecer em silêncio ao longo de um desvio que foi funesta para a Igreja. Mesmo antes do final do Conselho, em fevereiro de 1965, alguém anunciou-lhe que logo ele teria de celebrar a Missa segundo um novo rito, ad experimentum, no vernáculo, que havia sido planejado por uma comissão litúrgica conciliar, a fim de responder às aspirações do homem moderno. Imediatamente, mesmo antes de ver o texto, ele escreveu a Paulo VI para pedir-lhe para ser dispensado do experimento litúrgico, e para poder continuar a celebrar a Missa de São Pio V. Quando o cardeal Bacci veio vê-lo a fim de trazer a autorização, Padre Pio deixou escapar uma queixa na presença do mensageiro do Papa: "Por piedade, efeito, o Conselho rapidamente."

No mesmo ano, durante a euforia conciliar que prometia uma nova primavera para a Igreja, ele confidenciou a um de seus filhos espirituais: "Nesse tempo de trevas, oremos. Vamos fazer penitência para os eleitos.", e especialmente para aquele que tem de ser seu pastor aqui abaixo: Toda sua vida, ele próprio imolado para o papa reinante, cuja fotografia estava entre as imagens raras que decoravam sua cela.

Renovação da vida religiosa?

Há outras cenas de sua vida que estão cheias de significado, por exemplo, suas reações ao agiornamento das ordens religiosas inventado na esteira do Concílio Vaticano II. (As citações aqui são tiradas de um livro com um imprimatur):

Em 1966, o Padre Geral [dos franciscanos] veio a Roma antes do capítulo especial sobre as Constituições, a fim de pedir Padre Pio para suas orações e bênçãos. Ele conheceu Padre Pio no claustro. "Padre, eu vim para recomendar às suas orações o capítulo especial para as novas Constituições..." Ele mal tinha começado as palavras "capítulo especial"..." novas Constituições" fora de sua boca quando Padre Pio fez um gesto violento e gritou: "Isso é tudo, mas nada de absurdo e destrutivo". "Mas Padre, depois de tudo, há a geração mais jovem a ter em conta... os jovens evoluem à sua maneira ... há novas exigências ..." "A única coisa que falta é a mente e o coração, isso é tudo, compreensão e amor." Em seguida, ele passou a sua cela, fez meia volta, e apontou o dedo, dizendo: "Não devemos desnaturar a nós mesmos, não devemos nos desnaturar no julgamento do Senhor, São Francisco não nos reconhecerá como seus filhos!"

Um ano depois, a mesma cena se repetiu para o aggiornamento dos Capuchinhos:

Um dia, alguns confrades estavam discutindo com o Pai Definiteur Geral [O conselheiro ou assessor do geral ou provincial de uma ordem religiosa - Ed .], os problemas da Ordem, quando Padre Pio, tomando uma atitude se chocou e gritou, com um olhar distante em seus olhos: "O que no mundo você está até em Roma? O que você está planejando? Você quer mesmo mudar a Regra de São Francisco?". O Definiteur respondeu: "Padre, as mudanças estão sendo propostas porque o don juventude quer ter nada a ver com a tonsura, o hábito, pés descalços...."

"Chase-los! Persegui-os para fora! O que você pode estar dizendo? É eles que estão fazendo um favor a São Francisco, tomando o hábito e seguindo seu caminho de vida, ou melhor, não é São Francisco, que está oferecendo a eles uma grande dom?".


e considerarmos que o Padre Pio foi um verdadeiro alterChristus, que toda a sua pessoa, corpo e alma, foi tão perfeitamente conforme quanto possível à de Jesus Cristo, sua recusa a aceitar o Novus Ordo e o agiornamento deve ser para nós uma lição para aprender. É também digno de nota que o bom Deus quis recordar Seu fiel servo pouco antes eram implacavelmente imposta à Igreja e da Ordem dos Capuchinhos. Notável, também, é o fato de que Katarina Tangari, uma das mais privilegiadas do Padre Pio, filha espiritual, apoiava tão admiravelmente os padres [da Sociedade de São Pio X] de Ecône até à sua morte, um ano depois das consagrações episcopais de 1988.

Lição final: Fátima


Padre Pio era ainda menos para obrigar a ordem social vigente e política, ou melhor, desordem (em 1966): "A confusão de idéias e do reinado de ladrões." Profetizou que os comunistas chegariam ao poder, "de surpresa, sem disparar um tiro ... Ela vai acontecer durante a noite".

Isso não deveria nos surpreender, já que os pedidos de Nossa Senhora de Fátima não foram ouvidos. Ele mesmo disse a Mons. Piccinelli, que a bandeira vermelha vai voar sobre o Vaticano. "Mas isso vai passar". Aqui, novamente, sua conclusão se junta a da Rainha dos Profetas: "Mas no fim, meu Imaculado Coração triunfará". Os meios pelos quais este profetiza vai acontecer, nós sabemos: pelo poder divino, mas deve ser solicitado pelas duas grandes potências nas mãos do homem: a oração e a penitência. Esta é a lição que Nossa Senhora quis nos lembrar no início deste século: Deus quer salvar o mundo pela devoção ao Imaculado Coração de Maria, e não há nenhum problema, material ou espiritual, nacional ou internacional, que não pode ser resolvido pelo Santo Rosário e os nossos sacrifícios.

Esta é também a última lição que o Padre Pio quis deixar-nos com o seu exemplo, e especialmente por seu "grupo de oração", que ele estabeleceu em todo o mundo . "Ele nunca estava sem um rosário, houve até um debaixo do travesseiro. Durante o dia ele recitou várias dezenas de rosários". Poucas horas antes de morrer, como aqueles em torno dele pediu-lhe para falar mais algumas palavras, tudo o que podia dizer era: "O amor a Santíssima Virgem e sempre rezar o terço".

A elevação iminente do Venerável Padre Pio, certamente, vai despertar em muitas almas a curiosidade e admiração. Poderíamos aproveitar a oportunidade para lembrá-los dessas lições poucas, se de fato nós soubermos como colocá-las em prática nós mesmos, no amor misericordioso do Coração Santíssimo de Jesus e Maria.

Pelo Pe. Jean, OFM Cap. E
Impresso originalmente na edição de Maio de 1999 O Angelus Magazine.

Tradução por Angelus. Carta aos Amigos do São Francisco, a publicação dos Padres Capuchinhos de São Francisco Mosteiro, Morgon, França, uma comunidade tradicional que apoia o trabalho do Arcebispo Lefebvre. 
 
Fonte:
http://escravasdemaria.blogspot.com/

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Vigésima Rosa - A Ave Maria – Breve Explicação



   A Ave Maria – Breve Explicação 

  Você está num estado miserável do pecado? Pois então chame a Maria e diga-lhe: Ave! Que vem a ser “Eu vos saúdo com o mais profundo respeito, pois vós sois sem pecado” e ela livrá-lo-á do mal de seus pecados. 

   ”...a palavra divino pode ser usada sem atribuir a ela a natureza da divindade da pessoa ou coisas assim classificada. Falamos de nossas próprias orações, ora dirigidas a DEUS ou aos Seus santos, como um serviço divino. O Salmista fala de todos nós como deuses e filhos do Altíssimo; e ninguém fica ofendido por tal expressão, porque o sentido dado às palavras pronunciadas é compreensível. Maria pode ser chamada divina por ter sido divinamente escolhida para o ofício de Mãe” de uma Pessoa divina, JESUS CRISTO (Cardeal Vaughan, prefácio às “Verdadeira Devoções à Santíssima Virgem Maria” escrito por São Luiz de Montfort). 

   Você está envolto na escuridão da ignorância e do erro? Vá a Maria e diga-lhe: Ave Maria” Que vem a ser “Iluminada com os raios do sol da justiça” – e ela lhe dará um pouco de sua luz. 

   Caminha extraviado, fora do caminho que leva aos Céus? Pois então, chame a Maria, porque seu nome significa “Estrela do Mar, Estrela Polar que os navios de nossas almas durante a jornada desta vida,” e ela lhe guiará ao porto da salvação eterna. 

   Você esta triste? Recorra à Maria, pois seu nome significa também “Mar de amarguras que a encheu com cortante dor neste Mundo, mas com a qual tornou-se em mar da mais pura alegria no Céu” e ela transformará sua tristeza em alegria e sua aflição em paz. 

   Você perdeu o estado de graça? Louve e honre as inumeráveis graças com que DEUS encheu a Virgem Maria, e diga-lhe “Sois cheia de graça e cheia dos dons do ESPÍRITO SANTO” e ela lhe dará algumas destas graças. 

   Se sente só, tendo perdido a proteção de DEUS; Reze a Maria, diga-lhe: “O SENHOR é convosco,” e esta nobilíssima e mais íntima que aquela que Ele tem com os santos e os justos, pois vós sois uma com Ele. Sendo Ele vosso FILHO e Carne de Sua Carne; estais unida ao SENHOR por causa da perfeita semelhança com ELE e pelo vosso amor mútuo, por serdes Sua Mãe. E depois diga a ela: “A SANTÍSSIMA TRINDADE é convosco porque vós sois o Seu Tempo”, e ela lhe colocará mais uma vez debaixo da proteção e cuidado do DEUS Todo-Poderoso.

   Você se tornou um foragido e tem sentido a justiça de DEUS pesar? Então diga a Nossa Senhora: “Bendita sois vós entre todas as mulheres e sobre todas as nações, por vossa pureza e fertilidade; tornastes as maldições divinas em bênçãos para nós,” e ela o abençoará. 

   Sente fome pelo pão da graça e pão da vida? Ajoelhe-se próximo a ela que deu a vida ao Pão Vivo que desceu do Céu, e diga a ela: “Bendito É o fruto de vosso ventre que concebestes sem a mínima perda de vossa virgindade, que carregastes sem desconforto Aquele a quem destes à luz sem dor. Bendito seja JESUS que redimiu nosso Mundo sofredor enquanto estávamos presos às cadeias do pecado, que curou o Mundo de sua doença, que tem ressuscitado os mortos para a vida, que trouxe para casa o que lhe fora banido, salvou os homens da condenação.” Sem dúvida sua alma estará cheia do pão da graça nesta vida e de glória eterna na próxima. Amém.

Então, ao fim de sua oração, reze assim como a Santa Madre Igreja:

Santa Maria
Santa de corpo e alma,
Santa por causa de vossa incomparável abnegação
no serviço de DEUS.
Santa em vossa nobreza exuberante de Mãe de Deus,
que O contemplastes com perfeita santidade,
da mais alta dignidade.
Mãe de Deus e nossa Mãe,
Transbordante das graças de DEUS,
de Quem sois a tesoureira,
e que as dispensais para nós.
Obtende para nós,
sem demora, o perdão de nossos pecados,
e dai-nos a graça de sermos reconciliados,
com a infinita Majestade de DEUS.
Rogai por nós pecadores,
Vós que sempre sois cheia de compaixão
pelos necessitados.
Que nunca desprezais os pecadores, volvei a eles,
pois sem eles nunca seríeis a Mãe do REDENTOR
Rogai por nós agora,
durante esta vida curta, tão cheia de tristeza,
de sofrimento e incertezas.
Rogai por nós agora,
Agora, porque não temos certeza de nada,
a não ser o momento presente.
Rogai por nós agora,
porque estamos sendo atacados dia e noite
por poderosos e cruéis inimigos...
Rogai por nós agora
e na hora da nossa morte,
tão terrível e cheia de perigos,
quando nossas forças se esgotam e nossos espíritos desfalecem-se
e nossos corpos estão exaustos com medo e pena.
Rogai por nós então, na hora da nossa morte,
quando satanás esta trabalhando,
com forças redobradas,
para nos seduzir e nos lançar à perdição.
Rogai por nós na hora da decisão,
quando a morte lançará de uma vez por todas
o nosso destino eterno,
será o Céu, (o Purgatório) ou o Inferno.
Venha em auxílio de vossos pobre filhos,
Terna Mãe de piedade.
Advogada e Refúgio dos pecadores,
proteja-nos na hora da nossa morte.
Expulsa para longe de nós
Nossos terríveis inimigos,
os demônios acusadores,
que com suas horrorosas presenças
enche-nos de pavor.
Ilumina nossos passos no vale das sombras da morte.
Oh Mãe, leva-nos
ao trono de julgamento de vosso FILHO
e não nos abandone lá.
Interceda por nós
e peça ao vosso FILHO que me perdoe.
Aceitai-nos no número dos abençoados escolhidos no Reino da Eterna glória.
Amém – Assim seja” 

Ninguém poderia deixar de admirar a beleza do Rosário que é composto de duas orações celestiais: o PAI Nosso e a Ave Maria. Qual outra oração poderia ser mais agradável a DEUS Todo-Poderoso e à Nossa Senhora, ou ser mais fácil, mais preciosa ou mais eficaz que estas duas orações? Devemos sempre tê-las em nossos corações e em nossos lábios para honrar a SANTÍSSIMA TRINDADE, JESUS CRISTO nosso Salvador e sua Santíssima Mãe.

Além disto, ao fim de cada dezena é conveniente acrescentar um “Glória ao PAI, ao FILHO e ao ESPÍRITO SANTO. Assim como era no princípio, é agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.”


24º Capitulo - Extraído do Livro "O Segredo do Rosário" São Luiz M. Grignion de Montfort

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Décima-Nona Rosa - A Ave Maria – Uma Feliz Troca



    A Ave Maria – Uma Feliz Troca 

   Está escrito: “Dai, e dar-se-vos-á” (Lc 6,38). Recordemos a comparação do Bem-aventurado Alano: “Suponhemos que todo dia eu lhe dê cento e cinquenta diamantes, não me perdoaria mesmo que fosse seu inimigo? Não me trataria como se fosse seu amigo, e me daria as graças que você fosse capaz de dar? Se você quer receber as riquezas da graça e da glória, corteje a Santíssima Virgem, honre a sua boa Mãe” “Como quem acumula tesouros, assim é aquele que honra sua mãe.” (Ecl 3,5) então, diariamente dê-lhe ao menos cento e cinquenta Ave Marias, pois cada qual vale quinze pedras preciosas e elas são mais agradáveis a Nossa Senhora que todas as riquezas deste Mundo juntas. 

   E você pode esperar tais grandes coisas de sua generosidade! Ela é nossa Mãe e amiga. Ela é a imperatriz do Universo e nos ama mais que todas as mães e rainhas do Mundo. Jamais outra tem amado o ser humano como ela. Assim o é realmente, pois a caridade da Virgem Maria ultrapassa o amor natural de toda a humanidade e mesmo de todos os Anjos, como foi dito por Santo Agostinho. 

   Um dia Santa Gertrudes teve uma visão de Nosso SENHOR a contar moedas de ouro. Tomou coragem e perguntou-Lhe o que estava fazendo. Ele respondeu: “Estou contando as Ave Marias que você rezou; são as moedas com a qual você pode pagar a sua passagem para o Céu. 

   O letrado e piedoso Jesuíta, Padre Suarez, estimava tanto a Saudação Angélica, que diz que daria com gosto todo seu aprendizado pelo valor de uma Ave Maria bem rezada. 

   O Bem-aventurado Alano de La Roche disse: “Quem te ama, ó excelsa Maria, leia isto e extasie-se: 

Quando eu rezo a Ave Maria,
a corte celestial se regozija,
a Terra se perde em admiração,
eu esqueço o Mundo
e meu coração transborda do amor de DEUS.
Quando eu rezo a Ave Maria;
todos os temores se dissipam
e minhas paixões se apaziguam.
Se eu rezo a Ave Maria;
a devoção cresce dentro de mim
e desperta a contrição pelo pecado.
Quando eu rezo a Ave Maria,
a esperança fica forte em meu peito,
e o frescor da consolação
inunda minha alma mais e mais,
porque eu rezo a Ave Maria.
Meu espírito se regozija,
a tristeza vai embora
quando eu rezo a Ave Maria. 

   Porque a doçura desta suavíssima saudação é tão grande que não há termos adequados para explicá-la devidamente e, depois de haver dito dela maravilhas, todavia ainda a achamos tão cheia de mistério e tão imensa que sua profundidade é impossível de ser compreendida. É curta em palavras, mas grande em mistérios. É mais doce que o mel e mais preciosa que o ouro. Devemos tê-la frequentemente no coração para meditá-la e na boca para rezá-la devotamente.” 

   O Bem-aventurado Alano disse que uma freira que fora muito devota do Santo Rosário apareceu depois de morta a uma de suas irmãs religiosas e lhe disse: “Se eu tivesse a permissão de retornar ao meu corpo para rezar somente uma Ave Maria, mesmo se a rezasse rapidamente e sem muito fervor, eu voltaria a sofre com bom gosto todas as dores que padeci antes de morrer, a fim de alcançar o mérito desta oração.” (Bem-aventurado Alano de La Roche, De Dignitate Psalterii, Capítulo LXIX). Isto nos comove mais ao sabermos que ela esteve de cama e sofreu agonizantes dores por vários anos antes de morrer. 

   Miguel de Lisle, Bispo de Salubre, discípulo e colaborador do Bem-aventurado Alano no restabelecimento do Santo Rosário disse que a Saudação Angélica é o remédio para todas as doenças que sofremos, desde que a rezemos devotamente em honra de Nossa Senhora.

23º Capitulo - Extraído do Livro "O Segredo do Rosário" São Luiz M. Grignion de Montfort

sábado, 14 de janeiro de 2012

Décima-Oitava Rosa



A Ave Maria e suas bênçãos

Esta saudação celestial atrai sobre nós copiosas bênçãos de JESUS e Maria, pois é uma verdade infalível que JESUS e Maria recompensam de uma maneira maravilhosa aqueles que Os glorificam. Eles nos recompensam por cem vezes mais pelos louvores que Lhes rendemos. “Eu amo os que me amam... para enriquecer os que me amam, e para encher os seus tesouros.” (Pr 8,17-21) “Aquele que semeia em abundância, também colherá em abundância.” (2 Cor 9,6)

E se rezarmos a Ave Maria devotamente, não se trata isto de amar, bendizer e glorificar a JESUS e Maria ?

A cada Ave Maria bendizemos a ambos JESUS e a Maria: “Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, JESUS.”

Através de cada Ave Maria damos a Nossa Senhora a mesma honra que DEUS lhe deu quando Ele enviou o Arcanjo Gabriel a saudá-la em Nome Dele. Como  alguém poderia pensar que JESUS e Maria, que tão comumente fazem o bem àqueles que os amaldiçoam, pudessem amaldiçoar àqueles que os bendizem e honram pela Ave Maria ?

Ambos, São Bernardo e São Boaventura dizem que a Rainha dos Céus não é com certeza menos agradecida e cortês do que aquelas pessoas deste mundo que são graciosas e de bons modos. Ela se excede em todas as perfeições, ela supera-nos a todos nas virtudes (e principalmente) na virtude da gratidão; logo ela nunca deixaria honrá-la sem nos retribuir multiplicado por cem. São Boaventura diz que Maria nos cumprimentará com graça se cumprimentarmos com a Ave Maria.

Quem poderá possivelmente compreender as graças e bênçãos que esta saudação terna e suave à Nossa Senhora produzirão em nós? Do primeiro instante que Santa Isabel ouviu a saudação que a Mãe de DEUS lhe dirigiu, ela se sentiu cheia do ESPÍRITO SANTO e a criança no seu ventre pulou de alegria. Se nos fizermos dignos da saudação e bênção de Nossa Senhora, nós certamente estaremos cheios de graças e transbordantes consolações espirituais nos virão à alma.

22º Capitulo - Extraído do Livro "O Segredo do Rosário" São Luiz M. Grignion de Montfort

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Tratado do Purgatório de Santa Catarina de Genova.

Tratado do Purgatório de Santa Catarina de Genova.


Alguns trechos essenciais do "Tratado do Purgatório"

Via com os olhos da alma e compreendia a condição dos fiéis no Purgatório, eram ali para purificar-se antes de serem apresentados diante de Deus, no Paraíso.

A ferrugem do pecado é o impedimento e o fogo vai consumindo a ferrugem e assim a alma com o passar do tempo vai descobrindo o divino influxo...

Assim a ferrugem (isto é, o pecado) é a cobertura das almas e no Purgatório se vai consumindo pelo fogo e quanto mais consome, mais se corresponde ao verdadeiro sol, Deus. Porém cresce a alegria enquanto diminui a ferrugem e se descobre a alma ao divino raio. E assim um cresce e o outro diminui, até que seja terminado o tempo.

A pena existe, mas somente o tempo de estar nessa pena. E quanto à vontade, não posso dizer que aquelas sejam penas, porque são contentes pela ordem dada por Deus, com a qual é unida a vontade deles na pura caridade.

Têm uma pena tão extrema que não se encontra língua que possa narrar, nem intelecto que possa entender uma mínima cintila, se Deus não lhe mostrasse por graça especial.

Nasce neles um extremo fogo, parecido com aquele do inferno, exceto a culpa, a qual è aquela que faz a vontade maligna aos danados do Inferno, aos quais Deus não corresponde a sua bondade e por isso restam naquela desesperada, maligna vontade contra a vontade de Deus.

Oh! Quanto é perigoso o pecado feito com malicia: porque o homem difficilmente se arrepende e não arrependendo-se, sempre está na culpa, a qual persevera quanto o homem está na vontade do pecado cometido ou a ser cometido!

De quanta importância seja o Purgatório, nem a língua o pode exprimir, nem mente entender, somente que vejo tantas penas como no Inferno e vejo a alma a qual em si sente uma mínima mancha de imperfeição, recebê-lo por misericórdia (como se disse), não fazendo em um certo modo estima, em comparação daquela mancha que impede o seu amor.

Quando a alma, por interior vista, vê-se aproximada a Deus com tanto amoroso fogo, aí por aquele calor do amor do seu doce Senhor e Deus, que sente rebombar na sua mente, tudo se liquefaz.

Vendo a luz divina e como Deus não cessa de aproximá-la dEle e amorosamente a conduz à interar sua perfeição, com tanta cura e contínua provisão e que o faz somente por puro amor.

Vejo ainda proceder daquele divino amor à alma certos raios e lampos, tão penetrantes e fortes, que parecem que devem abater não somente o corpo, mas ainda a alma se fosse possível.

Esses raios fazem duas operações: com a primeira purificam; com a segunda, abatem.

Saiba que aquilo que o homem pensa que em si é perfeição, perante Deus, é defeito: portanto tudo aquilo que tem aparência de perfeição, como as vê, as escuta, as entende, as quer, ou seja, tem uma memória, sem o reconhecimento de Deus, tudo se contamina e se suja.

E’ verdade que o amor de Deus, o qual é abundante na alma (segundo aquilo que vejo) dá uma alegria tão grande, que não se pode exprimir, mas essa alegria às almas que estão no Purgatorio, não cancela nem uma cintila de pena deles.

Isto é, aquele amor é que faz a pena deles e quanto maior a pena quanto maior a perfeição do amor o qual Deus lhes dá.

Me vem vontade de gritar, um grito forte, que amedrontasse todos os homens que estão na face da terra e dizer: Oh míseros, porque vos deixais corromper por este mundo, que não vos dá nada e que na hora da vossa morte, o que vos concederá?

Todos estão cobertos pela esperança da misericórdia de Deus, a qual dizeis ser tão grande, mas não vedes que tanta bondade de Deus vos será em juízo, por ter feito contra a vontade de um tão bom Senhor?

Não ter confiança dizendo: Eu me confessarei e depois terei a Indulgência Plenária e serei naquele ponto purgado de todos os meus pecados e assim serei salvo.

Pensa que a confissão e contrição a qual precisa para essa Indulgência Plenária é muito dificil de conseguir, que se tu o soubesses, tremerias de tanto medo e serias mais certo de não tê-la que de poder conseguir.

Fonte:

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A Guarda do Domingo


Os Apóstolos celebravam a Missa “no primeiro dia da semana”; isto é, no Domingo, como vemos em At 20,7: “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para a fração do pão…” Em Mt 28, 1 vemos: “Após o Sábado, ao raiar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria vieram ao Sepulcro…” Em Ap 1, 10, São João fala que “no dia do Senhor, fui movido pelo Espírito…” e a coleta era feita “no primeiro dia da semana” (1Cor 16,2).

E São Paulo, escreveu: 


"No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte e junte o que lhe parecer..." (I Cor, XVI, 2).


E no Apocalipse, diz São João:

"Um dia de domingo, fui arrebatado" (Apocal. I, 10).

Santo Inácio de Antioquia (†107), mártir no Coliseu de Roma, bispo, dizia: “Aqueles que viviam segundo a ordem antiga das coisas voltaram-se para a nova esperança (Nova Aliança), não mais observando o Sábado, mas sim o dia do Senhor, no qual a nossa vida foi abençoada, por Ele e por sua morte” (Carta aos Magnésios. 9,1).

“Devido à Tradição Apostólica que tem origem no próprio dia da ressurreição de Cristo, a Igreja celebra o mistério pascal no oitavo dia, no dia chamado com razão o dia do Senhor ou Domingo” (SC 106). O dia da ressurreição de Cristo é ao mesmo tempo “o primeiro dia da semana”, memorial do primeiro dia da criação, e o “oitavo dia”, em que Cristo, depois do seu “repouso” do grande Sábado, inaugura o dia “que o Senhor fez”, o “dia que não conhece ocaso”. (Cat. §1166) 
 
Já no Antigo Testamento mesmo, em que se considera como dia do descanso às vezes o PRIMEIRO, às vezes o OITAVO DIA! Veja Levítico XXIII, 36, sobre a festa da Expiação: Deus reserva o oitavo, e não o sétimo dia ao descanso:

"E durante sete dias oferecereis holocaustos ao Senhor; o dia OITAVO será também soleníssimo e santíssimo, e oferecereis um holocausto ao Senhor, PORQUE É DIA DE AJUNTAMENTO E ASSEMBLÉIA; NÃO FAREIS NELE OBRA ALGUMA SERVIL.".
São Justino (†165), mártir, escreveu: “Reunimo-nos todos no dia do sol, porque é o primeiro dia após o Sábado dos judeus, mas também o primeiro dia em que Deus, extraindo a matéria das trevas, criou o mundo e, neste mesmo dia, Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dentre os mortos“ (Apologia 1,67).

São Jerônimo (†420), disse: “O dia do Senhor, o dia da ressurreição, o dia dos cristãos, é o nosso dia. É por isso que ele se chama dia do Senhor: pois foi nesse dia que o Senhor subiu vitorioso para junto do Pai. Se os pagãos o denominam dia do sol, também nós o confessamos de bom grado: pois hoje levantou-se a luz do mundo, hoje apareceu o sol de justiça cujos raios trazem a salvação.” (CCL, 78,550,52)

Desta forma a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição da Apostólica nos mostram porque desde a Ressurreição do Senhor a Igreja guarda o Domingo como o Dia do Senhor.


Fonte:

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Preparação para o casamento





A elevada significação do casamento é por mais olvidada em nossos dias. Grande número dos casamentos modernos são apenas fruto da irreflexão e fascinação.

Este desprezo do casamento constitui a causa precípua do mal que enferma o nosso século. Oxalá consiga a nossa juventude ter de novo em lato apreço o matrimônio, na sublime significação, e possam principalmente, as que foram chamadas por Deus a esse estado, abraçá-lo depois de uma boa preparação e com os melhores propósitos.

– O casamento tem alta significação para a moça que o contrai.

A sua felicidade futura não depende deste passo? Ofereça ela (donzela cristã) a sua mão a um jovem bom e digno, que lhe convenha; dedique-lhe amor fiel para fusão das suas vidas; viva com ele em paz e harmonia. E não se dirá então que ela é realmente feliz?

Em tal casamento, cada um dulcifica a vida do outro; auxiliam-se e sustentam-se mutuamente; a alegria duplica-se e eleva-se pela correspondência; carrega-se a cruz mais facilmente, e as amarguras da vida perdem a sua aspereza e seus espinhos.

E quanto não lucra, às vezes, uma mulher em beleza de caráter, em nobreza de sentimentos, em fineza de fé e religiosidade, mercê da convivência de longos anos com um marido virtuoso e excelente? Portanto, para uma moça, que não foi chamada por Deus ao santo estado religioso, é uma grande graça e alta felicidade, unir-se em matrimônio com um jovem excelente.

Pelo contrário, se o casamento, não conseguir a fusão completa do corpo e do espírito já não proporcionará felicidade à mulher. Ainda que a casa onde reside seja um palácio suntuoso; embora seja distinta e influente a posição que ela ocupa na sociedade, não se sentirá, deveras, feliz e contente; a despeito do brilho da sua situação externa, a vida lhe será um fardo opressivo.

E não ensina tantas vezes a experiência que a fé e a virtude da mulher facilmente sofrem grande abalo num casamento infeliz, e que, portanto, há fundadas razões de se recear pela salvação de sua alma?

Mas não é só para os cônjuges em particular que tem o casamento uma alta significação; sua importância estende-se muito além. O casamento exerce incalculável influxo sobre todas as demais relações humanas. É uma instituição, em cuja força se apóiam todas as outras confederações, sociedades e organizações.

Não excetuo nem o próprio sacerdócio católico, ao qual a nossa santa Igreja muito sabiamente e por motivos poderosos proíbe o matrimônio, pois não será o Sacerdócio o sal preservativo e eficaz, nem a luz da terra que difunde a vida, se não prezar a castidade virginal.

Se o casamento cristão for bom e feliz a sociedade também levantará seu nível moral, pois o casamento, a família, constitui a base da vida social.

Um rio deslizará sereno e límpido pela planície, se as fortes e os afluentes lhe levarem água tranqüila e clara. Se a criança encontrar no santuário da família exemplos edificantes e receber uma educação cristã, desenvolver-se-á nela o sentimento para o bem e para o nobre; ela aprenderá a repelir tudo que for mau, imoral e vulgar; levará, consigo, este bom espírito para a vida, e guiada por ele procurará cumprir conscientemente os seus deveres em qualquer situação que se encontre.

Assim também os bons casamentos e as boas famílias serão o sustentáculo e o apoio da ordem moral e social.

Se, pelo contrário, os casamentos e as famílias forem anticristãos, será isto indizível mal para a sociedade, para o estado e para a Igreja.

Pouco afeta à sociedade que a desdita e a perdição lhe venha de fora, pois ela traz, em si mesma, no seu próprio seio, o pior inimigo, o mais venenoso germe da perdição, que a reduz ao extremo: no casamento profanado e na família sem Deus.

A história dos povos e nações o tem testemunhado, mais de uma vez. Como poderia ser de outro modo? Como pode deixar o rio de ser lodoso e turvo, de ultrapassar com devastadora violência as suas margens, se as nascentes são turvas e só lhe fornecem águas turvas e impetuosas? Sim, o matrimônio e a família têm uma importância que não poderá suficientemente apreciar.

Surge, pois para a moça que tenciona casar a importante pergunta: o que há de observar, a fim de contrair um matrimônio bom e feliz?

2 – Princípios fundamentais que deve ter em conta a moça que deseja contrair núpcias.

Antes de tudo, cumpre examinar se realmente foste chamada para tal estado, se estás em condição de cuidar de uma família e faze-la feliz. Se não tens saúde, ou se teu noivo goza de saúde tão precária, que possas prever uma viuvez precoce, é sinal evidente que não deves contrair núpcias... Atendendo-se ás circunstâncias da morte de um dos pais, tendo ainda irmãos menores para educar torna-se até dever para a moça protelar o casamento, porque neste caso não poderia ela abandonar sua família deixando-a na miséria.

Se, todavia, depois de acurado exame, pensas que deves abraçar o estado matrimonial, sê antes de tudo prudente na escolha da pessoa com quem pretendes casar. Não te induza, exclusivamente, a riqueza ou qualidades corporais. Podem tais cálculos interessar-te algum tanto, mas não sejam razões decisivas para ti. Analisa as qualidades de espírito do teu pretendente, antes da escolha definitiva.

Não ofereças tua mão a um jovem, que não sabe honrar a seus pais, e os trata mal; podes persuardir-te que ele, ao depois, fará o mesmo ou talvez pior ainda contigo...

Não ofereças tampouco a mão a um indivíduo grosseiro, arrebatado e incivil, que em qualquer ocorrência se deixa dominar pela cólera. Apenas houverem passado as primeiras semanas do teu casamento, terás que derramar lágrimas amargas porque deverás suportar diariamente o seu temperamento forte e impetuoso.

Não contraias matrimônio com quem é amigo da taberna e tem o vício da embriagues. Não tardarás muito a sofrer aflições sobre aflições, e por fim te acharás com toda a família em estado de necessidade e miséria, de tal modo que deverás viver na indigência com teus filhos, e padecer fome, enquanto o teu leviano marido, num absoluto desprezo dos seus deveres, sacrificará à sua paixão o dinheiro que ganhar.

Não suponhas, agora, que mais tarde farás dele um homem bom e morigerado. Milhares e milhares assim pensaram no período do noivado, mas viram, dentro em breve quão grande fora o seu engano. Ao invés, da felicidade que esperavam, só tiveram depois cruz e desgraça.

Cuida também que o homem com quem desejas contrair matrimônio, pertença a uma boa família cristã. Os pais comunicam ao filho seu caráter, transmitem-lhe determinada inclinação moral, à guisa da herança para a vida. É, portanto, grande felicidade descender de uma família virtuosa, deveras cristã, ao passo que é grande desdita ter nascido de uma família sem moral e sem religião...

Além disso, atenta em que o jovem com quem pretendes unir-te por toda a vida, professe praticamente o catolicismoMais tarde, com o volver dos anos, a religião o enobrecerá cada vez mais, lhe dará força e vigor para cumprir com fidelidade os seus deveres para contigo, para com a família e para com seus filhosNos dias sombrios como nos dias radiantes, na desgraça como na felicidade, estará ao teu lado como fiel esposo.

Se, teu noivo não tiver religião, for um cético, atacar a desprezar os dogmas e a doutrina da Igreja, tomar atitude de ateu, não poderá de forma alguma tornar-se, um marido fiel e pai amoroso. Quem não é fiel ao seu Deus que está no Céu, dificilmente o será ao próximo, na terra. Quantas vezes não profana um homem desses o sagrado juramento de fidelidade que, num momento solene fez à sua esposa.

Friamente, poderá causar-lhe as mais amargas tristezas.
Não contraias casamento misto!

... As relações familiares também exigem, como é natural, entre casados, união de pontos de vistas e correspondência na prática da religião. Se assim não for, haverá entre os cônjuges uma tal ou qual disparidade, que não permitirá se estabeleça entre eles verdadeira harmonia interna e felicidade completa.

Uma distinta dama, que também se unira em casamento misto, mas que levava uma vida piedosa, disse certa vez a um sacerdote católico: “Ah! Quanta razão tem a Igreja de proibir os casamentos mistos, e como seria para desejar que ninguém, os contraísse, pois, ainda os melhores, não valem nada. Externamente considerado, o meu casamento pode incluir-se entre os mais felizes deste mundo, mas o pensar que o meu esposo, quanto à religião, segue assunto sobremodo importante não nos compreendemos, é o verme que causa à morte de minha felicidade, cujas picadas sinto todos os dias...”.

... Acautela-te, pois, jovem cristã, e de modo nenhum consistas num casamento misto, cujas conseqüências serão por via de regra muito más e muito tristes.

Se acertaste numa boa escolha, cuida antes do mais que tuas relações com o noivo, durante o noivado sejam puras, honestas, castas e virtuosas. Não consistas jamais em liberdade indecorosas. A fim de prevenir-te neste particular, contra todo o perigo, evita qualquer encontro a sós, inútil e prolongado, com o teu noivo.

Um noivado casto e digno assegurar-te-á as bênçãos de Deus para um casamento feliz.
Quando chegar a hora, do passo decisivo, toma ainda mais a sério o que se relaciona com tua vida religiosa. Aproxima-te mais amiúde dos Santos Sacramentos, reza mais vezes e com mais fervor do que antes, e recomenda também freqüentemente, na Santa Missa, ao amoroso Salvador, os teus interesses.

Poderia aconselhar-te a fazeres de quando em quando alguma obra de misericórdia cristã, a fim de granjeares por este meio a benção de Deus sobre a tua futura vida conjugal. Algumas semanas antes do casamento, faze uma boa confissão geral e no dia das núpcias, recebe com grande piedade a sagrada Comunhão.

Se seguires estes conselhos, poderás esperar que também o Divino Salvador tomará parte em teu casamento, para abençoar a ti e ao teu esposo.

(Excertos do livro: Donzela cristã - Pe. Matias de Bermscheid)

Fonte: A Grande Guerra