segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Lamentos de Jesus revelados Padre Pio

S. Pe. Pio

Ouça, caro padre, os justos lamentos de nosso dulcíssimo Jesus: “deixam-me sozinho de noite, sozinho de dia nas igrejas. Não cuidam mais do sacramento do altar; nunca se fala desse sacramento de amor; e, mesmo os que falam, infelizmente, com que indiferença, com que frieza!
O meu coração, diz Jesus, está esquecido. Já ninguém se preocupa com o meu amor. Estou sempre triste. Minha casa tornou-se, para muitos, um teatro de divertimentos; mesmo os meus ministros, que sempre considerei com predileção, que amei como a pupila dos meus olhos, deveriam consolar o meu Coração cheio de amargura, deveriam ajudar-me na redenção das almas. Em vez disso, quem o acreditaria?, devo receber deles ingratidão e falta de reconhecimento. Vejo, meu filho, muitos desses que... (aí se calou, os soluços lhe apertaram a garganta, chorou em segredo), sob aparências hipócritas, me traem com comunhões sacrílegas, esmagando as luzes e as forças que continuamente lhes dou...”. Jesus continuou ainda a lamentar-se. Padre, como me faz mal ver Jesus chorar! Também o senhor passou por isso?

Sexta-feira de manhã (28-03-1913) eu ainda estava na cama quando me apareceu Jesus, totalmente maltratado e desfigurado. Mostrou-me um grande número de sacerdotes regulares e seculares, entre os quais diversos dignitários eclesiásticos; desdes, alguns estavam celebrando, outros se paramentando e outros retirando as sagradas vestes.

Ver Jesus angustiado causava-me grande sofrimento, por isso quis perguntar-lhe por que sofria tanto. Não obtive resposta. Porém, o seu olhar voltou-se para aqueles sacerdotes. Mas pouco depois, quase horrorizado e como se estivesse cansado de observar, desviou o olhar e, quando o ergueu para mim, com grande temor verifiquei que duas lágrimas lhe sulcavam as faces. Afastou-se daquela turba de sacerdotes, tendo no rosto uma expressão de profundo pesar, gritando: Carniceiros!

E voltado para mim disse: “Meu filho, não creias que a minha agonia tenha sido de três horas, não. Por causa das almas por mim mais beneficiadas, estarei em agonia até o fim do mundo. Durante o tempo da minha agonia, meu filho, não convém dormir. Minha alma vai à procura de algumas gotas de piedade humana; mas ai de mim! Deixam-me sozinho sob o peso da indiferença. A ingratidão e os meus ministros supremos tornam opressiva minha agonia.

Ai de mim! Como correspondem mal ao meu amor! O que mais me aflige é que, à sua indiferença, esses homens acrescentam o desprezo, a incredulidade. Quantas vezes eu estive a ponto de fulminá-los, se não tivesse sido detido pelos anjos e pelas almas enamoradas de mim... Escreve ao teu padre narrando o que viste e ouviste de mim esta manhã. Diz a ele que mostre a tua carta ao padre provincial...”

Jesus ainda continuou, mas o que disse não poderei revelar a criatura alguma deste mundo. Essa aparição me causou tal dor no corpo, porém ainda mais na alma, que durante o dia todo fiquei prostrado e acreditaria estar morrendo, se o dulcíssimo Jesus já não me tivesse revelado... Jesus tem razão de se queixar de nossa ingratidão!

Padre Pio, Palavras de Luz, Florilégio do Epistolário

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Jesus nos cura de nossa cegueira..



S. Josemaria Escrivá
O pecado dos fariseus não consistia em não verem Deus em Cristo, mas em se encerrarem voluntariamente em si mesmos; em não tolerarem que Jesus, que é a luz, lhes abrisse os olhos. Esse nevoeiro tem resultados imediatos na vida de relação com os nossos semelhantes. O fariseu que, julgando-se luz, não deixa que Deus lhe abra os olhos é o mesmo que tratará soberba e injustamente o próximo, rezando assim: "Dou-te graças porque não sou como os outros homens, ladrões, injustos e adúlteros, nem como esse publicano". E quanto ao cego de nascença, que persiste em contar em verdade da cura milagrosa, ofendem-no: "Saíste do ventre de tua mãe coberto de pecados, e queres ensinar-nos? E expulsaram-no.”

Entre os que não conhecem Cristo, há muitos homens honrados que, por elementar circunspeção, sabem comportar-se delicadamente: são sinceros, cordiais, educados. Se eles e nós não nos opusermos a ser curados por Cristo da cegueira que ainda resta nos nossos olhos, se permitirmos que o Senhor nos aplique esse lodo que, nas suas mãos, se converte no colírio mais eficaz, compreenderemos as realidades terrenas e vislumbraremos as eternas sob uma luz nova, a luz da fé; teremos adquirido um olhar limpo.

Esta é a vocação do cristão: a plenitude dessa caridade que é paciente, benigna, não tem inveja, não é temerária, não se ensoberbece, não é ambiciosa, não é interesseira, não se irrita, não pensa mal, não se alegra com a injustiça, compraz-se na verdade, tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo sofre.

A caridade de Cristo não é apenas um bom sentimento para com o próximo: não se detém no gosto pela filantropia. A caridade, infundida por Deus na alma, transforma por dentro a inteligência e a vontade; dá base sobrenatural à amizade e à alegria de fazer o bem.

São Josemaria Escrivá, É Cristo que Passa, Homilias.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Ajude as Irmãs - Escravas de Maria






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(Mateus 5,16)

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Os maus costumes


A falta de fé naqueles que vivem em pecado não nasce da obscuridade da fé. Embora Deus tenha desejado que as coisas da fé nos fossem em grande parte incompreensíveis e ocultas, para que tivéssemos merecimento em crer, contudo as verdades da fé se tornam evidentes pelos sinais que as manifestam. Não acreditar nelas seria não só imprudência, mas também falta de religião e loucura.

A fraqueza da fé de muitos nasce de seus maus costumes. Quem despreza a amizade de Deus para não se privar de prazeres ilícitos, desejaria que não houvesse lei que os proibisse, nem castigo para os que pecam. Faz tudo para evitar a reflexão sobre as verdades eternas, a morte, o juízo, o inferno, a justiça divina. Tudo isso lhe causa muito medo e torna amargo os seus prazeres. Espreme, então, o cérebro procurando razões, ao menos prováveis, para se persuadir ou se convencer que não existe alma, nem Deus, nem inferno. Assim poderíamos viver e morrer como o animal que não conhece lei nem razão.

A dissolução dos costumes é a fonte donde nascem e saem todos os dias tantos livros e sistemas materialistas indiferentistas, deístas e naturalistas. Uns negam a existência de Deus; outros negam a Providência Divina, dizendo que Deus, depois de criar os homens, não se importa mais com eles, sendo-lhes indiferente se o amam ou se o ofendem, se os homens se salvam ou se perdem. Outros negam a bondade divina, afirmando que Deus criou muitas almas para o inferno, forçando-as ele mesmo a pecarem para que assim se condenem e o almadiçoem para sempre no fogo eterno.

– Tudo isso é ingratidão e maldade dos homens! Deus os criou por sua misericórdia para os fazer eternamente felizes no céu. Encheou-os de tantas luzes, benefícios e graças, para que alcançássemos a vida eterna. Para esse mesmo fim ele os remiu com tantas dores e com tanto amor. E os homens se esforçam por não acreditar em nada, para se entregarem aos vícios e viverem à vontade.

Mas, não adianta! Por mais esforços que façam, nunca esses infelizes poderão libertar-se do remorso da má consciência e do temor da justiça divina. Certamente não poriam em dúvida as verdades da fé e acreditariam firmemente em todas as verdades reveladas por Deus, se deixassem os vícios e se dedicassem a amar a Jesus Cristo.

Fonte: Trecho do livro: A Prática do Amor a Jesus Cristo, Santo Afonso Maria de Ligório, pág.200

sábado, 20 de outubro de 2012

Virgem Maria contra Satanás



Pe. Gabriele Amorth

Por que é que Maria é tão poderosa contra o demônio? Por que é que o Maligno treme e foge diante da Virgem? Se até agora já expusemos os motivos doutrinais, é tempo de dizer alguma coisa mais concreta que manifeste a experiência de todos os exorcistas.

Começo precisamente pela apologia da Senhora, que o próprio demônio foi obrigado a fazer. Obrigado por Deus, falou melhor do que qualquer pregador.

Em 1823, em Ariano Irpino (Avelino, Itália), dois célebres pregadores dominicanos, os padres Cassiti e Pignataro, foram convidados a exorcizar um rapaz. Nessa época, discutia-se entre os teólogos sobre a verdade da Imaculada Conceição, que haveria de ser proclamada dogma de fé, trinta e um ano depois, em 1854. Pois bem, os dois frades impuseram ao demônio que demonstrasse que Maria era Imaculada, obrigando-o a fazê-lo através de um soneto: uma poesia de catorze versos hendecassílabos com rima própria obrigatória. Note-se que o endemoniado era um menino analfabeto de doze anos.

Imediatamente Satanás pronunciou estes versos:

Vera Mãe sou de um Deus que é Filho
e sou filha d'Ele, embora sua Mãe.
Ab eterno Ele nasceu e é meu Filho
no tempo nasci eu que sou a Mãe.
Ele é o meu Criador e é meu Filho;
eu sou sua criatura e sua Mãe.
Prodígio divino foi ser meu Filho
um Deus eterno, e me ter por Mãe.
O ser é quase comum entre Mãe e Filho
porque o ser do Filho teve a Mãe
e o ser da Mãe teve também o Filho.
Ora, se o ser do Filho foi também da Mãe
ou se dirá que foi manchado o Filho
ou sem mácula se há-de dizer a Mãe.

Pio IX comoveu-se quando, depois de ter proclamado o dogma da Imaculada Conceição, leu este soneto que lhe foi apresentado naquela ocasião.

Há anos, um meu amigo oriundo de Brescia, padre Faustino Negrini, já falecido, enquanto exercia o ministério de exorcista no pequeno santuário de Stella, contou-me que obrigou o demônio a fazer a apologia de Nossa Senhora. Perguntou-lhe:

- Por que é que tens tanto medo quando nomeio a Virgem Maria?
- Porque é a criatura mais humilde de todas e eu sou o mais soberbo; é a mais obediente e eu sou a mais rebelde (a Deus); é a mais pura e eu sou o mais imundo - ouviu-o responder pela boca da endemoninhada.

Em 1991, quando exorcizava um endemoniado, lembrei-me deste episódio e repeti ao demônio as palavras ditas em honra de Maria e conjurei-o a que me respondesse, sem fazer a mais pálida idéia do que diria:

- A Virgem Imaculada foi elogiada por três virtudes. Agora, você vai me dizer qual é a quarta virtude que o faz ter tanto medo.
- É a única criatura que me pode vencer inteiramente, porque nunca foi tocada pela menor sombra do pecado.

Se é desta maneira que o demônio fala de Maria, que mais poderiam dizer os exorcistas? Limito-me à experiência que todos temos: palpamos a verdade de que Maria é realmente Medianeira de graças, porque é sempre Ela que obtém do Filho a libertação de alguém das garras do demônio. Quando se começa a exorcizar um endemoniado, um daqueles de quem o diabo se apossa realmente por dentro, somos insultados e gozados:

- Eu estou aqui muito bem... Nunca sairei daqui... Tu não podes nada contra mim... És muito fraco e estás a perder o teu tempo...

Mas, pouco a pouco, Maria vai entrando em campo e a música começa a mudar:

- É Ela quem quer... Conta Ela não posso nada... Diz-lhe que deixe de interceder por esta pessoa... Ela ama muito esta criatura... Bem, para mim acabou...

Também me aconteceu muitas vezes ser-me logo atirada à cara a intervenção da Senhora, desde o início do exorcismo:

- Eu estava aqui tão bem, mas foi Ela quem te mandou... Sei porque é que veio, porque foi Ela que quis... Se Ela não tivesse intervido, eu nunca te teria encontrado...

São Bernardo, no final do seu famoso Discurso do aqueduto, seguindo um fio de raciocínios estritamente teológicos, conclui com uma frase escultural: "Maria é toda a razão da minha esperança".

Aprendi esta frase quando era rapaz, enquanto esperava diante da porta da cela nº 5, em San Giovanni Rotondo; era a cela do Padre Pio. Depois, quis estudar o contexto desta expressão que, à primeira vista, poderia parecer simplesmente devocional. Saboreei a sua profundidade, a sua verdade e o encontro entre doutrina e experiência prática. Por isso, repito-a espontaneamente a quem está em dificuldades ou desespera, como acontece frequentemente a quem foi atingido por danos maléficos: "Maria é toda a razão da minha esperança".

D'Ela nos vem Jesus; e de Jesus todo o bem. Foi este o desígnio do Pai; um desígnio que não muda. Toda a graça chega até nós pelas mãos de Maria que obtém para nós aquela efusão de Espírito Santo que liberta, consola e alegra.

São Bernardo não hesita em exprimir estes conceitos com uma afirmação corajosa que marca o ponto mais alto do seu discurso e que inspirou a Dante aquela famosa oração à Virgem

"Veneramos Maria
com todo o ímpeto do nosso coração,
dos nossos afetos e dos nossos desejos.
Assim que Aquele que estabeleceu
que recebêssemos tudo
por intermédio de Maria."

É esta a experiência que, concretamente, todos os exorcistas experimentam sempre.

Pe. Gabriele Amorth, Novos Relatos de Um Exorcista


A dor de ter ofendido a Deus nas almas santas



Sta Teresa D'Avila, Doutora da Igreja

Parecer-vos-á, irmãs, que estas almas a quem o Senhor se comunica tão particularmente estarão já tão seguras de que hão-de gozá-l'O para sempre, que não terão que temer nem chorar seus pecados; e será um engano muito grande, porque a dor dos pecados cresce tanto mais quanto mais se recebe de nosso Deus. E tenho para mim que esta pena não nos deixará, até que estejamos onde nenhuma coisa no-la possa dar.

É verdade que umas vezes aperta mais que outras, e também é de diferente maneira; porque não se lembra da pena que há-de ter por eles, mas sim de como foi tão ingrata a Quem tanto deve, e a Quem tanto merece ser servido; porque, nestas grandezas que se lhe comunicam, entende muito mais a de Deus. Espanta-se de como foi tão atrevida; chora o seu pouco respeito; parece-lhe coisa tão desatinada o seu desatino, que não acaba nunca de o lastimar, quando se lembra das coisas tão baixas pelas quais deixava uma tão grande Majestade. Muito mais se lembra disto do que das mercês recebidas, sendo elas tão grandes como as ditas e as que estão por dizer; parece que as leva um rio caudaloso e as traz a seu tempo; mas isto dos pecados estão como lodo, pois sempre parece que se avivam na memória e é bem grande cruz.

Sei de uma pessoa que, deixando de querer morrer para ver a Deus, o desejava para não sentir tão habitualmente a pena de quão desagradecida tinha sido a Quem tanto deveu sempre e havia de continuar a dever; e assim lhe parecia não poder haver ninguém cujas maldades pudessem chegar às suas, porque entendia que não haveria a quem Deus tanto tivesse sofrido e tantas mercês tivesse feito. No que toca a medo do inferno, nenhum têm. O de poderem vir a perder a Deus, às vezes aflige muito; mas é poucas vezes. Todo o seu temor é que não as deixe Deus de Sua mão e O venham a ofender, e se vejam em estado tão miserável como se viram em outros tempos, pois de sua própria pena ou glória não têm cuidado; e, se desejam não estar muito tempo no purgatório, é mais para não estarem ausentes de Deus, enquanto ali estiverem, do que pelas penas que hão-de passar.

Eu não teria por seguro, por favorecida que uma alma esteja de Deus, que ela se esquecesse de que nalgum tempo se viu em miserável estado; porque, embora seja coisa penosa, aproveita para muitas coisas. Talvez que, como eu tenho sido tão ruim, me pareça isto, e esta é a causa de o trazer sempre na memória; as que têm sido boas, não terão que sentir; embora sempre haja quebras enquanto vivemos neste corpo mortal. Para esta pena não é alívio nenhum pensar que Nosso Senhor já tem perdoados e esquecidos os pecados; antes acresce à pena ver tanta bondade e fazerem-se mercês a quem não merecia senão o inferno. Penso que foi este um grande martírio em São Pedro e na Madalena; porque, como tinham o amor tão acrescido e tinham recebido tantas mercês e tinham entendida a grandeza e a majestade de Deus, seria bem duro de sofrer, e com muito terno sentimento.

Sta Teresa D'Avila, Castelo Interior

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Sobre o Homossexualismo


O Supremo Magistério da Igreja contém condenações ao homossexualismo? 

Além dos Padres da Igreja, dos santos e dos exegetas, cujos ensinamentos gozam de autoridade e integram o patrimônio eclesiástico, há muitíssimos documentos emanados do Magistério infalível da Igreja condenando o homossexualismo. Dentre esses, destaquemos alguns: 

3o. Concílio Ecumênico de Latrão (1179): "Todos aqueles culpados do vício antinatural - pelo qual a ira de Deus desceu sobre os filhos da desobediência e destruiu as cinco cidades de fogo - se são clérigos, que sejam expulsos do clero e confinados em mosteiros para fazerem penitência; se são leigos, devem ser excomungados e completamente separados dos fiéis" (Cânon 11). 

5o. Concílio Ecumênico de Latrão (1512-1517): Este concílio estabeleceu que qualquer membro do clero surpreendido na prática da homossexualidade seja suspenso de ordens ou obrigado a fazer penitência em um mosteiro.

Papa São Pio V (1566): "Tendo posto nossa atenção na remoção de tudo quanto possa de alguma maneira ofender a Divina Majestade, resolvemos punir acima tudo, e sem leniência, aquelas coisas que, com base na autoridade da Sagrada Escritura ou nos mais graves exemplos, são conhecidas por desagradar a Deus e provocar sua ira mais do que outras, isto é: negligência no culto divino, simonia ruinosa, o crime de blasfêmia e o vício libidinoso execrável contra a natureza; por essas faltas, povos e nações são punidos por Deus, com catástrofes, guerras, fome e peste. Quem cometer o nefando crime contra a natureza, que levou a cólera de Deus a cair sobre os filhos da iniquidade, será entregue ao braço secular para ser punido; se for clérigo, será sujeito à mesma pena, depois de despojado do seu ofício"(Bula Cum Primun).

Papa São Pio V (1568): "Aquele horrendo crime, pelo qual as cidades corruptas e obscenas [Sodoma e Gomorra] foram queimadas por condenação divina, nos enche de amarga dor e nos estimula veementemente a reprimi-lo com o maior zelo possível. Com toda razão o 5o. Concílio de Latrão (1512-1517) estabelece que todo membro do clero apanhado na prática do vício contra a natureza, pelo qual a cólera divina caiu sobre os filhos da iniquidade, seja despojado das ordens clericais ou obrigado a fazer penitência em um mosteiro (c.4, X, V, 31). Para que o contágio de tão grande flagelo não se propague com maior audácia valendo-se da impunidade, que é o maior incentivo ao pecado, e a fim de castigar mais severamente os clérigos culpados desse nefando crime que não estejam aterrorizados com a morte da alma, decidimos que eles sejam castigados pela autoridade secular, que faz cumprir a lei. Portanto, com o desejo de adotar com maior vigor o que decretamos desde o início do Nosso Pontificado (Bula Cum Primum), estabelecemos que todo sacerdote ou mebro do clero, seja secular ou regular, de qualquer grau ou dignidade, que cometa esse horrível crime, por força da presente lei seja privado de todo privilégio clerical, ofício, dignidade e benefício eclesiástico; e que, uma vez degradado pelo juiz eclesiástico, seja entregue à autoridade civil para receber a mesma punição que a lei reserva aos leigos que se lançaram nesse abismo"(Bula Horrendum illud scelus).

Catecismo Maior, promulgado pelo Papa São Pio X (1910): A sodomia está classificada em gravidade logo depois do homicídio voluntário, entre os pecados que clama a Deus por vingança. "Desses pecados se diz que clama a Deus por vingança, porque o Espírito Santo assim o diz, e porque a sua iniquidade é tão grave e evidente, que provoca a punição de Deus com os castigos mais severos".

Código de Direito Canônico de 1917: "Os leigos que tenham sido legitimamente condenados por delitos contra o sexto mandamento, cometidos com menores que não tenham chegado aos dezesseis anos de idade, ou estupro, sodomia, incesto, lenocínio, sãoipso facto infames, ademais de outras penas que o Ordinário queira impor-lhes"(Cânon 2357, § 1). O cânon 2358 prevê que clérigos de ordens menores (os que não são ainda subdiáconos ou caima) sejam punidos "até pela dispensa do está clerical". Com relação aos clérigos de ordens mais elevadas (diácono, sacerdote e bispo): "Se cometeram um crime contra o sexto mandamento com um menor de 16 anos de idade, ou cometeram adultério, estupro, bestialidade, sodomia, lenocínio, ou incesto com consanguíneos ou afins, serão suspensos de ordem, declarados infames, privados de qualquer ofício, benefício, dignidade ou cargo que possam ter; e em casos mais graves, serão depostos"(Cânon 2359). 

Congregação para a Doutrina da Fé (1975). Em 29 de dezembro de 1975, em meio ao abandono da moral cristã provocado pela revolução sexual, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé publicou a declaração Persona Humana - Sobre alguns pontos de ética sexual. Denuncia o subjetivismo moral prevalente, que muitos teólogos estavam defendendo com base em uma abordagem pastoral mal orientada, e relembra a doutrina categórica da Igreja e da ética natural, afirmando que todo ato sexual fora do matrimônio é pecaminoso. Consequentemente condena o sexo pré-marial, a coabitação, a masturbação e a homossexualidade (doc. cit., VII, IX). Condena também a conclusão de que uma relação homossexual estável análoga ao matrimônio possa ser justificada: "Não pode ser usado método pastoral que dê justificação moral a esse atos com base em que eles seriam consoantes com a condição de tais pessoas. Pois, de acordo com a ordem moral objetiva, as relações homossexuais são atos desprovidos de uma finalidade essencial e indispensável" (doc. cit., VIII) 

Fonte: Livro: Catecismo contra o homossexualismo, Padre David Francisquini - Ed. Artpress, 2011

O Perdão às Ofensas e o Engodo das Honras



Com esse Alimento celestial - a Eucaristia -, nosso bom Mestre viu que tudo se nos tornava fácil, a não ser por nossa culpa, e poderíamos muito bem cumprir o que dissemos a seu Pai:Seja feita a vossa vontade.

Continuando a oração, que nos está ensinando, agora o bom Jesus pede nos perdoe nossas ofensas, como também nós perdoamos aos que nos têm ofendido, e diz estas palavras: E perdoai-nos, Senhor, as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.

Reparai, irmãs, que não diz: "Como perdoaremos". É para nos dar a entender que deve ser fato consumado. Quem pede uma dádiva tão grande como o Pão do céu, quem submeteu sua vontade ao querer divino, já perdoou tudo. E assim diz: "Como nós perdoamos", no passado.

Fique, pois, bem claro: quem sinceramente tiver dito ao Senhor: Faça-se a vossa vontade, há de ter perdoado tudo, ou ao menos, estar resolvido a fazê-lo. Por esse motivo, os santos alegravam-se com as injúrias e perseguições. Tinham algo para oferecer ao Senhor quando se apresentassem para lhe pedir perdão das ofensas cometidas contra ele.

Uma graça tão imensa e de tanta importância, como é perdoar-nos o Senhor nossas culpas, merecedoras do fogo eterno, nos é concedida a troco de tão pouca coisa como é perdoarmos também nós.

Mas, Senhor, gratuitamente me haveis de perdoar, porque tenho tão poucos desses atos insignificantes a oferecer! Aqui vossa misericórdia acha campo! Bendito sejais vós por me suportardes, a mim criatura tão pobre!

Mas, Senhor meu, será que há outras pessoas nas mesmas condições que eu e que não tenham compreendido esta verdade? Se as há, em vosso nome lhes suplico, que se lembrem desta realidade e não façam caso de umas miseriazinhas a que chamam ofensas. Até parece que, como crianças fazemos choças de palhinhas com esses pontos de honra.

Valha-me Deus, irmãs! Se soubéssemos que coisa é honra e o que é perder a honra! Agora não me refiro a vós, pois seria muito triste se já não tivésseis entendido. Refiro-me a mim, no tempo em que prezava a honra, sem entender que coisa era. Ia com os outros. Em quantas pequeninas coisas sentia-me ofendida! Agora me envergonho.

Como falou bem quem disse que honra e proveito espiritual não combinam! Todavia, não sei se o disse a esse propósito. Mas assim é ao pé da letra. Proveito da alma e aquilo a que o mundo chama honra jamais se unem. É de pasmar ver quanto o mundo anda às avessas. Bendito seja o Senhor que nos tirou dele. (...)

Praza a Deus não se condene uma alma por ter guardado esses negros pontos de honra, sem entender em que consiste a verdadeira honra!

E, depois, temos a ousadia de pensar que fizemos muito, quando perdoamos um nadinha qualquer, que nem era ofensa, nem injúria, nem coisa alguma. Como se tivéssemos feito uma proeza, muito convencidas, diremos ao Senhor que nos perdoe, porque temos perdoado! Fazei-nos, meu Deus, compreender que não nos conhecemos e que nos apresentamos diante de vós com as mãos vazias. Perdoai-nos, por vossa misericórdia!

Na verdade, Senhor, todas as coisas acabam e o castigo é eterno. Não vejo obra alguma digna de vos ser apresentada em troca da imensa graça do perdão por vós concedida. Só o podeis fazer em atenção ao vosso Filho que vos pede perdão por nós.

Mas quão apreciado deve ser pelo Senhor este amor recíproco! O bom Jesus bem pudera apresentar a seu pai outras obras e dizer-lhe: "Perdoai-nos, Senhor, porque fazemos austera penitência, ou porque rezamos muito e jejuamos, deixamos tudo por vós e muito vos amamos". Não alega ainda: "Porque daríamos a vida por vós", nem outros possíveis encarecimentos, senão somente: porque perdoamos.

Ele sabe que somos amigos desta negra honra. Por ser a coisa mais difícil de obter de nós e a mais agradável a seu Pai, oferece-a o Senhor, de nossa parte, apresentando-a para alcançar o perdão.

Verificai bem, irmãs, o que diz o bom Jesus: assim como nós perdoamos. Fala como de coisa já feita. Prestai grande atenção a este ponto. Ao sair desta oração, em que a alma recebe de Deus grandes graças na contemplação perfeita, examinai bem se ela está muito resolvida a perdoar e, quando surge a ocasião, se de fato ela perdoa qualquer injúria, por grave que seja - e não certas ninharias que chamam injúrias. Do contrário, não há que fiar de sua oração."

Sta Teresa D'Avila, Caminho de Perfeição


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A necessidade da Fé para a Salvação




1 - A fé é necessária para a salvação

«Aquele que acreditar, diz nosso Senhor Jesus Cristo, será salvo», (Marc. XVI, 16) .
«A fé é o começo da salvação, diz o Concílio de Trento, é o fundamento e a raiz de toda à justificação»,
«A fé, diz São Bernardo, é como a raiz da árvore: como esta não pode viver sem raízes, assim o cristão não pode sem a fé chegar à vida eterna».

2 - Fora da fé não há salvação

«Todo aquele que não crê, diz ainda Jesus Cristo, será condenado».
São Pedro submergia-se nas águas desde que começava a duvidar; quem perde a fé vai dar aos abismos.

4- Aquisição da fé

1- Como devemos ir ao encontro da Fé

Jó perguntava um dia: Per quam viam spargitur lux? Em que condições se derrama a luz da fé nas nossas almas? Como se deve ir ao encontro da fé?

A fé exige a recepção do sacramento do batismo

Deus dá-nos a fé desde o batismo, diz o Concílio de Trento, e por isso se chama Sacramento da Fé. Efetivamente, no batismo ao mesmo tempo que nos dá a graça santificante, dá-nos a faculdade de crer ou a virtude da fé. Enquanto o batizado não chega ao uso da razão não pode usar desta faculdade não pode pôr em pratica a sua fé. Esta atividade só se produz na idade da razão sob a influência da graça e da instrução religiosa. Dá-se o mesmo com o sentido da vista, nas crianças recém-nascidas; enquanto os olhos se lhe não abram, a criança, verá, sob a influência da luz, os objetos que estão ao alcance da sua vista.

2 - A fé é uma doutrina, é preciso estudá-la

Devemos estudá-la, aprendê-la bem, tanto no seu motivo e nas suas provas. Objeto da fé. A fé abrange tudo o que Deus disse para se crer e a santa Igreja ensina da parte de Deus. Compreende verdades, que se devem acreditar, preceitos que se devem praticar e conselhos que é conveniente seguir. O apóstolo São Paulo chama aos cristãos de seu tempo - iluminai, iluminados nas verdades da fé. Os cristãos de hoje devem ter noções nítidas da fé. Motivo da fé. O motivo da fé diz o Concílio do Vaticano, é a própria autoridade de Deus. Todo o ato de fé pode reduzir-se aos seguintes termos: Eu creio porque Deus o revelou e porque Deus é a verdade soberana não pode enganar-se nem enganar-nos. Provas da Fé. A fé era tão intensa nos Apóstolos que narrando a vida de Jesus Cristo podiam acrescentar: «Estas palavras ouvi-as dos seus próprios lábios! Porque não acredito eu em Cristo como os seus contemporâneos?» Os argumentos que eles tiveram conservam a mesma força provativa, e há vinte séculos que se vêm juntando novos argumentos.

3- A fé é uma virtude, exige uma vida pura

Devemos purificar o nosso espírito da soberba, e o nosso coração da impureza

1)      Soberba. - A soberba é um vício de tal ordem que se assemelha em muito ao álcool, porque tolda a inteligência impedindo-a de reconhecer a verdade. Um espírito soberbo é um espírito rebelde, isto é, disposto a não crer. Como poderá alguém receber o Espírito de Jesus se está cheio do seu próprio Espírito? Além disto, a fé é um dom de Deus, diz o Apóstolo São Paulo; ora está escrito que Deus resiste aos soberbos e que só dá a Sua graça aos humildes.
2)      Impureza. - A fé é incompatível com a impureza; porque o coração impuro perde o amor à verdade e ao bem. Assim o afirmam os santos. «É impossível ter uma vida impura, diz São João Crisóstomo, e não vacilar na fé.» «Quando alguém começa a entregar-se ao pecado da luxúria, diz santo Ambrósio, começa a perder a fé.» - Os próprios incrédulos confirmam esta doutrina. Quando Bourget um douto incrédulo do século XVIII, chamado por D'Alembert, a melhor cabeça da Academia, se preparava para a conversão, disse ao padre Berthonie que o ajudasse na obra da sua conversão: Meu padre, eu era incrédulo porque era um homem corrompido. Remediemos o mal depressa: preciso mais de curar o meu coração do que o meu espírito: confesse-me. Uma boa confissão é para a inteligência o que a operação da catarata é para os olhos no cego. Ela restitui num instante a luz da fé. Não é isto um fato que se verifica todos os dias? Perde-se a fé à medida que se afasta da santidade da vida. Com razão dizia Henry Lesserre: «a impiedade é um crime do coração antes de ser um crime da inteligência».
«Diz o ímpio no seu coração: não há Deus», Não é necessário talento, nem sabedoria para fazer um incrédulo, basta muita soberba e maldade de costumes. «Bem-aventurados, pois os limpos do coração, porque eles verão a Deus.»

4- A fé é uma graça, exige a oração

A fé, como diz São Paulo, é um dom de Deus, uma graça. Ora o meio normal para alcançar a graça é a oração. - Devemos, pois pedir instantemente a fé ou o aumento da fé. Eu creio Senhor, mas fazei que eu creia com mais firmeza.

Como a fé vem ao nosso encontro

A fé vem ao nosso encontro por diversos caminhos. 

1)      Pela criação. - A primeira impressão da fé vem-nos do lado da terra. É a voz da natureza criada que nos fala de Deus. Por quem foste criada? Por um ser mais poderoso que eu é que tudo foi criado, porque o operário é sempre mais poderoso que a sua obra.  Para que foste criada? A natureza responde da mesma maneira: para que nas obras reconheçais o artista. «Nós vemos a Deus na natureza como num espelho, diz São Paulo, e assim as coisas invisíveis são conhecidas pelas visíveis.» 

2)      Por Jesus Cristo. - Na criação conhecemos Deus e os Seus principais atributos; na Revelação de Jesus completa-se o testemunho das criaturas acerca de Deus; na Pessoa de Jesus vemos Deus presente, falando e operando Jesus é o supremo testemunho de Deus. «Nunca ninguém viu Deus: o Unigênito que está no seio do Pai, dá testemunho de Deus.» (Jo., 1, 18). Jesus Cristo mesmo o afirma. « Eu falo-vos daquelas coisas que vi no seio de meu Pai.» (Jo. VIII, 28). O Pai confirma isto mesmo: «Este é o meu Filho muito amado... Escutai-o.» (Mat. XVII, 5).
«Quem me vê a mim, diz Jesus Cristo, vê meu Pai».
É necessário conhecer Jesus Cristo. Este conhecimento é tão necessário à nossa alma, como o ar e o pão para o corpo; é indispensável ao nosso ministério e ao nosso apostolado, que consiste em levar Jesus às almas. 

3)      Pela Igreja. - A Igreja é depositária da Doutrina de Jesus Cristo. Depositária única, só a ela foi dito: «Ide e ensinai a toda a criatura». Depositária infalível, é assistida pelo Espírito Santo, e, por consequência, não se engana nem pode enganar. É pelos ouvidos abertos à voz da Igreja que a fé entra nas nossas almas - fides ex auditu. 

4)      Pela família. - A fé vem-nos da família a que pertencemos. Nascemos numa atmosfera impregnada de religião e de piedade. Por isso, podemos dizer com Jó: Desde a infância a piedade cresceu comigo.*

5)      Pela sociedade. - Vivemos numa sociedade onde Jesus Cristo é conhecido, amado, servido e respeitado. Participamos dos benefícios da civilização cristã, e, por consequência, do Beneficio da fé. *

__________

* Nota do blogue: - Esse seria o ideal, nascermos num seio realmente católico, seja na família, seja numa sociedade católica, todavia, nossa realidade é outra, e por isso cabe aos católicos que mantenham a chama da Fé acessa para que haja uma reversão desta situação (o que é bem pouco provável, devido a corrupção geral), ou que pelo menos, possa-se amenizá-la. Hoje se faz necessário que haja casais bem formados na religião e tementes a Deus, que formem seus filhos para a Pátria celeste. Nossa sociedade é pagã, o Brasil é pagão, não basta ter como padroeira Nossa Senhora Aparecida se se adora todo o tipo de "deuses". Ser católico hoje exige um esforço colossal, e só conseguiremos caminhar com os passos da oração e do estudo. Na oração recebemos a graça divina e no estudo da Fé a firmeza da vontade.


Créditos ao excelente blog: 


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Há algum perigo em procurar obter Dons Extraordinários?


“os Dons Extraordinários não de­vem ser temerariamen­te pedidos, nem deles devem presunçosa­mente ser esperados fru­tos de obras apostólicas”
(Const. Dogmát. “Lumen Gentium”, nº 33)

♣ Ora, é exatamente o contrário, o que estão ensinando nesses Gru­pos Pentecostais e Carismá­ticos; sem levar em conta a ação imprudente e gene­ralizada de doutrinas opostas à Doutri­na Católica, os perigos que daí podem re­sultar, e, a legalização disseminada e incentiva­da dos vários vícios do espírito.

♣ A Doutrina exposta a seguir, de S. João da Cruz e de S. Teresa, não se refere diretamen­te aos Carismas Extraordinários tratados até aqui, e sim a outros, mas a sua clare­za e objetivi­dade dizem o que deve ser dito sobre estes, com nítida ressonância à Doutrina Tradicio­nal exposta até aqui, além de lançarem luzes onde o conhecimento ordinário se dispersa (n. c.).


A Doutora e Mestra dos Espirituais assim ensina:

► “... quando souberdes ou ouvirdes dizer que Deus concede esses fa­vores às almas, nunca Lhe supliqueis que vos leve por esse caminho, nem aspi­reis a is­so.

Ainda que tal caminho vos pareça muito bom, devendo ser apreciado e re­verenciado, não con­vém agir assim por algumas razões. Em primeiro lugar, por­que é falta de humil­dadedesejar o que nunca merecestes; portanto, creio que não a tem muita quem assim se compor­ta...E julgo que eles (os favores sobrenatu­rais) nunca ocorrerão, uma vez que o Se­nhor, antes de conceder essas Gra­ças, dá um grande conhecimento próprio. E como en­tenderá sin­ceramente quem alimenta tais ambições, que já recebe grande misericórdia em não es­tar no Inferno?

Em segundo lugar, porque é muito fácil haver engano, ou risco de o ha­ver. O Demô­nio não precisa senão de uma porta aberta para armar mil embus­tes. Em terceiro, porque a própria imagina­ção, quando há um grande desejo, leva a pessoa a acreditar que vê e ouve aquilo que deseja, tal como os que, querendo uma coisa durante o dia e pensando muito sobre isso, sonham com ela à noite.

Em quarto lugar, porque é extremo atrevimento que eu deseje es­colher um caminho, já que não sei qual o melhor. Pelo contrário, devo deixar que o Se­nhor, que me conhece, me leve por aquele que me convém, para em tudo fa­zer a Sua Vontade. E, em quinto,julgais que são poucos os sofri­mentos padecid­os por aqueles a quem o Se­nhor concede essas Graças? Não, são imensos e se manifestam de diversas maneiras. E sabeis vós se se­ríeis pes­soas para pa­decê-los? Por último, porque talvez por aí mesmo onde pensais ga­nhar, perder­eis – como ocorreu a Saul, por ser rei (as razões 5ª e 6ª aludem ao episódio dos fi­lhos de Zebedeu – S. Mat. 20, 20-22, - e à conduta de Saul – I Rs. 15, 10-11; cfr. Mor. VI, Cap. 11, 11 e Mor. V, Cap. 3, 2).

Enfim, irmãs, além dessas há outras. Crede-me que o mais seguro é não de­sejar se­não o que Deus deseja, pois Ele nos conhece e nos ama mais do que nós mesmos. E não poderemos er­rar, se com determinação da vonta­de, agirmos sempre as­sim”(S. Te­resa de Jesus, Mor. VI, Cap. 9, 14-16; cfr. Mor. IV, Cap. 2, 9; Liv. da Vida, Cap. XII, 1. 4. 7).

► E, em outro lugar, ensinando sobre o 1º grau de Oração diz: “... É muito bom, que uma alma que só chegou até aqui, graças ao Senhor, não procure ir além por si (mesma) – e muito se atente para isso – , para que não obtenha, em vez de lucro, prejuízo... Quem quiser passar da­qui e levantar o espí­rito a sentir gostos (sobrenaturais), que não lhe são da­dos, perde, a meu ver, tudo. Os gostos são sobrenaturais e, perdido o entendimento, a alma fica desam­parada e com muita aridez. E como esse edifício tem a sua fundação na humilda­de, quanto mais próximos de Deus estivermos, tanto maior deverá ser essa Vir­tude, pois, se assim não for, tudo perderemos. E parece algum tipo de so­berba querer­mos ir além dis­so, visto que Deus já faz em demasia, pelo que somos, ao permitir que nos aproximemos Dele... Torno a avisar que é muito importante ‘não elevar o espírito se o próprio Senhor não o eleva’ – o que isso sig­nifica logo se entende. Isso é especialmente ruim para mulheres, em que o Demônio poderá causar alguma ilusão...”(Liv. da Vida, Cap. XII,1. 4. 7).

► “Na Encarnação (n.c: Mosteiro) calara-se a hostilidade, o ceticismo dera-se por ven­cido; mais de 40 religiosas a seguiam nas vias de oração e lhe imita­vam as virtudes. As virtu­des, mas não os êxta­ses: bem se esforçava ela por convencer as outras religiosas de que se ganha o Céu mais pela obedi­ência e pelo esquecimento de si próprio do que pelo desejo de Graças Sobrenaturais: raptos e êxtases provam a bon­dade de Deus, não as nossas perfeições”(Marcelle Auclair, “Santa Teresa de Ávi­la, a dama errante de Deus”, Cap. V, 1959).


O Doutor Místico admiravelmente ensina:

► “Alguns espirituais julgam-se seguros, tendo por boa a curiosidade que às vezes mos­tram, procurando conhecer o futuro por via sobrenatural: pen­sam ser justo e agradável a Deus usar deste meio, porque algumas vezes o Se­nhor se dig­na responder-lhes. Embora seja ver­dade que Deus assim faça, longe de gostar desse modo de agir, mui­to se aborre­ce, e se tem por grande­mente ofendido. A ra­zão disso é: a ne­nhuma criatura é lícito sair dos limites naturais prescritos por Deus e or­denado para seu governo. Ora, Deus sub­meteu o homem às Leis Natu­rais e Racionais: pretender infringi-las, queren­do che­gar ao conheci­mento por meio sobrenatural, é sair desses limites: não é permiti­do fazê-lo sem a Deus desgostar, pois as coisas ilícitas ofen­dem-No. Esta verdade era bem conhe­cida ao rei Acab, quando, ordenando-lhe Deus pelo Profeta Isaías que pedisse um Si­nal do Céu, não o quis pedir, dizendo: ‘Não pedirei e não tentarei o Se­nhor’(Is. 7, 12). Porque tentar a Deus é querer comunicar-se com Ele por vias extra­ordinárias, como são as (vias) sobrenaturais...

Querer conhecer coisas sobrenaturalmente é pior ainda do que dese­jar gostos espirituais pelo sentido, não sei como a alma com essa pre­tensão poderá deixar de pe­car, ao menos venial­mente, por melhores que se­jam seus fins e por mais perfeição que tenha.O mesmo digo de quem a man­dasse, ou consentisse em usar daquele meio sobrenatu­ral (esta via é muito usada e inci­tada a ser usada). Não há motivo algum para recorrer a tais meios extraordi­nários: temos a nossa Razão Natural, a Lei e a Doutrina Evangélica, pelas quais mui suficientemente nos podemos reger; não existe difi­culdade ou ne­cessidade que não se possa resolver ou remediar por esses meios comuns, mais agradá­veis a Deus e proveitoso às almas.Tão grande é a importância de nos servirmos da Razão e Doutrina Evangélica, que, mesmo no caso de receber­mos algo por via sobrenatural – só devemos ad­miti-lo quando é conforme a Razão e aos Ensi­namentos do Evangelho. Ainda assim, é preciso recebê-lo, não por ser reve­lação, mas por ser segundo a Razão, deixando de lado todo o seu aspecto sobre­natural; mais ainda: convém considerar e examinar aquela razão com atenção maior do que se não houvesse revelação particu­lar, pois muitas ve­zes o Demônio diz coisas verdadeiras e futuras, muito ra­zoáveis, para enga­nar as almas.

... Acrescento apenas ser perigosíssimo – muito mais do que sa­beria explicar – querer al­guém tratar com Deus por vias sobrenaturais; não deixa­rá de errar muito, achando-se extrema­mente confundido todo aquele que se afeiçoar a tais meios. Aliás, a própria experiência obriga-lo-á a reco­nhecer esta verdade. Além da dificuldade para não cair em erro, nessas pala­vras e visões de Deus, há, ordinariamente, entre as verdades, muitas do Demônio. Costuma o espírito maligno disfarçar-se sob o mesmo aspecto em que Deus se manifesta à alma, misturando coisas muito ve­rossímeis às co­municadas pelo Senhor. Deste modo, vai o Inimigo se metendo qual lobo en­tre o reba­nho, disfarça­do em pele de ovelha, e dificilmente se deixa perce­ber. Como diz palavras muito verda­deiras, conforme a razão e certas, quan­do se reali­zam, nelas é fácil enganar-se a alma, atri­buindo-as a Deus, somen­te por­que os fatos demonstraram a sua veracidade...

... É este o motivo de Deus se desgostar contra os que as admi­tem, porque para estes é Temeridade, Presunção e Curiosidade, expor-se ao peri­go que daí resulta. É dei­xar crescer o Or­gulho, raiz e fundamento da Vangló­ria, Desprezo das coisas Divinas, e Princípio de numerosos males em que caíram muitas almas. Excitam a tal ponto a Indig­nação do Senhor essas al­mas, que Ele propositadamente as deixa cair em erro e ceguei­ra e na obscur­idade do espírito: abandonam, assim, os caminhos ordinários da vida es­piritual, para satisfazerem suas Vaidades e Fantasias, segundo Isaías diz: ‘O Senhor di­fundiu entre eles um espírito de vertigem’(19, 14), isto é, espíri­to de revolta e confusão, ou para falar claramente: espírito que entende tudo ao revés. Vai ali o Pro­feta declarando as palavras bem ao nosso propósito, refe­rindo-se aos que procuram conhecer os Misté­rios do futuro por via so­brenatural. Deus, disse ele, lhes envia um espírito de vertigem, não porque queira efetivamente lançá-los no erro, mas porque eles quiseram intrometer-se em coisas acima de seu alcance. Por este motivo é que o Senhor, desgos­tado, dei­xou-os errar, não lhes dan­do luz nesses caminhos impenetráveis, onde não deviam en­trar. E assim, diz Isaías, Deus enviou-lhes aquele espíri­to pri­vadamente, isto é, daquele dano tornou-se Deus a causa privativa, que con­siste em tirar, tão deveras, sua Luz e Graça que necessariamente as al­mas venham a cair no erro.

O Senhor, deste modo, concede ao Demônio permissão para en­ganar e cegar grande nú­mero de pessoas merecedoras desse castigo por seus pe­cados e atrevimen­tos.Fortalecido por esse poder, o Inimigo leva a me­lhor: es­sas almas assim o aceitam como bom espírito e dão crença às su­gestões dele com tanta convicção que, ao ser-lhes apresen­tada mais tarde a Verdade, já não é possí­vel desiludi-las, pois, já as dominou, por per­missão Divina, aque­le espírito de entender tudo ao re­vés. Assim aconteceu aos profetas do rei Acab. Deus abandonou-os ao espírito de mentira, dando li­cença ao Demônio para enganá-los, dizendo: ‘Tu o enganarás, e prevalecerás: vai e faze-o as­sim’(I Rs. 22, 22). Efetivamente, foi tão poderosa a ação diabólica sobre o rei e os profetas que recusaram dar crédito à predição de Miquéias, anunciando-lhes a verdade muito ao contrário do que os outros a haviam profetizado.Deus deixou-os cair na cegueira por causa da presunção e do apetite com que deseja­ram receber uma resposta em harmonia com as suas incli­nações; só isto era disposição e meio certíssimo para precipitá-los proposita­damente na cegueira e na ilusão...”(S. João da Cruz, “Subida do Monte Carme­lo”, Liv. II, Cap. XXI; cfr. Capítulos XXII, XXXVII, 6-7, XXIX, XXX, 6-7; Liv. III, Cap. IX, 4 – Cap. X, 3).


O Fundador dos Sacramentinos assim ensina:

► “Ah! Não sejamos do número dessas pobres almas! Não despre­zemos os favo­res sensí­veis de Deus, mas não os procuremos tão pouco. Deve­mos nos afeiçoar somen­te a Jesus, e não às suas consolações, às suas Gra­ças: elas passam, só Ele permanece! Deus as concede às almas fracas, a fim de animá-las, atraí-las, como faz uma mãe que dá aos fi­lhos doçuras e carícias.

Houve Santos que tiveram êxtases, mas quanto sofreram, quanto foram provados! Essas Graças supõem a santidade, não a fazem. Deus lhas concedia de tempos em tem­pos; eram a re­compensa de seus sofrimentos e Deus agia assim para estimulá-los a sofrer mais ainda por seu amor. Santa Teresa temia de tal forma essas Graças que, ao sentir-se levantada da terra, precipita­va-se contra o solo”(S. Pedro Julião Eymard; “A Santíssima Eu­caristia”, Vol. V, fevereiro: Festa da Puri­ficação de Ma­ria).


O Fundador dos Monfortinos assim exorta:

► “Você deve ser bem cuidadoso em não fazer coisa alguma fora do normal; não procu­re, nem mesmo deseje conhecer coisas extraordinárias, vi­sões, re­velações ou Gra­ças miraculosas, que Deus Todo-Poderoso comunicava às vezes a alguns Santos... ‘Só a Fé é suficiente’: só a Fé basta para nós, agora que os Santos Evangelhos e todas as Devo­ções e as práticas Piedosas es­tão firmemen­te esta­belecidas”(S. Luís Mª Grignion de Montfort, “O Se­gredo Admi­rável do Rosário”, 47ª Rosa). E em outro lugar disse:

► “... Não vos peço visões ou revelações, ou gozos, ou prazeres, nem mesmo espi­rituais. É privilégio Vosso...”(“Tratado da Verdadeira Devo­ção à Santíssima Virgem”, Apên­dice: Oração a Ma­ria, para seus fiéis escravos). Ainda em outro lugar:

► “Por isso, enquanto que seus irmãos e irmãs trabalham muitas vezes para o exteri­or com mais entusiasmo, habilidade e sucesso, recebendo os louvo­res e aprovações do mun­do, eles sabem, pela luz do Espírito Santo, que há muito mais glória, bem e prazer em perma­necer oculto no reconheci­mento com Jesus Cristo, seu Modelo, numa submissão inteira e per­feita a sua Mãe,do que em rea­lizar, por si próprio, maravilhas naturais e da Graça no mundo, como tantos Esaús e Réprobos... Quanto mais, portanto, ganhardes a benevolência desta Princesa e Virgem fiel, tanto mais profunda Fé tereis em toda a vossa conduta: uma Fé pura, que vos levará à despreocupação por tudo que é sensível e ex­traordinário...”(“Tra­tado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, NN. 196, 214).


A Maior Santa dos Tempos Modernos assim nos ensina:

► “Um dia, no Céu, teremos prazer em falar de nossas gloriosas prova­ções. Mas, não nos senti­mos, desde já, felizes de tê-las sofrido? ... Sim, os três anos de martírio de papai se me apresentam como os mais amáveis, os mais fru­tuosos de nossa vida. Não os daria em troca de todos os êxtases e revelações dos San­tos... Não eram, pois, meus desejos que poderiam produzir Milagre”(S. Teresi­nha do Menino Jesus, “História de uma Alma”, Manus­crito “A”, Cap. VII; Cap. III). E, em outro lugar diz:

► “... Não creias que esteja a nadar em consolações. Oh! Não! Minha con­solação é não ter nenhuma na terra”(“Manuscrito “B”, Cap. IX).

► “Falando alguém a Santa Teresinha, quase nas vésperas de sua morte, sobre as Consola­ções Espirituais e Revelações, perguntou-lhe se essas Graças não a seduziam, respondeu a Santa: ‘Oh! Não, absolutamente; não de­sejo ver a Deus nesta vida, e, contudo, amo-O tan­to!’(“Novíssima Verba”, 14 de setem­bro). ‘A minha pequenina via é de não desejar ver coisa alguma; sa­beis muito bem que eu cantei: Que não desejei aqui na terra ver a Ti, ó Je­sus, lembra-Te’(Poesia: “Lembra-Te)...

Disseram à nossa Santinha, que os Anjos a viriam assistir à hora da mor­te, acompanhan­do a Nosso Senhor, e que ela os contemplaria resplandecen­tes de luz e de beleza, disse ela:‘Todas essas representações, não me fazem bem algum. Só a Verdade me alimenta. É por isso que nunca dese­jei vi­sões. Não podemos ver na terra o Céu, nem os Anjos tais como são. Prefiro espe­rar a Visão Eterna’(“Novíssima Verba”, 5 de agosto)”(R. Pe. As­cânio Bran­dão, “A Via da Infância Espiritual na Escola de Santa Teresinha”).


O Doutor Infalível (segundo o Beato Pio IX)admoesta nestes termos:

► “Viram-se em nossa época várias pessoas que acreditavam elas mesmas, e cada um com elas, que fossem muito freqüentemente arrebatadas di­vinamente em êxtase; e, toda­via, afinal se desco­bria que aquilo eram apenas ilusões e divertimentos dia­bólicos. Um certo Padre do tempo de S. Agostinho entrava em êxtase sempre que queria, cantando ou fa­zendo cantar certas árias lú­gubres e la­mentosas (cantos fúnebres), e isso só para contentar a curiosi­dade dos que dese­javam ver esse espetá­culo. Mas o que é admirável, é que o êxtase dele ia tão lon­ge, que ele nem sequer sentia quando lhe apli­cavam fogo, a não ser depois que voltava a si; e, não obstante, se alguém falava um pouco forte e em voz clara, ele o ouvia como de lon­ge, e não tinha nenhuma respiração... É por isso que não nos deve­mos admirar se, para ar­remedar, para enganar as al­mas, para es­candalizar os fracos e se ‘trans­formar em Anjo de luz’(II Cor. 11, 14), o espí­rito ma­ligno opera arroubos em algumas (al­mas) pouco soli­damente instruí­das na Verdadeira Piedade. A fim, pois, de que se pos­sam dis­cernir os êxta­ses Divinos dos humanos e diabólicos, os Servos de Deus deixa­ram vários docu­mentos”(S. Francisco de Sales, “Tratado do Amor de Deus”, Liv. VII, Cap. VI).

São Pio de Pietrelcina

“Os inimigos do sobrenatural e do maravilhoso, que são uma legião, devem certamente encolher os ombros e irão considerar este incidente como pura fantasia. Eu próprio hesitaria em repeti-lo, se o jo­vem frade não tivesse afirmado a sua autenticidade numa carta dirigida a uma religiosa em 1918:

'Que Jesus habite sempre no nosso coração, nos livre de todo o mal e nos conceda uma comple­ta vitória sobre o nosso inimigo comum.

O desejo de me ver e de me falar de tantas coisas do Senhor é louvável: não receie com isso ofender a vontade de Deus. No entanto, devo preveni-la para não ceder ao desejo de me voltar a ver mesmo de uma forma milagrosa, porque isso seria muito perigoso. Quando semelhante desejo nascer na sua alma, expulse-o imediatamente. O Diabo, minha irmã, é um grande professor de ini­quidade. Ele sabe bem como há de fazer e pode enganá-la com qualquer ilusão. É realmente incrí­vel, mas esse miserável renegado sabe mesmo disfarçar-se de capuchinho e sabe muito bem manter o seu papel. Acredite na palavra de alguém que sabe isso por experiência. Isso bastará para a esclarecer, porque receio já ter falado demais sobre este assunto'”(Rev. Pe. Fr. Arni Decorte, F.M., “Frei Pio, Testemunha privilegiada de Cristo”, pp. 22-23, edição brasileira, 1995).


Outros Testemunhos:

► “Orações e Graças extraordinárias seriam seriamente suspei­tas numa alma que fugisse do sacrifício e da abnegação. Seria uma víti­ma de ilusões digna de lástima.

Na vida espiritual há enormes obstáculos que só a mortificação re­move. Pois não disse Jesus: ‘Quem quiser ser meu discípulo renuncie a si mes­mo, carre­gue a sua cruz, dia a dia, e siga-Me?’(S. Luc. 9, 23). E a Imitação de Cristo dí-lo claramente: ‘Aproveitarás na medida que te fizeres violência’(I, 25, 11). Sem mortificação e abnegação não há salvação, muito menos santida­de. Mas se Deus destina uma alma a maior perfeição e graças ex­cepcionais, irá conduzi-la pelas veredas ásperas da Cruz até ao ani­quilamento”(R. Pe. Leo Koh­ler, S. J., “Vida do Pe. João Batista Réus da Com­panhia de Jesus”, P. 119, 5ª Edi­ção, 1956).

► "Diz São Paulo, em 2 Tim. 3, 6-9, que as revelações particula­res e as fórmu­las mágicas têm sucesso entre as mulheres, facilmente im­pressionáveis pelo extraordi­nário e sensacional (1 Tim. 4, 7)"(R. Pe. Afon­so Rodrigues, S. J., Th. et Ph. Doc­tor, "Vocabulário das Almas Pequeninas", Apre­sentação, nº 4).

► "Alguns irmãos foram ter com o Abade Antão para contar-lhe visões que ti­nham tido, e dele saber se eram genuínas ou demoníacas. Ora, eles tinham um asno, que morreu pelo caminho. Quando, pois, chegaram à cela do ancião, este, antecipando-os, pergun­tou-lhes: 'Como morreu o vosso burrinho pela estrada?' Interrogaram-no: 'Donde o sabes, Aba­de?' Este lhes respondeu: 'Os Demônios mostraram-mo'. Disseram-lhe então: 'Por isto viemos perguntar-te, a fim de que não nos enganemos: te­mos visões, as quais muitas vezes corres­pondem à realidade'. Ora, o ancião convenceu-os, pelo exemplo do asno, de que eram vi­sões diabólicas"(J. P. Migne, "Patrologia Graeca", T. 65, Colunas 71-440; traduzido do original grego pelo R. Pe. Estêvão T. Bettencourt, O.S.B., sob o título "Apoftegmas − A Sabedoria dos Antigos Monges", Cap. "Letra Alfa", p. 13, Edições "Lumen Christi", Coleção "Fontes da Vida Re­ligiosa" −Vol. 5, 1979).

Conclusão


Anicius Manlius Torquatus Severinus Boetius
(Roma, c.475/480 - Ticino, 524)
 
“Por isso, disse sabiamente o Filósofo Cristão e Mártir de Cristo, Boécio: ‘Que não de­sejar, nem temer, uma alma, coisa alguma, é desarmar nossos inimigos; e pelo contrá­rio, quem têm cobiça de algum bem e receio do mal oposto, desses desejos e temores forma uma cadeia, com que é pre­so e ar­rastado’(De Conf. Philof. Metr. 3). Importa atender às luzes e moções da Graça; porque é esta a que nos fortalece contra as tentações, e nos descobre a mentira do Demônio, a torpeza do vício e as falácias da natureza, e é o único jugo que pode amansar suavemente a rebeldia do nosso Livre Arbítrio”(Ven. Pe. Manu­el Bernardes, Orator., “Luz e Calor”, I Part., Doutrin. III).