segunda-feira, 20 de maio de 2013

A devoção a Maria é penhor de eterna bem-aventurança



É impossível salvar-se quem não é devoto de Maria e não vive sob sua proteção, diz S. Anselmo, e também é impossível que se condene quem se encomenda à Virgem, e por ela é olhado com amor. Quase com os mesmos termos isso confirma S. Antonino. Não podem salvar-se aqueles, escreve o santo, dos quais Maria tem afastado seus misericordiosos olhos; mas salvam-se necessaria­mente os que por ela são vistos com amor e protegidos por sua intercessão. Repare-se, porém, na primeira parte desta proposição e tremam aqueles que fazem pouco caso da devoção à Mãe de Deus, ou que a abandonam por negligência. Estes santos afirmam que não há possibili­dade de salvação para quem não é amparado por Maria.A mesma coisa asseveram outros, como S. Alberto Magno: Todos os que não são vossos servos hão de perder-se, ó Maria. E S. Boaventura*: Aquele que se descuida de servir à Santíssima Virgem morrerá em pecado. Em outro lugar: Quem a vós não recorre, Senhora, não entrará no paraíso. No Salmo 99 de seu Saltério Mariano chega até a dizer que não só não se salvará, mas que nem esperança de salvação terá aquele do qual Maria aparta o seu rosto. E primeiro o disse o Pseudo-Inácio, mártir, afirmando que não pode salvar-se um pecador senão por meio da Santa Virgem, cuja misericordiosa intercessão salva muitíssi­mos que deveriam ser condenados pela justiça divina. O Abade de Ceies repete essas palavras. É nesse sentido que a Igreja aplica a Maria esta passagem dos Provérbios (8, 36): Todos os que me odeiam amam a morte eterna. Sobre o texto: “Ela é semelhante ao navio de um mercador” (Pr 31, 14), diz Ricardo de S. Lourenço: Todos os que não estiverem a bordo desse navio serão submergidos no mar deste mundo. Até o protestante Ecolampádio tinha por indício certo de reprovação a pouca devoção à Mãe de Deus.

Por outro lado, diz Maria: Aquele que me serve não será condenado (Eclo 24, 30). Quem a mim recorre e ouve minhas palavras não se perderá. Pelo que diz S. Boaventura*: Senhora, quem se esforça por servir-vos está longe da condenação. E isso acontecerá, afirma o Pseudo-Hilário, ainda que no passado tenha alguém ofendido muito a Deus. 

Por isso o demônio trabalha para que os pecadores, depois de perderem a graça de Deus, percam também a devoção de Maria. Observando Sara que Isaac ia pegando os maus costumes de Ismael, com quem brincava, pediu a Abraão que expulsasse este e também sua Mãe Agar. “Expulsa a escrava com seu filho!” Não se contentou em mandar embora o filho. Exigiu que se expulsasse também a mãe. Pois imaginou que, se esta ficasse, a cada passo o filho viria a casa para vê-la. Da mesma forma o demônio não se contenta com ver uma alma separar-se de Jesus Cristo. Quer vê-la também separada da Mãe de Jesus. “Expulsa a escrava com seu filho!” Pois teme que a Mãe com seus rogos reconduza o Filho a essa alma. E é com razão que o teme, porquanto, afirma Pacciucchelli, não tarda a encontrar a Deus quem é fiel em obsequiar a Mãe de Deus. 

Salvo-conduto que nos livra do inferno é, por isso, o acertado nome que S. Efrém dá à devoção a Maria. Se­gundo S. Germano, é Maria a protetora dos condenados. Realmente, é certo e fora de dúvida que a Maria, conforme a sentença de S. Bernardo, não lhe falta poder nem von­tade para nos salvar. Tem poder porque é impossível ficar desatendida uma sua oração, garante-nos S. Antonino. Ou, como diz S. Bernardo, seus rogos ficam jamais sem resultado, mas sempre alcançam o que pretendem. Tem vontade de salvar-nos, porque como Mãe deseja nossa salvação mais do que nós a desejamos. Ora, assim sendo, como poderá perder-se um fiel devoto de Maria? E ainda que seja pecador, salvar-se-á, se com perseverança e pro­pósito de emenda se encomendar a essa boa Mãe. Ela o levará ao conhecimemto de seu miserável estado, ao arre­pendimento de seus pecados. Obter-lhe-á a persererança no bem e finalmente uma boa morte. Qual é a mãe que podendo, com um simples pedido ao juiz, livrar seu filho da morte, não o faria? E poderíamos nós pensar que Ma­ria, tão devotada Mãe para com seus devotos, deixe de livrar um filho da morte eterna, quando lhe é possível e tão fácil consegui-lo? 

Ah! leitor piedoso, demos graças ao Senhor, se vemos que nos tem dado afeto e confiança para com a Rainha do céu. Pois, segundo S. João Damasceno, Deus só faz seme­lhante graça a quem quer salvar. Eis as belas palavras com que o Santo reanima a sua e a nossa esperança: Ó Mãe de Deus, se em vós puser minha confiança, serei salvo. Se estiver sob vossa proteção, nada tenho a recear porque a devoção para convosco é uma segura arma de salvação, por Deus concedida só aos que deseja salvar. Por isso até Erasmo assim saudava a Santíssima Virgem: Deus vos salve, ó terror do inferno, ó esperança dos cristãos; a confiança em vós assegura a salvação.



(Glórias de Maria – Santo Afonso Maria de Ligório)

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