quarta-feira, 3 de julho de 2013

Ação de Graças após a Sagrada Comunhão.



O tempo da Ação de Graças à Santa Comunhão é o momento mais real do amor íntimo com Jesus.

Amor de pertença total recíproca: não mais dois, mas um, na alma e no corpo. Amor de interpenetração e fusão: Ele em mim e eu nEle, a consumir-nos na unidade e na unicidade do amor.

"Sois minha presa amorosa, como eu sou presa de vossa imensa caridade", dizia Santa Gemma a Jesus, com ternura.

"Bem-aventurados os convidados para a ceia das bodas do Cordeiro" está escrito no Apocalipse (c. 19, 9). Pois bem, na Comunhão Eucarística a alma realiza, verdadeiramente, em celeste união virginal, o amor nupcial a Jesus, a quem pode dizer, com o transporte tenríssimo da Esposa dos Cânticos: "Beije-me com os beijos da sua boca" (Cant. 1,1).

A Ação de Graças após a Santa Comunhão é uma pequena experiência do amor paradisíaco nesta terra: no Paraíso, de fato, como amaremos a Jesus se não sendo eternamente um com Ele?

Jesus querido, Jesus doce, como devemos Vos agradecer por cada Santa Comunhão que nos concedeis! Não tinha razão Santa Gemma ao dizer que no Paraíso Vos agradeceria pela Eucaristia mais do que qualquer outra coisa? Que milagre de amor o ser completamente fundidos conVosco, Jesus!

São Cirilo de Alexandria, Padre da Igreja, serve-se de três imagens para ilustrar a fusão de amor com Jesus na Santa Comunhão: "Quem comunga é santificado, divinizado em seu corpo e em sua alma da mesma forma como a água que é colocada sobre o fogo se torna fervente... A Comunhão opera como o fermento mergulhado na farinha: fermenta toda a massa... Da mesma forma que, fundindo juntas duas velas, a cera resultará uma na outra; assim, eu creio, quem se nutre da Carne e do Sangue de Jesus se funde com Ele por tal participação e se encontra sendo ele em Cristo e o Cristo nele". [Grifos nossos]

Por esta razão, Santa Gemma Galgani falava com espanto da união eucarística entre "Jesus tudo e Gemma nada", e exclamava extasiada: "Quanta doçura, Jesus, na Comunhão! Abraçada a Vós quero viver, abraçada a Vós quero morrer".

E o Beato Contardo Ferrini escreveu: "A Comunhão! Ó doces abraços do Criador com a sua criatura! Ó inefável elevação do espírito humano! Que possui o mundo que se compare a estas alegrias puríssimas de Céu, a esses ensaios da glória eterna?".

Pense-se, também, ao valor trinitário da Santa Comunhão.

Um dia, Santa Maria Madalena de' Pazzi, depois da Comunhão, ajoelhada entre as noviças, com os braços em cruz, elevou os olhos ao céu e disse: "Irmãs, se compreendêssemos que, durante o tempo em que duram em nós as espécies eucarísticas, Jesus está presente e opera em nós inseparavelmente com o Pai e o Espírito Santo, e portanto está presente toda a Santíssima Trindade...", e não pôde terminar porque foi arrebatada em sublime êxtase.

Por isso os santos, quando podiam, não colocavam limites de tempo para a Ação de Graças, que duravam pelo menos meia hora. Santa Teresa de Jesus exortava às suas filhas: "Permaneçamos amorosamente com Jesus e não percamos a hora que segue à Comunhão: é um tempo excelente para tratar com Deus e para Lhe submeter os interesses de nossa alma... Visto que sabemos que Jesus bom resta em nós até que o calor natural não tenha consumido os acidentes do pão, devemos ter muito cuidado para não perder tão boa ocasião para tratar com Ele e apresentar-Lhe as nossas necessidades".

São Francisco de Assis, Santa Juliana Falconieri, Santa Catarina, São Pascoal, Santa Verônica, São José de Cupertino, Santa Gemma e muitos outros, logo após a Santa Comunhão, quase sempre caiam em êxtase de amor: e o tempo, então, era medido apenas pelos Anjos!

São João de Ávila, Santo Inácio de Loyola, São Luís Gonzaga faziam a ação de graças, de joelhos, por duas horas. Santa Maria Madalena de' Pazzi gostaria de nunca interrompê-la, e precisavam obrigá-la para que se alimentasse um pouco.

"Os minutos que se seguem à Comunhão – dizia a Santa – são os mais preciosos que nós temos na vida; os mais adequados para, de nossa parte, tratarmos com Deus, e de parte de Deus, para nos comunicar o Seu amor".

Santa Teresa de Jesus quase sempre caía em êxtase após a Santa Comunhão, e às vezes era necessário removê-la da mesa de comunhão das Irmãs!

São Luís Grignon de Montfort, após a Santa Missa, permanecia por, pelo menos, meia hora para a Ação de Graças, e não havia preocupação ou compromisso que o fizesse renunciar a isso porque, como ele dizia, "não daria esta hora de agradecimento nem mesmo por uma hora do Paraíso".

O Apóstolo escreveu: "Glorificai e levai a Deus no vosso corpo" (1 Cor 6, 20). Pois bem, não há momento em que estas palavras se realizem mais literalmente como no tempo imediatamente após a Santa Comunhão. Que feio, então, o comportamento de quem faz a Comunhão e sai rapidamente da igreja, logo após a Missa, ou até mesmo imediatamente após a Comunhão!

Lembremo-nos do exemplo de São Filipe Neri que fazia acompanhar por dois acólitos, com as velas acesas, aquele tal que sempre saía da igreja logo após a Comunhão... Que bela lição! Que seja apenas por educação, quando recebemos um hóspede devemos nos entreter com ele e nos interessar por ele. Se esse hóspede for Jesus, então, devemos, de fato, lamentar-nos de que sua presença corporal em nós dure apenas quinze minutos ou um pouco mais.

A este respeito, São José Cottolengo supervisionava pessoalmente a confecção das hóstias para a Missa e as Comunhões, e à freira responsável ordenara expressamente: "Faça as minhas hóstias mais grossas porque eu preciso estar longamente com Jesus e não quero que as sagradas espécies se consumem logo!".

E Santo Afonso de Ligório, porque enchia o cálice quase até à borda? Apenas para possuir por mais tempo Jesus em seu corpo!

Não estamos, talvez, ao oposto dos Santos, nós, quando consideramos a Ação de Graças sempre muito longa e, talvez, não vemos a hora que acabe? Mas, cuidado! Porque se é verdade que em todas as Comunhões Jesus "devolve ao cêntuplo a acolhida que Lhe é dada" (Santa Teresa de Jesus), também é verdade que seremos responsáveis ao cêntuplo por nossas acolhidas perdidas!

Um confrade de Padre Pio contou que certo dia foi se confessar com o santo frade, acusando, entre outras coisas, ter omitido algumas ações de graça na Santa Missa, por razões de ministério. Benevolente ao julgar outros tipos de falhas, quando ouviu esta falta Padre Pio tornou-se sério, escureceu-se-lhe o rosto, e disse com voz firme: "Tomemos cuidado que o 'não poder' não seja um 'não querer'. Tu deves fazer o agradecimento sempre, ou então pagarás caro!".

Pensemos, reflitamos sobre isso seriamente. Por algo tão precioso como a Ação de Graças, façamos nossa a advertência do Espírito Santo: "Não perca nem mesmo a menor parte de um bem tão grande" (Eclesiastes 14: 14).

Particularmente bonito é o agradecimento feito em íntima união com Nossa Senhora da Anunciação. Imediatamente após a Santa Comunhão, nós também trazemos Jesus em nossas almas e em nossos corpos à semelhança de Maria Santíssima Anunciada; e não poderíamos adorar Jesus ou amá-lO melhor do que unindo-nos à Divina Mãe, tornando nossos os sentimentos de adoração e de amor que Ela nutriu por Jesus Deus escondido dentro de seu imaculado seio. Para este fim, pode ser útil a recitação meditada dos Mistérios Gozosos do Rosário. Provemos. Só teremos a ganhar unindo-nos a Nossa Senhora para amar Jesus com o seu Coração de Paraíso!

(Extraído de: Gesù Eucaristico Amore, do Padre Stefano Maria Manelli, F.I.)

Tradução: Giulia d'Amore.

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