domingo, 29 de setembro de 2013

A Virgem Maria converte um jovem de vida desregrada que lhe implorou misericórdia



Esquil, jovem fidalgo, foi estudar em Hildesheim por ordem de seu pai. Mas, em vez de estudar, entregou-se a excessos de devassidão. Depois disso adoeceu seriamente, não lhe restando já esperança alguma de vida. Estando próximo da morte, teve a seguinte visão: Viu-se dentro de um quarto cheio de fogo e julgou que se achava no inferno. Pôde felizmente sair por um vão e refugiar-se num grande palácio. Lá encontrou numa das salas a Santíssima Virgem, que lhe disse: Temerário, como ousas apresentar-te diante de mim? Já e já retira-te daqui e mete-te no fogo que muito bem mereceste! Nisso começa o jovem a implorar a misericórdia de Maria, e pede a algumas pessoas ali presentes que também o recomendem à Mãe de Deus. Elas atenderam-no, mas a Santíssima Virgem respondeu-lhes: Este moço levou uma vida muito desregrada e nunca me honrou com uma Ave-Maria sequer. Mas ele corrigir-se-á, amada Rainha, observaram elas. E o jovem ajuntou logo esta promessa: Sim, eu o prometo; quero corrigir-me e consagrar-me todo a vosso serviço, Senhora. Na mesma hora Maria tornou-se meiga e disse-lhe com brandura: Bem; aceito a tua promessa; escaparás da morte e do inferno
.

Após estas palavras terminou a visão. Voltando a si, Esquil agradeceu à Mãe de Deus e a todos relatou o ocorrido. Levou daí em diante uma vida santa, dedicou sempre especial devoção à Santíssima Virgem, e tornou-se mais tarde arcebispo de Lund, na Suécia, onde converteu muitos para a verdadeira fé. Já velho, renunciou ao arcebispado, entrando para a Ordem dos Cistercienses, em Claraval. Aí morreu na paz do Senhor, após quatro anos de edificante vida. Alguns escritores colocaram-no na lista dos santos daquela Ordem.

Oração

Mãe digníssima de meu Deus e Soberana minha, Maria, vendo-me tão desprezível e carregado de pecados, não devia ter a ousadia de chegar-me a vós e chamar-vos minha Mãe. Não quero, porém, que as minhas misérias me privem da consolação e da confiança que sinto, dando-vos este doce nome. Verdade é que mereço me rejeites, mas vos peço considereis o que fez e sofreu por mim o vosso Filho Jesus. Depois rejeitai-me, se o podeis. Sou miserável pecador, mais do que os outros ultrajei a majestade divina.

Ai! o mal está feito: a vós que o podeis remediar imploro agora: Vinde em meu socorro, ó minha Mãe. Não me alegueis que não vos é possível ajudar-me, porque sei que sois onipotente e do vosso Deus conseguis tudo quanto desejais. Se me respondeis que não quereis socorrer-me, dizei-me ao menos a quem me devo dirigir para ser consolado no excesso de minha angústia. Apadrinhando-me com S. Anselmo, ouso dizer a vós e a vosso divino Filho: Ou apiedai-vos de mim, dulcíssimo Redentor meu, perdoando-me, e vós, também, ó minha Mãe, intercedendo em meu favor; ou, mostrai-me a quem devo recorrer, que seja mais poderoso do que vós, e em quem eu possa confiar mais. Mas não; nem na terra nem no céu posso achar quem tenha dos miseráveis mais compaixão que vós, ou quem melhor passa ajudar-me. Vós, Jesus, sois o meu Pai; e vós, Maria, sois a minha Mãe. Vós amais até aos mais miseráveis e ides à procura deles para salvá-los. Eu sou um réu do inferno, o mais indigno de todos. Mas não é necessário ir à minha procura, nem eu pretendo que o façais. Apresento-me espontaneamente a vós, com esperança certa de que não me haveis de desamparar. Aqui estou aos vossos pés, meu Jesus, perdoai-me. Maria, minha Mãe, socorrei-me.

Fonte: Livro Glórias de Maria - Santo Afonso Maria de Ligório

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