sexta-feira, 31 de maio de 2013

A Irmã Lúcia sobre a “Desorientação Diabólica”

A Irmã Lúcia sobre a “Desorientação
Diabólica”


Extractos do Pequeno tratado da vidente, sobre a natureza e recitação do Terço: colectânea de excertos de cartas escritas pela Irmã Lúcia de 1969 a 1971.






J.M.
Coimbra, Dec. 4, 1970
Dear Maria Teresa,
Pax Christi,

A nossa Madre recebeu a sua carta, e pede desculpa de não responder pessoalmente; mas não lhe é possível neste momento, em que está com tanto que fazer, por causa da próxima fundação do novo Carmelo de Braga. Por este motivo, entregou-me a carta, para que responda eu. É o que venho fazer.

A nossa Madre não pode dar a licença que a Maria Teresa deseja. Mas também não é necessária. Eu não devo nem posso pôr-me em evidência. Devo permanecer em silêncio, na oração e na penitência. É a maneira como melhor posso e devo auxiliar. É preciso que todo o apostolado tenha, como base, este fundamento; e esta é a parte que o Senhor escolheu para mim; orar e sacrificar-me pelos que lutam e trabalham na vinha do Senhor, e pela extensão do seu Reino.

É por este motivo que o meu nome não deve aparecer. Em vez dele, é muito mais eficaz que se sirva do Nome de Nossa Senhora, sugerindo o movimento como «Cumprimento» da Mensagem, apresentando como argumento a insistência com que
Nossa Senhora pediu e recomendou que se reze o Terço todos os dias, repetindo o mesmo em todas as Aparições, como que prevenindo-nos para que, em estes tempos de desorientação diabólica, nos não deixemos enganar por falsas doutrinas, diminuindo na elevação da nossa alma para Deus, por meio da oração.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Maria é toda clemência e bondade





O autor dos Discursos sobre a Salve Rainha diz que Maria é a terra prometida pelo Senhor, na qual manava leite e mel. Quer assim mostrar-nos de modo bem intuitivo a grande bondade dessa Rainha para conosco, miseráveis e deserdados. S. João acrescenta que Maria tem entranhas de tanta misericórdia, que merece ser chamada não só misericordiosa, mas a própria misericórdia. Por causa dos infelizes foi Maria constituída Mãe de Deus e colocada para lhes dispensar misericórdia, ensina-nos S. Boaventura. Considera em seguida a imensa solicitude que ela tem para todos os miseráveis, bem como a sua grande bondade que acima de tudo deseja socorrer aos necessitados. Essa consideração leva o Santo a dizer: Quando olho para vós, ó Maria, parece-me não ver mais a divina justiça, mas a divina misericórdia somente, da qual estais cheia. Em suma, tanta lhe é a piedade que, como diz o Abade Guerrico, seu amoroso coração não pode cessar um momento de ser misericordioso conosco.

Festa do Corpus Christi


   Corpus Christi é uma expressão latina que significa Corpo de Cristo, é uma festa que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia.Realiza-se na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes. A origem de Corpus Christi A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao Século XIII. A Igreja Católica sentiu necessidade de realçar a presença real do "Cristo todo" no pão consagrado. A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon que teve visões de Cristo demonstrando desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque(Juliana de Liège, nasceu entre 1191 e 1192 . Órfã aos cinco anos, foi confiada aos cuidados das monjas agostinianas do convento-leprosário de Mont-Cornillon. "Aos 16 anos teve a primeira visão, que após repetiu-se mais vezes nas suas adorações eucarísticas. A visão apresentava a lua no seu pleno esplendor, com uma faixa escura que a atravessava diametralmente. O Senhor a fez compreender o significado disso que lhe havia aparecido).Por solicitação do Papa Urbano IV, que na época governava a igreja, os objetos milagrosos foram para Orviedo em grande procissão, sendo recebidos solenemente por sua santidade e levados para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corporal Eucarístico. A 11 de agosto de 1264, o Papa lançou de Orviedo para o mundo católico através da bula Transiturus do Mundo o preceito de uma festa com extraordinária solenidade em honra do Corpo do Senhor.

A festa de Corpus Christi foi decretada em 1269.

O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada desde antes de 1270. A procissão surgiu em Colônia e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França e na Itália. Em Roma é encontrada desde 1350.A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: ‘Este é o meu corpo…isto é o meu sangue… fazei isto em memória de mim’. Porque a Eucaristia foi celebrada pela 1ª vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. Neste Sacramento, no momento da Consagração, ocorre a transubstanciação, ou seja, o pão se torna carne e o vinho sangue de Jesus Cristo, em toda Santa Missa, mesmo que esta transformação da matéria não seja visível.Corpus Christi é celebrado 60 dias após a páscoa. Podendo cair entre 21 de maio e 24 de junho

São Tomás de Aquino

O frei dominicano e doutor em Teologia Moral, Carlos Josaphat Pinto de Oliveira, relata que São Tomás compôs os textos da Missa da Solenidade e da Liturgia das Horas (comumente recitados pelos religiosos), ressaltando-se os hinos Lauda Sion e Adoro Te Devote.

São Paulo de Constantinopla, Bispo e Confessor.

Ele naceu em Tessalônica, um presbítero de Constantinopla e um secretário do já idoso bispo Alexandre de Constantinopla, seu predecessor na sé episcopal. Assim que Alexandre morreu, os dois lados em disputa (os arianos e os ortodoxos) entraram em conflito aberto. O partido ortodoxo inicialmente prevaleceu, Paulo foi eleito e consagrado por bispos que estavam na capital imperial na Igreja da Paz, perto de onde futuramente estará a Basílica de Santa Sofia. O imperador Constâncio II tinha estado fora durante estes eventos. Assim que ele chegou, ele ficou furioso por não ter sido consultado. Ele convocou um sínodo de bispos arianos, declarou Paulo incapaz para o episcopado, banindo-o e trazendo Eusébio de Nicomédia para Constantinopla. Acredita-se que isto tenha ocorrido em 338 e Eusébio morreu três anos depois, em 341. Paulo foi logo restaurado pelo povo à sua sé, porém os arianos aproveitaram a situação. Teógnis de Niceia e Teodoro de Heracleia (junto com outros bispos arianos) consagraram Macedônio na igreja de São Paulo. E novamente a cidade estava à beira de uma guerra civil.

O imperador estava em Antioquia quando ele soube dos fatos e ordenou Hermógenes, seu general de cavalaria, que fosse à cidade expulsar novamente Paulo. A população não queria que nada violento fosse feito com seu bispo e correu para a casa onde o general estava hospedado. Ela foi incendiada, Hermógenes foi assassinado e seu cadáver foi arrastado para fora do edifício em chamas e arrastado pela cidade em triunfo.

Constâncio não iria deixar por menos esta rebelião contra sua autoridade. Ele cavalgou à toda velocidade de volta à Constantinopla, determinado a punir a população severamente por sua revolta. Porém, ele encontrou o povo de joelhos, com lágrimas nos olhos e se conteve de cortar metade do suprimento de milho. Porém, ele ordenou que Paulo fosse expulso imediatamente.

Atanásio, Patriarca deposto de Alexandria, estava exilado, assim como Marcelo de Ancira e Asclepas de Gaza. Paulo se juntou a eles e foram todos para Roma buscar o apoio do Papa Júlio I, que examinou o caso com profundidade e confirmou que os três estavam firmes no credo de Niceia. Por isso, os admitiu em comunhão e desposou a causa de defendê-los, escrevendo em tons fortes aos bispos do oriente. Atanásio e Paulo recuperaram assim as suas sés. Porém, os bispos do oriente responderam ao Papa de modo geral se recusando a agir como lhes fora aconselhado por ele.

Constâncio, novamente em Antioquia, e estava mais resoluto do que nunca contra a escolha do povo de Constantinopla. Filipus, prefeito do oriente, estava lá e recebeu ordens de, novamente, expulsar Paulo e recolocar Macedônio como patriarca. Filipus não queria correr o risco de acabar como Hermógenes e nada disse ao chegar sobre uma ordem imperial.

Num esplêndido banho público chamado Zeuxippus, junto de um palácio na costa do Helesponto, Filipus pediu que Paulo fosse encontrá-lo para discutir alguns assuntos públicos. Quando ele chegou, Filipus lhe mostrou a carta do imperador e ordenou que ele fosse secretamente enviado, por dentro do palácio, à costa e colocado num barco para ser levado de volta a Tessalônica, sua terra natal. Filipus permitiu que ele posteriormente visitasse prefeitura da Ilíria e outras províncias romanas mais remotas, mas proibiu que ele pisasse novamente no oriente.

Nos anos finais de sua vida, ele foi levado preso para Singara, na Mesopotâmia, depois para Emesa e finalmente para Cucusus, na Armênia, onde ele morreu.


Epístola 

1ª Coríntios 11, 23-29
23.Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão24.e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim.25.Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim.26.Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que venha.27.Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor.28.Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice.29.Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação.



Evangelho 

São João 6, 55-58

55.Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida.56.Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.57.Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim.58.Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente.

Fonte:

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Sobre a Confissão


A Penitência ou Confissão



  • As quatro condições
  • O Ato de Contrição
  • Exame de Consciência


AS QUATRO CONDIÇÕES


Para bem receber o sacramento da penitência são requeridas quatro condições:

1. conhecer os pecados cometidos;
2. estar deles contrito;
3. confessá-los e;
4. cumprir a penitência que o confessor impôs.


ATO DE CONTRIÇÃO


"Meu Deus, estou triste, arrependido, por Vos ter ofendido. Detesto os meus pecados, não apenas por medo do castigo que mereço, mas sobretudo porque Vós sois infinitamente perfeito e bom, e porque o meu pecado Vos desagrada. Tomo a resolução de me corrigir e de evitar as ocasiões de pecado. Nesta contrição quero viver e morrer."



terça-feira, 28 de maio de 2013

A devoção a Maria é um penhor da bem-aventurança


Desde que não lhe ponhamos obstáculos, alcança-nos essa divina Mãe o paraíso, pela eficácia de suas súplicas e de seu patrocínio. Aquele, por conseguinte, que a serve e conta com sua intercessão, está seguro do paraíso, como se já ali estivesse. O servir e ser da sua família, diz Ricardo de S. Lourenço, é das honras a maior; pois, servi-la é reinar no céu, é viver sob suas ordens, é mais que reinar. Pelo contrário, prossegue ele, aqueles que não servem a Maria, não se salvarão; porquanto, destituídos do auxílio da poderosa Mãe, ficam também privados do socorro do Filho e de toda a corte celeste.




Sempre seja, pois, louvada a infinita bondade de nosso Deus, exclama S. Bernardo, que foi servido de constituir Maria nossa advogada no céu, para que ela como Mãe do Juiz e Mãe de Misericórdia trate do grande problema da nossa salvação. Jacó, monge e célebre doutor entre os gregos, diz que Deus colocou Maria como ponte de salvação sobre a qual nos faz atravessar as ondas deste mundo e assim alcançaremos o tranqüilo porto do céu. Daí então a exortação de S. Boaventura*: Ouvi, ó vós, desejosos do reino de Deus: honrai e servi a Virgem Maria, e encontrareis a vida eterna.
Não devem desconfiar de conseguir o reino do céu nem ainda aqueles que só têm merecido o inferno, se se resolverem a servir com fidelidade a esta Rainha. Quantos pecadores — exclama S. Germano — buscaram a Deus por vosso intermédio, ó Maria, e foram salvos! Ricardo de S. Lourenço chama a atenção sobre o texto do Apocalipse (12, 1), no qual se diz estar Maria coroada de estrelas, enquanto que nos Sagrados Cânticos ela aparece rodeada de feras, de leões e de leopardos (Ct 4, 8). Como pode ser isso? É que essas feras — responde o comentador — são os pecadores que pelo favor e pela intercessão de Maria se tornam estrelas do paraíso. Formam assim uma coroa que mais convém para a fronte dessa Rainha de Misericórdia, do que todas as estrelas materiais do céu. Rezando um dia na novena da Assunção, a serva de Deus Sóror Serafina Capri (como se lê na sua biografia), pediu à Santíssima Virgem a conversão de mil pecadores. Mas logo depois temeu fosse talvez muito ousado o seu pedido. Aparece- lhe a Virgem e repreende-a de seu vão receio com as palavras: Por que duvidas? Por acaso não tenho tanto poder para alcançar de meu Filho a salvação de mil pecadores? Pois olha que vou obtê-la agora mesmo. E levada em espírito ao céu por Maria, viu Serafina inúmeras almas de pecadores que tinham merecido o inferno, mas que pela intercessão da Virgem estavam salvos e já gozavam da eterna bem-aventurança.

É certo que nesta vida ninguém pode ter certeza de sua salvação. “Contudo, não sabe o homem se é digno de amor ou de ódio, mas tudo se reserva incerto para o futuro" (Eclo 9, 1). Entretanto, à pergunta de Davi: “Quem, Senhor, habitará em teu tabernáculo?”, responde S. Boaventura*: Pecadores, sigamos as pegadas de Maria, prostremo-nos a seus pés, e não a deixemos até que nos abençoe, porque sua bênção nos será qual penhor do paraíso. Basta, Senhora, escreve Eádmero, que vós queirais salvar-nos, que não poderemos deixar de ser salvos. Garante S. Antonio que as almas patrocinadas por Maria necessariamente se salvam.

Com toda razão, diz S. Ildefonso, profetizou a Santíssima Virgem que todas as nações a chamariam bem- aventurada, porque é por meio de Maria que os eleitos obtêm a eterna bem-aventurança. Sois, ó grande Mãe, princípio, meio e fim de nossa felicidade, exclama S. Metódio. Princípio, porque Maria nos alcança o perdão dos pecados; meio, porque nos obtém a perseverança; fim, porque ela finalmente nos consegue o paraíso. Por vós, prossegue S. Bernardo, foi aberto o céu, foi despojado o inferno, foi restaurado o paraíso: por vós, em suma, foi dada a vida eterna a tantos miseráveis que só a eterna morte mereciam.

Mas, sobretudo, a bela promessa de Maria deve animar-nos a esperar com segurança o paraíso. A todos os seus servos especialmente aos que buscam fazê-la conhecida e amada de todos, por palavras e exemplos fez a seguinte promessa: “Os que trabalham por mim não pecarão; aqueles que me esclarecem terão a vida eterna’ ’ (Eclo 24, 30). Ditosos, pois, aqueles, conclui S. Boaventura*, que adquirem o favor de Maria; estes desde logo serão conhecidos dos bem-aventurados, por seus companheiros; e quem tiver o caráter de servo de Maria, será registrado no livro da vida. De que serve, pois, inquietarmo- nos com as sentenças das escolas sobre se a predestinação para a glória é antes ou depois da previsão dos merecimentos? Se estamos ou não inscritos no livro da vida? Se somos verdadeiros servos de Maria e estamos sob o seu patrocínio, seremos então certamente do número dos eleitos. Pois, conforme S. João Damasceno, a devoção a essa Mãe, Deus concede-a somente àqueles a quem quer salvar. Tal sentença concorda com o que diz o Senhor por boca de S. João: Aquele que vencer... escreverei sobre ele o nome de meu Deus e o nome da cidade de meu Deus (Ap 3, 12). Quem houver de vencer e salvar-se trará escrito no coração o nome da cidade de Deus. Mas quem é essa cidade de Deus senão Maria? A ela refere S. Gregório as palavras do Salmo: Coisas gloriosas se têm dito de ti, cidade de Deus (86, 3).
Bem podemos, por conseguinte, dizer com S. Paulo: Quem tem este sinal, Deus o reconhece por seu (2 Tm 2, 19). Que por isso a devoção para com a Mãe de Deus é indício certíssimo de salvação, afírma-o Pelbarto. O Beato Alano de Rupe, falando da Ave-Maria, disse: Quem honra freqüentemente a Virgem com esta angélica saudação tem um sinal muito grande de predestinação. E o mesmo diz da perseverança na recitação cotidiana do rosário. Além disso, conforme Nieremberg, os servos de Maria não só na terra são mais privilegiados e favorecidos, mas também no céu serão mais distintamente honrados. Aí terão uma veste principesca pela qual serão conhecidos como familiares da Rainha do céu, por pessoal da corte, segundo o dito dos Provérbios: Porque todos os seus domésticos trazem vestidos forrados (31, 21).

Um dia viu S. Madalena de Pazzi numa visão uma barquinha no meio do mar. Nela estavam refugiados todos os devotos de Maria, que, fazendo ofício de piloto, seguramente os conduzia ao porto. Compreendeu logo a Santa que quantos no meio dos perigos desta vida vivem sob a proteção de Maria, todos são preservados do naufrágio do pecado e da condenação; porque Maria seguramente os guia ao porto do paraíso. Tratemos, pois, de entrar nessa bendita nau que é a proteção de Maria; aí fiquemos na certeza da eterna bem-aventurança, como a Igreja canta: Santa Mãe de Deus, todos aqueles que hão de participar dos gozos eternos habitam em vós, vivendo sob a vossa proteção.
Exemplo


Conta-se nas Crônicas Franciscanas que Frei Leão viu uma vez em visão duas escadas, uma branca e vermelha a outra. Sobre a última estava Jesus Cristo e sobre a primeira estava sua Mãe Santíssima. Reparou como alguns tentavam subir pela escada vermelha. Mas caíam logo depois de subirem alguns degraus; tornavam a subir e outra vez caíam. Foram avisados de que deviam subir pela escada branca, e por essa os viu subir felizmente, porquanto a Santíssima Virgem lhes dava a mão, e assim chegavam seguros ao paraíso.

Nota — Essa visão é como um comentário para as palavras que Leão XIII e Bento XV haviam de escrever: “Como só pelo Filho nós chegamos ao Pai, assim ao Filho ninguém chega senão por meio de sua Mãe” (Nota do tradutor).

Oração
Ó Rainha do paraíso, Mãe do santo amor, sois entre todas as criaturas a mais amável, a mais amada por Deus e aquela que mais o ama. Consenti que também vos ame um pecador, que é o mais ingrato e miserável dos que vivem na terra. Por vosso intermédio, vejo-me livre do inferno e sem mérito algum de tal modo cumulado de benefícios por vós, que agora me sinto todo enamorado de vós.
Quereria, se pudesse, fazer saber a todos quantos vos não conhecem, quão digna sois de ser amada, para que todos vos conhecessem e amassem. Quereria também morrer por vosso amor, em defesa de vossa virgindade, de  vossa dignidade de Mãe de Deus, de vossa Imaculada Conceição, se fosse preciso dar a vida para defender essas vossas sublimes prerrogativas.

Ah! Mãe diletíssima, aceitai o meu afeto e não permitais que um vosso servo, que vos ama, venha a ser inimigo de vosso Deus, a quem tanto amais. Ai de mim! que tal já fui, quando ofendi a meu Senhor. Mas então, ó Maria, eu não vos amava, nem buscava vosso amor. Agora, porém, nada mais desejo, depois da graça de Deus, que amar a minha Rainha e ser honrado com o seu amor. Minhas culpas passadas não me fazem perder a confiança, pois sei que vos dignais amar, é benigníssima e gratíssima Senhora, até os mais miseráveis pecadores que vos amam, e sei também que por ninguém vos deixais vencer em amor.

Ah! Rainha amabilíssima, quero ir amar-vos no céu. Aí, prostrado a vossos pés, melhor conhecerei como sois amável e quanto tendes feito para minha eterna bem- aventurança. Por isso então muito mais vos ei de amar, sem receio de deixar de o fazer algum dia. Ó Maria, tenho a esperança de salvar-me por vosso auxílio. Rogai a Jesus por mim. Nada mais vos peço. A vós compete salvar-me: sois minha esperança. Quero, portanto cantar sempre: Ó Maria, esperança minha, por vós verei a Deus um dia.


(Glórias de Maria – Santo Afonso Maria de Ligório)

Fonte:

É sua 1ª vez na Missa Tridentina?

Salve Maria!
Se você ainda não assistiu a uma Missa Tridentina (também conhecida como “Missa de Sempre” ou ainda “Missa Antiga”), quatro aspectos lhe chamarão a atenção visual e a auditiva:

✤ visual: sacerdote voltado para o Altar e o Crucifixo atrás do Altar.
✤ auditiva: o silêncio e o uso do latim ao longo da celebração.

O Sacerdote voltado para o Altar: O padre está voltado para o Tabernáculo e para o Altar, uma vez que ele oferece o Santo Sacrifício da Missa. Alguns podem, a princípio, pensar que o padre dá as costas às pessoas. O que acontece, porém, é que o padre e os fieis estão voltados para o Altar ou versus Deum – para DEUS - e juntos oferecem suas orações durante a Missa. O Sacerdote vai a frente, conduzindo e liderando os fieis, em uma bela peregrinação até DEUS.

O Crucifixo: O Crucifixo fica atrás do Altar, lembrando-nos que aquele sacrifício da Cruz e o sacrifício da Missa são o mesmo sacrifício.

O Silêncio: As pessoas entram na Igreja em silêncio, para mostrar reverência pelo Santíssimo Sacramento no Tabernáculo e para se prepararem, sempre em silêncio, para a Missa. Também há períodos de silêncio durante o Canôn da Missa, enquanto o sacerdote está rezando silenciosamente no Altar. O silêncio deve ser guardado também depois da Missa, ao sair da igreja.

A Língua Latina: Com exceção do sermão, o padre reza toda a Missa em latim, a língua oficial da Igreja Católica Apostólica Romana. O Ordinário da Missa (ou Missal Romano Quotidiano) contém as orações fixas da Missa. Na mesma página, você encontrará as orações em latim (a direita) e em português (a esquerda), isso lhe ajudará a acompanhar a Missa. Além disso, ao final, encontram-se alguns cantos que poderão ser entoados na Missa. A Epístola e o Evangelho mudam de dia para dia, conforme o calendário litúrgico da Igreja e nos auxiliam no culto a DEUS. Com o tempo, você aprenderá a manejar o Missal, que é dispensável, se preferir acompanhar a Missa em silêncio ou rezando o terço.

* O site Missa Gregoriana, importante fonte de informações sobre a Missa Tridentina, disponibiliza uma pequena explicação sobre a pronúncia dos fonemas em latim, bem como o áudio do Canôn da Missa, tanto a parte que cabe ao Sacerdote, como as respostas dos fiéis, para treinar ouvido pronúncia. Você verá o quão suave é o latim litúrgico, que imprime uma dignidade adicional à Santa Missa. Há fieis que se acostumam logo de cara, outros levam mais tempo, mas o nosso Português tem a vantagem de ser próximo ao latim, e, com o tempo, acompanhar a Missa passa a ser fácil.

Acompanhando a Missa

Como mencionado acima, há aquelas leituras e orações que mudam de acordo com o calendário litúrgico e nos auxiliam no culto a Deus. Entretanto, na obra de São Leonardo de Porto Maurício, que escreveu um breve tratado sobre as Excelências da Missa, podemos encontrar inspiração para adotar com fervor um método de assistir à Santa Missa Gregoriana. Também é disponibilizado um escrito de Santo Afonso Maria de Ligório intitulado A Grandeza do Santo Sacrifício da Missa.

O que eu devo fazer?

✤ De pé, sentado ou ajoelhoado?

Se você está indeciso ou não sabe quando ficar de pé, sentar-se ou ajoelhar, e se o Missal não traz as marcações, simplesmente siga aqueles à sua volta.

✤ As Respostas:

Na Missa Tridentina, os coroinhas respondem para o Sacerdote. A forma mais importante de participação dos fiéis é a participação interior, por meio da qual prestamos atenção à Missa e elevamos nossos corações e mentes em oração silenciosa. Contudo, se você desejar se unir àquelas respostas e está familiarizado com a pronúncia das respostas em latim, você poderá fazê-lo onde está indicado no Missal, pelo símbolo: R.



A Santa Comunhão

Na Missa Tridentina, se recebe a comunhão de joelhos, na mesa de comunhão. Quem não puder ajoelhar-se, pode obviamente receber a comunhão de pé. A nossa Capela tem, mas se a igreja não tiver a mesa de comunhão, via de regra se usa o degrau do altar. Observe onde os fiéis se ajoelham para comungar e faça o mesmo.
Recebe-se a Hóstia sobre a língua (na boca), não nas mãos. Além disso, não se responde “Amém” para o padre; ele o fará por você enquanto você recebe a Santa Comunhão.

A Igreja Católica Apostólica Romana permite receber a Comunhão ao Católico que estiver em estado de graça, guardar o jejum eucarístico e saber Quem vai receber. Está em estado de graça aquele católico que se confessou validamente de todos os pecados mortais ao padre antes da Missa. 

Em que consiste o jejum eucarístico?
O jejum eucarístico é o fato de se comungar sem nenhum alimento comum no estômago, em honra à Santíssima Eucaristia.
O espírito do jejum eucarístico é de receber a Santa Comunhão como primeiro alimento do dia. Quando o Papa Pio XII modificou a disciplina do jejum eucarístico, devido à guerra, salientou que todos os que podiam deviam praticar esse jejum, chamado natural: só tomar alimento depois da comunhão. Quem assiste à Santa Missa cedo pode, muitas vezes, praticar esse jejum.
Apesar da lei eclesiástica em vigor determinar apenas uma hora antes da comunhão para o jejum eucarístico, todos os padres sérios pedem a seus fiéis que se esforçem para deixar três horas, visto que uma hora não chega a ser nem mesmo um sacrifício.
Caso as crianças ou pessoas debilitadas precisarem tomar algo antes da comunhão, com menos de três horas, procurem, ao menos, tomar apenas líquido, um copo de leite, por exemplo.
É sempre bom lembrar que a água pura não quebra o jejum. 

Porém, tendo se alimentado com menos de uma hora antes da hora da comunhão, não se deve, de modo algum, se aproximar do Altar.

Que pecado comete quem comunga em pecado mortal?
Quem comunga em pecado mortal comete um grave pecado chamado sacrilégio.

O que deve fazer quem deseja comungar e encontra-se em pecado mortal?
Quem deseja comungar e encontra-se em pecado mortal não pode receber a Comunhão sem recorrer antes ao sacramento da Penitência, pois para comungar não basta o ato de contrição.

É importante lembrar que a parte principal da Missa é o Sacrifício incruento de Nosso Senhor sobre o Altar. Na impossibilidade de se confessar para comungar, o fiel pode fazer o que se chama de comunhão espiritual.

Santo Afonso Maria de Ligório apresenta-nos uma oração belíssima que nos ajuda a entender como é essa comunhão espiritual:

“Creio ó meu Jesus, que estais presente no Santíssimo Sacramento. Amo-vos sobre todas as coisas e desejo-vos possuir em minha alma. Mas como agora não posso receber-vos sacramentalmente, vinde espiritualmente ao meu coração. E, como se já vos tivesse recebido, uno-me inteiramente a vós, não consintais que de vós me aparte”.

Vestimenta

É solicitado a todos – homens e mulheres – que venham à Missa vestidos como requer a modéstia católica, uma vez que:

✤Estamos na presença do Santíssimo Sacramento; e
✤As nossas roupas não devem causar distração àqueles que estão em nossa volta.

Homens e mulheres estão convidados a se apresentarem com roupas que demonstrem respeito e veneração pela a dignidade do Mistério que se celebra – o Sacrifício Incruento de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre o Altar - e a terem um comportamento nobre e respeitoso. Dispensam-se, assim, toda conversa, toda bermuda, todo short, todo decote, mangas cavadas, todas as roupas transparentes, justas e acima dos joelhos e o uso de celulares. As mulheres usem vestido/saia. 
Ninguém que não esteja adequadamente trajado pode, a princípio, ser expulso de uma igreja. A caridade manda acolher a todos. Contudo, espera-se que as pessoas tenham o bom senso de entender o por que de usar de modéstia e decoro dentro de uma igreja e evitem chamar a atenção para si. A pessoa que mais importa na Missa é Nosso Senhor. A Ele devem ser dirigidos todos os olhares.
Abro um parêntese para falar um pouco sobre os trajes: 

Para os homens, o bom gosto e a modéstia, juntos, indicam que devem escolher cores sóbrias em suas vestimentas e evitar o estilo esportivo, que não é adequado nem mesmo em ocasiões festivas. O estilo esportivo é para praticar ou assistir a esportes. O ideal seria o traje passeio completo, tendo em vista que uma Missa pode ser comparada, em termos de vestimenta, a um evento social de importância relevante. Mas, dentro das possibilidades de cada um, pode-se optar (até por ser mais adequado a nosso clima campograndense) pelo chamado traje passeio ou tenue de ville (traje esporte fino é uma denominação que não existe): 
Mais caprichado que o traje esporte, mas não tão sofisticado quanto o passeio completo ou social, mesmo durante o dia não dispensa o blazer, com ou sem gravata. Se for de terno (mais aconselhável) pode utilizar cores mais claras. À noite o terno é escuro. As camisas podem ter botão no colarinho e os sapatos podem ser de amarrar. Pode usar um modelo menos clássico e evite sapatos com brilho (como os envernizados). Modelos com pesponto ou bico quadrado são uma opção moderna para fugir do estilo clássico, sem perder a elegância. Com roupas claras prefira os tons de marrom que combinam melhor, sem risco de comprometer o seu visual (Maximu's Rigor).
Para as mulheres, infelizmente, o mesmo site não serve, porque a "moda" alterou o significado dos termos "passeio" ("tenue de ville") e "passeio completo" para as senhoras e senhoritas, levando-as a vestir trajes imodestos e de gosto duvidoso. Contudo, mesmo ao usar saias e vestidos, as mulheres devem usar de bom senso, para não acabar atraindo a atenção sobre si pelo mau gosto. Escrúpulo não é virtude. Deselegância não é virtude. Para ser modesta, uma mulher/moça não deve necessariamente deixar de ser atraente e se vestir como uma hippie, por exemplo, com saias longas demais, que acabam se sujando, ao serem arrastadas pelo chão. A se levar ao pé da letra a "moda antiga", o certo seria que as mulheres se vestissem, hoje, como se vestia Nossa Santíssima Mãe, mas o bom senso nos diz que isso não se deve fazer. Assim, evitem usar roupas de 1920, porque não há virtude nenhuma em chamar a atenção dessa forma. Basicamente, a modéstia pede roupas que fujam da "última moda",que cubram a pele e não exponham partes do corpo da mulher que, durante a Missa, possam atrair a atenção dos homens e o olhar (de inveja ou deploração) das outras mulheres. Li em algum lugar que o véu traz certa invisibilidade à mulher, porque somente Nosso Senhor deve atrair as atenções de todos na Missa. Modéstia no vestir deve traduzir essa invisibilidade.
Passeio ou tenue de ville feminino: Vestidos (saias) em tecidos leves, tailleur. Sapatos de salto médio ou alto. Jóias ou bijuterias discretas que combinem com a roupa. Maquiagem discreta para o dia e um pouco mais intensa para noite. Tecidos: linho, seda, crepe, viscose, musseline, organza, javanesa, etc. Para o dia, é mais clássico e discreto; para noite, é mais requintado. 
Passeio completo feminino: Os modelos dos vestidos e das saias são mais sofisticados, aceitam um pouco de brilho (a noite), os tecidos, embora não mudem muito na texutra (linho, seda, crepe, viscose, musseline, organza, microfibra, etc.), ganham em sofisticação e cores. Sapatos podem ser de salto médio ou alto (sem exageros). Bijuterias ou jóia mais incrementadas. Jóias, bijuterias e maquiagem acompanham o estilo do traje escolhido, sendo mais discreto de dia e mais elaborado à noite. Aqui, pode-se usar luvas curtas ou três quartos e chapéus: de abas largas para ambientes abertos e de abas curtas para lugares fechados.

* Sobre o uso da calça pelas mulheres, falaremos em um post a parte. De qualquer maneira, não se comunga de calça e sem véu.

VÉU:
As mulheres devem usar o véu na igreja. Isso é determinação de São Paulo Apóstolo, na Sagrada Escritura. Assim, as mulheres são encorajadas a usarem um lenço longo ou uma echarpe, na impossibilidade de se conseguir um véu. Ao fazerem isso, estarão expressando sua humildade e pureza diante de DEUS. 
Não há uma regra sobre a cor, mas costuma-se usar branco para as moças e preto para as senhoras casadas e viúvas. Os véus coloridos não são proibidos, mas se deve usar de bom senso e evitar cores berrantes, que chamem a atenção e distraiam os fieis durante a Missa.  
* A nossa Capela empresta véus para a Missa àquelas senhoras/senhoritas que ainda não têm um véu.  

Após a Missa
Você pode querer permanecer um pouco mais depois de Missa, para a ação de graças ou simplesmente para fazer companhia ao Santíssimo.
Aqueles que desejarem conversar são encorajados a fazê-lo do lado de fora da igreja, em voz baixa, em respeito ao Santíssimo.

Fonte:

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Pela devoção a Maria salvaram-se os bem-aventurados



Os servos de Maria têm um belíssimo sinal de predestinação. Para confortá-los, a Santa Igreja aplica à Mãe de Deus o texto do Eclesiástico: Em todos estes busquei o descanso e assentarei a minha morada na herança do Senhor (24, 14). O Cardeal Hugo comenta: Feliz daquele em cuja morada a Santíssima Virgem encontra o lugar de seu repouso. Maria ama a todos os homens e quereria ver sua devoção reinar no coração de todos os fiéis. Muitos ou não a recebem ou não a conservam. Feliz de quem a recebe e conserva fielmente. “Assentarei a minha morada na herança do Senhor”, isto é, — segundo Pacciucchelli — a devoção à Santíssima Virgem ostenta-se em todos os que no céu formam a herança do Senhor e lá eternamente o louvam. E mais adiante lemos: Aquele que me criou descansou no meu tabernáculo e me disse: Habita em Jacó e possui a tua herança em Israel, e lança raízes nos escolhidos (Eclo 24, 12 e 13). Isto quer dizer: Meu Criador dignou-se vir repousar em meu seio, e quis que eu habitasse no coração de seus eleitos (dos quais Jacó foi figura), que são minha herança. Determinou que deitassem profundas raízes em todos os predestinados a devoção e a confiança para comigo.

domingo, 26 de maio de 2013

Maria livra as almas do purgatório



Mas a Santíssima Virgem não só favorece e consola os seus devotos, como também os tira e livra do purgatório com a sua intercessão. No dia da sua Assunção esvaziou- se o purgatório, como escreve Gerson. Idêntica é também a opinião de Novarino, que a baseia em graves autores. Segundo ele Maria, no momento de ser elevada ao céu, pediu a seu amado Filho a graça de consigo levar logo todas as almas, que então se achavam no purgatório. Desde então, diz Gerson, está Maria na posse do privilégio de livrar os seus devotos daquelas penas. E isso o afirma também absolutamente S. Bernardino de Sena. A seu ver tem Maria a faculdade de livrar com suas súplicas e com a aplicação de seus merecimentos as pobres almas, especialmente as de seus devotos. Do mesmo parecer declara- se Novarino, dizendo que pelos merecimentos de Maria não só se tornam mais leves, mas também mais breves as penas dessas almas, apressando-se com a intercessão da Santíssima Virgem o tempo de expiação. Basta que ela formule um pedido nesse sentido.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Maria consola as pobres almas do purgatório



Muito felizes são os devotos desta piedosíssima Mãe. Pois ela não só os socorre neste mundo, mas também no purgatório são assistidos e consolados com a sua proteção. Por terem essas almas maior precisão de socorro, empenha-se a Mãe de Misericórdia com zelo ainda mais intenso em as auxiliar. Elas muito padecem e nada podem fazer por si mesmas. Diz S. Bernardino de Sena que Maria Santíssima tem nesse cárcere das esposas de Jesus Cristo certo domínio e pleno poder, tanto para aliviá-las como também para livrá-las completamente daquelas penas.

Em primeiro lugar traz alívio às almas. O sobredito Santo aplica-lhe as palavras do Eclesiástico: Caminho por sobre as ondas do mar (28, 8). Isto é, visitando e assistindo meus devotos em suas aflições. Compara ele às ondas as penas do purgatório, porque são transitórias e por isso diferentes das do inferno, que nunca passam. Chama-as as ondas do mar, porque são penas muito amargosas. Os devotos de Maria, aflitos com estas penas, são por ela visitados e socorridos freqüentemente. Eis aqui, pois, quanto importa, diz Novarino, ser fiel servo desta boa Senhora, que não se esquecerá de nós quando padecermos naquelas chamas. Embora Maria socorra todas as almas que penam, contudo obtém para seus devotos mais indulgência e maior alívio.

Revelou Nossa Senhora a S. Brígida: Eu sou a Mãe de todas as almas do purgatório; pois por minhas orações lhes são constantemente mitigadas as penas que mereceram pelos pecados cometidos durante a vida. Digna-se até essa Mãe piedosa entrar naquela santa prisão para visitar e consolar suas filhas aflitas. “Penetrei no fundo do abismo” (Eclo21,8), isto é, do purgatório — como explica S. Boaventura — para consolar com minha presença essas santas almas. Oh! como é boa e clemente a Santíssima Virgem, exclama S. Vicente Ferrer, para as almas do purgatório, que por sua intercessão recebem contínuo conforto e refrigério! E que outra consolação lhes resta em suas penas, senão Maria e o socorro dessa Mãe de miseri-córdia? Ouviu S. Brígida dizer Jesus Cristo a sua Mãe: És minha Mãe, és a Mãe de Misericórdia, és o consolo dos que sofrem no purgatório. A mesma Santa revelou a Santíssima Virgem: Um pobre doente, aflito e desamparado numa cama, alenta-se ao ouvir palavras de consolo e conforto. Assim também as almas do purgatório enchem-se de alegria, só em ouvir pronunciar o nome de Maria. — O nome só de Maria, nome de esperança e de salvação, que continuamente invocam naquele cárcere, lhes dá um grande conforto. Apenas a amorosa Mãe as ouve invocá- la, logo faz coro com as suas preces. Ajuda-as o Senhor, então, refrigerando-as com um celeste orvalho nos grandes ardores que padecem.

(Glórias de Maria – Santo Afonso Maria de Ligório)

Fonte:

Fora da Igreja não há salvação!






Fora da Igreja não há salvação!



"Lançai fora a ímpia e funesta opinião de que, em qualquer religião, é possível chegar ao caminho da salvação eterna" (Papa Pio XI)

Leia o artigo pelo link abaixo: 

terça-feira, 21 de maio de 2013

O Espírito Santo, a Virgem Maria e a Comunhão Eucarística



O Espírito Santo foi o agente divino da Encarnação. Preparou Maria para a dignidade de Mãe de Deus, preservando-A de toda mancha em sua Conceição Imaculada, semeando em sua alma desde esse instante as mais belas virtudes e cultivando-a depois.

Ao soar o momento de formar e animar o Corpo de Jesus, tornou fecundo o seio da Santíssima Virgem, continuando a habitar n'Ela após a execução desse mistério, e cobriu-A com sua sombra a fim de temperar os ardores do Sol divino que Ela trazia em si.

Ora, a Eucaristia, pela Comunhão associa-nos à glória de Maria e às alegrias de sua maternidade, e o Espírito Santo desempenha em nós igual mister que na Encarnação.

Procuremos portanto nos unir ao divino Espírito Santo quando formos comungar, e nos lembremos de que a disposição que Ele espera de nós é a de Maria ao exclamar: "Ecce Ancila Domini" (Lc 1,38).

Que o Espírito Santo nos prepare para a Comunhão, fale por nós e agradeça a Jesus em nosso nome, e que, por meio d'Ele, se estabeleça o reinado de Jesus em nós.

S. Pedro Julião Eymard, Flores da Eucaristia.

Santa Catarina de Sena sobre a fidelidade à Santa Igreja em meio aos seus inimigos



Procura perceber com dor e amargura, minha filha, as trevas que desceram sobre a santa Igreja atualmente. O auxílio humano parece não existir. Tu e os demais servidores de Deus devereis invocar o auxílio divino. E cuida de não ser negligente, porque é hora de estar em vigília, não de dormir. Sabes que quando o inimigo está às portas, se os guardas da cidade dormem, não há dúvida que serão derrotados. Estamos rodeados de inimigos e tu sabes que o mundo, nossa fraqueza e o demônio com muitas tentações não dormem jamais e estão sempre preparados para ver se estamos dormindo, para penetrar como ladrões e roubar na cidade da alma. 

Também a hierarquia da santa Igreja está circundada de inimigos. Assim tu vês que as pessoas postas como colunas e sustentáculos da santa Igreja tornaram-se perseguidores, caindo na heresia. Portanto, não é hora de dormir, mas de derrotá-los com a vigília de oração, lágrimas, suor, amorosos anseios e contínua oração. Como filha fiel da santa Igreja, pede e obriga nosso altíssimo e bondoso Deus a providenciar socorro para a santa Igreja nessa necessidade. Pede a Deus que dê forças ao santo pai e o ilumine. Falo do papa Urbano VI, que é o verdadeiro papa e o representante de Cristo na terra. Assim afirmo e devemos afirmar diante do mundo inteiro. E se alguém disser o contrário, por nenhum modo podemos acreditar, preferindo a morte.

Lava-te no sangue, para que escrúpulo algum, nem temor servil, penetrem na tua alma. Escondamo-nos na chaga do peito de Cristo crucificado, onde encontraste muito sangue. Por outros caminhos andaremos no escuro e seremos egoístas. Refletindo que não há outra estrada, disse que estava desejosa de te ver banhada e afogada no sangue de Cristo crucificado. Permanece no santo e doce amor de Deus.

Jesus doce, Jesus Amor

Santa Catarina de Sena para Daniela de Orvieto, Cartas Completas.

Carta de S. João da Cruz a um seu filho espiritual




***

A paz de Jesus Cristo esteja sempre em sua alma, filho.

Recebi a carta em que Vossa Reverência me fala sobre os grandes desejos que Nosso Senhor lhe concede, para aplicar exclusivamente nele a sua vontade, amando-o sobre todas as coisas, e na qual me pede alguns conselhos que o auxiliem a consegui-lo.

Folgo muito de que Deus lhe tenha dado tão santos desejos e muito mais folgarei de que os ponha em prática. Para isso é necessário ter bem presente que todos os gostos, gozos e afeições da alma nascem sempre da vontade e querer das coisas que se lhe oferecem como boas, convenientes e deleitáveis por lhe parecerem elas gostosas e preciosas; e, segundo isto, se movem os apetites da vontade em relação a elas e as espera, nelas se deleita quando as possui, receia perdê-las e sofre vendo-se sem elas; e, assim, segundo as afeições e gozos das coisas, anda a alma perturbada e inquieta.

Portanto, para aniquilar e mortificar estas afeições de gosto acerca de tudo o que não é Deus, deve Vossa Reverência notar que tudo aquilo de que a vontade pode gozar distintamente é o que é suave e deleitável, por lhe parecer isso saboroso; mas nenhuma coisa agradável e suave em que ela possa gozar e deleitar-se é Deus, porque assim como Deus não pode ser apreendido pelas demais potências, tampouco pode ser objeto dos apetites e gostos da vontade, porque assim como nesta vida a alma não pode saborear a Deus essencialmente, assim também toda a suavidade e deleite que experimentar, por sublime que seja, não pode ser Deus; e também porque tudo o que a vontade pode gostar e apetecer distintamente provém do conhecimento adquirido por meio de tal ou tal objeto.

E, assim sendo, como a vontade nunca saboreou a Deus tal como ele é, nem o conhece sob qualquer apreensão de apetite, e, por conseguinte, não sabe como Deus é, não pode saber qual é o seu sabor, nem pode o seu ser, apetite e gosto chegar a saber apetecer a Deus, pois está acima de toda a sua capacidade, logo, claro está que nenhuma coisa distinta, de quantas a vontade pode gozar, é Deus. Por isso, para unir-se a ele se há de esvaziar e desapegar de qualquer afeto desordenado de apetite e gosto de tudo o que distintamente pode gozar, tanto celeste como terreno, temporal ou espiritual, a fim de que purgada e limpa de quaisquer gostos, gozos e apetites desordenados toda ela se empregue em amar a Deus e para ele dirija todos os seus afetos.

Porque se de alguma maneira pode a vontade atingir a Deus e unir-se com ele, não é por qualquer meio apreensivo do apetite e sim pelo amor; e como não é amor o deleite e suavidade, ou qualquer gosto que a vontade possa experimentar, segue-se que nenhum dos sentimentos saborosos pode ser meio adequado para que a vontade se una a Deus, mas unicamente operação da vontade, pois há grande diferença entre a operação da vontade e o seu sentimento: pela operação une-se com Deus e nele põe o seu termo, o que é amor, e não pelo sentimento e apreensão do seu apetite, que se assenta na alma como fim e remate. Os sentimentos não podem servir de moção para amar, se a vontade quer passar adiante e nada mais. De si os sentimentos são saborosos e não encaminham a alma para Deus, antes, a fazem deter-se neles mesmos, porém, a operação da vontade que é amar a Deus, só nele põe o afeto, gozo, gosto, contentamento e amor da alma, afastadas todas as coisas, e amando-o acima de todas elas.

De onde vem que se alguém se move a amar a Deus não por causa da suavidade que sente, já deixa atrás essa suavidade e põe o amor em Deus, a quem não sente; porque se o pusesse na suavidade e gosto que experimentou, reparando e detendo-se nele, isto seria pô-lo em criatura ou coisa referente a ela, e transformar o motivo em fim e termo. Por conseguinte, a obra da vontade seria viciosa; e sendo Deus inacessível e incompreensível, a vontade não há de pôr a sua operação de amor - para a pôr em Deus - naquilo que o apetite pode tocar e apreender, mas no que não pode compreender nem alcançar por meio dela. E, desta maneira, a vontade fica amando com fundamento e deveras, ao gosto da fé, também em vazio e desprendimento e às escuras de seus sentimentos sobre todos os que ela poe alcançar com o entendimento de suas inteligências, crendo e mando além de tudo quanto pode entender.

E, assim, muito insensato seria aquele que, por lhe faltar a suavidade e deleite espiritual, pensasse que por isso lhe falta Deus, e, quando a tivesse, se regozijasse e deleitasse pensando que por isso possuía a Deus. E mais insensato ainda seria se andasse a buscar esta suavidade em Deus e se se dispusesse a deleitar-se e a deter-se nela, porque desta maneira já não andaria buscando a Deus com a vontade fundada em desnudez de fé e caridade, mas estaria indo ao encalço do gosto e suavidade espiritual, que é criatura, deixando-se, assim, arrastar pelo seu gosto e apetite. E deste modo, já não estaria amando a Deus puramente, sobre todas as coisas - que consiste em concentrar nele toda a força da vontade - porque apegando-se e apoiando-se àquela criatura com o apetite, não se eleva a vontade por ela até Deus, que é inacessível, já que é coisa impossível que a vontade consiga chegar à suavidade e deleite da divina união, nem chegue a prelibar os doces e deleitosos abraços de Deus, a não ser em desnudez e vazio de apetite em todo o gosto particular, quem se trate de coisas celestes quer das terrenas. Foi o que Davi quis significar (Sl 80,11) quando disse: "Dilata os tuum, et implebo illud".

Convém, pois, saber que o apetite é a boca da vontade, a qual se dilata quando não se embaraça nem se ocupa com qualquer bocado de algum gosto; porque quando o apetite se apega a alguma coisa, nisso mesmo se restringe, pois fora de Deus tudo é estreiteza. E assim, para que a alma acerte no caminho para Deus e se una a ele já de ter a boca da vontade aberta apenas para o mesmo Deus, vazia e desapropriada de todo bocado de apetite, a fim de que ele a encha e replene de seu amor e doçura, conservando essa fome e sede de Deus só, sem querer satisfazer-se com outra coisa, pois aqui na terra não se pode saborear a Deus tal como ele é, e mesmo aquilo que se pode saborear (se interfere o apetite, digo), também o impede. Isso ensinou Isaías (55,1) ao dizer: "Todos vós que tendes sede, vinde às águas etc."; por essas palavras convida os que têm sede exclusivamente de Deus e estão desprovidos da prata do apetite, para que bebam à saciedade das águas divinas da união com Deus.

Convém, pois, muita a Vossa Reverência, e é de grande importância, se deseja gozar de grande paz na sua alma e chegar à perfeição, entregar-lhe inteiramente a sua vontade para assim se unir a ele e não a empregar nas coisas vis e mesquinhas da terra.

Sua Majestade o faça tão espiritual e santo quanto eu desejo.

De Segóvia, 14 de abril.

FREI JOÃO DA †

Fonte: