domingo, 30 de junho de 2013

CATEQUESE: Os Esplendores da Fé

Esplendores da Fé - Introdução preparatória sobre a Fé católica

Fé e Razão

Desde o princípio desta obra procurarei falar da fé dogmática e moral. O primeiro passo que procurarei fazer, será estabelecer que esta fé é absolutamente necessária, e que, infelizmente! ela é muito rara. Ora, eu seria vago e não seria compreendido, se não definisse nitidamente, a princípio, a Fé que eu quero fazer resplandecer.

Eu a definirei, pois, nesse primeiro capítulo. 

Peço a todos, sem excluir aqueles que não creem, para ler atentamente, começando, para reler mais atentamente, terminando, essa exposição elementar da fé. 

Ouso mesmo convidá-los a recitar com simplicidade as breves orações nas quais se resume o exercício da vida cristã. Isso será uma excelente preparação para a difícil e longa campanha que iremos fazer juntos.

As orações fundamentais da fé cristã são divinas, e ditadas por um amor imenso pela humanidade. Aquela, sobretudo, que saiu da própria boca do Salvador dos homens, respira ao mesmo tempo uma inocência e uma habilidade infinitas. Quem não consentiria, por menos que se feche por um instante os ouvidos ao barulho das más paixões, em dizer para Deus em toda a sinceridade de sua alma: Santificado seja vosso nome. O nome de Deus é o mais belo, o mais glorioso, o mais doce dos nomes! Venha a nós o vosso reino! o reino de Deus é o reino da bondade, da justiça, da felicidade! Que seja feita vossa vontade! a vontade de Deus é a vontade santa, perfeita e indulgente ao excesso. Ora, basta que a alma se abra completamente a esses sentimentos tão naturais, para que ela seja imediatamente reconciliada com Deus, pura e santa, completamente pronta para ceder às influências vivificantes da fé. 

Qual coração humano, cessando por um instante ao mal, não se sentirá feliz por dizer: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, os pecadores, agora e na hora de nossa morte. Ora, quando ele se permitir ouvir esse grito de piedade e de esperança, ele acreditará!

Portanto, rezem, caros leitores, supliquem, e meu livro produzirá em vós os frutos de bênção que eu espero dele. 

Esta síntese do dogma e da moral católica é difícil à inteligência e rude de se entender, mas não poderia omiti-la. Meu livro é um ato de obediência a uma inspiração não humana, mas sobrenatural! Eu não espero nada de mim, mas tudo de Deus, que é minha luz e minha força! E Deus me autoriza a dizer aos meus irmãos bem-amados, com o anjo do Apocalipse: Pegue esse livro, devora-o; ele te será amargo nas entranhas, mas, na boca, doce como o mel. Accipe librum, et devora illum: et faciet amaricari ventrem tuum, sed in ore tuo erit dulce tanquam mel

I - Deus é, e Ele é UM. Deus é o ser necessário, Aquele que é, puro espírito, eterno, imenso, onipotente, infinitamente perfeito, bom, justo, e santo; por quem e em quem tudo é, tudo se move, tudo vive; que está por toda parte, que vê tudo, que conhece tudo, até os pensamentos mais secretos dos espíritos, até os movimentos mais escondidos dos corações. 

II - Há em Deus três pessoas realmente distintas: a primeira, o Pai; a segunda, o Filho; a terceira, o Espírito Santo. O Filho é engendrado do Pai; o Espírito Santo procede do Pai e do Filho. O Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. E não são três Deuses, mas apenas um Deus em três pessoas, em uma mesma natureza ou mesma essência divina: este é o mistério da Santíssima Trindade

III - Deus criou o céu, a terra, e tudo o que o céu e a terra contêm; Ele criou tudo do nada, somente por sua vontade: este é o mistério da Criação.

Deus criou os anjos, espíritos puros e livres. Uns, os anjos maus, os demônios, abusando de sua liberdade, se revoltaram contra Deus, por orgulho, e sofrem no inferno o castigo de sua revolta. Os outros, os santos anjos, fiéis a Deus, o adoram, o amam, o servem na felicidade eterna dos céus. Deus criou o homem, espírito e corpo, inteligente e livre, com esse mesmo propósito de conhecê-lo, de amá-lo, de servi-lo, de merecer a felicidade sobrenatural da eternidade. 

IV - Adão e Eva, o primeiro homem e a primeira mulher, foram colocados no paraíso terrestre. Após um tempo de provação fixado por Deus, eles deveriam, sem morrer, entrar em posse da felicidade sobrenatural dos céus. Mas eles desobedeceram e comeram o fruto proibido. Imediatamente decaídos da vida da graça e da justiça original, eles se tornaram inclinados ao mal... Expulsos do paraíso terrestre, condenados ao cansaço, ao sofrimento e à morte, eles caíram sob o poder do demônio, que os tinha encorajados em sua desobediência. Esse castigo e suas consequências funestas, a ignorância, a concupiscência, a privação da graça santificante, atingiram toda a posteridade de Adão e Eva. Todos nascemos culpados, excluídos da felicidade sobrenatural dos céus: este é o dogma e o mistério do Pecado Original

V - Deus teve misericórdia do gênero humano. Para nos devolver nossos direitos à herança celeste, para nos livrar da escravidão do demônio e do pecado, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Filho de Deus, se dignou em se fazer homem, tomando um corpo e uma alma semelhantes às nossas. Essa união íntima, em uma única pessoa, da divindade e da humanidade, é um mistério profundo: o mistério da Encarnação.

VI - O Filho de Deus feito homem teve como mãe a bem-aventurada Maria, da tribo de Judá, da família de David, imaculada em sua concepção e sempre virgem. Concebido do Espírito Santo pela virtude onipotente do Altíssimo, ele nasceu na noite de 25 de dezembro, chamada noite de Natal. Ele teve por abrigo, um estábulo, e por berço, um presépio. Oito dias depois de seu nascimento, ele foi circuncidado e lhe deram o nome Jesus, que significa Salvador. Ele viveu sobre a terra na pobreza, na humildade e na prática das mais sublimes virtudes. Após trinta anos de uma solidão profunda. Ele começou sua vida pública e exerceu durante três anos seu apostolado, ensinando as verdades evangélicas, provando sua divindade por um numero grandioso de milagres, realizado em sua pessoa todas as profecias pelas quais Deus o tinha anunciado aos homens. 

VII - Ele morreu voluntariamente sobre a cruz, por nós e para nossa salvação, no dia da Sexta-feira santa. Homem, ele sofreu; Deus, ele deu um preço infinito aos seus sofrimentos. Por sua paixão e por sua morte, ele nos resgatou da condenação eterna: este é o mistério da Redenção

Ele ressuscitou no terceiro dia após sua morte, o santo dia da Páscoa. Ele subiu ao céu quarenta dias após sua Ressurreição. Dez dias após sua Ascensão, o dia de Pentecostes, ele fez descer o Espírito Santo sobre seus apóstolos. Ele virá novamente no fim dos tempos para julgar os vivos e os mortos. 

VIII - Jesus Cristo fundou sua Igreja, sociedade dos fiéis que unidos em uma mesma fé, sob a condução dos pastores legítimos, professam e praticam sua religião santa. Há apenas uma Igreja como instituição divina, a Igreja apostólica, católica, romana, cujo chefe supremo é o Papa ou Soberano Pontífice romano, sucessor de São Pedro, vigário de Jesus Cristo, Bispo dos bispos, pastor ao mesmo tempo das ovelhas e dos cordeiros, centro da unidade, encarregado de defender do erro seus irmãos na fé e de confirmá-los na verdade. Aquele que não escuta a Igreja, que não obedece aos bispos e, especialmente, ao Soberano Pontífice, não escuta Jesus Cristo, ele se dispõe voluntariamente entre os pagãos e os pecadores. 

Fora da Igreja, se não se pertence ao corpo da Igreja ou ao menos à Alma da Igreja, pela boa fé, pela conformidade de sua vida com as luzes da razão, pela observação destas, das leis de Deus que se conheceu, não se pode ser salvo. 

A Igreja, em um sentido mais amplo, compreende não somente os fiéis que estão sobre a terra, mas também as almas do purgatório e os santos do céu. Participamos nos méritos dos santos e das almas justas; podemos aliviar as almas do purgatório por nossas orações, nossas boas obras e a aplicação das indulgências: nisso consiste a Comunhão dos Santos

As verdades que acabamos de enunciar estão contidas no símbolo dos apóstolos: Creio em Deus, etc.. Deve-se crê-los com uma fé sincera, não baseada na palavra dos homens que as anunciam, mas porque elas foram reveladas pelo próprio Deus, e nos são ensinadas por sua Igreja infalível.

IX - Para se salvar, é preciso não somente crer firmemente em todas essas verdades, mas ainda viver cristãmente, observar os mandamentos de Deus e da Igreja, fugir do pecado, e praticar a virtude. 

Os mandamentos de Deus são dez:
  1. Amar a Deus, só Ele adorar, amar o próximo como a si mesmo por amor a Deus;
  2. Honrar o santo nome de Deus, não profaná-lo pelos juramentos e a blasfêmia;
  3. Santificar o domingo, se abstendo de todo trabalho servil;
  4. Honrar seu pai, sua mãe e todos os seus superiores espirituais ou temporais;
  5. Não matar o próximo, não lhe fazer mal, não ter vontade de lhe fazer isso, não dar maus exemplos, não ter ódio, não se vingar, perdoar seus inimigos;
  6. Defender-se de toda impureza e se abster de tudo o que poderia conduzir a isso;
  7. Não tomar e não reter o bem do outro, não lhe causar algum estrago;
  8. Proibir-se dos falsos testemunhos, a mentira, o julgamento temerário, a maledicência e a calúnia;
  9. Afastar o desejo pelas más ações condenadas pelo sexto mandamento, e não se deter em nenhum pensamento desonesto;
  10. Não desejar injustamente o bem de outrem.
Os mandamentos principais da Igreja são seis:
  1. Santificar as festas de guarda;
  2. Assistir à Santa Missa nos domingos e festas;
  3. Confessar seus pecados ao menos uma vez ao ano;
  4. Comungar todos os anos, em sua paróquia, na Páscoa;
  5. Jejuar as quatro-têmporas, na véspera de certas festas, e em toda a quaresma;
  6. Abster-se de alimentos gordurosos na sexta-feira santa e em outros dias proibidos, salvo no caso de dispensa.
X - Para observar os mandamentos de Deus e da Igreja, precisamos absolutamente da graça ou do socorro sobrenatural de Deus; devemos Lhe pedir isso frequentemente por orações humildes e fervorosas, feitas no nome e invocando os méritos de Jesus Cristo. A mais excelente das orações é o Pai Nosso, que o próprio Jesus Cristo nos ensinou. É justo e grandemente útil ter uma devoção e uma confiança particular na Santíssima Virgem Maria, que exerce junto de seu divino Filho uma onipotência suplicante: a mais abençoada das orações que a Igreja lhe dirige é a Ave Maria. É também muito útil honra e invocar os anjos da guarda e os santos do paraíso, porque eles são os amigos de Deus, e eles podem nos ajudar muito por sua intercessão. 

XI - Jesus Cristo instituiu os sacramentos, sinais sensíveis e fontes visíveis da graça invisível, pela qual entramos em participação dos méritos de seus sofrimentos e de sua morte. Os sacramentos são sete: o Batismo, a Confirmação, a Eucaristia, a Penitência, a Extrema-Unção, a Ordem e o Casamento. 

1 - O Batismo, o primeiro dos sacramentos, o mais necessário à salvação, apaga o pecado original e todos os pecados que foram cometidos antes de recebê-lo. Ele comunica à nossa alma a vida da graça e nos faz filhos de Deus e da Igreja. Todos podem batizar, mas o leigo só deve fazer isso em caso de necessidade absoluta. Para batizar, derramamos água natural sobre a cabeça, e a fazemos escorrer sobre a pele dizendo: N (nome) eu te batizo em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

2 - A Confirmação nos torna perfeitos cristãos, nos dando com o Espírito Santo uma força particular para confessarmos corajosamente nossa fé e resistir aos inimigos de nossa salvação. Seu ministro é o bispo ou o padre especialmente autorizado.

3 - A Eucaristia é o mais augusto dos sacramentos, porque Jesus Cristo está realmente e substancialmente presente nela, em corpo, sangue, alma e divindade. Na Santa Missa, no momento em que o padre pronuncia sobre o pão e o vinho as palavras da consagração: Este é o meu corpo, etc.; Este é o meu sangue, etc., o pão é transformado ou transubstanciado, tornando-se o corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo; o vinho é transformado em seu sangue; resta apenas as aparências ou acidentes do pão e do vinho; e Jesus Cristo está presente em cada espécie. Assim, quando o Santíssimo Sacramento é exposto ou fechado no tabernáculo, é Jesus Cristo, realmente presente, que adoramos; e quando comungamos, é Jesus Cristo que recebemos e que se faz o alimento espiritual de nossa alma. Não se trata nem de sua imagem, nem de sua figura, como o crucifixo, mas sim o próprio Jesus Cristo, Deus e homem, Filho único de Deus, nascido da Virgem Maria, que morreu por nós sobre a cruz, que ressuscitou, que subiu ao céu. Sua presença na Hóstia santa, miraculosa e insensível, é tão real quanto sua presença no céu. Para comungar dignamente, santamente, é preciso não ter sobre a consciência nenhum pecado moral; se ainda estivéssemos em pecado mortal, cometeríamos um sacrilégio, comeríamos e beberíamos, segundo a expressão enérgica de São Paulo, nosso julgamento e nossa condenação. Para comungar, é preciso também estar em jejum, de um jejum natural ou absoluto, ao menos que se receba a santa comunhão como viático. A Santa Missa, na qual se opera o grande milagre que torna Jesus Cristo presente sob as espécies do pão e do vinho, é um sacrifício onde Jesus Cristo, pelo ministério do padre, continuando de um modo não sangrento a imolação sangrenta da cruz, se oferece por nós a Deus como vítima. 

4 - O sacramento da Penitência foi estabelecido para perdoar os pecados cometidos após o batismo. Para obter o perdão de seus pecados por esse sacramento, é preciso confessá-los completamente, ao menos os pecados mortais, a um padre que mantém de seus bispos a aprovação e a jurisdição necessárias; ter um arrependimento sincero, estar firmemente resoluto em não mais cometê-los, de fugir das ocasiões próximas de novas quedas, de reparar a injúria cometida contra Deus, o erro feito ao próximo, enfim, de realizar a penitência que o padre impor. Se uma única dessas disposições faltasse, aquele que recebesse a absolvição se tornaria culpado de um pecado mais grave ainda, e cometeria um sacrilégio. 

5 - A Extrema-Unção foi instituída para o alívio espiritual e corporal dos doentes; ela devolve ao corpo a saúde ou nos ajuda a morrer bem.

6 - Somente a Ordem confere o poder de cumprir as funções sacerdotais ou eclesiásticas, e as graças para exercê-las santamente.

7 - O sacramento do Casamento forma e legitima a união dos esposos; ele dá àqueles que o recebem bem dispostos as graças das quais eles necessitam para viver em uma santa afeição, e para criar cristãmente seus filhos. 

Três dos sacramentos, o Batismo, a Confirmação e a Ordem, imprimem na alma um caráter, ou seja, uma marca espiritual indelével, o que faz com que eles possam ser recebidos apenas uma vez. 

XII - Há para o homem duas vidas e duas mortes, a vida e a morte naturais, a vida e a morte sobrenaturais. A vida sobrenatural consiste na união da alma e do corpo; a morte natural na separação da alma e do corpo. A vida sobrenatural consiste na união da alma com Deus, pela graça santificante; a morte sobrenatural é a separação da alma com Deus, pelo pecado mortal, ou seja, por uma transgressão grave de suas leis. A vida da alma é incomparavelmente mais preciosa que a vida do corpo; a morte espiritual é incomparavelmente mais temível que a morte natural. Jesus Cristo disse: "Que serve ao homem ganhar o universo, se ele vem a perder sua alma!"

XIII - Os quatro fins últimos do homem são: a morte, o julgamento, o céu ou o inferno. É óbvio que morremos, e só o momento de nossa morte é incerto. Desse momento supremo dependem nossa felicidade ou nossa desgraça eterna. A morte é seguida do julgamento particular, no qual Deus pede, a cada um, conta exata e rigorosa de sua fé e de suas obras. A consequência do julgamento é o paraíso ou o inferno, segundo que, no instante da morte, o homem esteja em estado de graça ou de pecado mortal.

Contudo, as almas dos justos que, na morte, não tiverem satisfeito completamente à justiça divina, vão para o purgatório, lugar de tormentos passageiros e de expiação completa. 

No fim dos tempos, após a ressurreição geral, verá o julgamento último, onde serão manifestadas as virtudes dos jutos e os crimes dos maus. Estes irão para os infernos, os justos subirão ao céu com Jesus Cristo. A felicidade do céu e os tormentos do inferno serão eternos, ou seja, eles não terão fim.

XIV - As principais virtudes sobrenaturais do cristão são: a , a Esperança, a Caridade

1 - A Fé é uma virtude pela qual cremos firmemente nas verdades que Deus revelou, porque Ele no-las revelou, e a Igreja nos propõe a crer.

2 - A Esperança é uma virtude pela qual esperamos com uma confiança firme, da bondade de Deus, pelos méritos de Jesus Cristo, a vida eterna e as graças para alcançá-la.

3 - A Caridade é uma virtude pela qual amamos Deus acima de todas as coisas, por Ele mesmo, como nosso fim último, e nosso próximo como a nós mesmos, pelo amor de Deus. 

O cristão está obrigado a fazer atos de fé, de esperança e de caridade, frequentemente durante a vida, e quando ele está em perigo de morte.

XV - Os sete vícios ou pecados capitais, fontes de todos os demais pecados, são: 
  1. Orgulho;
  2. Avareza;
  3. Luxúria;
  4. Inveja;
  5. Gula;
  6. Ira;
  7. Preguiça.
As virtudes opostas a esses vícios, e fontes de todas as demais virtudes, são:
  1. Humildade;
  2. Desinteresse;
  3. Pureza e a Castidade;
  4. Caridade;
  5. Temperança;
  6. Penitência;
  7. Diligência ou Amor pelo trabalho.
XVI - A observação completa da lei se reduz ao cumprimento destes dois preceitos: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma, de todas tuas forças. Amarás ao próximo como a ti mesmo. O amor de Deus e o amor ao próximo se provam pelas obras. Jesus Cristo disse: aquele que me ama, observa meus mandamentos.

As regras da caridade cristã são cinco:
  1. Não faças aos outros, o que não gostaria que fizessem convosco;
  2. Faças aos outros, o que gostarias que fizessem convosco;
  3. Ames o próximo como a vós mesmo;
  4. Ames os vossos inimigos; faças o bem àqueles que vos odeiam; reze por aqueles que vos perseguem e vos caluniam.
  5. Esforce-se para amar o próximo como Jesus Cristo o amou.
As obras de caridade ou de misericórdia são corporais ou espirituais. As primeiras, em número de sete, são:
  1. Visitar os doentes;
  2. Dar de comer àqueles que têm fome;
  3. Dar de beber àqueles que têm sede;
  4. Vestir aqueles que estão nus;
  5. Dar hospitalidade àqueles que estão sem abrigo;
  6. Visitar e aliviar os prisioneiros;
  7. Sepultar os mortos.
As segundas, também em número de sete, são:
  1. Ensinar os ignorantes;
  2. Dar conselhos àqueles que necessitam;
  3. Esclarecer aqueles que estão no erro;
  4. Perdoar as injúrias;
  5. Consolar aquele que está triste;
  6. Suportar os defeitos do próximo;
  7. Rezar a Deus por seus irmãos vivos e mortos.
XVII - A Religião de Jesus Cristo se resume completamente nessas duas boas e belas palavras trazidas do céu pelos anjos.


Glória a Deus! Paz aos homens!

Abbé Moigno¹. Les splendeurs de la foi. Tome I, Blériot Frères, Paris, 1879.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Santinhos: Convite a Comunhão





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O grande segredo para viver bem.



In omnibus operibus tuis memorare novissima tua, et in aeternum non peccabis – “Em todas as tuas obras lembra-te de teus novíssimos e nunca, jamais pecarás” (Ecclus. 7, 40).

Sumário. Meu irmão, se queres viver bem, procura pensar sempre na morte. Ao veres um túmulo, ao assistires às exéquias de um parente ou amigo, ao veres um cadáver sendo levado à sepultura, contempla nisso a tua própria imagem e dize: Dentro de breves anos, talvez meses ou dias, será tal a sorte de meu corpo e, estando então perdida a alma, estará perdida para sempre. Por terem pensado na morte, quantos deixaram a morte e subiram à mais alta perfeição.

I. Meu irmão, se queres viver bem, procura, durante o tempo de vida que te resta, viver pensando sempre na morte. Ao veres um túmulo, ao assistires às exéquias de um amigo ou parente, ao veres um cadáver sendo levado à sepultura, contempla nisso a tua própria imagem e o que um dia há de ser de ti. Reflete então e dize contigo: dentro em poucos anos, talvez meses ou dias tudo acabará para mim; meu corpo será apenas podridão e vermes. Estando então perdida a alma, tudo estará perdido para mim e perdido para sempre.

Assim é que fizeram os Santos, que agora reinam no céu; é por este meio que chegaram a desprezar todos os bens desta terra, que venceram as tentações mais fortes e subiram a alta santidade. Jó dizia à podridão: Tu és meu pai; e aos vermes: Vós sois minha mãe e minha irmã (1). São Carlos Borromeu conservava sempre sobre a sua mesa uma caveira, para te-la continuamente diante dos olhos. O cardeal Barônio fez gravar no seu anel estas palavras: Memento mori – “Lembra-te da morte”. O bem-aventurado Juvenal, bispo de Saluzzo, escrevera sobre uma caveira estas palavras: O que tu és, fui eu; o que eu sou, tu serás um dia. Outro santo solitário, perguntando na hora da morte porque estava tão alegre, respondeu: Sempre tive a lembrança da morte diante dos olhos; por isso, agora que ela vem, não vejo coisa nova.

Finalmente, para não falar de outros, São Camilo de Lelis, ao ver os túmulos, dizia consigo: Se estes defuntos voltassem ao mundo, quanto não fariam pela vida eterna! E eu, que ainda tenho tempo, que faço pela minha alma? – O Santo falava assim por humildade. Mas tu, meu irmão, tens talvez razão para temer que sejas aquela figueira sem fruto da qual disse o Senhor: Já há três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não o acho (2). Tu que estás no mundo há mais de três anos, que fruto tens produzido? Considera, diz São Bernardo, que o Senhor não procura somente flores, mas quer também frutos; isto é, não somente bons desejos e propósitos, senão também obras santas.

II. Saibamos aproveitar o tempo que Deus nos dá na sua misericórdia e não esperemos para fazer o bem até que não haja mais tempo e se nos diga: Tempus non erit amplius... proficiscere: É tempo de partir deste mundo; vamos depressa; o que está feito, está feito. 

Considera-te, diz São Lourenço Justiniano, considera-te desde já como morto, já que é certo que deves morrer. Se já estivesses morto, quanto não quererias ter feito! Diz São Boaventura que o piloto para bem governar o navio, se coloca na popa: assim o homem, para levar uma vida boa, deve considerar-se sempre como se estivesse para morrer. Foi isto que fez São Bernardo dizer: Vide prima et erubesce, considera os pecados da tua mocidade e cora; - vide media et ingemisce, considera os pecados da idade viril e geme; - vide novissima et contremisce, considera as desordens da idade atual e treme e apressa-te em os remediar.

Eis-me aqui, meu Deus, sou aquela árvore que há tantos anos mereceu ouvir a sentença: Corta-a, para que ocupa ainda a terra? Sim, porque nos muitos anos que estou no mundo, ainda não dei outros frutos senão cardos e espinhos de pecados. Mas Vós, Senhor, não quereis que eu desespere. Vós dissestes que o que Vos procurar, Vos achará: Quaerite et invenietis. Procuro-Vos, meu Deus, e desejo vossa graça. Detesto de todo o coração todas as ofensas que Vos fiz e quisera morrer de dor. Quero empregar o resto da minha vida em Vos amar e honrar. Sim, amo-Vos, ó meu soberano Bem, e, com o vosso auxílio, quero viver e morrer fazendo atos de amor a Vós, que por meu amor morrestes sobre a cruz.† Doce Coração de Maria, sêde minha salvação. (*II 9.)

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1. Iob 17, 14.
2. Luc. 13, 7.
(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 217-219.)

Fonte: São Pio V

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O Doce Nome de Maria

O nome de Maria vem do Céu. Veio de Deus e foi-lhe imposto por ordem divina. A Santíssima Trindade Vos conferiu este nome, ó Maria, que é superior a todo nome, depois do nome do Vosso Filho; Ela enriqueceu-o de tanto poder e majestade, que o proferí-lo quer que se dobrem os joelhos dos que estão no Céu, na terra e no inferno.

Vários privilégios outorgou o Senhor ao nome de Maria. O Vosso nome, ó Mãe de Deus, está cheio de graças e bênçãos divinas, diz São Metódio. E segundo São Boaventura ninguém o pode proferir devotamente sem dele tirar algum fruto. Por mais endurecido e frouxo que esteja um coração, se chega a invocar-Vos, ó benigníssima Virgem, milagrosamente desaparece a sua dureza, tão grande é a garça do Vosso nome. Sois Vós quem infunde a esperança do perdão e da graça. Vosso nome, diz Santo Ambrósio, é um bálsamo oloroso a exalar o perfume da divina graça. Sim, a lembrança do Vosso nome consola os aflitos, reconduz os transviados para a senda da salvação e livra os pecadores do desespero.

É a respiração um sinal de vida. Também invocar com frequência o nome de Maria é sinal da posse ou da breve aquisição da graça divina, pois esse poderoso nome tem a virtude de alcançar auxílio e vida a quem o pronuncia devotamente. É Ele como torre fortíssima que livra o pecador da morte eterna, até os maiores pecadores acham nessa celeste fortaleza, salvação e defesa. Essa fortíssima torre não só livra de castigos os pecadores, mas defende os justos também dos ardores do inferno. Depois do nome de Jesus, nenhum outro nome há no qual resida socorro e salvação para os homens como no Excelso Nome de Maria.

Especialíssima é sua força para vencer as tentações contra pureza. Isto experimentam seus devotos todos os dias. E isto se deduz das palavras de São Lucas: E o nome da Virgem era Maria – Lucas 1, 27. Fá-lo para nos dar e entender que o nome da puríssima Virgem é inseparável da pureza. Vem aí a frase de São Pedro Crisólogo: “O nome de Maria é indício de castidade; quem duvida se pecou nas tentações impuras, tem um sinal certo de não ter caído, quando se lembra de haver invocado o nome de Maria.”

O nome de Maria é doce sobretudo na hora da morte. Dulcíssimo é, pois, na vida, aos devotos de Maria, seu Santíssimo nome, porque lhes alcança graças extraordinárias. Muito mais doce, porém, ser-lhes-á na última hora, proporcionando-lhes uma suave e santa morte.

Esta breve oração, Jesus e Maria… é fácil de conservar na memória, doce para meditar e forte para defender os que lhe são fiéis, contra os inimigos da salvação. Bem-aventurado aquele que ama teu doce nome, ó Mãe de Deus. É ele tão glorioso e admirável, que quem se lembra de o invocar em artigo de morte, não teme os assaltos do inimigo. Roguemos pois a Deus que nos conceda a graça de ser o nome de Maria a última palavra que nossa língua pronuncie. Ó doce e segura morte, a que é acompanhada e protegida com este Nome de salvação, o qual Deus só concede proferir àqueles que quer salvar.

(Extraído do livro Coração de Mãe cheio de bondade, Servus Mariae, Edições Paulinas, 5ª Edição, 1976, págs. 16/17).

As Sete Virtudes de Maria

1°: Tornar-se humilde como Maria: Maria se lembrava que tudo nela era dom de Deus. Guardava em segredo, mesmo diante de seu esposo, as graças e favores divinos com que era agraciada por Deus. Ela oferecia ao Senhor os louvores que recebia. Ela se comprazia em servir ao próximo e a se colocar sempre em último lugar. Ela não temia o desprezo; ela não foi vista em Jerusalém no Domingo de Ramos, na ocasião em que o povo recebeu seu Filho com todas as honrarias. Mas não teve medo de comparecer ao Calvário, onde foi reconhecida como a mãe de um condenado.

    Ó Maria, Virgem Imaculada, Mãe de Deus e nossa Mãe, rogai por mim quando eu quiser me valorizar diante do próximo, revestindo-me com o manto da vossa humildade. E lembrai-vos de ... (neste momento, cada um coloca a sua intenção particular)

    "Ó Maria, daí-nos a virtude da humildade."



2°: Amar a Deus e ao próximo como Maria: Cristo nos deu este mandamento: amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração e a teu próximo como a ti mesmo. Maria cumpriu plenamente este preceito. Segundo São Bernardo, o amor de Jesus en-trou como uma espada no coração de Maria e o transpassou de um lado ao outro a fim de que nenhuma dobra e nenhuma prega ficasse sem o ferimento de amor. O coração de Maria tornou-se, então, fogo e chama: fogo por causa do amor que a queimava interiormente e chama resplandecendo no exterior, através da prática da caridade.

    Ó Maria, Virgem Imaculada, Mãe de Deus e nossa Mãe, como em Caná, rogai por mim ao vosso Filho, dizendo-lhe: ” Eles não têm mais amor”, e concedei-me a graça de praticar a caridade, como vós. Que o teu exemplo e a tua doação incondicional me lembre o amor a Deus e ao próximo, quando eu der preferência a mim, dentre os outros. E lembrai-vos de ... (neste momento, cada um coloca a sua intenção particular)

    "Ó Maria, daí-nos a virtude do amor."



3°: Acreditar como Maria: Foi pela sua fé que Maria foi proclamada bem-aventurada por sua prima Isabel. Na Paixão de Jesus, os discípulos foram tomados por dúvidas e somente a Virgem Maria se manteve firme na fé. A fé é um dom de Deus e, ao mesmo tempo, uma virtude. É um dom de Deus, enquanto luz que Ele próprio faz resplandecer sobre a alma. É uma virtude quando a alma a põe em prática. O verdadeiro cristão vive segundo a sua fé. Assim viveu a Virgem Maria.

    Ó Maria, Virgem Imaculada, Mãe de Deus e nossa Mãe, rogai por mim quando eu duvidar; dai-me olhos que visualizem toda a luz da fé. E lembrai-vos de ... (neste momento, cada um coloca a sua intenção particular)

    "Ó Maria, daí-nos a virtude da fé."



4°: Esperar como Maria: A esperança nasce da fé. A Virgem Maria demonstrou quão grande era a sua confiança em Deus, plenamente confiante de que Deus preservaria sua inocência, sua honra e sua vida. E mesmo quando ela se viu excluída das hospedarias e constrangida a buscar abrigo num estábulo, e ainda na sua fuga para o Egito, um país estrangeiro e desconhecido e sobretudo nas Bodas de Caná, quando seu pedido foi primeiramente recusado por Jesus, Maria estava confiante de que seu Filho lhe concederia a graça solicitada.

    Ó Maria, Virgem Imaculada, Mãe de Deus e nossa Mãe, vós sois, depois de Jesus, toda a minha esperança, ensinai-me a praticar o abandono, a entrega à Providência Divina. E lembrai-vos de ... (neste momento, cada um coloca a sua intenção particular)

    "Ó Maria, daí-nos a virtude da esperança."



5°: Castidade de Maria: Deus nos deu, em Maria, o modelo perfeito em relação ao amor de Deus. Maria consagrou-se inteiramente a Deus, abrindo o caminho para muitas outras jovens. No entanto, o chamado evangélico à castidade dirige-se a todos os cristãos, seja qual for seu estado civil. Trata-se de um apelo a não usar o próximo apenas para o seu próprio prazer. A castidade é um modo livre de viver, respeitando o outro.

    Ó Maria, Virgem Imaculada, Mãe de Deus e nossa Mãe, que o vosso nome, pronunciado com confiança, seja o meu recurso quando eu tiver que renunciar às paixões do espírito e da carne, para deixar Deus passar. E lembrai-vos de ... (neste momento, cada um coloca a sua intenção particular)

    "Ó Maria, daí-nos a virtude da castidade." 



6°: Pobreza de Maria: Vemos Maria entrar no Templo não com um cordeiro, que seria a oferenda das pessoas ricas, mas com um par de rolinhas, que constituía a oferenda dos pobres. Havia concordado em desposar José, que vivia exclusivamente do árduo trabalho de suas mãos. Partira para o Egito para salvar seu filho, abandonando tudo o que tinha. Quando a virtude da pobreza nos faz sentir seus espinhos em nossa própria carne, que fonte de consolo encontramos na pobreza de Maria e José!

    Ó Maria, Virgem Imaculada, Mãe de Deus e nossa Mãe, que dizeis, em vosso sublime cântico: Minha alma exulta no Senhor. Dai-me a graça de poder sempre ter a Deus como prioridade na minha vida. E lembrai-vos de ... (neste momento, cada um coloca a sua intenção particular)

    "Ó Maria, daí-nos a virtude da pobreza."


7°: Obediência e paciência de Maria: A Virgem Santa era de tal modo apegada ao Senhor que se intitulou serva do Senhor. Maria, com humildade, viveu sua vida em total adesão à vontade de Deus. Do momento que a mulher do Evangelho, dirigindo-se a Jesus, exclamou: “Feliz o seio que te trouxe ao mundo!”, Jesus respondeu: “Mais felizes são aqueles que escutam a palavra de Deus e a põe em prática”. Naquele episódio, Maria surge como a primeira discípula de seu Filho.

    Ó Maria, Virgem Imaculada, Mãe de Deus e nossa Mãe, dai-me a graça de obedecer fielmente à vontade de Deus, de suportar em paz as cruzes e amar a Deus cada vez mais. E lembrai-vos de .... (neste momento, cada um coloca a sua intenção particular)

    "Ó Maria, daí-nos a virtude da obediência e paciência."



(Em cada oração, pode-se oferecer uma rosa aos pés de Maria)

Pai Nosso - Ave Maria - Glória ao Pai


ORAÇÃO:

    Ó Maria Santíssima, cuja vida é modelo de santidade, fazei que floresça em nossas vidas as tuas virtudes, a fim de que possamos, também nós, alcançar a santidade.

Fonte:

Catecismo de Dom Tomás de Aquino OSB - "São João Batista"

domingo, 23 de junho de 2013

Namoro e consequência



Namoro e consequência



Por ocasião do mês dos namorados, sai uma tirinha que nos ajudará a refletir um pouco sobre o significado do namoro para nós católicos. 
O que é o namoro? Vou deixar que D. Manoel Pestana Filho – Antigo Bispo de Anápolis – responda a esta pergunta: “O namoro é um período de preparação ao noivado, que deve dar ao jovem e à moça a possibilidade de descobrir que não haja entre eles incompatibilidade para uma vida no casamento”. “Entende-se por namoro o tempo no qual um jovem e uma moça, movidos por intenções retas, frequentam-se com o escopo de conhecer-se para um eventual futuro casamento.” (D. Manoel Pestana – Igreja Doméstica, pág. 45).
Uma forma clara de mostrar que tem retas intenções é a vivência da castidade, preservando desta forma, algo que está reservado único e exclusivamente ao casamento. A castidade é essencial para um namoro bem sucedido e sob o olhar de Deus.
“A castidade é a virtude moral ligada à temperança que regula o comportamento do homem no que diz respeito ao instinto sexual, assegurando os altos objetivos que Deus lhe deu”. (Igreja Doméstica pág. 24) 
“A castidade comporta uma aprendizagem do domínio de si, que é uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa é clara: ou o homem comanda suas paixões e obtém a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz.” (CIC N°2339). 
D. Manoel Pestana Filho em seu livro “Igreja Doméstica” diz que a castidade é virtude dos fortes: “É evidente que não se trata de fortaleza física (Maria Goretti, mártir da castidade, fortíssima na luta para não ofender a Deus, era fisicamente muito débil), mas sim de fortaleza, virtude moral, fortaleza que vem de Deus, e que se obtém com o recurso frequente à oração, à mortificação e aos sacramentos, com observância de uma conveniente higiene e com a educação da vontade, isto é com a autodisciplina.” (Igreja Doméstica, pág. 25)
“Todo batizado é chamado à castidade. O cristão ‘se vestiu de Cristo’, modelo de toda castidade. Todos os fiéis de Cristo são chamados a levar uma vida casta segundo seu específico estado de vida. No momento do Batismo, o cristão se comprometeu a viver sua afetividade na castidade.” (CIC 2348).
No Catecismo da Igreja Católica (CIC) encontramos muitos conselhos sobre o tema, vou deixar que ele nos fale mais um pouco: “A pessoa casta mantém a integridade das forças vitais e de amor depositadas nela. Esta integridade garante a unidade da pessoa e se opõe a todo comportamento que venha feri-la; não tolera nem a vida dupla, nem a linguagem dupla.” (CIC 2338)
“A castidade é uma virtude moral. É também um dom de Deus, uma graça, um fruto da obra espiritual. O Espírito Santo concede o dom de imitar a pureza de Cristo àquele que foi regenerado pela água do Batismo.” (CIC 2345)
A castidade leva aquele que a pratica a tornar-se para o próximo uma testemunha da fidelidade e da ternura de Deus. (CIC 2346)
Difícil falar da castidade sem falar do pudor. Enquanto a castidade está ligada à temperança, o pudor é parte integrante da temperança e está ordenado à castidade.
“A pureza exige o pudor. Este é uma parte integrante da temperança. O pudor preserva a intimidade da pessoa. Consiste na recusa de mostrar aquilo que deve ficar escondido. Está ordenado à castidade, exprimindo sua delicadeza. Orienta os olhares e os gestos em conformidade com a dignidade das pessoas e de sua união.” (CIC 2521)
“O pudor protege o mistério das pessoas e de seu amor. Convida à paciência e à moderação na relação amorosa; pede que sejam cumpridas as condições de doação do compromisso definitivo do homem e da mulher entre si.” (CIC 2522).
D. Manoel Pestana Filho lista para nós como se manifesta o pudor cristão:
“a) Previne o perigo que ameaça; b) impede de expor-se a ele; c) não se compraz com palavras torpes ou menos honestas; d) aborrece a mais leve imodéstia; e) afasta-se da familiaridade suspeita com pessoas do outro sexo ou do mesmo sexo; f) tem horror a qualquer pecado de impureza; g) e retira-se ao primeiro assomo da sedução.” (Igreja Doméstica, pág. 25)
“A pureza do coração exige o pudor, que é paciência, modéstia e discrição. O pudor preserva a intimidade da pessoa.” (CIC 2533)
Vou ainda acrescentar dois trechos que D. Manoel Pestana retirou de um livro chamado “Ilustríssimos Senhores” de Albino Luciani (Papa João Paulo I), são cartas dirigidas a um jovem e à sua eventual namorada, acredito ser bastante útil aos leitores. 
“Sobre este assunto (do namoro) há quem proponha hoje uma moral largamente permissiva. Embora admitindo que, no passado, houve demasiada rigidez em certos pontos, os jovens não deviam aceitar tal permissividade: o amor deles deve ser amor com A maiúsculo, belo como uma flor, precioso como uma joia e não vulgar como um fundo de copo.
Oportuno será que aceitem impor-se algum sacrifício e manter-se afastados de pessoas, lugares e divertimentos que são para eles ocasião de praticar o mal. Você dirá: ‘Não tem confiança em mim?’ Sim, temos confiança, mas não é falta de confiança lembrar que todos estamos expostos a tentações; e é amor arredar do seu caminho pelo menos as tentações desnecessárias. Veja os motoristas: encontram pela frente a polícia, o semáforo, as faixas brancas, a contramão, a proibição de estacionar, coisas estas que parecem, à primeira vista, impertinências e limitações contra o motorista, quando pelo contrário, são em favor o motorista, pois o ajudam a guiar com mais segurança e prazer! E, caso um dia tenha uma namorada – seja Shepherd, Larkins ou Dora, tanto faz – respeite-! Defenda-a contra si mesmo. Quer que ela se conserve intacta para você? E justo, mas você faça outro tanto por ela e não ligue para certos amigos, que contam suas proezas, vangloriando-se e pensando ser super-homens devido a suas aventuras com mulheres. Forte e verdadeiro super-homem é o que sabe dominar a si mesmo e se insere no grupo de jovens que formam a aristocracia das almas.
Durante o noivado, o amor deve procurar não prazer sensual, mas a alegria espiritual e sensível porque manifestado de maneira afetuosa, sim, mas correta e digna!”
“Querida Dora (ou Mis Larkins ou Shepherd que seja) diz a mãe dela – permita que lhe recorde uma lei biológica. A moça, geralmente, tem mis domínio de si do que o rapaz, na esfera sexual. Se o homem é mais forte fisicamente, a mulher o é espiritualmente; até parece que Deus resolveu fazer depender a bondade do homem da bondade da mulher; amanhã dependerão de você a alma de seu marido e dos seus filhos; hoje, a dos seus amigo e do seu namorado. Precisa, portanto, ter bom senso por dois, a saber, dizer não a certas coisas, mesmo quando tudo parece convidar para o sim. O próprio namorado, se for bom, em seus melhores momentos, ser-lhe-á agradecido e dirá consigo mesmo: ‘A minha Dora estava certa; ela tem consciência e lhe obedece; amanhã ser-me-á fiel!’ A namorada fácil demais, pelo contrário, não oferece a mesma garantia, e corre o perigo de desacreditar-se desde já, com uma aquiescência desabusada, semiperigosa, donde brotatão no futuro ciúmes e suspeitas de parte do marido”. (Igreja Doméstica, páginas: 46 e 47).
Embora algumas pessoas não acreditem, o namoro é coisa séria. E deve ser levado a sério pelos os dois que se namoram, quando isso não acontece, o mais indicado neste caso é o término. Vou deixar que o Bispo esclareça isso: “Neste caso a jovem ou o jovem cristão lembrando que o amor é uma coisa grande séria, e que considera-lo como brincadeira significa profana-lo, deve afastar-se em boa e santa paz, mesmo que isso possa exigir sacrifício. A duração do namoro deve ser mínima: ou existem de ambas as partes intenções sérias e passa-se ao noivado; ou de uma parte considera-se o namoro como um jogo, e a outra parte tem o dever grave de romper o relacionamento porque o amor como jogo, é jogo perigoso!” ( Igreja Doméstica, pág. 46)
"Sem levar a sério o namoro não será possível construir um casamento sólido e uma família forte" Prof. Felipe Aquino - Família, Santuário da Vida.

Viver a castidade nos dias de hoje, onde tudo contribui para o pecado, não é algo fácil, trata-se de um grande combate do qual os católicos só sairão vitoriosos com MUITA ORAÇÃO, com o auxílio da graça e com uma grande devoção à Nossa Senhora - Rainha da pureza.
“A castidade, que é uma virtude salutar e benéfica para o equilíbrio humano, supõe: a) a oração e a mortificação (Mt 17, 21); b) a fuga das ocasiões de pecado (2Tm 2,22); c) o pudor, que é a defesa natural da virtude (Ef 5,3); d) o uso dos sacramentos da confissão e comunhão; e) a devoção à Nossa Senhora.”
(FILHO, Dom Manoel Pestana. Igreja Doméstica. São Paulo: Edições Loyola, 1980).
Indico que leiam mais no Catecismo e que procurem por este livro citado acima, infelizmente acho que só encontrarão em algumas sebos.

Salve Maria!


Fonte:

sábado, 22 de junho de 2013

Nossa Senhora das Três Ave Marias

Fonte: Vas Honorabile


A reza da Ave Maria é tão antiga, quanto o culto dedicado à Virgem Maria, Mãe de Deus. A sua veneração faz parte da vida da Cristandade de todos os tempos, como demonstram as tradições, escrita e oral, da Igreja do Oriente e do Ocidente. Com toda razão, é considerado um dos meios mais eficientes para se chegar à Jesus Cristo, nossa salvação e vida eterna.

O amor dos cristãos à Mãe vem desde os monges anacoretas orientais, que consideravam a Ave Maria uma oração com poder de afastar o mal, alegrar os anjos e exultar o coração da Virgem Santa. A primeira parte da oração foi extraída do próprio Evangelho: ‘Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco’, Lc 1, 28. ‘Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus’, Lc 1, 41 a 42. A segunda parte, que se inicia por ‘Santa Maria’, foi composta pela Igreja, mas veio da Tradição cristã dos primeiros tempos. Nela se pede à ‘Mãe de Deus’ que ‘rogue por nós, os pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amem’.

O Angelus, as três Ave-Marias.

Durante muito tempo a oração foi rezada só com a primeira parte. Mais tarde a segunda parte acabou sendo assimilada por toda Cristandade. A sua íntegra como é rezada até hoje apareceu pela primeira vez em um breviário de 1563, num mosteiro dos monges Cartuxos, nos Alpes da França, onde Santo Bruno fundou a Ordem, em 1084.

Fervoroso devoto de Nossa Senhora, o Papa Urbano II, no ano de 1095, decretou 95 a reza da Ave-Maria, três vezes ao dia - pela manhã, ao meio-dia e à noite. Ordenou também que as Igrejas tocassem os sinos em tais períodos para lembrar esta oração aos fiéis.
 
Santo Antônio de Pádua, Santa Matilde de Helfta (como veremos em seguida) e São Boaventura são tradicionalmente considerados como os primeiros promotores da oração do Angelus que, em seguida, foi encorajada por muitos Papas.
 
A devoção das Três Ave Maria para obter a graça de uma boa morte começou no século XIII, em um mosteiro de Rodersdorf, na Alemanha, onde viveu Santa Matilde de Helfta, desde seus sete anos de idade até a morte, em 1297. A prece piedosa das Três Ave Maria praticada por esta Santa nos foi transmitida através do livro ‘Revelações’, que trata de sua vida, rica de experiências espirituais. Nele narrou que, em suas preces à Virgem, sempre pedia seu amparo na hora da morte. Certa noite, Maria Santíssima lhe apareceu em sonho e a tranqüilizou dizendo para rezar todos os dias Três Ave Marias, em louvor à Santíssima Trindade: primeira em honra ao Pai, a segunda em honra ao Filho e a terceira em honra ao Espírito Santo. Assim, teria assegurado uma hora final para a vida eterna cheia de paz e de santa serenidade.

No século XVI, Santo Leonardo de Porto Maurício, este franciscano fervoroso devoto de Maria, e grande pregador missionário, contribuiu muito para difundir a devoção a Nossa Senhora das Três Ave Maria, da qual era assíduo praticante. Mais tarde encontraremos em Santo Afonso Maria de Ligório mais um dos célebres apóstolos seguidores convictos desta invocação. Assim com o singular Santo Cura d’Ars que se valeu da propagação dessa devoção Mariana e restaurou a vida cristã da sua diocese, então afastada dos valores da Santa Igreja.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Um presente aos devotos de Santa Terezinha.

Belíssimas imagens que ilustram alguns momentos da vida de Santa Terezinha, e toda a sua simplicidade:

(Santa Terezinha)


(Santa Terezinha e sua mãe Zélia Martin)
(Santa Terezinha e seu pai Luís Martin)



(Santa Terezinha aos pés de Leão XIII, pedindo-lhe permissão para entrar no Carmelo)


(Santa Terezinha em seu leito de morte)

(Santa Terezinha e suas irmãs)









(Santa Terezinha jogando rosas na procissão de Corpus Christi)

(Santa Terezinha é curada de uma grave enfermidade pela Virgem Santíssima)

(Santa Terezinha intercedendo pela salvação de um assassíno)


Fonte:

A sentença da alma culpada no juízo particular



Discedite a me, maledicti, in ignem aeternum, qui paratus est diabolô et angelis eius – “Apartai-vos de mim, malditos para o fogo eterno, que está aparelhado para o diabo e os seus anjos” (Matth. 25, 41).

I. Desgraçada da alma cuja vida no juízo não for achada conforme à de Jesus Cristo! Tendo um dos cortesãos de Filipe II dito uma mentira a seu amo, este o repreendeu dizendo: “É assim que me enganas?” O desgraçado, ao voltar à casa, morreu de pesar. Que fará pois, que responderá o pecador a Jesus Cristo, seu Juiz?... Fará como aquele homem do Evangelho que, apresentando-se no banquete nupcial sem o vestido conveniente, se calou, não sabendo que responder: At ille obmutuit (1). O próprio pecado lhe fechará a boa e o cobrirá de tal forma de vergonha, que, no dizer de São Basílio, a confusão será então para o pecador um tormento mais horrível que o fogo do inferno.

O divino Juiz pronunciará sem demora a sentença inapelável: Discedite a me, maledicti, in ignem aeternum – “Aparta-te de mim, maldito, e vai arder para sempre no fogo eterno.” Oh, que voz aterradora será esta! Santo Anselmo diz que, “quem não treme a uma voz tão terrível, não dorme, mas está morto”. E Eusébio acrescenta que “tamanho será o espanto dos pecadores ao ouvirem a sua condenação, que morreriam de novo, se pudessem morrer outra vez”.

Então já não há suplicar, já não há recorrer a intercessores. Com efeito, a quem recorrerão? Pergunta São Basílio. Porventura a Deus, a quem desprezaram? Aos Santos? Ou a Maria? Não, pois que então as estrelas, que são os Santos, nossos advogados, cairão do céu; e a lua, quer dizer Maria, perderá a sua luz (2). Diz Santo Agostinho: Maria fugirá da porta do paraíso. – Ó Deus, exclama Santo Tomás de Vilanova, com que indiferença ouvimos falar do juízo, como se não pudesse ser nossa a sentença de condenação, ou como se não tivéssemos de ser julgados! Oh! Que demência é viver seguro em tamanho perigo! Se a morte nos colhesse neste instante, que sorte havia de ser a nossa?

II. Meu irmão, assim te avisa Santo Agostinho, não digas: É possível que Deus me queira mandar ao inferno? Não fales assim, diz o Santo, porque tantos réprobos não pensavam que seriam lançados ao inferno; mas afinal veio a hora do castigo:Finis venit, venit finis; ... nunc complebo furorem meum in te, et iudicabo (3) – “O fim vem, vem o fim; ... agora satisfarei em ti o meu furor e te julgarei”. – Como observa São Boaventura, devemos imitar os negociantes prudentes que, para não abrirem falência, revistam e ajustam muitas vezes as contas. Devemos, acrescenta Santo Agostinho, ajustar as contas antes do juízo, porque agora podemos aplacar o juiz, mas não na hora do juízo. Devemos, numa palavra, dizer com São Bernardo: Meu divino Juiz, quero que me julgueis e me castigueis agora durante a vida, porque ainda é tempo de misericórdia e me podeis perdoar, mas, depois da morte, é só tempo de justiça: Volo indicatus praesentari, non iudicandus.

O meu Deus, reconheço, que se agora Vos não aplaco, não terei então tempo para Vos aplacar. Como, porém, Vos aplacarei eu, que tantas vezes desprezei a vossa amizade, por miseráveis prazeres? Paguei com ingratidão o vosso amor infinito. Como pode uma criatura satisfazer dignamente pelas ofensas feitas a seu Criador? Meu Senhor, graças Vos dou que a vossa misericórdia me forneceu o meio de Vos aplacar e satisfazer. Ofereço-Vos o sangue e a morte de Jesus, vosso Filho, e desde já vejo tranquilizada e superabundantemente satisfeita a vossa justiça. É preciso, porém, ajuntar a isso o meu arrependimento. Ah! Sim, meu Deus, de todo o coração me arrependo de todas as injúrias que Vos fiz.

Julgai-me agora, ó meu Redentor. Detesto, mais que todos os males, os desgostos que Vos dei. Amo-Vos sobre todas as coisas, de todo o meu coração, e proponho amar-Vos sempre e antes morrer que ofender-Vos. Prometestes perdoar a quem se arrepende; pois bem julgai-me agora e perdoai-me os meus pecados. Aceito a pena que mereço; mas restabelecei-me na vossa graça, e conservai-me nela até à morte. Assim espero. – Ó Maria, minha Mãe, agradeço-Vos tantas misericórdias que me impetrastes; dignai-vos continuar a proteger-me até o fim. (*II 111.)

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1. Matth. 22, 12.
2. Matth. 24, 29.
3. Ez. 7, 6et 8.
(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 201-203.)

Fonte: São Pio V