sábado, 16 de agosto de 2014

A mulher impura que se condenou

"Os olhos não se fartam de ver, nem os
ouvidos de ouvir."
 (Eclesiastes 1,8)
Eis um triste exemplo de Condenação de uma mulher e a grandíssima importância da boa Confissão:

"Exemplo de uma senhora que por muitos anos calou na confissão um pecado desonesto. Refere Santo Afonso e mais particularmente o Padre Antônio Caroccio, que passaram pelo país em que vivia esta senhora dois religiosos, e ela, que sempre esperava confessor forasteiro, rogou a um deles que a ouvisse em confissão,e confessou-se. Logo que partiram os padres,o companheiro disse ao confessor ter visto que, enquanto a sr.ª se confessava,saiam de sua boca muitas cobras e uma serpente enorme deixava ver fora sua cabeça,mas voltava de novo para dentro, e após ela todas as que antes saíram. Suspeitando o confessor o que aquilo poderia significar, voltou a cidade e a casa daquela sr.ª, onde lhe disseram que ela, no momento de entrar na sala, morrera repentinamente.

Por três dias seguidos jejuaram e oraram por ela, suplicando ao Senhor que lhes manifestasse aquele caso.
AO TERCEIRO DIA APARECEU-LHES A INFELIZ SENHORA CONDENADA E MONTADA SOBRE UM DEMÔNIO, EM FIGURA DE UM DRAGÃO HORRÍVEL COM DUAS SERPENTES ENROSCADAS AO PESCOÇO, QUE A AFOGAVAM E LHE COMIAM OS PEITOS, UMA VÍBORA NA CABEÇA, DOIS SAPOS NOS OLHOS, SETAS ARDENTES NAS ORELHAS, CHAMAS DE FOGO NA BOCA E DOIS CÃES DANADOS QUE LHE MORDIAM E LHE COMIAM AS MÃOS; E DANDO UM TRISTE E ESPANTOSO GEMIDO, disse:

— Eu sou a desventurada sr.ª que vossa V. Rvm.ª confessou há 3 dias, conforme eu ia confessando, meus pecados saíam de minha boca, e aquela serpente enorme, que o companheiro viu sair de minha cabeça e voltou depois para dentro, em figura dum pecado desonesto que calei sempre por vergonha; quis confessá-lo com V. Rvma., mas também não me atrevi por isso, voltou a entrar dentro, e com ele todos os mais que haviam saído. Cansado já Deus de tanto esperar-me, tirou-me repentinamente a vida e me precipitou no inferno, onde sou atormentada pelos demônios em figura de horrendos animais. A VÍBORA ME ATORMENTA A CABEÇA PELA MINHA SOBERBA E EXCESSIVO CUIDADO EM PENTEAR OS CABELOS, OS SAPOS CEGAM-ME OS OLHOS, POR MEUS OLHARES LASCIVOS; AS FLECHAS ACESAS ME ATORMENTAM OS OUVIDOS, PORQUE ESCUTEI MURMURAÇÕES, PALAVRAS E CANTIGAS OBSCENAS; O FOGO ABRASA-ME A BOCA PELAS MURMURAÇÕES E BEIJOS TORPES; TENHO AS SERPENTES ENROSCADAS NO PESCOÇO E ME COMEM OS PEITOS, PORQUE OS LEVEI DUM MODO PROVOCATIVO, PELO DECOTE DE MEUS VESTIDOS E PELOS ABRAÇOS DESONESTOS; OS CÃES ME COMEM AS MÃOS, PELAS MÁS OBRAS E TATOS IMPUROSMAS O QUE MAIS ME ATORMENTA É O HORROROSO DRAGÃO EM QUE VOU MONTADA, E QUE ME ABRASA AS ENTRANHAS EM CASTIGOS DE MEUS PECADOS IMPUROS. Ai! Que não há remédios para mim, senão tormentos e pena eterna! AI DAS MULHERES! Acrescentou; porque muitas delas se condenam por 4 gêneros de pecados: por pecado de impureza, pelasgalas e enfeites, por feitiçaria e por calar pecados nas confissõesOs homens se condenam por toda a classe de pecados, mas as mulheres principalmente por estes quatro pecados.
Disto isto, abriu-se a terra e por ela entrou esta infeliz mulher, até o mais profundo do inferno, onde padece e padecerá por toda a eternidade!" [i]

Mas que vergonha! Pelo bem imutável, pelo prêmio inestimável, para honra suprema e pela glória sem fim, o menor esforço nos cansa. Envergonha-te, pois, servo preguiçoso e murmurador, por serem os mundanos mais solícitos para a perdição que tu para a salvação. Procuram eles com mais gosto a vaidade que tu a verdade. [ii]
Quem me segue não anda nas trevas, diz o Senhor (Jo 8,12). São estas as palavras de Cristo, pelas quais somos advertidos que imitemos sua vida e seus costumes, se verdadeiramente queremos ser iluminados e livres de toda cegueira de coração. Seja, pois, o nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo. [iii]

Em todas as coisas olha o fim, e de que sorte estarás diante do severo Juiz a quem nada é oculto, que não se deixa aplacar com dádivas, nem aceita desculpas, mas que julgará segundo a justiça. Ó misérrimo e insensato pecador! Que responderás a Deus, que conhece todos os teus crimes, se, às vezes, te amedronta até o olhar dum homem irado? Por que não te acautelas para o dia do juízo, quando ninguém poderá ser desculpado ou defendido por outrem, mas cada um terá assaz que fazer por si? Agora o teu trabalho é frutuoso, o teu pranto aceito, o teu gemer ouvido, satisfatória a tua contrição. [iv]


Certo é que não podes fruir dois gozos: deleitar-se neste mundo, e depois reinar com Cristo. [v]

Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade (Ecle 1, 2)senão amar a Deus e só a ele servir. A suprema sabedoria é esta: pelo desprezo do mundo tender ao reino dos céus. [vi]

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Notas:
[i] Santo ANTÔNIO MARIA CLARET. O Caminho RETO. Exemplos de vários estados: p. 100 e 101.
[ii] KEMPIS, Tomás de. Imitação de Cristo. liv. III, cap. II, 3.
[iii] KEMPIS, Tomás de. Imitação de Cristo. liv. I, cap. I, 1.
[iv] KEMPIS, Tomás de. Imitação de Cristo. liv. I, cap. I, 3.
[v]  KEMPIS, Tomás de. Imitação de Cristo. liv. I, cap. XIV, 6.
[vi] KEMPIS, Tomás de. Imitação de Cristo. liv I.  cap. XXIV, 1.

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