quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Os efeitos entorpecedores da televisão ao cérebro



A televisão está nos convertendo em zumbis

por Wes Moore


A televisão é um narcótico que causa dependência, e um dos mais potentes dispositivos de controle mental já produzidos.  E eu não estou me baseando somente em intuição.  Eu tenho evidência neurológica para prová-lo.

Qualquer comportamento que conduz a uma experiência prazerosa será repetida, especialmente se aquele comportamento requer pouco esforço.  Psicólogos chamam esse padrão de “reforço positivo”.  Isso é o que nós queremos dizer, tecnicamente falando, por vício.  Nesse sentido, a televisão certamente ajusta-se à categoria de um agente que causa dependência.

Quando você liga a TV, a atividade do cérebro transfere-se do hemisfério da esquerda para a direita.  Em verdade, experimentos conduzidos pelo pesquisador Herbert Krugman demonstraram que enquanto espectadores estão vendo televisão, o hemisfério direito está duas vezes mais ativo que o esquerdo, uma anomalia neurológica. [1]

O cruzamento da esquerda para a direita libera uma tempestade de narcóticos naturais do corpo: endorfinas e beta-endorfinas. A endorfina é estruturalmente idêntica ao ópio e seus derivados (morfina, codeína, heroína etc.).

Atividades que liberam endorfinas (também chamadas peptídeos opióides) são freqüentemente formadores de hábito (nós raramente dizemos que causam dependência). Estes incluem estalar os dedos, exercícios tenazes e orgasmo.  Narcóticos externos agem nos mesmos locais receptores (receptores opióides) como endorfinas, de forma que há pouca diferença entre os dois.

Realmente, até espectadores casuais de televisão experimentam tais sintomas de recuo de entorpecimento se eles param de ver TV por um período prolongado de tempo.  Um artigo da Província Herald, no Leste da África do Sul (Outubro de 1975), descreveu dois experimentos em que foi pedido que pessoas de vários segmentos sócio-econômicos parassem de ver televisão.  Em um experimento várias famílias se voluntariaram a desligarem suas TVs por apenas um mês.

As famílias mais pobres cederam em uma semana, e as outras sofreram de depressão, dizendo que se sentiam como se tivessem "perdido um amigo". No outro experimento, 182 alemães ocidentais concordaram em dar um pontapé no seu hábito de ver televisão por um ano, em troca de um acrescido bônus de pagamento. Ninguém pôde resistir ao desejo por mais do que seis meses, e ao longo do tempo todos os participantes demonstraram os sintomas de recuo do narcótico: aumento da ansiedade, frustração e depressão.

O VÍCIO À TV

Os sinais do vício estão ao nosso redor.  O Americano médio assiste mais de quatro horas de televisão todos os dias, e 49% destes continuam a assistir apesar de admitirem fazê-lo excessivamente.  Esses são os indicadores clássicos de um viciado em contradição: viciados sabem que eles estão fazendo o mal para si, mas continuam a usar a droga sem dar a devida atenção.

O aparelho de televisão funciona como um sistema de entrega de droga de alta tecnologia, e nós todos sentimos seus efeitos. A questão é, pode um vício à televisão ser destrutivo?  A resposta que nós recebemos da ciência moderna é um retumbante “Sim!"

Primeiro de tudo, quando você está assistindo televisão, as regiões mais elevadas do cérebro (como o cérebro intermediário e o novo córtex) são desligados, e as principais atividades transferem-se para as regiões mais baixas do cérebro (como o sistema límbico). Os processos neurológicos que tomam lugar nessas regiões não podem exatamente ser chamados de "cognitivos".

Os menores cérebros ou o cérebro do réptil simplesmente permanece equilibrado para reagir ao ambiente usando programas profundamente entalhados de resposta "combater ou fugir". Demais a mais, essas regiões mais baixas do cérebro não podem distinguir a realidade de imagens fabricadas (um trabalho desenvolvido pelo novo córtex), assim eles reagem ao conteúdo da televisão muito embora ele seja real, liberando hormônios apropriados e assim em diante. Estudos têm provado que, ao longo prazo, demasiada atividade no cérebro mais baixo conduz à atrofia nas regiões mais altas.

É interessante registrar que o cérebro baixo/límbico/do réptil correlaciona-se ao circuito de bio-sobrevivência do Modelo dos 8 Circuitos de Consciência Leary/Wilson.

Esse é o nosso principal circuito, a "presença" básica que nós normalmente associamos com a consciência.  Esse é o circuito onde nós recebemos nossa primeira impressão neurológica (a impressão oral), que nos condiciona a avançar rumo a qualquer coisa quente, prazerosa e/ou protetiva no ambiente.  O circuito de bio-sobrevivência é nosso mais infantil, nosso meio mais primário de lidar com a realidade.

EFEITO DO CONTROLE DO CÉREBRO DIREITO

A pesquisa da Herbert Krugman provou que assistir televisão paralisa o cérebro esquerdo e deixa o cérebro direito executar todas as responsabilidades cognitivas.  Isso tem algumas implicações assustadoras para os efeitos da televisão no desenvolvimento e saúde do cérebro. Para uns, o hemisfério esquerdo é a região crítica para organizar, analisar e julgar dados entrantes.  O cérebro direito lida de forma não crítica com dados entrantes, e ele não decifra ou divide a informação em suas partes componentes.

O cérebro direito processa informação em conjuntos, levando a respostas mais emocionais do que intelectuais.  Nós não podemos racionalmente ocupar-se com o conteúdo apresentado na televisão porque essa parte de nosso cérebro não está em funcionamento. É, portanto, sem surpresa que as pessoas raramente compreendem o que vêem na televisão, como foi demonstrado por um estudo conduzido pelo pesquisador Jacob Jacoby. Jacoby descobriu que, dentre 2.700 pessoas testadas, 90% entenderam mal o que observavam na televisão somente cinco minutos antes.  Por enquanto não há explicação por qual motivo nos transferimos para o cérebro direito enquanto assistimos televisão, mas sabemos que esse fenômeno é imune ao conteúdo.

Para um cérebro compreender e comunicar significado complexo, ele deve estar em um estado de "desequilíbrio caótico".  Isso significa que deve haver um fluxo dinâmico de comunicação entre todas as regiões do cérebro, que facilitam a compreensão dos níveis mais elevados de ordem (quebrando limiares conceituais), e levando à formação de idéias complexas.  Altos níveis de atividade cerebral caótica estão presentes durante tarefas desafiadoras como leitura, escrita e equações matemáticas em sua cabeça.  Elas não estão presentes enquanto você vê TV.

PERIGOSO À AUTO-ESTIMA; MANTÉM O STATUS QUO

Em acréscimo a seus efeitos neurológicos devastadores, a televisão pode ser danosa para seu sentido de valor próprio, sua percepção do ambiente, e sua saúde física.  Pesquisas recentes têm demonstrado que 75% das mulheres americanas pensam que estão acima do peso, provavelmente como resultado de assistir cronicamente atrizes e modelos magras quatro horas por dia.

A televisão tem também semeado uma "cultura do medo" nos EUA afora, com seu foco no sensacionalismo amigável do cérebro límbico de programação violenta.  Estudos têm demonstrado que as pessoas de todas as gerações grandemente superestimam a ameaça de violência na vida real.  Isso não é sem surpresa, porque seus cérebros não podem discernir realidade de ficção enquanto assistem TV.

Televisão é ruim para seu corpo também.  Obesidade, privação do sono e desenvolvimento sensorial atrofiado são todos comuns entre viciados em televisão.

Todas as outras drogas aparentemente colocam-se como uma ameaça à ordem social estabelecida.  A televisão, porém, é uma droga que é realmente essencial para manter a infra-estrutura social.  Por quê?  Porque ela lava o cérebro dos consumidores para gastarem dinheiro no vazio escancarado de suas vidas cheias de terror e sem significado. E por lavagem do cérebro, eu quero dizer que elas foram hipnotizadas usando muitas técnicas sutis e estabelecidas que, quando combinadas com os efeitos naturais da televisão nas ondas do cérebro, contribuem para os mais ambiciosos ardis de engenharia psicológica já confeccionados.

O psicofisiologista Thomas Mulholland descobriu que após apenas 30 segundos vendo televisão, o cérebro começa a produzir ondas alfa, que indicam taxas de atividade letárgicas (quase comatosas). Ondas cerebrais alfa são associadas com desconcentrados e excessivos estados receptivos de consciência. Uma alta freqüência de ondas alfa não ocorre normalmente quando os olhos estão abertos.  Em verdade, a pesquisa de Mulholland indica que assistir televisão é neurologicamente análogo a encarar uma parede branca.

Eu deveria registrar que o objetivo dos hipnotizadores é induzir estados de lentas ondas cerebrais.  Ondas alfa estão presentes durante o estado de "luz hipnótica" utilizado por hipno-terapeutas para terapia de sugestão.

Quando a pesquisa de Mulholland foi publicada, ela impactou grandemente em marketing e propaganda.  Percebendo que os espectadores automaticamente entram em um estado de transe enquanto vêem televisão, os marketeiros começaram a esboçar comerciais que produzem estados de inconsciência emocional ou humor com o espectador.

O alvo de comerciais não é apelar para a mente racional ou consciente (que usualmente descarta anúncios), mas de preferência implantar atmosferas que o consumidor associará com o produto quando ele é encontrado na vida real.  Quando nós vemos exposições de produtos em uma loja, por exemplo, aquelas emoções positivas são despertadas. Aprovações de atletas amados e outras celebridades evocam as mesmas associações. Se você já duvidou do poder dos anúncios de televisão, carreguem isso em mente: comerciais funcionam melhor se você não está lhes dando atenção!

Um dispositivo de controle mental que causa dependência . . . o que mais poderia um governo ou uma corporação lucrativa pedir? Mas a coisa realmente triste a respeito da televisão é que ela converte a pessoa num zumbi, ninguém é imune.  Não há nenhuma ordem mais elevada de seres super-inteligentes e nefandos por trás disso.  É o produto de nosso completo desejo humano de modificar nosso estado de consciência e escapar das durezas da realidade.

Eu gostaria de anunciar uma campanha para os meus.  Na próxima semana, nós celebraremos o que eu gosto de chamar de Semana para se livrar da TV.  Eu encorajo a todos vocês venderem suas televisões, e usarem o dinheiro para comprarem alguns livros.

Nós estamos vivendo no Admirável Mundo Novo, somente isso não é tão admirável, ou menos novo.  Em verdade, está parecendo mais e mais com a Idade das Trevas, com massas de zumbis do neolítico obedecendo a autoridade da nova casta sacerdotal: Regis Philbin e Jerry Springer.

Notas:

[1] Krugman, Herbert E. "Brain wave Measures of Media Involvement," Journal of Advertising Research 11.1 (1971): 3-9. Krugman posteriomente se tornou gerente de pesquisa de opinião pública na General Electric.

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Esse artigo é do Vol. 2, Issue No. 2 pages 59-66
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