quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A Sagrada Família modelo de paz e concórdia

Consideremos o amor de José, para com sua santíssima Esposa. Era Ela a mais formosa entre todas as mulheres, a mais humilde, a mais obediente, a mais pura das almas, e a que Deus mais amou, acima de todos os homens e de todos os Anjos. Merecia, pois que São José, que tanto amava a virtude, Lhe dedicasse um amor extremo, superior a toda apreciação. A todos estes atrativos juntemos ainda o do afeto, com que se via amado de Maria, que certissimamente queria a sua Esposa mais do que a todas as outras criaturas. Por outro lado considerava-A como a Amada do Senhor e a escolhida dentre todas, para ser a Mãe do Seu Unigênito Filho. Fácil será de conceber qual seria, por todos estes motivos, o afeto do coração justo, generoso e agradecido de São José para com sua castíssima Esposa. Consideremos, além disso, o amor de José e de Maria ao seu Jesus. Havendo-os Deus escolhido para servirem de pais ao Seu Unigênito, lhes havia adornado os corações com o amor paternal o mais acrisolado, qual convinha tivessem a semelhante Filho, tão amável e que era o próprio Deus.

Não foi, pois, simplesmente natural o amor de José e de Maria, como os dos outros pais; mas foi sobrenatural, por isso que viam numa só pessoa reunidos o seu próprio Filho e o de Deus: Sabiam ser este Menino, que sempre os acompanhava, o próprio Verbo divino Encarnado por amor dos homens e particularmente por amor seu: que este adorável Infante por Si mesmo os havia a eles escolhido; dentre todos os homens, para serem seus pais, e protetores de Sua vida terrena.

Avaliemos, pois, se é possível, como todas estas considerações haviam de abrasar em incêndios de amor os corações de José e de Maria, ao verem o seu divino Mestre, servindo como operário, abrindo ou fechando a oficina, serrando madeira, manejando a plaina ou o machado, juntando os cavacos e fragmentos, varrendo a casa, e obedecendo-lhes, numa palavra, em tudo quanto Lhe mandavam, e dependendo de sua autoridade em tudo quanto fazia. 

De que terníssimos afetos se não inundariam os corações de José e de Maria, quando tinham ao colo este amabilíssimo Menino, quando Lhe prodigalizavam as suas carícias, ou dEle as recebiam! quando ouviam sair de Seus lábios essas palavras de vida eterna, que eram outras tantas setas ardentes de amor divino, que lhes atravessavam e incendiavam as almas: e sobretudo quando contemplavam os sublimes exemplos de virtude, que lhes dava o seu divino companheiro! 

Entre as pessoas que se amam sucede muitas vezes, que o amor se vai entibiando, a medida que se freqüentam, porque, quanto mais se tratam e comunicam melhor manifestam umas às outras os próprios defeitos. Não era, porém, assim com José e Maria; quanto mal tratavam com Jesus melhor lhe conheciam a santidade e às perfeições: e daqui se pode avaliar o grau de amor de Jesus, a que deviam ter chegado, gozando por tantos anos de Sua companhia e familiaridade.  

O adorável Menino correspondia, por Seu turno, com um amor divino àqueles que tanto O amavam. 

Oh! que admirável paz, que incendrada e mutua caridade reinava entre os membros da Sagrada Família de Nazaré. 

Oração jaculatória. - Doce coração de Jesus, sede a minha salvação. 
(300 dias de indulgência de cada vez.) 

(A Sagrada Família, por um padre redentorista, 1910, versão do Espanhol por Manuel Moreira Aranha Furtado de Mendonça, Cônego honorário da Sé de Lamego, 3ª Edição, com Breve de Sua Santidade Leão XIII)

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