quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

São Francisco de Assis exorta discípulos a procurarem maior zelo litúrgico nos paramentos litúrgicos e no que é referente ao Santíssimo Sacramento

De uma carta de São Francisco de Assis
 a todos os Superiores dos
Frades Menores:
 
A todos os Custódios dos frades menores que receberem esta carta, Frei Francisco, pequenino servo vosso em Deus Nosso Senhor, deseja a salvação com os novos sinais do céu e da terra, que, grandes e excelentíssimos aos olhos do Senhor, são contudo tidos em conta de vulgares por muitos religiosos e outros homens.
Peço-vos ainda com mais insistência do que se pedisse por mim mesmo, supliqueis humildemente aos clérigos, todas as vezes que o julgueis oportuno e útil, que prestem a mais profunda reverência ao Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo bem como a seus santos nomes e palavras escritos, que tornam presente o seu Sagrado Corpo.
Os cálices e corporais que usam, os ornamentos do altar, enfim tudo quanto se relaciona ao sacrifício, sejam de execução preciosa.
E se em alguma parte o Corpo do Senhor estiver sendo conservado muito pobremente, reponham-no em lugarricamente adornado e ali o guardem cuidadosamente encerrado segundo as determinações da Igreja, levem-no sempre com grande respeito e ministrem-no com muita discrição.

Igualmente os nomes e palavras escritos do Senhor deverão ser recolhidos, se encontrados em algum lugar imundo, e colocados em lugar decente.

E em todas as pregações que fizerdes, exortai o povo à penitência e dizei-lhe que ninguém poder salvar-se se não receber o Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor.
E quando o sacerdote o oferecer em sacrifício sobre o altar, e aonde quer que o leve, todo o povo dobre os joelhos e renda louvor, honra e glória ao Senhor Deus vivo e verdadeiro.
Anunciai e pregai a todo o povo o seu louvor, de modo que a toda hora, ao dobre dos sinos, o povo todo, no mundo inteiro, renda sempre graças e louvores ao Deus onipotente.

E todos os meus Irmãos custódios que receberem esta carta e a copiarem e guardarem consigo e a fizerem copiar para os Irmãos incumbidos da pregação e do cuidado dos Irmãos, e pregarem até o fim o que nela está escrito, saibam que terão a bênção do Senhor Deus e a minha.

E isto lhes seja imposto em virtude da verdadeira e santa obediência. Amém.

E o poverello de Assisi insistia numa segunda
carta com zelosa premência:


A todos os custódios dos frades menores que receberem esta carta, Frei Francisco, o menor dos servos de Deus, envia saudação e santa paz no Senhor.

Sabei que existem algumas coisas que aos olhos de Deus são sumamente superiores e sublimes, as quais os homens por vezes julgam vis e abjetas; e outras existem que os homens tem em alto preço e admiração, ao passo que Deus as vê como as mais vis e abjetas.


Peço-vos, diante de Deus Nosso Senhor, tanto quanto posso, que entregueis aquela carta que trata do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor aos bispos e clérigos e guardai bem na memória o que a respeito disso vos recomendamos.

Acerca da outra carta que vos envio, rogo-vos que a façais chegar às mãos dos podestás, cônsules e regentes; fazei dela muitas cópias, para que se divulguem entre os povos e publicamente os louvores de Deus.

Cuidai bem de entregá-la àqueles que a devem receber.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Para a salvação é necessário o sacrifício da vontade própria

Qui facit voluntatem Patris mei, qui in coelis est, ipse intrabit in regnum coelorum — “O que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse entrará no reino dos céus” (Matth. 7, 21).

 
Sumário. O que faz a vontade de Deus, entrará no céu; o que não a faz, não entrará. Se portanto quisermos ser salvos, renunciemos à nossa vontade própria, e entregando-a sem reserva a Deus, digamos freqüentes vezes cada dia: Senhor, ensinai-me a cumprir a vossa vontade santíssima; protesto não querer senão o que quereis Vós. Para que estejamos sempre dispostos a cumprir a vontade divina, é utilíssimo que desde de manhã nos representemos as contrariedades que nos possam suceder durante o dia.

I. O que faz a vontade de Deus, entrará no céu; o que não a faz, nele não entrará. Alguns fazem depender a sua salvação de certas devoções, de certas obras exteriores de piedade, e entretanto não cumprem a vontade de Deus. Jesus Cristo, porém, diz: “Não todos aqueles que me dizem: Senhor, Senhor, entrarão no reino dos céus; mas entrará somente o que faz a vontade de meu Pai” — Qui facit voluntatem Patris mei, qui in coelis est, intrabit in regnum coelorum.

Portanto, se nos quisermos salvar e chegar à união perfeita com Deus, habituemo-nos a rogar-lhe sempre com Davi: Doce me, domine, facere voluntatem tuam (1) — “Senhor, ensinai-nos a fazer a vossa santa vontade.” Ao mesmo tempo desfaçamo-nos da vontade própria e entreguemo-la toda inteira e sem reserva a Deus. — Quando damos a Deus os nossos bens pela esmola, o alimento pelo jejum, o sangue pela disciplina, damos-lhe a nossa própria pessoa. Eis porque o sacrifício da vontade própria é o sacrifício mais aceito que possamos fazer a Deus; e Deus enriquece de graças ao que o faz.

Porém, para que tal sacrifício seja perfeito, deve ter duas qualidades: deve ser feito sem reserva e constantemente. Alguns dão a Deus a sua vontade, mas com reserva, e semelhante dádiva pouco agrada a Deus. Outros dão a Deus a sua vontade, mas logo em seguida tornam a retomá-la, e estes se expõem a grande risco de serem abandonados de Deus. Por isso, todos os nossos esforços, desejos e orações devem ser dirigidos ao fim de obtermos de Deus a perseverança em não querermos senão o que Deus quer. Habituemo-nos a antever desde de manhã, no tempo da meditação, as tribulações que nos possam suceder no correr do dia e a fazermos continuamente atos de resignação à vontade Divina. Diz São Gregório: Minus iacula feriunt, quae praevidentur — “São menos dolorosas as feridas antevistas”.

II. Meu Jesus, cada vez que eu disser: Louvado seja Deus, ou Seja feita a vontade de Deus, tenho intenção de aceitar todas as vossas disposições a meu respeito, no tempo e na eternidade. — Só quero o emprego, a habitação, os vestuários, o nutrimento, a saúde que me tendes destinado. Se quereis que meus negócios não surtam feliz êxito, meus projetos se esvaeçam, meus processos se percam, tudo quanto possuo seja roubado, eu também o quero. Se quereis que eu seja desprezado, odiado, posposto aos outros, difamado e maltratado, até por aqueles a quem mais amo, eu também o quero. Se quereis que eu fique privado de tudo, banido de minha pátria, encerrado numa prisão e viva em penas e angústias contínuas, eu também o quero. Se quereis que esteja sempre enfermo, coberto de chagas, estropiado, estendido sobre um leito, abandonado de todos, eu também o quero; tudo seja como Vos agradar e por quanto tempo quiserdes.


Minha vida mesma ponho nas vossas mãos e aceito a morte que me destinais; aceito igualmente a morte de meus parentes e amigos e tudo o que quiserdes. Quero também tudo o que quereis no que diz respeito ao meu bem espiritual. Desejo Vos amar com todas as minhas forças nesta vida e ir Vos amar no paraíso como Vos amam os Serafins; mas contente fico com o que bem quiserdes conceder-me. Se não quereis dar-me senão um só grau de amor, graça e glória, não quero mais do que isto, porque Vós assim o quereis. Prefiro o cumprimento de vossa vontade a todos os bens. 

Numa palavra, ó meu Deus, de mim e de tudo o que me pertence, disponde como for vossa vontade; com a minha não tenhais consideração alguma, pois só quero o que Vós quereis. Qualquer que seja o tratamento que me deis, amargo ou doce, agradável ou penoso, aceito-o e abraço-o, porque tanto um como outro me virá de vossa mão. — Aceito, meu Jesus, de maneira especial a morte que me espera e todas as penas que devem acompanhá-la, no lugar e momento que for vossa vontade. Unindo-as à vossa santa morte, ó meu Salvador, Vo-las ofereço em testemunho de meu amor a Vós. Quero morrer para Vos agradar e cumprir vossa divina vontade. — Ó Maria, Mãe de Deus, obtende-me a santa perseverança. (*II 279.)
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1. Ps. 142, 10.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 215 - 217.)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Não sejas como quem diz uma coisa e faz outra - São Carlos Borromeu

Do Sermão proferido no último sínodo por São Carlos, bispo
(Acta Eclesiae Mediolanensis, Mediolani 1599,1 177-1178) 
  (Séc.XVI)

São Carlos Borromeu
Somos todos fracos, confesso, mas o Senhor Deus nos entregou meios com que, se quisermos, poderemos ser fortalecidos com facilidade. Tal sacerdote desejaria possuir uma vida íntegra, que dele é exigida, ser continente e ter um comportamento angélico, como convém, mas não se resolve a empregar estes meios: jejuar, orar, fugir das más conversas e de nocivas e perigosas familiaridades. 

Queixa-se de que, ao entrar no coro para a salmodia, ao dirigir-se para celebrar a missa, logo mil pensamentos lhe assaltam a mente e o distraem de Deus. Mas, antes de ir ao coro ou à missa, que fez na sacristia, como se preparou, que meios escolheu e empregou para fixar a atenção?  

Queres que te ensine a caminhar de virtude em virtude e como seres mais atento ao ofício, ficando assim teu louvor mais aceito de Deus? Escuta o que digo. Se ao menos uma fagulha do amor divino já se acendeu em ti, não a mostres logo, não a exponhas ao vento! Mantém encoberta a lâmpada, para não se esfriar e perder o calor; isto é, foge, tanto quanto possível, das distrações; fica recolhido junto de Deus, evita as conversas vãs.  

Tua missão é pregar e ensinar? Estuda e entrega-te ao necessário para bem exerceres este encargo. Faze, primeiro, por pregar com a vida e o comportamento. Não aconteça que, vendo-te dizer uma coisa e fazer outra, zombem de tuas palavras, abanando a cabeça. 

Exerces cura de almas? Não negligencies por isso o cuidado de ti mesmo, nem dês com tanta liberalidade aos outros que nada sobre para ti. Com efeito, é preciso te lembrares das almas que diriges, sem que isto te faça esquecer da tua.  

Entendei, irmãos, nada mais necessário aos eclesiásticos do que a oração mental que precede, acompanha e segue todos os nossos atos: Salmodiarei, diz o Profeta, e entenderei (cf. Sl 100,1 Vulg.). Se administras os sacramentos, ó irmão, medita no que fazes; se celebras a missa, medita no que ofereces; se salmodias no coro, medita a quem e no que falas; se diriges as almas, medita no sangue que as lavou e, assim, tudo o que é vosso se faça na caridade (1Cor 16,14). Deste modo, as dificuldades que encontramos todos os dias, inúmeras e necessárias (para isto estamos aqui), serão vencidas com facilidade. Teremos, assim, a força de gerar Cristo em nós e nos outros.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Momento Catequético – O Protestantismo segundo São Pe. Pio

PERGUNTA – QUE DANO PODE CAUSAR O PROTESTANTISMO À IGREJA?

"O protestantismo é como uma nuvem negra que rapidamente cobre todo o brilho do sol. Sabeis, pois, que uma nuvem não é mais grandiosa que o sol, e que ela não o cobre para sempre. A nuvem passa pelo sol, assim como o protestantismo passará perante a Igreja, sem lhe causar dano algum, pois o que não provém do céu jamais poderá vencer o próprio céu.” (Padre Pio)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O dom da pureza

Pureza, pureza, pureza! exclamava Santa Maria Madalena de Pazzi às suas religiosas, todas as vezes que elas se preparavam para receber a santa comunhão. Pureza de corpo, pureza de alma, pureza de coração, para receber o Deus de toda pureza. Digo-lhes a mesma coisa, meus caros auditores: sede puros, se quiserdes receber o rei das almas puras; sede puros, se quiserdes abrigar em vosso coração o rei das virgens. Pureza, pureza; sem o quê, no lugar de vos tornardes santos, vós vos tornareis sacrílegos; no lugar de crescerdes na graça de Deus, incorrereis cada vez mais em vossa desgraça.

  Sabeis o que fazeis quando recebeis vosso Deus em um coração impuro, manchado pelo pecado mortal? Forçais Jesus a habitar com o demônio. Pois, quando tendes um pecado mortal na alma, o demônio aí reina como mestre. Aí ele está como sobre seu trono, de modo que recebendo Jesus nesse estado, forçais o doce Salvador a se colocar sob os pés do demônio, o relegais a um canto de vosso coração, como um estranho desconhecido que é desprezado. 

  Raios da justiça divina, por que estais mudas? Ribombem completamente para vingar um ultraje tão atroz cometido contra o Deus de majestade! Não, aquele que recebe Deus em estado de pecado mortal não merece nenhuma compaixão, não é digno de piedade. Que crime! Um Deus aos pés do demônio! Um Deus aos pés do demônio! Ouvi-me bem. Se um homem distinto viesse até vossa casa e pedisse para passar uma noite, teríeis coragem de mandá-lo se deitar em uma cama de um leproso completamente coberto de feridas e de pus? Não obstante ousais, por uma comunhão feita em estado de pecado mortal, colocar sob os pés do demônio o vosso Salvador, o vosso Deus! Ó! Que crime hediondo! Que desordem abominável!

  Um dia Santa Margarida de Cortona, assistindo à missa, viu, na elevação, Jesus menino entre as mãos do padre. Porém as mãos eram horríveis, repugnantes e mais negras que o carvão, e esse padre desafortunado tinha o aspecto de um demônio. Ao mesmo tempo, a Santa ouviu o Menino divino lhe dizer com um tom lamuriento: “Veja, veja Margarida, como sou tratado por esse miserável, assim como por centenas e milhares de outros, que me recebem em estado de pecado mortal”. Ah! meu doce Jesus, compreendo bem porque eles vos tratam indignamente, pois eles vos forçam a viver em companhia dos demônios. Ó! Que crime! Que desordem horrível! Não há aqui nenhum desses pecadores sacrílegos? Ah! para pecado semelhante um inferno será pouco demais, ele merece mil deles. E aí daquele que durante essa santa missão não abraçar a penitência com fervor!

  Porém percebo, infelizmente! que esses infelizes têm o coração duro demais e não estão dispostos a chorar por suas execráveis malícias. Então o façamos por eles, meus irmãos, e, prostrados diante do Santíssimo Sacramento, peçamos perdão a Jesus por tantos sacrilégios que foram cometidos na Igreja de Deus. Ah! Senhor, quantas vezes vossos fiéis, vossos próprios ministros profanaram vossos templos, vossos altares! Quantos sacrilégios horríveis são cometidos por toda parte! Que excesso de misericórdia vos é necessário para perdoar crimes tão grandes! Ah! Perdoe, Senhor, perdoe: Parce, Domine, parce.

  Batamo-nos todos no peito, dizendo: Perdão, ó meu Jesus, perdão! Ei-nos aqui aos vossos pés, Senhor, aflitos, contritos, dispostos a odiar todos os nossos pecados, sem exceção, mas particularmente aqueles que cometemos ao vos ultrajar no Sacramento de vosso amor. Ó bondade, ó majestade, ó beleza infinita! Como ousamos vos ofender, estando nós obrigados a vos amar? Perdão, ó meu amável Jesus, perdão!

  Porém como satisfaremos a justiça divina por tais crimes? São João Crisóstomo diz que a boca do cristão que comunga se enche de fogo: Os quod igne spirituali repletur. De um fogo que consome e inflama: que consome a mancha de todos os pecados que cometemos e de todos os maus hábitos que contraímos. Que inflama de amor nosso coração, nossos sentidos, e todas as potências do nosso ser, e renova o homem inteiro. Mas tudo isso deve ser entendido daqueles que comungam em estado de graça, e fazem um uso adequado desse Sacramento divino. Quanto a vós, pecador, não vedes o abismo onde vos precipitardes? Ficai atento, pois o raio da ira divina está suspenso sobre vossa cabeça: muitos doutores ensinam que o castigo mais comum cujo Deus puni os pecadores sacrílegos, tais como vós, é, sabeis qual? uma morte súbita. Ficai atento para que esse castigo terrível não vos atinja. Assim, a fim de evitar o golpe, faças a tempo uma boa confissão.

  Consequentemente, a prática que vos recomendo nessa noite, e que é outrossim a mais necessária, é uma boa e santa confissão. Confessai-vos bem, meus irmãos, confessai-vos bem. Após terdes feito uma boa confissão, fareis também uma boa e santa comunhão. 

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São Leonardo de Porto Maurício, in: “Sermons, exortations et confèrences pour les missions”.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Frases de Dom Bosco aos Educadores e sobre a Juventude


''Em todo jovem mesmo no mais infeliz, há um ponto acessível ao bem e a primeira obrigação do educador é buscar esse ponto, essa corda sensível do coração, e tirar bom proveito''.




''A prática desse sistema é toda apoiada sobre a palavras de São Paulo, que diz: A caridade é paciente, é benigna, tudo sofre, tudo espera e suporta qualquer incômodo''.


"Consideremos (nossos alunos) como filhos, pondo-nos a seu serviço, e não dominando''.


''Familiaridade com os jovens especialmente no recreio, sem familiaridade não se demonstra afeto, e sem essa demonstração não pode haver confiança. Quem quer ser amado deve demonstrar que ama. O mestre, visto apenas na cátedra é mestre e nada mais, mas, se está no recreio com os jovens torna-se irmão...''


''Meus caros jovens, eu vos amo de todo coração, basta-me saber que sois jovens para que vos ame profundamente''.


''Essa querida juventude foi sempre terno objeto de minhas ocupações, dos meus estudos, do meu ministério sacerdotal e da nossa congregação''.


''Fiz tudo quanto soube e pude pelos jovens, que são o amor de toda minha vida''.


''Conseguir-se-á mais com um olhar de bondade com uma palavra animadora, que encha o coração de confiança , do que com muitas repreensões que só trazem inquietações e matam a espontaneidade''.


''Que os jovens não sejam amados, mas que eles próprios saibam que são amados... 
Que, sendo amados nas coisas que lhe agradam, aprendam a ver o amor nas coisas que naturalmente poucos lhe agradam... ''


''O meu sistema? Simplicíssimo: deixar aos jovens plena liberdade de fazer o que mais lhe agrada. O problema é descobrir neles germes de boa disposição e procurar desenvolve-los''.


''Geralmente os professores tendem a ser comprazer como os alunos que se sobrassem nos estudos e na capacidade, e na explicação têm vista só esses...

Eu sou do parecer oposto. Creio que seja dever de todo professor olhar mais os mais fracos da aula... ''

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Duas Historinhas

COMUN
a) O AMOR DOS PEQUENINOS
Perguntaram a uma piedosa jovenzinha:
- Que é a Primeira Comunhão?
- É um dia de céu na terra.
Perguntaram-lhe em seguida:
- E que é o céu?
- É uma Primeira Comunhão que nunca terá fim – respondeu ela graciosamente.
E respondeu muito bem, porque a felicidade dos Anjos e Santos no céu consiste em possuir a Deus eternamente. Ora, não é justamente a Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que possuímos na Santa Comunhão?b) DENTES DE LEITE
Escrevia em 1915 um missionário: Uma orfãzinha do Orfanato de Trichinopoli, que poderia ter dois palmos de altura, veio um dia suplicar-me que a admitisse à Primeira Comunhão.
- Que idade tens? perguntei-lhe.
- Ah! isso não sei.
Recolhida de lugar desconhecido, não pode saber quantos anos tem; nem as Irmãs o puderam descobrir.
- Mostra-me os dentes – disse.
Com um sorriso gracioso descobre a inocentinha duas filas de alvíssimos dentinhos.
- Oh! exclamei; os teus dentes de leite dizem-me que não tens nem sete anos. Portanto, este ano não farás a Primeira Comunhão.
Meu Deus! quem o acreditaria? tendo ouvido aquelas palavras, a menina, sem dizer a ninguém, corre ao quintal, toma uma pedra e, intrepidamente, faz saltar da boca todos os dentinhos. Depois, com a boca ensanguentada, mas com ar de triunfo, volta e diz-me:
- Padre, não tenho mais nem um dente de leite. Dai-me, oh! dai-me Jesus! Eu o quero muito bem!…
Chorando de comoção – diz o missionário – tomei-a em meus braços e segredei-lhe ao ouvido:
- Filha, amanhã te darei Jesus…
Sim, não podia deixar de atendê-la.
Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves
Fonte:

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A santa missa é um meio eficaz para obtermos as graças de Deus


In omnibus divites facti estis in illo — “Em todas as coisas fostes enriquecidos nele” (1 Cor, 1, 5).

Sumário. Posto que o Senhor esteja sempre disposto a nos conceder as suas graças, dispensa-as todavia com mais largueza no tempo da missa aos rogos do sacerdote, juntos aos de Jesus Cristo que é o oferente principal. Os mesmos anjos aproveitam o tempo da missa para intercederem mais eficazmente em nosso favor; e o que então se não obtém, obter-se-á dificilmente em outro tempo. Que tesouros podemos, pois, ajuntar pela celebração devota do divino sacrifício e pela sua devota assistência!

I.  Considera que a santa missa é um verdadeiro sacrifício impetratório, isto é, instituído para alcançar de Deus os auxílios e as graças de que necessitamos. É uma verdade da fé que o Pai Eterno dispensa seus favores sempre que forem pedidos pelos merecimentos de Jesus Cristo: Si quid petieritis Patrem in nomine meo, dabit vobis(1) — “Se pedirdes alguma coisa a meu Pai em meu nome, Ele vô-la dará”. Observa, porém, São João Crisóstomo, que no tempo da missa Deus os dipensa com maior largueza aos rogos do sacerdote, porque estes então são acompanhados e reforçados pelos rogos do próprio Jesus Cristo, o oferente principal, que neste sacrifício se oferece ao Pai, afim de nos obter as graças. Pelo que um grande servo de Deus dizia: Quando celebro e tenho Jesus Cristo na mão, alcanço tudo que desejo.


Se soubéssemos que todos os Santos do paraíso, em união com a divina mãe, intercedem por nós, que confiança não teríamos de tudo suceder para nosso proveito? Pois bem, é certíssimo que um só pedido de Jesus Cristo vale infinitamente mais do que todos os pedidos dos Santos. Este pedido, posto que, na palavra de São Paulo, Jesus Cristo o faça por nós continuamnete no céu (Qui etiam  interpellat pro nobis(2)  — “Que também intercede por nós”) fá-lo todavia especialmente na hora da missa, na qual se renova o sacrifício da Cruz.

Eis porque, como se exprime o Concílio de Trento, o tempo da celebração da missa é exateamente aquele em que o Senhor está not rono da graça, ao qual o Apóstolo nos exorta que recorramos com confiança para obtermos a divina misericórdia: Adeamos ergo cum fiducia ad thronum gratiae (3). São João Crisóstomo  atesta que os mesmos anjos esperam o tempo da missa para intercederem mais eficazmente a nosso favor; e acrescenta que o que não se alcança na missa, dificilmente se alcançará em outro tempo. Oh! Que tesouros de graças podemos ajuntar celebrando devotamente o divino sacrifício ou assitindo a ele com atenção: Em todas as coisas fostes eniquecidos nele!

II. Se tivesses certeza de que perto de tua casa se acha uma rica mina de ouro e que cada dia te é permitido nela entrar meia hora para tirar quanto quiseres, qual não seria o teu contentamento? Aviva, porém, a tua fé e lembra-te de que o rei do céu, na santa missa, põe à tua disposição uma mina incomparavelmente mais preciosa, porque contém os merecimentos infinitos de Jesus Cristo, pelos quais pode alcançar todas as graças. Propõe-te, portanto, a assistir todos os dias à missa, mesmo a custo de algum incômodo. Pondera que, se o Senhor se oferece mil vezes sobre o altar por teu amor, justo é que tu também sacrifiques alguma pequena comodidade, algum pequeno interesse. E sendo-te impossível ouvir a missa, assiste a ela ao menos em espírito.

Infeliz de mim! Quantas graças, ó meu Deus, tenho perdido pelo meu descuido em as pedir celebrando ou ouvindo a santa missa! Mas, já que me iluminais, não me quero mais descuidar disso. Ó Pai Eterno, uno as minhas orações às de Jesus Cristo e pelo amor desse vosso Filho, que por meu amor se imola sobre o altar, Vos rogo antes de tudo que me perdoeis todos os meus pecados, visto que os detesto de todo coração.

Fazei-me, além disso, conhecer os direitos infinitos que tendes ao meu amor e dai-me força para me livrar de todos os afetos terrestres e de empenhar todo o meu coração unicamente em Vos amar, que sois o bem supremo, digno de amor infinito. — Peço-Vos também que ilumineis aqueles que Vos não conhecem,  ou vivem privados da vossa amizade. Meu Pai, dai a todos o dom da vossa graça;  dai a todos o dom do vosso santo amor. Fazei-o pelo amor de Jesus Cristo e pela intercessão de Maria Santíssima. (*III 819)

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1. Io. 16, 23.
2. Rom. 8, 34.
3. Hebr. 4, 16.
(Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: desde a duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 108-110.)

Fonte: São Pio V

domingo, 21 de dezembro de 2014

Condições da oração.



Petitis et non accipitis, eo quod male petatis – “Pedis e não recebeis, porque pedis mal” (Iac. 4, 3).

Sumário. Muitas pessoas rezam e não obtém nada, porque não pedem como convém. Para bem rezar é preciso, primeiro a humildade, porque Deus resiste aos soberbos. Em segundo lugar é preciso a confiança, que nos faz esperar tudo pelos merecimentos de Jesus Cristo e pela intercessão de Maria Santíssima. Mas, sobretudo, é necessária a perseverança, pois que, para nosso bem, Deus alguma vez demora em atender e quer ser vencido pela nossa importunação. Têm as tuas orações sempre estes três requisitos?

I. Muitas pessoas rezam e não obtém nada, porque não pedem como convém: Petitis et non accipitis, e o quod male petatis. Para bem rezar é preciso, em primeiro lugar, a humildade. Deus resiste aos soberbos e não lhes atende os pedidos; mas dá a sua graça aos humildes (2), e não deixa os seus pedidos sem os deferir. “A oração do que se humilha, penetrará as nuvens e não se retirará enquanto o Altíssimo não puser nela os olhos.” (3) E isto acontece, ainda que a pessoa tenha sido anteriormente pecador, porquanto Deus não desprezará um coração contrito e humilhado (4).

Em segundo lugar, é preciso a confiança, que nos faz esperar tudo pelos merecimentos de Jesus Cristo e pela intercessão de Maria Santíssima. Nullus speravit in Domino et confusus est (5) – “Ninguém esperou no Senhor e ficou confundido”. Ensina-nos Jesus Cristo mesmo que, quando tenhamos alguma graça a pedir, não o chamemos com outro nome, além do de Pai: Pater noster, afim de que oremos com toda a confiança que é própria do filho para com o pai. O que pede com confiança obtém tudo. “Eu vos digo”, assim fala o Senhor, “que todas as coisas que pedirdes orando, crede que as recebereis, e ela vos acudirão.” (6)


E quem pode recear, pergunta Santo Agostinho, ser enganado no que foi prometido pela própria Verdade, que é Deus? A Escritura nos afiança que Deus não é como os homens, que prometem e depois faltam à palavra, ou porque mentem quando prometem, ou porque mudam de vontade. Dixit ergo, et non faciet? (7) Santo Agostinho ainda acrescenta: Se o Senhor não nos quisesse conceder as graças, para que nos havia de exortar continuamente a pedir-lhas? Prometendo, contraiu a obrigação de nos dar as graças que lhe suplicarmos. Promittendo, debitorem se fecit.

II. O que importa sobretudo, é ter perseverança na oração. Diz Cornélio a Lapide que o Senhor “quer que sejamos perseverantes na oração até a importunação. É o que significam os textos seguintes da Escritura: É preciso orar sempre (8); Vigiai sempre, orando (9); Orai sem cessar (10). É o que significam ainda estas repetições:Pedi e recebereis; buscai e achareis; batei à porta e ela se vos abrirá (11). Bastava ter dito: pedi, petite; mas o Senhor nos quis fazer compreender que devemos seguir o exemplo dos mendigos, que nunca deixam de pedir, de insistir e de bater à porta, enquanto não tenham recebido alguma esmola.

A perseverança final, especialmente, é uma graça que se não obtém sem oração contínua. Nós não podemos merecer a perseverança, mas merecemo-la de algum modo, diz Santo Agostinho, por meio das orações. Rezemos, pois, sempre, e não deixemos de rezar, se nos quisermos salvar. Os confessores e os pregadores nunca deixem de exortar à oração, se quiserem que as almas se salvem; porquanto o que reza certamente se salva, e o que não reza certamente se condena.

Meu Deus, tenho confiança de que já me perdoastes; mas meus inimigos não deixarão de me combater até à morte. Se não me socorrerdes, sucumbirei de novo. Suplico-Vos, pelos merecimentos de Jesus Cristo, que me concedais a santa perseverança. Não permitais que me afaste de Vós. Peço-Vos o mesmo favor para todos os que estão atualmente na vossa graça. Confiado em vossas promessas, estou certo de que me dareis a perseverança, se continuar a pedi-la. Receio, porém, que nas tentações deixe de recorrer a Vós, e assim torne a cair no pecado. Peço-Vos, pois, a graça de nunca deixar de rezar. – Fazei que nas ocasiões perigosas me recomende sempre a Vós e chame em meu auxílio os santíssimos Nomes de Jesus e Maria. É o que estou resolvido a fazer sempre, e espero fazê-lo pela vossa graça. Atendei-me pelo amor de Jesus Cristo. – Ó Maria, minha Mãe, fazei que nos perigos de perder o meu Deus sempre recorra a vós e a vosso Filho. (*II 139.)

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1. Ps. 30, 6.
2. Iac. 4, 6.
3. Ecclus. 35, 21.
4. Ps. 50, 19.
5. Ecclus. 2, 11.
6. Marc. 11, 24.
7. Num. 23, 19.
8. Luc. 18, 1.
9. Luc. 21, 36.
10. I Thess. 5, 17.
11. Luc. 11, 9.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 293-295.)

Fonte: São Pio V

sábado, 20 de dezembro de 2014

O que disseram os Santos sobre os homossexuais


Santa Catarina de Siena, escreveu o que Deus lhe ditou sobre os homossexuais:

“Como cegos e insensatos, com a luz do seu intelecto obscurecida, não reconhecem o mau odor e a miséria em que se encontram. Não apenas porque esse pecado tem mau odor diante de mim, que sou a suprema e eterna Verdade, mas de fato ele me desagrada a tal ponto, e eu o tenho em tanta abominação, que por causa apenas dele Eu queimei cinco cidades por punição divina, pois a minha justiça divina não mais podia suportá-lo. Esse pecado desagrada não apenas a mim, como já disse, mas também aos próprios demônios que esses desgraçados tornaram seus senhores. Não que esse mal os desagrade [aos demônios], pois não gostam de nada que seja bom, mas porque a natureza deles, que foi originalmente angélica, provoca-lhes repugnância ao ver cometer tão enorme pecado”. 
(Santa Catarina de Siena, The Dialogue of the Seraphic Virgin (Londres: Burns, Oates e Washbourne, Ltd., 1925), p. 255. 

Santo Agostinho, em sua célebre obra “Confissões”, nestes termos condena a homossexualidade:

“Aquelas ofensas que são contrárias à natureza devem ser detestadas e punidas em todo o tempo e lugar. Assim aconteceu com os sodomitas, e todas as nações que as cometerem deveriam ser igualmente culpadas do mesmo crime ante a lei divina, pois Deus não fez os homens de tal modo que possam abusar um do outro daquele modo. Pois a amizade que deve existir entre Deus e nós é violada quando a própria natureza da qual Ele é autor é poluída pela perversão da luxúria”. 
(Santo Agostinho, Confissões, Livro II, Cap. 8, n° 15). 

O grande Santo Tomás de Aquino, referindo-se a essas palavras do Apóstolo, mostra a gravidade de tal pecado antinatural:

“Se todos os pecados da carne merecem condenação, pois através deles o homem se deixa dominar pelo que tem da natureza animal, muito mais merecem condenação os pecados contra a natureza, pelos quais o homem degrada sua própria natureza animal. [...] O homem peca contra a natureza quando contraria a natureza do seu gênero, isto é, a sua natureza animal. Ora, é evidente que, de acordo com a ordem natural, a união dos sexos entre os animais é orientada para a concepção. Disso se segue que todo ato sexual que não pode conduzir à concepção é oposto à natureza animal do homem”. 
(São Tomás de Aquino, Super Epistolam B. Pauli ad Romanos, Cap. 1, Lec. 8).

São Paulo Apóstolo, tratando da degradação dos romanos, devido à prática homossexual, afirma:

“Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario”. 
(Rom 1, 26-27).

Fonte:
http://gstomasdeaquino.blogspot.com.br/

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O inferno visto por Santa Francisca Romana

Santa Francisca Romana

“Lembra-te dos teus novíssimos e não pecarás” (Ecl. 7,40) — recomenda a Sagrada Escritura. Os novíssimos do homem são as últimas coisas que a ele ocorrerão, ou seja, a morte, o juízo particular, o Céu, o inferno, o purgatório, o fim do mundo, a ressurreição dos mortos e o juízo final.

A 9 de março a Igreja comemora a festa de uma grande santa, cuja vida foi marcada por extraordinárias visões que teve do Céu, purgatório e inferno, bem como a ação dos anjos e dos demônios neste mundo. Trata-se de Santa Francisca Romana.


Nasceu ela em 1384, da nobre família dos Brussa. Com apenas 12 anos, levava já uma vida extraordinária. Sua intenção era de não se casar, mas seu confessor aconselhou-a a não resistir às instâncias de seus pais, tendo esposado então Lourenço de Poziani.

Logo que se casou, caiu gravemente doente, sendo curada milagrosamente por uma aparição de Santo Aleixo, mártir romano. No lar, o teor de sua vida era severo e admirável. Desde o seu restabelecimento, Francisca dedicou-se largamente às obras de caridade. Junto à cunhada Vanosa, pedia esmola de porta em porta, para dar aos pobres nas vias públicas, em zonas onde não era conhecida.

Deus abençoou seu matrimônio, concedendo-lhe seis filhos. O falecimento do filho João, ainda criança, constituiu uma das alegrias de sua existência. Teve ele uma morte extraordinária, e disse ao expirar: “Vejo Santo Antônio e Santo Onofre, que vêm buscar-me para me levarem ao Céu”.



Vários fatos de transcendência pública influenciaram sua vida: a tomada de Roma pelo Rei de Nápoles, que desencadeou uma série de catástrofes sobre sua família; o exílio do Papa Eugênio IV, em virtude da guerra entre florentinos e milaneses, etc.

Ainda em casa do esposo, congregou em torno de si muitas senhoras da melhor sociedade romana, com o fim de se animarem na prática da piedade e virtudes cristãs.

Formou-se a primeira organização de senhoras que, em 1431, recebeu uma regra própria, dando origem às Oblatas de Santa Francisca Romana, cujo pequeno convento tinha o pitoresco nome de Tor de ‘Spechi.

Após a morte do marido, juntou-se a suas filhas espirituais, conduzindo-as aos hospitais e às casas dos pobres. Muitas vezes, em lugar de um remédio ou recurso insuficiente, foi uma cura súbita e miraculosa que Santa Francisca levou aos necessitados.



Deus a consolou com revelações e comunicações místicas sobre a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e Maria Santíssima.
Tornou-se célebre por seus milagres e dons de cura. Restituiu a vista aos cegos, a palavra aos mudos, a saúde aos doentes, e libertou muitos possessos do demônio.

Santa Francisca teve o pressentimento de sua morte e preveniu seus amigos. Pedia a Deus que a levasse desta vida, pois não queria ver as novas crises que já começavam a assaltar a Santa Igreja. Caiu enferma, vindo a falecer em 1440.

Na vida dessa mística italiana, as visões ocupam um lugar saliente. A propósito do que a Santa viu sobre o inferno, o célebre escritor católico francês Ernest Hello apresenta um apanhado sucinto e sugestivo em sua obra “Physionomie des Saints”, o qual exporemos abaixo.

Inúmeros suplícios, tão variados quanto os crimes, foram mostrados à Santa em detalhes. Por exemplo, viu ela o ouro e a prata serem derretidos e derramados na boca dos avarentos. A hierarquia dos demônios, suas funções, seus tormentos, os diversos crimes aos quais presidem, foram-lhe apresentados. Viu Lúcifer, chefe e general dos orgulhosos, rei de todos os demônios e precitos, rei muito mais infeliz do que os próprios súditos.


Inferno, Beato Angelico.

O inferno é dividido em três partes: o superior, o do meio e o inferior. Lúcifer encontra-se no fundo do inferno inferior. A Lúcifer, chefe universal, subordinam-se três outros demônios, os quais exercem império sobre os demais:
1) Asmodeu, que preside os pecados da carne, e era antes da queda um Querubim;
2) Mamon, que preside os pecados da avareza, era um Trono. O dinheiro fornece, ele sozinho, uma das três grandes categorias.
3) Belzebu preside aos pecados de idolatria. Tudo que tem algo a ver com magia, espiritismo, é inspirado por Belzebu. Ele é, de um modo especial, o príncipe das trevas, e mediante as trevas ele é atormentado e atormenta suas vítimas.

Uma parte dos demônios permanece no inferno, a outra no ar, e uma terceira atua entre os homens, procurando desviá-los do certo caminho. Os que ficam no inferno dão ordens e enviam seus embaixadores; os que residem no ar agem fisicamente sobre as mudanças atmosféricas e telúricas, lançando por toda parte suas más influências, empestando o ar, física e moralmente. Seu objetivo é debilitar a alma.

Quando os demônios encarregados da Terra vêem uma alma enfraquecida pelos demônios do ar, eles a atacam no seu ponto fraco, para vencê-la mais facilmente. É o momento em que a alma não confia na Providência. Essa falta de confiança, inspirada pelos demônios do ar, prepara a alma para a queda solicitada pelos demônios da Terra.



Assim, enfraquecidos pela desconfiança, os demônios inspiram na alma o orgulho, em que ela cai tanto mais facilmente quanto mais fraca esta. Quando o orgulho aumentou sua fraqueza, vêm os demônios da carne que atacam seu espírito. Quando os demônios da carne aumentam mais ainda a fraqueza da alma, vêm os demônios que insuflam os crimes do dinheiro. E quando estes diminuíram ainda mais os recursos de sua resistência, chegam os demônios da idolatria, os quais completam e concluem o que os outros começaram.

Todos se articulam para o mal, sendo esta a lei da queda: todo pecado cometido, e do qual a alma não se arrependeu, prepara-a para outro pecado. Assim, a idolatria, a magia, o espiritismo esperam no fundo do abismo aqueles que foram escorregando de precipício em precipício.

Todas as coisas da hierarquia celeste são parodiadas na hierarquia infernal. Nenhum demônio pode tentar uma alma sem a permissão de Lúcifer.

Os demônios que estão no inferno sofrem a pena do fogo. Os que estão no ar ou na terra não sofrem atualmente tais penas, mas padecem outros suplícios terríveis, e particularmente a visão do bem que praticam os santos. O homem que faz o bem inflige aos demônios um tormento indescritível. Quando Santa Francisca era tentada, sabia, pela natureza e violência da tentação, de que altura tinha caído o anjo tentador e a que hierarquia pertencera.

Quando uma alma cai no inferno, seu demônio tentador é felicitado pelos demais. Mas quando a alma se salva, o demônio tentador recebe insulto dos outros, que o levam para Lúcifer e este lhe inflige um castigo a mais, além das torturas que já padece. Este demônio entra às vezes no corpo de animais ou homens. Ele finge ser a alma de um morto.



Quando um demônio consegue perder certa alma, após a condenação desta transforma-se em tentador de outro homem, mas torna-se mais hábil do que foi a primeira vez. Aproveita-se da experiência que a vitória lhe deu, tornando-se mais forte para perder o homem.

Santa Francisca observava um demônio em cima de alguém que estivesse em estado de pecado mortal. Confessado o pecado, via ela o mesmo demônio ao lado da pessoa. Após uma excelente confissão, o anjo mau ficava enfraquecido e a tentação não tinha mais o mesmo grau de energia.

Ao ser pronunciado santamente o nome de Jesus, Santa Francisca via os demônios do ar, da terra e do inferno inclinarem-se com sofrimentos espantosos, tanto maiores quanto mais santamente o nome de Jesus fora pronunciado.

Se o nome de Deus é pronunciado em meio a blasfêmias, os demônios ainda assim são obrigados a se inclinar, mas um certo prazer é misturado à dor causada pela homenagem que são obrigados a render.

Se o nome de Deus é blasfemado por um homem, os anjos do céu inclinam-se também, testemunhando um respeito imenso. Assim, os lábios humanos, que se movem tão facilmente e pronunciam tão levianamente o nome terrível, produzem em todos os mundos efeitos extraordinários e ecos, dos quais o homem não é capaz de compreender nem a intensidade nem a grandeza.

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