segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

VIII Parte - O jovem instruído na prática de seus deveres religiosos - São João Bosco

VIII Parte
II. o que especialmente devem os jovens evitar

ARTIGO I.
Fugir do ócio

            O laço principal que o demônio arma á juventude é o ócio, origem funesta de todos os vícios. Persuadi-vos pois, meus caros jovens, que o homem nasceu para trabalhar e quanto evita o trabalho, está fora do seu centro e corre grande perigo de ofender a Deus. O ócio diz o Espírito Santo, é o pai de todos os vícios e a ocupação os combate e os vence a todos.Nada atormenta mais os condenados no inferno do que o pensamento de ter passado no ócio aquele tempo, que Deus lhe tinha dado para se salvarem.Pelo contrário, nada há que tanto console os bem-aventurados no paraíso, quanto a pensar que um pouco de tempo empregado na glória de Deus lhes proporcionou uma felicidade eterna.


            Não quero com isso dizer que deveis andar ocupados desde a manhã até à noite, sem nenhum descanso: eu vos quero bem e vos concedo de boa mente aquelas diversões que não são pecado. Todavia, não posso deixar que recomendar-vos de preferência aquelas coisas que, enquanto servem de recreio, também podem ser alguma utilidade.

            Por exemplo, o estudo da história, de geografia e das artes mecânicas e liberais e outros estudos e trabalhos domésticos, os quais, enquanto vos distraem, podem dar-vos conhecimentos úteis e honestos e contentar os vossos superiores. Podeis, além disso, também divertir-vos, bem entendido, em jogos e divertimentos lícitos, capazes de recrear-vos sem se vos tornarem de peso.Antes porém pedi a devida licença e daí preferência aos jogos que requerem destreza de movimentos, por serem os mais úteis á saúde.Longe de vós certos enganos, pequenas fraudes, trapaças, certos ditos picantes, que muitas vezes causam discórdias e ofendem os vossos companheiros.No brinquedo na conversação ou em outro qualquer passatempo, elevai alguma vez o vosso pensamento a Deus, oferecendo aqueles mesmos divertimentos para sua honra e glória. Ómnia in glóriam Dei fácite, escreve São Paulo.São Luis, enquanto se entretinha uma vez brincando alegremente com outros seus companheiros, ao ser interrogado que teria feito, se naquele instante viesse um Anjo avisá-lo que, depois de um quarto de hora, Deus o teria chamado ao seu tremendo juízo, prontamente respondeu que teria continuado a brincar: “Porque estou, acrescentou, que estes divertimentos agradam a Deus”.

            O que muito encarecidamente vos recomendo, quanto aos passatempos e recreios, é que fujais como da peste, dos maus companheiros.

ARTIGO II.
Fugir dos maus companheiros

            Há três espécies de companheiros: os bons, os maus e os que não são totalmente maus, mas nem são bons. Com os primeiros podeis entreter-vos e tirareis proveitos; com os últimos, tratai quando houver necessidade, sem contrair nenhuma familiaridade.Quanto aos maus, esses devem-se absolutamente evitar.Mas quais são esses maus companheiros?Prestai atenção e ficareis sabendo quais sejam.

            Todos os jovens que na vossa presença não se envergonham de ter conversas obscenas, de dizer palavras equívocas ou escandalosas, murmurações, mentiras, juramentos vãos, imprecações, blasfêmias, ou então procuram afastar-vos das coisas da igreja, os que vos aconselham a roubar, a desobedecer aos vossos pais ou a transgredir algum dever vosso, todos esses são maus companheiros, ministros de satanás, dos quais deves fugir mais do que da peste e do diabo em pessoa. Ah! meus caros, com as lágrimas nos olhos eu vos suplico que eviteis e aborreçais tais companhias.

            Ouvi o que diz o Nosso Senhor: quem andar com o virtuoso será também virtuoso. O amigo dos estultos tornar-se-á semelhante a ele.Foge do mal companheiro como da mordedura de uma cobra venenosa: quasi a fácie cólubri (Eccl. XXI, 22).Em suma, se andardes com os bons, eu vos afianço que ireis com os bons ao Paraíso.Pelo contrário, frequentando companheiros perversos, vos pervertereis também vós, com perigo de perder irremediavelmente a vossa alma.

            Dirá alguém: São tantos os meus companheiros, que seria preciso sair deste mundo para evitá-los todos. Bem sei que são muitos numerosos os maus companheiros e é por isso mesmo que vos recomendo com empenho que fujais deles.E se, para não tratar com eles, fosseis obrigados a ficar sozinhos, felizes de vós, porque teríeis em vossa companhia Jesus Cristo, a bem-aventurada Virgem e o vosso Anjo da Guarda.Poderemos encontrar companheiros melhores do que esses?

            Contudo pode-se também ter bons companheiros e serão os que frequentemente os S.S. Sacramentos da Confissão e da Comunhão, os que frequentam a igreja, os que com as palavras e como exemplo vos incitam ao cumprimento dos vossos deveres e vos afastam da ofensa de Deus. A estes deveis frequentar e tirareis muito proveito.

Desde que Davi, quando jovem, começou a frequentar um bom companheiro chamado Jónatas, tornaram-se ambos bons amigos com proveito recíproco, porque um animava ao outro na prática da virtude.

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