terça-feira, 26 de maio de 2015

As crianças e o purgatório

S. Perpétua, que foi martirizada em Cartago no ano de 202, refere, em carta escrita de seu próprio punho no cárcere, que teve um sonho em que viu seu irmãozinho, falecido na idade de sete anos, encerrado num lugar escuro, coberto de lodo e devorado pela sede. Ao acordar entendeu o que o sonho significava e passou o dia em oração pelo defunto. Depois de algumas noites tornou a vê-lo, mas desta vez junto a uma fonte em que bebia; as vestes estavam limpas e ele muito melhor e alegre. A Santa ficou muito consolada com aquela visão e viu que aqueles sonhos foram mandados por Deus para o bem daquele menino.
a) S. Pedro Damião ficou órfão muito criança e cresceu sob os cuidados de um seu irmão que o tratava com a maior crueldade, dando-lhe além disso muita pouca roupa e comida.
Um dia achou no caminho uma moeda de prata, que para êle seria um tesouro para comida, roupa e sapatos. Estava a pensar no que faria com aquele achado, quando lhe veio à mente a lembrança de seus pais que tinham sido tão bons para com ele.
- Ah! – disse consigo – talvez estejam penando no Purgatório e eu agora os poderia aliviar.
Correu à igreja e entregou o dinheiro ao sacerdote, dizendo:
- Peço a V. R. que celebre missas por meus falecidos pais.
Desde aquela data todas as portas se lhe abriram para ser sacerdote e um grande santo.
b) S. Catarina de Bolonha foi certa vez favorecida com uma visão do Purgatório. Viu o fogo ardente que devorava o íntimo das almas e pareceu-lhe que o do inferno não poderia ser mais abrasador. Havia ali, ardendo nas chamas, tanta gente como folhas numa floresta. Muitos haviam levado vida muito santa,mas ainda não estavam bastante puros para ver a Deus.
Viu ali, também, muitos meninos que não haviam cometido mais que pecados veniais, como desafios, discussões com seus irmãos, desobediência aos pais… e as penas que sofriam por essas faltas leves causavam compaixão. Com isso compreendeu a gravidade do pecado venial que Deus, em sua justiça e santidade, castiga tão severamente.
Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

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