segunda-feira, 8 de junho de 2015

Sem Maria não alcançamos a graça da perseverança

A perseverança final é um dom divino tão grande, que, como disse o santo Concílio de Trento, é um dom de todo gratuito que por nada podemos merecer. Contudo S. Agostinho diz que alcançam de Deus a perseverança todos aqueles que lha pedem. E conforme diz o Padre Suárez, infalivelmente a alcançam, sendo diligentes até ao fim da vida em a pedir a Deus. Por isso escreve S. Belarmino: Peça-se a perseverança todos os dias, para que seja obtida cada dia. Ora, se é verdade – como eu o tenho por certo, conforme a sentença hoje comum, como depois mostrarei no capítulo VI – se é verdade, digo, que quantas graças Deus nos dispensa, todas passam pelas mãos de Maria, é também verdade que só por meio de Maria poderemos esperar e conseguir esta sublime graça da perseverança. Esta mesma graça promete ela a todos aqueles que fielmente a servem nesta vida. “Os que agem por mim não pecarão; aqueles que me esclarecem, terão a vida eterna” (Eclo 24, 30).
Para nossa conservação na vida da divina graça, é-nos necessária a fortaleza espiritual que nos leva a resistir a todos os inimigos da salvação. Ora, esta fortaleza só por meio de Maria se alcança. “Minha é a fortaleza; por mim reinam os reis” (Pr 8, 14). Minha é esta fortaleza, diz Maria; Deus depositou em minhas mãos este dom, para que eu o conceda aos meus devotos servos. “Por mim reinam os reis”. por meu intermédio reinam os meus servos, e dominam sobre todos os seus sentidos e paixões, e assim dignos se tornam de um reino eterno no céu. Oh! Quanta força possuem os servos desta grande Rainha para vencer todas as tentações do inferno! É Maria aquela decantada torre dos Sagrados Cânticos: Teu pescoço é como a torre de Davi, que foi a armadura dos esforçados (4, 4). Para os que a amam e a ela recorrem nos combates, é como uma torre forte cingida de todas as armas na luta contra o inferno.
A Santíssima Virgem é por isso chamada plátano. “Eu me elevei como o plátano à borda d’água, nos caminhos” (Eclo 24, 19). Diz o Cardeal Hugo que as folhas do plátano são semelhantes a um escudo. Assim se explica a proteção de Maria para com aqueles que a ela se acolhem. O Beato Amadeu dá uma outra razão a estas palavras e diz: Assim como o plátano com a sombra dos seus ramos defende os transeuntes da chuva e do sol, do mesmo modo sob o manto de Maria acham os homens refúgio contra o ardor das paixões e a fúria das tentações.
Infelizes as almas que se afastam desta defesa e cessam de venerar a Maria, e de se lhe recomendar nos perigos! Que seria do mundo, se não nascesse mais o sol? Nada mais do que um caos de trevas e de horror – pergunta e responde S. Bernardo. “Retira o sol e que será do dia? Perca uma alma a devoção para com Maria, e que será senão trevas?” Sim, a alma ficará cheia daquelas trevas de que fala o Espírito Santo: Puseste trevas e foi feita a noite; nela transitarão todas as alimárias das selvas (Sl 103, 20). Quando em uma alma já não resplandece a divina luz, e anoitece, ficará ela sendo covil de todos os pecados e dos demônios. Ai daqueles, exclama S. Anselmo, que desprezam a luz deste sol, isto é, a devoção a Maria! Com razão temia S. Francisco de Borja pela perseverança dos que não davam provas de uma especial devoção à Santíssima Virgem. Perguntando certo dia aos noviços pelos santos de sua devoção, conheceu que deles alguns não eram especialmente devotos de Nossa Senhora. Advertiu ao mestre dos noviços que olhasse com mais atenção para aqueles infelizes. E, de fato, todos eles perderam miseravelmente a vocação, e saíram da Companhia.
Razão sobrava portanto a S. Germano, ao chamar a Virgem de respiração dos cristãos. Pois como o corpo não pode viver sem respirar, tão pouco o pode a alma sem recorrer e recomendar-se a Maria, por cujo intermédio adquirimos e conservamos com segurança a vida da divina graça.
O Beato Alano, assaltado uma vez de uma forte tentação, esteve em termos de perder-se por se não ter encomendado a Maria. Apareceu-lhe então a Santíssima Virgem, e para o fazer mais advertido em outras ocasiões, bateu-lhe levemente no rosto e acrescentou: Se te houvesses recomendado a mim, não terias corrido tão grande risco.
Glorias de Maria – Santo Afonso

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