quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Meditação - Jesus no Santíssimo Sacramento dá audiência a todos a qualquer hora, por Santo Afonso de Ligório


Ad vocem clamoris tui, statim ut audierit, respondebit tibi - Logo que ouvir a voz do teu clamor, te responderá" (Is. 30,19)


    Falando do nascimento do Redentor no presépio de Belém, São Pedro Chrysologo diz que os reis da terra não dão sempre audiência, e que, quando alguém lhes deseja falar, muitas vezes acontece que os guardas o despedem a pretexto de que não é tempo de audiência e deve vir mais tarde. O Divino Redentor, pelo contrário, quis nascer numa gruta aberta, sem portas nem guardas, para dar audiência a todo o mundo e a toda a hora: Non est satelles qui dicat : Non est hora. - Não há guarda para dizer que não é a hora. Isto mesmo faz Jesus no Santíssimo Sacramento. As Igrejas estão continuamente abertas; cada um pode, quando lhe aprouver, ir e entreter-se com o Rei do Céu.
    E de lá, Jesus quer que lhe falemos com toda a confiança; por esta razão é que ele se conserva sob as espécies de pão. Se o Senhor aparecesse sobre os altares num trono de luz, como aparecerá no Juízo Final, quem se  a se aproximar Dele? Mas, reflete Santa Teresa, como ele deseja que lhe falemos e peçamos suas graças cheio de confiança e sem temor, velou sua majestade sob as espécies de pão. Ele deseja, diz também Thomas Kempis, que falemos a Ele como um amigo fala a seu amigo. Por isso, acrescenta o cardeal Hugo, nos sagrados Cânticos Jesus se chama a si próprio flor dos campos e açucena dos vales: Ego flor campi et lilium convallium. As flores dos jardins são encerradas e reservadas; mas as flores dos campos estão a disposição de todos.

    Qual não seria a tua alegria, meu irmão, se o rei te chamasse ao seu gabinete e te falasse: Dize-me, que desejas? De que precisas? Amo-te e desejo fazer-te bem. Pois é isto o que Jesus Cristo, o Rei do Céu, diz a qualquer que O visita: Venite ad me omnes qui laboratis et onerati estis, et ego reficiam vos - Vinde a mim, vós todos que sois pobres, enfermos, aflitos: eu posso e quero enriquecer-vos, curar-vos e consolar-vos; é para isto que me conservo sobre os altares.
    Procura ir muitas vezes a audiência junto ao Rei do Céu e, se ainda não o tens, toma o belo hábito de assistir todas as manhãs a Santa Missa, durante a qual Jesus Sacramentado dispensa as suas misericórdias mais profundamente. Não te detenham mais de render esta homenagem a Jesus Cristo, nem os negócios terrestres, nem o respeito humano. Thomas Morus, no meio dos seus múltiplos afazeres como Chanceller de Inglaterra, achava ainda todos os dias o tempo para assistir a Missa, nem julgava indecoroso a sua dignidade servir ele mesmo ao celebrante. Certo dia, enquanto praticava a sua bela devoção, avisaram-no que o rei o estava esperando. Thomaz respondeu: "Tenha um pouco de paciência, primeiro devo tributar minha homenagem a um Soberano de mais alta hierarquia e assistir até o fim a audiência do Rei do Céu."
    Amadíssimo Jesus meu, já que residis sobre os altares, para escutar as orações dos infelizes que a vós recorrem, prestai hoje ouvido ao que Vos dirige este pobre pecador. Ó Cordeiro de Deus, imolado e morto na Cruz, eu sou uma alma resgatada a preço do vosso sangue; perdoai-me todas as injúrias que vos fiz, e assisti-me com a Vossa graça, afim de que não Vos perca mais, Jesus meu, dai-me parte na dor que tivestes dos meus pecados no horto de Getsemani. Ó meu Deus, quisera nunca ter-Vos ofendido!
    Dulcíssimo Senhor Meu, se eu morresse em pecado, privado ficaria de Vos amar para sempre; Vós, porém, haveis me esperado para que Vos ame. Graças Vos dou pelo tempo que me concedeis, e já que Vos posso amar, quero amar-Vos. Dai-me a graça de Vosso santo amor, mas um amor tão forte que me faça esquecer tudo, para só pensar em satisfazer Vosso amantíssimo Coração. - Ah, meu Jesus, toda a minha vida consumistes por mim; consuma eu também por Vós, o que me resta da minha. Atrai-me todo ao Vosso amor; fazei-me todo Vosso antes de minha morte. Espero esta graça pelos merecimentos de Vossa Paixão. Confio também em vossa intercessão, ó Maria, sabeis que vos amo; tende compaixão de mim.

Fonte:

terça-feira, 29 de setembro de 2015

São Miguel Arcanjo

http://sacragaleria.blogspot.com/2014/09/sao-miguel-arcanjo.html
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A Igreja Católica tem em alto conceito a devoção aos Santos Anjos. Acredita na sua existência, que é provada por muitas citações bíblicas, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Sabe e ensina que os anjos, como Santos Mensageiros de Deus, desempenham uma missão especial em nosso favor. São defensores do corpo e da alma, em todos os perigos,  principalmente na hora da morte.

Como um dos primeiros, senão o primeiro e mais eminente dos espíritos celestiais, os Livros Sagrados nos apresentam o Arcanjo São Miguel.  

O profeta Daniel dá a São Miguel o título de "Príncipe dos Anjos", e a Igreja enumera-o entre os Arcanjos. Seu nome significa “Quem como Deus?”, pois foi São Miguel que se pôs à frente dos anjos fiéis contra Lúcifer, o chefe dos anjos rebeldes, em defesa da autoridade de Deus. São Miguel, portanto, é um Arauto de Deus e Príncipe dos Exércitos Celestiais. 
 
A arte cristã o apresenta como tal, em armadura brilhante, com lança e espada, em voo como de mergulho, se precipitando sobre o dragão infernal, e, investindo fortemente contra ele, fazendo-lhe sentir o vigor irresistível do pé vitorioso, o arremessa às profundezas do Inferno.

São Miguel, para os Judeus era tido como "protetor do povo eleito". Segundo o Apóstolo São Judas (v. 9.), o corpo de Moisés estava entregue aos cuidados do Arcanjo.  



Foi este mesmo Arcanjo quem apareceu a Josué antes da tomada de Jericó e lhe prometeu seu auxílio; foi também São Miguel quem defendeu os israelitas contra as hostes de Senacherib, desbaratando-as; foi ainda São Miguel quem se opôs a Balaam, quando ia amaldiçoar o povo de Deus. Heliodoro experimentou a força vingadora do Arcanjo, quando se preparou para praticar o roubo sacrílego do templo (2Mac. 3,25).

Da sinagoga e do povo eleito, a missão de São Miguel se transferiu à Igreja de Cristo. Numerosas são as suas aparições registradas na História da Igreja. Seu nome é mencionado várias vezes no sacrifício da Santa Missa. No “Confiteor”, o sacerdote se dirige ao Arcanjo São Miguel e invoca sua intercessão junto de Deus. Sobre o incenso, na Missa solene, é invocado seu nome. Ao Santo Arcanjo, o sacerdote logo depois da consagração se dirige, com o pedido de levar o santo sacrifício ao altar sublime de Deus. Terminada a Missa rezada, em uma oração especial (de Papa Leão XIII) o povo pede a São Miguel que o defenda no combate, que o cubra com o seu escudo contra os embustes e ciladas do demônio e que precipite ao inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas.  


São Miguel é ainda o patrono dos agonizantes, o guia das almas dos defuntos para o Céu, como faz lembrar o texto do ofertório da Missa de Requiem.

Na História da Igreja são mencionadas várias aparições de São Miguel: uma delas ao Papa Gelásio I, no monte Gargano, e a festa de hoje é a comemoração deste fato e da consagração da Igreja de São Miguel naquele lugar. Mais conhecida é a outra, de que foi digno o Papa S. Gregório, o Grande, quando a peste assolou Roma. São Miguel apareceu ao Papa no Castelo de Santo Ângelo e, para cessar a epidemia, meteu a espada na bainha. A epidemia parouimediatamente de fazer vítimas. A terceira, é em uma visão que Papa Leão III teve durante uma Missa, do que surgiu o Exorcismo de São Miguel, que é de obrigação no final de todas as Missas rezadas. 

Aparição de São Miguel Arcanjo no Monte Gargano

Sul Monte Gargano é la venerabile memoria del B. Michele Arcangelo, quando in suo nome fu quivi consagrada una Chiesa di strutura vile, ma di celeste virtù adornata.
Sobre o Monte Gargano encontra-se a venerável memória do Beato Michele Arcanjo, quando in seu nome aqui foi consagrada uma Igreja de estrutura vil, mas de celestes virtudes adornada. (Martirológio Romano - vide no fim da página.)
Antes de Deus ter criado os homens, criou os Anjos, que são Espíritos Puros, isto é, não compostos de matéria, embora por vontade divina, possam, às vezes, apresentar-se aos homens sob formas corporais.

O Senhor Onipotente deu aos Anjos inteligência excelsa e força admirável, muito superior às dos homens; fê-los felizes e elevou-os acima da sua natureza, fazendo-os participantes da vida divina, e Seus filhos. Mas não lhes deu a posse da visão eterna da Divindade sem primeiro os experimentar.

Seres livres, conhecendo a Deus e amparados pela Sua Graça, podiam triunfar da prova a que foram sujeitos. O número dos Anjos é incalculável – milhares de milhões.

Existem nove coros ou categorias de Anjos. Lúcifer, que era o mais belo destes, revoltou-se cheio de orgulho contra o Senhor, e levou atrás de si, nesta revolta, a terça parte dos seus companheiros. São Miguel, embora inferior em categoria a Lúcifer, pôs de alerta os seus irmãos para que ficassem fiéis ao Senhor.  Pela sua fidelidade, foi posto por Deus como chefe dos Anjos, enquanto Lúcifer era precipitado no Inferno com os que o seguiram. Os Anjos fiéis foram, então, confirmados em graça.

Invoquemos São Miguel na luta contra o Demônio, e de modo especial para obtermos a virtude da humildade.

O Apocalipse diz que, no fim dos tempos, surgirá São Miguel que, com os seus anjos, derrotará o Diabo e o sepultará para sempre no Inferno.  Os Anjos são nossos irmãos e amam-nos como amam a Deus, pois somos membros de Jesus Cristo; veem-nos integrados n’Ele.  Por declaração da Igreja, São Miguel é o Seu padroeiro e também o padroeiro dos agonizantes e moribundos; é Ele que introduz as almas dos que deixam este mundo na presença de Deus. Oh! Como ele de modo especial advogará a causa dos que se lhe recomendaram em vida, dedicando-lhe especial culto e propagando a Sua devoção.

A época em que vivemos é caracterizada, no dizer dos últimos Pontífices, a partir de Leão XIII, como a Época da Apostasia, em que Lúcifer e os seus sequazes se lançam contra a Igreja com toda a fúria, procurando substituir a verdadeira Fé, pelo Materialismo, pela corrupção, pelo Espiritismo, a magia negra, numa palavra, pelo culto de Satanás e dos seus princípios. Ao saber disto, por revelação a ele feita, o próprio Papa Leão XIII mandou que no final de todas as Missas (rezadas) se rezasse a São Miguel, para que, com os Seus exércitos celestes, protegesse a Santa Igreja e salvasse os seus filhos da perdição. Esta oração era obrigatória até à nova reforma litúrgica, de fato na missa nova já não se reza mais. Mas na Missa Tridentina, ela continua sendo rezada.

Importa avivar a nossa fé em São Miguel. Que não haja nenhuma casa que não tenha a sua imagem, ao menos, um quadro. Há duas festas de São Miguel para a Igreja Universal, ambas relacionada à sua aparição no Monte Gargano (Itália): uma em 8 de Maio (a aparição) e outra, hoje, 29 de setembro (consagração da Igreja a Ele dedicada). Com a "reforma litúrgica", a igreja moderna reduziu para uma festa em conjunto com São Gabriel e São Rafael, no dia 29 de setembro.

Se a autoridade dos Sumos Pontífices constituiu São Miguel Padroeiro da Igreja Universal, seria insensatez que houvesse quem não quisesse aproveitar do amplo auxílio que este Príncipe Arcanjo - coroado por Deus como Chefe Supremo das Milícias Angélicas - quer dar 
a todos na luta contra o Demônio. A uma santa religiosa disse São Miguel:  “Diz a todos o muito que eu posso, junto do Altíssimo; diz-lhe que me peçam quanto queiram, pois é grande o meu poder perante Deus”.

DEVOÇÕES A SÃO MIGUEL ARCANJO:

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Que admiráveis mulheres são as cristãs!


Sede verdadeiras cristãs, sede profundas e sinceramente piedosas, fazei de Deus o alimento habitual de vossas vidas, e só então vos podereis aproximar do ideal da força e do vigor, de que as heroínas cristãs nos deram sobejos exemplos, e que faziam exclamar os filósofos pagãos: - Que admiráveis mulheres não são as cristãs! Papae! Quales mulieres apud christianos sunt! (Chrysost. t.I)

Á força de provar Deus, de O saborear e de constituir como amigo e confidente de vossos pesares e alegrias, indentificar-vos-ei com Ele, pois esse contato superior será o cimento invisível dos vossos pensamentos, dos vossos desejos, das vossas resoluções e sentimentos. As pedras da vossa vida, isto é, as vossas ações, serão conjuntamente unidas e consolidadas, como nos edifícios do povo romano, de que tantas vezes reza e história e que afrontaram a injúria das idades, porque um cimento tão duro como o bronze as converteu em monumentos imperecíveis.

     Foi assim que se formaram todas as mulheres cristãs que deram tão admiráveis exemplos a posteridade; foi em tal escola que beberam o seu heroísmo as virgens e as mulheres mártires, as Inezes, as Perpétuas, as Apolonias; foi nessas escolas que outras mulheres, cuja força se desenvolveu numa esfera menos brilhante, tomaram a energia que sofre o martírio lentamente, o martírio da vida diária, o martírio em que a natureza se imola e arde sobre o altar do dever, imolação sublime de que santo Ambrósio dizia: -"Que desconhecido número de mártires de Cristo, na secreta obscuridade da vida quotidiana!" e São Gregório o Grande: - " Se conservamos a verdadeira paciência no meio dos pesares da existência somos mártires, sem necessidade de algozes e cutelos!".

    É ainda ali, e em conseqüência d'uma infiltração divina, que se exercem e crescem a paciência cheia de doçura e o espantoso vigor dessas virgens consagradas a Deus, nas escolas dos pobres, nos orfanatos, nos hospitais e nas visitas aos desgraçados de toda a espécie. Nada menos é preciso do que a força que criava os mártires, para multiplicar todos os dias semelhantes prodígios. No cristianismo não deve, pois, ser tão difícil a esta interrogação: - Quem encontrará a mulher forte? O sangue de Cristo fez a sementeira e ela germinou por toda a parte. Possa a graça multiplicar-lhe os frutos na nossa Associação! E se houver embaraços em encontrar uma solução às palavras da Bíblia, que facilmente se possa vir procurá-la entre vós, e entre vós se encontrem sempre os exemplos duma rara virtude: - Mulierem fortem quis inveniet? Não foi a uma mulher cristã que São Crisóstomo dirigiu este magnífico elogio? – “Vós possuis uma ciência superior a todas as tempestades; tendes a energia dum espírito superior, que é mais poderoso que numeráveis exércitos, e mais seguro que as altas muralhas e elevadas torres.” (Epist. 6. Olymp.)

Retirado do livro: A Mulher Forte.

sábado, 26 de setembro de 2015

O SACRIFÍCIO DA SANTA MISSA É O MESMO QUE O SACRIFÍCIO DA CRUZ

A Santa Missa é um sacrifício tão santo, o mais augusto e excelente de todos, e a fim de formardes uma ideia adequada de tão grande tesouro, eis algumas de suas excelências divinas; pois dize-las todas não é empreendimento a que baste a fraqueza da minha inteligência.
A principal excelência do santo Sacrifício da Missa consiste em que se deve considerá-lo como essencialmente o mesmo oferecido no Calvário sobre a Cruz, com esta única diferença: que o sacrifício da Cruz foi sangrento e só se realizou uma vez e que nessa única oblação JESUS CRISTO satisfez plenamente por todos os pecados do Mundo; enquanto que o sacrifício do altar é um sacrifício incruento, que se pode renovar uma infinidade de vezes, e que foi instituído para nos aplicar especialmente esta expiação universal que JESUS por nós cumpriu no Calvário. Assim, o SACRIFÍCIO CRUENTO foi o MEIO de nossa REDENÇÃO, e O SACRIFÍCIO INCRUENTO nos proporciona as GRAÇAS da nossa REDENÇÃO.
Um abre-nos os tesouros dos méritos de CRISTO Nosso Senhor, o outro no-los dá para os utilizarmos.
Notai, portanto, que na Missa não se faz apenas uma representação, uma simples memória da Paixão e Morte do nosso Salvador; mas num sentido realíssimo, o mesmo que se realizou outrora no Calvário aqui se realiza novamente: tanto que se pode dizer, a rigor, que em cada Santa Missa nosso Redentor morre por nós misticamente, sem morrer na realidade, estando ao mesmo tempo vivo e como imolado: Vidi agunum stantem tanquan accisum. (Apoc 5, 6)
No santo dia de Natal, a Igreja nos lembra o nascimento do Salvador, mas não é verdade que Ele nasça, ainda, nesse dia.
Nos dias da Ascensão e Pentecostes, comemoramos a subida do Senhor JESUS ao Céu e a vinda do ESPÍRITO SANTO, sem que, de modo algum nesses dias o Senhor suba ainda ao Céu, ou o ESPÍRITO SANTO desça visivelmente à Terra.
A mesma coisa, porém, não se pode dizer do mistério da Santa Missa, pois aí não é uma simples representação que se faz, mas, sim, o mesmo sacrifício oferecido sobre a Cruz, com efusão de sangue, e que se renova de modo incruento: é o mesmo corpo, o mesmo sangue, o mesmo JESUS, que se imola hoje na Santa Missa. Opus trae Redemptionis exercetur, diz a Santa Igreja.
A obra de nossa Redenção aí se exerce: sim, exercetur, aí se exerce atualmente. Este santo sacrifício realiza, opera o que foi feito sobre a Cruz. Que obra sublime! Ora, dizei-me sinceramente se, quando ides à Igreja para assistir a Santa Missa, pensásseis bem que ides ao Calvário assistir à morte do Redentor, que diria alguém que vos visse ai chegar numa atitude tão pouco modesta? Se Maria  Madalena fosse ao Calvário e se prostrasse aos pés da Cruz vestida, perfumada e ataviada como em seus tempos de desordem, quanto não seria censurada! E que se dirá de vós que ides à Santa Missa como se fôsseis a uma festa mundana?
Que aconteceria, sobretudo se profanásseis este ato tão santo, com gestos, risadas, cochichos,  encontros sacrílegos?
Digo que, em qualquer tempo e lugar, a iniquidade  não tem cabimento; mas os pecados que se cometem na hora da Santa Missa e na proximidade do altar, são pecados que atraem a maldição, de DEUS: Maledictus qui facit opus Domini fraudulenter (Jer 48,10).
Meditai seriamente sobre esse assunto.
Outras maravilhas, porém, vou desvendar-vos de tesouro tão precioso.
As Excelências da Santa Missa – São Leonardo de Porto Maurício

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Será possível comungar mal ?

Discípulo — Padre, uma vez que admiravelmente me explicou o modo para bem me confessar, e tão maravilhosamente me falou da excelência da confissão bem feita, explique-me também como devo comungar, a fim de evitar o perigo de comungar, mal.
Mestre — Com todo prazer o farei, pois que, se é importante bem confessar-se, mais importante ainda é comungar bem, por se tratar do mais augusto e nobre dos sacramentos.
D — Antes de tudo, Padre, diga-me; Será que existem cristãos que comungam mal?
M — Infelizmente sim… E é coisa tão certa e que nos faz derramar tantas lágrimas o fato de que alguns por falta de fé ou de amor e temor de Deus, ou até por indiferença e maldade, comungam mal, cometendo assim verdadeiros sacrilégios.
D — Será possível, Padre? Custa-me crê-lo.
M — Pode acreditar, porque se trata de uma triste realidade. Sim, há entre os cristãos quem se atreve a isso, levado pela indiferença e pela má fé.
Pobres almas, desgraçadas que assim espezinham Jesus Cristo, em seu Corpo, em sua Alma e em sua divindade.
D.— E quem são esses cristãos?
M — Todos aqueles que se aproximam da mesa eucarística cientes de que se acham em pecado mortal. E nisto não há desculpa que valha: nenhuma conciliação, nenhuma tolerância, nada há que possa diminuir a malícia do horrível sacrilégio que é perpetrado.
Ninguém é obrigado a comungar; por conseguinte, quem não quiser crer, quem não quiser abandonar o pecado, não comungue.
Por que tratar tão mal a Jesus e martirizá-lo com tanta crueldade?
* * *
Nos atos dos Mártires lê-se de certos imperadores tão cruéis, que a fim de causar maiores tormentos aos cristãos e induzi-los a renegar a fé, encerravam-nos em sacos de couro repletos de serpentes, escorpiões e víboras, para que assim morressem vítimas das mordeduras desses repelentes animais.
* * *
Conta-se também de outros, mais cruéis ainda, que atavam os cristãos a cadáveres em putrefação, rosto com rosto, braços com braços, peito com peito e os deixavam assim até morrerem ao contato com tais cadáveres em decomposição, plenos de vermes nauseabundos.
Pois bem, aquele que comunga sacrilegamente faz o mesmo com Jesus Cristo. Obrigando-O a habitar em seu coração junto com o demônio, obriga-O a sentir o cheiro de uma alma morta à graça divina.
D — Essas coisas, Padre, me fazem estremecer, e nem sequer as teria imaginado.
M— Pois bem, pense seriamente nelas agora, e faça um sincero propósito de nunca e por nenhum motivo aproximar-se indignamente da mesa sagrada da Comunhão.
* * *
O imperador Carlos Magno, vendo um dia avizinhar-se para saudá-lo um general que se achava em estado de embriaguês, repeliu-o com estas palavras de indignação:
— Retire-te daqui, pois me causas nojo.
O general sentiu tanto esta repulsa que jurou nunca mais se embriagar e cumpriu, de fato, a palavra.
Assim também poderia dizer Jesus Cristo aos que se apresentam para receber indignamente a Sagrada Comunhão. E, se não o diz com os lábios, contudo o faz sentir no fundo do coração desses infelizes que não se convertem ou porque já estão acostumados a comungar mal, ou porque já perderam completamente a fé.
Comungai Bem – Pe. Luiz Chiavarino

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Santo Rosário, consolação na hora do Juízo


Evite cuidadosamente fazer o que certa piedosa mas voluntariosa senhora de Roma fez.

Era uma pessoa tão piedosa e fervorosa que com sua vida santa confundiu os religiosos austeros da Igreja de DEUS.
Ao pedir a São Domingos que lhe aconselhasse sobre sua vida espiritual ela pediu-lhe que a ouvisse em confissão. Por penitência, ele lhe mandou que rezasse um Rosário completo e aconselhou-a que o rezasse diariamente. Ela disse que não tinha tempo para rezá-lo, desculpando-se e dizendo que tinha que fazer as Estações de Roma (1) todo dia, que vestia roupas de sacas, camisas de cilício, que tomava disciplina sobre si várias vezes por semana, que tinha tantas outras penitências e que jejuava bastante. São Domingos aconselho-a novamente e várias outras vezes a seguir seu conselho e rezar o Rosário, mas ela continuava a recusar. Ela saiu do confessionário, horrorizada pela tática de seu novo diretor espiritual, que arduamente lhe persuadia a seguir a devoção que não era de seu agrado.

Mais tarde, quando ela estava orando, caiu em êxtase, e viu sua alma se apresentando diante do Trono do Julgamento de NOSSO SENHOR. São Miguel pôs todas as suas penitências e outras orações em dos pratos da balança e todos os seus pecados e imperfeições no outro. O prato das boas obras ficou grandemente suspenso sem conseguir equilibrar ao outro dos pecados e imperfeições.


Cheia de espanto ela clamou por misericórdia, implorando o auxílio da Santíssima Virgem, sua graciosa advogada, que pegou o único Rosário que ela tinha rezado por aquela penitência e o pôs no prato das boas obras. Só este único Rosário era tão pesado que pesava mais que todos seus pecados e também suas boas obras. Nossa Senhora, então, repreendeu-a por não ter seguido o conselho de seu servo Domingos e por não ter rezado o Rosário diariamente.

Logo que voltou a si, correu e se pôs aos pés de São Domingos e lhe disse o que acontecera, implorou seu perdão por não ter acreditado e prometeu rezar o Rosário fielmente todos os dias. Por este meio ela se elevou à perfeição cristã e finalmente à glória da vida eterna.

Vocês que são pessoas de oração, aprendam disto quão grandioso é o poder, o valor e a importância desta devoção do Santíssimo Rosário quando o mesmo é rezado e unido à meditação sobre os Mistérios.

Poucos santos alcançaram as mesmas alturas em oração que Santa Maria Madalena, que era transportada diariamente aos Céus pelos Anjos, e que teve o privilégio de aprender aos pés do próprio JESUS CRISTO e de Sua Santíssima Mãe. Contudo, um dia quando perguntou a DEUS que lhe mostrasse uma maneira certa de como progredir em Seu amor e como chegar à mais alta perfeição, Ele enviou São Miguel Arcanjo para dizer-lhe em Seu lugar, que não havia outra maneira para se alcançar a perfeição do que a meditação na Paixão de Nosso SENHOR. São Miguel então colocou, na entrada de sua caverna, uma cruz e lhe disse que rezasse diante dela, contemplando os Mistérios Dolorosos que ela presenciara com seus próprios olhos.

Que o exemplo de São Francisco de Sales, o grande diretor espiritual de seu tempo, o estimule a unir-se à santa Confraria do Rosário, já que foi um grande santo, fez votos de rezar o Rosário completo todos os dias de sua vida.

São Carlos Borromeo também rezou todos os dias e com insistência, recomendava a devoção aos pregadores, aos eclesiásticos, nas conferências e a todo o povo.

São Pio V, um dos Papas mais eminentes da Igreja, rezava diariamente o Rosário. São Tomás de Villa Nova, Arcebispo de Valência, Santo Inácio, São Francisco Xavier, São Francisco de Borja, Santa Teresa e São Felipe Neri, bem como muitos outros grandes homens que não pude aqui mencionar foram grandes devotos do Santo Rosário.

Segui seus exemplos! Seus diretores espirituais estarão satisfeitos e se ficarem sabendo dos frutos que se ganha desta devoção, eles serão os primeiros a lhe animar a adotá-la.


O Segredo do Rosário - São Luis Maria Grignon de Monfort

sábado, 19 de setembro de 2015

As Virgens que se consagram a Deus

As virgens se tornam semelhantes aos anjos, e são esposas de Jesus Cristo 

   "As virgens que tiveram a felicidade de se dedicarem ao amor de Jesus Cristo, consagrando-lhe o lírio de sua pureza, tornam-se primeiramente tão queridas de Deus como os anjos: Serão, disse Jesus, como anjos de Deus no céu, e isto graças a virtude da castidade1 . Pelo contrário, perdendo esta virtude, se fazem semelhantes ao demônio. “A castidade faz anjos, afirma Sto. Ambrósio: quem a guarda é um anjo, e quem a perdeu é um demônio”

   Baronio refere que na morte de uma virgem chamada Jorgia, viu-se voar ao redor um grande bando de pombas; e, quando seu corpo foi levado a igreja, estas vieram pousar sobre o teto justamente em cima do lugar em que estava o esquife, e dali não se foram senão depois que foi dado à sepultura. Nestas pombas todos julgaram ver anjos que, a seu modo, honravam o corpo virginal. É com razão que a virgindade se chama virtude angélica e celeste, porque, segundo Sto. Ambrósio, esta virtude achou no céu o que deve imitar na terra, e é no céu que foi tirar e aprender as regras de vida, e lá achou o próprio Esposo.

  Além disso, a virgem que consagra a Jesus Cristo sua virgindade, torna-se esposa dele; donde o Apóstolo, escrevendo aos seus discípulos, não teme dizer: Eu prometi a Jesus Cristo apresentar-lhe vossas almas como outras tantas esposas. E Jesus mesmo, na parábola das virgens quer ser chamado seu esposo: Saíram ao encontro do esposo, ... com ele entraram no festim das nupcias
   Relativamente aos demais fiéis, toma o título de Mestre, de Pastor e de Pai; mas, em relação às virgens, adota o de Esposo. Dai este belo verso de S. Gregório Nazianzeno: Castaque virginitas decoratur conjuge Christo: Nobre virgindade que tem Jesus por Esposo. Tal aliança se contrai pela fé, segundo a palavra de Oséas: Eu te desposarei na fé.
   Esta virtude da virgindade foi merecida especialmente por Jesus Cristo para os homens. É por isso que está escrito que as virgens seguem o Cordeiro por toda a parte em que ele vai
   A Mãe de Deus disse à certa alma que uma esposa de Jesus deve amar todas as virtudes, mas de modo particular a pureza que mais do que qualquer outra contribue para torná-la semelhante ao seu divino Esposo. É certo, como diz S. Bernardo, que todas as almas justas são esposas do Senhor: Nós somos sua esposa, diz o Santo, e todas as almas justas não são mais do que uma mesma esposa, e cada alma em particular é uma esposa de Jesus Cristo.
   Todavia, segundo nota Sto. Antônio de Pádua, as virgens consagradas a Deus o são de um modo especial. Por isso, S. Fulgêncio chama a Jesus Cristo Esposo único de todas as virgens que lhe são consagradas. Uma jovem, quando quer estabelecer-se no mundo, se é prudente, antes de tudo, indaga com cuidado qual dos pretendentes à sua mão é mais digno e capaz de a fazer feliz na terra. Ora, a religiosa, ao fazer a profissão, se desposa com o próprio Jesus Cristo. E por isso o Bispo lhe diz: “Eu vos uno a Jesus Cristo. Que ele vos guarde de toda a mancha. Recebei, pois, como sua esposa, o anel da fidelidade, afim de que, servindo-o lealmente, sejais coroada para a eternidade”. 

   Recorramos, pois, à Esposa dos Cantares que conhece perfeitamente todas as qualidades do divino Esposo, e lhe perguntemos quem é ele: Dizei-me, ó Esposa santa, quem é o vosso bem amado, único objeto de vosso amor, e quem vos faz a mais feliz de todas as mulheres. — Ela vos responderá: Meu amado é todo cândido de inocência e rubro das chamas de amor de que arde pelas suas esposas. Em uma palavra, é tão belo, tão repleto de todas as virtudes, e, ao mesmo tempo, tão doce e tão afável que, entre todos os esposos, se torna o mais estimável e o mais amável possível. — Com efeito nada iguala a sua magnificência, nem à sua glória, nem à sua beleza, nem à sua munificência diz Sto. Eucherio. 
    Saibam, pois, as virgens felizes que se consagraram a Jesus Cristo, conclui Sto. Ignacio mártir; saibam qual o Esposo a quem tiveram a felicidade de se unirem. Nunca, nem na terra, poderão achar outro tão belo, tão nobre, tão rico e tão amável.

    Convencida desta verdade, Sta. Clara de Montefalco ligava tanta importância à sua virgindade, que antes de perdê-la, dizia, teria preferido sofrer as penas do inferno toda a sua vida. — E quando ofereceram a Santa Ignez para seu esposo o filho do prefeito de Roma, esta gloriosa virgem teve bastante razão de responder, segundo refere Sto. Ambrósio, que ela havia achado um partido muito mais vantajoso. Tal foi também a resposta de Sta. Domitila, sobrinha do Imperador Domiciano, às pessoas que tentavam persuadi-la de que podia sem temor casar-se com o conde Aureliano, visto que este, embora fosse gentio, consentia que ela continuasse a ser cristã: “Mas, dizei-me, respondeu, se apresentassem à uma jovem, de um lado, um grande monarca, e, de outro, um pobre paisano, qual dos dois escolheria para esposo? Para aceitar a mão de Aureliano, deveria eu abandonar o Reino do céu! Não seria isto uma loucura? Dizei, pois, a Aureliano que renuncie o seu intento”. E assim, para permanecer fiel a Jesus Cristo a quem tinha consagrado sua virgindade, resignou-se a ser queimada viva por ordem de seu bárbaro pretendente. A virgem Sta. Suzana respondeu o mesmo aos enviados do Imperador Diocleciano que a queria fazer Imperatriz, dando-lhe por esposo seu genro Maximiano a quem proclamara César. E por esta recusa foi condenada à morte. Muitas outras santas virgens, para se desposarem com Jesus Cristo, recusaram núpcias reais, como a B. Joanna de Portugal às de Luiz XI, Rei de França; A B. Ignez de Praga as do Imperador Frederico II; Izabel filha do Rei da Hungria e herdeira do reino as de Henrique Arquiduque d’Áustria, e outras."

Retirado do Livro A Verdadeira Esposa de Jesus Cristo, por Santo Afonso Maria de Ligório.

Fonte:
http://paramaiorgloriadedeus.blogspot.com.br/

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

A vida de São José: O maior dos Santos!

Depois de Deus, Maria. Depois de Maria, José. É sem dúvida o maior dos santos, pois recebeu de Deus maiores graças e desempenhou a maior e mais sublime missão na terra.
É conhecido o axioma tomista: — “Quando Deus escolhe alguém para uma missão o dispõe e prepara para que seja idôneo e a desempenhe dignamente”.(1)
Ora, S. José fora escolhido para a mais sublime missão: — Pai adotivo do Filho de Deus humanado e esposo da Mãe de Deus. Poderia alguém na terra, depois de Maria excedê-lo na gloria da santidade? Quem teve maior e mais sublime missão a cumprir na terra?
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Só Maria Santíssima. Logo, depois de Maria na santidade, ninguém pode ser maior que o Santo Patriarca.

É incontestavelmente o maior dos santos. “S. José se avantajou em santidade e glória, opina do grande teólogo Suarez, aos apóstolos e a S. João Batista, porque nada há na Escritura e na tradição que se oponha a esta Conclusão”. (2)
E a Igreja com Pio IX, na Encíclica Inclytum Patriarcham, de 7 de Julho de 1871, diz claramente: Tendo Deus escolhido o Bem-aventurado José entre todos os santos para ser verdadeiro e puríssimo esposo da Virgem Imaculada e Pai Putativo de seu Filho, comunicou-lhe em abundância graças singulares para desempenhar tão sublimes ofícios, graças singulares que o tornam também um santo entre todos singular.
Esta é a razão primária da santidade eminente de S. José. E ainda Santo Tomás quem nos dá outra razão dá santidade eminente do santo esposo de Maria. Quanto mais alguma coisa se aproxima do seu princípio em qualquer gênero que seja, diz o Angélico, mais participa do efeito daquele princípio. Cristo é o princípio da graça, autoritariamente enquanto Deus, e. instrumentalmente enquanto homem.(3) Deste princípio deduz o Santo Doutor a santidade singular de Maria, maior que a de nenhum santo. Logo pela mesma razão se S. José depois de Maria foi o mais próximo de Jesus Cristo, recebeu dEle maior abundância de graças que os outros santos. E Suarez afirma que depois da Humanidade de Jesus e de Maria, S. José ocupa o terceiro lugar na abundância da graça divina pela sua familiaridade e contato com Jesus Cristo.(4) É, pois, o maior dos santos.
(1) Sum. I. IIae. Qu.LXXXI. art.8.
(2) In III, Qu. XXX. Disp. 8.
(3) Q. XXVII. art.5.
(4) III. Q. XXIX. Disp. 8..
Retirado do Livro: São José –  Pe. Ascânio Brandão.
Fonte:

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Aprovação da Igreja para a Escravidão à Santíssima Virgem


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“Não se pode objetar que esta devoção seja nova ou sem importância. Não é nova porque os concílios, os padres e muitos autores antigos e modernos falam desta Consagração a Nosso Senhor ou renovação das promessas do batismo, como de uma prática antiga, aconselhando-a a todos os cristãos”. (T.V.D. 131)
Mas será a Santa Escravidão uma doutrina certa, segura, aprovada pela Santa Igreja?
Convém responder a esta pergunta, pois o lado misterioso desta doutrina, este segredo, parece, à primeira vista, em oposição com a doutrina da Igreja, que é sempre clara, precisa, ao alcance de todos.
Sim, tal doutrina é plenamente aprovada pela Santa Igreja. E a sua prática entra plenamente no espírito do Evangelho.
O Evangelho, como diz o Apóstolo, é um escândalo para os judeus e uma loucura para os gentios (1 Cor 1,23); como a sabedoria deste mundo – diz o mesmo Apóstolo – é loucura perante Deus (1 Cor 3,19).
Basta averiguar que o fim desta devoção é a humildade, a renúncia de nós mesmos e o espírito de sacrifício, para se poder dizer que é uma doutrina profundamente evangélica.
Podemos ajuntar a este argumento mais um outro de grande valor; é que tal devoção é um meio de amor mais ardente à Mãe de Jesus, amor que a Igreja procura sempre incutir com tamanha insistência. Ora, assim sendo, já se vê que, praticando-a, estamos plenamente com o ensino do Evangelho e da Igreja.
Há muito por onde desconfiar da doutrina que leva ao comodismo e afasta de Maria Santíssima; mas podemos absolutamente confiar no ensino que estimula à penitência e aproxima as almas da Santíssima Virgem. Penitência e amor de Maria – estes são os dois caracteres da doutrina cristã, as duas asas da alma fervorosa, os dois luzeiros da verdadeira fé.
Vamos agora mais particular citando os Sumos Pontífices. Passemos, entretanto, em silêncio sobre numerosas aprovações de bispos e teólogos afamados, para só indicar documentos autênticos da Santa Sé.
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1. Clemente VIII (1592-1605) – Confere grande indulgência à Confraria dos escravos, estabelecida nos Conventos Religiosos do Hospital de Caridade, no bairro de São Germano, em Paris, assim como aos que tragam consigo, e recitem a Coroinha de Nossa Senhora.
2. Gregório XV (1621-1623) – Confere igualmente indulgências aos Escravos de Nossa Senhora.
3. Urbano VIII (1623-1644) – Este Soberano Pontífice, consultando sobre as práticas exteriores de nossa devoção, especialmente sobre as correntinhas que os escravos trazem, aprovou tão louvável fervor e deu a 20 de junho de 1631 a bula Cum sicut accepimus, pela qual concede grande número de indulgências aos escravos de Maria Santíssima.
4. Alexandre VII (1655-1667) – Expediu uma bula, a 23 de junho de 1658, na qual, por motivo da organização da “Sociedade da Escravidão” em Marselha, no Convento dos PP.Agostinianos da Provença, acrescenta às indulgências concedidas pelo Papa Urbano VIII aos escravos da Santíssima Virgem, outras muitas e consideráveis.
5. Pio IX (1846-1878) – é sob seu pontificado que, a 12 de maio de 1853, se promulga em Roma o decreto declaratório de que os escritos de São Luís eram isentos de todo erro que pudesse obstar-lhe a beatificação.
Os últimos Papas
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6. São Pio X – tinha uma singular estima à perfeita devoção, e especialmente ao Tratado da Verdadeira Devoção, escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort. Quando pensou em compor a encíclica comemorativa do Jubileu da Imaculada Conceição, este Pontífice, que de muito, conhecia o livro de São Luís Maria Grignion de Montfort, quis relê-lo, como confessou depois; e valeu-se do “Tratado” relendo-o tantas vezes, a ponto de reproduzir os pensamentos e, não raro, as mesmas expressões do santo missionário.

O Procurador Geral da Companhia de Maria, numa audiência, disse ao Papa: “Vossa Santidade deseja, sem dúvida, como nós, que a verdadeira devoção, ensinada por São Luís Maria Grignion de Montfort, se espalhe cada vez mais… E há de desculpar-me se venho pedir-lhe uma bênção especial e estímulo”.
Mal acabara de falar, e o Santo Padre, estendendo a mão, com um sorriso afirmativo, tomou a “súplica” escrita do Procurador, leu-a, e, apenas findada a leitura, tomou da pena, e escreveu em baixo estas linhas:
“Atedendo a vosso pedido, recomendamos vivamente o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, tão admiravelmente escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort; e a quantos lerem este Tratado concedemos, de todo o coração, a bênção apostólica. 27 de dezembro de 1908 – Pio P.P.X”

Uma recomendação tão solícita e vinda de tão alto deve, necessariamente, produzir uma forte impressão nos corações católicos. Ao receber o documento supra, o Procurador disse: “Esse livrinho já fez um grande bem; recomendado agora por vossa Santidade, ele há de fazer muito mais no futuro”.
“Ele é verdadeiramente belo!” – Respondeu o Santo Padre, com convicção
Sob o pontificado de São Pio X foi a santa escravidão definitivamente organizada em associação, tanto para esses sacerdotes, como para os simples fiéis. A Arquiconfraria de Nossa Senhora, cujo fim é a prática da santa escravidão, foi ereta canonicamente pelo Papa São Pio X a 28 de abril de 1913.
Quanto à Associação dos Padres de Maria, já existia praticamente, mas foi canonicamente organizada no Congresso Mariano de Einsideln (Suíça – 1906), tendo como protetores os Cardeais Vannutelli e Vives.
São Pio X foi o primeiro a inscrever-se nela, figurando pois o seu nome no cabeçalho da lista dos sacerdotes consagrados a Maria Santíssima.

Tratado
7. Bento XV – Não foi menos devoto à Santa Escravidão. A 28 de abril de 1916 por ocasião do segundo centenário de São Luís Maria Grignion de Montfort, enviou Ele uma carta autógrafa ao Superior da Congregação de Maria, na qual disse: “A verdadeira devoção à Santíssima Virgem” é um livro pequeno em tamanho, mas de uma grande autoridade, e de grande unção. Possa ele espalhar-se mais e mais, e avivar o espírito cristão num grande número de almas!”.
Em face dessas autoridades, é forçoso concluir que a santa escravidão não é uma novidade, uma doutrina sem aprovação da Igreja. Ao contrário, deve dinamar, como o provamos, dos mais sagrados dogmas de nossa religião, qual conclusão lógica de premissas certas.

Uma vida tão santa, os muitos milagres, e, sobretudo a beatificação de seu autor, já seria uma prova suficiente de que a santa escravidão é conforme ao ensino da Igreja.
É, entretanto, bom e reconfortante ouvir a aprovação dada a incitar os cristãos a uma tão bela prática.
Fonte: Pe. Lombaerde, Júlio Maria. O Segredo da Verdadeira Devoção para com a Santíssima Virgem. Múltipla Gráfica e Editora Ltda, 1ºed., 2005, págs. 191-194.
Fonte:

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Exercício de Mortificação Interior - São Francisco de Sales


"Uma mulher ao ver o seu marido e o seu filho doentes, põe-se ai a jejuar, a trazer cilícios, a disciplinar-se como Davi fez numa ocasião semelhante. Ah! Minha filha, estás a fazer como Balaão, que batia em sua jumenta; afliges o teu corpo, que é inocente de Deus levantar a mão em cólera contra ti. Sobe a fonte do mal; corrige esse coração idólatra do marido ou do filho que deixaste tornar-se escravo de suas más inclinações e que teu orgulho educou para toda sorte de vaidades. Um homem costuma recair sempre de novo num pecado da impureza e logo os remorsos lhe sobrevêm e o fazem temer, como setas da cólera de Deus. Voltando a si, exclama: Ah! Carne rebelde, corpo desleal, tu me traíste! E descarrega sobre a sua carne a sua indignação, afligindo-a com rigor exagerado. Ó pobre alma, se a carne te pudesse falar como a jumenta de Balaão, ela te diria: Por que me levas a estas más conversas? Porque empregas meus olhos e os outros sentidos em coisas desonestas? Por que me cegas com imaginações perigosas? Tem bons pensamentos, que não terei más sensações; convive com pessoas de pudor e a paixão não mais referverá em mim. Ah! Tu me lanças ao fogo e não vês que me queimo; enches meus olhos de fumaça e não vês que se inflamam. Ah! Filoteia, nestas ocasiões Deus certamente te diz: Parte teu coração de dor, mortifica-o, penitencia-o como merece, é contra ele principalmente que me irritei.

   Sem dúvida, para curar a brotoeja é necessário purificar um banho, mas sim purificar o sangue; e no tocante a nossos vícios, embora seja bom mortificar a carne, o principal é sempre purificar o coração.
   Em suma, a regra geral que te dou é de nunca começar austeras punições corporais sem o conselho do teu diretor espiritual."

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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Sobre a influência dos pais na vocação dos filhos


De nenhum modo deve a influência dos pais impelir os filhos para o sacerdócio, com a mira apenas nos interesses e vantagens da própria família, e não com os olhos no bem das suas almas. Esses pensam na vida presente, diz o autor da Obra imperfeita, e esquecem a eternidade que se há de seguir. Persuadamo-nos de que, no que respeita à escolha de estado, conforme a palavra de Jesus Cristo, são os próprios pais os inimigos mais temíveis: Cada um terá por inimigos os da sua casa. A isto ajunta: Quem ama o seu pai ou a sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim.

    Ó! quantos padres se verão condenados no dia do juízo por terem recebido as santas Ordens, para fazerem a vontade a seus pais! Não se compreende! Se um jovem, movido por uma vocação divina, quer entrar em religião, — que não fazem então os pais, por paixão ou por interesse da família, para o afastarem dum estado a que Deus o chama! Entenda-se bem, um tal procedimento, como ensinam em comum todos os doutores, não pode escusar-se depecado mortal; leia-se o que escrevemos na nossa Teologia moral (l. 4. n. 77). Neste caso, os pais tornam-se duplamente culpados: 1.º, pecam contra a caridade, pelo grande mal que causam àquele a quem Deus chama, pois comete uma falta grave qualquer pessoa, embora estranha, que afasta alguém da vocação religiosa; 2.º, pecam contra o amor paternal, porque os pais que têm a seu cargo a educação de seus filhos, estão obrigados a procurar-lhes a maior vantagem espiritual.
     Há confessores ignorantes que, — aos seus penitentes que querem abraçar o estado religioso, — insinuam que devem nisso obedecer a seus pais, e renunciar à sua vocação, se eles se opuserem a ela. É seguir a doutrina de Lutero que dizia que os filhos pecam, quando entram em religião sem o consentimento de seus pais. Tal doutrina é contradita por todos os Santos Padres e pelo Concílio 10 de Toledo, onde se decidiu que é permitido aos filhos, passados os catorze anos, fazerem-se religiosos, mesmo contra a vontade de seus pais. (Veja-se o Novo Código de Direito Canônico, cân. 555 e 573).
    Sem dúvida, são os filhos obrigados a obedecer a seus pais. em tudo quanto respeita à educação e o governo da casa; mas, quanto à escolha de estado, devem obedecer a Deus, e escolher o estado a que ele os chamar. Quando os pais quiserem fazer-se obedecer também nesse ponto, devem os filhos responder-lhes o mesmo que os apóstolos responderam aos príncipes dos judeus: Vós próprios julgai se é justo, aos olhos de Deus, obedecer antes a vós do que a Deus.
    Ensina expressamente Santo Tomás que na escolha dum estado, não estão os filhos obrigados a obedecer a seus pais e ajunta que, quando se trata da vocação religiosa, os filhos nem mesmo estão obrigados a tomar conselho com os pais, que, ao verem feridos os seus interesses, são antes inimigos do que pais. Como diz S. Bernardo, antes querem ver os filhos condenar-se com eles, do que permitir-lhes que se salvem sem eles. Pelo contrário, se vêem que um filho, fazendo-se padre, pode ser útil à família, — que esforços não fazem então para que se ordene, a torto ou a direito, embora não seja chamado por Deus! E que gritos, que ameaças se o filho, sensível aos remorsos da própria consciência, recusa receber as santas Ordens! Pais bárbaros, e antes homicidas do que pais, vos chamamos com S. Bernardo! Mais uma vez, desgraçados pais e desgraçados filhos! Quantos não havemos de ver no Vale de Josafat que serão condenados por causa da vocação, visto que a salvação de cada um, como acima demonstramos, está dependente da fidelidade em seguir a vocação divina!

Retirado do livro 'A Selva' de Santo Afonso de Ligório

Fonte:
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