sexta-feira, 8 de abril de 2016

A CARICATURA DA FÉ

Um sábio educara o filhinho completamente afastado do convívio do mundo e nunca pronunciava diante dele, a palavra “DEUS”. Queria experimentar se a alma, abandonada a si mesma, poderia chegar ao conhecimento de Deus. Quando a criança atingira seus dez anos, o pai notou que o rapazinho se esgueirava de madrugada para o jardim. Seguiu-o de mansinho, e que viu? O menino, ajoelhado no solo, erguia as mãos postas para o sol.
Pobre rapaz! Tomava o servo pelo Rei! Mas, mesmo assim, deu uma brilhante prova de que a alma humana é religiosa por natureza. Fechando-lhes as fontes apropriadas, ela se apega a grosseiras ilusões e erros.
Podemos retroceder até os tempos mais remotos da história dos homens e não encontraremos um único povo que não tivesse religião. A religiosidade é exigência da própria natureza humana. Negar a existência de Deus é violentar a natureza.
Observamos, hoje em dia, a cada passo a confirmação de que a alma do homem anela pela religião, e que sem esta fica desassossegada, impaciente, enferma. Vemo-lo naqueles homens, dignos de lástima, que se afastaram da religião. Acreditas que esses “descrentes” sejam realmente incrédulos? Não! A alma tem sede de fé; ao desviar-se da verdadeira religião, ela se apega com frenesi aos mais diversos substitutos da religião, a caricaturas grotescas de fé.
Floresce em nossos dias a mais crassa e estúpida superstição, não só entre ignorantes, mas também entre os cultos. Provam-no os adeptos do teosofismo, do espiritismo, da astrologia, da cartomancia de todos os tipos, ou como quer que se chamem todos esses “fenômenos ocultos”.
Quem não aceitar a alma com a verdadeira religião, há de acreditar em fantasmas envoltos em lençóis; quem se diz incrédulo, torna-se ingênuo; quem não crer no Credo, acreditará em coisas ridículas. É como aquele homem que conta o naturalista dinamarquês Oerstedt: “Conheci um indivíduo que blasonava uma soberba descrença; de noite, porém não se atrevia a passar diante do cemitério.”
Entre o povo simples é muitas vezes a ignorância a causa da superstição; contudo, para as pessoas cultas, essa atenuante não vale. Célebres descrentes como Diderot, D’ Alembiert, eram ridiculamente supersticiosos. Frederico II, o “esclarecido” rei da Prússia, considerava prenúncio de grave infortúnio o fato de alguém cruzar garfo e faca; informava-se ansiosamente junto aos astrólogos da hora em que os astros seriam mais favoráveis ao seu projetado noivado com a filha do rei da Inglaterra.
O homem culto de hoje, “o filho iluminado do século vinte”, sorri talvez da ingenuidade dos antigos, ou dos hotentotes a dançar à roda do fogo, mas não vê, que à mesma hora, no centro das grandes cidades, milhares de indivíduos cultos são verdadeiros escravos de costumes supersticiosos.
Lancemos uma vista de olhos sobre essa babel de superstições:
Topamos primeiramente com sinais e fatos, a que dão os tolos as mais fantásticas interpretações. Pergunto a um condutor de bonde pelo carro n. 13. “nº 13? Não existe”. — “Como? Por que não existe?” — “Ora bolas, ninguém se atreveria a tomá-lo!” E no Hotel: “Poderia mostrar-me o quanto nº 13?” — “13? Isso não temos. Não há hóspede que nele se aloje”. — “E quando o hotel está repleto, superlotado?” — “Mesmo assim: o hóspede preferiria dormir numa banheira, a ocupar o quarto nº 13. Nada disso! É número aziago!”
Pobre 13! Por que és número die mau agouro? Nem o 12, nem o 14 o são…
Do mesmo modo, a quinta-feira não é dia aziago, o sábado também não; mas a sexta-feira sim! Quem se atreveria a empreender viagem numa sexta-feira fechar um negócio importante ou começar uma obra de valor? Quantas vezes nós ouvimos: Não sou supersticioso, entretanto somos 13 à mesa, seria bom se viesse mais alguém”, ou: É verdade que não és supersticioso, mas não viajes amanhã, é sexta-feira”.
Um gato preto cruza teu caminho: mau sinal, o resto do dia está perdido. Se te zumbir a orelha direita ou sentires cócegas na palma da mão, algo de bom vai acontecer. Contam que fulano morreu o que não se verificou na realidade, sinal certo de que esse fulano terá longa vida. Uma coruja grita sobre o telhado ou o relógio de parede parou? Em breve morrerá alguém da família… Quem não copiar seis ou nove vezes certa oração e outras tantas a depositar na igreja ou enviar a igual número de pessoas, será infeliz; pelo contrário, quem o fizer, verá realizado um desejo que formulou.
Em seguida, a infinidade de adivinhações revelações dos espíritos, a cartomância, ler a sorte pelas linhas da mão, determinar o horóscopo pelas constelações da hora do nascimento, etc., mas em particular a estultícia do espiritismo com seu ocultismo abalador dos nervos e destruidor da saúde, fazendo de seus sectários, candidatos ao manicômio.
Pobre “homem moderno”, que não queres crer! Até as orelhas estás metido nas crendices, porque não queres ter fé! Bem te quadram as palavras de Cícero: “Ninguém teme tanto a morte e a ira dos deuses, como os que negam a divindade”.
Talvez te admires de que eu tanto insista nas superstições. Faço-o para que vejas onde vai a falta de religião, a incredulidade; para que notes em quantas coisas acredita quem não quer crer em Deus.
O homem culto “moderno” sorri do homem do povo que espera a cura de seus males mediante ervas duma cigana; sem embargo, há nas cidades cartomantes em luxuosos apartamentos ou mesmo em casebres miseráveis, consultadas por “cultos” e “esclarecidos” senhores e damas. Aquela senhora não vai nem à confissão nem à comunhão — quem ainda acredita nisso? — mas espera ansiosamente, horas a fio, na antecâmara duma cartomante. Aquela mesma que não costuma rezar — por não ser moderno — procura saber o futuro mediante o bilhetinho puxado por um rato branco. Numa casa “moderna” não fica bem um crucifixo na parede e sim uma ferradura enferrujada na soleira da porta: porque traz sorte! Medalha de N. Senhora ao pescoço a fim de lembrar-nos a imitação das virtudes de Maria Santíssima? Não, fora com as coisas da Idade Média! Hoje tem-se um trevo quadrifólio: nada como isso para dar sorte!
Vê, ou somos religiosos ou supersticiosos. Quando se malogra o anseio da alma humana pela religião, viva, real e pura, ele se manifestará em extravagâncias doentias. Se fecharmos a porta à fé, a superstição entrará pela janela. Quem não crê em Deus, acredita em fantasmas da meia-noite. As crendices são um substituto para a fé: entanto, como sucedâneos, valem tanto como milho torrado em lugar de café.
Os próprios pagãos criteriosos zombavam dos supersticiosos. Certa vez um soldado achegou-se a Catão e perguntou todo trêmulo: “a noite passada, os ratos roeram minhas botas: que significaria isso? “Que os ratos tenham roído tuas botas, respondeu o romano, nada significa. Importante seria se as botas tivessem roído os ratos”.
A verdadeira fé é para a humanidade um rio vivificante e abençoado; a incredulidade, pelo contrário, um dilúvio devastador, que sepulta o terreno fértil debaixo de lodo nauseante.
Caro jovem, defende e conserva tua fé. Não acredites no trevo quadrifólio nem na cartomância, mas crê em Deus Pai, Todo Poderoso. Criador do céu e da terra. Não acredites no rato branco ou na ferra dura, senão no Filho de Deus, Jesus Cristo, Salvador nosso. Não acredites em fantasmas ou nas ilusões espíritas; crê no Espírito Santo, na ressurreição da carne e na vida eterna.
Religião e Juventude – Mons. Tihamer Toth

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