segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O Santo Rosário é o remédio para os castigos ameaçados ao mundo, causados pelos três pecados capitais: luxúria, avareza e soberba

“Os fiéis de Cristo exaltados pelas meditações e pelas orações [do Santo Rosário], logo se transformaram em outros homens. As sombras das heresias foram afastadas e manifestou-se a luz da Fé Católica” — 
S. Pio V
Saltério de Jesus e de Maria: gênese, história e revelação do Santíssimo Rosário: Pe. Raimundo Spiazzi O.P., ofereceu uma excelente descrição do Beato Alano e dos eventos sucessivos a Alano. Ele assim escreve: “Mas pela nossa fragilidade humana, com o passar do tempo a devoção [do Santo Rosário] esfriou a tal ponto de cair quase no esquecimento. Mas a Virgem vigiava e procurou novamente reacendê-la nos corações dos povos. E como foi o Patriarca S. Domingos o instituidor, assim quis que um dominicano voltasse a pregar à bendita fórmula de oração. Este dominicano foi o Beato Alano, mestre da Ordem.


S. Domingos de Gusmão foi o Patriarca S. Domingos o instituidor do Santo Rosário. A Santíssima Virgem quis que um outro dominicano voltasse a pregar à bendita fórmula de oração. Este dominicano foi o Beato Alano, mestre da Ordem.
Por volta do ano 1460 o P.N. Alano se encontrava em Bretanha celebrando a Santa Missa em uma manhã, quando no momento da consagração, viu Jesus Cristo crucificado na Hóstia dizendo:
‘Alano, tornas a crucificar-me’.
Confuso, o religioso respondeu: ‘Senhor, como eu poderia cometer tal maldade?’
Respondeu-lhe o Senhor:
‘Tu me crucificas com os teus pecados de omissão. Tu tens sabedoria, a função sagrada e a licença de pregar o Santo Rosário e não o fazes’O mundo é cheio de lobos e tu te fizestes um cão dócil, incapaz até de latir. Juro que se não te corriges tornarás alimento dos pobres mortais’.
Após ter dito essas palavras o fez ver as penas infernais e os tormentos, ao qual eram expostas as almas no inferno. Disse o Senhor:
‘Vistes aquelas penas?’ Aquele será o teu lugar, se demorares em pregar o meu Rosário. Vai e eu estarei contigo, assim como toda a corte do Paraíso contra aqueles que tentarão ser obstáculo’.
O Beato Alano ficou muito intimidado. Posteriormente o Beato teve uma segunda visão, que o tornou a encorajar e trouxe-lhe nova esperança.
No dia da Assunção ele estava pregando, quando o Senhor o fez conhecer aquilo que queria dele. Viu a Santíssima Virgem entrar no Paraíso com o seu Filhinho e todos os espíritos angélicos inclinaram-se diante dela saudando-a com as palavras “Ave Maria”. Viu os angélicos tocarem instrumentos quase em forma de Rosário e cantarem “Ave Maria” e outro coro responder ‘Benedicta tu in mulieribus”[1][2] Os espíritos celestes ofereciam o Rosário à Virgem em grupos de cento e cinqüenta. Um deles disse ao Beato Alano:
‘Esse número é sagrado. Está presente na arca de Noé, na taberna de Moisés, no templo de Salomão, nos salmos de David, nos quais é representado Cristo e Maria. Com este número o Senhor gosta de ser glorificado e para que tu pregues o Rosário o Senhor quis fazer-te constatar o quanto é de seu agrado’.


Em uma de suas visões místicas, Beato Alano viu a Santíssima Trindade coroar Maria Imperatriz do Céu. Ela se voltou ao Beato Alano e disse: ‘Prega o que vistes e sentistes. E não temas porque eu estarei sempre contigo e com todos os devotos do meu Rosário’.
Advertiu-o posteriormente que era necessário pregar ao mundo esta devoção, porque tantos eram os males que o afligiam. Teria grande alegria todo àquele que louvasse a Deus daquele modo; enquanto que aqueles que o tivessem desprezado seriam vítimas de calamidades.
Viu que os castigos ameaçados ao mundo são causados pelos três pecados capitais:luxúria, avareza e soberbaPara tais pecados o remédio era o Rosário.
Viu também a Santíssima Trindade coroar Maria Imperatriz do Céu. Ela se voltou ao Beato Alano e disse:
‘Prega o que vistes e sentistes. E não temas porque eu estarei sempre contigo e com todos os devotos do meu Rosário’.
Ele começou a pregar essa devoção, obtendo em todos os lugares grandes frutos espirituais.
No ano de 1475 a Beata Virgem apareceu também ao Superior do convento de Colônia, este também fazia parte da Ordem dos Pregadores. A Virgem o disse que se a cidade de Colônia quisesse realmente liberar-se dos inimigos que a assediavam, era necessário pregar e difundir a prática do Rosário. Só desse modo a cidade seria salva. O culto Superior tornou público o comando da Rainha dos Anjos e depois que o povo abraçou e praticou a oração do Rosário, a cidade foi liberada.

S. Pio V reconheceu o Santo Rosário como meio eficaz para afastar as sombras das heresias e reavivar a Fé Católica

Sabia bem o Santo Pontífice Pio V, quanta força tinha o Rosário no debelar os inimigos de Deus. Ensinava-o a experiência e a confiança que colocava na Virgem e em São Domingos. O Rosário serviu para reprimir o orgulho do imperador Otomano, que assoberbado pelas vitórias, pretendia ter Roma em seu poder. Mas foi humilhado pelas orações do santo Pontífice e dos irmãos da Confraria do Rosário[3].


Retrato do Papa S. Pio V (1504 – 1572) por Palma il Giovane (1548/50 – 1628)
São Pio V, deixou na história da Igreja um Documento de vital importância sobre o Santo Rosário, a Bula Consueverunt de 17 de setembro de 1569[4], na qual trata de São Domingos que, durante a difusão da heresia albigense, “levando os olhos ao Céu, e aquele monte da Gloriosa Virgem Maria benigna Mãe de Deus”[5] , viu “uma maneira fácil e acessível a todos, como também muito devota no orar e implorar a Deus. O Rosário ou Saltério da Beata Virgem Maria, através do qual ela é venerada com a Saudação Angelical repetida cento e cinqüenta vezes, segundo o número do Saltério de David e com a oração do Senhor intercalada em cada dezena. À esta se acrescenta algumas meditações que re-percorrem toda a vida do Senhor Nosso Jesus Cristo”.[6]
São Pio V afirmou em relação a este modo de pregar, difundido pelos Frades de São Domingos e através da Confraria:
“Os fiéis de Cristo exaltados pelas meditações e pelas orações, logo se transformaram em outros homens. As sombras das heresias foram afastadas e manifestou-se a luz da Fé Católica”[7].
E foram apresentadas tantas outras possibilidades aos cristãos:
“Nós também, seguindo os exemplos dos predecessores e vendo a Igreja Militante a nós confiada por Deus, que nestes últimos tempos está sendo agitada por tantas heresias e por tantas guerras, atormentada e aflita atrozmente pelos maus costumes dos homens, preocupados, mas cheios de esperança. Levantamos os olhos àquele monte, de onde provém cada ajuda, exortamos e convidamos cada fiel de Cristo a fazer a mesma coisa amavelmente no Senhor”[8].


S. Pio V obteve de Deus a graça de ter uma visão antecipada da vitória sobre os muçulmanos em Lepanto. A Liga Santa, formada pela República de Veneza, Reino de Espanha, Cavaleiros de Malta e Estados Pontifícios sob o comando de João da Áustria, venceu o Império Otomano no dia 7 de outubro de 1571, ao largo de Lepanto, na Grécia. Esta batalha representou o fim da expansão islâmica no Mediterrâneo.
Em ocasião da vitória de Lepanto no dia 7 de outubro de 1571 (era o primeiro domingo do mês), São Pio V propôs a criação da Festa do Santo Rosário, como comemoração de Santa Maria da Vitória. Em seguida Gregório XIII, no dia 1° de abril de 1573, com a Bula “Monet Apostolus”[9] relança a Confraria do Rosário, e Clemente XI com um Decreto da Congregação dos ritos[10], no dia 3 de outubro de 1716, universaliza a festa do Rosário prevendo a sua celebração no dia 7 de outubro.
Notas
[1] “Bendita és tu entre as mulheres”.
[2] Trata-se de Padre Jacomo Sprenger, já citado na introdução.
[3] SPIAZZI P. R., op. cit. p. 359-360.
[4] BULLARIUM ORD. PRAED. Tom. V, p. 223 Anno 17 Septembris 1569.
[5] “Levans in Coelum oculos, et montem illum Gloriosae Virginis Mariae Almae Dei Genitricis”, in BULLARIUM ORD. PRAED., tom. V, p. 223, anno 17 septembris 1569.
[6] “Modum facilem, et omnibus pervium, ac admodum pium, orandi, et praecandi Deum, Rosarium, seu Psalterium eiusdem Beatae Mariae Virginis nuncupatum, quo eadem Beatissima Virgo Salutatione Angelica centies, et quinquagies ad numerum Davidici Psalterii repetita, et Oratione Dominica ad quamlibet Decimam cum certis meditationibus totam eiusdem Domini Nostri Iesu Christi vitam demonstrantibus, interposita, veneratur”, in Bullarium ord. praed., tom. V p. 223, anno 17 septembris 1569.
[7] “Coeperunt Christifideles meditationibus accensi, his precibus inflammati in alios viros repente mutari, haeresum tenebrae remitti, et lux Catholicae Fidei aperire” , in Bullarium ord. praed., tom. V, p. 223, anno 17 septembris 1569.
[8] “Nos quoque illorum praedecessorum vestigia sequentes, Militantem hanc Ecclesiam divinitus nobis commissam, his temporibus tot haeresibus agitatam, tot bellis, pravisque hominum moribus atrociter vexatam, et afflictam cernentes, lacrymabundos, sed spei plenos, oculos, in montem illum, unde omne auxilium provenit, levamus, et singulos Christifideles ad simile faciendum benigne in Domino hortamur, et monemus”, in BULLARIUM ORD. PRAED., tom. V, p. 223, anno 17 septembris 1569.
[9] Cf. Acta, 2,27,96-98.
[10] Cf. Acta, 2,322,775-787.
“Saltério de Jesus e de Maria: gênese, história e revelação do Santíssimo Rosário”, pelo Beato Alano da Rocha O.P. (1464 d.C.). Publicado originalmente no Website Beato Alano, itália.

“Saltério de Jesus e de Maria: gênese, história e revelação do Santíssimo Rosário”,
pelo Beato Alano da Rocha O.P. (1464 d.C.)

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