domingo, 25 de setembro de 2016

A CRUZ DO ROSÁRIO


Sobre S. Pedro, o chaveiro do céu, há várias lendas, sendo a seguinte bastante interessante e instrutiva.


Dizem que, um belo dia, S. Pedro fechou a porta do céu por fora e veio dar umas voltas pelo mundo para ver como andavam as coisas por aqui. Parecia-lhe que estava chegando pouca gente ao céu e era preciso conhecer a causa dessa triste situação.



Terminado o seu inquérito, e achando mais prudente não conceder entrevista aos jornais bisbilhoteiros, dirigiu seus apressados passos lá para cima. Aconteceu, porém, que, ao chegar à porta do paraíso, meteu a mão nos bolsos e, ai! não encontrou mais a chave. Perdera-a e não sabia nem onde nem como. Que fazer em tamanha aflição?



- Descerei de novo à terra, disse, e procurarei um bom serralheiro que me faça uma nova chave.



De fato, não custou a encontrar um muito entendido e, disse-lhe:
- Olhe, eu preciso com urgência de uma chave para abrir a porta do céu. Você pode fazê-la?



- Perfeitamente; mas custará mais, porque há de ser uma chave extraordinária.



- Que homens! disse consigo S. Pedro, nem para o céu fazem uma chave de graça!... Bem! Não há dúvida; vamos lá para cima.



Subiu o serralheiro ao céu e, orgulhoso de sua arte, examinou o modelo, tirou as medidas e voltou à terra. Tomou dos instrumentos, talhou a chave, limou-a, poliu-a e, triunfante, apresentou-se à porta do céu. Mas, ai! a chave entrava no buraco da fechadura, dava voltas, mas... nada! não abria.



- Venha outro serralheiro, mas depressa, disse S. Pedro.



Chegou outro, mais presumido que o primeiro, fez as mesmas manobras e... nada! a chave não abria.



Assim foram fracassando, uns após outros, todos os serralheiros.



Entretanto, as almas que vinham chegando, dos quatro cantos do mundo, começavam a impacientar-se, porque demorava muito a entrada no céu. S. Pedro suava frio, pois, por seu descuido, já ninguém podia entrar na glória. Por fim, uma humilde velhinha se ofereceu para abrir a porta.



- Bem. Experimente, vamos ver, disse S. Pedro.



E a velhinha, que, na terra, fora devotíssima de Nossa Senhora, meteu a cruz de seu rosário na fechadura, deu meia volta à chave improvisada e a porta estava aberta.



- Bravo! Bravo! exclamaram todos, é o rosário de Nossa Senhora que nos abre o céu.



E lá entraram cheios de alegria e contentamento.

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