sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Quão misericordioso se mostrou o Coração de Jesus com os pobres e os pequeninos

O santo amor às crianças é um dos mais doces tesouros do Coração de Jesus e um dos sinais do Espírito de Jesus Cristo. Todos os Santos as têm amado


Mons. de Ségur (*) Com a humildade e a mansuetude, brilham sobre tudo no Coração de Jesus a misericórdia, a ternura, a compaixão e a bondade. E esta misericórdia estendeu-se principalmente sobre as crianças e os desgraçados.
Quão terno espetáculo oferece o Filho de Deus humilhando-se com tanto amor para com as crianças! Sua inocência, simplicidade e candura alheavam seu divino Coração, e lhe atraíam com encanto irresistível. Ah! É que a inocente simplicidade do menino não é no fundo senão uma humildade puríssima, inconsciente de si mesma; como a inocência do menino não é senão uma pureza perfeita que se ignora a si mesma e se dilata na alegria. Jesus amava sobretudo esta humildade e esta inocência.
Querendo um dia dar a seus Apóstolos uma lição de humildade perfeita, chamou um menino, colocou-o no meio deles, abraçou-o com divina ternura, e lhes disse: “Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus. Aquele que se fizer humilde como esta criança será maior no Reino dos céus. E o que recebe em meu nome a um menino como este, é a mim que recebe. Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que creem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar.”[1]
Em outra ocasião, “como lhe apresentassem algumas crianças para que lhes impusesse as mãos, seus Discípulos repreendiam os que vinham apresentá-los. Vendo isto Jesus levou a mal, e lhes disse: “Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. Em verdade vos digo: todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará. Em seguida, ele as abraçou e as abençoou, impondo-lhes as mãos.”[2] Assim amava o Filho de Deus as crianças, cumulava-as de suas santas carícias, e se comprazia em sua humilde companhia.
Sim, o Coração de Jesus estava repleto de doçura, de benignidade e de ternura para com as crianças. O que neles amava devemos nós amar como Ele e com Ele; e a infância, que Ele ama e bendiz, deve ser, para todo bom cristão, objeto de religioso respeito. O santo amor às crianças é um dos mais doces tesouros do Coração de Jesus e um dos sinais do Espírito de Jesus Cristo. Todos os Santos as têm amado.
Nosso Senhor fez objeto especial de sua misericórdia e ternura tudo o que era pequeno e desprezível para o mundo. Amou especialmente os pobres, os aflitos, os fracos, os enfermos, os desgraçados; em uma palavra, a todos os que sofrem; e quer que nós os amemos como Ele e por amor Dele; que, compadecendo-nos de seus trabalhos, façamos-lhes bem. Seu divino Coração, que se fez coração nosso, transborda por eles de caridade tão ardente quanto terna, tão forte quanto doce; e não seríamos de Jesus Cristo, se fôssemos duros com os pobres e rejeitássemos os que Ele ama.
Oh, meu bom Salvador! Sim, quero assemelhar-me a Vós em vossa terna misericórdia com as crianças e os sofredores. O mundo os desdenha como a Vós, e precisamente por isto, discípulo vosso, que não sou do mundo, quero amá-los como a Vós, e fazê-los bem em sua pessoa. “Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes,”[3] nos dizeis em vosso santo Evangelho. Que regra tão admirável! Que luz para saber qual deve ser minha conduta para com as crianças, os órfãos, os desamparados, os que sofrem; com todos aqueles que recorrem a mim em suas penas! Infeliz de mim se meu coração não é para eles o que é o bondosíssimo Coração Jesus! Infeliz se maltrato a meu Deus, ou simplesmente lhe contristo por minha culpa, na pessoa do menor destes pequeninos!
Oh, Coração adorável, manancial de bondade! Dignai-vos inundar meu coração de vossa bondade e ternura, como o haveis feito no coração de vossos Santos.
Notas
[1] Amen dico vobis, nisi convergí fueritis, et efficiamini sicut parvuli, non intrabitis in regnum coelórum. Quicumque ergo hurniliaverit se sicut parvulus iste, hic est major in regno coelórum. Et qui susceperit unum parvulum talem in nomine meo, me suscipit. Qui autem scandalizaverit unum de pusillis istis qui in me credunt, expedit ei ut suspendatur
mola asinaria in colio ejus, et demergatur in profundum maris. (Matth. X VIIl, 2 6.)
[2] Et offerebant illi parvulos ut tangeret illos. Discipuli autem comininabantur offerentibus. Quos cum videret Jesus, indigne tulit, et ait illis: Sinite parvulos venire ad me, et ne prohibueritis eos; talium est enim regnum Dei. . . . Et complexans eos, et imponens manus super illos, benedicebat eos. (Marc. X, 13-17.
[3] Amen dico vobis, quamdiu fecistis uni ex his fratribus meis minimis, mihi fecistis. (Matth. XXV, 40.)
(*) Monsenhor de Ségur. El Sagrado Corazon de Jesus. pp. 166-169. Casa Editorial de Manuel Galindo y Bezares. 1888.

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