terça-feira, 11 de outubro de 2016

Dez razões para escolher a Missa Tradicional

O rito romano tradicional tem uma orientação teo e cristocêntrica patente, manifesta tanto na posição ad Orientem do celebrante como nos ricos textos do missal que destacam o mistério trinitário, a divindade de Nosso Senhor e seu sacrifício na Cruz



















Tradução Sensus fidei: O professor Peter Kwasniewski, um dos mais interessantes e profícuos autores da língua inglesa, assinala, em um artigo publicado no site OnePeterFive, dez razões que nos ajudarão a superar as dificuldades para assistir e participar da Missa tradicional em nossa localidade ou em outras onde seja celebrada (falta de missa em um horário acessível para a família, longas distâncias a percorrer, tensões com a família ou os amigos ou mesmo com sacerdotes que desencorajam, … etc) e, portanto, ter uma opção preferencial pela Missa em sua Forma Extraordinária ou Gregoriana e realizar verdadeiros sacrifícios para promovê-la e reunir toda a família ao pé do altar de Deus domingo após domingo.
Graças a tradução recomendada pelo site Paix Liturgique podemos oferecer este artigo aos nossos leitores, recomendando a sua divulgação.
  1. Sereis como santos
    Levando em consideração que a missa tradicional celebrada até 1970 era, em essência, a de São Gregório Magno (codificada em torno do ano 600), estamos falando de 1400 anos da vida da Igreja, ou seja, a maior parte da história de seus santos. As orações, os hinos, as leituras que alimentaram a sua fé são as mesmas que alimentam a nossa. É a missa de Santo Tomás de Aquino, quem compôs o próprio da festa de Corpus Christi, é a missa que assistia São Luis, Rei de França até três vezes por dia, é a missa que São Felipe Neri caía em êxtases durante os quais era preciso ampará-lo, é a missa que se celebrava clandestinamente na Inglaterra e na Irlanda na época das perseguições, é a missa que rezava São Damião de Molokai na capela construída com suas mãos leprosas…
  2. O que é verdadeiro para nós é ainda mais para nossos filhos
  3. A liturgia tradicional forma a mente e o coração de nossos filhos nos louvores divinos por meio do exercício das virtudes da humildade, obediência e adoração silenciosa. Preenche os seus sentidos e sua imaginação com os sinais e os símbolos sagrados, com “cerimônias místicas” como as chamava o Concílio de Trento. Os pedagogos sabem que as crianças são mais sensíveis às ilustrações visuais do que a longos discursos. A solenidade da liturgia tradicional abrirá às crianças catequizadas a transcendência e fará nascer em muitos meninos varões o desejo do serviço ao altar.
  4. A missa universal
    A liturgia tradicional não só estabelece um vínculo de unidade temporal entre nossa geração e as que nos precederam, mas também um vínculo de unidade especial entre todos os fiéis do mundo. Antes da reforma litúrgica, era um grande consolo para os viajantes descobrir que além das culturas e dos climas, a missa era sempre a mesma em todas as partes, a mesma que celebrava o sacerdote de sua paróquia. Era também a mais evidente confirmação da autêntica catolicidade de seu catolicismo. Que contraste com certas paróquias atuais onde a missa muda de um sacerdote para outro e de um domingo para outro.
  5. Sabemos o que esperar
    Uma cerimônia centrada no sacrifício de Nosso Senhor no Calvário. O silêncio, antes, durante e depois. Apenas meninos coroinhas. Apenas mãos consagradas para tocar o Corpo de Cristo. Nada de extravagâncias nos ornamentos ou na música. Em outras palavras, a única atividade que o homem, quando não se se celebra de maneira inadequada, não pode desviar de seu único propósito: o culto ao verdadeiro Deus. O Pe. Johathan Robinson, do Oratório de São Felipe Neri, em seu livro The Mass and Modernity (Ignatius Press, 2005), escrito antes de que se familiarizasse com a liturgia tradicional, assinala que a atração principal e perene do que ainda era o rito antigo é que ele oferece “um propósito transcendente”, ainda que seja mal celebrado.[1] Enquanto a missa nova, nada garante a “centralidade do mistério pascal”.[2]
  6. É original
    O rito romano tradicional tem uma orientação teo e cristocêntrica patente, manifesta tanto na posiçãoad Orientem do celebrante como nos ricos textos do missal que destacam o mistério trinitário, a divindade de Nosso Senhor e seu sacrifício na Cruz. Como bem documentado pelo professor Lauren Pristas,[3] as orações do novo missal carecem de clareza na expressão do dogma e ascetismo católicos; no entanto, as orações do velho missal não têm nenhuma ambiguidade ou equívoco. É cada vez maior o número de católicos que não tem conhecimento de até que ponto a reforma litúrgica foi precipitada e de como leva a uma confusão por causa de suas opções quase ilimitadas e de sua descontinuidade com os catorze séculos anteriores de oração da Igreja.
  7. Um santoral superior
    Nos debates litúrgicos, uma grande parte dos intercâmbios centra-se, não surpreendentemente, na defesa ou crítica das mudanças feitas no Ordinário da Missa. Mas não devemos esquecer que uma das diferenças mais importantes introduzidas no missal de 1970 é o seu calendário, começando pelo santoral. O calendário de 1962 é uma maravilhosa introdução à história da Igreja primitiva, hoje tantas vezes esquecida. Está tão providencialmente ordenado que a sucessão de certas festividades forma conjuntos que ilustram uma faceta particular da santidade. Por seu lado, os criadores do calendário reformado eliminaram ou degradaram 200 santos, começando por São Vatentino. São Cristóvão, o padroeiro dos viajantes, desapareceu, com a desculpa de que não teria existido, apesar das inúmeras vidas que diariamente salvou. Privilegiou-se de forma sistemática a ciência histórica moderna em relação as tradições orais da Igreja. Esta preferência científica faz pensar nas seguintes palavras de Chesterton em sua obra Ortodoxia: “É muito fácil compreender por que uma lenda é considerada e deve ser considerada com maior respeito que uma obra histórica. A lenda é, geralmente, obra da maioria dos membros da aldeia, uma maioria de homens de espírito são. O livro, geralmente, está escrito pelo único homem louco da aldeia”.
  8. Um temporal superior
    O temporal também sofreu alterações. O ciclo litúrgico é muito mais rico no calendário de 1962. Cada domingo do ano tem seu conteúdo próprio, que é uma espécie de marcador para os fiéis graças ao qual podem medir, ano após ano, seu progresso ou retrocesso espiritual. O calendário tradicional observa antigas circunstâncias recorrentes, como as Quatro Têmporas ou as Rogativas que manifestam, além de nossa gratidão para com o Criador, nossa submissão alegre ao ciclo natural das estações e das colheitas. O calendário tradicional não tem um “tempo ordinário”, expressão muito infeliz, considerando que depois da Encarnação já nada pode ser “ordinário”; em contraste, tem um tempo depois da Epifania e um tempo depois de Pentecostes, o que prolonga o eco dessas festas. Como Natal e Páscoa, Pentecostes, festa não menor, tem sua oitava na qual a Igreja conta com tempo suficiente para renovar seu ardor sob o influxo do fogo celestial. Sem deixar de mencionar o tempo da Septuagésima que ajuda o povo de Deus a passar com suavidade da alegria do Natal para a dor da Quaresma. Todos estes tesouros preciosamente conservados nos conectam com a Igreja dos primeiros séculos…
  9. Uma melhor introdução à Bíblia
    A opinião corrente pretende que um dos principais progressos do novo Ordo é seu ciclo trienal e as leituras mais numerosas que supostamente ajudam a um melhor conhecimento da Bíblia. Mas com isso se ignora que, embora seja verdade que a nova disposição tenha multiplicado as leituras, também foi destruído o vínculo que as unia no antigo Ordo e que constituía a trama da missa domingo a domingo. Em termos de leituras bíblicas, o Ordo tradicional responde a dois princípios admiráveis: – em primeiro lugar, as passagens não são escolhidas por seus interesses (a fim de cobrir a maior extensão possível da Escritura) mas para iluminar a festividade particular celebrada; – em segundo lugar, o acento, ao invés de uma alfabetização bíblica dos fiéis, está posto na “mistagogia”. Em outras palavras, as leituras da missa não são concebidas como um curso bíblico dominical senão como uma iniciação progressiva aos mistérios da fé através da liturgia. O seu número limitado, sua concisão, sua pertinência litúrgica e sua repetição anual as torna em um agente muito eficaz de formação espiritual e em uma perfeita preparação para o sacrifício eucarístico.
  10. A devoção à Sagrada Eucaristia
    Naturalmente, a forma ordinária pode ser celebrada com reverência e devoção no momento da comunhão, pode acontecer que só a distribuam os ministros ordenados aos fiéis na boca. Mas todos os domingos, na maioria das paróquias ordinárias, recorre-se aos ministros extraordinários para dar a sagrada comunhão aos fiéis presentes, que, em grande medida, a recebem na mão. Estas duas atitudes minam profundamente o sacrossanto respeito devido ao Santíssimo Sacramento e, portanto, a compreensão do mistério eucarístico. E mesmo quando se comungue na boca, em pé na fila do sacerdote em vez da do ministro extraordinário, corre-se o risco de se aproximar de Jesus Hóstia com a alma distraída, atormentada ou mesmo indiferente, o que não é melhor. Momento de grande solenidade, tradicionalmente muito edificante para as crianças, a comunhão termina, deste modo, por converter-se em um momento de agitação e confusão. O esquecimento da presença real de Nosso Senhor na Sagrada Eucaristia conduz inexoravelmente na “protestantização” de nossa relação com Deus. Enquanto o indulto da comunhão na mão não for abolido, a liturgia tradicional é a única forma segura para preservar e alimentar nossa compreensão do mistério da presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo tanto na Sagrada Eucaristia como na Igreja e em nossas vidas de cristãos.
  11. O mistério da Fé
    Se fôssemos ficar apenas com uma razão que justificasse a escolha da forma extraordinária, seria simplesmente pelo fato de que esta é a expressão mais perfeita do Mistério da Fé. O que São Paulo chamou musterion e que a tradição latina designa com os termos de mysterium e sacramentum é tudo menos um conceito marginal na Cristandade. A incrível revelação de Deus aos homens, ao longo de toda história e em particular na pessoa de Cristo, é um mistério no sentido mais elevado do termo: é a revelação de uma realidade perfeitamente inteligível mas sempre inevitável, sempre luminosa mas enceguecedora por sua mesma luminosidade. As cerimônias litúrgicas que nos colocam em contato com Deus deveriam levar o selo de sua presença misteriosa e infinita. Por sua língua sagrada, seu ordenamento, sua música e a postura do sacerdote, a forma extraordinária do rito romano tem, sem dúvida alguma, esse selo. Ao favorecer o sentido do sagrado, a missa tradicional conserva intacto o mistério da fé.[4]
[1] Jonathan Robinson, The Mass and Modernity, Ignatius Press, 2005, p. 307.
[2] Ibid., p. 311.
[3] Collects of the Roman Missal: A Comparative Study of the Sundays in Proper Seasons Before and After the Second Vatican Council, London, T&T Clark, 2013.
[4] Por muitos séculos – e até mesmo, de acordo com St. Thomas de Aquino, a partir dos Apóstolos – o sacerdote diz “Mysterium fidei” no momento da consagração do cálice.
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