segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O ódio de Satanás contra a Missa

A Missa está no centro do combate apocalíptico que se desenvolve entre a revolução satânica e a Igreja. Com esta precisão, no entanto: a Missa sim, mas “a Missa dita e bem dita”, ou seja, de acordo com a vontade mesma de Deus expressa pelos sagrados cânones da Igreja





















A Missa é, de fato, a renovação do sacrifício do Calvário, pelo qual a humanidade se reconcilia com Deus, com o qual a ordem inicial é, assim, restaurada por uma nova união, de certa forma, do natural e do sobrenatural: união que nossos primeiros pais haviam destruído e rejeitado. Esquecendo essas verdades fundamentais torna-se difícil as pessoas compreenderem o ódio à Missa e ao sacerdócio mostrado pela Revolução, maçônica ou comunista…


Pe. Guillaume Devillers, FSSPX, Sudamerica | Tradução Sensus fidei (*): Em 1957 Jean Ousset publicava sua obra-prima, “Para que Ele reine”. O texto a seguir se encontra nas primeiras edições, tanto francesas como espanholas. Em perfeito acordo com a doutrina tradicional da Igreja, o autor mostra-nos aqui como a Missa está no centro do combate apocalíptico que se desenvolve entre a revolução satânica e a Igreja. Com esta precisão, no entanto: a Missa sim, mas “a Missa dita e bem dita”, ou seja, de acordo com a vontade mesma de Deus expressa pelos sagrados cânones da Igreja.
Consideremos que a Missa nova como celebrada hoje, ainda não tinha sido inventada pelo Padre Bugnini, de infeliz memória, mas já se começava a difundir no clero um espírito de inovação que logo acabaria em desastre conciliar e pós-conciliar.
Estas páginas são admiráveis e merecem ser lidas e meditadas por todos os que desejam trabalhar de forma eficaz “para que Ele reine”. Trata-se, em primeiro lugar, pela Missa que Nosso Senhor reinará nos corações e nas instituições sociais ou políticas para que as almas se salvem.
Mons. Lefebvre aprovou integralmente não só o livro, mas também a obra da Cidade Católica, com todos os princípios doutrinais e modos de ação que ela professava e que o livro expõe.
Ignoramos as razões pelas quais este capítulo fundamental sobre a Missa foi suprimido das edições posteriores.[1] Mas é evidente que ele não se encaixa absolutamente nem com os novos ensinamentos ecumênicos e liberais do Concílio Vaticano II, nem com o rito reformado da nova missa que os expressa.
O leitor encontrará em um quadro à parte a carta de Monsenhor Lefebvre publicada nas primeiras edições do livro. Enfatizemos esta declaração: “Nosso Senhor reinará na cidade quando alguns milhares de discípulos estiverem convencidos da verdade que lhes é transmitida e que esta verdade é uma força capaz de transformar tudo.”
Apoiados, portanto, na doutrina que nos tem sido transmitida e sobre o Santo Sacrifício da Missa, segundo o rito tradicional, procuremos colaborar com zelo para esta grande obra do reinado de Jesus e Maria.

O ódio de Satanás contra Jesus Cristo e Sua Igreja

Satanás luta em todos os lugares – escreve o R. P. Fahey – e em todos os lugarestenta eliminar o sobrenatural. Todo o ser deste puro espírito, toda esta incansável energia, da qual nós, pobres criaturas de músculos e nervos, não podemos ter uma ideia adequada está, sempre e em toda parte, dirigida contra a submissão sobrenaturalmente amorosa à Santíssima Trindade. Mudamos os nossos pensamentos e temos necessidade de descanso e de sono. Não ocorre o mesmo a Satanás. Toda a sua espantosa energia está dirigida, incessantemente, com a obstinação mais infatigável, contra a obra da salvação e de restauração do Verbo feito carne.”
Vimos que o resultado de tal revolta foi, no plano das ideias, o naturalismo.
Do ponto de vista em que nos encontramos agora, o de um combate mais concreto, podemos observar que os ataques do Inferno, primeiramente, tendo como objetivo da humanidade em geral, enquanto privilegiada do Amor divino; seguidamente a ordem cristã mais estritamente considerada, e, finalmente, a Igreja Católica, mais diretamente vulnerável em seus membros, sacerdotes e leigos. Os sacerdotes, especialmente, serão o objeto de ódio infernal, não só porque eles são cristãos por excelência, mas porque eles são os homens da Missa.
A Missa é, de fato, a renovação desse sacrifício do Calvário, pelo qual a humanidade se reconcilia com Deus, com o qual a ordem inicial é, assim, restaurada por uma nova união, de certa forma, do natural e do sobrenatural: união que nossos primeiros pais haviam destruído e rejeitado.
“Esquecendo essas verdades fundamentais – escreve R. P. Fahey – faz com que sejadifícil para as pessoas que não leem mais do que jornais e frequentam cinema, compreender o ódio à Missa e ao sacerdócio mostrado pela Revolução, maçônica ou comunista, na Espanha, no México ou em outros lugares. O treinamento dado por Moscou não é suficiente para justificá-lo…”
De qualquer forma, não é desnecessário saber distinguir o que Satanás buscava com a crucificação de Nosso Senhor e seu objetivo agora perseguido, ao provocar e dirigir os ataques contra os que celebram a Missa e aqueles que a ela assistem.
“Satanás moveu os chefes do povo judeu a se livrar de Nosso Senhor, porque estava ciente da presença no homem Jesus Cristo de uma excepcional intensidade dessa vida sobrenatural que detesta; mas, certamente, não queria e não tinha a intenção de entrar na ordem do plano divino da Redenção. Seu orgulho não lhe permitia compreender o mistério de um Amor que chegava até a divina loucura de uma imolação na Cruz. Os demônios não sabiam, na verdade, que o ato de submissão do Calvário significava o retorno à ordem divina pela restauração da Vida Sobrenatural da Graça para a humanidade”.[2]
São Paulo insiste em dizer que, se (os demônios) “tivessem-no sabido, nunca teriam crucificado o Senhor da Glória” (I Coríntios 11: 8). E Santo Tomás: “Se os demônios estivessem absolutamente certos de que Nosso Senhor era o Filho de Deus e se soubessem antecipadamente as consequências de Sua Paixão e Sua Morte, nunca teriam feito crucificar o Senhor da Glória”.
“Mas, se bem os demônios perceberam tarde demais o sacrifício do Calvário, eles estão, no entanto, perfeitamente conscientes do significado da Missa. Daí se adivinha o seu ódio. Todos os esforços são destinados a impedir a sua celebração. Mas, não podendo acabar totalmente com este ato único de adoração, Satanás tentará limitá-lo aos espíritos e aos corações do menor número possível de “indivíduos…'”
esta luta continuará até o fim dos tempos. Desta forma compreendem-se as recomendações urgentes dos Apóstolos e dos Santos para nos alertar contra Satanás e seus demônios. Conhecemos a fórmula de São Pedro sobre o leão que ruge procurando a quem devorar. São Paulo, por sua vez, não tinha medo de escrever aos Efésios: “Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares. Tomai, portanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever”. (Efésios VI, 11-13).
Quando se compreende o sentido e o alcance dessa luta, quando se conhece o plano de restauração universal por Jesus Cristo e sua Igreja, parece inevitável que Lúcifer e todo o inferno com ele se encarnicem de fazer fracassar este plano e que a catolicidade (leia-se: a universalidade) da salvação operada pela ação sobrenatural da Graça, Satanás busque opor a negação de um universalismo puramente natural, do qual o Senhor da Glória seria expulso e no qual a obra da redenção estaria neutralizada, anulada.
Mas … “ab ortu solis usque ad occasum… in omni loco sacrificatur et offertur Nomini Meo oblatio munda … Do levante ao poente, em toda parte, eis que sacrificam e oferecem ao Meu Nome … uma oblação pura”. Esta frase do profeta Malaquias indica, pelo contrário, a ordem divina.
Que a Missa seja celebrada e bem celebrada (leia-se: segundo a vontade mesma de Deus formulada pelos Santos Cânones da Igreja). Que possa ser celebrada do levante ao poente, em todos os lugares … Que possa haver, para celebrá-la, numerosos sacerdotes, santos e doutos na ciência de Deus… Que tudo esteja em ordem neste mundo, para que os méritos da Missa possam estender-se mais abundantemente, mais completamente sobre o maior número possível, e para isso, operar de tal forma que tudo esteja posto em prática, direta ou indiretamente, sobrenatural e naturalmente, de modo que o maior número possível esteja o melhor preparado para colher, gostar, buscar esses frutos de salvação eterna mais universalmente concedidos… não são estas realmente as razões últimas da ordem universal e, portanto, a primeira justiça?[3] Finalidade de todos os esforços da Igreja, enquanto Ela está diretamente encarregada do magistério e do ministério especificamente religiosos e sobrenaturais. Finalidade muito real, embora indiretamente buscada, do mesmo poder civil e das instituições. Finalidade real desse mínimo, pelo menos, desejável bem-estar, material, intelectual e moral que Santo Tomás ensinou-nos ser indispensável, comumente, para a prática da virtude. Finalidade real dessa defesa dos bons costumes, que é um dos primeiros deveres do Principado. Finalidade real, em suma, dessa paz, dessa comunidade, dessa comunhão entre os indivíduos, as classes ou as nações, das quais, está bastante claro, o mundo está terrivelmente afastado, como está também terrivelmente afastado de Deus.
Eis, então, em sua magnífica unidade, o plano natural e sobrenatural do universalismo cristão ou catolicismo. Sabemos que Santo Inácio fizera disso o “Princípio e o Fundamento” de seus “Exercícios”: “O homem é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus, Nosso Senhor, e, mediante isto, salvar a sua alma. E as outras coisas sobre a face da terra são criadas para o homem e para ajudá-lo na busca da finalidade para a qual ele é criado. Daí segue-se que tanto deve usar delas quanto lhe ajudem para seu fim, e tanto deve livrar-se delas, tanto quanto elas lho impeçam”.
Eis, então, que Satanás não pode deixar de combater. Pela perseguição manifesta, ou de outro modo, pela pressão habilidosa de um conjunto de instituições sofisticadas, proibir louvar, honrar, servir a Deus, Nosso Senhor, e, consequentemente, entorpecer a salvação das almas, é impossível não ser esta a maior preocupação do inferno.
R. P. Guillaume Devillers
Notas
[1] O leitor pode verificar, por exemplo, na edição Cruzamante (Buenos Aires, 1980); Este capítulo foi omitido na p. 90.
[2] Como observa Santo Agostinho: “Cristo só foi conhecido dos demônios tanto quanto quis, e Ele só quis tanto quanto foi necessário… Quando Ele julgou bom ocultar-se um pouco mais profundamente, o príncipe das trevas duvidou Dele e O tentou para saber se Ele era Cristo, o Filho de Deus” (“Cidade de Deus”, IX, 21). Cf. Suarez (ter. part. Div. Thomae, q XLI, art 1, co 111 co) “Especialmente para saber se ele era o Filho de Deus, Jesus Cristo, o diabo aproximou-se para tentá-lo.” Suas primeiras palavras expressam o seu pensamento: “Se és o Filho de Deus…”
[3] Todas as revoluções, sejam francesas, russas, espanholas, americanas, etc., destruíram, fecharam igrejas, suprimiram os sacerdotes ou, o que é mais grave, tentaram eliminar-lhes a possibilidade ou mesmo o desejo da celebração cotidiana da Missa. Pode-se ainda observar certas correntes de pensamento que estão espalhadas aqui e ali e de acordo com as quais os sacerdotes devem contentar-se (no transcurso de congressos, por exemplo) com assistir a uma só Missa de um deles e tomar a comunhão como simples fiéis, em vez de ter que celebrar eles mesmos a Missa.

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