sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O Calvário e as intenções de Missa

A Santa Missa é o maior tesouro que Deus concedeu à Sua Igreja. Celebrada com todo o amor de nossa parte, é a vida do sacerdote, é a escola de santidade diária do sacerdote. Sendo assim para os sacerdotes, também é para os fiéis que, estando dispostos, recebem os frutos de uma Santa Missa bem oficiada


Tradução Sensus fidei: Queridos irmãos, Nosso Senhor desejava ardentemente que chegasse o momento de instituir a Sagrada Eucaristia, e assim o manifestou aos seus discípulos:
“Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer”. (Lc 22,15)
E o desejava porque ardia em desejos de salvar o bom ladrão, queria ardentemente resgatar sua alma das garras do maligno e levá-la à glória eterna.
bom ladrão purificou a sua alma antes de dirigir-se ao Senhor, o fez em seu suplício, pois aceitou como justa a sua condenação em morrer na cruz. Dirigindo-se ao Salvador do mundo pediu-lhe de coração e com sincero arrependimento para estar em Seu Reino. E o Senhor o acolheu com infinito Amor, com o mesmo ardor pela salvação das almas que o levou a culminar a Redenção na Santa Cruz em obediência ao Pai Eterno.
O ardente ardor com o qual o Senhor desejava esse momento, é o desejo de que todas as almas se salvem, embora nem todas elas desejem; muitas almas rejeitam a salvação eterna e se condenarão por toda a eternidade.
Nosso Senhor Jesus Cristo na Santa Cruz resgatou o bom ladrão, e na Santa Cruz resgata todas as almas.
No Santo Sacrifício da Missa muitas almas são salvas, basta apenas colocá-las no altar. Quando se oferece a Santa Missa pelas almas e reza-se por elas, vão se purificando no caminho até o Calvário e, uma vez ali — se for vontade do Senhor — são salvas. Por que dizemos se for a vontade do Senhor? Bem, porque esta alma poderá necessitar de mais Santas Missas, ou por não mais necessitá-las por já estar salva ou, então, porque o Santo Sacrifício não mais lhe se aproveita por já estar condenada. Mas em nenhum aspecto a intenção da Santa Missa é perdido, mas é aplicado a outras almas necessitadas. Grande mistério e insondável Misericórdia de Deus.
Quando o sacerdote se dirige ao altar e inicia a Santa Missa, e a transcorre até a Consagração, podemos considerar piedosamente, o caminho do Calvário de Nosso Senhor, e neste caminho a alma é purificada pelos açoites, empurrões, cusparadas, insultos, blasfêmias que o Redentor recebe. Em outras palavras, com Sua dor purificadora e redentora, o Senhor purifica a alma para o encontro definitivo com Ele. E ao chegar ao Calvário, isto é, na Consagração, piedosamente assim o podemos considerar, o Senhor lhe dirá: Hoje estarás comigo no Paraíso.
Mas o que acontece nessas missas, verdadeiras profanações do Corpo e do Sangue de Cristo, paródias dolorosas e heréticas de Seu Santo Sacrifício? É seguro dizer que as intenções se perdem, da mesma forma que o sacrifício de Nosso Senhor é desprezado. E nas missas transformadas em refeições heréticas, o que pensar delas e das intenções que ali houver? Também se perdem as intenções da missa porque não havia a intenção da Igreja em oficiar o Santo Sacrifício. Quantas almas do Purgatório não conseguem sair dele, porque em tantas missas se profana e se despreza o Santo Sacrifício do Calvário!

Missas Gregorianas

Muito agradam ao Senhor as Missas gregorianas, trinta Santas Missas seguidas, sem interrupção, pelo descanso eterno do falecido. Essa prática tem sua origem em um fato que nos foi deixado consignado em seus Diálogos pelo Papa São Gregório Magno (540-604). Foi o caso em que tendo falecido um religioso chamado Justo, que havia violado o voto de pobreza guardando escondido três moedas de ouro, mas que morrera arrependido de seu pecado, o mesmo São Gregório, então, o seu Prior, fez celebrar por ele trinta dias seguidos do Santo Sacrifício da Missa, e no final deles teve a revelação de que o monge havia se livrado do Purgatório no mesmo dia em que a última missa fora celebrada.
Não consta com certeza onde nasce a eficácia especial do trintário Gregoriano. Pode-se acreditar que o Santo com suas orações lhes alcançou e lhes alcança esta especial eficácia.
As Missas gregorianas se aplicam somente pelos defuntos, são trinta missas seguidas sem interrupção, e somente pelo defunto, embora não seja necessário que sejam oficiadas pelo mesmo sacerdote. Se o sacerdote encarregado de as rezar não puder fazê-lo algum dia, um outro sacerdote poderia continuá-las.
Os fiéis têm, por tradição, especial confiança em que Deus, por sua Misericórdia, concede que se livre do Purgatório a alma pela qual se apliquem as trinta Missas Gregorianas. Esta confiança é piedosa, mas aprovada pela Igreja.

A grandeza do Santo Sacrifício da Missa

O Senhor se compraz muito especialmente no Santo Sacrifício da Missa quando é celebrada com devoção e santidade. São grandíssimas as graças que a Santíssima Trindade derrama sobre o sacerdote que oficia, os fiéis que assistem e as almas pelas quais se aplica a Santa Missa.
Quando se chega a entender, o que humanamente se pode achar que não é nada, que a própria Igreja nasce do Sacrifício de Cristo, no Calvário, assim como o sacerdócio, que a nossa salvação e redenção se realizaram na Santa Cruz; que a Ressurreição só podemos contemplá-la a partir da Cruz, que é no Calvário onde fomos gerados para a glória eterna em meio aos horríveis sofrimentos de Nosso Senhor, então poderemos viver a Santa Missa.
Então nos comoveremos em cada Santa Missa, porque em cada uma delas viveremos novamente e distintamente nosso encontro com Cristo crucificado entre dores indizíveis, e vivo e glorioso, que nos une a Si para que com Ele compartilhemos um tímido reflexo, distante e turvo de Sua dor por cada um de nós.
Todas as graças nos vêm do Calvário. Em casa Santo Sacrifício são aplicados os méritos da Paixão de Nosso Senhor. As almas do Purgatório vivem em contínua dor por não ver a Deus, em continua dolorosa purificação de seus pecados, em contínuo sofrimento. Necessitam imperiosamente ser livradas de sua purificação, e nada melhor do que a Santa Missa para resgatá-las de seu estado de dor.
O Santo Sacrifício da Missa é a maior obra do grande Amor de Deus para com o homem, o mistério insondável onde Deus Todo-poderoso operou todo o Seu Poder e Misericórdia. Onde a Santíssima Trindade se manifestou ao homem em todos os Seus atributos. Quando o Santo Sacrifício se perverte e é denegrido, comete-se a maior ofensa à Santíssima Trindade, desprezando cada uma das Três Divinas Pessoas; o homem se rebela contra Deus. A degradação da Missa é o triunfo do inimigo infernal.
A Santa Missa é o maior tesouro que Deus concedeu à Sua Igreja. Celebrada com todo o amor de nossa parte, é a vida do sacerdote, é a escola de santidade diária do sacerdote. Sendo assim para os sacerdotes, também é para os fiéis que, estando dispostos, recebem os frutos de uma Santa Missa bem oficiada.
Padre Juan Manuel Rodríguez de la Rosa

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