sexta-feira, 22 de setembro de 2017

INDIFERENTES À MISSA NOVA?



Dois ritos diferentes coexistindo para a celebração da Missa. Realmente devemos considerá-los como duas expressões de uma mesma coisa? Certamente isso não é uma questão de gosto: é a fé católica que está em jogo. Lembremo-nos de como devemos julgar a missa reformada de 1969.
Fonte: FSSPX/Distrito da América do Sul – Tradução: Dominus Est 
Muitos problemas seriam resolvidos se fossemos ao menos indiferentes à Nova Missa. De Roma não nos pedem outra coisa. De tantos católicos perplexos com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, muitos acreditaram que o mal do novo rito viria apenas da maneira de celebrá-lo e os peregrinam pelas paróquias buscando padres, sempre escassos, que celebrem com piedade e não deem a comunhão nas mãos. Outros, melhor informados, sabem que a diferença não está nos modos do sacerdote, senão no próprio rito e reivindicam a Missa tradicional argumentando, com alguma hipocrisia, o enriquecimento que implica a pluralidade de ritos: o novo é bom, mas o antigo também, melhor então ficar com os dois!
Embora não haja tolos em Roma, eles deixaram correr essa desculpa para os grupos tradicionais que se amparam na Comissão “Ecclesia Dei”. Além disso permitiram para os Padres tradicionalistas da diocese de Campos, no Brasil, que ficassem com seu rito tradicional mesmo dizendo que a Nova Missa é “menos boa”. Mas em Roma perturba nossa Fraternidade porque não só não se diz que é boa, mas que a combate como perversa, perturbando a perplexidade que depois de quarenta anos de Concílio tantos católicos não deixam de sofrer. Se, ao menos, fôssemos indiferentes – que os outros rezem como queiram – Roma nos deixaria em paz. 
Podemos ser indiferentes à Nova Missa?
Na véspera de sua Paixão, havendo chegado a hora de oferecer seu sacrifício redentor a seu Pai, Nosso Senhor fez uma aliança com Sua Igreja: Hæc quotiescumque feceritis, em mei memoriam facietis (Lembre-se de que morri por vossos pecados, que me lembrarei de vós na presença do Pai). E, sendo Deus, nos deixou o imenso mistério da Missa, pelo qual seu Sacrifício permanece sempre vivo, sempre novo, permitindo-nos assistir como ladrões arrependidos: Memento Domine, famulorum famularumque tuarum (Lembra-te Senhor de nós agora que estais em seu Reino).
A memória viva da Paixão que se renova pela dupla consagração graças aos poderes do Sacerdócio, a união misteriosa com a Vítima Divina que se realiza pela comunhão é a única maneira que tem o coração duro do homem para retornar ao amor de Deus, porque nada chama tanto ao amor como conhecer-se muito amado, e a Paixão de Nosso Senhor foi a maior demonstração de amor: ninguém ama mais do que aquele que dá a vida por seu amigo. É por isso que a obra da Redenção que Cristo realizada na Cruz não se faz eficaz para nós senão graças ao Sacrifício da Missa.
Agora, assim como não pode haver indiferença perante a Cruz de Cristo, tampouco pode haver perante o rito que renova seu Sacrifício. Quem não está comigo está contra mim, disse Nosso Senhor, e esta lei foi imposta pela Paixão. Posso passar direto por um vendedor se penso não necessitar do que ele oferece; mas não posso passar direto por um homem ferido porque ele precisa de mim. Não é um pecado patente a indiferença ante a Jesus dos Milagres, pois posso dizer com São Pedro: afaste-se de mim, pois sou pecador; mas é uma traição horrível dizer: não conheço aquele homem, ante Jesus Crucificado. É a Cruz de Nosso Senhor que nos obriga a tomar partido, não me é permitido deixar de lado Aquele que morre pelos meus pecados!
O novo rito criado sob Paulo VI para substituir o bimilenar rito romano da Santa Missa, suprimiu o escândalo da Cruz: evacuatum est scandalum crucis! A intenção imediata que guiou a reforma da missa foi o ecumenismo: criar um rito suficientemente ambíguo para ser aceito pelos protestantes mais “próximos” ao catolicismo; mas a intenção final foi suprimir a espiritualidade dolorosa da Cruz, porque sua negatividade supostamente repele o homem moderno.
É surpreendente, mas se nossa religião remove o escândalo da Cruz, cessa a perseguição e os judeus são os primeiros a aceitar o diálogo ecumênico. São Paulo apontava esse mistério aos Gálatas, tentados a judaizar, acreditando que fosse necessário circuncidar-se:
“Se eu ainda prego a circuncisão, por que ainda sou perseguido, se já acabou o escândalo da cruz!? “
Como mostra o livrinho sobre o problema da reforma litúrgica, da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, a teologia subjacente à missa de Paulo VI obscurece a Paixão de Nosso Senhor para permanecer apenas com as alegrias da Ressurreição: supera o Mistério da Cruz com a nova estratégia do Mistério Pascal. Se volta a repetir o que aconteceu quando Jesus anunciou pela primeira vez sua paixão:
“Pedro, tomando-Lhe a parte, se pôs a interpelá-lo dizendo: Não queira Deus, Senhor, que isso aconteça!” (Mt 16, 22)
Visto com olhos muito humanos, com Cristo ressuscitado a Igreja pode entrar no mercado deste mundo, que morre em todos os lugares, com um produto de luxo: a esperança da ressurreição; mas com o Crucificado, todos os sermões devem começar como o primeiro de São Pedro, reprovando perigosamente aos poderosos deste mundo: “Vós o matastes” (Atos 2:23 ). Mas, qual foi a reação de Nosso Senhor ante a mudança de estratégia de mudança que lhe proporia seu Vigário?
Afasta-te de mim, Satanás, porque não tens senso para as coisas de Deus, mas para as dos homens”.
Em todos esses anos de resistência às transformações litúrgicas, dentre a fila dos perplexos emergiram muitos paladinos – bem ou mal intencionados, só Deus sabe – que, fazendo uso da boa teologia, defenderam que a reforma não é tão ruim quando a pintamos. Nós até vimos publicada uma piedosa explicação da Missa Nova em que se mostra a história dos ritos como se nada tivesse acontecido entre Paulo VI e São Gregório Magno.
Por que, então, esperneamos tanto! O que aconteceu foi que ficaram perplexos justamente os católicos que não conheciam muito bem as correntes subterrâneas da teologia modernista que, apesar de condenadas e perseguidas pelos papas antes do Concílio, foram ganhando terreno até instalarem-se no Vaticano, graças ao apoio de João XXIII e Paulo VI.
O pensamento que guiou as reformas, na sua raiz e na sua coerência interna, é verdadeiramente satânico, e infelizmente, não exageramos! É verdade que os materiais com os quais o novo rito foi construído vêm, em sua maior parte, da demolição do antigo; e, por isso, ante um olhar superficial – muito superficial! – parecem semelhantes: ato penitencial, leituras, repetição das palavras de Cristo, comunhão, benção final, tudo em castelhano português e de forma confusa, mas, de qualquer maneira, acaso é tão diferente?
Sim, é totalmente diferente. Se tantos católicos que batizamos com o insultante, mas merecido título de “linha média”, vissem claramente como é e o porquê do rito da Nova Missa, certamente deixariam a indiferença sob a qual esconderam para juntarem-se ao clamor para que os altares das igrejas voltem a ser Calvários.
O livrinho sobre a Reforma que mencionamos, mostra compendiosamente qual é a teologia que anima a Nova Missa. O primeiro (satanico) princípio é que Deus, sendo imutável, não recebe danos pelos nossos pecados, de modo que não importa o quanto pecamos, não deixamos de ser filhos amados, e basta que nos arrependamos para que tudo seja esquecido, sem exigir de nós reparação ou satisfação alguma por danos e prejuízos.
É muito interessante. Imagine um banqueiro com capital infinito: basta que peçamos perdão e fiquemos com a coisa roubada, porque em suas contas nunca aparece a subtração. Este pequeno sofisma imediatamente remove a necessidade da Cruz – e também da própria Encarnação – porque o Verbo se fez homem e morreu por nós para reparar nossos pecados. O rito tradicional está profundamente marcado pela dívida da justiça que temos com Deus, é uma liturgia de “publicanos” sempre necessitados da redenção:
Ó Deus, tenha misericórdia de mim, porque sou pecador! “(Lc 18, 13).
O novo rito, por outro lado, removeu todas as expressões com finalidade propiciatória, considerando que os fiéis, depois de pedir o perdão inicial, já estão santificados, podendo fazer sua a oração do fariseu: “Ó Deus, dou-Lhe graças porque não sou como os demais homens!”  Ele que olha para o novo rito com medo de vê-lo mal, pode facilmente negar essa intenção, porque a liturgia não prega sua doutrina em linguagem científica senão encarnada em gestos e imagens. Mas vá para os livros dos teólogos que a fizeram e poderá comprovar com quantas advertências dirigiram essas mudanças.
Como a paixão e a morte de Cristo perdem o sentido se o pecado não exige reparação, se foi escondido sob o conceito de Páscoa ou “passagem”, ou seja, a morte não seria mais do que a passagem para a Ressurreição. A consequência litúrgica é que a Missa não é mais um rito sacrificial que renova o Calvário, mas um duplo banquete que antecipa o gozo  dos ressuscitados.
Às vezes nos custa aceitar que até haja sacerdotes que não reconheçam a enorme diferença que há entre o antigo rito sacrificial e o novo banquete. O rito tradicional tem uma parte preparatória ou ante-missa, que termina no Credo, e há três partes integrais: o oferecimento ou ofertório, a imolação pela dupla consagração e a comunhão com a Vítima Divina.
“Não é muito diferente o tratamento que Jesus Cristo sofreu em sua Via crucis com o que agora sofre com a comunhão na mão”
O novo rito, no entanto, desenvolve algo absolutamente diferente: consiste em duas partes paralelas, a liturgia ou a “mesa” da Palavra e a mesa da Eucaristia, da qual a primeira não é a menos importante. Isto já é uma novidade absoluta, como uma simples preparação pode substituir em importância o que era propriamente a Missa?
E as três partes da liturgia da Eucaristia já não são as de um sacrifício, mas uma refeição: apresentação dos alimentos, ação de graças e a refeição propriamente dita. O que tem de semelhante com o Santo Sacrifício da Missa? São somente os materiais de demolição. As “palavras da consagração” não são mais consideradas como tais, mas agora são apenas uma recordação dos gestos e palavras de Cristo, por cuja “memória” se faria objetivamente presente o Kyrios, o Senhor da glória com seus mistérios. É muito difícil para aqueles que foram formados na doutrina clássica entender essa nova linguagem – sabemos por experiência – e lhes custa acreditar que se pense o rito de forma tão diferente. É assim entre nós discutimos se remover o Mysterium Fidei da fórmula da consagração ou o tom narrativo invalida ou não a transubstanciação, mas para o novo rito esta discussão não tem sentido, porque para ele a presença de Cristo é efetivada por outro mecanismo: o poder evocativo do memorial. É difícil acreditar? Por exemplo: em Roma pôde ser considerada válida uma anáfora, a de Addai e Mari, sem as palavras da consagração. Evidentemente, sob o nome de Missa nova ou antiga estão sendo entendidas coisas muito, mas muito diferentes.
A nova teologia, que não é mais que um novo disfarce do camaleônico modernismo condenado por São Pio X, toma como instrumento o pensamento moderno, anti-realista e anti-metafísico, para reinterpretar a Revelação ao gosto do “homem de hoje”, uma criatura mitológica inventada pelos meios de comunicação. Assim, eles pretendem substituir a profunda teologia sacramental, levada tão alto por São Tomás e canonizada em muitos dos seus pontos pelo magistério da Igreja, com o confuso simbolismo dos pensadores modernos, que esvazia da realidade todos os mistérios e os deixa flutuando em uma esfera imaginária de puros conceitos. Para ela, não há apenas sete sinais sacramentais, mas tudo é “símbolo”: Cristo é sacramento, a Igreja é sacramento, a Escritura, a realidade, tudo o que percebemos se transforma em puro sinal de um mistério indefinível.
A realidade da transubstanciação, da união hipostática, do caráter sacerdotal, da graça santificante, tudo desaparece diante dessa maneira de pensar. E este é o pensamento que anima a Nova Missa. Cristo está presente na assembleia dos fiéis, na Sagrada Escritura, no ministro que presidente, no Pão Eucarístico, mas todas essas presenças se confundem em uma mesma, que resulta tão confusa e indefinível, que se desvanece: se Cristo está tanto no meio, no livro, no Padre, na Hóstia, se está em toda parte, não está em nenhuma! E os fiéis o encontram tanto nas igrejas como na rua.
A alma da Nova Missa é uma alma perversa. Os católicos que se esforçam em ver nela apenas os materiais de demolição, tentando reconstruir em sua cabeça a figura do rito tradicional, podem não percebê-la e atenuar os danos causados ​​por sua presença. Certamente não se trata de uma substância vivente e é necessário dar vida para uma certa compreensão do que seus ritos significam. Mas as formas sensíveis têm sua força e o homem não pode resistir por muito tempo a elas. Assim como não se pode frequentar as discotecas sem a erosão da honestidade, tampouco pode frequentar um rito modernista sem o desgaste da fé.
Isso é assim pelo menos para o mais comum dos mortais. E estamos olhando para um único lado da moeda, porque devemos ter em mente que os ritos tradicionais são “sacramentais”, isto é, são formas sensíveis com uma alma sagrada, que transmitem graças atuais quando recebidas com fé. Qualquer fiel católico pode unir-se à Missa ainda que à distância, mas se a Igreja mandou, sob pecado, que a cada domingo se assistida, é justamente pela eficácia santificadora de seus ritos, que predispõem a alma a unir-se mais eficazmente ao Santo Sacrifício. Por ter suprimido o rito tradicional, a fé dos católicos definha; por ter instalado um ritual modernista se propaga eficazmente – se torna mais um gesto do que um silogismo – um espírito carismático profundamente contrário ao catolicismo autêntico.
Não podemos ser indiferentes à Nova Missa, não podemos permitir que a Cruz de Cristo seja suprimida como se ninguém tivesse matado Nosso Senhor. Ratzinger disse que o “homem de hoje” não é capaz de compreender o sacrifício e deve-se falar em outra linguagem. É completamente falso. Um simples filme sobre a Paixão atraiu pessoas que já não vão mais à igreja, porque a única coisa que pode nos comover é o Sangue de Nosso Senhor.
Quando pensamos em tantos cristãos que estão de banquete perante o Calvário, parecemos sentir a queixa de Nosso Senhor:
Tornei-me um estranho para meus irmãos, um desconhecido para os filhos de minha mãe. Falam de mim os que se assentam às portas da cidade, escarnecem-me os que bebem vinho” (Salmo 68).
Sim, eles não sabem o que estão fazendo. Tampouco sabia a população manupilada pelos judeus na sexta-feira santa, mas não é muito diferente o tratamento que Jesus Cristo sofreu em sua Via Crucis daquele que agora sofre com a comunhão na mão. Católicos, assistir ao drama da paixão sem reação é pecado!
Não se pode assistir calado a uma Missa que pretende ignorar o Crucificado, que canta alegremente perante sua dor, que coloca as mãos não consagradas em tudo o que há de mais sagrado: sacerdote, altar, missal, sacrário e até o corpo divino…. tudo e por todos é manuseado. Quantos males cometeu o inimigo nos nossos altares! Mas não cessaremos de lutar até a abominação desoladora cessar nos lugares sagrados. 
Pe. Álvaro Calderón
 Tirado
Tirado da revista “Iesus Christus” nº 97, correspondente ao bimestre de janeiro / fevereiro de 2005.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Pequeno manual do católico

A Missa e outras obrigações

O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA


1) O que é a Missa?
A Missa é o sacrifício da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo que se realiza sobre o altar.

2) Como pode ser a Missa o sacrifício de Jesus se este morreu na Cruz há dois mil anos?
Pelo rito da Santa Missa, o mesmo sacrifício realizado há dois mil anos torna-se presente novamente, de um modo novo, um modo sacramental, ritual, incruento, ou seja, sem derramamento do Sangue, mas verdadeiro e eficaz.

3) Porque dizemos que a Missa é o mesmo sacrifício, presente de modo sacramental?
Por que nela aquele mesmo sacrifício de Jesus se apresenta diante de nós através de sinais sensíveis que realizam a graça sacramental. Estes sinais, no caso da Missa são as espécies consagradas, o pão e o vinho, que, na consagração, se transformam no Corpo e Sangue de Jesus pelas palavras que o sacerdote pronuncia.

4) A Missa é, então, um Sacramento?
Sim, a Missa é a cerimônia na qual se realiza o Sacramento da Eucaristia, que é a presença real de Jesus na hóstia consagrada.

5) Essa presença de Jesus na hóstia consagrada é um símbolo de Jesus?
Não podemos dizer que seja apenas um símbolo. Jesus está realmente presente com todo seu ser. Toda a natureza humana e toda a natureza divina estão presentes na Sagrada Hóstia. Toda a substância do pão e do vinho se transformaram milagrosamente no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo.

6) A Igreja Católica dá um nome especial a esta transformação?
Sim, a Igreja definiu o termo de “transubstanciação” como sendo o único capaz de exprimir o milagre que se opera na transformação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Jesus.

7) Porque dizemos que a Missa é um sacrifício eficaz?
Por que, pela presença real de Jesus, nós recebemos não apenas a graça sacramental da Eucaristia, mas o próprio Autor da graça, Jesus Cristo, nosso Deus, a Quem adoramos de joelhos. A presença real de Jesus é a maior graça que uma alma pode receber nesta vida.

8) De que modo podemos receber Jesus na Eucaristia?
Pela Santa Comunhão. Sendo um sinal sensível do sacrifício de Cristo, quando comungamos, recebemos Jesus como alimento de nossas almas. Ele vem ao nosso coração de um modo muito real e eficaz.

9) Como podemos nos preparar para receber Jesus no coração?
Antes de tudo, uma boa confissão, um arrependimento sincero dos nossos pecados. Devemos também viver sempre na presença de Deus, consagrando nosso dia a Ele, desde o levantar, e agradecendo sempre as graças recebidas ao deitar. Na Santa Missa, estando atento ao que acontece no altar, de preferência seguindo o texto da Missa no missal.

10) Existe algum momento da Missa que seja mais importante do que outros?
O mais importante momento da Missa é a Consagração. Assim que foram ditas as palavras da "forma sacramental", o padre eleva a hóstia e o cálice para serem vistos pelos fiéis. Todos devem estar de joelhos, compenetrados, silenciosos e em adoração.

11) Existe algum outro momento em que devemos estar de joelhos obrigatoriamente?

Sim. Quando o Sacrário está aberto, quando a comunhão é distribuída aos fiéis, quando o padre dá a bênção final.

LEIA MAIS SOBRE O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA - http://www.capela.org.br/Missa/origens.htm.


O TEMPLO DE DEUS

A igreja é a casa de Deus. Lugar de oração, lugar de silêncio. Nela, nada de profano deve entrar. Toda a vida de uma igreja gira em torno das coisas de Deus, principalmente do seu culto, do seu louvor, do seu sacrifício.

12) Qual é a parte principal de uma igreja?
É o altar. Ele é o centro e a razão de ser da igreja. Todo altar é de pedra, pois é sobre a pedra que se realiza um sacrifício. No Antigo Testamento vemos diversos exemplos de sacrifícios oferecidos sobre altares de pedra. Noé, quando sai da arca; Abraão quando vai sacrificar Isaac; Jacó quando acorda do sonho etc.

A Igreja mantém este costume. Mas o sacrifício oferecido já não é apenas figurativo do verdadeiro sacrifício, como no Antigo Testamento, mas o próprio sacrifício por excelência, o único agradável a Deus, o sacrifício de seu Filho.

13) Qual a primeira coisa que devemos fazer ao entrar numa igreja?
Molhando os dedos na água benta, fazemos o Sinal da Cruz. Caminhamos até o lugar em que vamos rezar, fazemos a genuflexão e nos ajoelhamos para rezar.

14) O que é uma genuflexão?
É um ato de adoração pelo qual dobramos nosso joelho direito até tocar o solo e voltamos à posição normal. (não é o ajoelhar-se, pura e simplesmente, permanecendo com o joelho no chão, mas um ato contínuo: ajoelha e levanta. Diante de um Bispo, dobramos o joelho esquerdo.)

15) Em que momento devemos fazer a genuflexão?
Quando entramos na igreja, antes de sair da igreja e cada vez que passamos na frente do Sacrário.

16) Existe algum outro tipo de genuflexão?
Sim. Devemos genuflectir com os dois joelhos sempre que o Sacrário estiver aberto, ou quando um padre estiver elevando a Hóstia na consagração de uma Missa e entrarmos nessa hora na igreja, ou ainda se o padre estiver distribuindo a comunhão. Também devemos fazer esta genuflexão com os dois joelhos quando o Santíssimo Sacramento estiver exposto na Custódia, para nossa adoração.

17) Como se faz esta genuflexão com os dois joelhos?
Devemos nos por de joelhos completamente, fazer uma leve inclinação com a cabeça e nos levantarmos em seguida.

18) Além da água benta, da genuflexão e da oração, o que mais se pede quando se entra numa igreja?
Devemos estar vestidos corretamente, não com bermudas ou shorts nem de chinelos, mas bem calçados; não com camisetas de alça, mas com camisas de mangas (ao menos até o cotovelo). Os homens e rapazes devem evitar as blusas com desenhos espalhafatosos, de esportes e coisas parecidas. As mulheres não podem entrar numa igreja com os ombros descobertos, sem mangas ou de minissaias.

LEIA MAIS SOBRE O QUE VESTIR NA MISSA: http://farfalline.blogspot.com.br/p/blog-page_18.html.

19) É obrigatório para as mulheres o uso do véu?
Desde São Paulo até bem pouco tempo sempre foi pedido às mulheres que cobrissem a cabeça dentro da igreja. Esse é o costume que mantemos em nossas igrejas. Não somente porque está assim na Bíblia, mas também porque isso favorece o recolhimento e a oração.

LEIA MAIS SOBRE O USO DO VÉU: http://farfalline.blogspot.com/2011/11/do-uso-do-veu-pela-mulher.html.

20) Porque as mulheres devem vir à igreja de saias?
Porque as calças compridas dão a elas um ar menos feminino, diminuindo a distinção entre os sexos e favorecendo uma atitude menos recatada. Também por isso a saia deve ser abaixo do joelho. Estes são os critérios para as vestimentas em nossas capelas e isso tem mantido um ambiente muito bom, próprio para a oração.

21) Como podemos saber que a Sagrada Hóstia está presente no Sacrário?
O principal sinal da presença do Santíssimo é o véu que cobre o Sacrário. Este véu se chama “conopeu” e costuma ter a cor dos paramentos do dia. Além do conopeu, deve sempre haver uma lamparina acesa perto do Sacrário.

22) Se o Sacrário estiver vazio, devemos fazer a genuflexão?
Não. Diante do Sacrário vazio fazemos apenas uma profunda inclinação ao altar e ao Crucifixo. Neste caso a lamparina deve estar apagada e o conopeu levantado ou ausente.

  
 
A MISSA VAI COMEÇAR

23) Em que momento devemos entrar na igreja para o início da Missa?
Devemos chegar sempre alguns minutos antes para nos recolhermos na oração, preparar o missal e, sendo necessário, nos confessarmos para poder comungar.

24) É permitido chegar atrasado na Missa?
Não é permitido chegar atrasado porque seria uma falta de respeito para com Deus, além de evidente prejuízo espiritual para as almas.

25) Existe alguma ordem formal da Igreja sobre isso?
Sim, um dos Mandamentos da Igreja diz: assistir missa completa todos os domingos.

26) E se acontecer algum imprevisto no meio do caminho?
A Igreja tolera pequenos atrasos não culposos. Por isso, ela considera que, chegando na missa dominical (ou festa de preceito) até o Evangelho, pode-se ainda comungar.  É preciso, no entanto, evitar sempre o atraso. O prejuízo é muito grande quando se perde as leituras e o sermão da Missa.

27) Qual o melhor lugar para se assistir à missa?
Em princípio qualquer banco da igreja deveria servir para a boa assistência. Na prática, constata-se que as pessoas que ficam no fundo têm a tendência a se dispersar, se distrair, conversar, fazer sinais aos vizinhos, chamando a atenção para coisas que distraem do essencial. Evidentemente estes costumes são prejudiciais para as almas e podem chegar a ser pecado.

28) Qual o melhor modo de se assistir à Missa?
Usando o missal Latim-Português podemos acompanhar as belíssimas orações que a Igreja reza durante o Santo Sacrifício. Com o missal, também podemos acompanhar melhor os gestos e ritos que são explicados passo a passo.

29) Existe um modo de se entender melhor as diversas orações que compõem uma missa?
Uma divisão lógica dos textos pode ajudar a se localizar:
Devemos antes de tudo distinguir entre

  • Ordinário da Missa: são as orações fixas que se rezam em todas as missas
  • Próprio da Missa: são as orações daquele dia em particular.

No Próprio de toda missa existem:

  • 3 antífonas: Introito, Ofertório e Comunhão – As antífonas são pequenos textos que introduzem um salmo. Na missa, os salmos que seguem estas 3 antífonas ficam reduzidos a um versículo, como podemos ver no missal.
  • 3 orações: Coleta, Secreta e Pós-comunhão – A Coleta é a oração sobre os fiéis, nossas necessidades espirituais. A Secreta é a oração sobre as secretas, termo antigo que designava o pão e vinho separados no Ofertório para serem consagrados. A pós-comunhão é a oração de ação de graças pelo alimento sacramental que acabamos de receber.
  • 2 leituras: Epístola e Evangelho. Entre as duas curtas meditações que variam de acordo com a época do Ano Litúrgico: Gradual, Aleluia, Trato.

30) Existe ainda outras divisões que possam ajudar a assistir à Missa?
Sim. Considerando a Missa de modo cronológico, podemos distinguir três partes.

31) Como se chama a primeira parte da Missa?
Chama-se Missa dos Catecúmenos. Assim chamada porque, sendo formada pela parte penitencial e de instrução, era assistida também pelas pessoas que se preparavam para o batismo (os catecúmenos). Estes deviam deixar a igreja após o Credo. Os Santos Mistérios só podiam ser assistidos pelos batizados. Já não se tem este costume, mas o nome permanece. Também se chama a esta parte de Ante-missa.

32) Quais as orações da Missa dos Catecúmenos?

  • Orações ao pé do altar, com o Salmo Judica me (42) e o Confiteor.
  • Intróito, Coleta e a parte da Instrução: epístola, evangelho, sermão e o Credo, que é a profissão de Fé católica.

33) Qual a segunda parte da Missa?
É a Missa dos Fiéis. Na antiguidade, todos os que, já sendo batizados e tendo podido confessar-se, estavam aptos para assistir o Santo Sacrifício e comungar.

34) Quais as orações ou partes da Missa dos Fiéis?

  • Ofertório, com o oferecimento do pão e do vinho que serão consagrados
  • Prefácio, longo canto que exprime o mistério da missa do dia.
  • Cânon, parte central da Missa. São as mais belas orações que o padre reza em silêncio e que têm seu ápice na Consagração.
  • Pai Nosso, rezado apenas pelo celebrante porque este ocupa o lugar de Cristo, que o rezou sozinho para ensinar aos Apóstolos.
  • Comunhão
  • Orações finais.

35) Qual a posição que devemos adotar ao longo da missa? 

De joelhos:

  • orações ao pé do altar até antes do Kyrie (nas missas de roxo ou preto até o fim da Coleta)
  • do final do Sanctus até antes do Pai Nosso
  • do (final do) Agnus Dei, durante toda a comunhão, até que o padre venha rezar a antífona da comunhão
  • na bênção final

De pé:

  • - no Kyrie;
  • - no Glória;
  • - no Evangelho;
  • - no Orate Fratres até o fim do Sanctus;
  • - no Pai-Nosso até o fim do Agnus Dei;
  • - na antífona da comunhão até o fim do Ite Missa Est;
  • - no último Evangelho.

Sentado:

  • durante a Epístola até que o padre entoe o Evangelho;
  • durante o ofertório até que o padre entoe o Orate Fratres;
  • é permitido, mas não recomendado, sentar-se após o Sacrário ser fechado, depois da comunhão (nunca se sentar durante a distribuição da comunhão ou com o Sacrário aberto).

Seria uma falta não estar de joelhos: (salvo doença)

  • na consagração;
  • a partir do Ecce Agnus Dei, quando o padre mostra a Hóstia, até que o Sacrário seja fechado;
  • na bênção final.

36) O que se deve fazer após a comunhão?
Quando nos levantamos da mesa de comunhão, carregamos Jesus no coração. Toda nossa atenção deve estar voltada ao Hóspede Divino que vem nos visitar com tanto amor e misericórdia. Uma atitude compenetrada, o olhar voltado para baixo, silêncio na alma e no corpo. Chegando ao nosso lugar, ficamos de joelhos, procuramos fechar os olhos e rezar em silêncio, saboreando este encontro sublime com Nosso Salvador. Podemos também, para ajudar a concentração, rezar as orações tradicionais de “ação de graças”, como se encontram no próprio missal ou nos livros de oração.

37) Quando o padre sai da igreja, no final da Missa, devemos sair também?
Quanto vale um só instante com Jesus presente em nós? Vale a pena prolongar nossas orações e nosso silêncio, principalmente se considerarmos que durante a semana são raros os momentos de silêncio e oração. Fiquemos alguns instantes com Jesus em ação de graças, após a Santa Missa. O padre também volta à igreja para rezar sua ação de graças. Procuremos não impedi-lo, com nossas necessidades, de fazer sua ação de graças.

  
 
O USO DO MISSAL

38) Como podemos nos localizar melhor quando seguimos a missa no missal?

  • Ordinário da Missa fica no meio do missal. Ponha um marcador reservado para o Ordinário. É a parte fixa que se reza em todas as Missas.
  • Temporal: Toda a parte que precede o Ordinário é chamado de Temporal (Missas próprias para o tempo): engloba todas as Missas dos domingos ao longo do ano, além de algumas outras Missas que podem cair em dia de semana, mas que estão inseridas nos mistérios da vida de Jesus Cristo: Natal, Epifania  e outras. Ponha um marcador reservado também para esta parte
  • Santoral: Logo depois do Ordinário vem o Santoral. Missas dos Santos. Dividido em duas partes:
  1. Comum dos Santos – são Missas indicadas para diversos santos: comum dos confessores, ou comum dos mártires etc. No dia do santo está indicada a página quando se deve usar a Missa do comum. Ponha um marcador para o Comum dos santos.
  2. Próprio dos Santos – são as Missas indicadas no dia mesmo do santo. Junto com a Missa vem uma breve notícia histórica sobre a vida do santo. Vale a pena abrir todos os dias o missal para acompanhar os santos de cada dia. Ponha um marcador para o próprio dos santos.
  • Missas votivas – São missas que rememoram algum mistério fora de época, para quando não houver nenhuma Missa indicada naquele dia.
  • Missa dos defuntos – todas as orações que devemos fazer nos enterros e nas doenças graves para pedir a Deus pelos nossos parentes e amigos.
  • Manual de orações – muitas orações, ladainhas, consagrações, hinos, cânticos se encontram ainda no fim do missal. Não deixe de conhecer profundamente todas elas.

   
OUTRAS OBRIGAÇÕES DOS FIÉIS

39) Além da assistência à Santa Missa, o que mais é pedido aos fiéis?
A Santa Igreja, em sua sabedoria e para o bem de nossas almas, maior glória de Deus e para nossa salvação, pede ainda outras obrigações, que devemos procurar realizar com espírito de obediência e amor por Deus Nosso Senhor. São os chamados “Mandamentos da Igreja”.

40) Quais são esses Mandamentos?
São cinco:
- Assistir a missa inteira aos domingos e dias Santos de Guarda
- Confessar-se uma vez por ano pelo menos
- Comungar por ocasião da Páscoa
- Fazer jejum e abstinência nos dias prescritos
- Dar o dízimo segundo o costume

41) Porque a Igreja nos obriga a confessar e comungar na Páscoa?
Sendo a mais importante festa do Ano Litúrgico, centro dos mistérios da vida de Nosso Senhor, a Igreja considera que todos os católicos devem realizar este mínimo de amor por Jesus Sacramentado. Não significa que esta comunhão seja suficiente. O ideal seria que comungássemos todos os domingos. Mas a obrigação da comunhão pascal nos impele a fazer um bom exame de consciência. Quantas pessoas receberam a graça da conversão devido à confissão para a comunhão pascal.

42) Quais os dias Santos de Guarda?
Na Igreja Universal (Católica) são dias santos de Guarda:
- Oitava de Natal (1º de janeiro)
- Epifania (6 de janeiro)
- São José (19 de março)
- Ascensão de Nosso Senhor
- Corpus Christi
- São Pedro e São Paulo (29 de junho)
- Assunção de N. Senhora (15 de agosto)
- Todos os Santos (1º de novembro)
- N. Sra da Conceição (8 de dezembro)

Em cada País a legislação muda quanto aos dias feriados. Todos os católicos devem fazer um esforço para ir à Santa Missa nos dias santos de Guarda quando não for feriado.

43) Quais os dias de jejum obrigatório?
Atualmente, apenas na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Mas o espírito da Quaresma nos move a jejuar com maior frequência, mesmo não sendo de obrigação.

44) Ainda é de rigor a abstinência de carne nas sextas-feiras?
Sim. Toda sexta-feira do ano devemos nos abster de comer carne (podemos comer peixe), em honra e em memória das dores da Paixão de Cristo.

LEIA MAIS SOBRE O JEJUM E A ABSTINÊNCIA - http://farfalline.blogspot.com.br/p/blog-page_22.html.

45) Porque existe a obrigação do dízimo?

Os padres não recebem salários, mas se dedicam em tempo integral às almas. Vivem atentos a todas as necessidades espirituais, e muitas vezes, às necessidades materiais dos seus fiéis. Nada mais justo que as famílias prevejam a subsistência do seu padre.

46) Como se paga o dízimo em nossas Capelas?
Cada família costuma deixar no início do mês uma quantia para este fim. Ela varia de acordo com as possibilidades de cada. Mas todos devem estar atentos para não faltar, de modo a cumprir esta grave obrigação que a Igreja nos impõe em nome da Caridade, e que não deixa de reverter-se para o bem dos próprios fiéis.

Fonte: Permanência - http://www.capela.org.br/Missa/manual.htm.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Catecismo Ilustrado - Parte 22 - O Batismo



Catecismo Ilustrado - Parte 22


Os Sacramentos em geral – O Batismo


1. O sacramento é um sinal visível da Graça invisível, instituído para nossa santificação.

2. Chama-se ao sacramento sinal visível de Graça, porque não só confere a Graça, mas também a significa ou representa por meio de coisas sensíveis.

3. Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu os sacramentos deixando neles a virtude dos seus merecimentos. E instituiu-os a fim de nos comunicar as graças necessárias para a nossa santificação.

4. Os sacramentos são sete, a saber: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e Matrimônio.

5. Sabemos que há sete sacramentos e que não são nem mais nem menos pela doutrina constante e pela Tradição da Igreja.

6. Para um sacramento requerem-se três coisas: matéria, forma e intenção do ministro. A matéria é aquela coisa que se emprega para fazer o sacramento, como a água no Batismo. A forma são as palavras que se proferem quando se administra o sacramento. A intenção do ministro é a vontade de fazer o que faz a Igreja.

7. Há duas espécies de sacramentos, os sacramentos de vivos e os sacramentos de mortos.

8. Sacramentos de vivos são: Confirmação, Eucaristia, Extrema-Unção, Ordem e Matrimônio. Chama-se assim, porque para os receber de modo digno e proveitoso, é necessário que a alma viva da vida da Graça.

9. São dois os sacramentos dos mortos: Batismo e Penitência. Chama-se assim, porque foram instituídos para aqueles que estão mortos para a Graça de Deus.

10. Há três sacramentos que não se podem receber senão só uma vez, o Batismo, a Confirmação e a Ordem, porque imprimem na nossa alma um caráter indelével, isto é, que nunca se apaga.

11. Os sacramentos de necessidade são os cinco primeiros, sendo os dois últimos de livre escolha.

12. Os efeitos dos sacramentos são dois: o primeiro e o principal é, pelos sacramentos de mortos, de conferir a Graça santificante e, pelos sacramentos de vivos, de aumentar a Graça santificante; o segundo é o caráter que imprimem alguns deles. Além da Graça santificante, os sacramentos conferem a Graça sacramental. A Graça sacramental, tanto quanto não seja distinta da Graça santificante, acrescenta um certo auxílio divino para conseguir o fim do sacramento.

13. Todos aqueles que recebem os sacramentos recebem o caráter; porém a Graça recebem-na só aqueles que se acham dispostos.

14. O ministro ordinário dos sacramentos é: o Papa em todo orbe católico, o Bispo na própria diocese e o Pároco na sua paróquia.

O Batismo

15. O Batismo é o primeiro e o mais necessário de todos os sacramentos, no qual, pela ablução exterior e a invocação da Santíssima Trindade, o homem é purificado de todos os seus pecados.

16. O Batismo produz os seguintes efeitos: 1º às crianças lava-as da culpa original, e aos adultos perdoa-lhes também os pecados atuais que tiverem cometido até então e a pena que lhes é devida; 2º faz-nos filhos de Deus por adoção; 3º faz-nos membros da Igreja; 4º dá-nos direito à herança celestial.

17. A matéria deste sacramento é a água simples e natural. O sangue, o leite, a cerveja, o sumo são matérias inválidas. O café, o chá são matérias duvidosas.

18. A forma são as palavras seguintes “Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”, que devem ser pronunciadas pela pessoa que batiza.
19. Para batizar, deve lançar-se a água sobre a cabeça da criança, dizendo ao mesmo tempo as palavras da forma e tendo intenção de fazer o que faz a Igreja.

20. O ministro ordinário do Batismo é o Bispo, o pároco ou um sacerdote com delegação sua.

21. Em caso de necessidade todo o homem ou mulher pode batizar, mas sem as cerimônias da Igreja. A criança assim batizada deve depois ser levada à Igreja para receber os santos óleos e as cerimônias, e para se lhe fazer o assento no registro paroquial.

Explicação da gravura


22. A gravura representa na parte superior o Batismo de Nosso Senhor, e na parte inferior o Batismo duma criança.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Deus Ameaça Castigar-nos para Livrar-nos do Castigo



Deus Ameaça Castigar-nos para Livrar-nos do Castigo 
Por Santo Afonso Maria de Ligório

« Ah! Eu tirarei satisfação dos meus adversários,
e me vingarei dos meus inimigos » (Is I,24)

Eis o que Deus diz quando fala de castigos e de vinganças: diz que Ele é obrigado pela sua justiça a vingar-se de seus inimigos.Mas notem a palavra Ah!.Esta palavra é uma espressão de dor, com a qual quer se dar a entender que, se Deus fosse capaz de chorar antes de castigar, Ele choraria amargamente por se ver obrigado a nos afligir, a nós, suas criaturas, que Ele amou tanto que até deu a vida por amor de nós."Ah!", diz Cornélio a Lapide, "é uma expressão de dor, não de insulto: Exprime a dor e o desejo de evitar o ter que punir os pecadores".

Não, esse Deus que é Pai de Misericórdias, e que tanto nos ama, não tem ânimo de nos punir e de nois afligir, mas de nos perduar e de consolar: "bem conheço os desígnios que mantenho para convosco - oráculo do Senhor -, desígnios de prosperidade e não de calamidade" 1.

Mas, alguém dirá, posto que isso é assim, porque então Deus castiga?Ou, pelo menos, porque demonstra querer nos castigar?Porque?Porque Ele quer usar de misericórdia; a ira que demonstra é toda feita de paciência e de misericórdia.Compreendamos portanto, queridos ouvintes, que o Senhor no momento se faz ver irado, não para nos castigar, mas para que abandonemos o pecado e assim Ele possa nos perdoar.Esse é o tema de nosso Sermão: Deus ameaça castigar-nos para livrar-nos do castigo.

As ameaças dos homens são ordinariamente o efeito de sua soberba e de sua impotência.Quando podem vingar-se não abenaça para não dar aos inimigos ocasião de escaparem de sua vingança.Somente quando lhes falta o poder para vingar-se, então que se servem das ameaças para, pelo menos desta maneira, contentar a sua ira e atormentando seus inimigos com temor.

Não são deste naipe as ameaças de Deus.Elas são completamente de outra natureza.Ele não ameaça por impotência de nos castigar, porque Ele poderia vingar-se no momento que quisesse.Ele é paciênte conosco para ver nos penitêntes e livres do castigo: "e para que se arrependam, fechais os olhos aos pecados dos homens" 2.Nem nos ameaça por ódio, para nos atormentar com o temor.Deus ameaça por amor, afim de nos convertermos e assim evitarmos o castigo.Ameaça porque não quer ver-nos perdidos.Ameaça, enfim, porque ama nossas almas: "Mas poupais todos os seres, porque todos são vossos, ó Senhor, que amais a vida" 3.

Ameaça, mas, entretanto, é paciênte e atrasa o castigo, porque não nos quer ver condenados, mas emendados: "Usa da paciência para convosco.Não quer que alguém pereça; ao contrário quer que todos se arrependam" 4.De maneira que as ameças de Deus são ternuras e apelos amorosos de sua bondade, com os quais quer salvar-nos das penas que merecemos.

O Profeta Jonas grita: "Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída" 5.Pobres Ninivitas, diz, já chegou o tempo de vosso castigo.Eu o anuncio da parte de Deus: Sabei que dentro de quarenta dias Nínive será arrastada e desaparecerá do mundo.Mas como é que depois Nínive fez penitência e não foi castigada? "Deus arrependeu-se do mal que resolvera fazer-lhes" 6.Pelo que Jonas afligiu-se e, lamentando-se com o Senhor disse-lhe: "É por isso que eu tentei esquivar-me fugindo para Tarsis, pois sabia que sois um Deus clemente e misericordioso, de coração grande, de muita benignidade e compaixão pelos nossos males" 7.

Por isso ele fugiu de Nínive, foi para o campo e deixou-se sob uma cabana coberta de hera para proteger-se dos raios abrasadores do sol.O que fêz porém o Senhor?Fêz que a hera secasse.Jonas de novo afligiu-se tanto que desejava a morte.Então Deus lhe disse: "tiveste compaixão de um arbusto pelo qual nada fizeste, que não fizeste crescer...e não hei de ter compaixão da grande cidade de Nínive?" 8.Tu te lamentas pela hera perdida, que não fizeste crescer, e não queres depois que Eu perdoe os homens que criei com minhas mãos?

A ruína que o Senhor fêz anunciar a Nínive explica São Basílio, não foi uma profecia, mas apenas uma ameça, mediante a qual queria ver aquela cidade convertida.O mesmo santo diz que Deus por vezes se mostra irado porque quer usar de Sua misericórdia e nos ameaça, não para nos castigar, mas para salvar-nos do castigo.E agrega Santo Agostinho que quando alguém nos diz "atenção" é sinal que não nos quer fazer dano.

Exatamente do mesmo modo faz Deus conosco.Nos ameça com o castigo diz São Jerônimo, não para o aplicar a nós, mas para nos livrar dele se nós, por causa de Seu aviso, nos emendamos.Vós, Senhor meu, diz São Gregório, quando pareceis endurecer-Vos, mais do que nunca quereis salvar-nos; ameaçais, mais com tais ameças não quereis outra coisa senão convidar-nos a fazer penitência.

Deus poderia castigar os pecadores de improviso e fazê-los morrer subitamente sem lhes dar sequer tempo de fazer penitência.Pelo contrário, Ele se mostra irado e se apresenta com flagelos na mão para vê-los recuperados em lugar de perdidos.

Disse o Senhor a Jeremias: "Talvez as ouçam eles e renunciem ao perverso comportamento.Arrepender-me-ei, então, dos males que cogito desencadear sobre eles" 9.Vá, disse-lhe, e diz aos pecadores que queiram ouvir-te, que se deixarem o pecado, Eu deixarei de enviar-lhes os castigos com que tenho pensado puni-los.

Compreendeis, meus irmãos!o mesmo vos faz ouvir hoje o Senhor pela minha boca.Se vós vos emendardes, ele revogará a sentença do castigo.Diz São Jerônimo: "Deus não nos odeia, mas odeia nossos pecados".E São João Crisóstomo acrecenta que Ele até esquece nossos pecados caso nós deles nos lembramos, quer dizer, sempre que nós humildemente nos emendarmos e pedirmos o perdão de nossas faltas, como Ele próprio o prometeu: "Eles se humilharam, não os deitarei a perder" 10.

Mas, para emendar-se, é preciso temer o castigo.Caso contrário, não nos resolveremos jamais a mudar de vida.É verdade que Deus proteje os que esperam na Sua misericórdia - "Ele é o escudo de todos os que n'Ele se refugiam" 11 -, mas esses são aqueles que esperam e que ao mesmo tempo temem a Sua justiça.Porque a esperança sem temor degenera em presunção e temeridade: "Confiam no Senhor os que temem o Senhor; Ele é o seu amparo e o seu escudo" 12.

Assim fala o Senhor nas Escrituras do rigor de Seu Juízo, do Inferno e do grande número de pessoas que nele cai: "Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, e depois disto nada mais podem fazer ...temei Aquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno" 13. "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e numerosos são os que por aí entram" 14.

E por que Ele fala assim?Para que o temor nos afaste dos vícios, das paixões e das ocasiões de pecado.E assim possamos esperar a salvação, a qual não é dada senão aos inocentes ou aos penitentes que esperam e temem.

Ó, que força tem o temor do Inferno para refrear nossos pecados!Deus criou o Inferno com essa finalidade.Ele nos redimiu com Sua morte para nos ver salvos e nos impôs o preceito de esperar a salvação.E por isso nos dá ânimo dizendo que todos os que esperam n'Ele não se perderão: "Não, nenhum daqueles que esperam em Vós será confundido" 15.Para isso Ele quer e nos ordena que temamos a condenação eterna.

Os hereges ensinam que todos os justificados devem considerar-se infalivelmente como justos e predestinados.Mas eles foram judiciosamente condenados pelo Concílio de Trento 16, porque uma tal segurança é tão nociva para a salvação quanto é útil o temor."É a Ele que é preciso respeitar, a Ele que se deve temer" 17.O santo temor de Deus torna o homem santo.Por isso Davi pedia a Deus a graça do temor, para que o temor destruísse nele os afetos carnais: "O respeito que tenho por Vós me faz estremecer" 18.

Devemos portanto temer pelas nossas culpas, mas esse temor não deve abater-nos, mas dar-nos ainda mais confiança na divina misericórdia, como fazia o mesmo profeta dizendo ao Senhor: "Por amor de vosso nome, Senhor, perdoai meu pecado, por maior que seja" 19.Como assim?Diz ele, perdoai-me porque meu pecado é grande?Sim, porque a divina misericórdia resplandece mais onde maior é a miséria; e quem mais tem pecado, mais honra dá à misericórdia confiando em Deus, que promete salvar aqueles que n'Ele esperam: "E os salva, porque se refugiam n'Ele" 20.

Por isso diz o livro do Eclesiastes que o temor de Deus não traz pena, mas alegria e gáudio: "O temor do Senhor alegra o coração.Ele nos dá alegria, regozijo e longa vida" 21.Porque o próprio temor leva a adquirir uma firme esperança em Deus, que torna a alma feliz: "Aquele que teme o Senhor não tremerá.De nada terá medo, pois o próprio Senhor é sua esperança.Feliz a alma do que teme o Senhor" 22.Sim, bem-aventurada, porque o temor afasta o homem do pecado: "O temor do Senhor expulsa o pecado" 23.E dá ao mesmo tempo um grande desejo de observar os mandamentos: "Feliz o homem que teme o Senhor, e põe o seu prazer em observar os Seus mandamentos" 24.

É preciso persuadir-se que castigar não é conforme o modo de ser de Deus.Porque Ele é bondade infinita por sua própria natureza - Deus cuius natura bonitas, diz São Leão -, não tem outro desejo que fazer-nos bem e ver-nos contentes.Quando castiga, Ele se vê obrigado a fazê-lo para dar lugar à Sua justiça, mas não para comprazer uma inclinação.Isaías diz que castigar é uma obra alheia ao coração de Deus: "Porque o Senhor se levantará...e fremirá...para concluir Sua obra, Sua obra singular, para executar Seu trabalho, Seu trabalho inaudito" 25.E por isso diz o Senhor que por vezes Ele quase finge que vai enviar-nos um castigo: "Nutro o desígnio de lançar-vos uma desgraça" 26.Mas, por que faz assim?Eis porque: "voltai todos, portanto, do mau caminho" 27.O faz para nos ver emendados e assim libertados da pena merecida.

Escreve o Apóstolo que Deus "tem misericórdia de quem quer, e endurece a quem quer" 28.A respeito dessa passagem, diz São Bernardo que Deus, quando a Si, quer salvar-nos, mas nós é que o obrigamos a nos condenar 29.Ele se chama Pai das misericórdias, não das vinganças.De onde se segue que a razão para usar de piedade a tira de Si mesmo, mas para vingar-se a tira de nós.

E quem poderá jamais compreender quão grande seja a misericórdia divina? Diz Davi que Deus, mesmo quando está irado contra nós, tem compaixão de nós: "Estai irado e restabelecei-nos" 30.Ó ira misericordiosa, exclama o Abade Beronconsio, que se apressa em socorrer-nos e ameaça para perdoar-nos."Impusestes duras provas ao Vosso povo, fizestes-nos sorver um vinho atordoante" 31.

Deus se faz ver com a mão já armada de flagelos, mas o faz para ver arrependidos e compungindos pelas ofensas que Lhe estamos fazendo: "Mas aos que Vos temem destes um estandarte, a fim de que das flechas escapassem" 32.Faz ver-se com o arco já esticado, pronto para atirar a seta, mas não a lança, porque quer que nós, atemorizados, nos emendemos e assim sejamos livres do castigo, "para que Vossos amigos fiquem livres" 33.

Eu quero atemorizá-los, diz Deus, para que movidos por um tal temor se levantem do mau cheiro de seus pecados e reotrnem a Mim: "Vinde, voltemos ao senhor: Ele feriu-nos, Ele nos curará" 34.Sim, o Senhor, embora nos veja tão ingratos e merecedores do castigo, anela entretanto por nos livrar dele, porque, mesmo que ingratos, apesar de tudo Ele nos ama e nos quer bem.

"Dai-nos auxílio contra o inimigo" 35, assim pedia Davi, e assim devemos rezar também nós: Senhor, fazei que este flagelo que agora nos atribula nos faça abrir os olhos e abandonar o pecado.Porque se não acabarmos finalmente com o pecado, ele nos jogará na eterna danação, que é aquele castigo que não tem fim.

O que devemos fazer, caros ouvintes?Não vedes que Deus está irado?Ele não pode, não pode mais nos suportar: "Deus está irado".Não vedes que dia a da crescem os castigos de Deus?Crescem os pecados, diz São João Crisóstomo, e na mesma medida, com toda razão, crescem também as punições.

Deus está irado, mas, apesar de estar irado, hoje Ele me ordena aquilo que ordenou ao profeta Zacarias: "Dize a (este povo): Eis o que diz o Senhor dos exércitos: Voltai a mim...e eu voltarei a vós" 36.Pecadores, diz Deus, vós me destes as costas e por isso me obrigastes a vos privar de minha graça.Não me obrigueis a vos expulsar inteiramente de meu rosto e a vos punir com o Inferno, sem mais possibilidade de perdão.Acabai com isso, deixai o pecado e convertei-vos a Mim, e Eu prometo perdoar-vos todas as ofensas que me tendes feito e de abraçar-vos de novo como filhos: "Voltai a mim...e eu voltarei a vós".

Dizei-me, por que quereis vos perder? (Vede com quanta piedade vos fala o Senhor). "Por que havereis de morrer, israelistas?".Por que quereis vos jogar a vós mesmos para arder naquela fornalha de fogo? "Convertei-vos e vivereis!" 38.Retornai a Mim, que estou com os braços abertos para vos perdoar.

Disso não duvideis, meus pecadores, continua dizendo o Senhor."Aprendei a fazer o bem...pois bem, justifiquemos-nos, diz o Senhor.Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve!" 39.Diz Deus: Eia! mudai de vida e vinde a Mim!E se Eu não vos perdoar, argüi-me, como se Me argüissem de ser infiel e mentiroso.Pelo contrário, Eu não serei infiel, e farei que vossas consciências manchadas se tornem, pela minha graça, brancas como a neve.

Não, Eu não vos castigarei se vos emendardes, diz ademais o Senhor, "não darie curso ao ardor de minha cólera...porque sou Deus e não um homem" 40.Quer dizer, os homens não se esquecem nunca das injúrias, mas Ele, quando vê um pecador arrependido, esquece todas as ofensas que Lhe fez: "não lhe será tomada em conta qualquer das faltas cometidas" 41.

Voltemos logo a Deus, mas rápido!Já basta o quanto O temos ofendido; não provoquemos ainda mais a Sua ira.Eis que Ele nos chama e está pronto a nos perdoar, se nós nos arrependermos do mal feito e Lhe prometermos mudar de vida.

[Aqui se faz o povo recitar o ATO DE CONTRIÇÃO E BOM PROPÓSITO, recorrendo finalmente a Maria santíssima para pedir o perdão e a perseverança].

1- Jr XXIX, 11
2- Sb XI, 23
3- Sb XI, 26
4- II PD III, 9
5- Jn III, 4
6- Jn III, 10
7- Jn IV, 1-2
8- Jn IV, 10-11
9- Jr XXVI, 3
10- II Cr XII, 7
11- Sl XVII, 31
12- Sal CXIII, 19
13- Lc XII, 4-5
14- Mt VII, 13
15- Sl XXV, 3
16- Sess 6, can 14 et 15
17- Is VIII, 13
18- Sal CXIX, 120
19- Sal 24,11
20- Sal XXXVI, 40
21- Eclo I, 12
22- Eclo XXXIV, 16-17
23- Eclo I, 27
24- Sal CXI, 1
25- Is XXVIII, 21
26- Ego fingo contra vos malum (Jr XVIII, 11)
27- Jr XVIII, 11.
28- Rm IX,18
29- Sed quod misereatur, proprium illi est; nam quod condemnet, nos eum cogimus (Ser. 5.n3)
30- Deus irarus es et misertus es nobis (Sl 59,3)
31- Sl LIX,5
32- Sl LIX,6
33- Sl LIX,7
34- Os VI,1
35- Sl LIX,13
36- Zc I,3
37- Ez XVIII, 31
38- Ez XVIII,32
39- Discite benefacere, et venite et arguire me, dicit Dominus, si fuerint peccata vestra ut coccinum, quasi nix dealbabuntur (Is I, 17-18).
40- Os XI, 9
41- Ez XVIII, 22