quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A maternal proteção do Imaculado Coração de Maria

Os predestinados, para se tornarem conformes à imagem do Filho de Deus, vivem neste mundo escondidos no seio da Santíssima Virgem. Lá são guardados, alimentados, sustentados e criados por esta boa Mãe, até que Ela os gere para a glória depois da morte




Disse Jesus a sua Mãe: “Mulher! Eis aí o teu filho!” Em seguida, disse ao discípulo: “Eis aí a tua Mãe!” E desde então o discípulo recebeu-a em sua casa. (Jo 19, 26-27)
“A minha alma glorifica ao Senhor, e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador. Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque Deus se dignou olhar para a humilde condição da sua serva”. (Lc 1, 46-48)
A terrível batalha entre a “Mulher” e a “serpente” (Gn 3, 14-15) pode ser rastreada através da história da Igreja. Sobretudo, quando a Fé ou a ortodoxia cristã se encontram ameaçadas pelos persistentes e astuciosos ataques dos “filhos da serpente”.

“Se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, reza meu Saltério”


Um exemplo dessas grandes intervenções foi por volta do ano 1214, em Languedoc, região meridional da França, quando outra vez um grande levante da doutrina gnóstica assolava aquela nobre região. Naquele momento, a Gnose se impunha configurada na heresia dos albigenses causando um grande mal não apenas para a Cristandade, mas para a própria humanidade, uma vez que suas práticas eram absurdas e irracionais.
Resultando num terrível conflito entre católicos e albigenses, a situação agravou-se a partir da convocação de uma Cruzada que tinha por objetivo estancar o mal. Daí o sangue verteu transformando a nação francesa em um terrível campo de batalha.
Em meio a essa grande tribulação da Cristandade, movido por uma inspiração divina, o religioso Domingos retirou-se em solidão para uma densa floresta próxima de Toulouse (capital de Languedoc). Durante três noites e três dias ele ali permaneceu, em contínua oração, jejum e penitência, não cessando de gemer, de chorar e de se flagelar, implorando a Deus que tivesse pena de Sua própria glória calcada aos pés pelas doutrinas albigenses. Imerso e indissuadível nesse tamanho ardor e esforço, caiu semimorto. E foi então que a Santíssima Virgem, Mãe do Senhor, resplandecente de glória, lhe apareceu.
S. Luís Maria Grignion de Montfort narra-nos em vivas cores esses extraordinários acontecimentos:
“A Santíssima Virgem, que estava acompanhada de três princesas do Céu, lhe disse: ‘Sabes tu, meu caro Domingos, de que arma a Santíssima Trindade se serviu para reformar o mundo?’ — ‘Ó Senhora! Respondeu ele, Vós o sabeis melhor do que eu, porque depois de vosso Filho Jesus Cristo fostes o principal instrumento de nossa salvação’. Ela continuou: ‘O instrumento principal dessa obra foi o Saltério angélico, que é o fundamento do Novo Testamento. Portanto, se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, reza meu Saltério’. O santo levantou-se muito consolado e, abrasado de zelo pelo bem desses povos, entrou na catedral. No mesmo momento os sinos tocaram, pela intervenção dos Anjos, para reunir os habitantes. No início da pregação caiu uma espantosa tempestade. A terra tremeu, o sol se nublou, os trovões e relâmpagos redobrados fizeram estremecer e empalidecer todos os ouvintes. Seu terror aumentou ao verem uma imagem da Santíssima Virgem, exposta num lugar eminente, levantar três vezes os braços para o céu, para pedir ao Senhor vingança contra eles se não se convertessem e não recorressem à proteção da Santa Mãe de Deus”.
“O Céu queria, por esses prodígios, estimular a nova devoção do santo Rosário e torná-la mais conhecida. A tormenta cessou, por fim, devido às orações de São Domingos. Ele continuou seu Santo Rosário, que quase todos os tolosinos o adotaram, renunciando a seus erros. Em pouco tempo verificou-se uma grande mudança na vida e nos costumes da cidade”. [Montfort, S. Luís Maria Grignion de. Le Secret Admirable du Très Saint Rosaire pour se convertir et se sauver, págs. 12-14. Da edição francesa de 1926 dessa obra (editora Maison Alfred Mame et Fils, Tours), publicada pela primeira vez em 1911.]

Uma batalha decisiva contra a Virgem Maria


Irmã Lúcia de Fátima, em sua última entrevista pública, declarou com toda franqueza ao Pe. Agustin Fuentes, sacerdote mexicano, nomeado vice-postulador das causas de beatificação dos videntes, em conversa com Lúcia no dia 26 de dezembro de 1957 o seguinte:
A Irmã Lúcia disse-me ainda: “Senhor Padre, o demônio está travando uma batalha decisiva contra a Virgem Maria. E como sabe que é o que mais ofende a Deus e o que, em menos tempo, lhe fará ganhar um maior número de almas, trata de ganhar para si as almas consagradas a Deus, pois que desta maneira deixa também o campo das almas desamparado e mais facilmente se apodera delas. (Citada pelo Pe. Joaquin María Alonso, C.M.F. († 12 de dezembro de 1981), Arquivista oficial de Fátima, do seu opúsculo La verdad sobre el Secreto de Fátima, Fátima sin mitos)
Lúcia asseverou também:
“Senhor Padre, que os meus primos Francisco e Jacinta sacrificaram-se porque viram a Santíssima Virgem sempre muito triste em todas as Suas aparições. Nunca Se sorriu para nós; e essa tristeza e essa angústia que notávamos na Santíssima Virgem, por causa das ofensas a Deus e dos castigos que ameaçavam os pecadores, sentíamo-las até à alma. E nem sabíamos o que mais inventar para encontrarmos, na nossa imaginação infantil, meios de fazer oração e sacrifícios (…). (Idem)
O segundo meio que santificou estas crianças foi a visão do inferno, mostrado a elas pela própria Virgem (…).
“Por isso, Senhor Padre, a minha missão não é indicar ao mundo os castigos materiais que decerto virão sobre a terra se, antes, o mundo não fizer oração e penitência. Não. A minha missão é indicar a todos o perigo iminente em que estamos de perder para sempre a nossa alma, se persistirmos em continuar agarrados ao pecado.” (Idem)

Os dois os últimos remédios que Deus dava ao mundo; 


Santo Rosário [ou o Santo Terço] e a devoção ao Coração Imaculado de Maria


Com relação à crise da Igreja e a apostasia deflagrada a partir da década de 60, Lúcia disse:

“Senhor Padre, não esperemos que venha de Roma um chamamento à penitência, da parte do Santo Padre, para todo o mundo; nem esperemos também que tal apelo venha da parte dos Senhores Bispos para cada uma das Dioceses; nem sequer, ainda, das Congregações Religiosas. Não. Nosso Senhor usou já muitos destes meios e ninguém fez caso deles. Por isso, agora… agora que cada um de nós comece por si próprio a sua reforma espiritual: que tem que salvar não só a sua alma mas também todas as almas que Deus pôs no seu caminho (…). (Idem)
“Senhor Padre, a Santíssima Virgem não me disse que nos encontramos nos últimos tempos do mundo, mas deu-mo a entender por três motivos: O primeiro, porque me disse que o demônio está travando uma batalha decisiva contra a Virgem Maria – e uma batalha decisiva é uma batalha final, onde se vai saber de que lado será a vitória e de que lado será a derrota. Por isso, agora, ou somos de Deus ou somos do demônio: não há meio termo. O segundo, porque me disse, tanto aos meus primos como a mim, que eram dois os últimos remédios que Deus dava ao mundo: o Santo Rosário [ou o Santo Terço] e a devoção ao Coração Imaculado de Maria; e, se são os últimos remédios, quer dizer que são mesmo os últimos, que já não vai haver outros. E o terceiro porque – sempre – nos planos da Divina Providência, quando Deus vai castigar o mundo, esgota primeiro todos os outros meios; depois, ao ver que o mundo não fez caso de nenhum deles, só então (como diríamos no nosso modo imperfeito de falar) é que Sua Mãe Santíssima nos apresenta, envolto num certo temor, o último meio de salvação. Porque se desprezarmos e repelirmos este último meio, já não obteremos o perdão do Céu: porque cometemos um pecado a que no Evangelho é costume chamar ‘pecado contra o Espírito Santo’ e que consiste em repelir abertamente, com todo o conhecimento e vontade, a salvação que nos é entregue em mãos; e também porque Nosso Senhor é muito bom Filho, e não permite que ofendamos e desprezemos Sua Mãe Santíssima – tendo como testemunho patente a história de vários séculos da Igreja que, com exemplos terríveis, nos mostra como Nosso Senhor saiu sempre em defesa da Honra de Sua Mãe Santíssima”. (Idem)


Lúcia adverte sobre os dois meios para salvar o mundo



Lúcia adverte que dois são os meios para salvar o mundo: a oração e o sacrifício (…).
“E depois, o Santo Rosário. Olhe, Senhor Padre, a Santíssima Virgem, nestes últimos tempos em que vivemos, deu uma nova eficácia à oração do Santo Rosário. De tal maneira que agora não há problema, por mais difícil que seja, seja temporal ou, sobretudo, espiritual – que se refira à vida pessoal de cada um de nós; ou à vida das nossas famílias, sejam as famílias do mundo sejam as Comunidades Religiosas; ou à vida dos povos e das nações –, não há problema, repito, por mais difícil que seja, que não possamos resolver agora com a oração do Santo Rosário. Com o Santo Rosário nos salvaremos, nos santificaremos, consolaremos a Nosso Senhor e obteremos a salvação de muitas almas. (Idem)

As quinze promessas da Santíssima Virgem para todo aquele que reza o Santo Rosário

Da mesma maneira como Jesus prometera a Santa Margarida Maria Alacoque, também a Santíssima Virgem fez quinze promessas para todo aquele que reza o Santo Rosário e responde com amor filial aos cuidados de seu maternal coração que tanto intercede pela nossa salvação:
1. Quem me servir fielmente através da recitação do Rosário receberá sinais de graça divina.

2. Prometo a minha proteção especial e as graças mais grandes àqueles que recitarem o Rosário.


3. O Rosário será uma arma poderosa contra o inferno, destruirá o vício, diminuirá o pecado, e derrotará a heresia.


4. Causará que a virtude e os bons trabalhos floresçam; obterá a mercê abundante de Deus para as almas; retirará os corações do homem do amor ao mundo e às suas vanidades para os erguer ao desejo de coisas mais eternas.


5. A alma que se encomenda a mim através da recitação do Rosário não perecerá.


6. Quem recitar devotamente o Rosário, aplicando-se à consideração de seus mistérios sagrados, nunca será conquistado pelo infortúnio. Deus não o repreenderá em sua justiça, e não perecerá por uma morte desprovida; se for justo permanecerá na graça de Deus e tornar-se-á digno da vida eterna.


7. Quem tiver devoção verdadeira ao Rosário não morrerá sem os sacramentos da Igreja.


8. Aqueles que são fiéis em recitar o Rosário terão na sua vida e na sua morte a luz de Deus e a plenitude de sua graça divina.

9. Livrarei do purgatório aqueles que foram devotos ao Rosário.

10. As crianças fiéis ao Rosário serão dignas de um alto nível de glória no Céu.

11. Tereis tudo o que pedires de mim com a recitação do Rosário.


12. Todos os que propagarem o sagrado Rosário serão ajudados por mim nas suas necessidades.

13. Consegui do Meu Filho Divino que todos os defensores do Rosário terão por intercessores toda a côrte celestial durante a sua vida e na hora da morte.

14. Todos os que recitam o Rosário são meus filhos, e irmãos do meu único filho Jesus Cristo.

15. A devoção ao Rosário é um grande sinal de predestinação.


O sinal mais infalível e indubitável para distinguir um herético, um homem de má doutrina, um réprobo de um predestinado


O grande S. Luis Maria Grignion de Montfort inicia seu Tratado da Verdadeira Devoção com a exaltação lapidar: “Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo”.

O Santo de Montfort também declara: “O sinal mais infalível e indubitável para distinguir um herético, um homem de má doutrina, um réprobo de um predestinado, é que o herético e o réprobo não têm senão desprezo ou indiferença pela Santíssima Virgem. Com suas palavras e exemplos, abertamente ou às ocultas, esforçam-se por lhe diminuir o culto e o amor, e isso por vezes sob belos pretextos”.


E o mesmo Santo exorta-nos: “Santo Agostinho, ultrapassando-se a si mesmo, afirma que os predestinados, para se tornarem conformes à imagem do Filho de Deus, vivem neste mundo escondidos no seio da Santíssima Virgem. Lá são guardados, alimentados, sustentados e criados por esta boa Mãe, até que Ela os gere para a glória depois da morte. Este é propriamente o dia do seu nascimento, pois é assim que a Igreja chama a morte dos justos. Ó Mistério de graça, escondido aos réprobos e tão pouco conhecido dos predestinados!” (Montfort, Luis Grignion de. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria – “Preparação ao Reino de Jesus Cristo”).

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