segunda-feira, 8 de maio de 2017

Sou católico, eis a minha glória

Não escondamos vergonhosamente nossa fé, não temamos manifestá-la, para não merecer a condenação de Cristo: “quem se envergonhar de mim e das minhas palavras, (também) o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na sua majestade” (Lc 9, 26)


Pe. Christian Bouchacourt (*) – Tradução Permanência: Existe uma atitude freqüente entre nós e, no entanto, profundamente absurda: o sentirmos vergonha de sermos católicos. A isso se chama respeito humano.
Ora, quem tem vergonha de estar com boa saúde? Quem tem vergonha de possuir um emprego interessante e bem remunerado? Ou uma família amorosa? Ninguém, evidentemente. Ao contrário, sentimos orgulho de nossas riquezas naturais (a saúde, a vida profissional, a família), e temos mesmo a tendência de ostentá-las.
Por que bizarrice do espírito humano, então, acontece de sentirmos vergonha das riquezas sobrenaturais que são nossas, da nossa fé católica, da graça divina? Podemos nos acanhar delas? É incompreensível, e contudo é um mal demasiadamente difundido entre os católicos.
A falta, o vício que deveria nos ameaçar, em boa lógica, não deveria ser a vergonha, mas antes a jactância, o orgulho. Se sou amigo de um rei, de um homem político, de uma estrela do cinema ou da música, de uma atleta famoso, quero proclamá-lo por cima dos telhados. Por que, então, se sou amigo de Jesus Cristo, Filho de Deus, Rei dos reis e Senhor dos senhores, tenho antes a tendência de escondê-lo? O respeito humano é, em si mesmo, a coisa mais imbecil e inconveniente: e contudo, ele nos paralisa a cada dia.  Leia mais
O que tememos? Um sorriso de canto de boca, um gracejo mordaz, uma palavra amarga? Isso não mata ninguém. Nos nossos países ocidentais, o fato de se mostrar cristão não expõe, senão raramente, a conseqüências mais graves. Os cristãos do Oriente, eles, que vivem sob o jugo do islã, expõem-se a humilhações, prisões e até mesmo a assassinatos. Porém, vejam como reagem: exibem-se publicamente como cristãos, com suas roupas, cruzes e medalhas aparentes.
O mais ridículo, em suma, é que esperamos não sermos reconhecidos como cristãos, quando os de nossa relação, nossos colegas de trabalho sabem muito bem que nós o somos. Eles perceberam, por certas atitudes ou palavras que nos escaparam, que algo de especial nos habita, e não demoraram a fazer a ligação com nossa crença religiosa. E mesmo esses colegas de trabalho, que julgamos que se rirão de nós (acontece por vezes, mas não é nenhum martírio), esperam de nós, ao menos alguns deles, esclarecimentos, respostas a suas questões, explícitas ou implícitas. Eles se decepcionam, e com razão, se nos calamos molemente numa conversa em que um católico deveria intervir.
Há apenas uma solução para a honra de Nosso Senhor, para a nossa própria Salvação, para o bem das almas com as quais convivemos: mudar o rumo do comboio e reencontrar, com a graça de Deus, o orgulho tranqüilo e humilde de sermos católicos. Exprimamos nossa fé em cada circunstância em que seja útil, sem temores infundados, sem falsos pudores, sem titubeios. O mundo precisa da luz de Jesus Cristo, e não temos o direito de escondê-la debaixo do alqueire.
Nossos pais não a esconderam, e foi assim que edificaram a Cristandade, as cidades e aldeias em cujo centro reinava uma igreja, com seu campanário erguido acima de todas as casas para chamar os homens à oração; onde as catedrais suntuosas causavam admiração nos passantes, cantando-lhes a glória do Altíssimo; onde calvários cobriam os caminhos e encruzilhadas em honra da Paixão de Cristo; onde tantos padres usavam a batina como um estandarte; tantos religiosos e religiosas com seus hábitos enchiam as ruas, fazendo com que cada transeunte recordasse seu destino eterno.
Não escondamos vergonhosamente nossa fé, não temamos manifestá-la, para não merecer a condenação de Cristo: “quem se envergonhar de mim e das minhas palavras, (também) o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na sua majestade” (Lc 9, 26). Reencontremos este transbordamento de alegria de sermos salvos pela graça de Cristo, e de oportunamente exprimi-lo com desembaraço. Como diz Santo Inácio, se o soldado fala espontaneamente da guerra, se o mercador fala de seu comércio, e o apaixonado daquela que ama, será normal ao católico falar facilmente de seu amigo, de seu benfeitor, de seu redentor, de seu Deus, de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Quanto mais intensa é a luz, mais as trevas recuam; quanto mais a vida católica brilhar publicamente, mais as sombras da apostasia dissiparão. Façamos, pois, reviver em nós este brio simples de sermos católicos: “Sou católico, eis a minha glória, minha esperança e minha salvação; meu canto de amor e de vitória, eu sou católico, eu sou católico”.
(Fideliter 231 – Tradução: Permanência)

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