quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Do eterno amor de Deus para conosco.




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Considerai o amor eterno que Deus vos tem, porque muito antes que Jesus Cristo sofresse na Cruz por vós, como homem, a sua divina Majestade vos destinava à vida e vos amava extremamente. Mas quando começou Ele a amar-vos? Quando começou a ser Deus. E quando começou a ser Deus? Nunca; existiu sempre, e sem princípio nem fim, e desta forma amou-vos sempre e desde toda a eternidade vos preparou os favores e graças que vos tem concedido.  
Ele diz pela boca do profeta: "Amei-te com uma caridade perpétua e atraí-te misericordiosamente à mim." Entre outras coisas, pois, Deus tratou de vos fazer tomar boas resoluções de o amar e servir. Oh! como é amável este bom Deus, que pela sua infinita bondade, destinou a seu Filho para redentor do mundo, de todos em geral, mas em particular por mim, que sou o primeiro dos pecadores. Ah! amou-me, digo eu: amou-me a mim próprio e deu-se à morte por mim. É preciso considerar os benefícios divinos na sua origem primária e eterna. Oh! Deus, meu Teótimo! que amor digno poderemos nós consagrar à infinita bondade do nosso Criador, que de toda a eternidade projetou criar-nos, conservar-nos, remir-nos, glorificar-nos, a todos em geral, e a cada um em particular? 

Oh! o que era eu quando não existia, eu que sendo agora alguma coisa, não sou senão um pequeno verme da terra? E no entanto Deus, desde o abismo da eternidade, concebia a meu respeito pensamentos de benção; resolveu e marcou a hora do meu nascimento, do meu batismo, de todas as inspirações que me daria, e enfim todos os benefícios que me ofereceria mais tarde! Ah! haverá porventura consolação igual a esta? 
A bondade divina preparou, no seu amor e misericórdia, todos os meios gerais e particulares para a nossa salvação. Sim, não o duvidemos: assim omo uma mãe prepara o berço, os paninhos e a ama para aquele que acaba de dar à luz, assim Nosso Senhor, com o desejo de nos gerar para a salvação e de nos tornar seus filhos, preparou sobre o altar da cruz tudo o que nos era preciso; o nosso berço espiritual, os nossos paninhos, a nossa ama e tudo quanto precisamos para a nossa felicidade; pois outra coisa não são os atrativos e as graças com os quais guia as nossas almas para a perfeição. 

Convém agora considerar os benefícios divinos na sua segunda fonte meritória: porque não sabes tu, oh! Teótimo, que o Sumo Sacerdote tinha no peito e nas costas os nomes dos filhos de Israel, isto é, as pedras preciosas, nas quais estavam gravados os nomes de Israel? Oh! contemplai a Jesus, o nosso grande Bispo, desde o momento da sua concepção: considerai que nos levava aos ombros aceitando o cargo de nos remir por sua morte e morte na cruz! Oh! Teótimo, Teótimo! esta alma do Salvador conhecia-nos a todos pelo nome e apelido; mas sobre tudo no dia da Paixão, quando oferecia as lágrimas, as orações, o sangue e a vida por todos, dirigiu-vos particularmente estes pensamentos do amor: "Oh! meu eterno Pai! Eu tomo à minha conta todos os pecados do pobre Teótimo, para sofrer todos os tormentos e a morte, afim de que ele viva; seja Eu crucificado, contanto que Ele seja glorificado. Oh! amor soberano do Sagrado Coração de Jesus, que coração te bendirá suficientemente?"  Assim, dentro do seu peito maternal, o seu divino coração previa, dispunha, merecia, impetrava todos os benefícios que temos, não só em geral para todos, mas para cada um em particular; e os seus peitos cheios de doçura nos preparavam o leite das suas ações, das suas inspirações e das suavidades pelas quais nos insta, conduz e nutre os nossos corações para a vida eterna. Os benefícios que nos ensoberbecem, se, consideramos a bondade eterna que no-las conquistou à custa de tantos trabalhos, da morte e paixão. 
O amor divino, assentado ao coração do Salvador, como num trono real, contemplou pela abertura do lado todos os corações dos filhos dos homens; porque esse coração, sendo o rei dos corações, tem sempre o olhar fito neles. Mas, como os que olham através das gelosias vêem sem serem vistos, assim o divino amor deste coração, ou antes o coração deste divino amor, vê sempre claramente os nossos e contempla-os com olhares de ternura; mas nós não o vemos distintamente. Porque, Deus meu, se o víssemos claramente, morreríamos de amor por Ele. Adorai a sua soberana bondade, que desde toda a eternidade vos chamou pelo vosso nome e tencionou salvar-nos, destinando-vos entre outras coisas o dia presente, afim de que nele exerçais as obras da vida e salvação, segundo o que lemos no profeta: "Amei-te com uma caridade eterna; eis porque te atraí, cheio de piedade de ti." Com este verdadeiro pensamento, unireis a vossa vontade à do benigno e misericordioso Pai celeste, por estas palavras, cordialmente proferidas:
"Oh! bondade dulcíssima do meu Deus, que fostes feito de toda a eternidade! Oh! desígnios eternos da vontade do meu Deus, adoro-vos, consagro-vos e dedico-vos a minha vontade, para sempre querer o que vós para sempre quisestes! Oh! faça eu pois e sempre a vossa divina vontade, oh! meu doce Criador! Sim, Pai celeste! pois que tal foi o vosso desejo de toda a eternidade. Assim seja. Oh! agradável bondade, seja como vós quisestes! Oh! vontade eterna, vivei e reinai em todos os meus desejos e sobre todos eles e para sempre.

Oh! Deus! que resoluções pensastes vós e meditastes de toda a eternidade! Quanto para nós devem ser caras e preciosas! Quanto não conviria sofrer para as não perder! Não, certamente nenhuma deveríamos perder, embora por elas perdêssemos o mundo inteiro; porque todo o mundo não vale uma alma e a alma nada vale sem as nossas resoluções.

Oh! caras resoluções, vós sois a bela árvore da vida que Deus plantou por sua própria mão no meu coração, e que o meu Salvador deseja regar com o seu sangue, para a fazer frutificar! antes mil mortes do que permitir que a arranquem! Não, nem o orgulho, nem as delicias, nem as tribulações, me farão nunca mudar de resolução.

Ah! Senhor, fostes vós que plantastes esta bela árvore e que a guardastes no vosso seio paternal, para a colocardes em seguida no meu jardim. Ah! quantas almas não foram assim favorecidas! E como me devo eu humilhar sob a vossa misericórdia!

Oh! belas e santas resoluções, se eu vos conservar, vós me conservareis; se vós viverdes em minha alma, minha alma viverá em vós. Vivei pois sempre, oh! resoluções que sois eternas na misericórdia de Deus; vivei eternamente em mim e seja-vos eu sempre fiel."

Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales. Pensamentos Consoladores a Respeito de Deus, da Providência e dos Santos.


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