sexta-feira, 31 de agosto de 2018

TRÊS EXEMPLOS DE VIRTUDE CRISTÃ NA VIDA DE SANTA ROSA DE LIMA

No dia 30 de agosto, a Igreja celebra a festa de Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina e primeira santa do continente americano. Esta Santa é, em razão de sua vida prodigiosa, quase mais admirável do que imitável, uma alma rival de São Luís Gonzaga em santidade, inocência e penitência, e um dos exemplos que Nosso Senhor Jesus Cristo concedeu à sua Igreja no tempo da Contrarreforma, para mostrar com os fatos o poder da graça que o Protestantismo negava: “Tens, porém, algumas pessoas em Sardes que não contaminaram os seus vestidos; e irão comigo (ao céu) vestidas de branco, porque são dignas disso.” (Ap 3, 4).
Aproveitemos, pois, o repasso de sua vida para nela encontrar alguns exemplos que se pudermos imitar em nossa vida cristã, em torno das três graças que nela mais brilharam, a saber:
• a fidelidade de Santa Rosa à graça;
• a penitência admirável que praticou durante toda a sua vida;
• e o total desprezo pelo respeito humano.
1º Grandes dons e graças de Deus a Santa Rosa e fidelidade da Santa aos mesmos.
Santa Rosa de Lima nasceu em 20 de abril de 1586 em Lima, então capital do Vice-Reino do Peru, sendo filha de Gaspar de las Flores e Maria de Oliva, ambos ilustres por sua nobreza e por sua piedade, embora de condição modesta.
Recebeu nossa Santa no batismo o nome de Isabel; mas três meses depois, quando sua mãe observou seu rosto transfigurado em uma rosa, começaram a chamá-la Rosa.
Quando chegou à idade da razão, isso lhe deu escrúpulos, porque achava que estavam tentando elogiar sua beleza; mas a Virgem Santíssima, em uma visão, consolou-a dizendo que o nome de Rosa era agradável a Deus, e como sinal de afeto por ela, quis honrá-la também com o seu, chamando-a de Rosa de Santa Maria. Com este nome receberia em 1597 a confirmação de mãos de Santo Toribio de Mongrovejo, arcebispo de Lima, e com este nome posteriormente ingressaria na Terceira Ordem de São Domingos.
Na infância de Santa Rosa, três coisas se destacam:
  • A primeira, seu precoce espírito de oração, ao qual, desde criança, passou a dedicar grande parte do dia e da noite, e que mais tarde dela faria uma perfeita contemplativa e mística.
  • A segunda, seu desejo de consagrar-se totalmente a Deus através da virgindade, da qual fez voto aos cinco anos de idade.
  • E a terceira, seu incrível espírito de mortificação, já manifestado pelos males mais crudelíssimos e operações dolorosíssimas que teve de sofrer desde pequena, com tal paciência, que os médicos se viram obrigados a reconhecer nisso um milagre.
Em 1606, pôde Rosa começar sua vida quase religiosa; porque, depois de ter rejeitado os pretendentes que lhe foram apresentados, devido a sua verdadeira beleza e virtude, seus pais deram-lhe permissão para finalmente entrar na ordem terciária dos dominicanos. A partir desse momento, e até o final dos seus dias, Rosa de Santa Maria dedicou-se plenamente à contemplação, oração, mortificação e penitência.
Com o consentimento de sua mãe, um pequeno eremitério foi construído em sua casa, e nele ela viveu dividindo o tempo entre o trabalho manual e o santo exercício da contemplação.
Aplicou-se então com mais fervor do que nunca à prática das virtudes mais exigentes do cristianismo, notadamente a humildade e a caridade para com todos, adquirindo notoriedade os cuidados físicos e espirituais que dispensava em sua própria casa aos enfermos e às crianças.
2º Admirável penitência de Santa Rosa
Uma das coisas mais admiráveis de Santa Rosa é a penitência a que se entregou. Deve haver razões poderosas para que Deus nos dê como patronos Santos que têm sido tão assíduos na penitência, apesar de sua grande pureza e inocência de vida (como São Luis Gonzaga, Santa Rosália). Uma delas é certamente inculcar no povo cristão, pelo exemplo desses santos tão inocentes e penitentes, a necessidade da penitência em uma vida verdadeiramente cristã. Pois bem, a penitência de Santa Rosa é admirável, especialmente por duas razões:
  • A primeira, porque trata-se de uma alma que jamais deliberadamente cometeu um pecado venial, especialmente em matéria de pureza, e inclusive viu-se libertada, como São Luís Gonzaga, de toda tentação contra a bela virtude.
  • A segunda, porque jamais vacilou na prática de mortificações que em si mesmas são extremamente irritantes e desgastantes, o que contribui para uma intervenção prodigiosa da graça e dos dons do Espírito Santo.
Então, por exemplo:
  • Desde sua infância, absteve-se de comer frutas e, a partir dos seis anos, começou a jejuar a pão e água três dias por semana, até chegar ao voto (aos quinze) de nunca comer carne.
  • Já levando sua vida terciária dominicana, impôs-se ao jejum diário, a base de um pedaço de pão e um pouco de água; durante a quaresma, nem mesmo isso tomava, limitando-se a cinco gomos de laranja.
  • Disciplinava-se com cadeias de ferro até sangrar, e como seu confessor lhe proibira de continuar usando essa disciplina, ela converteu essa disciplina em três cadeias com as quais envolvia sua cintura tão apertadamente que lhe penetraram na carne, e mais tarde só puderam tirá-las com muita dor e abundante derramamento de sangue.
  • Desde sua mais tenra idade, fez uma coroa de estanho enfeitada com uma infinidade de pequenos cravos pontiagudos, e levou-a durante vários anos sem removê-la, e sem que ninguém percebesse.
  • Seu leito consistia em um tronco extremamente nodoso, em cujos orifícios ela introduzia madeirinhas irregulares e pedaços de telha, cujas pontas feriam-lhe o corpo, e seu travesseiro era uma grande pedra irregular.
  • Limitava seu sono a duas horas por dia, de modo que dedicava doze horas à oração, tanto durante o dia quanto à noite, e dez horas de trabalhos manuais para ajudar as necessidades de sua família ou dos enfermos.
Essa penitência poderia ser mal interpretada: • já por suas notas um tanto espetaculares, que pareceriam colocar a Santa entre o número dos desequilibrados ou perturbados; • e por levar-nos a pensar que foi precisamente essa penitência, no que tem de espetacular (e, portanto, de inimitável), o que constituiu sua santidade.
Na realidade, deve-se dizer que essas penitências extraordinárias nunca descartaram, ao contrário, sempre respaldaram, as penitências que chamamos de dever de estado, isto é, naquelas que o Senhor manifesta a nós significada e expressamente através dos mandamentos, da Regra, dos superiores, do dever de estado, das inspirações da graça. Se conhecêssemos com mais detalhes a vida de Santa Rosa, veríamos como essa classe de penitências era a que mais ocupou lugar em sua vida. Santa Rosa jamais fez qualquer coisa sem o consentimento de seus pais, ou de seus diretores espirituais, ou sem o claro pedido da graça de Deus; nem teria se atrevido a empreender qualquer penitência se tivesse visto que seria contrária à vontade do Senhor, manifestada por algum desses meios.
3º Desprezo que Santa Rosa tinha pelo mundo.
Como praticar a virtude tão constantemente, e entregar-se a mortificações tão acima das forças da natureza, quando não se conta sequer com o apoio de amigos que te compreendam, de consolações de Deus que te sustentem, de exemplos que te edificam? Nisso, o caráter heroico da alma de Santa Rosa é particularmente revelado. Pois sua constância e suas mortificações estiveram acompanhadas por provas mais duras do que a morte.
  • Ela teve que enfrentar seus pais e familiares para poder perseverar em seu propósito de virgindade, deles recebendo palavras de raiva, atitudes zombeteiras e depreciativas.
  • Interiormente, Deus a deixou libertada de maneira constante, durante quinze anos seguidos, à razão de uma hora e meia por dia, às terríveis tentações do demônio, o que a teria levado ao desespero sem a graça de Deus, e a fez experimentar de uma certa maneira os sofrimentos das almas do Purgatório.
Durante essas furiosas tempestades, ela não conseguia pensar em Deus, e os espíritos das trevas inundavam sua imaginação com espectros tão horríveis, que só o pensamento de que se aproximava, todos os dias, o momento de sofrer tais provas, já a enchia de espanto.
Estas são as cruzes com as quais ela granjeou as graças que também são lidas em sua vida, e que não nos atreveríamos a invejar se soubéssemos o preço que deve ser pago por elas. Entre essas graças figuram a companhia familiar com Santa Catarina de Siena, as frequentes aparições de Nosso Senhor e da Santíssima Virgem e, sobretudo, a graça das núpcias espirituais com Nosso Senhor Jesus Cristo, que em certa ocasião a visitou na capela dos padres dominicanos, dizendo-lhe: “Rosa do meu coração, a partir de agora sejas minha esposa”.
Conclusão
Esta santinha verdadeiramente levou seu nome, sendo para Deus uma rosa, que reservou para o Senhor, por sua vida virtuosa, toda a fragrância e beleza desta flor, e que ela guardou para si, por sua vida de renúncia, todos os espinhos com que esta flor está sempre acompanhada.
Santa Rosa falecia em 24 de agosto de 1617, depois de ter conhecido o dia de sua morte e ter cuidadosamente se preparado para ela. Foi beatificada em 1668 pelo Papa Clemente IX (quem um ano mais tarde a nomeou padroeira de Lima e Peru), declarada padroeira da América e das Filipinas em 1670, e canonizada em 1671 pelo papa Clemente X.
Estimulados pela consideração de sua vida, peçamos a esta insigne Patrona a tríplice graça:
  • Antes de tudo, de saber corresponder com fidelidade às graças de Deus e empregar todos os meios para aumentá-la, especialmente a oração e os sacramentos.
  • Depois, de praticar enquanto estiver ao nosso alcance a penitência exigida pela nossa vida cristã, nossos deveres de estado, como assinalou a Santíssima Virgem a Jacinta (“a penitência que o céu exige é o fiel cumprimento dos deveres de estado”), e como igualmente nos recordou Monsenhor Fellay para a cruzada de rosários para a qual nos preparamos para o centenário de Fátima.
  • Finalmente, de saber desprezar e pisotear o espírito do mundo e todo respeito humano que possa nos separar ou simplesmente nos distanciar de Deus.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Vantagens da Boa Intenção



A boa intenção, como que uma varinha mágica, transforma as ações mais simples e insignificantes em gemas preciosas. Ela é para a ação o que é o alicerce para o edifício, a raiz para a árvore, a alma para o corpo.

Sem o alicerce, o edifício cai por terra; sem a raiz, a árvore seca; se, a alma, o corpo não é mais que um cadáver. Sucede o mesmo com a boa intenção. Além de alcançar méritos, a boa intenção influi para que seja bem feita a ação toda. Ela ainda facilita a posse do céu, por tornar meritórias as mais ordinárias ações, tais como descansar, dormir, comer, etc.

“Eles já receberam suas recompensas”
Muitos desconhecidos do mundo adquirem, por meio da boa intenção, méritos grandes, enquanto tu talvez percas inúmeras ocasiões de ganhar recompensas eternas.

(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 246)

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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Perdoa sem Reservas



Não é suficiente não odiar a ninguém. Dirás: “Não quero mal, mas também nada tenho que ver com quem me ofendeu”? Palavra é essa detrás da qual se escondem aversão e rancor. Deus não exige indiferença e sim amor ao inimigo. Por ti, Jesus crucificado, embora tenhas ofendido grave e repetidamente, orou:
“Pai, perdoa-lhe, pois não sabe o que faz”Queres o teu direito? Pois Deus quer o seu; quer que não seja ofendido por implacabilidade e quer que por ti seja amado todo aquele que Ele não exclui de seu amor.

Há alguma coisa que te desagrade em teu próximo? Lembra-te que também tu tens fraquezas, e que outros precisam de resignação e paciência, para aguentá-las. Foste ofendido? Pagar o bem com o mal é diabólico; o bem com o bem, é humano; o mal com o bem, é divino. Imita a Deus na imensidade de Seu amor. Examina o teu íntimo. Não há nele nenhum susceptibilidade? Nenhuma aversão prolongada?
“Não deixes entrar o sol sobre a tua ira”
Perdoa, para que aches um juiz que também a ti te perdoe. Ser-te-á mais fácil quando te lembrares da brevidade da vida e da aproximação do dia das contas finais. Fazer agora o que então desejarás ter feito.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 239)


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domingo, 26 de agosto de 2018

A MÃE: O CORAÇÃO DA CASA



Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est
É sabido que a mãe deve ser o coração da casa. Eis um exemplo concreto: a mãe de Mons. Marcel Lefebvre.
A mãe [Sra. Lefebvre] nunca esperava estar totalmente recuperada para ter seus filhos batizados. A família ia sem ela à igreja, e somente em seu retorno aceitava pegar o bebê em seus braços, renascido para a vida divina e adornado com a graça santificante.
(…)
A mãe da família era uma alma profundamente espiritual e extremamente apostólica: recordemos duas características de sua fisionomia moral, que Marcel herdaria. Enfermeira formada da Cruz Vermelha, dedicava um dia e meio por semana cuidando dos doentes do ambulatório, realizando o trabalho que desagradava os outros. Ela e seu marido fizeram parte da Conferência de São Vicente de Paulo, mas seu maior apostolado era o da terceira ordem franciscana: pelo estímulo da Sra. Lefebvre, convertida em presidente do discretório de Tourcoing, a fraternidade das “Irmãs” da terceira ordem chegou a 800 membros, com professoras de noviças escolhidos por ela e retiros fechados.
Dirigida espiritualmente pelo padre Huré, montfortiano, sua alma foi elevada a uma vida de união constante com Jesus Cristo; praticava a oração e leitura espiritual; viril e magnânima, se exercitava na mortificação e na renúncia, e em 1917 fez o “voto dos mais perfeitos” (renovado  de confissão em confissão). Vivia pela fé, recomendando todos os acontecimentos a Deus e à sua vontade. A característica mais constante de sua alma e seu espírito era a ação de graças à Divina Providência.
(…)
O lar da família dos Lefebvre era um santuário com seu ritual próprio. Enquanto o pai, acompanhado de Louise, assistia a Missa das 06:15h, no qual acolitava ao pároco, a mãe acordava as crianças traçando-lhes o sinal da cruz na testa e pedindo-lhes para oferecer as obras do dia; depois ia à missa das 07:00h com seus filhos em idade de caminhar, a menos que, sendo já mais velhos, assistiriam a Missa no internato.
Todas as tardes a oração em comum aliviava os reveses da jornada e unia os corações na mesma caridade de Deus. As crianças não iam dormir sem receber a bênção de seus pais.
“Durante o mês de maio, dizia Christiane, íamos em peregrinação a La Marlière, ao lado da cidade de Tourcoing, perto da fronteira com a Bélgica. Procurávamos fazer uma novena de peregrinações durante o mês. Tínhamos que levantar às 05:00h, fazíamos 45 minutos de caminhada (e em jejum), para assistir à Missa das seis e voltar a tempo para as nossas aulas.
Marcel Lefebvre – Dom Bernard Tissier de Mallerais

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Santa Manhã – Santa Noite




Dai a Deus as primícias do vosso dia – diz São João Clímaco – porque este será todo daquele que o ocupar primeiro“. Não permitas que pensamentos mundanos, embora lícitos, entrem antes de Deus em teu coração. Não foi o repouso um benefício de Deus? Não é uma graça o dia que te concede, enquanto muitos outros faleceram durante a noite? Inicia todos os dias com uma vitória sobre a própria comodidade; saúda teu Criador com cordiais orações; agradece-Lhe, pede-O, renova teus bons propósitos e a boa intenção.

Como o levantar, assim o deitar-se pode e deve ser um ato meritório. A modéstia exige que teu procedimento revele em tudo o respeito devido a Deus e ao anjo da guarda, que te observam. A religião requer que não te deites sem ter agradecido a teu Deus os inúmeros benefícios feitos durante o dia, pedido sua proteção para a noite, e implorado, depois de examinada a consciência, perdão pelas faltas cometidas. Uma noite será a tua última. Se fosse esta de hoje? Estás preparado?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 247)

Fonte:

terça-feira, 21 de agosto de 2018

PADRE PIO, O RETRATO VIVO DO CRISTO CRUCIFICADO



A edição de julho-setembro de 2018 do Le Chardonnet (# 340) inclui um artigo do Pe. François-Marie Chautard sobre Padre Pio, o sacerdote estigmatizado que morreu há 50 anos em 23 de setembro de 1968.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Uma das missões do Padre Pio foi “tornar visível a cruz de Jesus Cristo”. Cristo assumiu a forma humana para tornar visível o invisível. Esta revelação de Deus não terminou com a Sua Ascensão, pois após o Seu retorno ao Pai, Nosso Senhor enviou o Espírito Santificador. Desde então, cada século teve sua parcela de santos cujas vidas perfeitas em imitação de Cristo parecem renovar Sua encarnação. A vida exterior de alguns santos, por vezes, configura-se tão bem à de Cristo que eles revivem Sua paixão em sua própria carne.

São Francisco de Assis é o mais conhecido de todos eles, e muitos artistas ilustraram o Poverello recebendo os estigmas. Outros santos também experimentaram este fenômeno extraordinário: Santa Catarina de Siena, ou Madame Acarie (Bem-aventurada Marie de l’Incarnation), cujos estigmas eram invisíveis.

Mas até 20 de setembro de 1918, nenhum sacerdote, apesar de sua sacramental união com Cristo Sumo Sacerdote, havia sido escolhido para renovar em sua própria carne o mistério do Sacrifício da Cruz.

Em 20 de setembro de 1918, quando ele orava diante de um crucifixo pendurado diante do coro dos monges, raios de luz do crucifixo perfuraram suas mãos, pés e lados como setas. O jovem Capuchinho, de 31 anos, ainda não sabia disso, mas nos cinquenta anos seguintes, até 20 de setembro de 1958, ostentaria as marcas visíveis da Paixão de Cristo, que reviveria a cada dia.

Uma das missões do Padre Pio tinha começado: a de tornar visível a cruz de Jesus Cristo, iluminar as almas quanto à realidade do sacrifício renovado sobre o altar e recordar aos sacerdotes e fiéis da vocação do sacerdote como vítima: “se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto”.“Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós.”

Nascido em 25 de maio de 1887, em uma família de camponeses, o pequeno Francesco Forgione foi o quarto de sete filhos. Seus pais tinham uma vida muito simples e viviam em um lar pobre em Pietrelcina. Eram cristãos de virtudes sólidas e trabalhavam arduamente.

A igreja paroquial fora dedicada a São Pio I, papa e mártir, e foi em sua honra que o jovem capuchinho escolheu o nome de Frade Pio.

Quando menino, Francesco já era favorecido com visões e fenômenos extraordinários. Desde seus primeiros anos até o final de sua vida, Padre Pio estava acostumado a receber visitas de anjos, aparições marianas e… sendo submetido à violência diabólica. A princípio, a criança pensava que todos os outros meninos da mesma idade experimentavam aquelas mesmas coisas.

Cuidado, caro leitor, pois é aí que a devoção ao Padre Pio pode se perder. Como explicamos autores espirituais, fenômenos extraordinários não significam santidade; de quando em quando, e muitas vezes andam de mãos dadas; maspodem ocorrer sem santidade, por isso, devem ser cuidadosamente distinguidos quanto a isso. Se Padre Pio é um santo, não é por causa de sua bilocação e outros fenômenos excepcionais, mas por causa de suas virtudes heroicas.

E o pequeno Francesco praticava virtudes heroicas desde o início. Sua mãe não o encontrou dormindo no chão, com a cabeça sobre uma pedra? Sua piedade era sólida, sua obediência absoluta, sua diligência em seus estudos e deveres mais do que admirável, e sua amizade exemplar.

Na idade de quinze anos, uma estranha visão implicitamente revelou seu futuro para ele: um anjo o convidou para lutar contra um gigante muito mais forte do que ele. Relutantemente, o jovem adolescente lutou e venceu. Com esta divinacomemoração de Davi e Golias, a Providência anunciou a Francesco a violência das batalhas vindouras.

Poucas semanas depois, em 22 de janeiro de 1903, aos quinze anos, ingressou no noviciado Capuchinho de Morcone e tomou o nome de Frade Pio da Pietrelcina.

Sua mãe estava lá, mas seu pai estava nos Estados Unidos, trabalhando para pagar os estudos de seus filhos. Durante sete anos no total (3 e depois 4), esse admirável pai esteve separado de sua esposa não menos admirável e de seus queridos filhos para prover todos eles.

Os estudos do jovem noviço continuaram até 1909. O jovem monge mostrou-se sério, estudioso e satisfatório, mas não brilhante. Ao final de seus estudos, ele rapidamente subiu os degraus do santuário; depois de receber as primeiras ordens menores em 1908, foi ordenado diácono no ano seguinte, em julho de 1909.

Mas problemas de saúde vieram para tentar o jovem monge. Ele teve que interromper seus estudos e até mesmo a vida do convento e ordenaram-lhe quefosse descansar na casa de sua família em Pietrelcina. Esse descanso temporário duraria… sete anos. Apesar dessa dificuldade, foi ordenado sacerdote na catedral de Benevento em 10 de agosto de 1910 e celebrou sua primeira Missa em Pietrelcina em 14 de agosto.

Separado dos outros Capuchinhos e vítima de terríveis provações interiores, ele se correspondia regularmente durante esse período com Pe. Agostino, seu diretor espiritual, quem lhe disse para escrever seu combate interior e as graças extraordinárias que recebeu.

Um superior planejava mandá-lo embora para viver como padre secular, mas lhe fora dito que retornasse ao convento em 1911. Satanás estava furioso, atacou e espancou o jovem místico com tanta violência que o guardião do convento, movido por uma inspiração muito franciscana, ordenou aPadre Pio que pedisse a graça de ser atormentado… em silêncio, a partir de então. Essa graça foi concedida naquela mesma noite, para grande alegria dos capuchinhos, que estavam um pouco cansados do barulho e dos aldeões que começavam a ficar um pouco preocupados.

Mas a fraca saúde de Padre Pio logo o forçou a retornar a Pietrelcina. Os médicos tiveram dificuldade em encontrar um diagnóstico. Um deles até anunciou que não duraria mais do que uma semana.

Deixou Pietrelcina novamente para ir a Foggia, onde o ar não era adequado a ele. Em 28 de julho de 1916, foi aconselhado a ir a San Giovanni Rotondo para descansar por algumas semanas. Ali permaneceriaatésua morte…

Quase morto, teve ainda que se alistar, até que o avaliaram mais de perto. Há uma foto destaépoca do frade capuchinho, como um recruta, usando um uniforme e segurando uma arma; ele nunca havia atirado com uma arma de fogo e percebe-se que está um pouco fora de lugar. Foi durante este período que bilocou pela primeira vez. Os italianos acabavam de ser severamente derrotados em Caporetto em 24 de outubro de 1917, e o comandante-em-chefe, general Cardonna, decidiu cometer suicídio; enquanto levantava a arma, um Capuchinho entrou em seu escritório e persuadiu-o a mudar de ideia. O general o atendeu, depois agradeceu ao bom padre e viu-o sair. Imediatamente,perguntou a seus subordinados quem era o padre que haviam deixado entrar. Ninguém o vira entrar ou sair. O general somente o reconheceria em uma fotografia muitos anos depois.

Ao retornar ao seu convento após seu tempo no serviço militar, ele recebeu a graça de uma ferida de amor em 30 de maio de 1918. Em 5 de agosto, ele recebeu uma transverberação e, no dia 20, os estigmas, com dor intensa. Mas não se engane.Como escreveu ao Pe. Agostino, seu diretor espiritual, “em comparação com o que sofro em minha carne, os combates espirituais pelos quais estou passando são muito piores (…); Estou vivendo em uma perpétuanoite… Tudo me incomoda e não sei se estou fazendo bem ou mal. Posso ver que estes não são escrúpulos, mas a dúvida que sinto é se estou agradando a Deus ou se estou sendo esmagado”.

No começo, Padre Pio tentou curar suas feridas. Foi inútil. Escondê-las. Em vão. As peregrinações a San Giovanni Rotondo começaram.

De 1918 a 1921, o apostolado do padre cresceu e os médicos que observavam suas feridas se convenceram de sua natureza inexplicável. O Papa Bento XV chegou a dizer que “Padre Pio é um daqueles homens que Deus envia à terra de vez em quando para converter nações”.

O ano de 1921 mudou o curso dos acontecimentos. Uma conspiração eclesiástica de padres corruptos vivendo com mulheres e presidida por um bispo que praticava simoniaera influente em Roma. O bispo de Manfredonia, a diocese a que pertence o convento de San Giovanni Rotondo, chegou a alegar que tinha visto Padre Pio colocar perfume e pó e derramar ácido nítrico em suas feridas para aprofundar os estigmas! E os cônegos de San Giovanni Rotondo, pelo menos alguns deles, futricavam sobre os grandes lucros que os Capuchinhos ganhavam com o “estigmatismo”. O pior é que foram levados a sério.

Preocupada por essas reclamações episcopais e revelações canônicas, Roma foi cautelosa…com os Capuchinhos. Um período difícil seguiu-se para Padre Pio, como o apostolado que fora lhe confiado sendo pouco a pouco tirado. Até falaram em transferi-lo para outro convento. Isso foi o suficiente para agitar os moradores locais, que estavam determinados a manter e defender seu “santo”. Uma rebelião não estava longe. Pensando que deixaria a pequena aldeia situada no promontório doGárgano, Padre Pio escreveu uma carta comovente, cujas últimas palavras estão agora gravadas na cripta onde forasepultado.

“Sempre me lembrarei deste povo generoso em minha pobre e assídua oração, implorando por eles paz e prosperidade; e como sinal de meu afeto, sendo incapaz de nada maisfazer, expresso o desejo de que, enquanto meus superiores não se opuserem, meus ossos sejamcolocados para descansar em um canto tranquilo desta terra”.

Um superior Capuchinho até considerou esconder Padre Pio em um grande barril em uma carroça. Obediente, mas nem servil nem idiota, o padre guardião recusou esse disfarce.

Punições continuaram a chover sobre o pobre padre. Em 23 de março de 1931, o Santo Ofício proibiu-lhe todo o ministério, qualquer celebração pública da Missa e qualquer contato com qualquer Capuchinho fora de seu convento. Depois de permanecer estoico quando descobriu no refeitório a carta que seus irmãos haviam postergadorevelar a ele por discrição, desatou-se em lágrimas ao chegar à sua cela. Um bom irmão que testemunhou a cena sentiu pena dele, mas Padre Pio deu-lhe uma resposta digna daquela dada às mulheres santas de Jerusalém: não estava chorando por si mesmo, mas por todas as almas que seriam privadas das graças da conversão.

Como recluso, Padre Pio foi capaz de passar o tempo lendo. A História da Igreja por Rorhbacher e em um único dia, a Divina Comédia — paradoxalmente sofrendo de dores de cabeça ao chegarao Paraíso.

Em 1933, as sanções começaram a ser levantadas. Padre Pio retomou o seu ministério, especialmente no confessionário, onde passava regularmente até 10 horas por dia.

Os anos pacíficos passaram. Em 1940, homem doente, se alguma vez houve um, Padre Pio lançou o projeto para o que se tornaria a Casa SollievodellaSofferanza [Casa Alívio do Sofrimento], um grande hospital com material moderno e médicos eminentes. Como em todos os empreendimentos providenciais, não faltaram obstáculos, mas o hospital foi inaugurado em maio de 1956. Ainda existe hoje.

Ao mesmo tempo, Padre Pio criou grupos de oração em todo o mundo, principalmente graças a seus filhos e filhas espirituais que incluíam maçons, vigaristas, um famoso tenor (Gigli) e mulheres de pouca virtude.

Pio XII confiou intenções de oração a ele, mas sua morte em 1957 abriu um novo e doloroso capítulo na vida dos Capuchinhos. Alguns de seus irmãos de alto escalão mostravam qualquer coisa, menos interesse religioso pelas enormes somas que passavam por suas mãos. Queriam o dinheiro para eles. Uma conspiração “fraterna” apoiada pelas autoridades da Ordem foi formada; até chegaram a colocar microfones na cela e no confessionário do padre. O caso foi descoberto — o padre queixou-se com alguns de seus amigos — e os irmãos culpados por essadistante vigilância evangélica foram dispensados de suas funções e enviados para outros conventos.

O fim de sua vida foi mais pacífico, embora ainda gasto no ministério absorvente para as almas.

Dois eventos nos últimos meses de sua vida merecem ser mencionados. A Missa Novapromulgada em 1968 foi precedida por Missas normativas. Padre Pio pediu permissão para manter a Missa de sempre e essa permissão foi-lhe concedida.

No mesmo ano, 1968, a encíclica de Paulo VI sobre o controle da natalidade fora promulgada. Padre Pio, com apenas dois meses de vida e no auge de sua vida mística, enviou uma carta ao Papa agradecendo-lhe por esta encíclica que tanta controvérsiacausou.

Este segundo Cura d’Ars sentiu o fim se aproximando. Na noite de 20 para 21 de setembro de 1968, cinquenta anos depois do aparecimento de seus estigmas,eles desapareceram: a pele de suas mãos ficou lisa e limpa, sem a marca de nenhuma cicatriz. Seu jubileu de sangue estava consumado. A eternidade se aproximava e, na noite de 22 para 23 de setembro, Padre Pio partiu junto de seu Criador.

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Epílogo: Arcebispo Lefebvre e Padre Pio

No final do verão de 1967, o Arcebispo Lefebvre estava na Itália e viajou para San Giovanni Rotondo. A reunião foi curta. O Arcebispo Lefebvre pediu a bênção do Padre para o próximo capítulo dos Padres do Espírito Santo. O humilde Capuchinho recusou, respondendo que o Arcebispo Lefebvre deveria ser o único a abençoá-lo. Polidez entre os santos.

Esses dois grandes homens da Igreja foram muito diferentes. Um era sacerdote e o outro bispo; um experimentou muitos fenômenos extraordinários, o outro deixou apenas a enigmática memória de um sonho misterioso em Dakar.

E, no entanto, ambos oferecem semelhanças importantes.

Ambos sofreram pela Igreja através da Igreja.

Ambos foram vítimas de verdadeiras perseguições nas mãos da autoridade, mesmo que esta perseguição tenha sido por razões muito diferentes e eles reagiram de maneira muito diferente.

As perseguições do Padre Pio eram pessoais, inspiradas pelo ciúme de sacerdotes seculares dissolutos e pela ganância de certos Capuchinhos. Essas perseguições levaram a punições injustas que o Padre Pio aceitou com obediência heroica.

O caso do Arcebispo Lefebvre foi diferente. As perseguições vieram da sua determinação em manter a Fé e a Missa de sempre e sua recusa dos erros conciliares e da nova liturgia. Motivos de Féforam os que presidiram essas perseguições, que eram muito mais do que uma questão de disciplina ou de sua própria pessoa. O Arcebispo Lefebvre, portanto, resolveu desobedecer essas injunções por um motivo maior do que a obediência puramente formal. Sua fé foi heroica, enquanto sua obediência não teria sido nada além de servilismo confortável e prudência terrena.

Outra semelhança é a sua profunda compreensão do Santo Sacrifício da Missa. Ambos, um pela sua maneira mística de celebrar a Missa como caminho para o Calvário, o outro pela sua espiritualidade centrada no Santo Sacrifício, incessantemente recordaram a natureza sacrificial e expiatória da Missa que a nova liturgia escondeu sob o alqueire. Ambos, um pela vida literalmente crucificada, o outro pelo seu apostolado para o sacerdócio, lembraram o papel central do sacerdote na obra da Redenção.

Pe. François-Marie Chautard, FSSPX

(Retirado da: Le Chardonnet n° 340 de juillet-août-septembre 2018)

NOSSA SENHORA FICOU CONTENTE

Imagem relacionadaAo ser Santa Teresa de Ávila nomeada superiora, a primeira coisa que fez foi colocar a estátua da Virgem Santíssima na cadeira destinada à Priora e pôs aos pés dela as chaves de sua casa e as regras do instituto, pedindo-lhe que se dignasse tomar a direção espiritual e temporal  da comunidade.
Tão agradável foi à Mãe de Deus esta homenagem de sua devota serva que, na véspera de S. Sebastião, substituiu pessoalmente sua imagem e declarou que tomava o governo do mosteiro.
Eis como a Santa conta a aparição:
O primeiro ano em que fui priora do convento da Encarnação, na vigília da festa de S. Sebastião e quando se começava a cantar a “Salve-Rainha”, vi descer a Santíssima Virgem acompanhada de uma multidão de Anjos e sentar-se no lugar destinado à priora. Já não vi a imagem senão tão somente a boa Mãe com certa semelhança àquela mesma. Isso ocorreu em tão breve tempo que não saberia precisa-lo, pois que entrei em êxtases. Enxerguei ao mesmo tempo vários Anjos ao lado do sólio. Isso durou o tempo em que se cantou a Salve-Regina. A Santíssima Virgem disse-me: “Tendes feito bem em colocar aqui minha estátua; eu estarei presente durante os louvores que terdes a meu Filho e lho oferecerei em vosso nome”.
*           *           *
Nossa Senhora é muito melhor do que nós pensamos. Fazem muito bem os que colocam um belo quadro ou imagem da Virgem Santa em seus lares. Aconselha-se muitíssimo ao lado de S. Coração de Jesus uma artística efígie do Puríssimo Coração de Maria.
Que os Santíssimos Corações de Jesus e de Maria estejam como em tronos em nossas casas.
Felizes e benditas serão essas moradias!
Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Os três tipos de humildade segundo Santo Inácio de Loyola

primeiro tipo de humildade é necessário à salvação eterna. E consiste em me rebaixar e me humilhar tanto quanto me for possível, para obedecer em tudo à Lei de Deus Nosso Senhor. De tal modo que, mesmo que me tornassem senhor de todas as coisas criadas neste mundo ou mesmo que estivesse em risco a minha própria vida temporal, nunca pensaria em transgredir um mandamento, fosse ele divino ou humano.

segundo tipo de humildade é uma humildade mais perfeita que a primeira. E consiste nisto: encontro-me num ponto em que não desejo nem tendo a possuir a riqueza mais do que a pobreza, a querer a honra mais do que a desonra, a desejar uma vida longa mais do que uma vida curta, quando as alternativas não afectam o serviço de Deus Nosso Senhor e a salvação da minha alma.

terceiro tipo de humildade é a humildade mais perfeita: é quando, incluindo a primeira e a segunda, sendo iguais o louvor e a glória da Sua divina majestade, para imitar Cristo Nosso Senhor e me assemelhar a Ele mais eficazmente, desejo e escolho a pobreza com Cristo pobre em vez da riqueza, o opróbrio com Cristo coberto de opróbrios em lugar de honrarias; e desejo mais ser tido por insensato e louco para Cristo, que antes de todos foi tido como tal, do que «sábio e prudente» neste mundo (Mt 11, 25).

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Nunca se viu um homem jejuar com discernimento e ser assaltado por maus desejos

Tal como os olhos sãos desejam a luz, assim o jejum efetuado com discernimento suscita o desejo da oração. Quando um homem começa a jejuar, deseja comunicar com Deus nos pensamentos do seu espírito. 

Com efeito, o corpo que jejua não suporta dormir toda a noite no seu leito. Quando o jejum sela a boca do homem, este medita em estado de contrição, o seu coração reza, o seu rosto está sério, os maus pensamentos deixam-no; é inimigo das cobiças e das conversas vãs. Nunca se viu um homem jejuar com discernimento e ser assaltado por maus desejos. O jejum feito com discernimento é uma grande casa que protege muito bem… 

Porque o jejum é a ordem que foi dada desde o início à nossa natureza, para não comer o fruto da árvore (Gn 2,17), e é daí que vem aquilo que nos engana… Foi também por aí que o Salvador começou, quando se revelou ao mundo no Jordão. Com efeito, depois do batismo, o Espírito levou-o ao deserto, onde jejuou quarenta dias e quarenta noites. 

Todos os que partem para o seguir fazem doravante o mesmo: é sobre este fundamento que põem o início do seu combate, porque tal arma foi forjada por Deus… E quando agora o diabo vê essa arma na mão de um homem, este adversário e tirano tem medo. Ele pensa imediatamente na derrota que o Salvador lhe infligiu no deserto, recorda-se e a sua força é quebrada. Consome-se assim que vê a arma que nos deu aquele que nos conduz ao combate. Que arma pode ser mais poderosa e reanimar tanto o coração na sua luta contra os espíritos do mal?

Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul in 'Discursos ascéticos', 1.ª série, n.º 85 

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Quando alguém se humilha por causa dos seus defeitos acalma os outros

Quando um homem se humilha por causa dos seus defeitos, acalma os outros facilmente e satisfaz sem custo os que consigo se iravam. Deus protege e liberta o humilde, ama-o e consola-o. 

Inclina-Se para ele e dá-lhe grande graça; e, depois do seu abatimento, eleva-o à glória. Revela os seus segredos ao humilde, arrasta-o e convida-o docemente para Si. E ele, mesmo na confusão, vive em paz, porque se firma em Deus e não no mundo. [...]

Mantém-te tu em paz; e só então poderás pacificar os outros. O homem pacífico é mais útil do que o muito instruído. O apaixonado, porém, converte o bem em mal e acredita facilmente neste. O homem bom e pacífico converte todas as coisas em bem.

Aquele que está verdadeiramente em paz não suspeita mal de ninguém. Mas o que é descontente e inquieto é agitado por várias suspeitas. Nem descansa, nem deixa descansar os outros. Diz muitas vezes o que não devia dizer e omite fazer o que devia.

Preocupa-se com o que os outros têm de fazer, mas desleixa o que lhe compete. Tem, antes de tudo, cuidado contigo, e poderás então zelar pelo teu próximo.

in Imitação de Cristo (Tratado espiritual do século XV), Livro II - Caps. 2 e 3 

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Suportar as falhas dos outros

Compreendo, agora, que a caridade perfeita consiste em suportar as faltas dos outros, em não se admirar com as suas fraquezas, em edificar-se com os menores actos de virtude que eles praticam, mas, sobretudo, compreendi que a caridade não deve ficar fechada no fundo do coração: Ninguém, disse Jesus, acende uma lâmpada para pô-lo debaixo da mesa, mas sobre o candelabro, a fim de que ilumine a todos os que estão em casa. 

Parece-me que essa lâmpada representa a caridade que deve iluminar, alegrar, não apenas os que me são mais caros, mas todos aqueles que estão em casa. 

Santa Teresinha do Menino Jesus in 'História de uma alma'

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Como um Católico se deve comportar dentro de uma Igreja



Nas Igrejas dever-se-á entrar com humildade e devoção; o comportamento nos seus interiores deve ser calmo, agradável a Deus, trazendo a paz aos demais, uma fonte não só de instrução mas de frescura mental. (...)

Nas igrejas, as solenidades sagradas devem dominar o coração e a mente; toda a atenção deve ser orientada à oração. Portanto, onde é apropriado oferecer desejos celestiais com paz e tranquilidade, que a ninguém seja permitido provocar rebelião, estrondo ou usar da violência. (…) Devem ser evitadas as conversas vãs, e principalmente o baixo calão e a linguagem profana; o falatório deve cessar em todas as suas formas. 

Em suma, tudo o que possa perturbar o culto divino ou ofender os olhos da divina majestade deve ser absolutamente alheio às igrejas, para que, no lugar onde o perdão pelos nossos pecados deveria ser pedido, não haja ocasião de pecado nem o pecado seja cometido. (…) Aqueles porém que desafiarem imprudentemente estas proibições (…) hão de temer a severidade da vingança divina e da nossa, até que tenham confessado a sua culpa e tenham o firme propósito de evitar tais condutas no futuro.

Segundo Concílio de Lyon (1274), Constituição 25

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Como Padre Pio tratava o grave pecado do aborto

O rigor de São Pio de Pietrelcina diante do pecado de aborto salvava as almas dos pecadores. Ele tinha certeza de que tal pecado não podia ser tratado com banalidade.

Certo dia, na sacristia em frente ao confessionário no qual São Padre Pio atendia os penitentes, esperava pela sua vez um homem chamado Mario Tentori. Enquanto fazia o exame de consciência, ouviu o Padre Pio gritar: “Vai embora, animal, vai embora…!”. As palavras do Santo dirigiam-se a um homem que, apenas havia se ajoelhado, saia de dentro do confessionário humilhado, agitado e confuso.


No dia seguinte, Mario apanhou o comboio para Foggia, para depois voltar a Milão. Sentou-se num compartimento no qual havia um só viajante que começou a observá-lo e parecia ter vontade de iniciar uma conversa. Finalmente, perguntou o viajante : “Ontem não estava em San Giovanni Rotondo para se confessar ao Padre Pio?”

“Sim”, respondeu Tentori.

Retomou o outro: “Nós estávamos sentados no mesmo banco, eu estava antes de si. Eu sou aquele a quem o Padre Pio chamou ‘animal’. Lembra-se?”

“Sim”, disse Mario.

Continuou o companheiro de viagem: “Vocês que estavam perto do confessionário talvez não entendido o motivou o Padre Pio me mandar-me embora. O Padre Pio disse-me: ‘Vai embora, animal, vai embora, porque, de acordo com a tua esposa, abortaste três vezes’. Entendeu? O Padre Pio disse ‘abortaste!’ Dirigiu-se a mim porque a iniciativa da minha esposa abortar partiu de mim.”

E começou um pranto que exprimia – como ele mesmo confessou – dor, vontade de não pecar e a firme determinação de voltar até junto do Padre Pio para receber a absolvição e mudar de vida.

O rigor de São Padre Pio havia salvado a vida de um Pai que, após ter negado a vida a três dos seus filhos, corria o perigo de perder a sua própria alma por toda a eternidade, caso o Padre Pio tivesse banalizado o pecado cometido.

(Trechos extraídos da obra “Il Padre San Pio da Pietralcina, la missione di salvare le anime”, di P. Marcellino Iasenza Niro, Edizioni Padre Pio da Pietralcina, 2004)

domingo, 12 de agosto de 2018

Os ataques do Demónio ao Santo Cura d'Ars

Dionísio Chaland, de Bouligneux, jovem estudante de filosofia, num dia de Junho de 1838: Ajoelhei-me no seu genuflexório, para confessar-me, no quarto do próprio santo. Quase pela metade da confissão, um tremor geral agitou toda a peça; o genuflexório moveu-se. Levantei-me aterrorizado. O Sr. Cura agarrou-me por um braço. Não é nada, disse ele. É o demónio.

A 4 de Fevereiro de 1857 o santo pusera-se a ouvir confissões. Pouco antes das 7, as pessoas que passavam diante da casa paroquial viram que saíam chamas do quarto do Padre Vianney. Foram avisá-lo: Sr. Cura, parece que há fogo no seu quarto. Enquanto lhes entregava a chave para que fossem apagá-lo, observou, sem muita preocupação: Esse vilão do demónio, não podendo apanhar o pássaro, queima-lhe a gaiola.

Em 1826, durante uma missão em Montmerle. Durante a noite, ouviu-se um barulho de carro que fazia estremecer o chão. Parecia que a casa vinha abaixo. Produziu-se no quarto do Cura d´Ars, uma tal algazarra que o Pe. Benoit gritou: Estão a matar o Padre Vianney. Todos correram para lá. Mas o que viram? O santo estava deitado tranquilamente no seu leito, que mãos invisíveis tinham arrastado para o meio do quarto. Foi o demónio, disse ele, sorrindo. Não é nada. Sinto muito não vos ter prevenido. É bom sinal… Amanhã cairá um peixe graúdo.

Quem seria esse peixe graúdo? Vigiaram o seu confessionário. De facto, no dia seguinte, após o sermão, viram depois do sermão, o Sr. De Moras, nobre cavalheiro, que, atravessando toda a igreja foi confessar-se com o Cura d´Ars. Aquele cavalheiro tinha descuidado os seus deveres religiosos durante muito tempo. O seu exemplo causou uma profunda impressão nos habitantes de cidade.

Francis Trochu in 'O Santo Cura d'Ars'