terça-feira, 25 de setembro de 2018

O Combate ao Amor Próprio


Excertos do Livro
Dom Lorenzo Scúpoli
(Clique acima, no título em azul, para obter a resenha do livro e baixá-lo)
Capítulo XXV
QUINTO AUXÍLIO À VONTADE HUMANA

O ódio a nós mesmos é também um modo de auxiliar a nossa vontade. É necessário que tenhamos este ódio, pois, sem ele, não mais nos há de socorrer o Amor Divino, autor de todo o bem.
Para adquirir este ódio, primeiramente peçamo-lo a Deus. Em seguida, meditemos sobre os danos que o amor próprio fez e ainda hoje faz aos homens. ­­­
Não houve pecado, nem no céu, nem na terra, que não proviesse do amor próprio.
Este amor tem tanta malícia que, se pudesse entrar no céu, logo a Jerusalém celeste se transformaria em uma Babilônia. Considera então, que mal este vício não faz num peito humano, durante sua vida terrena.­
Se tirarmos do mundo o amor próprio o inferno se fechará. ­
E quem haverá, tão inimigo de si mesmo, que, meditando sobre o ser, as qualidades e os efeitos do amor próprio, não se indigne contra este vício, e o odeie?­

Capítulo XXVI
COMO SE CONHECE O AMOR PRÓPRIO

Para que saibas quão grande é o amor próprio que te tens, examina tua alma. Perceberás então, as paixões com que mais se ocupa a tua vontade. (Pois não encontrarás nunca a tua vontade sem paixões). ­
Se ela ama ou deseja, ou está alegre ou triste, considera então, se a coisa amada ou desejada é virtude, e se teu amor está conforme aos preceitos divinos: ou se te alegras ou te entristeces com coisas que a Vontade Divina quer que te entristeçam ou alegrem; ou então, se a causa de todos estes sentimentos é o mundo e o apego às criaturas, por lidarmos com as coisas do mundo desnecessariamente, e não quanto era suficiente, nem como Deus quer.­­­
Se assim acontece, claro é que o amor próprio reina na tua vontade e é o seu motor em tudo.
Mas se vemos que a vontade se ocupa de coisas que dizem respeito às virtudes e que são da Vontade Divina, então devemos considerar ainda um ponto: se é a vontade de Deus que move nossa vontade ou se são nossas complacências e caprichos, que o fazem. ­­
Porque acontece muitas vezes que alguém, movido por não sei que capricho ou complacência, se dê a obras boas, como, por exemplo, às orações, jejuns, comunhões e outras obras santas. ­
Podemos nos examinar neste ponto, de duas maneiras:
A primeira será reparar se nos damos, nas diversas ocasiões que se apresentam, a todas as boas obras, indiferentemente.
 A segunda maneira será considerar se nos alegramos se tudo corre como queremos e nos inquietamos e lamentamos se sobrevém algum impedimento. ­­­­
Se virmos que é Deus o motivo de nossos atos, ainda devemos examinar qual o fim com que os fazemos. Se este for somente o agrado divino, tudo está bem.
Mas nunca poderemos garantir que tudo fazemos para agradar a Deus. O amor próprio é muito sutil e se insinua até nos atos de virtude. ­
Quando se manifesta esta fera do amor próprio, devemos persegui-la, com ódio, não somente nas coisas grandes, mas também nas pequeninas, até matá-la. ­­
Sempre se deve suspeitar das coisas ocultas. Por isso humilha-te bate ao teu peito, após uma obra boa, pedindo a Deus que te guarde do amor próprio e caso o tenhas, te perdoe.
Será bom que te dirijas ao Senhor de manhã e faças mentalmente o propósito de não ofendê-Lo mais, especialmente­ naquele dia, mas de fazer sempre a Sua vontade e com o fim de lhe agradar.
Pedirás por isso, muitas vezes, a Deus, que te socorra sempre e te proteja, afim que conheças e faças somente o que Lhe agrada e da maneira que Lhe agrada.

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Retirado do livro: O Combate Espiritual e o Caminho do Paraíso - Ven. Servo de Deus Lourenço Scúpoli - Edição de 1939
Obs.: A edição do livro disponível para download é mais recente.

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