quinta-feira, 29 de novembro de 2018

20 Maneiras para as Moças Reivindicarem o Respeito que Merecem

1- Vista-se de forma apropriada à sua dignidade. Como diz a incrível pregadora sobre castidade, Crystalina Evert: "Não ande por ai mandando mensagens de que seu corpo é a melhor parte de você - implicando que seu coração, seus pensamentos e sua alma não sejam importantes. Ao invés disso, desperte com a sua modéstia, o desejo de conhecerem-na melhor."

2- Recuse dormir com um homem antes de ter o anel de casamento em seu dedo. SE ELE REALMENTE TE AMAR, irá esperar. Esse respeito, tanto o respeito que você deve ter por si, e o respeito do rapaz por você, irá te levar ao casamento um dia.

3- Não use camisas deploráveis com mensagens do tipo: "Quem precisa de um cérebro quando se tem isso!?". Pare de comprar em lugares que vendam coisas como esta. Não vista calças ou shorts que tenham algo escrito em sua parte inferior, ao menos que seja o lugar para o qual deseje chamar a atenção de todo par de olhos que olhem para você.


4- MANTENHA SEUS PADRÕES ALTOS. Um homem de verdade subirá para atender seus padrões, mais se você diminui seus padrões por causa dele, irá se lamentar muito, e este rapaz não se verá desafiado a ser um homem melhor. Você pode estar desencorajada, mas existe homem assim. Eles passam assim como você por momentos difíceis, por buscarem viver puros em um mundo tão impuro. E talvez um deles esteja enfrentando uma dura batalha agora por você, então não desanime-o. REZE por ele.

5- Ore para ser mais parecida com Maria. Existe alguma mulher mais linda e digna que a Mãe de Deus? Reze três ave-marias por dia para purificar seus pensamentos, seu corpo e seu coração.
 
6- Reprima qualquer homem que a olhe ou a toque de forma inadequada. Em vez de rir disso, firmemente (mas de maneira respeitosa e de preferência em particular) deixe ele saber que isso é completamente inaceitável. Você estará fazendo a ele e a ti um grande favor.

7- Não se deixe enganar pela falsidade da mídia em dizer que a perfeição física é possível e necessária.

8- Não frequente lugares onde mulheres (ou homens) são colocados em exposição para atrair clientes.

9- DEIXE o rapaz ser um cavalheiro. Enquanto ele segura a porta ou puxa sua cadeira com um espírito puro, ele não estará dizendo que você não é capaz de fazer isso. Ele quer dizer que você é tão especial que a quer honrar com suas ações.

10- Evite roupas (mesmo de baile, vestidos ou maios) que parecem ser feitas com o propósito de permitir a um homem que não seja seu marido apreciar a vista do seu corpo. Deus o fez extra-especial, e não deve ser visto por todo mundo.

11- Faça uma oração toda vez que vir uma mulher vestida impropriamente, seja pessoalmente ou na TV, etc. Reze para que ela reconheça seu verdadeiro valor. E reze para que os homens não sejam desviados por ela.

12- Trate qualquer pessoa que conhecer com respeito. Não deixe que a sua gentileza e atenção dependa da popularidade ou beleza da outra pessoa (homem ou mulher). Se for assim, você poderá perder relacionamentos lindos e surpreendentes.

13- Seja AUTÊNTICA. Existirá apenas uma igual a você por toda a eternidade, e existe um vazio que somente você pode preencher. Seja você mesma sem medo. Sua autenticidade será uma qualidade notável e fará que os outros a respeitem. Santa Catherine de Siena disse uma vez: "Se você é o que você deveria ser, você irá colocar o mundo em chamas."

14- Trate seu corpo como templo do Espírito Santo. Jesus te comprou com o preço do seu sangue derramado no Calvário. Não desperdice esse presente supremo degradando seu corpo nas drogas, álcool, ou vivendo o sexo fora do casamento. Tome cuidado para não expor-se em situações que fará algo que se arrependerá depois. Álcool torna-a vulnerável, e existem muitas garotas que foram abusadas sexualmente tanto porque optaram por uma bebida, ou porque tiveram uma substância posta em seu copo. Por favor, não pense que isso não possa acontecer com você.

15- Não acredite nas mentiras. Satanás e o mundo irão sussurrar muitas delas em seus ouvidos. (Você deve perder mais 5 quilos para que ele possa te convidar para sair. Seus pais não entendem NADA. Você não é boa o suficiente para ser amada) Soa familiar?

16- Seja a mulher que Deus a fez pra ser. Trabalhe suas virtudes como gentileza, paciência, e coragem. Como diz Provérbios 31: "O charme é enganador, e a beleza é passageira, mas a mulher que teme ao Senhor merece louvor."

17- Mostre ao mundo que modéstia não é desarranjo. Que você pode se vestir lindamenteE ser modesta. Isso talvez dê um pouco a mais de trabalho, mas não deixe ninguém lhe dizer que isso não é possível.

18- Seja grata por ser mulher! As mulheres possuem dons incríveis, e você certamente possui qualidades e talentos únicos. Glorifique a Deus desenvolvendo e usando os dons que recebeu.

19- Seja um exemplo para todas as jovens moças que conhece - irmãs, primas, e vizinhas. Elas desejam algo melhor que o mundo oferece, e dependem de você para modelarem nelas a verdade e a verdadeira beleza.

20- Mais importante do que tudo, faça de Jesus seu Melhor Amigo. Ele é o único que é fiel sempre, e Ele irá encorajar você com seu esforço a se levantar e exigir respeito. Ele irá te dar a força para se tornar quem ele a criou pra ser, e Ele irá te levantar toda vez que você cair.

Fonte 1: http://onemoresoul.com/love-chastity/young-women/20-ways-for-young-women-to-claim-the-respect-they-deserve.html
A Tradução foi retirada da comunidade Castidade, do orkut, e parece ter sido feita por Filipe Santana, que a publicou.

Fonte 2: http://catequesediaria.blogspot.com.br/2012/03/20-maneiras-para-as-mocas-reivindicarem.html.
 

domingo, 25 de novembro de 2018

MODÉSTIA: Da imodéstia dentro do Santo Templo

Da hediondez da imodéstia dentro do Santo Templo


São Leonardo de Porto Maurício







Uma mulher, que entra na Igreja com um traje espaventoso, atrai todos os olhares, e queira Deus não atraia também os corações, arrebatando ao Senhor as devidas adorações. Não é preciso excitar estas pessoas a assistir todos os dias à Santa Missa; já são demais levadas a freqüentar as igrejas. O importante será fazer-lhes compreender com que modéstia e respeito devem portar-se a casa de Deus, especialmente quando se celebra a Santa Missa. Tanto mais me edificam senhoras da nobreza e princesas que só aparecem ante aos altares vestidas simplesmente, sem luxo nem elegâncias refinadas, quanto me escandalizam certas pretensiosas que, com seus penteados ridículos e ares de atrizes, assumem poses de deusas no lugar santo.

A bem-aventurada Ivete teve, certo dia, uma visão, que devia inspirar a essas pessoas o temor respeitoso da à Santa Missa. Ao assistir à Santa Missa viu essa nobre flamenga um espetáculo terrível. Perto dela estava uma dama distinta, cujo olhar se fixava aparentemente no altar; mas não era para seguir o Santo Sacrifício, nem para adorar o Santíssimo Sacramento que ia receber, e sim, para satisfazer uma paixão impura. Em volta dela estavam um grande número de demônios que dançavam e se expandiam em demonstrações de regozijo. Quando ela se levantou para se dirigir à mesa sagrada, uns lhe seguraram a cauda do vestido, outro lhe ofereceu o braço enquanto outros lhe faziam cortejo e serviam-lhe como a sua senhora. No momento em que o sacerdote descia do altar com a Santa Hóstia na mão a fim de dar a comunhão àquela infeliz, pareceu a Ivete que o Salvador abandonava as santas espécies e volvia ao Céu, repugnando-Lhe entrar num coração assim rodeado de espíritos das trevas.

Aterrorizada por semelhante cena, a bem-aventurada Ivete dirigia humildes preces a Nosso Senhor. E Ele revelou-lhe a causa, fazendo-lhe ver que aquela mulher alimentava uma paixão desordenada por uma pessoa que se achava próxima do altar, e que durante toda a Santa Missa, ao invés de se ocupar dos Santos mistérios, contemplava-a com olhares impuros, desejando antes lhe agradar que agradar a Deus. Por isso rodeavam-na os demônios e faziam-lhe o cortejo.

Dir-me-eis que não sois do número dessas infelizes criaturas, e eu creio de boa vontade. Se, entretanto, ides à Igreja com certos trajes escandalosos, mereceis todas as censuras. Transformeis o templo sagrado em covil de ladrões, pois roubais a Deus a honra, pelas distrações que provocais aos sacerdotes, aos ministros, a todo o povo.

Por favor, considerai e tomai a resolução de imitar Santa Isabel da Hungria. Para assistir à Santa Missa, ela se dirigia com grande pompa à Igreja. Mas, para assistir ao Santo Sacrifício tirava da cabeça a coroa, os anéis dos dedos, depunha seus ornamentos e cobria-se com um véu, ficando em atitude tão modesta que nunca foi vista desviar sequer os olhos. Tudo isso agradou de tal modo a Deus, que Ele quis manifestá-lo a todos: durante a Santa Missa a Santa aparecia envolta de tal claridade que se velavam de deslumbramento os olhos dos assistentes; parecia-lhes contemplar um anjo do Paraíso.

Imitai exemplo tão ilustre, certos de que agradareis a Deus e aos homens, e que a Santa Missa será para vós de imenso proveito para esta vida e para a outra.

(São Leonardo de Porto Maurício. Excelências da Santa Missa. Ps. 66 e 67) 



quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Catecismo Ilustrado - Parte 47 - 8º Mandamento de Deus: Não levantar falso testemunho



Catecismo Ilustrado - Parte 47

Os Mandamentos
               
8º Mandamento de Deus: Não levantar falso testemunho

1. Este mandamento proíbe-nos todos os pecados com que se pode prejudicar o próximo com a linguagem.

2. Os principais são: o falso testemunho, a mentira, a calúnia, a murmuração, os juízos temerários, a adulação.

O falso testemunho

3. O testemunho falso que se proíbe neste mandamento, é o que se dá quando uma pessoa que jurou dizer a verdade, testemunha falso.

4. O testemunho falso é grande pecado, porque: 1º faz injúria a Deus, desprezando a sua presença e invocando-o em testemunha da falsidade; 2º faz injúria ao juiz, porque o engana mentindo; 3º faz injúria ao inocente, porque lhe causa dano ocultando a verdade.

5. Nunca é lícito ocultar a verdade; o dever da testemunha é dizer a verdade, toda a verdade, e só a verdade.

6. Uma testemunha falsa é reprovada por Deus, e será por Ele castigada.

Explicação da gravura

7. A de cima representa Nosso Senhor diante de Pilatos. Um dos assistentes levanta a mão e, mostrando Jesus, afirma que O ouviu proibir de pagar tributo a César. Era isso um testemunho falso, pois Jesus dissera o contrário.

8. Narra São Marcos outro testemunho falso contra Nosso Senhor: “Os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho buscavam algum testemunho contra Jesus, para O fazerem morrer, e não o encontravam. Muitos depunham falsamente contra Ele, mas não concordavam os seus depoimentos. Levantaram-se uns que depunham falsamente contra Ele, dizendo: “Nós ouvimo-Lo dizer: Destruirei este templo, feito pela mão do homem, e em três dias edificarei outro, que não será feito pela mão do homem”. Porém, nem estes testemunhos eram concordes. Então, levantando-se do meio da assembleia o sumo sacerdote, interrogou Jesus dizendo: “Não respondes nada ao que estes depõem contra Ti”? Ele, porém, estava em silêncio e nada respondeu. Interrogou-O de novo o sumo sacerdote e disse-Lhe: “És Tu o Cristo, o Filho de Deus bendito”? Jesus respondeu: “Eu sou, e vereis o Filho do Homem sentado à direita do poder de Deus, e vir sobre as nuvens do céu”? (Marcos XIV, 55-63)

9. Na parte inferior esquerda vê-se a Jezabel, mulher de Acab rei de Israel, comida pelos cães. Esta mulher ímpia, querendo ver-se livre de Naboth, que se recusava a vender a sua vinha, buscou falsas testemunhas que o acusassem de blasfêmia. Naboth foi condenado à morte e lapidado. O sucessor de Acab mandou precipitar Jezabel do alto do palácio e o corpo dela foi comido pelos cães. Assim Deus a castigou.

10. Outro exemplo de testemunho falso. Lemos nos Atos dos Apóstolos: “A palavra do Senhor crescia e multiplicava-se muito o número dos discípulos em Jerusalém; e também uma grande multidão de sacerdotes aderia à fé. Estêvão, cheio de graça e de fortaleza, fazia grandes prodígios e milagres entre o povo. Porém, alguns da sinagoga chamada dos Libertos, dos Cirenenses, dos Alexandrinos e dos da Cilícia e da Ásia, levantaram-se a disputar com Estêvão, mas não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito que inspirava as suas palavras. Então subornaram alguns e disseram: “Ouvimo-lo dizer palavras de blasfêmia contra Moisés e contra Deus”. Amotinaram assim o povo, os anciãos e os escribas; e, avançando contra ele, arrebataram-no e levaram-no ao Sinédrio, e apresentaram falsas testemunhas que diziam: “Este homem não cessa de proferir palavras contra o lugar santo e contra a Lei; ouvimos-lhe dizer que esse Jesus de Nazaré há-de destruir este lugar e há-de mudar as tradições que Moisés nos deixou”.” (Atos VI, 7-14)

11. Na parte inferior direita, vê-se Daniel confundindo os dois anciãos que falsamente testemunharam contra Susana. Os anciãos foram condenados à morte e lapidados.



ndice das sessenta e oito gravuras

Sumário

1.- Introdução

O Símbolo dos Apóstolos


2.- A Santíssima Trindade
3.- A Criação
4.- Incarnação - Transfiguração
5.- Incarnação - Anunciação
6.- A Natividade
7.- A Redenção
8.- A descida aos Infernos
9.- A Ressurreição
10.- A Ascensão
11.- Jesus Cristo à direita de Deus Pai
12.- Juízo Final
13.- Pentecostes
14.- A Igreja
15.- A Comunicação dos Santos
16.- A Remissão dos pecados
17.- A Ressurreição da carne
18.- O Paraíso
19.- O Inferno

Os Sacramentos

20.- A Graça
21.- O Baptismo
22.- A Eucaristia
23.- A Confirmação
24.- A Penitência
25.- A Extrema-Unção
26.- A Ordem
27.- O Matrimônio

Os Mandamentos


28.- Os mandamentos da lei de Deus


29.- 1º Mandamento de Deus: Adorar a um só Deus e amá-Lo sobre todas as coisas


30.- 1º Mandamento (continuação): Adorar a um só Deus e amá-Lo sobre todas as coisas


31.- 2º Mandamento de Deus: Não invocar o Santo Nome de Deus em vão


32.- 2º Mandamento de Deus (continuação): Não invocar o Santo Nome de Deus em vão


33.- 2º Mandamento de Deus (continuação): Não invocar o Santo Nome de Deus em vão


34.- 3º Mandamento de Deus: Santificar os Domingos e Festas de preceito


35.- 3º Mandamento de Deus (continuação): Santificar os Domingos e as Festas de preceito

36.- 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe


37- 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe


38.- 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe

39.- 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe

40.- 5º Mandamento de Deus: Não Matar

41.- 5º Mandamento de Deus: Não Matar

42.- 5º Mandamento de Deus: Não Matar

43.- 6º Mandamento de Deus: Guardar a Castidade

44.- 7º Mandamento de Deus: Não furtar

45.- 7º Mandamento de Deus: Não furtar (continuação)

46.- 8º Mandamento de Deus: 8º Mandamento de Deus: Não levantar falso testemunho

47.- 8º Mandamento
48.- 8º Mandamento
49.- 9º Mandamento
50.- 10 Mandamento
51.- Os Mandamentos da Igreja
52.- Os Mandamentos da Igreja
53.- Os Mandamentos da Igreja

Diversos

54.- A Oração
55.- O Pai Nosso
56.- Ave Maria
57.- Os Novíssimos do homem
58.- A Morte
59.- O Juízo
60.- O pecado original
61.- Os pecados capitais
62.- Os pecados capitais
63.- Os pecados capitais
64.- As Virtudes teologais
65.- As Virtudes cardeais
66.- As Virtudes evangélicas
67.- As obras corporais de misericórdia
68.- As obras espirituais de misericórdia




COMBATE ESPIRITUAL


Fatigantes são os combates do espirito,
 é verdade; mas como é consolador 
e glorioso sair deles vitorioso! 


 Se Adão e Eva não tivessem desobedecido ao Senhor e não nos tivessem transmitido o seu primeiro pecado com todas as suas consequências funestas, ter-nos-ia sido coisa muito fácil e deleitosa cumprir neste mundo a vontade de Deus alcançar a nossa perfeição espiritual. Em tal hipótese, ter-nos-íamos visto adornados com o dom de integridade; as nossas paixões teriam estado sujeitas, sem esforço, à razão; a razão, a Deus, e não experimentaríamos em nós esta revolta, esta luta da parte inferior contra a parte superior, da carne contra o espírito; luta de que se lamentava o grande Apóstolo, pois nem mesmo ele se viu livre dos estímulos da concupiscência .




 Por consequência, não temos outro remédio senão combater, se queremos evitar o pecado, cumprir a vontade de Deus e, assim, santificarmo-nos e salvarmo-nos. Ninguém será coroado senão o que combater devidamente, afirma S. Paulo . E Nosso Senhor Jesus Cristo disse-nos : O reino dos céus precisa de violência, e só os que a praticarem o conseguirão . Nesta luta, nesta violência que temos de ter com nós próprios e que temos de sustentar contra todos os nossos inimigos espirituais, consiste a mortificação ou abnegação cristã, que o nosso divino Salvador exige daqueles que O querem seguir e ser seus discípulos. Pretender, pois, piedoso leitor, alcançar a perfeição sem te negares a ti mesmo, sem violentar-te, sem combater denodadamente, seria uma ilusão, seria pretender um Impossível.

 Mas, se bem que não se possa negar que a luta espiritual é dura, também não se deve exagerar essa dificuldade. E necessária, sim, a abnegação: é preciso contrariar as nossas inclinações. e desejos; mas entenda-se bem: nem todos os nossos desejos, nem todas as nossas inclinações, somente os maus desejos e aquelas inclinações que sejam desordenadas, por exemplo, a inclinação à vingança, a inclinação à murmuração, à impureza, à vanglória, etc.; pois temos muitas inclinações boas, por exemplo, a inclinação ao trabalho, ao estudo, à piedade, à caridade, e outras que, longe de abafá-las ou destruí-las, devemos cultivar e sobrenaturalizar, acomodando-as aos impulsos da graça, a qual, por sua vez, costuma acomodar-se à natureza no que esta tem de recto e ordenado, aperfeiçoando-a e santificando-a.

 Do mesmo modo temos inclinação para outras coisas, também das que agradam à natureza sensível, tais como, o comer, o dormir, o recrearmos-nos ... , e não obstante não é preciso contrariar em absoluto ou matar essa inclinação, senão contê-Ia dentro dos justos limites para não incorrermos em excessos. De igual modo temos de lutar, quem o duvida? contra Inimigos formidáveis do exterior, a saber, o mundo e o demônio; mas afinal de contas, estes são menos poderosos que a graça de Deus, a qual há-de ser a nossa principal arma de combate. 

 Não disse Cristo Nosso Senhor que o seu jugo era leve e a sua carga ligeira ? Estas palavras do Salvador dão a entender que, ainda que a luta espiritual seja de si muito difícil e custosa, Ele com a ajuda da sua graça toma-a suave e tolerável. 

Com efeito não combatemos, sozinhos, mas a graça de Deus juntamente connosco. Grande, esforçado era o combate que o Apóstolo S. Paulo sustentava contra a revolta da sua carne, que o esbofeteava, como ele mesmo disse, e contra toda a espécie de inimigos interiores e exteriores, e não obstante, Nosso Senhor disse-lhe: Não temas, basta-te a minha graça: «Sufficit tibi gratia mea» ; e encorajado com estas palavras, e apoiado firmemente nessa graça divina, exclamava depois, cheio de confiança: Tudo posso naquele que me conforta.
 Igualmente, nós poderemos tudo com a graça de Deus e com ela alcançaremos a perfeição a que aspiramos. Não tens, pois, por que desanimar, alma devota, ante as dificuldades da luta, mas, pelo contrário, deves dispor-te a ela com ânimo esforçado, tanto mais quanto maiores forem os obstáculos e mais encarniçados os inimigos com os quais tenhas de lutar. E se alguma vez, apesar dos teus esforços e resoluções fores ferida no combate, não desanimes, nem abandones o campo de batalha declarando-te vencida; humilha-te na presença de Deus, pede-lhe perdão e misericórdia, desconfia mais de ti e confia mais n'Ele, e revestida de ânimo novo, propõe ser mais firme para o futuro. Repara no que S. Francisco de Sales disse: 

«Antes morrer que pecar, está bem; mas, se tivermos a desgraça de cometer um pecado, antes perder tudo que perder a esperança, o ânimo e os bons propósitos. O desânimo é a pior tentação, porque, quando o inimigo chega a fazer-nos perder o valor que necessitamos para avançarmos na virtude, conseguiu muito de nós e põe-nos logo no precipício. Não percais nunca a confiança em Deus; se permite que caiais, não é para vos abandonar, mas para permitir que para o futuro sejais mais humildes e cautelosos».

 «Medita bem - diz o livro da Imitação - os exemplos heroicos dos servos de Cristo, e repara como serviram ao Senhor na fome e na sede, no frio e na nudez, nos trabalhos e fadigas, em vigílias e jejuns, em orações e santas meditações, em perseguições e em muitos opróbrios. Oh ! quantas e quão graves tribulações padeceram os Apóstolos, mártires. confessores, virgens e todos os outros mais que quiseram seguir as pisadas do Salvador . . . Quão graves e fortes tentações padeceram ! Quão frequentemente foram atormentados pelo inimigo ! Que dura guerra tiveram de sustentar para dominar os vícios ! Ainda hoje os sinais que deixaram dão testemunho de que foram verdadeiramente varões santos e perfeitos, que combatendo esforçadamente venceram o mundo, o demônio e a si mesmos. Deus pô-los como modelo de perfeição, e deve-nos mover mais o seu exemplo para avançar na virtude, que a abundância dos tíbios para afrouxar e decair de ânimo»
 Por conseguinte, resolve-te a combater valorosamente como combateram os Santos, e nunca desanimes, como eles nunca desanimaram: imita-os, -sê firme e constante na luta até morrer, pois como disse Nosso Senhor Jesus Cristo, só o que perseverar até ao fim será salvo. Ouve as palavras de Deus no Apocalipse: Sê fiel até à morte e dar-te-ei a coroa da vida. A coroa da vida ! Oh, quão grande é este prêmio que nos espera ! O gozo e a posse de Deus por toda a eternidade ! Os soldados e os gladiadores - dizia S. Paulo - vão ao combate e impõem-se toda a espécie de privações e sacrifícios para alcançarem um vão aplauso, uma efêmera coroa; quanto mais nos devemos animar a combater e vencer nas lutas do espírito para alcançarmos uma coroa imortal !
 Levanta os teus olhos ao céu; olha para Jesus Cristo com todos os seus Santos. No seu século tiveram que sustentar grandes combates; mas aquilo passou já: agora, em troca, começaram os gozos que não acabarão mais; agora regozijam-se em Deus e estão consolados e seguros: agora descansam em paz, e permanecerão felizes eternamente. Mil vezes ditosos os trabalhos que são remunerados com prêmio tão grande.
RESOLUÇÃO : Confiando não em minhas próprias forças, senão na graça de Deus, que nunca me há--de faltar, resolvo lutar como lutaram os Sentas contra os inimigos da minha alma, e especialmente comigo mesmo. contra o meu amor-próprio. as minhas paixões e inclinações más, sem nunca desanimar com a duração  com as dificuldades da luta.
Jaculatória : Assisti-me, meu Deus, nos meus combates. Dai-me o triunfo contra todos os meus inimigos espirituais e concedei-me, no fim das lutas desta vida, a coroa da glória.

(A PERFEIÇÃO CRISTA Segundo o espirito de S. FRANCISCO DE SALES, EMÍLIO GONZALEZ  )

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Necessidade da Fé para contemplar com fruto o Mistério da Encarnação





























Invenietis infantem pannis involutum, et positum in praesepio – “Achareis um menino envolto em panos, e posto em uma manjedoura” (Lc 2, 12)
Sumário. Quem entra sem fé na Gruta de Belém, terá apenas sentimentos de piedade ao ver um menino tão tenro em tamanha pobreza; mas, quem entra com fé, não poderá deixar de amar a Jesus reduzido por nosso amor a tal estado. Avivemos, pois, a nossa fé e consideremos o excesso de amor de um Deus em se mostrar a nós feito criança, envolta em panos, tiritando de frio, necessitado de todas as coisas. E para que? Para ganhar o amor dos homens, suas criaturas.

I. Quando a Igreja contempla o mistério prodigioso de um Deus nascido numa gruta, exclama cheia de pasmo: O Magnum mysterium! O admirabile sacramentum!(1) — Ó grande mistério! Ó sacramento admirável! Os animais vêem o seu Senhor nascido e posto numa manjedoura! — Para contemplar com amor e ternura o nascimento de Jesus Cristo, devemos pedir ao Senhor o dom de uma fé viva. Se entramos sem fé na Gruta de Belém, teremos apenas sentimentos de piedade, ao vermos um menino reduzido a tal extrema pobreza, que, nascendo no rigor do inverno, seja posto numa manjedoura de animais, sem fogo numa gruta fria.
Mas, se entramos com fé e consideramos o excesso de bondade e amor da parte de um Deus que quis aparecer entre os homens como menino pequenino, envolto em panos, posto sobre a palha, chorando e tremendo de frio, incapaz de se mover, necessitado de um pouco de leite para viver, como será possível que alguém não se sinta atraído e docemente constrangido a dar todo o seu amor ao Deus-Menino, que se reduziu a tal extremo para se fazer amar?
Diz São Lucas que os pastores, depois de terem visitado Jesus Cristo na gruta, voltaram glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto: reversi sunt glorificantes et laudantes Deum (2). E todavia que é que eles tinham visto? Nada, senão uma criancinha pobre, tiritando de frio, sobre um pouco de palha. Mas, porque eram iluminados pela luz da fé, reconheceram naquele Menino o excesso do amor divino, e abrasados neste amor, louvavam e glorificavam a Deus por terem tido a sorte ditosa de ver um Deus aniquilado (semetipsum exinanivit (3)) e humilhado por amor dos homens.
II. Terno e amável Menino, embora eu Vos veja tão pobre nesta palha, reconheço-Vos e adoro-Vos como meu Senhor e meu Criador. Compreendo o que Vos reduziu a tão miserável estado: o vosso amor para comigo. Ó meu Jesus, quando, após isto, penso no modo pelo qual Vos tratei no passado, nas injúrias que Vos fiz, espanto-me de que tenhais podido suportar-me. Ah! Malditos pecados, que tendes feito? Enchestes de amargura o Coração tão amante do meu Senhor.
Por piedade, caro Salvador meu, pelos padecimentos que sofrestes e pelas lágrimas que derramastes na gruta de Belém, dai-me lágrimas, dai-me uma grande dor, que me faça chorar toda a minha vida os desgostos que Vos causei. Abrasai-me de amor para convosco; mas, de amor tal que compense todos os meus crimes contra Vós. Amo-Vos, meu pequenino Salvador, amo-Vos, ó Deus feito menino, amo-Vos, meu amor, minha vida, meu tudo. † Jesus, meu Deus, amo-Vos sobre todas as coisas, e prometo-Vos não amar dora em diante senão a Vós. Ajudai-me com a vossa graça, sem a qual nada posso.
— Ó Maria, minha esperança, alcançais de vosso divino Filho o que quereis: rogai-lhe que me conceda o seu santo amor. Minha Mãe, atendei-me.
Referências:
(1) Off. Nativ. Resp II.
(2) Lc 2, 20
(3) Fl 2, 7

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 467-469)

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Estive na prisão e me visitastes...


A Igreja, durante todo o mês de novembro, após ter honrado e exaltado seus filhos do céu, e invocado sua intercessão, não quer esquecer seus filhos do Purgatório. Dedica a eles a Comemoração dos Fiéis Defuntos, e dá indulgências especiais durante os primeiros oito dias de novembro, e consagra todo este mês a orar pelas almas dos defuntos. No que nos diz respeito, três motivos devem nos levar a interessar-nos por estas santas almas:
1º Primeiramente, porque são almas necessitadíssimas de nossa misericórdia e de nossos sufrágios: Estive na prisão e me visitastes”.
2º Depois, porque um dia nós teremos que encontrá-las no Purgatório (se a bondade de Deus assim o permitir), razão pela qual muito nos interessa saber o que é dessas almas, qual é seu estado, como Deus as trata…
3º Finalmente, porque muitas vezes imaginamos o Purgatório como o lugar da justiça de Deus, de uma justiça inflexível, de uma justiça sem misericórdia: quando, na realidade, é ao contrário uma invenção da misericórdia de Deus, mesmo que seja uma misericórdia em que o homem já não pode mais merecer e deve reparar todos os pecados de sua vida.
Detenhamo-nos neste último ponto, considerando as três razões pelas quais a misericórdia divina se manifesta no Purgatório: • primeiro, no amor que as três Pessoas divinas têm por essas almas abençoadas; • segundo, no amor e na conformidade que essas almas têm para com Deus; • terceiro, no próprio sofrimento que essas almas têm que suportar.
1º Amor de Deus pelas almas do Purgatório.
Antes de tudo, a misericórdia de Deus para com essas almas manifesta-se na predileção que a Divina Providência manifestou em relação a elas. O Senhor as escolheu de tal maneira que lhes concedeu a graça da perseverança final, e as adquiriu para sempre: elas são almas definitivamente salvas. E por essa razão, agora no Purgatório, a Santíssima Trindade olha para cada uma dessas almas sofredoras com imenso amor:
  • Deus o Pai as contempla resplandecente do Sangue de seu Filho, o único e mais precioso preço de sua salvação, e as observa e ama infinitamente em seu Filho crucificado e glorioso.
  • Deus Filho alegra-se em vê-las submersas na vontade de seu Pai, em total consentimento ao amor do Pai.
  • Deus, o Espírito Santo, realiza nelas os toques finais da obra de santificação e aperfeiçoamento sobrenatural, através da dolorosa purificação a que as submete: olha para elas com uma infinita complacência, e derrama-se abundantemente nelas com seus dons e graças.
Em suma, as almas do Purgatório são filhas muito amadas da Misericórdia divina: estão destinadas a serem as joias eternas da Jerusalém celestial.
2º Amor que estas almas têm para com Deus.
O segundo efeito da misericórdia de Deus com as almas do Purgatório é o dom de uma intensa e perfeita vida espiritual, que não poderíamos imaginar nesta terra, exceto nos maiores santos. E, ao contrário de nós:
  • Sua  não é como a nossa, vacilante e frágil, que se deixa tão facilmente seduzir pelas criaturas: aquelas almas estão fixadas em Deus, só olham para Ele e O consideram, e sua fé vem através das provações do Purgatório, aos maiores desprendimentos e renúncias de si mesmas.
  • Sua esperança é firmíssima: sabem que foram salvos para sempre, que certamente possuirão o céu e que já não podem mais perder a Deus por causa do pecado.
  • E sua caridade é ardentíssima, a ponto de converter-se na principal atitude dessas almas, pela qual são purificadas: anseiam por Deus, amam-no como seu todo e com todas as energias de seu ser.
Esta vida espiritual é tão perfeita que produz nelas uma conformidade perfeitíssima com a vontade de Deus: seu abandono em Deus é perfeito, e produz nelas um ordenamento de todos os seus anelos, de todas os seus afetos, de todos os seus desejos.
3º Sofrimentos destas almas.
O terceiro efeito da misericórdia de Deus para com essas almas são os próprios sofrimentos com que as purifica. Para de alguma forma expressar isso, Deus é um fogo devorador, e este fogo, por misericórdia, quer se comunicar às almas para convertê-las em Si mesmo; e as almas são como a madeira que esse fogo inflama. De acordo com a condição das almas, este fogo terá diferentes ações e efeitos:
  • Se as almas já são perfeitas e são em tudo semelhantes a Deus, o fogo da caridade divina opera nelas como sobre lenha já perfeitamente consumida: convertem-se em brasa, na qual o fogo exerce sua ação silenciosa e calmamente, como identificando-se com ela: são as almas glorificadas.
  • Se as almas são santas, mas têm coisas para purgar, o fogo da caridade divina trabalha nelas como sobre madeira úmida: comunica progressivamente suas qualidades de fogo, mas com violência, com dor diríamos, porque encontra resistência na madeira: emite fumaça, a chama chia: são as almas do Purgatório, que são progressivamente assimiladas pela caridade de Deus, até que essas resistências desapareçam.
  • E se as almas permanecerem tenazmente aferradas ao seu pecado, então o fogo da caridade divina operará sobre elas como sobre lenha incombustível: com violência suprema, sem poder transformá-las em Deus: são as almas do inferno.
Assim, pois, as almas do Purgatório sofrem imensamente. Sua própria vida espiritual lhes inflige esse sofrimento. Com efeito, para as almas que amam a Deus perfeitamente, que estão perfeitamente limpas e abrasadas pela caridade divina, totalmente entregues ao amor que as possui, que as atrai e quer dar-se em plenitude, ver-se impedidas de alcançá-lo e de possuí-lo plenamente é um sofrimento indescritível; é um doloroso enlanguescimento de amor, um exílio longe do Amado, um devorador desejo de possuí-lo; é como uma espera infligida por sua própria conduta: veio o Amado e não estava pronta…
A isto se somam outras penalidades secundárias, segundo a condição de cada alma, tais como: perfeito conhecimento de suas faltas e infidelidades, o que deploram grandemente; remorsos pelas graças não aproveitadas ou desperdiçadas; sofrimento por estarem ali esquecidas e separadas de seus parentes; espera ansiosa por sua libertação do Purgatório, que não sabem quando acontecerá.
Mas, entendamo-lo bem, por causa de sua perfeita conformidade com a vontade de Deus, as almas do Purgatório agradecem a Deus (e quanto!) por estes sofrimentos, e os amam para abandonarem-se à vontade de Deus. Dois são os motivos deste amor:
  • O primeiro é que as almas do Purgatório não querem por nada no mundo apresentarem-se diante de Deus no estado em que se encontram; e se Deus não lhes desse a oportunidade de se purificarem no Purgatório, jamais se atreveriam a comparecer em sua presença, conscientes como são de sua indignidade; e, portanto, vendo como esses sofrimentos as limpam, as purificam, as embelezam, elas os amam de todo seu coração, como um santo nesta vida pode amar a cruz.
  • O segundo é que as almas do Purgatório querem adquirir a semelhança com Jesus Crucificado que não souberam adquirir nesta vida.
Conclusão
Muitas são as lições que as almas do Purgatório nos dão. Não nos esqueçamos de que, se estão nesse lugar de purificação, é porque não cumpriram obrigações que também nos dizem respeito.
  • E primeiro é corresponder ao amor que Deus tem por nós. Se tantas vezes ofendemos a Deus, é porque não somos conscientes, por nossa culpa, nem do amor que Deus tem por nós, nem da imensa majestade de Deus, a quem toda culpa ultraja.
  • Portanto, outra lição que as almas do Purgatório nos dão é compreender a gravidade do pecado, mesmo em suas menores manifestações “veniais”, porque por essas falhas expiam ali com tão terríveis punições: infidelidades à graça, descuidos e negligências voluntárias, faltas cometidas por apego às criaturas, ausência de devida vigilância…
  • Uma terceira lição: as almas do Purgatório estão nos encorajando a amar a Deus de todo o nosso coração, com toda a nossa mente, com todas as nossas forças, como elas fazem agora ao se darem conta que Deus é tudo, e o resto não é nada.
  • Quarta lição: o amor da cruz e dos sofrimentos, que nós evitamos tão cuidadosamente. Que graça Deus nos concederá Deus aceitando-nos no Purgatório, permitindo-nos que soframos algo por Ele, uma vez que teremos sido tão covardes para sofrer algo nesta vida!
  • Quinta lição: obrigação em que estamos de socorrer essas pobres almas. Santo Tomás diz que a prática das obras de misericórdia é regulada em função de dois princípios: o primeiro, a união de uma alma com Deus; o segundo, a necessidade de que esta alma se encontra exposta. Pois bem, as almas do Purgatório, que reúnem as duas condições, são as mais dignas da nossa misericórdia, de nossa ajuda, de nossos sufrágios.
Peçamos às almas do Purgatório a graça de aprender todas estas lições, de modo que, frequentemente nelas pensando nesta vida, e praticando com elas uma generosa misericórdia, recebamos do Senhor o mesmo tratamento, quando chegar nosso momento de também estarmos nesse lugar de purificação.
Não me move, meu Deus, para querer-te
O céu que me hás um dia prometido:
E nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de ofender-te.
Tu me moves, Senhor, move-me o ver-te
Cravado nessa cruz e escarnecido.
Move-me no teu corpo tão ferido
Ver o suor de agonia que ele verte.
Moves-me ao teu amor de tal maneira,
Que a não haver o céu, ainda te amara
E a não haver o inferno te temera.

Nada me tens que dar porque te queira;
Que se o que ouso esperar não esperara,
O mesmo que te quero te quisera.
FonteHojitas de Fe, 11 | Seminário Nossa Senhora Corredentora, FSSPX
Tradução
Dominus Est

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

CONVERTIDO APESAR DE NÃO QUERER


Foi  no natal de 1847. Um sacerdote foi chamado para um moribundo. O homem era conhecido como e inimigo dos padres e da religião. O ministro de Deus entrou no quarto e dirigiu-se direitinho ao doente. Não teve tempo de perguntar-lhe como estava passando, pois o enfermo se pôs a praguejar e a vomitar blasfêmias horríveis. E não foi possível acalma-lo. O Padre saiu consternado. Foi à igreja pedir à Mãe de Deus coragem para tentar nova visita.
No dia seguinte voltou à casa do doente. Ouviu as mesmas palavras. E vendo que o homem parecia procurar alguma coisa ao redor da cama, perguntou-lhe:
–   Amigo, estas querendo alguma coisa?
–    Procuro, sim, foi a resposta, a minha bengala para quebrá-la em suas costas.
E furioso por não achá-la, acrescentou:
–   Não tenho outra coisa, tome isto.
E atirou-lhe um escarro no rosto.
O padre retirou-se, horrorizado.
Numa reunião, que houve à noite na matriz, pediu o sacerdote orações especiais em honra do Puríssimo Coração de Maria, pela conversão do pecador. Todos rezavam com fervor e piedade.
Ao sair da igreja, o Vigário foi de novo ver o doente, confiando no poder e na bondade da Virgem Santa.
E desta vez foi acolhido bem. O moribundo estava calmo e resignado.
–   Veio confessar-me, Sr Padre?
–   Sim, meu amigo: acabamos de invocar a Maria Santíssima. Estou vendo que nossa oração foi atendida.
De fato confessou-se; comungou no dia seguinte e, quatro dias depois de ter recebido a extrema-unção, entregou sua alma suavemente a Deus.
Não quis converter-se, mas Nossa Senhora venceu.
Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

QUASE NINGUÉM LEVA SUA CRUZ COMO DEVE


Depois de lida a sentença, os Judeus tomaram a Jesus Cristo, e o levaram para ser crucificado. Ele saindo levou a sua cruz para o lugar do Calvário. E com que amor a recebeu! Como lhe diria “Ó cruz desejada de minha alma!

Tu és o objeto dos meus desejos e dos meus suspiros; vem cá, vem a mim, ó amada minha! Tu és o altar sobre o qual me quero sacrificar, para remir o mundo, dando a vida! Vem cá, recebe-me em teus braços, pois já há trinta e três anos que te procuro com os maiores desejos!...” Jesus Cristo assim receberia a sua cruz pelos grandes desejos que tinha de padecer e morrer por nosso amor.

E com que gosto e alegria levas tu a tua cruz, cristão?

Se estás enfermo, já não queres as dores com que Deus te purifica. Se te contradizem, se te repreendem, se te injuriam ou caluniam, já te inquietas. Não te humilhas, nem sofres com paciência por Deus; vais queixar-te e falar com contra essas pessoas. Se te causam algum dano ou prejuízo nos teus campos, ou nas tuas coisas, também logo te turbas, enches de ira e raiva, e rompes em ralhos e pragas contra quem te deu esse prejuízo temporal, e ao mesmo tempo com a tua alma carregada de pecados, podendo encher-te de merecimentos.

É assim, cristão, como observas o Santo Evangelho? Será isso viver como cristão, e imitar a Jesus Cristo? Ó, grande cegueira! Já que perdes o temporal, não percas também o eterno! Uma vez que tens esse prejuízo, o remédio é sofrê-lo por Deus, e com paciência, e oferecer a Deus essa mortificação. Desta sorte se purifica a tua alma cada vez mais, e adquires grandes merecimentos.

Que mais queres? Não sabes que Deus se serve de umas pessoas para castigar as outras? Não sabes que um pecador, por isso mesmo que é pecador, e se rebelou contra Deus, tudo merece? Não mereces tu por via dos teus pecados quantos castigos se podem dar neste mundo?

Vai conhecendo, que Deus todos os dias te está enchendo de benefícios, e tu nem sequer os conheces, nem lhos agradeces, e porque? Porque tens ainda os olhos da tua alma fechados, ainda te não diriges pela fé. As enfermidades, as dores, os trabalhos, a fome, a sede, o prejuízo nas coisas temporais, tudo isto são graças e benefícios divinos: porque Deus é justo, e o pecador há de ser castigado, ou neste mundo com estas e outras coisas, ou no outro à força do fogo; Porém neste mundo fica mil vezes mais folgado. Logo tudo são graças e benefícios que Deus está fazendo aos pecadores.

Finalmente, a cruz hás de levá-la quer queiras, quer não. Com a diferença que, se sofreres com paciência por Deus, custa-te menos, e ganhas o céu. E se levares a cruz contra a tua vontade, custa-te mais e ganhas o inferno. Portanto sofre tudo por Deus, e oferece tudo a Deus e tem paciência com tudo, para que tudo te sirva de proveito para a tua alma.


Texto retirado da Obra “Missão Abreviada”, do Padre Manoel José Gonçalves Couto.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

AS GRAÇAS, AS VIRTUDES E SEUS EFEITOS E OS VÍCIOS


As graças de Deus e as virtudes são a escada e o caminho para subir ao céu. Os vícios e os pecados, porém, são a escada e o caminho para descer ao inferno. 

Os vícios e os pecados são veneno; as virtudes e as boas obras são remédio.  

Uma graça atrai outra graça; e o vício puxa outro vício.

A virtude não quer ser elogiada, como o vício não quer ser desprezado. Isso quer dizer que o homem virtuoso não procura ser elogiado nem deseja o louvor das pessoas; e o mau não quer ser desprezado nem repreendido. E isso provém da soberba. 

O espírito repousa na humildade. A paciência é sua filha.

Se amares, será amado. Se temeres, será temido. Se servires, será servido. Se te comportares bem com os outros, os outros comportar-se-ão bem contigo. 

Bem-aventurado aquele que ama sem desejar ser amado. Bem-aventurado aquele que teme sem querer ser temido. Bem-aventurado aquele que serve sem querer ser servido. Bem-aventurado aquele que se comporta bem com os outros sem desejar que os outros se comportem bem com ele. Estas coisas são grandes; os tolos não conseguem entendê-las.

Existem três coisas muito grandes e úteis que, possuindo-as, não nos deixarão cair no mal. A primeira é suportar em paz e por amor a Deus todo o sofrimento que aparecer. A segunda, ter grande humildade por tudo que se fizer e receber. A terceira, amar com fidelidade os bens que o olho humano não pode ver.

As coisas mais ridicularizadas e negligenciadas pelas pessoas do mundo são as mais consideradas e veneradas por Deus e por seus santos. E as coisas mais amadas, abraçadas e reverenciadas pelas pessoas do mundo são as mais odiadas, negligenciadas, desprezadas por Deus e por seus santos. Acontece que as pessoas odeiam tudo o que deve ser amado e amam tudo o que deve ser odiado.

Uma vez, Frei Egídio perguntou a um frade: "Tens tu uma alma boa?" Respondeu o frade: "Meu irmão, não sei." Então Frei Egídio disse: "A santa contrição, a santa humildade, a santa caridade, a santa devoção e a santa alegria tornam a alma santa e boa".

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Frei Ary E. Pintarelli, OFM. Sabedoria de um simples: os ditos do Beato Egídio de Assis. Petrópolis: Vozes, 1997.