segunda-feira, 20 de maio de 2019

Confiança em Deus




Confiança em Deus



Não somos nós, mas a Providência divina que faz tudo, mesmo nas coisas que aparentemente somos nós que fazemos. (Homilias sobre São Mateus, 21, 4)

Não é possível falar de não receber em se tratando de Deus, porque, tanto quanto a bondade supera a maldade, assim o seu amor supera o de todos os pais. (Homilias sobre São Mateus, 23, 5)

Além do que já nos disse, o Senhor dá-nos ainda mais um motivo para que tenhamos confiança: Procurai antes de tudo o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo (Mt 6, 33). Depois de ter livrado a alma de toda a inquietação, Cristo recorda-lhe o Céu. Com efeito, Ele veio destruir o que era antigo e chamar-nos a uma pátria melhor. Por isso não poupa esforços para nos livrar do cuidado do supérfluo e para nos desprender do desordenado amor à terra [...]. Não nascemos para comer, beber e vestir-nos luxuosamente, mas para agradar a Deus e alcançar os bens eternos. E já que essas coisas devem ser secundárias no nosso empenho, sê-lo-ão também na nossa oração. (Homilias sobre São Mateus, 22, 3)

Mesmo ofendido, Deus continua a ser nosso Pai; mesmo irritado, continua a amar-nos como a filhos. Só uma coisa procura: não ter de castigar-nos pelas nossas ofensas, ver que nos convertemos e lhe pedimos perdão. (Homilias sobre São Mateus, 22, 5). 


Fonte: http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_joao_crisostomo_vida_e_obra.html.

domingo, 19 de maio de 2019

Luta Interior

Antologia de São João Crisóstomo


Luta Interior



Mal somos atingidos por uma doença corporal, não deixamos de tentar nada, até nos vermos livres da moléstia; estando, no entanto, a nossa alma doente, às vezes, tudo são vacilações e atrasos [...]: fazemos do necessário acessório, e do acessório necessário. Deixamos aberta a fonte dos males e desejamos secar os arroios. (Homilias sobre São Mateus, 14, 3)



O que quero é pedir-vos e suplicar-vos novamente que imiteis pelo menos as crianças pequenas na escola. Estas, antes de mais nada, aprendem a forma das letras; depois começam a distinguir as cursivas, e assim, passo a passo, chegam a aprender a ler. Façamos nós o mesmo: dividindo em partes a virtude, aprendamos primeiro a não imprecar, não perjurar, não maldizer; a seguir, passando à letra seguinte, a não invejar ninguém, a não amar os corpos, a não nos entregarmos à gula e a embriaguez, a não ser cruéis, a não ser indolentes. Depois, passando às letras espirituais, estudemos a continência, a mortificação do ventre, a castidade, a justiça, o desprezo da glória; sejamos modestos, contritos de coração, e, ligando essas virtudes umas às outras, escrevamo-las na nossa alma. Podemos exercitar todas essas coisas na nossa própria casa: com os amigos, com a mulher e com os filhos. Para já, comecemos com o mais simples, como, por exemplo, não deprecar. Estudemos constantemente esta letra na nossa própria casa. Sem dúvida, não nos faltarão em casa pessoas que venham perturbar este estudo: é o escravo que vos irrita; a mulher que, com o seu mau humor, vos tira do sério; e o menino que, com as suas travessuras e rebeldias, vos faz prorromper em ameaças e imprecações. Pois bem, se em casa, aguilhoados constantemente por todos estes, conseguirdes não ser arrastados a dizer imprecações, facilmente saireis indenes também em praça pública. Mais ainda: se em casa não insultares a tua mulher nem o teu escravo nem outro qualquer, conseguirás não insultar absolutamente ninguém. É verdade que a tua mulher muitas vezes se põe a louvar fulano e a chorar como uma desgraçada, e te dá assim razões suficientes para prorromperes em maldições contra o outro. Mas tu não te irrites nem maldigas o louvado, antes suporta tudo generosamente. Se ouvires os teus escravos louvarem igualmente outros senhores, também não te perturbes, mas permanece sempre sereno. Seja a tua casa um lugar de combate e adestramento na virtude. Bem exercitado em casa, sustentarás com muita destreza os combates em praça pública. (Homilias sobre São Mateus, 11, 8)

Não há nada, por fácil que seja, que a nossa tibieza não apresente como difícil e pesado; como nada há tampouco tão difícil e penoso que o nosso fervor e determinação não o torne fácil e leve. (Tratado sobre a compunção, 1, 5)

[As tentações] servem em primeiro lugar para que percebas que agora és mais forte. Depois, para que tenhas moderação e humildade, e não te empertigues pela grandeza dos dons recebidos, porque as tentações podem muito bem reprimir o teu orgulho. Além disso, a malícia do demônio, que talvez duvide de que realmente o abandonaste, pode pela prova das tentações ter plena certeza de que te afastaste dele definitivamente. Quarto motivo: as tentações tornam-te mais forte do que o ferro mais bem temperado. Quinto: dão-te a melhor prova de como são preciosos os tesouros que te foram confiados, porque, se o diabo não tivesse visto que agora estás constituído na mais alta honra, não te atacaria. (Homilias sobre São Mateus, 13, I)

O grave não é que aquele que luta, caia, mas que permaneça caído. O grave não é ser ferido na guerra, mas desesperar-se depois de receber o golpe e não cuidar da ferida.
Um mercador não deixa de navegar por ter sofrido naufrágio certa vez e perdido a carga. Retoma ao mar e desafia as ondas e atravessa os oceanos, e acaba por recuperar a sua riqueza. E assim vemos também muitos atletas que, depois de grandes quedas, conseguiram ser coroados; e muitas vezes aconteceu que um soldado, que primeiro havia dado as costas ao inimigo, depois voltou atrás e lutou como um valente e venceu o inimigo. Muitos, por fim, que negaram a Cristo forçados pela violência dos tormentos tornaram depois ao combate e saíram deste mundo cingindo a coroa do martírio. Se cada um destes se tivesse deixado tomar pelo desalento ao primeiro golpe, não teria alcançado os bens que alcançou mais tarde. Assim também tu, querido Teodoro, não deves precipitar-te a ti mesmo no abismo só porque te afastaste um pouco do teu estado. Não. Resiste valorosamente e retoma depois ao lugar de onde saíste, e não tenhas por desonra teres um dia recebido esse golpe. Se visses um soldado que retoma ferido da guerra não o considerarias desonrado; desonra é lançar fora as armas e deixar o campo de batalha. Mas enquanto a pessoa se mantiver firme no seu posto e se empenhar em combater, mesmo que seja ferida, mesmo que tenha de retroceder alguns passos, ninguém será tão insensato nem tão inexperiente nas coisas da guerra que se atreva a lançar-lho em rosto. Não ser ferido é próprio somente daqueles que não lutam; mas aqueles que se lançam com grande ímpeto contra o inimigo, é natural que vez por outra sejam atingidos por um golpe e caiam. Isto é o que te aconteceu agora: quiseste matar a serpente de um só golpe e foste mordido por ela. Mas, anima-te; com um pouco de vigilância, não ficará o menor rasto dessa ferida e até, com a graça de Deus, conseguirás esmagar a cabeça da serpente. (Exortação 2 a Teodoro, 1)

Quando falta a nossa cooperação, cessa também a ajuda divina. (Homilias sobre São Mateus, 50, 2)

Um chefe no campo de batalha estima mais o soldado que, depois de ter fugido, volta e ataca com ardor o inimigo, que o que nunca voltou as costas, mas também nunca realizou uma ação valorosa. (Comentário à primeira Carta aos Coríntios, 3)

Para que servem umas plantas que depressa florescem e pouco depois murcham? Não, o Senhor exige dos seus uma resistência constante. (Homilias sobre São Mateus, 33, 5)

As árvores que crescem em lugares sombreados e livres de ventos, enquanto externamente se desenvolvem com aspecto viçoso, tornam-se moles e quebradiças, e qualquer coisa as fere facilmente; ao contrário, as que vivem nos cumes dos montes mais altos, agitadas por muitos e fortes ventos, sempre expostas à intempérie e às inclemências, batidas por fortes tempestades e cobertas de neves constantes, tornam-se mais robustas que o ferro. (Homilia sobre a glória na tribulação).

Fonte: http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_joao_crisostomo_vida_e_obra.html.


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segunda-feira, 13 de maio de 2019

13 DE MAIO – FESTA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA









QUEM SE LEMBRA DE FÁTIMA?
O esquecimento sobre as aparições
No dia 13 de maio de 1995 ocorreu o 78o. aniversário da primeira aparição da Santíssima Virgem Maria em Fátima, Portugal, em 1917. Esse grande evento, manifestação realmente excepcional da Misericórdia divina, é agora deixado no mais profundo esquecimento e isso, precisamente, por culpa da hierarquia católica. Sobre o único sobrevivente dos três pequenos videntes1, Irmã Maria Lúcia do Coração Imaculado, mais conhecida sob o nome de irmã Lúcia (Lúcia dos Santos), paira o silêncio há vários anos. Enclausurada no Carmelo de Coimbra desde março de 1948, ela recebia periodicamente visitas autorizadas  das mais diversas personalidades eclesiásticas, de cardeais a simples pesquisadores sobre as aparições, assim como uma importante correspondência vinda de todos os cantos do mundo. Mas já a partir de 1954 (durante os três últimos anos do reinado de Pio XII) as visitas começaram a ser reduzidas pelas autoridades competentes, para terminar por serem completamente suprimidas a partir de 1960. Nesse ano estava prevista a leitura pública, pelo papa, do famoso “terceiro segredo” de Fátima, leitura que — como se sabe — não foi feita2. Ao contrário, a partir desse ano, Irmã Lúcia não pôde mais falar com ninguém sobre as aparições, nem mesmo por carta. Com exceção dos cardeais, aos quais não se aplicam as proibições da clausura, dos parentes mais próximos e benfeitores conhecidos das autoridades, ninguém pode se aproximar do parlatório do convento. As permissões de visita são dadas pelo prefeito da Congregação pela Doutrina da Fé, mas este (o Cardeal Ratzinger) há muitos anos não concede nenhuma.
Assim, foi imposto à Irmã Lúcia uma clausura dentro da clausura. É um fato surpreendente que, por si só, já dá uma idéia do ambiente no Vaticano. Aquela que, nesse século, pode testemunhar ter visto e ouvido a Santíssima Virgem Maria (e Nosso Senhor) é mantida num isolamento total, muito além das regras mais rígidas da clausura. Que o Vaticano tenha adotado a orientação de apagar e de fazer esquecer Fátima, resulta também do fato de que a obra científica fundamental e oficial sobre as aparições — os quatorze volumes do padre Alonso, nos quais esse pesquisador de valor recolheu, classificou e comentou 5396 documentos — essa obra esteja pronta desde 1976, mas sua publicação ainda não tenha sido autorizada pelas autoridades competentes3. Na realidade, a hierarquia parece não ter compreendido a importância da “mensagem de Fátima”. Senão os Papas teriam se empenhado com outro ardor em satisfazer os pedidos. Começando pelos atos de culto ordinário e extraordinário, pedidos repetidas vezes por Nossa Senhora e por Jesus em pessoa, nas visões e nas mensagens com as quais a Irmã Lúcia foi gratificada de 1917 à 1952 (pelo que sabemos). Nos referimos ao pedido de instituir a Comunhão reparadora dos cinco primeiros sábados do mês em honra do Imaculado Coração de Maria e de Lhe consagrar publicamente, explicitamente e solenemente a Rússia, em união manifesta de todos os bispos.
Pio XI e Pio XII não fizeram a verdadeira consagração da Rússia
Nenhum dos dois pedidos foram ouvidos. O primeiro não foi nem mesmo tomado em consideração. Para o segundo, houve consagrações, mas nenhuma válida, porque não estavam conformes às modalidades expressamente pedidas pelo Céu. Os dois pedidos estão, aliás, ligados, porque no segredo comunicado no dia 13 de julho de 1917, a Santíssima Virgem disse: “Para impedir isso [a guerra mundial que acabava de ser profetizada em punição pela infidelidade e malícia humanas] virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora dos primeiros sábados [do mês]. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá é terão paz. Se não, ela espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, meu Coração Imaculado triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia que se converterá e será concedido ao mundo algum tempo de paz“.
Essa consagração ao Imaculado Coração de Maria foi, depois, pedida numa visão, no convento de Tuy, na Espanha, no dia 13 de junho de 1929, e o Papa reinante Pio XI, foi certamente informado antes de agosto de 1931: “É chegado o momento em que Deus pede ao Santo Padre de fazer, em união com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia ao meu Coração Imaculado, prometendo salvá-la por esse meio“.
Trata-se de uma consagração solene, unicamente da Rússia, feita pelo Papa e simultaneamente pelos bispos de todo o mundo, consagração cujo fruto será a conversão da Rússia ao catolicismo. A Rússia, cismática e herética, comunista e atéia, não pode evidentemente se converter à verdadeira Fé (e pôr seu braço poderoso ao seu serviço) senão por uma intervenção divina explícita, na qual, entretanto, os homens (no caso o alto escalão da Igreja Católica) são chamados a participar — num ato solene — com a adesão plena e corajosa da sua inteligência e vontade.
Mas esse ato de consagração não deve, evidentemente, ser muito fácil de se fazer, pois até hoje os papas ainda não conseguiram fazê-lo! O medo das reações da Rússia e das outras potências desse mundo foi, até hoje, mais forte que o desejo de satisfazer ao pedido divino! E talvez esse pedido nunca tenha sido levado a sério, isto é, com a humildade e o zelo que a Fé exige. Depois de Pio XI, que não fez absolutamente nada, empenhado que estava num começo de tentativa — catastrófica — de abertura à União Soviética, houve de fato consagrações concernentes à Rússia, sob diversas modalidades, mas nunca respeitando a forma prescrita pela Santíssima Virgem. No dia 31 de outubro de 1942, Pio XII — numa rádio-mensagem dirigida à nação portuguesa — consagrava a Igreja e o mundo ao Imaculado Coração de Maria, com uma menção especial, mas muito discreta, da Rússia. Esse ato, entretanto, foi demonstrado completamente ineficaz para a conversão dessa nação por falta manifesta de algumas condições essenciais requeridas. A Santíssima Virgem Maria pediu de fato, expressamente, que a consagração tenha por objeto unicamente a Rússia, e a Irmã Lúcia, várias vezes chamou a atenção sobre esse ponto. Além disso, a consagração deve se fazer em união explícita com todos os bispos do mundo (e não somente com alguns). Nenhuma dessas duas condições essenciais foi realizada na ocasião da rádio-mensagem papal.
No dia 7 de julho de 1952, Pio XII, na sua carta apostólica Sacro vergente anno, dirigida aos povos da Rússia, efetuava uma consagração “de todos os povos da Rússia” ao Imaculado Coração de Maria para que, com a Sua ajuda, se realizasse “uma paz verdadeira, a concórdia fraterna e a liberdade que é devida a cada um”. Trata-se, pois, de uma consagração feita em termos vagos, na qual não se fala nem em reparação nem de conversão ao catolicismo, mas de paz, de concórdia e de liberdade em termos quase leigos: ainda mais, de uma consagração sem nenhuma solenidade. Não houve, realmente, uma ordem dada aos bispos do mundo inteiro de se unirem explicitamente ao Papa na consagração. Esse ato passou praticamente inadvertido e, além disso, que conversões foram produzidas? João XXIII, muito empenhado na Ostpolitik, nada fez. Paulo VI, referindo-se aos atos de Pio XII, limitou-se em consagrar à Maria Imaculada “toda a família humana”, no seu discurso de clausura da sessão conciliar, no dia 26 de novembro de 1964. Em relação à mensagem de Fátima, esse papa guarda sempre um desapego cético, como alto prelado refinado, “aberto ao mundo”, que ele era. Esteve em Portugal na ocasião do Jubileu das aparições (em 13 de maio de 67), mas limitou sua visita a um só dia, não foi no lugar das aparições, não deu à Irmã Lúcia — que tinha sido convocada à tribuna papal — a audiência privada que ela desejava. Segundo Jean Guitton, eis o seu julgamento sobre a vidente: “… uma moça muito simples! Ela é uma camponesa sem complicação. O povo queria vê-la e eu lhas mostrei“.
João Paulo II continua pelo mesmo caminho
O papa atual [N. da P., o autor refere-se ao papa João Paulo II, então reinante] só mostrou um certo interesse por Fátima depois do conhecido atentado que sofreu no dia 13 de maio de 1981. Cerca de um mês mais tarde confiou a “família humana” inteira à proteção da Bem-aventurada Virgem. Mas a Irmã Lúcia continuava a sustentar, nas suas raras entrevistas com autoridades eclesiásticas, que as consagrações de Pio XII não eram válidas do ponto de vista da conversão da Rússia (conversão da qual não se via nenhum traço). João Paulo II fez, assim, novas consagrações, sob a forma de um “ato de oferenda” do mundo (e mentalmente ‘ da Rússia também) a Deus, por intermédio do Imaculado Coração de Maria, em união puramente espiritual com “todos os pastores da Igreja” que, no entanto, por seu lado, não consagraram coisa nenhuma. Esse ato foi repetido dia 16 de outubro de 1983 e, em face dos protestos dos católicos, no dia 25 de março de 1984 em Roma. Mas esses três “atos” devem ser considerados como totalmente inválidos no que concerne à conversão desejada da Rússia, por causa da falta das condições pedidas pela Santíssima Virgem Maria. Com efeito, eles deveriam referir-se somente à Rússia (que, ao contrário, nem mesmo foi citada) e serem realizados simultaneamente por todos os bispos do mundo. Em seguida, diante das novas tentativas de alguns especialistas em Fátima (com o padre Caillon em primeiro lugar), de obter uma consagração da Rússia conforme ao pedido divino, o papa e as autoridades eclesiásticas reagiram incomodados, afirmando que já se havia feito (e mais de uma vez) o necessário. A questão devia ser considerada como terminada. Em 1989 fizeram circular declarações e cartas (datilografadas) atribuídas à Irmã Lúcia, nas quais se afirmava que o ato de oferenda de 1984 correspondia ao pedido por Nossa Senhora. Mas nessas cartas estava dito que o ato de oferenda do papa tinha satisfeito o pedido de Nossa Senhora de lhe consagrar o “mundo”, enquanto que todo mundo sabe que a Irmã Lúcia sempre disse que a Santíssima Virgem lhe falou somente da Rússia e nunca falou do mundo. A autenticidade dessas declarações, assim, parece duvidosa. Procurou-se, depois, criar a opinião que os transtornos do leste da Europa e a crise do comunismo demonstravam que o ato de oferenda de João Paulo II produziu seus frutos: a Rússia começaria a se converter. Nossa Senhora, no entanto, não pediu a conversão da Rússia à liberdade de consciência ou à democracia, mas sim ao catolicismo. Ora, dessa conversão ao catolicismo (a única que conta) não se vê sinal na Rússia de hoje que gosta de se definir como “pós-comunista”. O Vaticano afirma que a questão está encerrada. Onze anos se passaram depois do ato de oferenda do papa; a Rússia se converteu? Categoricamente, a resposta é: Não. O que vemos na Rússia atual? Uma desordem moral espantosa, talvez mesmo pior que a que aflige o Ocidente há vários anos. O hedonismo e o materialismo os mais ativos, se expandem, numa orgia de seitas e falsas religiões, de neopaganismo bárbaro e decadente.
Os católicos russo-ucranianos (os uniatas), foram completamente abandonados, em homenagem à política do “diálogo” com os ortodoxos e o poder político local. Em vez de se expandir, o catolicismo na Rússia sofreu, ao contrário, uma nova perseguição! Podemos então continuar a afirmar que os “atos de oferenda” do papa conduzem a Rússia para a verdadeira Fé? Que foram atos conformes à vontade divina? Os fatos demonstram que o papa não satisfez os pedidos da Santíssima Virgem Maria.
Uma terrível advertência!
Quando o céu ordena, o homem nada pode fazer conforme o seu parecer. Ele deve, ao contrário, seguir o exemplo de Naaman, o Sírio, que se deixou convencer em entrar sete vezes nas águas do Jordão para curar a lepra, obedecendo assim literalmente ao que lhe tinha ordenado o profeta Eliseu, apesar da coisa lhe parecer, no momento, absurda, ofensiva e mesmo ridícula (2o. Livro dos Reis). Curar-se da lepra apenas com sete imersões consecutivas nas águas de um rio! E, no entanto, isso acontece justamente porque a onipotência divina é capaz disso e de qualquer outra coisa. Os papas citados acima não tiveram, evidentemente, a Fé de Naaman. Não creram que, de um simples ato de consagração, pudesse decorrer, pela vontade divina, um evento imenso, de porte histórico decisivo, tal como a conversão da Rússia ao catolicismo.
Mas, então, a consagração da Rússia se fará? Os papas continuarão a ignorar os pedidos divinos? Não. A consagração será feita, mas tarde. E o que profetizou Nosso Senhor à vidente, repetindo o que a Santíssima Virgem Maria tinha dito em Fátima, numa visão que remonta à 1931, em Rianjo, na Espanha, diante da atitude passiva de Pio XI: “Dê a conhecer a meus ministros, dado que eles seguem o exemplo do Rei de França, atrasando a execução de meu pedido, que continuarão na infelicidade. Nunca será tarde demais para recorrer à Jesus e a Maria… Como o Rei de França, eles se arrependerão e o farão, mas será tarde…”.
A referência ao rei de França concerne à visão de santa Margarida Maria Alacoque, que a transmitiu a Luís XIV em 1689, de consagrar explicitamente a França ao Sagrado Coração de Jesus; mas nem o rei de França, nem seus sucessores responderam a esse pedido, com exceção de Luís XVI, que fez a consagração quando já era “tarde”, isto é, quando a monarquia já tinha sido abatida e ele encontrava-se prisioneiro no Templo, na véspera da sua execução. Segundo a profecia, deveria acontecer aos papas alguma coisa parecida, por causa da sua negligência e da sua obstinação: um papa fará finalmente a consagração, levado pelas circunstâncias gravíssimas, situação que se pode imaginar de extremo perigo para a Igreja. Sobre o papado flutua, ex voce Christi, mesmo se expressa numa revelação privada, a profecia de um castigo severo por causa da desobediência e da sua falta de Fé repetidas vezes, profecia cuja realização pode naturalmente tornar-se inútil por uma mudança de sentimento e de conduta dos destinatários, do momento que Deus nos deixa o uso do nosso livre arbítrio. Profecia terrível, na qual não foi dita, no entanto, “tarde demais”, mas “tarde”, deixando assim entendido que, depois desse ato tardio, haverá para a Igreja o renascimento. Nenhum papa depois de Pio XII pareceu inquietar-se com essa terrível advertência, talvez porque a profecia e praticamente todo o conjunto da mensagem de Fátima sejam, de fato, consideradas como divagações da reclusa de Coimbra.
A questão do terceiro segredo
A omissão, por uma recusa obstinada e constante, perdurou em seguida de maneira mais grave em relação à divulgação do terceiro segredode Fátima. Por esse nome entende-se, como se sabe, a terceira parte do segredo comunicado aos três videntes na sexta-feira, 13 de julho de 1917, segredo divulgado depois gradualmente no decorrer dos anos seguintes, por Irmã Lúcia (com exceção do terceiro segredo). Osegredo (que os videntes disseram ter recebido, sem no entanto nada revelar, não obstante as pressões, intimidações ou ameaças) é, na realidade, um todo coerente. Ele contém “três coisas”: a visão do inferno; a proclamação da vontade de Deus de estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria para salvá-lo do castigo da II guerra mundial (profetizada com extrema clareza), devoção cujas manifestações deveriam ser a prática da comunhão reparadora dos cinco primeiros sábados do mês e a consagração da Rússia, a qual nos referimos mais acima. Na segunda parte do segredo, Nossa Senhora, depois de ter dito que a I guerra mundial acabaria em breve, parece vincular a eclosão da II guerra mundial à falta de conversão da Rússia. Enfim, há a terceira parte ou o “terceiro segredo”, posto por escrito pela vidente em janeiro de 1944 numa página de caderno que foi enviada dentro de um envelope fechado, no dia 17 de maio de 1944, para o bispo de Leiria (que não quis ler) e transmitido a Roma, dia 16 de abril de 1957. Pio XII também não quis lê-lo. Segundo as indicações da Irmã Lúcia, a publicação do segredo deveria ter sido feita em 1960. A vidente sempre deu a compreender que essa parte do segredo de Fátima não podia, por causa do seu conteúdo, ser do domínio público como as duas outras: quanto à sua divulgação, ela a confiava às autoridades eclesiásticas superiores e não à simples ordem do seu confessor. Os papas que leram o 3o. segredo e que são responsáveis da sua não difusão são: João XXIII, Paulo VI e o papa atual, João Paulo II. O terceiro segredo começa quase com certeza, com a última frase do texto no qual Irmã Lúcia nos fez conhecer as duas outras partes da mensagem de Fátima. E essa frase é: “em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé etc”. A presença do “etc” demonstra que Irmã Lúcia quis dar a entender que a frase em questão não é uma profecia isolada dirigida exclusivamente a Portugal. (o que alguns tentaram sustentar), mas o início de um anúncio sobre a manutenção do dogma da Fé nas nações cristãs. O terceiro segredo concerne, segundo todas as probabilidades, à manutenção do depósito da Fé, o que quer dizer que seu objeto específico é a Santa Igreja. É muito provável que nele estejam sinteticamente profetizados os graves transtornos que o catolicismo viria sofrer, por causa da hierarquia impregnada de modernismo, “estuário de todas heresias”, a partir do Concílio Vaticano II. A traição da Fé por culpa de pastores, escravos da heresia, é certamente antecipada no terceiro segredo: é por isso que a Igreja oficial atual, que é a Igreja na qual esses pastores detém as alavancas do poder, evita torná-lo público e tudo faz para deixá-lo cair no esquecimento. Não se trata pois do fim do mundo, como se procuro insinuar, embora não se possa excluir à priori que sejam anunciados também castigos materiais (aliás já claramente previstos na segunda parte da mensagem de Fátima). O terceiro segredo concerne à Igreja, à dolorosa obscuridade da Fé da qual somos testemunhas cada vez mais horrorizadas. Podemos também deduzir que seja assim pelo que disse o papa atual à Irmã Lúcia no seu breve encontro de 13 de maior de 1982, e que ela relatou ao cardeal Oddi em 1985: que não era oportuno divulgar o segredo porque o mundo “não o compreenderia”. Ou, como disse o cardeal Ratzinger ao jornalista Messori, que não era oportuno divulgá-lo porque se exporia “ao perigo de utilizarem o seu conteúdo com sensacionalismo”. Se se tratasse do fim do mundo, o público não compreenderia? Ele compreenderia, e como! E o que poderia haver no segredo que, não somente faça sensação, mas seja difícil de compreender pelos fiéis, se não a revelação ex voce divina, sancionada por um papa que clamará ao mundo quando fizer uma leitura pública do famoso texto, que a Igreja oficial atual é uma Igreja apóstata da verdade católica, dessa verdade proclamada e defendida durante dezenove séculos? 
Será que os fiéis não deveriam já ter percebido isso há muito tempo? O que eles pensam de uma Igreja que, no lugar do culto de Deus, pratica o culto do homem e da mulher, que tirou a Santíssima Trindade da Santa Missa, dos seus discursos e dos pensamentos dos fiéis; que afirma crer em um “Deus único” idêntico para todas as religiões, inclusive as mais hostis ao Cristianismo; que não fala mais do pecado original, nem da imortalidade da alma, nem do Julgamento particular e, finalmente, nem do Paraíso; que deixa crer que o inferno está vazio; que, quando é constrangida a lembrar, no Novo Catecismo, as verdades tradicionais do catolicismo, o faz apresentando-as comoopiniões (subjetivas) da tradição da Igreja e não como verdades (objetivas) em si e por si; que instituiu um Novus Ordo Missae considerado como aceitável  pelos protestantes, quer dizer, por heréticos; que passa sempre sob silêncio a natureza divina de Cristo, porque se a proclamasse, como é seu dever, desapareceria rapidamente o que chamam “diálogo”; que afirma que Jesus já salvou todo o mundo, morrendo sobre a Cruz, mesmo aqueles que não crêem que Ele é o Filho de Deus; que não considera mais a conversão do mundo a Cristo como seu dever fundamental, porque tentar converter seria uma violência à “liberdade de consciência” dos adeptos das outras religiões; que abraçou em tudo e por tudo os métodos e os conceitos e, assim, os erros da teologia protestante; que honra os “mártires” dos heréticos e elimina os seus próprios do calendário; que trabalha incansavelmente a unificar o catolicismo com todas as outras religiões e seitas, dissolvendo-o, assim, no abraço do falso ecumenismo; que fala somente, e de maneira inoportuna, dos problemas desse mundo, políticos em particular, e nunca da vida Eterna; para a qual no lugar do catolicismo inventou-se um humanismo deísta, parecido ao dos maçons, o qual, em nome de um igualitarismo abstrato e verbal, fomenta o espírito de rebelião e o ódio por toda autoridade legítima, incitando grupos sociais inteiros a esperança messiânicas completamente anticristãs?
Poderíamos continuar. Poderíamos encher páginas com a lista das infidelidades e traições cometidas pelos homens atuais da Igreja. Não todos, certamente, apesar de ser verdadeiro o provérbio: Quem cala consente. E que acabam tornando-se cúmplices, mesmo sem querer. Será que não há, em toda a Igreja Católica, um só bispo ou cardeal, capaz de elevar-se contra a moda dominante, para defender em alta voz o dogma da Fé? Além do mais, a Irmã Lúcia, no que seria sua última entrevista, o seu famoso encontro com o padre Fuentes, de 26 de dezembro de 1957, tinha já denunciado a surdez espiritual crescente e o início da perda da Fé: “Padre, a Santíssima Virgem está muito triste porque ninguém faz caso de Sua mensagem, nem os bons nem os maus. Os bons continuam seu caminho, mas sem se preocupar da mensagem. Os maus, visto que o castigo de Deus não os fere no momento, continuam sua vida de pecado sem fazerem caso da mensagem. Mas, creia-me padre, Deus vai castigar o mundo e o fará de uma maneira terrível [estávamos na véspera do Concílio Vaticano II, que representou para a Igreja — segundo Congar — o que os États Generaux representaram para a Revolução Francesa]. Diga-lhes [ao bispo de Leiria e a Pio XII que não quiseram ler o terceiro segredo] que a Santíssima Virgem disse várias vezes, a meus primos Francisco e Jacinta e a mim, que muitas nações desaparecerão da face da terra, que a Rússia será o instrumento da punição do Céu em relação ao mundo inteiro, se não conseguirmos obter antes, a conversão dessa pobre nação (…) Padre, o diabo vai começar uma batalha terrível contra a Virgem, e como ele sabe o modo de ofender mais a Deus e perverter em pouco tempo o maior número de almas, ele faz tudo para ganhas as almas das pessoas consagradas a Deus (…). Padre, não esperamos que venha de Roma um apelo à penitência da parte do Santo Padre para o mundo inteiro. Nem esperemos tampouco que venha dos nossos bispos um apelo das suas dioceses respectivas, nem das congregações religiosas. Não, Nosso Senhor já utilizou muitas vezes esses meios e o mundo os ignorou. É por isso que, agora, é necessário que cada um de nós comece em si mesmo a sua própria reforma espiritual. Cada um deverá salvar não somente sua alma, mas também todas as almas que Deus colocou no seu caminho“.
E os meios para realizar a “reforma espiritual” para nós e para os outros são os verdadeiros instrumentos católicos para a salvação das almas, isto é, “a oração e o sacrifício”, “o santo Rosário” e a “devoção ao Imaculado Coração de Maria”.
Jamais exprimiremos o suficiente a nossa admiração e gratidão pela Irmã Lúcia, essa figura exemplar de religiosa, exemplo perfeito, pela graça de Deus, de virtude cristã, simples, humilde e devota, que resiste e persevera até o fim, no silêncio hostil que a cerca, para levar a seu termo a missão que Nosso Senhor lhe confiou há tantos anos. 
Ela é para nós um modelo no combate que devemos levar todos os dias contra nós mesmos e contra o mundo. Seu sofrimento, sua luta intrépida pela defesa e o triunfo do dogma da Fé, nos são de grande ajuda e reconforto, cercados como estamos pelas trevas que parecem se espessar sempre mais, enquanto a tempestade se levanta na Igreja a cada dia que passa. A carmelita de Coimbra nos lembra que, apesar das aparências, Deus não nos abandonou, que devemos permanecer sempre sólidos na Fé porque “no fim“, depois das provas que só Deus conhece, o Imaculado Coração de Maria “triunfará“.
Aemilianus
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1.[N. da P] Irmã Lúcia faleceu no dia 13 de fevereiro de 2005, cerca de 9 anos após a publicação deste artigo.
2.[N. da P] No dia 26 de janeiro de 2000, numa conferência de imprensa, foi apresentado um texto que, segundo o Vaticano corresponderia à totalidade do “terceiro segredo”. Por todo mundo, uma onda de ceticismo se formou. Leia nossos comentários nesse site.
3.[N. da P] A obra monumental do padre Alonso, fruto de um labor de 10 anos e considerada de grande valor por quem o leu, teve sua publicação suspensa em 1976 por ordem do bispo de Fátima, Mons. D. Alberto Cosme do Amaral. Anos depois, 2 dos 24 volumes viriam a ser publicados, assim mesmo em edições alteradas. Qual seria o conteúdo desses documentos e o que teria o padre Alonso concluído das suas pesquisas? Podemos apenas adivinhar com base em alguns trechos de artigos publicados pelo mesmo em periódicos. A citação abaixo, que tiramos do artigo “Crônica de um Encobrimento”, publicado no site da Associação de Fátima, reforça a idéia de que o conteúdo do Terceiro Segredo se referiria a onda de apostasia do após Concílio Vaticano II: “No período que precede o grande triunfo do Coração Imaculado de Maria, sucederão coisas tremendas que são objecto da terceira parte do Segredo. Que coisas serão essas? Se ’em Portugal, se conservará sempre o dogma da Fé, …’ pode claramente deduzir-se destas palavras que, em outros lugares da Igreja, estes dogmas vão tornar-se obscuros ou chegarão mesmo a perder-se …”; “Seria, então, de toda a probabilidade que, nesse período ‘intermédio’ a que nos estamos a referir (depois de 1960 e antes do triunfo do Imaculado Coração de Maria), o texto (do Terceiro Segredo) faça referências concretas à crise da Fé na Igreja e à negligência dos Seus próprios Pastores.” O Padre Alonso fala ainda de “lutas intestinas no seio da própria Igreja e de graves negligências pastorais por parte das altas hierarcas” e, mesmo, de “deficiências na alta Hierarquia da Igreja…”; “Falaria o texto original (e inédito) de circunstâncias concretas? É muito possível que não só fale de uma verdadeira ‘crise de fé’ na Igreja durante este período intermédio, mas ainda, como acontece com o segredo de La Salette, por exemplo, que haja referências mais concretas às lutas internas dos católicos ou às deficiências de sacerdotes e religiosos. Talvez se refira, inclusivamente, às próprias deficiências da alta Hierarquia da Igreja.” “Por isso, nada disto é alheio a outros comunicados que a Irmã Lúcia tenha feito sobre este assunto.”. Significativamente, a Irmã Lúcia nunca corrigiu estas conclusões do Padre Alonso – quando nunca hesitou em corrigir outras declarações de clérigos e de vários autores sobre Fátima, sempre que estavam enganados. Ora o Padre Alonso teve acesso tanto aos documentos como à própria Irmã Lúcia. Assim, o seu testemunho é de importância capital.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

VIRGEM MARIA BUSCOU O MENINO DURANTE A NOITE



Vocês todos sabem o que é o escapulário de Nossa Senhora do Carmo. Se não souberem perguntem à mamãe. Quem recebe esse escapulário e traz consigo devotamente, vai para o Céu. Foi Nossa Senhora mesma quem o prometeu. Em lugar do escapulário também pode-se trazer uma medalha que tenha um lado a imagem do S. Coração de Jesus e no outro a do Puríssimo Coração de Maria. (Outro nome, para escapulário, é bentinho).
Quem de vocês ainda, por acaso, não tenha recebido do Sacerdote o escapulário, procure quanto antes consegui-lo, e depois trazê-lo sempre com respeito e amor.
Um exemplo de um menino que não quis dormir sem o escapulário.
O Padre Reitor de um colégio, fazendo, certa noite, a visita aos dormitórios, encontrou um aluno, de joelhos, ao pé da cama, enquanto os outros já estavam dormindo. O menino entregara seu escapulário ao porteiro, que era também alfaiate, para emendar as fitas. Não queria deitar-se, com o receio de morrer durante a noite.
– Faça um ato de contrição e deita-se: amanhã o bentinho ser-lhe-á entregue, disse o Padre Reitor.
– Não posso deitar-me sem meu escapulário, respondeu o bom menino.
Vendo isso, o Padre foi buscar o bentinho e lho entregou. Satisfeito, adormeceu logo cheio de alegria.
Na manhã seguinte, na hora de levantar, o menino ficou na cama. O Padre quis acorda-lo, mas em vão. Estava  morto.
Com um angélico sorriso nos lábios, apertava nas mãos o escapulário.
Maria Santíssima viera buscar o piedoso menino para premia-lo no Céu.
Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri

quarta-feira, 8 de maio de 2019

DA BONDADE PARA COM OS IGUAIS E OS INFERIORES



Pai da revolta contra a autoridade, o orgulho também cria, para com os iguais, a dureza de cora­ção, e o desprezo para com os inferiores.
Se nada há mais nobre do que sacrificar-se a si próprio, com seus gostos e interesses, por dedicação para com o próximo, nada há mais vil do que tudo querer para si. Uma mãe cristã, atenta a formar em seus filhos uma grande bondade de coração, e em destruir neles o egoismo, falar-lhes-á muitas vezes daquele que, por amor dos homens, se aniqui­lou a ponto de tomar a forma de escravo, e até de morrer sobre uma cruz. Far-lhes-á contrair o cos­tume de fazerem às outras crianças todos os servi­ços que lhes poderem fazer, e sobretudo de terem um terno amor para com seus irmãos e irmãs.
Que encantador espectáculo não oferece uma família, cujos membros são todos unidos por laços duma forte e constante caridade! … E, por outro lado, nada há mais triste, do que encontrar irmãos armados, quase desde a infância, uns contra os outros, inimigos até à morte, nunca se vendo, ou vendo-se com visível desgosto? Atualmente é isso um espec­táculo vulgar. E não é verdade poder dizer-se espe­cialmente hoje este provérbio tão conhecido: É raro que a concórdia reine entre os irmãos? E essa desordem, as mais das vezes, é fruto da negli­gência da mãe, que não teve cuidado de repetir muitas vezes a seu filhos, com o Apóstolo da cari­dade:—«Meus filhos, amai-vos uns aos outros, porque é esse o preceito do Senhor!»
Lemos na vida da Senhora Acarie que exortava seus filhos a serem amigos uns dos outros, e lhes contava muitas vezes as vantagens da concórdia e as conseqüências funestas da desinteligência:—«É preciso sempre ceder, lhes dizia, exceto quando a honra de Deus exige que se resista. Quem cede, ganha sempre a vitória contra o seu adversário.» Os seus filhos mais novos, diz Doval, vinham todas as noites contar-lhe os seus sentimentos, e se tinham tido disputas uns com os outros, como de ordinário lhes acontecia, pediam perdão uns aos outros, e abraçavam-se diante de sua mãe. — Todas as manhãs os filhos da senhora de Ghantal se abraçavam, e estes sinais exteriores de afeição servem muitas vezes, para entreterem a união dos corações, con­tanto que haja grande cuidado em evitar amizades particulares, e familiaridades muito ternas.
«Fazei compreender às crianças, diz Fénelon, que é um erro brutal acreditar que haja homens nascidos para lisonjear a preguiça e o orgulho dos outros; e sendo o serviço dos criados estabelecido contra a igualdade natural dos homens, deve-se suavizá-lo, tanto quanto possível.» A senhora Acarie exigia que seus filhos falassem aos criados com doçura e polidez, recomendando-lhes que lhes não obedecessem, quando assim o não fizessem. De forma que nunca diziam a um criado: «Faze isto, ou faze aquilo.» Eram obrigados a dizer: «Faça o favor de fazer isto.» Doutra forma o criado tinha ordem de não obedecer.
Os pobres e os doentes, esses membros pacien­tes de Jesus Cristo, merecem também nossos respeitos e nosso amor.
Como acusam negligência ou pouca fé de sua mãe essas crianças, que se encontram nas aldeias, ou mesmo nas ruas duma cidade, a correrem atrás dos desgraçados cobertos de andrajos, muitas vezes para os apedrejarem ou encherem de sarcasmos e insultos!
Longe de desviar seus filhos dos horríveis espetáculos da miséria, da dor e mesmo da agonia, a senhora de Chantal queria que eles a acompanhassem nas visitas que fazia aos pobres. Um le­vava o pão, outro os remédios, outro o dinheiro. Era a recompensa que lhes dava, quando eles ti­nham cumprido a sua obrigação ou dado provas de obediência. O maior castigo que lhes podia dar, era obrigá-los a ficar em casa, à hora em que ia visitar os seus pobres. Era assim, por esta meiga intimidade com os desgraçados, e contraída desde a infância que a senhora de Chantal desenvolvia na alma de seus filhos a unção do coração, e fazia jorrar essas fontes profundas de sensibilidade que parecem ter desaparecido dos nossos dias, porque as crianças são educadas na vaidade que seca, em vez de serem criadas na caridade que enternece» (Abade Bougaud).
«Quando eu era criança, escreve o historiador de Santa Catarina de Sena, minha mãe colocava-me sobre os joelhos, para derramar no meu coração as verdades cristãs. Insistia sobre a caridade, e dizia-me: «É preciso sempre ver na pessoa do pobre a pessoa adorável de Nosso Senhor Jesus Cristo.» E por isso com que respeito nós levávamos aos pobres um pedaço de pão ou uma pequena moeda de cobre! Era a grande recompensa da semana. Quem de entre nós melhor se tivesse comportado, e que melhor tivesse sabido as suas lições, tinha a honra de distribuir as pequenas esmolas, e acompanhar a sua mãe às cabanas da aldeia. Quando tínhamos muito desejo dum brinquedo, há muito tempo pro­metido, dizia-nos a mãe: — «E se nós déssemos esse dinheiro aos pobres?» E o sacrifício era feito de boa vontade.
«Íamos ordinariamente sentar-nos num banco de pedra, que estava em frente da casa, à beira da estrada, e na nossa infantil crença, olnavamos, se os rostos pálidos dos pobres se pareciam com o crucifixo de marfim que estava no quarto da mãe, e os nossos olhares perscrutadores, seguiam-nos através dos atalhos das nossas montanhas. Todos os dias visitávamos uma santa mulher, maior ainda pelo coração que pelo espírito, que abrira o seu castelo aos pobres; uma criada velha, chamada Serafina, era a encarregada dessa nobre hospitalidade. Nunca deixamos de lhe ir oferecer os nossos serviços para lhe fazermos preguntas acerca das aventuras dos seus hóspedes tão veneráveis, para nossos corações. Como poderia eu esquecer estas gratas recordações duma infância cristã?
Lamartine, o inolvidável poeta, escreveu de sua mãe: «Via-a muitas vezes sentada, de pé ou de joe­lhos junto da enxerga do pobre, ou nesses antros miseráveis, onde dormem os proletários, enxugar com suas próprias mãos o suor frio dos pobres moribundos, agasalhá-los com os seus próprios co­bertores, recitar-lhes as orações dos últimos momentos, e esperar pacientemente horas inteiras que a sua alma deixasse a mansão do mundo, ao som da sua meiga voz.» Não há efetivamente obra mais caridosa, e zelo mais importante, como assistir cristãmente aos moribundos.
A Mãe segundo a vontade de Deus – Pe. J. Berthier, M.S

terça-feira, 7 de maio de 2019

Então é importante saber escolher um bom confessor? ESCOLHA IMPORTANTÍSSIMA



DISCÍPULO — Padre, estou admirado com tantas coisas bonitas que ouvi até agora sobre a confissão, porém, para dizer a verdade, de minha parte, apesar de me confessar freqüentemente há já alguns anos, quase não percebi esses efeitos admiráveis e extraordinários.
MESTRE — E você quer saber por quê? Porque aqui, como em qualquer outro trabalho, há modos diferentes de fazer as coisas. Isto é, não basta confessar-se com freqüência, de qualquer jeito e com qualquer confessor, é preciso escolher um verdadeiro pai e confessar-se com ele humilde e devotamente, comportando-se como verdadeiros filhos.
DISCÍPULO — Então é importante saber escolher um bom confessor?
MESTRE — É importantíssimo! Assim como, para os nossos negócios, nós escolhemos pessoas de maior confiança, assim também é preciso fazer quando se trata da escolha de um confessor; a ele devemos confiar a santificação e a salvação de nossa alma, o que é bem mais importante do que os outros interesses.
D.Bosco conta como foi bom para ele o ter encontrado quando moço, na pessoa de D. Calosso, o seu primeiro Diretor espiritual, e nas suas Memórias escreve: “Cada palavra, cada pensamento, cada ação, era-lhe prontamente referida… Desse modo, ele podia guiar-me com fundamento no caminho do temporal e do espiritual, e eu conheci então o que significa um verdadeiro guia estável, um fiel amigo da alma”.
DISCÍPULO — Padre, os que vão à procura de um confessor indulgente procedem mal?
MESTRE — Muito mal! Agem ainda pior do que os doentes que procuram um médico caridoso, ou melhor, cruel, que os engane. Você se lembra daquele infeliz que anda pelo inferno gritando: “Eu estou condenado por não ter deixado a ocasião de pecado, e este que me carrega nas costas é o meu confessor, que me absolvia apesar de eu ser indigno?”
DISCÍPULO — Lembro-me muito bem! O senhor não quererá dizer com isso, que não se possa trocar de confessor?!
MESTRE — Apesar de ser coisa excelente e muito aconselhável ter-se um confessor fixo, digo-lhe todavia:
1) Que não importa se o trocarmos cada vez que as circunstâncias o exigem;
2) Que convém trocá-lo de vez em quando, por ocasião de exercícios, missões, e outras festas como estas;
3) Que devemos trocá-lo quando Jesus nos mostrar ser essa a sua divina vontade;
4) Antes trocá-lo cem vezes do que cometer um sacrilégio, ou por medo, ou por vergonha, ou por qual outro motivo.
DISCÍPULO — Padre, a escolha do confessor é livre?
MESTRE — É das mais livres, mas deve ser a mais ajuizada. Só um santo pode formar santos. Achado o padre, ou seja, o confessor que nos convém, devemos abrir-lhe de par em par todas as portas do nosso coração, para que nos possa conhecer bem e, pouco a pouco, cortar e extirpar com seus conselhos ou proibições, tudo o que houver de ruim na nossa alma. Tal trabalho, porém, seria impossível, sem a máxima confiança e docilidade.
Para o conseguirmos são necessárias três coisas:
1) Viva fé em quem o confessor representa, ou pensar e crer que representa o próprio Jesus;
2) Grande pureza de intenção, ou seja, não ter outro desejo senão o de se santificar;
3) Vontade sincera de se emendar, e isto, mesmo à custa de sacrifícios.
DISCÍPULO — Padre, tenha a bondade de me explicar estas coisas, uma de cada vez. Antes de tudo, quem é o confessor?
MESTRE — O confessor é o homem externo e visível sob o qual Jesus se oculta. É o instrumento divino, pelo qual Deus quer dar-nos o seu perdão, fazer-nos ouvir os seus conselhos e conhecer as suas proibições. É como uma ponte de ouro pela qual nós vemos a Jesus e Ele vem a nós.
DISCÍPULO — Então, Padre, não é só na pessoa do confessor que devemos reparar?
MESTRE — Assim como, quando recebemos a água nem sequer pensamos no tubo ou no canal que a traz da colina ou da montanha, assim também não devemos reparar na pessoa do confessor, no “homem”, mas em Jesus, que é o único de quem esperamos a nossa santificação.
Um dia, perguntou-se a alguém: “Quê diferença há entre Jesus e o teu confessor?”
— Nenhuma, respondeu sem hesitação.
E disse bem, porque o mesmo Jesus, que, para que o possamos comer na Comunhão, se veste com as espécies sacramentais da hóstia, toma a forma do nosso confessor para se tornar nosso médico.
DISCÍPULO — Isso quer dizer, Padre, que, como não reparamos na espécie do pão quando recebemos a Comunhão, mas pensamos unicamente em Jesus, devemos pensar só em Jesus oculto no sacerdote, quando nos confessamos?
MESTRE — Isso mesmo!
DISCÍPULO — E agora, por favor, o quê quer dizer: pureza de intenção?
MESTRE — Quer dizer que, quando nos vamos confessar não devemos pensar senão no bem de nossa própria alma. Devemos pois suprimir toda e qualquer idéia de vaidade, de interesse material, todo e qualquer medo do que o confessor, possa pensar ou julgar de nós. O confessor, que representa Jesus Cristo, nunca deixará de nos estimar, nunca ficará mal humorado, seja qual for a confidência que se lhe fizer: Pelo contrário, a sua estima, e seu interesse, serão sempre maiores por aquele que, animado por maior boa vontade, usar de maior sinceridade e simplicidade nas coisas mais humilhantes.
DISCÍPULO — Acho que isso é natural. O confessor é como o médico, que cura com mais amor os doentes que conhece melhor, e os que têm nele maior confiança. Finalmente, o que significa vontade sincera e instante, Padre?
MESTRE — Significa que não devemos proceder como as crianças inexperientes e caprichosas, que querem e não querem, mas devemos absolutamente querer emendar-nos. Não possuem essa vontade os que, com palavras querem tornar-se bons e santos, mas não querem que isso lhes custe esforços e fadigas, aqueles que, só de pensar em mudar de vida, sentem-se aborrecidos e não querem ouvir toda a verdade.
DISCÍPULO — Esses são como os doentes que não querem ouvir falar de cortes quando a sua doença já é gangrena, não é, Padre?
MESTRE — Justamente! E por falar em doentes ouça o que eu vou contar:
Um senhor meio caprichoso caiu gravemente enfermo. O médico chegou, e depois de tomar o pulso disse ao doente:
— Meu amigo, a febre é valente; preciso tirar-lhe um pouco de sangue.
— Tirar sangue? Eu queria mais é injetá-lo nas veias e o senhor fala em tirá-lo?
— Então, tome um purgante.
— Um purgante? Isso nunca! Eu não quero estragar o meu estômago.
— Nesse caso faça uma dieta rigorosa.
— Qual dieta, qual nada! Eu preciso é de me fortificar e não de me enfraquecer.
— Feche aquela janela, um golpe de ar seria o suficiente para mandá-lo para o outro mundo.
— Mas doutor, o senhor quer fazer-me morrer asfixiado?
“Não! não…” Que me diz desse doente?
DISCÍPULO — Digo que é louco e que quer morrer.
MESTRE — Pois bem! Assim como para sarar é preciso confiar na experiência e decisão do médico, assim também, para nos emendarmos e nos santificarmos, é indispensável que nos abandonemos nas mãos de um bom confessor; e devemos nos comportar com ele com a máxima confiança e docilidade.
DISCÍPULO — E será possível achar tal confessor, Padre?
MESTRE — Por que não, se o pedirmos a Deus com a oração e com a humildade?! Jesus está sempre à disposição de quem o procura de boa vontade. Do mesmo modo que fez com que Madalena o encontrasse na chácara disfarçado em chacareiro, fará com que o encontremos na Confissão, na pessoa do Confessor.
DISCÍPULO — O senhor me enche de coragem, Padre, e eu vou começar desde já a procurar um confessor que seja um Jesus disfarçado.
MESTRE — Porém, se isso não fosse inteiramente possível, devido à escassez de sacerdotes, seu confessor seja aquele que, provavelmente o confessará na hora da morte, tenha sempre confiança nele, cada vez, como se você estivesse realmente em ponto extremo. Por falar nisso, ouça o que se lê na história da vida de Dom Bosco, que foi publicado no “Boletim Salesiano” de Setembro de 1922:
Um dia, foram chamar Dom Bosco para um jovem, que freqüentava assiduamente o Oratório, e que estava muito mal. Dom Bosco estava ausente: voltou a Turim só dois dias mais tarde, e foi somente às quatro horas da tarde do dia seguinte que pode ir à casa do enfermo. Quando chegou, viu pregados às portas, os panos negros de praxe, com o nome do rapaz que ele vinha visitar. Apesar disso DISCÍPULO Bosco subiu para cumprimentar e confortar os desditosos pais. Achou-os em pranto e soube por eles que o filho morrera naquela mesma manhã. Pediu que o introduzissem no quarto do morto para poder vê-lo ainda uma vez. Um criado conduziu-o. Entretanto – conta DISCÍPULO Bosco — passou-me pela cabeça a idéia que o rapaz não estava morto; aproximei-me da cama e chamei-o pelo nome: Carlos! Então ele abriu os olhos e me cumprimentou com acento de profundo espanto: — Óh Dom Bosco! O senhor me despertou de um pesadelo amedrontador! — Ao som daquela voz, várias pessoas que estavam no quarto fugiram aterrorizadas, aos gritos, derrubando velas, o rapaz no entanto continuava a dizer: — Eu tinha a impressão de que me empurravam para uma caverna escura, tão estreita a abafada, que eu me sentia sem fôlego. No fundo, num espaço mais vasto e melhor iluminado, grande número de almas eram submetidas ao juízo: e eu via, com terror sempre crescente, que muitas delas eram condenadas. Chegou por fim a minha vez eu já estava para ter a mesma e horrível sorte, por ter feito mal a minha última confissão, justamente no momento em que o senhor me acordou.
Enquanto isso os pais do rapaz, sabendo que ele estava vivo, tinham chegado, alegres e felizes. Ele os cumprimentou afetuosamente, mas logo lhes disse que não deviam ter esperanças de que recuperasse a saúde. Abraçou-os e beijou-os, e contou à DISCÍPULO Bosco que, por infelicidade, tinha cometido um pecado que — ele bem o sabia — era mortal e, que tinha firme vontade de se confessar. Para esse fim, sentindo que o mal piorava, tinha mandado chamar Dom Bosco, mas como o não tinham encontrado, lhe haviam trazido outro padre, um desconhecido, ao qual não tinha tido coragem de contar a falta cometida.
Deus quis mostrar-lhe como, por causa de uma confissão sacrílega, tinha merecido o inferno.
Confessou-se, portanto com sincero arrependimento e vivo pesar e, recebida a absolvição, fechou os olhos e expirou serenamente.
Como você pode ver, a confiança é indispensável para uma boa confissão.
DISCÍPULO — Mas qual será a pessoa que quer ir para o inferno, por causa de um pouco de medo, de um pouco de vergonha, que, por fim se transforma numa consolação muito grande?
Confessai-vos bem – Pe. Luiz Chiavarino