quarta-feira, 31 de julho de 2019

Um santo monge explica o que é a oração


A oração é, quanto à sua natureza, a conversa e a união da alma com Deus; quanto à sua eficácia, é a conservação do mundo e a sua reconciliação com Deus, um ponto elevado acima das tentações, uma muralha contra as tribulações, a extinção das guerras, a alegria futura, a atividade que não cessa, a fonte das graças, a dadora dos carismas, um progresso invisível, o alimento da alma, a iluminação do espírito, o machado que corta o desespero, a expulsão da tristeza, a redução da ira, o espelho do progresso, a manifestação da nossa medida, o teste ao estado da nossa alma, a revelação das coisas futuras, o anúncio seguro da glória.

Tem coragem e terás o próprio Deus como mestre de oração. É impossível aprender a ver por meio de palavras, porque ver é um efeito da natureza. Assim também é impossível aprender a beleza da oração através dos ensinamentos de outros. A oração só se aprende na oração e o seu mestre é Deus, que ensina ao homem a ciência, que concede o dom da oração àquele que ora, que abençoa os anos dos justos.

São João Clímaco (c. 575-c. 650), monge do Monte Sinai in 'A Escada Santa'

terça-feira, 30 de julho de 2019

TEMOS DE ESCOLHER ENTRE UMA ETERNIDADE FELIZ E OUTRA INFELIZ



Ante hominem vita et mors, bonum et malum; quod placuerit ei dabitur illi — «Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; o que lhe agradar, isso lhe será dado» (Ecle. 15, 18).
Sumário. Deus quer certamente que todos os homens se salvem, mas não à força. Por isso Deus põe diante de nós dois caminhos a seguir, deixando a escolha a cada um. Mas, como poderá chegar ao céu quem quiser seguir o caminho do inferno? Avivemos a nossa fé; examinemos atentamente aonde nos leva o caminho trilhado até hoje, e tomemos desde já as providências para nos assegurar a salvação eterna. Deixemos, se for necessário, o mundo: São pequenas todas as cautelas, quando corre risco a eternidade.
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Deus quer certamente que todos os homens se salvem, mas não quer que nos salvemos à força. Deus, diz o Eclesiástico, pôs diante de cada um a vida e a morte; ser-nos-á dado o que escolhermos: Quod placuerit ei dabitur illi. Jeremias diz igualmente que o Senhor pôs diante de nós dois caminhos a seguir, o do céu e o do inferno: Ego do coram vobis viam vitae et viam mortis[1]. — Por isso está escrito: O homem irá para a casa de sua eternidade. Deus diz: ibit, ele irá, para significar que cada qual se dirigirá à morada que escolher; não será levado, mas irá por sua própria vontade. Mas como poderá chegar ao paraíso, o que quer seguir o caminho do inferno?
Coisa estranha! todos os pecadores se querem salvar, e entretanto se condenam por si próprios ao inferno, dizendo sempre: Espero salvar-me. Quem seria tão louco, diz Santo Agostinho, que quisesse tomar veneno na esperança de se curar? Nemo vult aegrotare sub spe salutis. No entanto, quantos cristãos, quantos insensatos se dão à morte pelo pecado, dizendo: Mais tarde pensarei no remédio. Ó funesta ilusão, que tantas almas tem arrastado ao inferno!… Não sejamos tão insensatos; e lembremo-nos de que se trata da eternidade.
Quanto trabalho se não dão os homens para se construírem uma casa cômoda, bem arejada, num sítio salubre, pela lembrança que nela hão de passar toda a vida! Porque, pois, são tão descuidados, quando se trata da casa que lhes será morada eterna? Negotium pro quo contendimus, aeternitas est — «O negócio pelo qual trabalhamos», diz Santo Eucherio, «é a eternidade». Não se trata de uma casa mais ou menos cômoda, mais ou menos arejada: trata-se de habitar, ou num lugar cheio de delícias entre os amigos de Deus, ou no abismo de todos os tormentos entre a chusma infame de tantos celerados, hereges e idólatras. — E isto por quanto tempo? Não por vinte ou quarenta anos, mas por toda a eternidade. É um negócio de alta monta! Não é negócio de somenos; é tudo para nós.
Dizia a Venerável Madre Joana da Santíssima Trindade, religiosa carmelita, que na vida dos santos não existe o amanhã. Este só existe na vida dos pecadores, que sempre dizem: mais tarde, mais tarde, e assim se aproximam da morte. Meu irmão, se Deus nos convida hoje para praticar o bem, pratiquemo-lo hoje. Pode ser que amanhã não haja mais tempo, ou que Deus não nos faça mais ouvir o convite.
Ó céus! exclama Santa Teresa, é a falta de fé a causa de tantos pecados e da condenação de tantos cristãos.
Portanto, reanimemos, sempre a nossa fé, dizendo: Credo vitam aeternam: Creio que depois desta vida há outra que não acaba nunca. Tendo este pensamento sempre presente, tomemos as providências para nos assegurar a salvação eterna. Freqüentemos os sacramentos; façamos meditação todos os dias, e pensemos na eternidade; evitemos também as ocasiões perigosas. Deixemos, se for necessário, o mundo, porque nenhuma cautela será excessiva quando se trata de pôr à salvo o grande negócio da salvação eterna: Nulla nimia securitas, ubi periclitatur aeternitas[2].
É pois verdade, meu Deus, que aqui não há meio termo: ou sempre feliz ou sempre desgraçado; ou num mar de alegrias, ou num oceano de tormentos; ou sempre convosco no paraíso, ou sempre separado e longe de Vós, no inferno. E este inferno, sei com certeza que inúmeras vezes o mereci; mas estou igualmente certo de que perdoais ao que se arrepende, e livrais do inferno o que espera em Vós. Eia, pois, Senhor, perdoai-me, já que me pesa sobre todas as coisas de Vos ter ofendido: livrai-me do inferno, porque Vos amo e confio em vossa infinita misericórdia. — Minha Rainha e minha Mãe, Maria, ajudai-me com as vossas orações; obtende-me antes mil mortes do que a desgraça de me separar do amor de vosso Filho. (*II 65.)
[1] Jer. 21, 8.
[2] São Bernardo.
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II – Santo Afonso

Fonte:
http://www.catolicosribeiraopreto.com/

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Do amor que Deus nos testemunhou em nos dar o seu único Filho




Sic Deus dilexit mundum, ut Filium suum unigenitum daret – “Deus por modo tal amou o mundo, que lhe deu o seu unigênito Filho” (Jo 3, 16)
Oh! Quão profundo é o sentido da partícula sic, de tal modo! Significa esta pequena palavra o que nunca poderemos compreender; significa a grandeza do amor que levou Deus a dar-nos, não um servo, não um anjo, mas o seu próprio Filho, e a condenar à morte esse Filho inocente pelo homem culpável. Ah! Quem assim nos podia fazer um dom de valor infinito, senão um Deus, cujo amor não conhece limites? Oh! Quanto não devemos bendizer tal ternura do nosso Deus! Estávamos pelo pecado mortos à vida da graça, e Jesus por sua morte ressuscitou-nos; estávamos miseráveis, hediondos e abomináveis, e Deus por meio de Jesus Cristo, nos “tornou belos e caros a seus olhos“. Mas não foi só libertar-nos do pecado, “também nos encheu em Jesus Cristo de toda a sorte de bens espirituais para o céu. Ó maravilhosa condescendência da ternura do nosso Deus!” exclamas nos transportes de sua admiração a Igreja; “ó caridade incompreensível! Por libertar o escravo, entregar o seu único Filho!”
Procuremos compenetrar-nos bem do sentido destas palavras:
“Deus, o seu único Filho”
E não é aos anjos que Jesus Cristo é dado, não é por eles que se fez homem e nasceu de uma Virgem sem mácula: não é; mas sim a nós, a nós, filhos de Adão, é que foi concedida dádiva tão preciosa. Nobis datus, nobis natus ex intacta Virgine: a nós foi dado, para nós foi nascido de uma Virgem imaculada, canta a Santa Igreja. A nós é que Jesus Cristo foi dado, a nós pertence pois; nele e com ele infinitos bens e tesouros possuímos. Mas ai! Que nós nem sequer conhecemos o dom que nos fez Deus, em nos dar seu Filho! Tão pouco pensamos nos bens que tiramos da Incarnação do Verbo. É tal grandeza de seus benefícios, que devemos em certo modo regozijar-nos da falta de Adão. Em verdade muito mais nos deu Jesus Cristo do que nos tirou Adão: ganhamos pela redenção mais do que perdemos pelo pecado, “e a graça“, diz São Paulo, “não foi medida segundo o crime“. Assim toda enlevada do rapto do seu zelo e reconhecimento, a Igreja brada:
“Ó culpa feliz, que merecestes ter um tal Reparador! Ó feliz e necessário pecado de Adão que fostes apagado pela morte de Jesus Cristo!”
“Ah! Se souberas”, dizia o nosso Salvador à Samaritana, “se souberas do dom de Deus! Se soubesses quem é que te diz: Dá-me de beber!…”. Ó alma minha! A ti é que se dirigem estas palavras. Se tu souberas quem é Jesus, se conheceras quem é o bom Jesus, compreenderias a extensão do amor que impeliu Deus a dar-t’o, saberias quanto por sua incarnação te mereceu, cairias na conta de quanto amor, quanto reconhecimento deves a quem te fez dom tão excelente!
“Senhor, dizia Santo Agostinho, quem é ingrato no tocante ao benefício da criação, merece o inferno, porém para o ingrato ao da redenção novo inferno seria preciso”
Do Padre Avila se conta que quando alguém, reconhecido de algum benefício especial que Deus recebera, se admirava da bondade divina, dizia:
“Não é por isso que a devemos admirar; mas sim por ter Deus amado o mundo até lhe dar o seu único Filho”
Ó Pai Eterno! Agradeço-vos o terdes-me dado o vosso Filho como Redentor. Divino Filho, agradeço-vos o haverdes-me resgatado com tanto amor e à custa de tantas dores. O que seria de mim, Jesus meu, o que seria de mim, depois de tantos pecados de que me hei manchado, se não tivesses morrido por mim?
“Ai o número dos pecados excede já muito o dos cabelos da minha cabeça”
Tanto tempo vai já que só para ultrajar-vos vivo! Ah!
“Para que se prolongou tanto o meu exílio sobre a terra?”
Porque não exalei eu o meu último suspiro ao sair das águas do batismo? Porque não morri antes de ofender-vos? Gemidos inúteis! O mal está feito. Dai-me, Salvador meu, eu vos suplico, dai-me uma parte dessa aversão que ao pecado tivestes durante vossa vida morta, e perdoai-me. Mas perdão só não me basta; eu também quero o vosso amor, pois mereceis ser infinitamente amado; dignai-vos por tanto conceder-m’o igualmente.
Até a morte me amastes vós, Senhor; até morrer também quero eu amar-vos. De toda a minha alma vos amo, ó infinita bondade; amo-vos mais do que a mim mesmo, e todos os afetos do meu coração só em vós quero por. Ah! Ajudai-me, e não permitais que eu torne a ser ingrato como até aqui. Fazei-me conhecer o que de mim quereis, porque resolvido estou, mediante a vossa graça, a fazer tudo absolutamente tudo o que quiserdes. Sim, querido Jesus meu, eu vos amo e quero amar-vos, sempre, meu tesouro, minha vida, meu amor, meu tudo. Assim seja.

RESOLUÇÕES PRÁTICAS

Devemos Temer as Faltas Leves

Há na vida espiritual uma verdade de importância tal, que por todas as almas piedosas deve ser seriamente meditada. E ei-la aqui, tal como a inspirou o Espírito Santo:
Qui spernit modica, paulatim decidet, quem despreza e não tem em conta as coisas pequenas, cairá pouco a pouco. Compreende bem esta palavra: “cairá pouco a pouco“. Cairá insensivelmente, sem mesmo dar por isso, mas cairá. Hoje, sob pretexto de ser falta leve, consente numa mentira muito pequena; amanhã já deixa sair uma maior, e acabará por cair nas maiores desordens. Teme, teme muito o desprezo das coisas pequenas; receia as faltas leves; olha que são de alguma sorte mais perigosas do que as grandes.
“Ouso, diz São João Crisóstomo, avançar uma proposição, que parecerá surpreendente e inaudita; e é que me parece se dever por algumas vezes menos cuidado em fugir dos pecados grandes, do que em evitar as faltas pequenas. Daqueles só a sua enormidade nos inspira horror; com estas, por pouco consideráveis, facilmente nos familiarizamos; este desprezo em que as temos nos impede de fazermos o devido esforço para as expelir, e assim por negligência nossa vão crescendo até chegarmos ao estado de não podermos desfazer-nos delas. Ainda outra vez o repito: teme as faltas pequenas, teme-as e evita-as pois, por pequenas que sejam, nem por isso deixam de ofender menos o nosso bom Mestre; teme e evita as faltas leves, porque à tibieza nos conduzem: teme as faltas leves porque disse Jesus Cristo, ‘quem nas coisas pequenas é fiel, sê-lo-á também nas grandes, e quem nas pequenas é injusto, injusto será nas grandes'”
Vela hoje muito sobre ti mesmo, e esforça-te a viver hoje de modo que à noite possas dizer a Jesus:
“Meu bom Mestre, hoje não me acusa a consciência de falta alguma inteiramente voluntária; bendito sejais, pois foi vossa onipotente mão quem me amparou. Suplico-vos me queirais perdoar toda e qualquer falta que por fragilidade me haja podido escapar; amanhã hei de fazer todos os esforços para viver melhor ainda”

(Pinnard, Abade Dom. As Chamas do Amor de Jesus ou provas do ardente amor que Jesus nos tem testemunhado na obra da nossa redenção. Traduzido pelo Rev. Padre Silva, 1923, p. 22-26)

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Amor que o Filho de Deus nos mostrou na Redenção




Dilexit nos et tradidit semetipsum pro nobis – “Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós” (Ef 5, 2)
Sumário. A salvação ou a condenação de todos os homens não aumenta nem diminui de nada a felicidade do Filho de Deus, que é a bem-aventurança mesma. Todavia Ele tem feito e padecido tanto por nós, que, se a sua beatitude fora dependente da nossa, não teria podido padecer e fazer mais. Quão grande não deve, pois, ser nosso amor para com Jesus Cristo e quão grande a nossa confiança de obtermos, pelos seus merecimentos, todas as graças que desejemos!
I. Considera que o Verbo Eterno é o Deus infinitamente feliz em si mesmo, de tal sorte que a sua felicidade não pode ser aumentada. Nem mesmo a salvação ou a condenação de todos os homens podem acrescentar-Lhe ou diminuir-Lhe alguma coisa. Contudo, para nos salvar a nós, vermes miseráveis, Ele tem feito e padecido tanto, que, se a sua beatitude, no dizer de Santo Tomás, tivesse sido dependente da do homem, não poderá fazer nem padecer mais. Com efeito, se Jesus Cristo não pudera ser feliz sem a nossa redenção, como poderia humilhar-se mais do que se humilhou, tomando sobre si todas as nossas enfermidades, as humilhações da infância, as misérias da vida humana e uma morte tão desapiedada e ignominiosa? Só um Deus era capaz de amar-nos tão excessivamente a nós míseros pecadores, tão indignos de sermos amados.
Diz um piedoso escritor:
“Se Jesus Cristo nos tivesse permitido pedir-Lhe a maior prova de seu amor, quem jamais se atreveria a pedir-Lhe que se fizesse homem como nós, que se sujeitasse a todas as nossas misérias; ainda mais, que se fizesse de todos os homens o mais pobre, o mais desprezado, o mais maltratado, até morrer por mão de algoz e à força de tormentos num patíbulo infame, amaldiçoado e abandonado de todos, mesmo de seu próprio Pai, que desamparou o Filho, para não nos abandonar a nós em nossa perdição? Mas o que nós nem ousáramos conceber em pensamentos, o Filho de Deus o excogitou e realizou”.
— Desde o berço, o divino Menino se ofereceu por nós aos trabalhos, aos opróbrios e à morte: Dilexit nos, et tradidit semetipsum pro nobis (1) — “Ele nos amou e se entregou a si mesmo por nós”. Sim, Jesus nos amou, e por amor se nos deu a si mesmo, a fim de que, oferecendo-O ao Pai como vítima, em expiação de nossos delitos, possamos, em vista de seus méritos, obter da divina bondade todas as graças que desejarmos. Esta vítima agrada mais ao Pai do que se lhe fosse oferecida a vida de todos os homens e de todos os anjos. Ofereçamos, portanto, sempre a Deus os merecimentos de Jesus Cristo, e por eles busquemos e esperemos todo o bem.
II. Ó meu Jesus, eu seria por demais injusto para com a vossa misericórdia e o vosso amor, se, depois de me haverdes dado tantas provas do afeto que me tendes e do vosso desejo de me salvar, eu desconfiasse de vossa misericórdia e de vosso amor. Meu amado Redentor, eu sou um pobre pecador, mas Vós assegurais que viestes para buscar os pecadores. Eu sou um pobre enfermo, mas Vós viestes para curar os enfermos. Eu sou um réprobo por causa de meus pecados, mas Vós viestes para salvar o que estava perdido: Venit enim Filius hominis salvare quod perierat (2). Que poderei, pois, temer, se quiser emendar-me e ser vosso?
Só devo ter medo de mim mesmo e da minha fraqueza; mas a minha fraqueza e pobreza devem aumentar a minha confiança em Vós, que Vos gloriais de ser o refúgio dos pobres e prometestes atender a todos os seus desejos: Desiderium pauperum exaudivit Dominus (3) — “O Senhor ouviu os desejos dos pobres”. Eis a graça que Vos peço, ó meu Jesus, dai-me confiança em vossos merecimentos, e fazei com que sempre me recomende a Deus pelos vossos méritos. — Pai Eterno, pelo amor de Jesus Cristo, livrai-me do inferno e em primeiro lugar do pecado. Pelos méritos desse vosso Filho, dai-me luz para conhecer a vossa vontade; dai-me força contra as tentações; dai-me o dom de vosso santo amor. Sobretudo suplico-Vos a graça de sempre pedir que me ajudeis pelo amor de Jesus Cristo, que prometeu que haveis de conceder tudo quanto se pedir, àqueles que Vos pedirem em seu nome. Se perseverar em pedir assim, serei salvo; se não o fizer, serei com certeza condenado.
— Maria Santíssima, impetrai-me a grandíssima graça da oração, da perseverança em recomendar-me sempre a Deus e a vós, visto que obtendes de Deus tudo quanto quiserdes.
Referências:
(1) Ef 5, 2
(2) Mt 18, 11
(3) Sl 9, 17

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 33-35)

quinta-feira, 18 de julho de 2019

O pecado de Adão e o amor de Deus para com os Homens



Et nunc quid mihi est hic, dicit Dominus, quoniam ablatus est populus meus gratis? – E agora, que tenho eu que fazer aqui, diz o Senhor, visto ter sido levado sem nenhuma razão o meu povo? (Is 52, 5)
Sumario. Peca Adão, nosso primeiro pai, e em castigo de seu pecado é expulso do paraíso terrestre com toda a sua descendência condenado a uma vida de misérias e excluído para sempre do céu. O Senhor, porém, teve compaixão dele, e como se a sua beatitude dependesse da dos homens, e ele não pudesse ser feliz sem estes, resolveu a todo o custo salvá-los. Ó incompreensível amor de Deus! Mas, como é que nós lhe temos correspondido?
Expulsão de Adão e Eva do Paraíso (Benjamin West)
I. Adão, nosso primeiro pai, peca; desagradecido por tantos benefícios recebidos, revolta-se contra Deus, transgredindo o preceito de não comer da árvore proibida. Por esse motivo vê-se Deus constrangido a expulsá-lo agora do paraíso terrestre e a privar no futuro, tanto Adão como todos os descendentes deste revoltoso, do paraíso celeste e eterno, que lhes havia preparado para depois desta vida temporal. Eis, pois, todos os homens condenados a uma vida de trabalhos e misérias, e para sempre excluídos do céu. O demônio tem poder sobre eles, e incalculáveis são os estragos que o inferno continuamente faz.
Vendo, porém, o Senhor os homens reduzidos a tão mísero estado, compadeceu-se deles. Mas, como nos dá a entender o profeta Isaías, parece que Deus, por assim dizer, se lamenta e se aflige, dizendo: Et nunc quid mihi est hic, quoniam ablatus est populus meus gratis? – E agora, que tenho eu que fazer aqui, visto ter sido levado sem nenhuma razão o meu povo? Como se quisesse dizer: Que me restou de delícia no paraíso, uma vez que perdi os homens que eram as minhas delícias? Mas, não; quero a todo o custo salvá-los/ venha, por isso, um redentor, que em lugar do homem satisfaça à minha justiça e assim o redima da morte eterna.
Mas, meu Senhor, tendes no céu tantos serafins e tantos anjos, e de tal modo Vos aflige o terdes perdido os homens? Que precisão tendes Vós, tanto dos anjos como dos homens para a perfeição de vossa beatitude? Sempre tendes sido e sempre sois felicíssimo em Vós mesmo: que poderá jamais faltar à vossa felicidade que é infinita? – Tudo isso é verdade (assim o faz responder o cardeal Hugo), mas, perdido o homem, afigurasse-me ter perdido tudo, porquanto as minhas delícias eram estar com os homens; agora perdi os homens, e os infelizes estão condenados a viver sempre longe de mim. – Ó amor imenso de Deus! Ó amor incompreensível! Ó amor infinito!
II. Ó meu Senhor, como é possível que, depois de terdes reparado, com a morte do vosso divino Filho, os danos causados pelo pecado, tenha eu tornado tantas vezes a renová-los voluntariamente, com as ofensas que Vos tenho feito? Vós me salvastes à custa de tamanhos sacrifícios, e eu tão repetidas vezes tenho querido perder-me, perdendo-Vos, a Vós, Bem infinito. Inspirai-me, porém, confiança à vossa palavra, que, se o pecador se converter a Vós, não Vos recusareis a abraçá-lo: Convertimini ad me et convertar ad vos (1) – Convertei-vos a mim e eu me converterei a vós. Vede, Senhor, que sou um daqueles rebeldes, um ingrato e traidor que por mais de uma vez Vos voltei as costas e Vos expulsei da minha alma. Pesa-me de todo o coração de Vos haver assim ofendido e desprezado a vossa graça. Pesa-me, e amo-Vos acima de todas as coisas. A porta do meu coração já esta aberta para Vós: entrai nele, mas entrai para nunca mais Vos retirardes. Sei que nunca Vos retirareis, se eu não tornar a expulsar-Vos. Eis ai o que me faz medo, eis ai também a graça que espero pedir-Vos sempre; deixai-me morrer antes que venha a cometer para convosco semelhante nova e maior ingratidão.
Jesus, meu caro Redentor, pelas ofensas que Vos tenho feito mereceria não mais poder amar-Vos; mas pelos vossos méritos, peço-Vos o dom do vosso santo amor. Por isso fazei com que eu conheça o grande bem que sois, o amor que me tendes dedicado e quanto tendes feito para me obrigar a Vos amar. Ah! Meu Deus e Salvador meu, que eu não viva doravante tão ingrato à vossa tão grande bondade. Não quero separar-me mais de Vós, meu Jesus. Basta de pecados. É justo que eu empregue os anos de vida que me restam inteiramente em Vos amar e dar-Vos gosto. Jesus meu, Jesus meu, ajudai-me; ajudai um pecador que Vos quer amar.
Ó Maria, minha Mãe, vós podeis tudo para com Jesus, visto que sois sua Mãe. Dizei-lhe que me perdoe; dizei-lhe que me prenda com os laços do seu santo amor. Vós sois a minha esperança; confio em vós.
Referências:
(1) Zc 1, 3
(2) Sf 1, 15

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 10-12)

quarta-feira, 17 de julho de 2019

A temeridade do pecador e o dia do Juízo



Videbunt Filium hominis venientem in nube cum potestate magna et maiestate – Verão o Filho do homem que virá sobre uma nuvem com grande poder e majestade (Lc 21, 27)
Sumario. Uma consideração séria nos ensina que não há atualmente no mundo pessoa mais desprezada de que Jesus Cristo; pois é injuriado tão continuamente e com tão desenfreada liberdade, como não o seria o mais vil dos homens. Eis porque o Senhor destinou um dia, no qual virá, com grande poder e majestade, a reivindicar a sua honra. Recorramos agora ao trono da divina misericórdia, para que naquele dia não sejamos condenados pela justiça de Deus.

I. Considerando bem, não há no mundo atualmente quem seja mais desprezado que Jesus Cristo. Trata-se com mais consideração um aldeão do que o próprio Deus. Receiam que o aldeão ao ver-se por demais ofendido, se encolerize e tire vingança; Deus, porém, é ofendido incessantemente e de caso pensado, como se não pudesse vingar-se quando quisesse. Por isso o Senhor marcou um dia (chamado com razão, na Sagrada Escritura, o dia do Senhor, Dies Domini), quando vai dar-se a conhecer tal como é: Cognoscetur DOminus iudicia faciens(1). Diz São Bernardo, explicando este texto:
O Senhor será conhecido quando vier a fazer justiça, ao passo que agora, porque quer usar de misericórdia, é desconhecido. Então esse dia não mais se chama de misericórdia e de perdão, senão dia de ira, dia de tribulação e de angústia, dia de calamidade e de miséria (2).
Conforme nos ensina o Evangelho de hoje, esse dia será precedido de sinais pavorosos. “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; na terra os povos estarão angustiados sob o rugido surdo e confuso do mar e das ondas; os homens morrerão com medo dos males que hão de vir sobre o mundo. Por fim, as virtudes dos céus (isto é, na interpretação dos Padres, os noves coros dos Anjos) se comoverão, e então se verá aparecer sobre as nuvens o Filho do homem, com grande poder e majestade (3)”, a reivindicar a glória que os pecadores nesta terra lhe quiseram tirar.
Diz Santo Tomás:
Se, no horto de Getsêmani, com as palavras de Jesus Cristo: Ego sum, cairam por terra os soldados que o tinham vindo prender, que será, quando Jesus, sentado para julgar, dizer aos condenados: Aqui estou, sou eu aquele a quem tanto haveis desprezado…; que será quando pronunciar contra eles a sentença eterna: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno! – Discedite a me, maledicti, in ignem aeternum!(4)
II. O dia do juízo, assim como será para os réprobos um dia de pena e de terror, será, ao contrário, para os escolhidos um dia de regozijo e triunfo; porque, então, à vista de todos os homens, as suas beatas almas serão proclamadas rainhas do paraíso e feitas esposas do Cordeiro imaculado. Oh! Que ventura experimentarão os bem-aventurados, quando Jesus, voltando-se para a direita, lhes disser: Vinde, meus benditos filhos, vinde possuir o reino dos céus que vos foi preparado: possidete paratsum vobis regnum!(5)
Irmão meu, o que será de ti naquele dia? São Jerônimo, quando passava os dias na Gruta de Belém, em contínuas orações e mortificações, tremia só em pensar no Juízo Universal. O venerável Pe. Juvenal Ancina, lembrando-se do Juízo ao ouvir cantar a sequência da Missa de defuntos, Dies irae, dies illa, deixou o mundo e fez-se religioso. E tu, o que fazes para mereceres no dia do Juízo as bênçãos divinas, em companhia dos escolhidos?
Com o intuito de nos preparar para o Santo Natal, a Igreja propõe hoje o Juízo à nossa meditação. Sabendo que Nosso Senhor, na sua primeira vinda, apareceu num trono de graça e que na segunda aparecerá num trono de justiça rigorosíssima, quer que procuremos agora recorrer a Jesus afim de experimentarmos os efeitos de sua infinita misericórdia. Aproximemo-nos com confiança do trono de graça: Adeamus ergo cum fiducia ad thronum gratiae (6).
Ah! Jesus meu e meu Redentor, Vós que um dia haveis de ser o meu juiz: perdoai-me antes que chegue este dia. Agora, sois meu Pai, e como tal recebeis na vossa graça um filho que, arrependido, se prosta a vossos pés. Meu Pai, eu Vos amo de todo o meu coração e no futuro não me quero mais afastar de Vós, não quero mais ter a temeridade de voltar a ofender-Vos. Mas já que conheceis a minha fraqueza, ajudai-me com a vossa graça. Excitai, Senhor, o vosso poder e vinde em meu auxílio, afim de que, mediante a vossa proteção, livrado dos perigos iminentes por causa de meus pecados, mereça ser salvo por Vós (7). Fazei-o pelo amor de Maria Santíssima.
Referências:
(1) Sl 9, 17
(2) Sf 1, 15
(3) Lc 21, 25
(4) Mt 25, 41
(5) Mt 25, 34
(6) Hb 4, 16
(7) Or. Dom. curr.


(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 7-9)

terça-feira, 9 de julho de 2019

Catecismo Ilustrado - Parte 53 - 2º Mandamento da Igreja: Confessar-se ao menos uma vez cada ano - 3º Mandamento da Igreja: Comungar pela Páscoa da Ressurreição




Catecismo Ilustrado - Parte 53

Os Mandamentos

2º Mandamento da Igreja: Confessar-se ao menos uma vez cada ano

3º Mandamento da Igreja: Comungar pela Páscoa da Ressurreição

1. Estamos obrigados a este preceito logo que chegamos ao uso da razão e começamos a distinguir o bem e o mal.

2. Não se satisfaz a este preceito por uma confissão voluntariamente nula, porque a Igreja manda fazer uma confissão válida e frutuosa.

3. Além da confissão anual, devemos confessar-nos quando nos reconhecemos réus de pecado mortal e quando nos encontramos em perigo de morte.

4. É grande pecado para uma pessoa não satisfazer ao preceito da comunhão, porque é desobedecer à Igreja em matéria grave, desprezar o maior benefício de Deus, e dar escândalo ao próximo.

5. Quando a Igreja diz que nos devemos confessar ao menos uma vez no ano, e comungar ao menos na Páscoa da Ressurreição; quer que entendamos que o seu desejo é que os fiéis se confessem e comunguem mais a miúdo, porque é difícil viver cristãmente se nos confessarmos e comungarmos uma só vez no ano.

Explicação da gravura

6. Na parte superior da gravura, à direita, começa a representação das festas que a Igreja aconselha aos cristãos santificar pela recepção dos sacramentos da Penitência e da Eucaristia.

7. À esquerda, vê-se a Porta da Quaresma que a Igreja abre aos bons cristãos para os preparar por meio da oração e da penitência para a confissão e comunhão pascal. Nem todos os cristãos obedecem ao chamamento da Igreja; muitos preferem os prazeres mundanos ao cumprimento dos deveres religiosos.

8. Acima da porta da Quaresma, vê-se um confessionário onde os fiéis recebem o perdão das suas faltas, recuperam a paz da alma e a amizade de Deus. Da Cruz Nosso Senhor aplica-lhes os merecimentos de Seu Sangue e Morte. À direita do confessionário, veem-se os fiéis cumprindo o preceito da comunhão pascal, recebendo com a sagrada Eucaristia o penhor da vida eterna.

9. Na parte inferior da estampa, à direita, veem-se os israelitas reunidos à mesa para comer o cordeiro pascal. Sobre eles, um anjo com uma espada prepara-se para matar os primogênitos dos egípcios. Assim como os israelitas, que marcaram as suas portas com o sangue do cordeiro pascal e se alimentaram com a sua carne, foram poupados pelo anjo exterminador, assim os cristãos que pelo sacramento da Penitência purificam as suas almas no sangue de Jesus ena Eucaristia se alimentam da sua carne, evitarão a morte eterna.

10. Desde o tempo dos Apóstolos, os cristãos sempre se confessaram. No ângulo esquerdo inferior veem-se cristãos confessando-se a São Paulo.



Índice das sessenta e oito gravuras

Sumário

1.- Introdução

O Símbolo dos Apóstolos


2.- A Santíssima Trindade
3.- A Criação
4.- Incarnação - Transfiguração
5.- Incarnação - Anunciação
6.- A Natividade
7.- A Redenção
8.- A descida aos Infernos
9.- A Ressurreição
10.- A Ascensão
11.- Jesus Cristo à direita de Deus Pai
12.- Juízo Final
13.- Pentecostes
14.- A Igreja
15.- A Comunicação dos Santos
16.- A Remissão dos pecados
17.- A Ressurreição da carne
18.- O Paraíso
19.- O Inferno

Os Sacramentos

20.- A Graça
21.- O Baptismo
22.- A Eucaristia
23.- A Confirmação
24.- A Penitência
25.- A Extrema-Unção
26.- A Ordem
27.- O Matrimônio

Os Mandamentos


28.- Os mandamentos da lei de Deus


29.- 1º Mandamento de Deus: Adorar a um só Deus e amá-Lo sobre todas as coisas


30.- 1º Mandamento (continuação): Adorar a um só Deus e amá-Lo sobre todas as coisas


31.- 2º Mandamento de Deus: Não invocar o Santo Nome de Deus em vão


32.- 2º Mandamento de Deus (continuação): Não invocar o Santo Nome de Deus em vão


33.- 2º Mandamento de Deus (continuação): Não invocar o Santo Nome de Deus em vão


34.- 3º Mandamento de Deus: Santificar os Domingos e Festas de preceito


35.- 3º Mandamento de Deus (continuação): Santificar os Domingos e as Festas de preceito

36.- 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe


37- 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe


38.- 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe

39.- 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe

40.- 5º Mandamento de Deus: Não Matar

41.- 5º Mandamento de Deus: Não Matar

42.- 5º Mandamento de Deus: Não Matar

43.- 6º Mandamento de Deus: Guardar a Castidade

44.- 7º Mandamento de Deus: Não furtar

45.- 7º Mandamento de Deus: Não furtar (continuação)

46.- 8º Mandamento de Deus: 8º Mandamento de Deus: Não levantar falso testemunho

47.- 8º Mandamento de Deus: 8º Mandamento de Deus: Não levantar falso testemunho

49.- 8º Mandamento de Deus: 8º Mandamento de Deus: Não levantar falso testemunho

50.- 8º Mandamento de Deus: 9º Mandamento de Deus: Não desejar a mulher do próximo


51 - 10º Mandamento de Deus: Não cobiçar as coisas alheias


52.- Os Mandamentos da Igreja - 1º Mandamento da Igreja: Ouvir Missa inteira nos domingos e dias de guarda


53.- Os Mandamentos da Igreja - 2º Mandamento da Igreja: Confessar-se ao menos uma vez cada ano - 3º Mandamento da Igreja: Comungar pela Páscoa da Ressurreição

Diversos

54.- A Oração
55.- O Pai Nosso
56.- Ave Maria
57.- Os Novíssimos do homem
58.- A Morte
59.- O Juízo
60.- O pecado original
61.- Os pecados capitais
62.- Os pecados capitais
63.- Os pecados capitais
64.- As Virtudes teologais
65.- As Virtudes cardeais
66.- As Virtudes evangélicas
67.- As obras corporais de misericórdia
68.- As obras espirituais de misericórdia

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Catecismo Ilustrado - Parte 52 - Os Mandamentos da Igreja 1º Mandamento da Igreja: Ouvir Missa inteira nos domingos e dias de guarda





Catecismo Ilustrado - Parte 52

Os Mandamentos da Igreja

1º Mandamento da Igreja: Ouvir Missa inteira nos domingos e dias de guarda

1. Sendo a Igreja uma sociedade perfeita, recebeu do seu divino fundador Jesus Cristo, o poder de fazer leis.

2. Todos os cristãos estão obrigados a obedecer à Igreja, porque Jesus Cristo declarou que desobedecer à Igreja é desobedecer a Ele mesmo.

3. A Igreja nos impõe mandamentos para nos dirigir na observância dos mandamentos de Deus, e tornar-nos mais fácil a prática do Evangelho.

4. Os principais mandamentos da Igreja são: 1º ouvir Missa inteira nos domingos e dias santos; 2º confessar-se ao menos uma vez a cada ano; 3º comungar pela Páscoa da Ressurreição; 4º obrigação de jejuar nos dias prescritos (quarta-feira das cinzas e sexta-feira Santa). É aconselhado jejuar outros dias durante a Quaresma, nas quatro Têmporas e nas vigílias de algumas festas; 5º fazer um sacrifício ou não comer carne nas sextas-feiras e nos sábados.

5. Disse que eram cinco os mandamentos principais da Igreja, porque há outros que não são gerais para todos os fiéis, ou que se acham suprimidos ou comutados, tal como o de pagar dízimos e primícias. Não se achando hoje em vigor este preceito, devemos em consciência pagar o que a lei nos prescreve para a manutenção do culto e sustentação dos ministros do altar.

6. Cumpre-se este mandamento (ouvir Missa) assistindo ao Santo Sacrifício da Missa com modéstia de corpo, com atenção do espírito e com devoção do coração.

7. A Igreja deseja que os fiéis assistam à Missa paroquial ou conventual: 1º porque os membros da freguesia unem-se todos para orarem juntos com o pároco; 2º porque participam mais abundantemente daquele sacrifício que por eles principalmente se oferece; 3º porque ouvem as máximas do Evangelho, que os párocos devem então explicar; 4º porque ficam sabendo as ordens particulares da Igreja que nessa Missa se publicam, assim como as pastorais e circulares dos prelados diocesanos.
8. A Igreja manda ouvir Missa nos domingos e dias santos, porque, ao ouvir Missa, se exerce o ato mais excelso da nossa Religião, sendo a Missa o Sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo oferecido sobre os nossos altares sob as espécies de pão e vinho, em memória do Sacrifício da cruz que nela se renova e continua. O Sacrifício da Missa difere porém do Sacrifício da Cruz somente em que na Cruz o Sacrifício  foi cruento isto é, derramando sangue, e na Missa não, porque é incruento; na Cruz Jesus Cristo morreu realmente, e na Missa só misticamente.

9. A vítima do Sacrifício da Missa é o mesmo Jesus Cristo que foi a vítima do Sacrifício da Cruz; o sacerdote principal é Jesus Cristo, o mesmo que também foi o sacerdote no Sacrifício da Cruz. O sacerdote que celebra a Missa é também em certo modo o sacerdote, mas é porque fala em nome de Jesus Cristo e fazendo a sua figura.

10. Jesus Cristo, na Missa, está realmente no altar, desde a consagração até à comunhão, como a vítima e como sacerdote, oferecendo aquele Sacrifício pela sua Igreja, e pedindo pelos que ouvem aquela Missa, oferecendo ao Pai toda a sua vida, morte e merecimentos.

11. Além dos domingos, os dias de festa de obrigação são atualmente, em todo o Portugal, os dias: 1º feriados: do Natal, Circuncisão (1º de Janeiro), Corpo de Deus, Assunção (15 de Agosto), de Todos os Santos (1º de Novembro), Imaculada Conceição de Nossa Senhora (8 de Dezembro). 2º transferidos: dos Reis, da Ascensão.

12. Há outras festas de santos que são padroeiros duma Diocese ou região como o dia de São Vicente no Patriarcado e no Algarve, e o dia de Santo Antônio no Patriarcado, mas não são festas de preceito.
13. Antigas festas de guarda são: festas do Coração de Jesus, Purificação (2 de Fevereiro), Anunciação (25 de Março), São João Batista (24 de Junho), São Pedro e São Paulo (29 de Junho).

Explicação da gravura


14. Representa a gravura o Sacrifício da Missa, as festas principais do ano, a devoção particular nos dias da semana.



Índice das sessenta e oito gravuras


Sumário

1.- Introdução

O Símbolo dos Apóstolos


2.- A Santíssima Trindade
3.- A Criação
4.- Incarnação - Transfiguração
5.- Incarnação - Anunciação
6.- A Natividade
7.- A Redenção
8.- A descida aos Infernos
9.- A Ressurreição
10.- A Ascensão
11.- Jesus Cristo à direita de Deus Pai
12.- Juízo Final
13.- Pentecostes
14.- A Igreja
15.- A Comunicação dos Santos
16.- A Remissão dos pecados
17.- A Ressurreição da carne
18.- O Paraíso
19.- O Inferno

Os Sacramentos

20.- A Graça
21.- O Baptismo
22.- A Eucaristia
23.- A Confirmação
24.- A Penitência
25.- A Extrema-Unção
26.- A Ordem
27.- O Matrimônio

Os Mandamentos


28.- Os mandamentos da lei de Deus


29.- 1º Mandamento de Deus: Adorar a um só Deus e amá-Lo sobre todas as coisas


30.- 1º Mandamento (continuação): Adorar a um só Deus e amá-Lo sobre todas as coisas


31.- 2º Mandamento de Deus: Não invocar o Santo Nome de Deus em vão


32.- 2º Mandamento de Deus (continuação): Não invocar o Santo Nome de Deus em vão


33.- 2º Mandamento de Deus (continuação): Não invocar o Santo Nome de Deus em vão


34.- 3º Mandamento de Deus: Santificar os Domingos e Festas de preceito


35.- 3º Mandamento de Deus (continuação): Santificar os Domingos e as Festas de preceito

36.- 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe


37- 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe


38.- 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe

39.- 4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe

40.- 5º Mandamento de Deus: Não Matar

41.- 5º Mandamento de Deus: Não Matar

42.- 5º Mandamento de Deus: Não Matar

43.- 6º Mandamento de Deus: Guardar a Castidade

44.- 7º Mandamento de Deus: Não furtar

45.- 7º Mandamento de Deus: Não furtar (continuação)

46.- 8º Mandamento de Deus: 8º Mandamento de Deus: Não levantar falso testemunho

47.- 8º Mandamento de Deus: 8º Mandamento de Deus: Não levantar falso testemunho

49.- 8º Mandamento de Deus: 8º Mandamento de Deus: Não levantar falso testemunho

50.- 8º Mandamento de Deus: 9º Mandamento de Deus: Não desejar a mulher do próximo


51 - 10º Mandamento de Deus: Não cobiçar as coisas alheias


52.- Os Mandamentos da Igreja - 1º Mandamento da Igreja: Ouvir Missa inteira nos domingos e dias de guarda


53.- Os Mandamentos da Igreja

Diversos

54.- A Oração
55.- O Pai Nosso
56.- Ave Maria
57.- Os Novíssimos do homem
58.- A Morte
59.- O Juízo
60.- O pecado original
61.- Os pecados capitais
62.- Os pecados capitais
63.- Os pecados capitais
64.- As Virtudes teologais
65.- As Virtudes cardeais
66.- As Virtudes evangélicas
67.- As obras corporais de misericórdia
68.- As obras espirituais de misericórdia