terça-feira, 19 de novembro de 2019

O poder imenso da vida contemplativa





Dez mil hereges, no dizer de uma revelação respeitável, foram convertidos por uma só oração inflamada da seráfica santa Teresa, cuja alma ardendo em amor de Cristo não podia compreender uma vida contemplativa, uma vida interior que se desinteressasse das solicitudes apaixonadas do Salvador pela redenção das almas. 

'Aceitaria o purgatório, diz ela, até ao juízo final, para livrar uma só dessas almas. E que me importaria a duração dos meus sofrimentos, se assim pudesse livrar uma só alma e sobretudo muitas para maior glória de Deus!' E, dirigindo-se às suas religiosas: 'Dirigi para este fim inteiramente apostólico, minhas filhas, vossas orações, vossas disciplinas, vossos jejuns, vossos desejos'.


Tal é, com efeito, a obra das Carmelitas, das Trapistas, das Clarissas. Vede-as seguir a marcha dos apóstolos, alimentá-los com a superabundância de suas orações e de suas penitências. Suas súplicas precipitam-se do alto, num espaço tão dilatado como a marcha da cruz e o brilho do Evangelho, sobre as almas, essas presas divinas! Ou antes, é seu amor oculto, mas activo, que excita por toda parte, no mundo dos pecadores, as vozes de misericórdia.

Ninguém conhece neste mundo o porquê dessas conversões longínquas de pagãos, da paciência heróica desses cristãos perseguidos, da alegria celeste desses missionários martirizados. Tudo isso está invisivelmente ligado à oração de alguma humilde freira. Com os dedos sobre o teclado dos perdões divinos e das luzes eternas, sua alma silenciosa e solitária preside à salvação das almas e às conquistas da Igreja.

Dom J. B. Chautard in 'A alma de todo apostolado' (Edit. Colecção, São Paulo, 1962, pp., 53-54)

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