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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

DAS CASAS DE EDUCAÇÃO

«Entre todos os deveres que a autoridade pa­terna impõe a um pai e a uma mãe, nenhum co­nheço mais grave, escreve Mgr. Dupanloup, que o de escolher – os mestres a quem deve ser confiada uma parte desta santa autoridade.»
A mulher do povo, especialmente a que habita nas aldeias, não pode ordinariamente enviar o seu filho senão à escola paroquial; as mais das vezes é difícil mandá-lo a outra freguesia vizinha. Como apreciar devidamente os serviços prestados à Igreja e à sociedade, por religiosos e religiosas, que con­sagram a sua vida a instruir o filho do povo, e a educá-lo no amor, e no temor de Deus? Que mulher cristã não seria feliz, confiando-lhe o seu filho ou filha? E onde poderia ela encontrar uma dedicação mais desinteressada e mais sincera?—«Para ser professor de instrução primária, disse o grande his­toriador Thiers, é necessária uma humildade e uma abnegação, de que um leigo raras vezes é capaz: é preciso o padre, o religioso; o espírito, a dedicação leiga não são suficientes!» Se acontecesse, — o que Deus não permita —, que uma criança não pudesse ir à escola, sem expor a sua fé, e a sua inocência, seria infinitamente melhor que ela não abandonasse o teto da sua choupana. 
As próprias escolas, onde se não ensina a religião, nem as virtudes cristãs, não podem bas­tar à educação da infância. Toda a escola mista de crianças de ambos os sexos oferece perigos que uma mãe deve temer. E é por ventura necessário que o agricultor mande o seu filho para o colégio? Essa criança não deixará daí encontrar a saudade da vida dos campos, e depois de acostumado, vol­tará com ares de gran-senhor. Achamos natural e necessário que o vosso filho aprenda a ler, a escre­ver e a contar, e é isso mesmo que ele aprenderá na escola da sua aldeia; mas que fique cultivador, como seu pai, que é o melhor partido que pode tomar. Também achavamos razoável que as mães de família do campo não mandassem a suas filhas como pensionistas, para estabelecimentos, donde elas voltam, falando francês, usando chapéu, sabendo bordar a ouro, a canotilho e a cabelo, mas despro­vidas dos conhecimentos usuais mais necessários. Longe de nós, todavia, censurar as mães que confiam os filhos a um colégio, dirigido por religiosos ou religiosas, onde essas crianças estão ao abrigo dos perigos do mundo.
Digamos agora uma palavra a propósito da esco­lha de colégio, ou antes escutemos o ilustre prelado cujas palavras nunca nos cançaremos de citar: — «Se as crianças devem encontrar na educação pública maus costumes e impiedade, vale mais mil e mil vezes que fiquem para sempre ignorantes, ou rece­bam uma educação menos perfeita, do que perder a sua fé e ver murchar a sua virtude. Não oferece o mau colégio a horrível certeza duma corrupção ime­diata, profunda, medonha, e o mais das vezes irre­mediável?
Antes, pois, que os pais escolham a casa de educação, onde devem colocar os seus filhos, é pre­ciso que se informem, que consultem, que vejam com seus próprios olhos… Por mais que escolham, nunca um pai e uma mãe escolherão de mais, porque uma escola onde se professe o culto e se ensinem as verdades da religião é uma coisa importante. Nada sobre este ponto pode ser feito ao acaso[1]. Traba­lhar por hábito, por capricho, por sugestão alheia, ou por complacência, tratando-se do mais grave dos assuntos e do mais santo dos deveres, seria uma ação sem desculpa [2].»
Vê-se daqui que se deixa cegar pela ternura a mãe que escolhe sempre o colégio mais vizinho, afim de mais facilmente poder prodigalizar as carícias a seu filho, sem prever os perigos que aí pode correr a sua inocência. E como desculpar os pais, que confiam os filhos a um estabelecimento aliás mui pouco recomendável, unicamente porque os preços aí são mais reduzidos? Sob o pretexto de que seu marido exerce um cargo público, uma mulher cristã julgar-se-ia obrigada a enviar seus filhos, para um destes colégios «onde esses desgraçados, juntos a condiscí­pulos mal criados, não encontram o mais de vezes, para substituir um pai, ou uma mãe, senão indiferentes ou mercenários, olhares duros, corações de gelo, e mãos de ferro[3] — «A  educação religiosa, excla­ma na tribuna francesa M. de Gasparin, não existe realmente nos colégios… Recordo-me com horror do que eu era, ao sair dessa educação nacional, re­cordo-me do que eram todos os meus companheiros com quem eu tinha relações: nem tinhamos os mais débeis princípios da fé e da vida evangélica.» Uma mãe cristã procurará, pois, para seu filho um esta­belecimento, onde possa encontrar, nos mestres, a fé, o zelo, a virtude; e nos alunos o espírito de submis­são e a pureza dos costumes. O pai de S. Francisco de Sales queria mandá-lo para o colégio de Navarra, que efetivamente tinha uma grande fama, onde havia grande quantidade de alunos, mas onde havia pouco zelo em cultivar a piedade. M.me de Boisy, sua mãe, fez porém valer tantas razões para fazer prevalecer o colégio dos Jesuitas, ao colégio de Na­varra, que seu marido, sacrificando corajosamente todas as suas pretensões e as suas vistas de amor próprio, viu-se constrangido a dar o consenti­mento[4].
Se não fosse o zelo vigilante de sua mãe, o jovem Francisco, em vez de vir a ser um santo, teria talvez perdido a inocência e a fé.
M.me Acarie colocou dois dos seus filhos no co­légio de Pontoise, onde não havia senão pobres, esperando, diz o seu biógrafo, que eles aí aprovei­tariam os bons exemplos dos seus condiscípulos, que tinham felizes disposições para a virtude. Na esco­lha duma casa de educação, uma mãe segundo a vontade de Deus não se deixa guiar por uma louca vaidade, mas pelo desejo da salvação de seus filhos.
Notas:
__________
[1] Foi o que compreendeu uma verdadeira mãe que escrevia estas linhas em 3 de julho de 1866:  – «Meu reverendo Padre, desejo que o santo Sacrifício seja oferecido no venerado santuário de La Salette para obter, por intervenção da Santíssima Virgem, conhecer e cumprir a vontade de Deus, na escolha que devo fazer dum estabelecimento, para aí confiar o meu filho. Oh! Recomendai com todo o fervor essa intenção a Nosso Senhor, por intermédio de Sua santa Mãe. Talvez me tenham exagerado o perigo do colégio, para meu filho, mas não me posso tranquilizar sobretudo com os exemplos, que a cada momento vejo diante dos olhos. Pedi, pois eu vo-lo suplico, meu reverendo Padre, para que o meu querido filho conserve o precioso tesouro da sua inocência.»
[2] Mgr. Dupanloup
[3] Mgr. Dupanloup
[4] Vida de São Francisco de Sales
A Mãe segundo a vontade de Deus – Pe. J. Berthier

domingo, 26 de agosto de 2018

A MÃE: O CORAÇÃO DA CASA



Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est
É sabido que a mãe deve ser o coração da casa. Eis um exemplo concreto: a mãe de Mons. Marcel Lefebvre.
A mãe [Sra. Lefebvre] nunca esperava estar totalmente recuperada para ter seus filhos batizados. A família ia sem ela à igreja, e somente em seu retorno aceitava pegar o bebê em seus braços, renascido para a vida divina e adornado com a graça santificante.
(…)
A mãe da família era uma alma profundamente espiritual e extremamente apostólica: recordemos duas características de sua fisionomia moral, que Marcel herdaria. Enfermeira formada da Cruz Vermelha, dedicava um dia e meio por semana cuidando dos doentes do ambulatório, realizando o trabalho que desagradava os outros. Ela e seu marido fizeram parte da Conferência de São Vicente de Paulo, mas seu maior apostolado era o da terceira ordem franciscana: pelo estímulo da Sra. Lefebvre, convertida em presidente do discretório de Tourcoing, a fraternidade das “Irmãs” da terceira ordem chegou a 800 membros, com professoras de noviças escolhidos por ela e retiros fechados.
Dirigida espiritualmente pelo padre Huré, montfortiano, sua alma foi elevada a uma vida de união constante com Jesus Cristo; praticava a oração e leitura espiritual; viril e magnânima, se exercitava na mortificação e na renúncia, e em 1917 fez o “voto dos mais perfeitos” (renovado  de confissão em confissão). Vivia pela fé, recomendando todos os acontecimentos a Deus e à sua vontade. A característica mais constante de sua alma e seu espírito era a ação de graças à Divina Providência.
(…)
O lar da família dos Lefebvre era um santuário com seu ritual próprio. Enquanto o pai, acompanhado de Louise, assistia a Missa das 06:15h, no qual acolitava ao pároco, a mãe acordava as crianças traçando-lhes o sinal da cruz na testa e pedindo-lhes para oferecer as obras do dia; depois ia à missa das 07:00h com seus filhos em idade de caminhar, a menos que, sendo já mais velhos, assistiriam a Missa no internato.
Todas as tardes a oração em comum aliviava os reveses da jornada e unia os corações na mesma caridade de Deus. As crianças não iam dormir sem receber a bênção de seus pais.
“Durante o mês de maio, dizia Christiane, íamos em peregrinação a La Marlière, ao lado da cidade de Tourcoing, perto da fronteira com a Bélgica. Procurávamos fazer uma novena de peregrinações durante o mês. Tínhamos que levantar às 05:00h, fazíamos 45 minutos de caminhada (e em jejum), para assistir à Missa das seis e voltar a tempo para as nossas aulas.
Marcel Lefebvre – Dom Bernard Tissier de Mallerais

domingo, 19 de novembro de 2017

Santa Isabel da Hungria e da Turíngia

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Santa Isabel da Hungria e da Turíngia, 7 de Julho de 1207 - Marburgo, 17 de Novembro de 1231), foi uma princesa do Reino da Hungria, filha de André II da Hungria e da rainha Gertrudes de Andechs-Meran, descendente da família dos condes de Andechs-Meran. Do lado materno, era sobrinha de Santa Edwiges, tia das santas Cunegundes (Kinga) e Margarida da Hungria e tia-avó de Santa Isabel de Portugal e, do lado paterno, prima de Santa Inês de Praga. Casara-se com o Duque Ludwig da Turíngia, filho do Landgrave Hermano I e de Sofia da Bavária, soberano de um dos feudos mais ricos do Sacro Império Romano-Germânico. O noivado foi realizado no Castelo de Wartburg, em Eisenach, capital do Ducado da Turíngia. Os dois realmente se apaixonaram, viveram uma grande e intensa história de amor, num matrimônio exemplar, e tiveram três filhos. O que fez atrair sobre Isabel os ciúmes de sua sogra, a duquesa Sofia e demais parentes do esposo. Foi fortemente influenciada pela espiritualidade franciscana, cuja ordem surgiu naquela época. Quis viver uma pobreza voluntária total, no que foi desaconselhada pelo seu diretor espiritual, Conrado de Marburgo, que a aconselhou a viver as virtudes do seu estado.Dela conta-se que certa vez, quando levava algumas provisões para os pobres nas dobras de seu manto, encontrou-se com seu marido, que voltava da caça.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Métodos Naturais não podem ser usados com mentalidade contraceptiva

Indicamos muito esse belo artigo do Padre Daniel Pinheiro sobre métodos naturais e a moral católica. Copiamos um breve trecho abaixo, mas faço questão de colocar o link para o artigo completo: 


"(...) O que falar do chamado método natural? O método natural é aquele em que o casal realiza naturalmente o ato conjugal, mas o faz somente nos dias inférteis da mulher. Antes de tudo, é preciso dizer que é perfeitamente lícito o ato conjugal quando a infertilidade é natural, decorrente, por exemplo, do ciclo da mulher ou da idade ou de um problema da natureza. Assim, no período infértil, o ato é lícito, pois nesse caso a infertilidade não decorre da vontade dos cônjuges, mas da própria natureza. Todavia, uma pergunta deve ser feita: é lícito o casal simplesmente reduzir o ato conjugal apenas ao período infértil sem motivo ou sem motivo grave, quer dizer, é lícito o casal praticar os métodos naturais sem motivo sério, grave? A resposta é não. Os métodos naturais só podem ser praticados quando há motivo grave. O Papa Pio XII diz o seguinte: “o contrato matrimonial, que concede aos esposos o direito de satisfazerem a inclinação da natureza, os estabelece em um estado de vida, o estado conjugal. Ora, aos esposos que fazem uso deste estado conjugal, praticando o ato específico do seu dele, a natureza e o Criador impõem a função de prover à conservação do gênero humano. Essa é a prestação característica que faz o valor próprio do estado deles, o bem dos filhos (a procriação). Na ordem estabelecida por Deus, o indivíduo e a sociedade, o povo e o Estado, a própria Igreja, dependem, para a sua existência, do matrimônio fecundo. Em consequência, abraçar o estado de matrimônio, usar constantemente da faculdade que lhe é própria e que só é lícita nos limites do matrimônio, e, por outro lado, se subtrair sempre e deliberadamente, sem grave motivo, ao seu dever principal, seria um pecado contra o próprio sentido da vida conjugal.” Continua o Papa: “Pode-se ser dispensado dessa prestação positiva obrigatória (da fecundidade), mesmo por longo tempo, até mesmo pela duração inteira do matrimônio, por motivos sérios, como os que não são raros de achar no que chamamos de “indicação” médica, eugênica, econômica e social. No entanto, se, de acordo com um juízo razoável e justo, não há semelhantes razões graves, quer pessoais, quer decorrentes das circunstâncias exteriores, a vontade dos esposos de evitar habitualmente a fecundidade da união, embora continuando a satisfazerem plenamente a sua sensualidade, só pode provir de uma falsa apreciação da vida, e de motivos estranhos às regras da são moral.” Está claro pelas palavras do Santo Padre e pela doutrina constante da Igreja que os métodos naturais só podem ser usados com motivo grave. Muitos dizem que a Igreja recomenda os métodos naturais e quase transformam os métodos naturais em oitavo sacramento da Igreja, como se fossem o ideal da vida matrimonial. A Igreja em hipótese alguma recomenda os métodos naturais. Ela permite os métodos naturais quando há motivo sério, grave, o que é bem diferente de recomendar. O ideal da vida matrimonial é fazer o uso normal do matrimônio nos dias fecundos e infecundos. Os métodos naturais não podem, então, ser usados por razões de contracepção ou por uma mentalidade contraceptiva, quer dizer, para evitar os filhos a todo custo ou para reduzir o número de filhos a um número que seja agradável para o casal. Isso vai contra o dever de estado daqueles que estão unidos em matrimônio.

Para utilizar os métodos naturais de forma moralmente aceitável, é preciso que haja, então, razões graves para que uma nova gravidez não aconteça. Destaco bem: são necessárias razões graves. Essas razões graves podem ser de ordem médica, eugênica, social, econômica. De ordem médica, física ou psicológica, por exemplo, se uma nova gravidez traz riscos graves para a saúde da mãe. De ordem eugênica, por exemplo, se a probabilidade de o filho nascer com problemas ou deficiências é grande ou se há grande probabilidade de aborto espontâneo, sobretudo se já ocorreram seguidamente antes. De ordem social, por exemplo, se o governo aborta sistematicamente as crianças de um casal após o nascimento do primeiro ou segundo, como é o caso na China. De ordem econômica, se o nascimento de mais um filho colocará os pais em situação econômica realmente difícil, por exemplo.

As razões de ordem econômica devem ser graves: o não conseguir dar o melhor colégio ou a melhor comida para o filho não são razões graves. O ter de comprar um carro pior ou ter de baixar o status econômico também não são razões graves. Tem-se exagerado muito a questão econômica para justificar o uso dos métodos naturais. Repito: a razão econômica deve ser realmente grave. Paradoxalmente, quanto mais abastada economicamente é uma sociedade, mais se tende a impedir a geração dos filhos, pois maior é o apego aos bens materiais e maior a aversão aos sacrifícios.

Também a indicação médica é muito exagerada pelos médicos, seja por motivos ideológicos, seja simplesmente para evitar maiores problemas. Os médicos tendem a exagerar bastante o risco de uma nova gravidez. Claro, é remediar isso com opiniões mais imparciais e seguras e com eventuais exames necessários.

Como podem surgir muitas dúvidas sobre o saber se uma razão é ou não suficiente para a utilização dos métodos naturais, é preciso consultar um padre de segura doutrina moral, para evitar o engano em matéria tão delicada. Repitamos as palavras de Pio XII: “se essas graves razões (para utilizar os métodos naturais) não estão presentes, a vontade de evitar habitualmente a fecundidade da união, mas continuando a satisfazer plenamente a sensualidade, só pode derivar de uma falsa apreciação da vida e de motivos alheios às retas normas éticas”. Quando se usam os métodos naturais sem motivo sério, muitos problemas surgirão no matrimônio: mentalidade egoísta, diminuição do amor conjugal, discórdia, tentações contra pureza.

Resumindo, utilizar os métodos naturais sem ter uma razão realmente grave para tanto, é moralmente ilícito, é pecaminoso e deriva de uma mentalidade contraceptiva que precisa ser evitada, pois essa mentalidade, além de ser em si pecaminosa, conduz aos métodos contraceptivos de fato (...)."


[Sermão] Métodos naturais, contracepção e a cultura da morte – 2ª versão
Sermão para o 2º Domingo depois de Pentecostes
29.05.2016 – Pe Daniel Pinheiro, IBP

terça-feira, 3 de outubro de 2017

IDÉIAS MODERNAS NÃO ALTERAM O QUE ESTÁ ESCRITO NOS LIVROS DE DEUS

As idéias modernas de independência, pregadas e seguidas por tantas senhoras, não alteram a verdade do que está escrito nos Livros de Deus. Não passam de heresias para uma cristã temente a Deus e de consciência delicada. As mulheres, sejam sujeitas aos seus maridos (Ef 5,22). Mulheres, sede sujeitas aos vossos maridos, como é necessário no Senhor (Cl 3,18).
Assim como a Igreja está sujeita a Cristo, assim as mulheres estejam sujeitas a seus maridos em tudo (Ef 5,24). Tais são as palavras claras e imperecíveis de São Paulo.
Chefe, princípio que governa a família, é, portanto o marido. Para isso recebeu no sacramento uma graça de estado também. Não pode ser um chefe tirânico, um ditador, um comandante militar, tal como aquele centurião do Evangelho lembrou a nosso Senhor: “Digo a um soldado: vai! E ele vai”.
Seu domínio, sua superioridade sobre a esposa é como o da cabeça sobre o corpo, brando, influindo vigor, cheio de benevolência. Melhor ainda: é como a autoridade de Jesus Cristo sobre a Igreja, sua esposa. Estaria errado, cometeria intolerável abuso, o marido que quisesse fazer da esposa uma escrava de suas ordens, ou se a considerasse obrigada à obediência como um educando a deve ao educador. Sobre bases falsas estariam às relações dos cônjuges, se considerassem a autoridade como anterior ou, em seu exercício, independente do amor. Marido e esposa formam uma espécie de “assembléia deliberativa”. A última palavra fica com o marido, porque ele recebeu a delegação do poder, após mútuo entendimento.
Em tudo, diz São Paulo, para excluir qualquer vão pretexto, qualquer subterfúgio, para não dar margens a caprichos e rebeldias. Em tudo e no Senhor, porque onde há ofensa a Deus cessa a autoridade do marido e a obrigação da esposa, que não é escrava nem vil instrumento de depravações nas mãos dele. Sede sujeitas como ao Senhor e no Senhor – eis a luminosa divisa para as leitoras bem intencionadas.
A esposa deu-se ao marido e, salvo o que deve a Deus, está no poder do marido e só para ele deve viver. Nessa obediência é preciso ter em vista o bem dos filhos. Havendo abusos prejudiciais aos filhos, deve a esposa apresentar os seus direitos, porque é também responsável pela formação dos filhos que pôs no mundo.
 “Obedecei, esposas, porque é melhor dar do que receber. Dar sem compensação é a grande lei do amor; é pundonor e alegria dos sinceros e profundos afetos” (Besson).
As três chamas do lar – Pe. Geraldo Pires de Souza

sábado, 8 de julho de 2017

Dom Bosco recomendou aos jovens que queimassem os maus livros



Além do tempo destinado às orações da manhã e da noite, aconselho-vos a dedicar algum tempo à leitura de livros que tratem de coisas espirituais, como: A Imitação de Cristo; a Filoteia, de São Francisco de Sales; A Preparação para a Morte, de Santo Afonso Maria de Ligório; Jesus ao Coração do Jovem; vidas de Santos e outros livros semelhantes.

A vossa alma obterá grandes vantagens com a leitura desses livros; e crescerá o vosso merecimento aos olhos de Deus se contais a outros o que ledes, ou se fizerdes a leitura em sua presença, sobretudo se for para pessoas que não sabem ler.

Se vos recomendo a leitura dos bons livros, devo também vos recomendar encarecidamente que fujais, como da peste, dos maus livros e das más publicações.

Os livros, jornais ou impressos em que a religião e a moral são menosprezadas, lançai-os ao fogo como faríeis com o veneno. Imitai os cristãos de Éfeso, que logo que ouviram de São Paulo o mal que produziam tais livros, apressaram-se a levá-los à praça pública, e fizeram com eles uma fogueira, preferindo que antes caíssem os livros no fogo do que as suas almas no inferno.

Se não o alimentamos o nosso corpo enfraquece e morre; do mesmo modo a nossa alma perde o vigor se não lhe damos aquilo de que ela necessita: o alimento da alma é a palavra de Deus, quer dizer, a pregação e a explicação do Evangelho, o catecismo.'


São João Bosco in 'Carta aos jovens de todos os tempos'

Fonte:

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Virtudes para uma família cristã

O lar que ignora a oração encaminha-se para o desmoronamento, enquanto o lar que ora, que reza todos dias o Santo Terço, sela com o nome de Deus e a intercessão de Sua Mãe Santíssima, a sua união e garante a sua felicidade



LEITURA MEDITADA
“Irmãos: revesti-vos como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, benignidade, humildade, modéstia e paciência, suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver queixas contra o outro; assim como o Senhor vos perdoou, perdoai-vos também. Mas sobre tudo isto: tende a caridade que é o vínculo da perfeição; e reine em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos. Habite em vós abundantemente a palavra de Cristo, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando em vossos corações, com a ação da  graça, louvores a Deus. E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obra, fazei tudo em nome do Senhor Jesus Cristo, dando graças por Ele a Deus Pai. Mulheres, estai sujeitas a vossos maridos, como convém ao Senhor. Maridos, amai vossas mulheres, e não sejais ásperos para com elas. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Pais, não provoqueis à indignação os vossos filhos, para que se não tornem pusilânimes” (Colossenses, III, 12-21).
Nestas exortações de S. Paulo temos os elementos indispensáveis para a felicidade das nossas famílias. Assim, o Apóstolo, às opiniões do modernismo, destruidor dos mais sagrados vínculos, opõe os preceitos e virtudes criadores de uma felicidade e de uma paz ainda possível neste mundo. Aí está o segredo da paz familiar. Nosso Senhor Jesus Cristo afirmou que os filhos das trevas são mais prudentes nos seus negócios que os filhos da luz nos seus. Só para dar dois exemplos: O comerciante, aos clientes oferece prontamente suas mercadorias, ocultando a sua irritação quando as desprezam e sem ofender-se quando as recusam. Que “misericórdia”; que “paciência”; que “benignidade”; que ‘humildade”; que “perdão das ofensas”; que “que sorrisos de amabilidade!”. O político, a todos acolhe com amabilidade, tolerante com quem o importuna e prestimoso com quem lhe pede auxílio.  O comerciante faz tudo isto como se fosse um santo, mas não: é só para ganhar dinheiro. (Não quero com isto negar que há comerciante santo também). O político parece praticar virtudes heróicas, mas, na verdade, pensa só em conseguir votos, e consequentemente: honra e sobretudo, dinheiro. (Também aqui não pretendo negar que possa existir político santo: é difícil, mas para Deus nada é impossível).
Mas, caríssimos, qual destes motivos compara-se ao grande bem na paz familiar? Dádiva do céu, ela transforma o lar em um vestíbulo do paraíso, as agruras da vida em oásis de bênçãos. A paciência, a humildade, a benignidade, a misericórdia, ensinam aos cônjuges  a arte de se suportarem uns aos outros. Sigam os cônjuges os conselhos de São Paulo supracitados, e as divergências que pareciam separá-los virão a soldar ainda mais o vínculo matrimonial. Saibam os cônjuges perdoar-se mutuamente. Enquanto um momento de silêncio restituirá a bonança; um revide protrairá a tempestade por longos dias e semanas inteiras. Tal como Jesus generosamente perdoou nossos graves crimes, perdoem-se os esposos, com igual generosidade, as discrepâncias de temperamento e de caráter.
A caridade é o liame destinado a unir os fiéis entre si e com Deus. Nesta união consiste toda a perfeição cristã. O amor da paz deveria inspirar todos os sentimentos dos esposos como convém a membros de um só corpo. O lar verdadeiramente cristão deveria estar sempre agradecido a Deus pelos favores d’Ele recebidos. Os ensinamentos e máximas de Nosso Senhor Jesus deveriam ser a bússola em toda a sua conduta e empreendimentos. De um lar cristão são banidas e execradas as máximas do mundo.  “Exortai-vos uns aos outros por meio de salmos, hinos e cânticos espirituais”, insiste o Apóstolo, assim apontando-nos na oração a maior garantia de paz para o lar. A oração é ao mesmo tempo, fonte de onde haurimos as energias necessárias para os momentos trágicos que não faltam na existência de cada indivíduo, como não faltam na vida de toda família. Repudiando os maus conselhos de um mundo colocado no Maligno, busquem os esposos na Santa Religião e no seu Deus o conforto que anima, e da prece fervorosa de um coração que sofre sairá a arma vitoriosa que tudo suporta. “Onde quer que dois ou três se acharem reunidos em meu nome – diz Jesus Cristo – estarei eu no meio deles” (S. Mateus XVIII, 20). Na verdade, nunca um lar se sente mais unido como quando todos os componentes se voltam para Deus repetindo todos a mesma prece divina: “Pai Nosso que estais no céu”. O lar, porém, que ignora a oração encaminha-se para o desmoronamento, enquanto o lar que ora, que reza todos dias o Santo Terço, sela com o nome de Deus e a intercessão de Sua Mãe Santíssima, a sua união e garante a sua felicidade. Seguindo, pois, os conselhos do Apóstolo São Paulo, não será difícil aos nossos lares realizar aquela felicidade que fará das famílias cristãs outros tantos vestíbulos do céu.
Para terminar, lembremos algo sobre a MISERICÓRDIA. O Rei Davi era um homem santo. A própria Bíblia mostra-o para os outros reis, como um modelo de fidelidade a Deus. Mas, num momento de ociosidade e fraqueza cometeu o gravíssimo pecado de adultério e, em consequência o homicídio, outro pecado muito grave. Deus, através do profeta Natan, abriu-lhe os olhos e tocado de sincero arrependimento exclamou: “Pequei”.  Davi chorou a vida toda estes seus graves pecados. Não perdia oportunidade de fazer penitência e escreveu o Salmo 50,Miserere. Eis apenas alguns versículos deste belíssimo salmo de penitência: “Tem piedade de mim, ó Deus, segundo a tua misericórdia; segundo a multidão das tuas clemências, apaga a minha iniquidade” (vers. 1-3); “O meu sacrifício, ó Deus, é um espírito contrito, não desprezarás, ó Deus, um coração contrito e humilhado” (vers. 19).

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Dez boas razões para dizer não à Televisão




1° A televisão certamente é a maior empresa de subversão e de contaminação. Apanha ao homem em seus pontos fracos: seus gostos, sua atração desordenada pela curiosidade e seu incomensurável orgulho. O mundo precipita-se dentro de sua casa, desfila nela durante todo o dia com toda sua violência, seus excessos, suas depravações: é uma verdadeira violação de domicílio. Uma vez apertado o botão de PLAY, se vêem filmes prejudiciais, emissões de “shows de variedades debilitantes”, informações deformadas ou incompletas etc..

 A Família é destruída ou dividida: o ritmo de vida de um lar fica totalmente submetido aos horários das transmissões, às que “não se pode perder”. Tudo se organiza em torno do comando do controle remoto, que usurpa o lugar do Rosário em Família.

3° A compra de uma Televisão, a assinatura de TV a cabo... Tanto dinheiro mal gasto, enquanto há tantas boas obras que necessitam de nossa ajuda.

 “Mas às vezes há bons programas!”. Certamente! Como conseguiriam fazer passar todos os demais horrores, sem estes “bons programas” que estão ali como iscas aos recalcitrantes? Além disso, por algo de bom que se possa ver – mas que não é essencial – quantas outra inúteis, insípidas, amorais e imorais,toleram-se? Quantos horrores?

 Não é conforme as necessidades de nenhuma idade ver um espetáculo todas as noites. O filme de todas as noites é a diversão cotidiana que diminui o gosto pelo esforço.

6° Imaginem todas as noites em sua casa um indivíduo desconhecido que falasse sem parar, que monopolizasse todas as conversações, que impedisse todas as respostas, a quem se aceitasse todas suas proposições sem dizer sequer uma palavra, que fosse o “REI” da noite!. Digam- me se este intruso não é, na realidade a deprimente televisão?

 Ainda se fosse boa, ainda que fosse excelente, a televisão sempre seria um perigo, como um corpo estranho à célula familiar.

 A televisão (graças a seu diretor, o príncipe deste mundo, Satanás), sob as aparências de informação, de abertura ao mundo, de amplitude de espírito, contribui poderosamente para solapar as certezas da Fé, arruinar as convicções cristãs, dissolver as consciências, dissecar os corações, as almas e as inteligências.

 A televisão atrai; pois desde o pecado original ao homem é mais fácil esparramar-se em um sofá, com os pés sobre a mesa de centro, com uma vasilha de guloseimas sobre o ventre e um copo de refrigerante na mão, diante de uma tela de TV, sem fazer nada, ao invés de ler e meditar a vida de Nosso Senhor para imitar-lhe melhor, ou rezar de joelhos o Rosário pedindo pela conversão dos pobres pecadores e a salvação das Almas.

10° Reflitam, Rezem e escutem o que veio dizer-nos Nosso Senhor Jesus Cristo, o verbo encarnado, isto é, o próprio Deus: “Eu sou o caminho, a Verdade e a Vida”; “entrai pela porta estreita, pois larga é a que leva à perdição e são numerosos os que passam por ela”; “quão estreita é a porta e o caminho que leva à Vida,e são poucos aqueles que a encontram” “buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça, e o resto se lhe dará por acréscimo”

Vamos Famílias Católicas! Sua televisão é para vomitar! Joguem-na fora! 

REVISTA “IESUS CHRISTUS” N° 89(FSSPX DISTRICTO AMERICA DEL SUR)
Tradução – Ir. Pedro Obl. Sec. O.S.B.

FONTE:

terça-feira, 18 de abril de 2017

Um Lar Cristão

A Missa Tradicional construiu a Cristandade, porque, em primeira instância, ela construiu os lares cristãos















É a oração em família que fortalecerá a união de suas almas, que lhes dará força, incentivo e conforto nas dificuldades e provações e que atrairá as bênçãos do céu em seu lar.
“Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, nós lhes suplicamos queridos esposos…” — disse o Papa Pio XII —”… que guardem intacta a bela tradição das famílias cristãs: a oração da noite em família. A família reúne-se, no final de cada dia, para implorar a bênção de Deus e honrar a Virgem Imaculada através da recitação do Santo Rosário… os louvores de todos aqueles que irão dormir sob o mesmo teto … “.

Complementando essa vida de oração, o lar também encontrará sua força para frequentar os sacramentos: a confissão frequente, especialmente em momentos de tentações e dificuldades, e também para frequentar o Sacramento da Eucaristia e a Santa Missa, enquanto renovação do Sacrifício Calvário. Porque a união de Nosso Senhor com a humanidade (da qual o matrimônio é a imagem) foi realizada sobre a Cruz, não devemos esquecer. É nesse momento que Nosso Senhor deu sua vida por sua Esposa Mística nascida do sangue e da água vertidos de seu Coração trespassado. Então, é a assistência frequente e fervorosa ao Santo Sacrifício da Missa que manterá e ressuscitará a graça de seu matrimônio. A Santa Missa é a pedra angular da família cristã e, portanto, ela é a fonte da civilização cristã.
Como a Missa nova atenuou de forma alarmante tudo o que pode lembrar-nos que a Missa é realmente o Sacrifício da Cruz, é preciso fundamentar seus lares na Missa Tradicional, não se pode construir sobre a areia… deve-se construir sobre a rocha. Sua fidelidade e esforços para participar da Missa Tradicional (mesmo que seja necessário levantar cedo e percorrer muitos mais quilômetros) obterão as graças de paz e bem-aventuranças em seus lares, fundamentados na Cruz de Jesus Cristo.
Pe. M.D. Roulon, O.P., Les Sacraments

domingo, 3 de julho de 2016

O ZELO DE UMA MÃE

Os deveres que expusemos até aqui para a mãe, embora graves e importantes, são bem me­nos graves e importantes do que os de que nos resta a tratar. Até qui efetivamente só nos ocupamos dos cuidados que têm por objeto o corpo e a vida natural da criança, e daqui por diante vamos ocu­par-nos da cultura da sua inteligência e da vida sobrenatural da sua alma.
Divino Salvador, Palavra eterna do Padre, Luz incriada, falai ao ouvido do coração de todas as mães, e iluminai o seu espírito, para que todas compreendam e sintam de que tesouros são depo­sitárias, e quais os cuidados que devem ter, para vo-los conservar. Concedei-lhes essa graça, para que elas, deixando este mundo, possam dizer, com verdade, o que Vós dizíeis a Vosso Pai, na véspera do dia em que derramastes o Vosso sangue pela salvação dos homens: Meu Pai, cumpri a missão que me confiastes: guardei os que me destes, e nem um só de entre eles se perdeu.
Não há nada, debaixo do Céu, que seja comparável à beleza da alma humana. — «O mundo in­teiro, e todos os milhares de tesouros que ele en­cerra, não podem sequer aproximar-se do seu preço» diz S. João Crisóstomo. Suponde uma balança imensa. Colocai num dos seus pratos todas as riquezas da terra, e todas as criaturas privadas de razão, embora fossem transformadas em ouro, e noutro prato colocai uma única alma. Esta alma pesará mais que todas as riquezas amontoadas. É que, segundo o pensa­mento de Santo Tomás, a alma humana é a mais excelente criatura que há na terra; é o ornamento, a beleza do mundo, a obra prima saída das mãos de Deus, e a sua imagem viva [1], a irmã dos anjos, destinada a partilhar da sua glória. Para resgatar as almas, foi necessário o sangue de Jesus Cristo, o sangue de um Deus! Qual não é pois o seu preço?
Eis a razão por que todos os santos têm dedi­cado um generoso amor para com as almas. —«Por elas, exclamava S. Paulo, de boa vontade me entre­garei, me dedicarei todo inteiro.» — «Ó meu Padre, dizia a um religioso, Santa Catarina de Sena, se soubesseis quanto uma alma é bela e qual é a per­feição dessa obra prima, não duvido que, para a ganhardes para Deus, desseis de boa vontade cem vidas, se as tivesseis.» —Santa Madalena de Pazzi, exclamava com todo o ardor do seu zelo: «Oh! se me fosse possível voar às Índias, ou por entre os Turcos, para converter as almas, como todos os tra­balhos e todos os sofrimentos me pareceriam doces!»
Se pois os santos têm tanta dedicação pelas almas, que lhes eram por assim dizer estranhas, qual não deve ser o zelo da mulher cristã, para com a alma de seus próprios filhos! Uma beleza passageira que notais no rosto do vosso filho, ou da vossa filha, ó mãe, faz nascer tanta ternura no vosso coração, e tomais tanto a peito conservar a vossos filhos essa vida que de vós tiveram: de que caridade não deveis ser abrasada, para com as suas almas, de quem a fé vos descobre a excelên­cia? Com que infinito cuidado não devereis preser­vá-las de tudo o que poderia desfigurar a sua so­brenatural beleza, e extinguir nelas a imagem de Deus? O que não deveríeis tentar para as retirardes do medonho perigo duma perda eterna, quando o pecado a tanto as condenasse?
Santo Agostinho teve a infelicidade de esquecer-se de Deus, durante a sua mocidade. Eis o que depois da sua conversão ele próprio escreveu, acerca de sua mãe: «No tempo dos meus erros,[2] ela chorava-me bem mais amargamente, do que outra qualquer chora um filho sepultado. As suas lágri­mas corriam com abundância… e com elas regava a terra por toda a parte, onde erguia para vós as suas preces, ó meu Deus; a todas as horas do dia Vos dirigia súplicas e gemidos, por minha inten­ção… Viu-me partir para Roma, e o seu coração parecia despedaçar-se, seguindo-me até à beira-mar. Obstinava-se em não me deixar, pedindo-me que consentisse me fizesse companhia. 
Durante a minha ausência, continuou a orar por mim, e Vós, o Deus, que estáveis presente, em toda a parte, onde quer que ela estava a escutáveis; e também para onde eu estava, voltáveis os Vossos olhos piedosos, resti­tuindo-me a saúde ao meu corpo enfraquecido após uma grave doença… E não permitistes que eu mor­resse nesse estado, o que seria para mim uma dupla morte, e para o coração de minha mãe uma ferida de que não poderia restabelecer-se, porque não sei exprimir em que elevado grau por ela era amado, nem quantas dores a dilaceravam. Sem dúvida que também havia de sentir a morte dum filho que muito amava, e esse fato seria um golpe profundo no seu coração. Um dia pediu a um bispo o favor de falar algum tempo comigo, a ver se me convencia a voltar para Deus, (o que ela fazia a todas as pes­soas que julgava terem alguma autoridade, para me demoverem a isso). — «Pois, minha filha, res­pondeu o bispo, continuai a orar, porque não é pos­sível que o filho de tantas lágrimas se possa perder.» Com efeito, Deus das misericórdias, teríeis Vós hu­milhado o coração duma viúva casta, de costumes severos e rígidos, generosa para com os pobres… que nunca deixava de freqüentar o templo, de manhã e de tarde, para aí ouvir a Vossa palavra, e ser ouvida por Vós, nas suas orações? Teríeis podido, ó meu Deus, desprezar as lágrimas da mulher que não Vos pedia ouro nem prata, nem alguns dos bens passageiros e mortais, mas a saúde da alma de seu filho?… Minha mãe, continua ele, a quem a pie­dade dava uma grande força da alma, veio ter comigo a Milão, tendo-me seguido por mar e por terra, sempre tranquila, nos maiores perigos, pela con­fiança que tinha em Vós, e não tinha cessado de me chorar noite e dia, como se eu tivesse morrido, e a quem Vós devíeis ressuscitar.»
Chegada a Milão, pôs-se Santa Mônica em rela­ções com Santo Ambrósio, de quem o filho admi­rava a eloqüência, e procurou tornar freqüentes e íntimas as relações do filho com o santo bispo. Mui­tas vezes levava consigo o filho, quando visitava o prelado, e algumas vezes o mandava só, ora com um pretexto, ora com outro, aparentemente para lhe pedir conselhos sobre um ponto que lhe dizia respeito, mas na realidade, para fornecer ao filho ocasião de conversar com o santo doutor. Enfim, depois de vinte anos de gemidos e de súplicas, teve Santa Mônica a ventura de ver seu filho receber o batismo e abraçar uma vida de desinteresse e de sacrifício.
Algum tempo mais tarde, chegando com ele à praia, decidida a embarcar para África, no fim de uma sublime conversa, acerca do Céu, pelo qual só viviam essas duas grandes almas, disse Santa Mônica a Santo Agostinho: — «Meu filho, nada agora me retém sobre a terra; já não sei porque aqui me con­servo, visto que já realizei todas as minhas esperan­ças. Só desejava viver, para te ver cristão e católico, antes da minha morte. Deus fez mais, pois que te vejo desprezar toda a felicidade terrestre para O ser­vir. Que faço, pois, aqui agora?» [3] E catorze dias depois, Santa Mônica exalava o último suspiro, nos braços de seu filho.
Leonor de Bergh, princesa católica, tinha despo­sado Frederico Maurício de la Tour-d’Auvergne, duque de Bouillon, à maneira dos fiéis da primitiva igreja, com a condição de que, abjurando a heresia, entraria no seio da Igreja; o que ele efetivamente cumpriu, desprezando as sugestões do sua família e dos seus interesses temporais mais manifestos.
Prematuramente viúva, a duqueza de Bouillon mostrou pela salvação de cinco filhos e de cinco filhas que seu esposo lhe tinha deixado, uma solici­tude, cujos testemunhos são tão brilhantes e tão extraordinários, que de certo não seriam acreditados, se não fossem atestados por monumentos de que se não pode duvidar. A perseverança de seus filhos na fé verdadeira, que ela teve a glória de restabelecer na casa de Bouillon, foi desde então a única ocupa­ção da sua vida.
Mas, pressentindo, ao que parece, que também morria prematuramente, e assustada com o pensa­mento de deixar os tenros órfãos, sob a temível in­fluência dos parentes do finado duque, todos calvinistas ardentes, tomou, por meio do testamento, disposições tais, que se pode afirmar que nunca, pelo menos por semelhante forma, se fez tão assi­nalada e tão admirável profissão de fé. Neste ato das suas últimas vontades, Leonor de Bergh não trata senão duma coisa, — a fé de seus filhos. Institui o rei, o parlamento, os bispos, os senho­res católicos, seus tutores honorários, implorando com lágrimas ao monarca, aos magistrados e aos prelados, que vigiassem não pelos bens temporais ou pelo seu futuro no mundo, mas única, mas sim­plesmente pela pureza da sua alma, pelo interesse da sua salvação, único ponto que ela tomava a peito.
Ordena aos cinco irmãos, e às cinco irmãs, que ficavam órfãos na terra, que lessem freqüentemente, durante toda a sua vida, este testamento, onde se expande com efusão o amor do seu zelo pela religião católica, a fim de se afervorarem cada vez mais por esta leitura na sua fé. Tendo tido a precaução de fazer escrever e de assinar, na sua presença, por cada um de seus filhos, a promessa de morrer cató­lico, ordena que imediatamente depois da sua morte essa promessa seja posta entre os seus dedos gela­dos, para ficar com ela encerrada na sepultura. E isto ainda não é tudo. Exige que os filhos que se conservarem fiéis, reneguem e nunca mais conheçam aquele que dentre eles tiver traído a sua fé e a sua assinatura.
«No dia — dizia ela depois, — em que nós ressus­citarmos todos juntos, voltarei meus olhos para vós; e se houver algum que se tivesse desmentido da sua palavra, dir-lhe-hei: — «Vai, maldito e desgraçado! Vai, pérfido e desleal, não te reconheço por meu filho; tu foste falso à fé de Deus, à Sua Igreja, a tua mãe, à tua própria assinatura; vai-te!… »
Pelo que fica exposto, julgar-se-á, sem dúvida, que todos os recursos da ternura maternal ficaram esgotados, e que, para ter a certeza de que a fé seria conservada no coração de seus filhos, nada mais podia fazer a duquesa de Bouillon. Pois enga­nar-se-ia quem tal pensasse.
Convencida de que a fé católica é um bem su­perior a todos os bens, essa incomparável mãe ainda vai encontrar um supremo recurso, — o de se ofere­cer ela própria como vítima. Na sua indizível apre­ensão de que um só de seus filhos, um só, pudesse, em assunto religioso, vir a vacilar uma única vez, implorava de Deus, como um insigne favor, de ficar até ao juízo final no Purgatório, se Deus assim o quisesse, e por esse único prêmio, conceder-lhe a inabalável perseverança de todos os seus filhos na fé católica. Já era amor de mãe!
Os filhos da ilustre e virtuosa princesa não foram, nem podiam ser, indignos de tão admirável solici­tude. Um deles foi cardeal da santa Igreja Romana; duas de suas filhas, apesar de todo o esplendor da sua posição, beleza e imensa riqueza, abandonaram as felicidades e grandezas humanas, e foram procu­rar o paraíso na terra, nos sofrimentos e na obscuri­dade do convento das carmelitas; — todos enfim perseveraram…
Felizes as mães, que, para com seus filhos, são animadas do mesmo zelo, que as mulheres admirá­veis, cujos exemplos acabamos de citar! Terão, neste mundo a consolação de ver os seus filhos amar e servir a Deus. Disse de Maistre, com razão: «Se a mãe souber cumprir os seus deveres, imprimin­do profundamente na fronte de seu filho o caráter divino, pode estar certa de que a mão do vício nunca mais o apagará. O jovem poderá desviar-se do seu caminho, mas descreverá, se me permitis esta ex­pressão, uma curva reentrante, que o trará ao ponto donde tinha partido.» E, acrescentamos nós, até mesmo nos seus erros e desvios, conservará tris­tezas e remorsos, sinais dum próximo arrependi­mento.
Mas porque será, que, num século em que a cari­dade tanto se esfriou, esteja extinto o zelo no cora­ção de algumas mulheres mundanas? Porque, prodi­galizando sem cessar a seus filhos sinais de ternura, não amam neles, senão o corpo, visto que a fé deixou de existir nas suas afeições naturais, por onde se colige, que elas não amam. Sócrates dizia a Aleibíades: —«O que não ama se não o vosso corpo, não ama Alcibíades; porque o que vos ama verdadeira­mente, ama a vossa alma». — Queridas crianças, que apenas sois amadas, dum modo natural, vós não sois amadas por vossa mãe! Que horrível desgraça! Seme­lhante a essa ave cruel, que mete os ovos na terra, e os abandona, vossa mãe não trata senão de vos procurar os gozos do mundo, e soterrando-vos também, não prepara a vossa felicidade no Céu. Preservando-vos, com uma atenta solicitude das quedas, que pode­riam comprometer a vossa vida, não receia os abis­mos, em que se pode precipitar a vossa alma!
Ó infelizes mulheres, para que fostes vós mães? Seria somente para dar aos entes, que fizestes colo­car na terra, a vida corporal, que os animais dão ao seu fruto? Antes as vossas entranhas ficassem, para sempre estéreis! Foi uma verdadeira desgraça o nascimento do vosso filho, pois que, por vossa negligência viestes chamar a desgraça sobre a vossa cabeça, e sobre a cabeça de vossos filhos! Quando, no tribunal de Deus, as infelizes vítimas da vossa negligência gritarem contra vós mais eloqüente­mente que o sangue de Abel gritava contra Caim, que haveis vós de responder?
Ó Maria, ó Vós a quem a sede das almas fez des­cer do Céu sobre uma montanha dos Alpes, para der­ramardes sobre os vossos filhos, que se perdem, lá­grimas abundantes de graça, deixai cair no coração de todas as mães uma centelha desse zelo que abrasa o Vosso!
Notas:
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[1] Citado pelo Padre Sainte-Jure, de quem extraíamos algumas das reflexões contidas neste artigo.
[2] O Santo Agostinho — Confissões.
[3] Abade Bougaud.
A Mãe segundo a vontade de Deus – Pe. J. Berthier, M.S