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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

A jovem que se livrou do diabo graças ao nome de Maria






Um relato popular contado por Santo Afonso Maria de Ligório

No capítulo décimo do livro “As Glórias de Maria”, Santo Afonso Maria de Ligório nos relata uma popular história piedosa a respeito de um episódio que teria ocorrido por volta do ano 1465.
Segundo esse relato, morava na localidade holandesa de Güeldres uma jovem chamada Maria, que havia ido até a cidade de Nimega para levar um recado, mas ali sofrera um tratamento agressivo por parte de uma tia.
Retornando para casa ofendida e com raiva, ela invocou a ajuda do demônio, que lhe apareceu em forma de homem e lhe impôs algumas condições para auxiliá-la:
– Não te peço outra coisa: de agora em diante, não faças mais o sinal da cruz. Também mudarás de nome.
– Não farei mais o sinal da cruz, mas não mudarei o meu nome de Maria. Gosto muito dele.
– Então não te ajudarei.
Depois de muita discussão, a jovem e o diabo chegaram a um acordo: ela se chamaria apenas pela primeira letra do nome de Maria, M. Depois desse pacto, ambos foram para Amberes, onde a jovem levou má vida durante seis anos na companhia diabólica até lhe dizer, certo dia, que desejava voltar para a sua terra. O demônio detestou a ideia, mas consentiu. Chegados a Nimega, viram que estava sendo representada em praça pública a vida de Santa Maria.
Ao ver a representação, a pobre M começou a chorar, pois, no fundo, a sua frágil devoção à Mãe de Deus continuava viva. O companheiro a puxou pelo braço para levá-la dali, mas ela resistia. Vendo que a perdia, o diabo a levantou, enfurecido, e a jogou para o meio do teatro.
A jovem foi se confessar com o pároco, que a remeteu ao bispo e este ao Papa. Depois de ouvir sua confissão, o Pontífice lhe impôs como penitência levar sempre três argolas de ferro: uma no pescoço e as outras nos braços.
A jovem Maria obedeceu e se retirou como penitente a um mosteiro em Maastricht, onde viveu durante quatorze anos. Certa manhã, notou, ao levantar-se, que as três argolas tinham se rompido. Passados mais dois anos, ela morreu com fama de santidade e, conforme um pedido que tinha feito em vida, foi enterrada com aquelas três argolas: elas simbolizavam que, de escrava do inferno, a jovem pôde transformar-se em feliz escrava de Maria Santíssima, sua libertadora, graças ao Santo Nome de Maria.

domingo, 8 de novembro de 2015

Nenhum pecador deve desconfiar da misericórdia e amor desta boa Mãe, se a ela recorrer



Esquil, jovem fidalgo, foi estudar em Hildesheim por ordem de seu pai. Mas, em vez de estudar, entregou-se a excessos de devassidão. Depois disso, adoeceu seriamente, não lhe restando já esperança alguma de vida. Estando próximo da morte teve a seguinte visão: Viu-se dentro de um quarto cheio de fogo e julgou que se achava num inferno. Pôde, felizmente, sair por um vão e refugiar-se num grande palácio. Lá encontrou, numa das salas, a Santíssima Virgem, que lhe disse: Temerário, como ousas apresentar-te diante de mim? Já e já retira-te daqui e mete-te no fogo que muito bem mereceste! 
Nisso começa o jovem a implorar a misericórdia de Maria, e pede a algumas pessoas ali presentes que também o recomendem à Mãe de Deus. Elas atenderam-no, mas a Santíssima Virgem respondeu-lhes: Este moço levou uma vida muito desregrada e nunca me honrou com uma Ave-Maria sequer. Mas ele corrigirse-á, amada Rainha, observaram elas. E o jovem ajuntou logo esta promessa: Sim, eu o prometo; quero corrigir-me e consagrar-me todo a vosso serviço, Senhora. Na mesma hora, Maria tornou-se meiga e disse-lhe com brandura: Bem; aceito a tua promessa; escaparás da morte e do inferno. Após estas palavras terminou a visão. Voltando a si, Esquil agradeceu à Mãe de Deus e a todos relatou o ocorrido. Levou daí em diante uma vida santa, dedicou sempre especial devoção à Santíssima Virgem, e tornou-se mais tarde arcebispo de Lund, na Suécia, onde converteu muitos para verdadeira fé. Já velho, renunciou ao arcebispado, entrando para a Ordem dos Cistercienses, em Claraval. Aí morreu na paz do Senhor, após quatro anos de edificante vida. Alguns escritores colocaram-no na lista dos santos daquela Ordem

(Afonso Maria de Ligório, Santo, 1696-1787. Glórias de Maria

Fonte:

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Maria é nosso auxílio no tribunal divino

Quando uma alma está para sair desta vida, diz Isaías, se conturba o inferno todo e manda os demônios mais terríveis a tentá-la antes de sair do corpo e depois acusá-la, quando se apresentar ao tribunal de Jesus Cristo. ” O inferno via-se lá embaixo à tua chegada todo turbado, e diante de ti levanta gigantes” (Is 14, 9). Mas Ricardo diz que os demônios, em se tratando de uma alma patrocinada por Maria, não terão atrevimento, nem ainda para acusá-la. Pois sabem muito bem que o Juiz nunca condenou, nem condenará jamais uma alma patrocinada por sua grande Mãe. S. Jerônimo escreve à virgem Estóquio que Maria não só socorre os seus amados servos na sua morte, mas também os vem esperar na passagem para a eternidade, a fim de os animar e de os acompanhar até ao tribunal divino. Ó dia esse, exclama o Santo, em que a Mãe de Deus, rodeada de muitas virgens, há de vir ao teu encontro! E isto se conforma com o que a mesma Santíssima Virgem disse a S. Brígida, referindo-se a seus devotos moribundos: Na hora da morte dos meus servos eu venho, como Senhora e Mãe amantíssima deles, e lhes trago consolo e alívio.
Ajunta S. Vicente Ferrer que a bem-aventurada Virgem recebe as almas dos que morrem. Nossa amorosa Rainha acolhe sob seu manto as almas dos seus servos, apresenta-as ao Filho que as deve julgar e obtém-lhes a salvação. Foi o que aconteceu a Carlos, filho de S. Brígida. Morrera na perigosa carreira de soldado, longe da mãe, que por isso mesmo muito temia pela salvação dele. Mas a Santíssima Virgem revelou-lhe que Carlos se havia salvo, pelo grande amor que lhe consagrava, razão por que ela própria o assistira na última hora, sugerindo-lhe todos os atos cristãos necessários no momento. Ao mesmo tempo viu a Santa Jesus Cristo no trono, e viu também que o demônio lhe apresentou duas acusações contra a Santíssima Virgem. Era a primeira que Maria lhe tinha impedido de tentar o moribundo; a segunda, que ela mesma havia apresentado ao Juiz a alma de Carlos e assim a salvara, sem lhe permitir alegar nem ainda os direitos que ele, demônio, possuía.
Seus vínculos são uma atadura de salvação – e nela acharás tu no fim o teu descanso (Eclo 6, 29, 31). Feliz de ti, meu irmão, se na hora da morte te achares preso pelas doces cadeias do amor à Mãe de Deus. Como cadeias de salvação, esses vínculos te assegurarão a tua eterna bem-aventurança, e te farão gozar na morte aquela paz bendita, que será princípio da paz e do repouso eterno. Refere o Padre Binetti no seu livro “A Perfeição”, que assistindo ele um grande devoto de Maria à hora da morte, o ouviu dizer antes de expirar: “Ó meu padre, se soubésseis quanto contentamento sinto por ter sido servo da Santíssima Mãe de Deus! Não sei explicar a alegria que sinto neste instante! – Tinha o Padre Suárez muita devoção a Nossa Senhora e costumava dizer que trocaria sua ciência pelo valor de uma Ave-Maria. Ao morrer, tanta lhe era a alegria, que exclamou: Nunca imaginei que fosse tão suave o morrer! O mesmo contentamento e alegria sentirás também tu, devoto leitor, se na hora da morte te recordares de haver amado a esta boa Mãe, a qual não sabe deixar de ser fiel com os seus filhos, que foram fiéis em servi-la e em obsequiá-la, visitando-lhe as imagens, rezando o rosário, jejuando, rendendo-lhe graças com frequência, louvando-a e encomendando-se a seu poderoso patrocínio.
Não te privará desta consolação a lembrança de teus pecados passados, se de hoje em diante cuidares em viver como bom cristão, servindo a tão grata e benigna Senhora. Verdade é que o demônio há de vir com angústias e tentações para levar-te ao desespero. Mas a Virgem te confortará; virá em pessoa te assistir na hora da morte, como fez a Adolfo, conde de Alsácia. Deixara ele o mundo e entrara para a Ordem dos Franciscanos, onde se tornara, como rezam as Crônicas, um grande servidor de Maria. Estando para morrer, ao pensar no rigor do juízo divino, começou a tremer perante a morte, cheio de receios sobre a sua salvação. Então Maria, que não dorme nas angústias dos seus servos, acompanhada de muitos santos, se apresentou ao moribundo e animando-o lhe disse: Meu caro Adolfo, por que tens medo da morte? Porventura não me pertences? Com estas palavras o servo de Maria se consolou, desaparecendo todos os seus temores e expirou em santa paz e contentamento.
Eia, pois, animemo-nos nós também. Ainda que sejamos pecadores, tenhamos confiança que Maria há de vir assistir-nos na hora da morte, consolando-nos com sua presença, se a servimos com amor durante os dias que ainda nos restam no mundo. Nossa Rainha prometeu um dia a S. Matilde que havia de vir assistir, à hora da morte, todos os seus devotos que a servissem fielmente em vida. Que consolação, ó meu Deus, não será a nossa, quando no último momento da nossa vida, tão decisivo para a causa da nossa salvação, virmos ao pé de nós a Rainha do céu, assistindo-nos e consolando-nos com a promessa de sua proteção! Inumeráveis exemplos da assistência de Maria a seus servos moribundos, além dos já citados, vêm narrados em vários livros. Esse favor foi concedido a S. Félix de Cantalício, capuchinho, a S. clara de Montefalco, a S. Teresa, a S. Pedro de Alcântara. Conta o padre Crasset que S. Maria Ognocense viu a Santíssima Virgem à cabeceira de uma devota viúva de Villembroc, que ardia em febre; e viu-a consolando a doente, refrigerando e aliviando-a em sua febre.
Fechemos este capítulo com um novo exemplo que fala do terno amor desta boa Mãe para com seus filhos na hora da morte.
Glorias de Maria – Santo Afonso

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Nossa Senhora e a pastorinha devota


Conta o Padre Auriema que uma pastorinha de ovelhas tinha muito amor a Maria Santíssima. Todas as suas delícias eram ir a uma Capela da Virgem, que estava no monte, e aí entreter-se sossegadamente com sua boa Mãe, enquanto pastavam as ovelhas. E porque a pequena estátua da Mãe de Deus estava sem enfeite algum, pois-se a fazer-lhe um manto, com suas pobres mãozinhas. Um dia, colhendo do campo algumas singelas flores, dela compôs uma grinalda. Depois, subindo ao altar, a pôs na cabeça da imagem, dizendo: Minha Mãe, eu quisera pôr-vos na cabeça uma coroa de ouro, mas não posso porque sou pobre. Assim recebei de mim esta pobre coroa de flores; aceita-a em sinal do amor que vos tenho. Com estes semelhantes obséquios buscava a piedosa pastorinha servir e honrar a sua amada Rainha. Ora, vejamos agora como a boa Mãe recompensou as visitas e o afeto desta sua filha.
Caiu ela enferma e chegou a termo de morrer. Sucedeu que dois religiosos passando por aquele lugar, e cansados da viagem, se puseram a descansar debaixo de uma árvore. Um dormia e o outro estava acordado. Mas ambos tiveram a mesma visão. Viram um grupo de belíssimas virgens, e entre elas estava uma que em beleza e majestade excedia a todas. A esta perguntou um dos religiosos: Quem sois vós, Senhora, e a onde ides? - Eu - respondeu a Virgem - sou a Mãe de Deus e vou com estas santas virgens visitar aqui na aldeia uma pastorinha moribunda, que muitas vezes me visitou a mim. Assim disse e desapareceu. Disseram então aqueles bons servos de Deus: Vamos nós também vê-la! Prepararam-se e, chegando a casa onde estava a pastorinha moribunda, entraram na pobre choupana e ali a viram deitada sobre um pouco de palha. Saudaram-na; ela fez o mesmo e lhes disse: Irmãos, rogai a Deus que vos faça ver quem me está assistindo. Logo ajoelharam-se e eles viram a Mãe de Deus que estava ao lado da pastorinha com uma coroa na mão, e a consolava. Eis que as virgens começavam a cantar, e ao som daquele suave canto saiu do corpo a bendita alma da pastorinha. Maria colocou-lhe então a coroa na cabeça, tomou-lhe a alma e levou-a consigo ao Paraíso.

Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Maria cuida de cada um de nós

S. Boaventura anima os pecadores nestes termos: Que deves fazer, se por causa de teus pecados temes a vingança de Deus? Vai, recorre a Maria, que é a esperança dos pecadores. Estás, porém, receoso de que ela não queira tomar tua defesa? Pois então fica sabendo que é impossível uma tal repulsa; pois o próprio Deus encarregou-a de ser o refúgio dos pecadores.

É lícito a um pecador desesperar de sua salvação, quando a própria Mãe do Juiz se lhe oferece por mãe e advogada? pergunta o Abade de Adão de Perseigne. E continua: Vós, ó Maria, que sois a Mãe da Misericórdia, recusaríeis interceder junto ao vosso Filho que é Juiz, por um filho vosso que é pecador? Em favor de uma alma recusaríeis falar ao redentor, que morreu na cruz para salvar os pecadores? Não; não podeis fazê-lo; pelo contrário, de coração vos empenhais por todos que vos envocam. Pois sabeis perfeitamente que aquele Senhor, que constituiu vosso Filho medianeiro de paz entre Deus e o homem, também vos constituiu a vós medianeira entre o juiz e o réu. Agradece, portanto, ao Senhor que te deu uma tão grande medianeira, exorta S. Bernardo. Por manchado de crimes, por envelhecido que sejais na iniquidade, não percas a confiança, ó pecador. Dá graças ao Senhor que em sua nímia misericórdia não só te deu o Filho por advogado, senão também para aumento de tua confiança te concedeu esta grande medianeira, cujos rogos tudo alcançam. Recorre, pois, a Maria e serás salvo.

EXEMPLO

Como narram os Anais da Companhia de Jesus, vivia em Bragança de Portugal um moço que era associado da Congregação Mariana. Infelizmente, deixou a congregação e levou uma vida muito perdida. Chegou ao ponto de um dia resolver-se a dar cabo da vida, atirando-se a um rio. Mas, antes de executar seu tenebroso plano, lembrou-se em boa hora de encomendar-se a Nossa Senhora. Disse-lhe: Outrora eu era mariano e levava uma vida piedosa. Ó Maria, ajudai-me também agora. Pareceu-lhe então ver Nossa Senhora e ouvir as palavras: Que vais fazer? Queres perder ao mesmo tempo a alma e o corpo? Vai, confessa-te e volta à Congregação Mariana. O moço caiu em si. Agradeceu à Santíssima Virgem a graça recebida e mudou de vida.

Fonte: Livro ''Glórias de Maria'' de Santo Afonso de Ligório - Maio com Maria (ano ímpar) - Dia 11, p.173.

domingo, 2 de junho de 2013

Particular clemência de Maria para com os pecadores



“Consentis, Senhor, que façamos descer fogo do céu e os consuma?” — assim perguntaram ao Mestre João e Tiago, quando os samaritanos se recusaram a receber Jesus Cristo e sua doutrina. Respondeu-lhes então o Salvador: Não sabeis de que espírito sois? (Lc 9, 55). Queria dizer: Sou de um espírito todo de clemência e doçura; para salvar e não para castigar os pecadores, vim do céu e vós quereis vê-los perdidos? Falais em fogo e castigo? Calai-vos e nisso não me faleis mais, porque não é esse meu espírito! Ora, sendo o espírito de Maria completamente semelhante ao de seu Filho, não podemos pôr em dúvida seu natural compassivo. De fato, é chamada Mãe de Misericórdia e foi a própria misericórdia de Deus que tão compassiva e clemente a fez para todos. Assim o revelou a própria Virgem a S. Brígida. Por isso representa-a S. João revestida do sol: Apareceu um grande sinal no céu; uma mulher vestida do sol (Ap 12, 1). Comentando o trecho, diz S. Bernardo à Virgem: Senhora, revestistes o Sol (Verbo Divino) da carne humana, mas ele vos revestiu também de seu poder e de sua misericórdia.

sábado, 1 de junho de 2013

Maria, nome santo!!!


"O augusto nome de Maria, dado à Mãe de Deus, não foi coisa terrena, nem inventada pela mente humana ou escolhido por decisão humana, como acontece com todos os outros nomes que são impostos. Este nome foi escolhido pelo Céu, e lhe foi imposto por divina disposição, como o atestam São Jerônimo, Santo Epifânio, Santo Antonino e outros. “Do Tesouro da divindade – diz Ricardo de São Lourenço – saiu o nome de Maria”. Dele saiu teu excelso nome, porque as três divinas pessoas, continua ele, te deram esse nome, superior a qualquer nome, à exceção do nome de teu Filho, e o enriqueceram com tão grande poder e majestade que, ao ser pronunciado teu nome, querem que, para reverenciá-lo, todos dobrem o joelho, no céu, na terra e no inferno. Mas, entre outras prerrogativas que o Senhor concedeu ao nome de Maria, vemos quão doce o tem feito para os servos desta Santíssima Senhora, tanto durante a vida como na hora da morte.]'

(Glórias de Maria – Santo Afonso Maria de Ligório)

Significado do nome Maria!


E o nome da Virgem era Maria (Lc 1, 27). Fá-lo para nos dar a entender que o nome da puríssima Virgem é inseparável da castidade. Vem daí a frase de S. Pedro Crisólogo: O nome de Maria é indício de castidade, querendo dizer: quem duvida se pecou nas tentações impuras, tem um sinal certo de não ter ofendido a castidade, quando se lembra de haver invocado a Maria.


Sigamos sempre, por conseguinte, o belo conselho de S. Bernardo: Nos perigos, nos apuros, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca a Maria; nunca se aparte seu nome de teus lábios, de teu coração. Em todos os perigos de perder a graça divina pensemos em Maria, invoquemos o seu nome e o de Jesus, para que andem sempre unidos esses dois nomes. Nunca se apartem nem do nosso coração, nem da nossa boca, esses dois dulcíssimos e poderosíssimos nomes. Pois eles nos darão forças para não cairmos e para vencermos sempre todas as tentações. (Glórias de Maria – Santo Afonso Maria de Ligório)


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Maria é toda clemência e bondade





O autor dos Discursos sobre a Salve Rainha diz que Maria é a terra prometida pelo Senhor, na qual manava leite e mel. Quer assim mostrar-nos de modo bem intuitivo a grande bondade dessa Rainha para conosco, miseráveis e deserdados. S. João acrescenta que Maria tem entranhas de tanta misericórdia, que merece ser chamada não só misericordiosa, mas a própria misericórdia. Por causa dos infelizes foi Maria constituída Mãe de Deus e colocada para lhes dispensar misericórdia, ensina-nos S. Boaventura. Considera em seguida a imensa solicitude que ela tem para todos os miseráveis, bem como a sua grande bondade que acima de tudo deseja socorrer aos necessitados. Essa consideração leva o Santo a dizer: Quando olho para vós, ó Maria, parece-me não ver mais a divina justiça, mas a divina misericórdia somente, da qual estais cheia. Em suma, tanta lhe é a piedade que, como diz o Abade Guerrico, seu amoroso coração não pode cessar um momento de ser misericordioso conosco.

terça-feira, 28 de maio de 2013

A devoção a Maria é um penhor da bem-aventurança


Desde que não lhe ponhamos obstáculos, alcança-nos essa divina Mãe o paraíso, pela eficácia de suas súplicas e de seu patrocínio. Aquele, por conseguinte, que a serve e conta com sua intercessão, está seguro do paraíso, como se já ali estivesse. O servir e ser da sua família, diz Ricardo de S. Lourenço, é das honras a maior; pois, servi-la é reinar no céu, é viver sob suas ordens, é mais que reinar. Pelo contrário, prossegue ele, aqueles que não servem a Maria, não se salvarão; porquanto, destituídos do auxílio da poderosa Mãe, ficam também privados do socorro do Filho e de toda a corte celeste.




Sempre seja, pois, louvada a infinita bondade de nosso Deus, exclama S. Bernardo, que foi servido de constituir Maria nossa advogada no céu, para que ela como Mãe do Juiz e Mãe de Misericórdia trate do grande problema da nossa salvação. Jacó, monge e célebre doutor entre os gregos, diz que Deus colocou Maria como ponte de salvação sobre a qual nos faz atravessar as ondas deste mundo e assim alcançaremos o tranqüilo porto do céu. Daí então a exortação de S. Boaventura*: Ouvi, ó vós, desejosos do reino de Deus: honrai e servi a Virgem Maria, e encontrareis a vida eterna.
Não devem desconfiar de conseguir o reino do céu nem ainda aqueles que só têm merecido o inferno, se se resolverem a servir com fidelidade a esta Rainha. Quantos pecadores — exclama S. Germano — buscaram a Deus por vosso intermédio, ó Maria, e foram salvos! Ricardo de S. Lourenço chama a atenção sobre o texto do Apocalipse (12, 1), no qual se diz estar Maria coroada de estrelas, enquanto que nos Sagrados Cânticos ela aparece rodeada de feras, de leões e de leopardos (Ct 4, 8). Como pode ser isso? É que essas feras — responde o comentador — são os pecadores que pelo favor e pela intercessão de Maria se tornam estrelas do paraíso. Formam assim uma coroa que mais convém para a fronte dessa Rainha de Misericórdia, do que todas as estrelas materiais do céu. Rezando um dia na novena da Assunção, a serva de Deus Sóror Serafina Capri (como se lê na sua biografia), pediu à Santíssima Virgem a conversão de mil pecadores. Mas logo depois temeu fosse talvez muito ousado o seu pedido. Aparece- lhe a Virgem e repreende-a de seu vão receio com as palavras: Por que duvidas? Por acaso não tenho tanto poder para alcançar de meu Filho a salvação de mil pecadores? Pois olha que vou obtê-la agora mesmo. E levada em espírito ao céu por Maria, viu Serafina inúmeras almas de pecadores que tinham merecido o inferno, mas que pela intercessão da Virgem estavam salvos e já gozavam da eterna bem-aventurança.

É certo que nesta vida ninguém pode ter certeza de sua salvação. “Contudo, não sabe o homem se é digno de amor ou de ódio, mas tudo se reserva incerto para o futuro" (Eclo 9, 1). Entretanto, à pergunta de Davi: “Quem, Senhor, habitará em teu tabernáculo?”, responde S. Boaventura*: Pecadores, sigamos as pegadas de Maria, prostremo-nos a seus pés, e não a deixemos até que nos abençoe, porque sua bênção nos será qual penhor do paraíso. Basta, Senhora, escreve Eádmero, que vós queirais salvar-nos, que não poderemos deixar de ser salvos. Garante S. Antonio que as almas patrocinadas por Maria necessariamente se salvam.

Com toda razão, diz S. Ildefonso, profetizou a Santíssima Virgem que todas as nações a chamariam bem- aventurada, porque é por meio de Maria que os eleitos obtêm a eterna bem-aventurança. Sois, ó grande Mãe, princípio, meio e fim de nossa felicidade, exclama S. Metódio. Princípio, porque Maria nos alcança o perdão dos pecados; meio, porque nos obtém a perseverança; fim, porque ela finalmente nos consegue o paraíso. Por vós, prossegue S. Bernardo, foi aberto o céu, foi despojado o inferno, foi restaurado o paraíso: por vós, em suma, foi dada a vida eterna a tantos miseráveis que só a eterna morte mereciam.

Mas, sobretudo, a bela promessa de Maria deve animar-nos a esperar com segurança o paraíso. A todos os seus servos especialmente aos que buscam fazê-la conhecida e amada de todos, por palavras e exemplos fez a seguinte promessa: “Os que trabalham por mim não pecarão; aqueles que me esclarecem terão a vida eterna’ ’ (Eclo 24, 30). Ditosos, pois, aqueles, conclui S. Boaventura*, que adquirem o favor de Maria; estes desde logo serão conhecidos dos bem-aventurados, por seus companheiros; e quem tiver o caráter de servo de Maria, será registrado no livro da vida. De que serve, pois, inquietarmo- nos com as sentenças das escolas sobre se a predestinação para a glória é antes ou depois da previsão dos merecimentos? Se estamos ou não inscritos no livro da vida? Se somos verdadeiros servos de Maria e estamos sob o seu patrocínio, seremos então certamente do número dos eleitos. Pois, conforme S. João Damasceno, a devoção a essa Mãe, Deus concede-a somente àqueles a quem quer salvar. Tal sentença concorda com o que diz o Senhor por boca de S. João: Aquele que vencer... escreverei sobre ele o nome de meu Deus e o nome da cidade de meu Deus (Ap 3, 12). Quem houver de vencer e salvar-se trará escrito no coração o nome da cidade de Deus. Mas quem é essa cidade de Deus senão Maria? A ela refere S. Gregório as palavras do Salmo: Coisas gloriosas se têm dito de ti, cidade de Deus (86, 3).
Bem podemos, por conseguinte, dizer com S. Paulo: Quem tem este sinal, Deus o reconhece por seu (2 Tm 2, 19). Que por isso a devoção para com a Mãe de Deus é indício certíssimo de salvação, afírma-o Pelbarto. O Beato Alano de Rupe, falando da Ave-Maria, disse: Quem honra freqüentemente a Virgem com esta angélica saudação tem um sinal muito grande de predestinação. E o mesmo diz da perseverança na recitação cotidiana do rosário. Além disso, conforme Nieremberg, os servos de Maria não só na terra são mais privilegiados e favorecidos, mas também no céu serão mais distintamente honrados. Aí terão uma veste principesca pela qual serão conhecidos como familiares da Rainha do céu, por pessoal da corte, segundo o dito dos Provérbios: Porque todos os seus domésticos trazem vestidos forrados (31, 21).

Um dia viu S. Madalena de Pazzi numa visão uma barquinha no meio do mar. Nela estavam refugiados todos os devotos de Maria, que, fazendo ofício de piloto, seguramente os conduzia ao porto. Compreendeu logo a Santa que quantos no meio dos perigos desta vida vivem sob a proteção de Maria, todos são preservados do naufrágio do pecado e da condenação; porque Maria seguramente os guia ao porto do paraíso. Tratemos, pois, de entrar nessa bendita nau que é a proteção de Maria; aí fiquemos na certeza da eterna bem-aventurança, como a Igreja canta: Santa Mãe de Deus, todos aqueles que hão de participar dos gozos eternos habitam em vós, vivendo sob a vossa proteção.
Exemplo


Conta-se nas Crônicas Franciscanas que Frei Leão viu uma vez em visão duas escadas, uma branca e vermelha a outra. Sobre a última estava Jesus Cristo e sobre a primeira estava sua Mãe Santíssima. Reparou como alguns tentavam subir pela escada vermelha. Mas caíam logo depois de subirem alguns degraus; tornavam a subir e outra vez caíam. Foram avisados de que deviam subir pela escada branca, e por essa os viu subir felizmente, porquanto a Santíssima Virgem lhes dava a mão, e assim chegavam seguros ao paraíso.

Nota — Essa visão é como um comentário para as palavras que Leão XIII e Bento XV haviam de escrever: “Como só pelo Filho nós chegamos ao Pai, assim ao Filho ninguém chega senão por meio de sua Mãe” (Nota do tradutor).

Oração
Ó Rainha do paraíso, Mãe do santo amor, sois entre todas as criaturas a mais amável, a mais amada por Deus e aquela que mais o ama. Consenti que também vos ame um pecador, que é o mais ingrato e miserável dos que vivem na terra. Por vosso intermédio, vejo-me livre do inferno e sem mérito algum de tal modo cumulado de benefícios por vós, que agora me sinto todo enamorado de vós.
Quereria, se pudesse, fazer saber a todos quantos vos não conhecem, quão digna sois de ser amada, para que todos vos conhecessem e amassem. Quereria também morrer por vosso amor, em defesa de vossa virgindade, de  vossa dignidade de Mãe de Deus, de vossa Imaculada Conceição, se fosse preciso dar a vida para defender essas vossas sublimes prerrogativas.

Ah! Mãe diletíssima, aceitai o meu afeto e não permitais que um vosso servo, que vos ama, venha a ser inimigo de vosso Deus, a quem tanto amais. Ai de mim! que tal já fui, quando ofendi a meu Senhor. Mas então, ó Maria, eu não vos amava, nem buscava vosso amor. Agora, porém, nada mais desejo, depois da graça de Deus, que amar a minha Rainha e ser honrado com o seu amor. Minhas culpas passadas não me fazem perder a confiança, pois sei que vos dignais amar, é benigníssima e gratíssima Senhora, até os mais miseráveis pecadores que vos amam, e sei também que por ninguém vos deixais vencer em amor.

Ah! Rainha amabilíssima, quero ir amar-vos no céu. Aí, prostrado a vossos pés, melhor conhecerei como sois amável e quanto tendes feito para minha eterna bem- aventurança. Por isso então muito mais vos ei de amar, sem receio de deixar de o fazer algum dia. Ó Maria, tenho a esperança de salvar-me por vosso auxílio. Rogai a Jesus por mim. Nada mais vos peço. A vós compete salvar-me: sois minha esperança. Quero, portanto cantar sempre: Ó Maria, esperança minha, por vós verei a Deus um dia.


(Glórias de Maria – Santo Afonso Maria de Ligório)

Fonte:

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Pela devoção a Maria salvaram-se os bem-aventurados



Os servos de Maria têm um belíssimo sinal de predestinação. Para confortá-los, a Santa Igreja aplica à Mãe de Deus o texto do Eclesiástico: Em todos estes busquei o descanso e assentarei a minha morada na herança do Senhor (24, 14). O Cardeal Hugo comenta: Feliz daquele em cuja morada a Santíssima Virgem encontra o lugar de seu repouso. Maria ama a todos os homens e quereria ver sua devoção reinar no coração de todos os fiéis. Muitos ou não a recebem ou não a conservam. Feliz de quem a recebe e conserva fielmente. “Assentarei a minha morada na herança do Senhor”, isto é, — segundo Pacciucchelli — a devoção à Santíssima Virgem ostenta-se em todos os que no céu formam a herança do Senhor e lá eternamente o louvam. E mais adiante lemos: Aquele que me criou descansou no meu tabernáculo e me disse: Habita em Jacó e possui a tua herança em Israel, e lança raízes nos escolhidos (Eclo 24, 12 e 13). Isto quer dizer: Meu Criador dignou-se vir repousar em meu seio, e quis que eu habitasse no coração de seus eleitos (dos quais Jacó foi figura), que são minha herança. Determinou que deitassem profundas raízes em todos os predestinados a devoção e a confiança para comigo.

domingo, 26 de maio de 2013

Maria livra as almas do purgatório



Mas a Santíssima Virgem não só favorece e consola os seus devotos, como também os tira e livra do purgatório com a sua intercessão. No dia da sua Assunção esvaziou- se o purgatório, como escreve Gerson. Idêntica é também a opinião de Novarino, que a baseia em graves autores. Segundo ele Maria, no momento de ser elevada ao céu, pediu a seu amado Filho a graça de consigo levar logo todas as almas, que então se achavam no purgatório. Desde então, diz Gerson, está Maria na posse do privilégio de livrar os seus devotos daquelas penas. E isso o afirma também absolutamente S. Bernardino de Sena. A seu ver tem Maria a faculdade de livrar com suas súplicas e com a aplicação de seus merecimentos as pobres almas, especialmente as de seus devotos. Do mesmo parecer declara- se Novarino, dizendo que pelos merecimentos de Maria não só se tornam mais leves, mas também mais breves as penas dessas almas, apressando-se com a intercessão da Santíssima Virgem o tempo de expiação. Basta que ela formule um pedido nesse sentido.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Maria consola as pobres almas do purgatório



Muito felizes são os devotos desta piedosíssima Mãe. Pois ela não só os socorre neste mundo, mas também no purgatório são assistidos e consolados com a sua proteção. Por terem essas almas maior precisão de socorro, empenha-se a Mãe de Misericórdia com zelo ainda mais intenso em as auxiliar. Elas muito padecem e nada podem fazer por si mesmas. Diz S. Bernardino de Sena que Maria Santíssima tem nesse cárcere das esposas de Jesus Cristo certo domínio e pleno poder, tanto para aliviá-las como também para livrá-las completamente daquelas penas.

Em primeiro lugar traz alívio às almas. O sobredito Santo aplica-lhe as palavras do Eclesiástico: Caminho por sobre as ondas do mar (28, 8). Isto é, visitando e assistindo meus devotos em suas aflições. Compara ele às ondas as penas do purgatório, porque são transitórias e por isso diferentes das do inferno, que nunca passam. Chama-as as ondas do mar, porque são penas muito amargosas. Os devotos de Maria, aflitos com estas penas, são por ela visitados e socorridos freqüentemente. Eis aqui, pois, quanto importa, diz Novarino, ser fiel servo desta boa Senhora, que não se esquecerá de nós quando padecermos naquelas chamas. Embora Maria socorra todas as almas que penam, contudo obtém para seus devotos mais indulgência e maior alívio.

Revelou Nossa Senhora a S. Brígida: Eu sou a Mãe de todas as almas do purgatório; pois por minhas orações lhes são constantemente mitigadas as penas que mereceram pelos pecados cometidos durante a vida. Digna-se até essa Mãe piedosa entrar naquela santa prisão para visitar e consolar suas filhas aflitas. “Penetrei no fundo do abismo” (Eclo21,8), isto é, do purgatório — como explica S. Boaventura — para consolar com minha presença essas santas almas. Oh! como é boa e clemente a Santíssima Virgem, exclama S. Vicente Ferrer, para as almas do purgatório, que por sua intercessão recebem contínuo conforto e refrigério! E que outra consolação lhes resta em suas penas, senão Maria e o socorro dessa Mãe de miseri-córdia? Ouviu S. Brígida dizer Jesus Cristo a sua Mãe: És minha Mãe, és a Mãe de Misericórdia, és o consolo dos que sofrem no purgatório. A mesma Santa revelou a Santíssima Virgem: Um pobre doente, aflito e desamparado numa cama, alenta-se ao ouvir palavras de consolo e conforto. Assim também as almas do purgatório enchem-se de alegria, só em ouvir pronunciar o nome de Maria. — O nome só de Maria, nome de esperança e de salvação, que continuamente invocam naquele cárcere, lhes dá um grande conforto. Apenas a amorosa Mãe as ouve invocá- la, logo faz coro com as suas preces. Ajuda-as o Senhor, então, refrigerando-as com um celeste orvalho nos grandes ardores que padecem.

(Glórias de Maria – Santo Afonso Maria de Ligório)

Fonte:

terça-feira, 21 de maio de 2013

A devoção a Maria protege contra a fúria de Satanás




Oh! Quanto desagrada ao demônio a perseverante devoção de uma alma à Mãe de Deus! Afonso Álvarez, muito devoto de Maria, foi atormentado pelo demônio com violentas tentações impuras, uma vez que estava rezando. Deixa essa tua devoção para com Maria, disse- lhe o inimigo, que eu deixarei de tentar-te. Foi revelado a S. Catarina de Sena, como atesta Luís Blósio, que Deus concedera a Maria, em consideração a seu unigênito, a graça de não cair presa do inferno pecador algum que a ela se recomendar devotamente. O próprio profeta Davi pedia já ao Senhor que o livrasse pelo amor que tinha à honra de Maria: Senhor, eu amei o decoro da vossa casa...; não percais com os ímpios a minha alma (SI 25, 8).

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A devoção a Maria é penhor de eterna bem-aventurança



É impossível salvar-se quem não é devoto de Maria e não vive sob sua proteção, diz S. Anselmo, e também é impossível que se condene quem se encomenda à Virgem, e por ela é olhado com amor. Quase com os mesmos termos isso confirma S. Antonino. Não podem salvar-se aqueles, escreve o santo, dos quais Maria tem afastado seus misericordiosos olhos; mas salvam-se necessaria­mente os que por ela são vistos com amor e protegidos por sua intercessão. Repare-se, porém, na primeira parte desta proposição e tremam aqueles que fazem pouco caso da devoção à Mãe de Deus, ou que a abandonam por negligência. Estes santos afirmam que não há possibili­dade de salvação para quem não é amparado por Maria.A mesma coisa asseveram outros, como S. Alberto Magno: Todos os que não são vossos servos hão de perder-se, ó Maria. E S. Boaventura*: Aquele que se descuida de servir à Santíssima Virgem morrerá em pecado. Em outro lugar: Quem a vós não recorre, Senhora, não entrará no paraíso. No Salmo 99 de seu Saltério Mariano chega até a dizer que não só não se salvará, mas que nem esperança de salvação terá aquele do qual Maria aparta o seu rosto. E primeiro o disse o Pseudo-Inácio, mártir, afirmando que não pode salvar-se um pecador senão por meio da Santa Virgem, cuja misericordiosa intercessão salva muitíssi­mos que deveriam ser condenados pela justiça divina. O Abade de Ceies repete essas palavras. É nesse sentido que a Igreja aplica a Maria esta passagem dos Provérbios (8, 36): Todos os que me odeiam amam a morte eterna. Sobre o texto: “Ela é semelhante ao navio de um mercador” (Pr 31, 14), diz Ricardo de S. Lourenço: Todos os que não estiverem a bordo desse navio serão submergidos no mar deste mundo. Até o protestante Ecolampádio tinha por indício certo de reprovação a pouca devoção à Mãe de Deus.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Um verdadeiro devoto de Maria não se perde





É impossível que se perca um devoto de Maria, que fielmente a serve e a ela se encomenda. À primeira vista talvez pareça um tanto ousada esta proposição. Antes, porém, que seja rejeitada peço se leia o que a respeito eu vou apresentar.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Para todos é Maria um trono de misericórdia




Predissera o profeta Isaías que pela grande obra da redenção nos devia ser preparado um sólio de misericórdia  “E será estabelecido um sólio em misericórdia” (16, 5). Mas qual é esse sólio? É Maria, na qual acham confor­tos de misericórdia, não só os justos, mas também os pecadores, responde Conrado de Saxônia. Assim como o Salvador é cheio de piedade, também o é Nossa Senhora; à semelhança do Filho, a Mãe nada pode recusar a quem a chama em seu socorro. Guerrico, Abade, faz Jesus dizer a Maria: Minha Mãe, em vós quero colocar a sede do meu reino e por intermédio vosso hei de espalhar as graças que me forem solicitadas. Vós me destes o ser humano, e eu vos darei ter parte em minha onipotência, com a qual possais ajudar e salvar a quem quiserdes.


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Maria foi misericordiosa na terra



S. Epifânio chama a divina Mãe de onividente, pois, como Mãe desvelada, é toda olhos para atender às nossas misérias na terra e aliviá-las. Perguntaram um dia ao de­mônio, quando era esconjurado de um possesso, qual a ocupação de Maria. Respondeu o interrogado: Sobe e desce. Queria dizer que essa bondosíssima Rainha desce sem cessar à terra para trazer graças aos homens, e sobe aos céus para obter favorável despacho às nossas preces. Tem razão, portanto, S. André Avelino ao chamá-la admi­nistradora dos bens do paraíso, porque continuamente está às voltas com a Misericórdia, impetrando graças para todos, tanto para os justos como pecadores. Os olhos do Senhor estão sobre os justos, diz Davi (SI 33, 16). Mas os de nossa Rainha, diz Ricardo de S. Lourenço, estão volta­dos tanto sobre os justos como sobre os pecadores. São olhos de mãe os olhos de Maria, acrescenta ele, e a mãe vela não só para que o filho não caia, senão também para levantá-lo após a queda. 

terça-feira, 14 de maio de 2013

A mediação de Maria apóia-se na sua divina maternidade



A principal missão de Maria quando veio à terra era a de levantar as almas caídas da divina graça e reconciliá-las com Deus. “Apascenta teus cabritos” (Ct 1,7) — disse- lhe, pois, ao criá-la, o Senhor. Como se sabe, os cabritos são uma conhecida figura dos pecadores, que no vale do juízo serão postos à esquerda, enquanto que as ovelhas figuram os eleitos, cujos lugares serão à direita. Ora, esses cabritos, diz Guilherme de Paris, vos são confiados, ó grande Mãe de Deus. Deveis convertê-los em ovelhas; os que por suas culpas mereceriam ser repelidos para a es­querda, graças à vossa intercessão, sejam colocados à direita. O Senhor revelou a S. Catarina de Sena que sua intenção, ao criar essa sua dileta filha, era a de conquistar por sua doçura os corações dos homens, sobretudo dos pecadores, e atraí-los a si. Note-se, porém, aqui a bela reflexão de Guilherme de Paris sobre a citada passagem dos Cânticos: “Diz o Senhor: Apascenta teus cabritos”. Deus, portanto, encomenda a Maria os cabritos dela. Sim, Maria não salva todos os pecadores, mas tão somente os que a servem e invocam. Quanto aos que vivem no pe­cado, nem a honram com algum especial obséquio, nem se lhe encomendam para sair do pecado, esses não são cabri­tos de Maria. No dia do Juízo serão miseravelmente rele­gados à esquerda com os condenados”.

Oh! quantos pecadores obstinados atrai todos os dias para Deus “esse ímã dos corações”, Maria! assim ela mesma se chama, dizendo a S. Brígida: Semelhante ao ímã que atrai o ferro, a mim atraio os corações mais empeder­nidos para reconciliá-los com Deus. E tal prodígios verifica-se não raras vezes, mas todos os dias. Por mim posso atestar muitos casos observados em nossas mis­sões. Pecadores houve que se conservaram duros como pedra perante todos os sermões. Mas arrependeram-se, voltaram a Deus, quando se lhes falou da misericórdia de Maria. Conta S. Gregório que o unicórnio é de tanta feroci­dade que nenhum caçador consegue prendê-lo. Entre­tanto, à voz de uma virgem que lhe grite, rende-se, chega- se e sem resistência deixa-se prender.

Sim, quantos pecadores fogem de Deus, mais ferozes que as mesmas feras, mas à voz desta grande Virgem Maria se rendem, e dela se deixam mansamente prender para Deus!

Na opinião de S. João Crisóstomo, Maria foi feita Mãe de Deus também para que, por sua poderosa interces­são e doce misericórdia, se salvem os infelizes que por sua má vida não se poderiam salvar, segundo a justiça divina. Sim, Eádmero garante que Maria, mais por amor dos pecadores que dos justos, foi exaltada a ser Mãe de Deus. Pois o próprio Jesus Cristo protestou que viera chamar não os justos, mas os pecadores. Canta-se, por este mo­tivo, o verso: 

Os pecadores não desprezais; 
Pois sem eles veríeis jamais 
Ser vosso Filho, Filho de Deus. 

Guilherme de Paris ousa dizer: Ó Maria, tendes obri­gação de ajudar os pecadores, pois todos os vossos dons e as graças todas, toda a vossa grandeza, contida na digni­dade da Mãe de Deus, tudo, enfim, — se me é lícito dizê-lo — deveis aos pecadores. Por amor deles dignou-se o Se­nhor fazer-vos sua Mãe. Ora, se Maria se tornou Mãe de Deus em atenção aos pecadores, como posso eu desespe­rar do perdão dos meus pecados, por enormes que sejam? Assim argumenta Eádmero. 

Na Missa da vigília da Assunção faz-nos a Igreja saber “que a Mãe de Deus foi transferida deste mundo para interceder por nós junto a Deus, no céu, com plena con­fiança de ser atendida”. Dá S. Justino a Maria o título de árbitra de nossa sorte. O árbitro é mediador entre duas partes em contenda, que lhe entregam a decisão sobre suas exigências. Com isso quer dizer o Santo: Como Jesus é medianeiro junto ao Eterno Pai, assim Maria é nossa me­dianeira junto a Jesus; a ela entrega o Filho todas as razões que tem contra nós como Juiz. S. André de Creta chama-a penhor e caução de nossas pazes com Deus. Isto significa: Quer Deus reconciliar-se com os pecadores, perdoando- lhes; para que não duvidem desse seu desejo, deu-lhes Maria como um penhor. Por isso saúda-a assim o Santo: Salve, ó reconciliação de Deus com os homens!

(Glórias de Maria – Santo Afonso Maria de Ligório)

Fonte:

domingo, 12 de maio de 2013

Maria é Medianeira entre Deus e os homens




É a graça de Deus um tesouro muito grande e muito desejável para todas as almas. O Espírito Santo lhe chama um tesouro infinito, pois por meio dela somos elevados à honra de amigos de Deus. “É ela um tesouro infinito para os homens: do qual os que usaram têm sido feitos participantes da amizade de Deus” (Sb , 14). O Divino Salvador diz, por isso, aos que se acham no estado de graça: Vós sois meus amigos (Jo 15, 14). Ó maldito pecado, que rompes essa bela amizade! “Vossas iniquidades separam-vos de Deus” (Is 59, 2). Igualmente aborrece o Senhor o ímpio e a sua impiedade (Sb 14, 9). O pecado, tornando a alma objeto de ódio para Deus, de amiga converte-a em inimiga de seu Senhor. Mas que deve fazer um pecador que tem a desventura de viver presentemente na inimizade de Deus? Precisa encontrar um medianeiro eu lhe obtenha o perdão e o faça recuperar a perdida amizade com Deus. Consola-te, ó infeliz, diz S. Bernardo, que perdeste a Deus. Como medianeiro deu-te o próprio Senhor seu Filho, Jesus Cristo, que pode atender a teus desejos.Que coisa haverá que um tal filho não consiga junto a seu Pai?

Mas, ó meu Deus, por que aos homens parece tão severo esse misericordioso Salvador, que, enfim, por salvá-los deu a sua vida? Assim pergunta o Santo. Por que julgam terrível quem é tão amável? Que temeis, pecadores sem confiança? Ofendestes a Deus, é verdade, mas sabeis que Jesus pregou à cruz vossos pecados, com suas próprias mãos que os cravos transpassaram. Assim purificou nossas almas e satisfez com sua morte a divina justiça. Entretanto, recusais recorrer a Jesus Cristo, intimidados por sua majestade; pois ele, ainda feito homem, não deixa de ser Deus. Quereis outra advogada junto a esse medianeiro? Recorrei então a Maria! Por vós ela rogará ao Filho e ele com certeza a ouvirá. E o Filho intercederá ao Pai, que nada pode negar ao Filho. Termina o Santo dizendo: Filhos meus, essa divina Mãe é para os pecadores uma escada pela qual podem de novo subir aos cimos da divina graça. Maria é minha maior confiança; ela é a razão da minha esperança.

Eis o que o Espírito Santo faz dizer nos Cânticos à bem-aventurada Virgem: Eu sou um muro e meu peito é uma torre, pois me tornei como uma que acha a paz (8, 10). Sou a defesa dos que a mim recorrem, diz Maria; e a minha misericórdia lhes é um benefício, como uma torre de refúgio. E por isso o meu Salvador me fez medianeira da paz entre os pecadores e Deus. Realmente é Maria a pacificadora que obtém de Deus a paz para os pecadores, a misericórdia para os desesperados – assim comenta o Cardeal Hugo. Seu divino Esposo a chama por isso “bela como as tendas de Salomão” (Ct 1, 4). Só de guerra se tratava nas tendas de Davi; só de paz se tratava, ao contrário, nas tendas de Salomão. Com essa comparação quer o Espírito Santo mostrar que essa Mãe de misericórdia cogita, não de guerras e de vinganças contra os pecadores, mas tão somente de paz e de perdão às suas culpas.

Tal é o motivo que faz da pomba de Noé uma figura de Maria. De volta à arca trouxe no bico um ramo de oliveira, como sinal da paz concedida aos homens por Deus. Sois aquela fidelíssima pomba de Noé, exclama Conrado de Saxônia, que, interpondo vosso valimento para com Deus, dele alcançastes a paz e a salvação para o mundo perdido. Maria, pois, foi a celestial pomba que trouxe ao mundo perdido o ramo de oliveira, sinal de misericórdia; porque ela nos deu Jesus Cristo, que é fonte da mesma misericórdia. A ela devemos, em virtude dos merecimentos de Cristo Senhor, todas as graças que Deus nos concede. E assim como por Maria foi dada ao mundo a verdadeira paz do céu, como diz S. Epifânio, assim, por meio de sua mediação, os pecadores continuam a reconciliar-se com Deus. Por isto S. Alberto Magno faz a Virgem dizer: Eu sou a pomba da arca de Noé, que trouxe à Igreja a paz universal.

Clara figura de Maria era também o arco-íris, do qual S. João (Ap 4 ,3) viu cercado o trono de Deus. O Cardeal Vitale assim fala sobre esse arco-íris: É Maria que assiste sempre perante o tribunal para mitigar as sentenças e os castigos merecidos pelos pecadores. Conforme a explicação de S. Bernardino de Sena, era a Virgem também o arco-íris que Deus colocou nas nuvens e dele disse a Noé: Eu porei meu arco nas nuvens e ele será sinal da aliança entre mim e a terra (Gn 9, 13). Maria, diz o Santo é este íris da eterna paz. Pois assim como Deus à vista dele se lembra da paz prometida à terra, assim também pelos rogos de Maria perdoa aos pecadores as ofensas que lhe fazem, e com eles faz as pazes.

Pela mesma razão ainda é Maria comparada à lua. “És bela como a lua” (Ct 6, 9). Aqui observa S. Boaventura: Tal como a lua paira entre a terra e o céu, coloca-se Maria continuamente entre Deus e os pecadores para lhe aplacar a ira contra eles e iluminá-los para que se voltem a Deus.

(Glórias de Maria – Santo Afonso Maria de Ligório)

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