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segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Nem os Cartuxos se atrevem a imitar as penitências do Cura d'Ars



Na antiga casa paroquial de Ars conservam-se como troféu de vitória as disciplinas e os cilícios do Cura d'Ars, o P. João Maria Vianney. Mas o seu principal instrumento de penitência não está ali; deixaram-no na igreja: é o confessionário.

Pode-se dizer que o servo de Deus ali se crucificou livremente. Foi 'um mártir da confissão', conforme as palavras de uma testemunha de sua vida. Bem poderia ter fugido dos pecadores, se retirado para um claustro ou para o deserto, mas por amor às almas permaneceu no seu posto. Ele, que passara a juventude no meio dos campos, respirando o ar puro das montanhas da terra natal, nos dias em que o tempo aprazível convida a passear, permanecia naquela caixa, prisioneiro dos pecadores! Coração delicado e sensível, amigo das belezas naturais, percorrera em tempos idos o risonho vale de Fontblin, onde farfalhavam as faias.

Estava separado disso tudo apenas por algumas casas e pelos muros da sua igreja. Entretanto, por trinta anos, privou-se voluntariamente de gozar da frescura, do encanto e das tranquilas alamedas!

Algumas horas de confessionário bastam para alquebrar o sacerdote mais robusto. Sai-se dele com os membros entumecidos, a cabeça congestionada e incapaz de fixar um pensamento. Perde-se o sono e o apetite, e a quem quiser passar, todos os dias, longas horas assentado, faltar-lhe-ão as forças. Pois bem, conforme escreveu a condessa de Garets, o Cura d'Ars impôs-se um trabalho que extenuaria seis confessores. 'Eis, diz o Pe. Raymond, que o viu exercer este ministério, eis o que sempre me pareceu milagroso e superior às forças humanas: Que um sacerdote tão achacado e dum regime tão austero pudesse, de qualquer maneira, passar a vida no confessionário!... A minha saúde, graças a Deus, é excelente, contudo, confesso que me seria impossível suportar aquele modo de vida durante uma semana, e o mesmo ouvi dizer por outros sacerdotes acostumados a confessar em peregrinações'.

Sim; foi ali entre aquelas tábuas, naquele ataúde antecipado, onde o Cura d'Ars mais teve que sofrer. No Verão, a igreja era como um forno. O calor no confessionário, como ele mesmo dizia, dava-lhe uma ideia do inferno. Algumas vezes tinha que ouvir confissões com compressas na fronte, a tal ponto o torturavam as enxaquecas. Era por este motivo que trazia o cabelo muito curto na parte anterior da cabeça. Nos dias de tempestade ou de forte calor, o ar estava tão viciado na estreita nave do templo que o heróico confessor sentia náuseas e não as podia evitar, a não ser aspirando um vidro de vinagre ou de água de colónia. No Inverno, pelo contrário, naquela região de Dombes, sobretudo quando sopra o vento dos Alpes, até as pedras se fendem. Muitas vezes, refere o P. Dubouis, desmaiou no confessionário, ora por causa do frio, ora por causa das suas enfermidades. Perguntei-lhe uma ocasião: 'Como pode V. Revma estar tantas horas assim num tempo tão cruel, sem nada para lhe aquecer os pés?'

-- 'Ah! meu amigo, é por uma razão muito simples: Desde Todos os Santos até a Páscoa não sinto que tenho pés'.

O cónego Aleixo Tailhades, de Montpellier, que passou com ele parte do Inverno de 1838, conta que 'os pés do pobre Cura se achavam tão lastimados que a pele dos calcanhares saía com as meias quando à noite se descalçava'. Para atenuar a dureza da tábua em que se assentava, experimentaram colocar sobre ela umas almofadas de palha. Ele rejeitou-as. (...)

A assiduidade do P. Vianney no confessionário e os sofrimentos que nele suportava teriam bastado para fazê-lo alcançar um grau de alta santidade. Mas procurando as mortificações com o mesmo ardor com que outros buscam os prazeres, jamais estava saciado de penitência. Impôs-se o sacrifício de nunca olhar para uma flor, de não comer frutas e de não tomar uma gota de água em dias de grande calor. Jamais espantava as moscas que lhe pousavam na fronte. Permanecia ajoelhado sem apoio algum. Impusera-se a lei de nunca manifestar os desgostos e de ocultar todas as repugnâncias da natureza. Dominava a curiosidade ainda a mais legítima: nem sequer manifestou o desejo de ver a estrada de ferro que passava a poucos quilómetros de Ars, e que cada dia trazia para ele tão grande número de peregrinos.

O seu coração estava sem pecado, e contudo, jejuou durante 40 anos jejuou e flagelou-se pelos pecadores. Vimo-lo no princípio do seu apostolado como tomava sangrentas disciplinas para obter de Deus a conversão dos seus paroquianos. Quando estes se converteram, não deixou, apesar disso, que os seus instrumentos de penitência se enferrujassem. A diminuição das forças obrigou-o a servir-se menos deles e a tratar com menos crueldade o seu cadáver. Algumas vezes teve que fazer intervalos entre as flagelações e deixar que as feridas cicatrizassem para poder novamente flagelar-se. (...)

Trazia em cada braço um bracelete de ferro eriçado de pontas agudas. 'Pela rigidez dos seus movimentos e pela maneira como se movia, no púlpito e no altar, era fácil ver, diz a senhora de Garets, que estava coberto de cilícios e de outros instrumentos de penitência'. Uma vez o cilício provocou-lhe uma ferida que causou inquietação pelo perigo da gangrena.

Tais mortificações debilitavam-no ainda mais. Como poderia este sacerdote manter-se em pé quando vivia daquilo que a outros faria morrer? Depois das suas 'loucuras da juventude', daqueles jejuns completos de dois ou três dias, que a princípio se impunha, resignar-se-ia, em vista da sua debilidade e do seu trabalho, a tomar o alimento necessário? (...) 

Pura ilusão! Consentiu em comer todos os dias era contudo muito pouca coisa. O jejum, até então nunca interrompido, continuou da mesma maneira. De ordinário, ao meio-dia, entrava na cozinha do orfanato, e ali num canto do fogão esperava-o uma tigela de leite ou sopa. Quase nunca chegava a saborear a comida. Às vezes, além da sopa, comia alguns gramas de pão torrado. Durante muito tempo não tomava nada durante manhã. Em 1834, estando muito fraco, foi obrigado por Mons. Devie a tomar um quebra-jejum. Desde então, depois da Missa, sorvia um pouco de leite, mas nos dias de jejum nem disso se servia.

Nas Quaresmas de 1849, 1850 e 1851, diz o Irmão Atanásio que ele comia só uma vez por dia. Foi visto aceitar algumas vezes um pouco de sobremesa, ou seja, um pouco de doce; mas nos últimos anos também disso se absteve. Até à sua grave doença de 1843, nunca tomava nada à noite. (...)

Quinhentos gramas de pão duravam mais de uma semana. 'Vi um dia no seu aposento, refere o Sr. Camilo Monnin, um pãozinho com aparentes sinais de ter sido roído por um rato; de facto, era um pedaço de pão que o servo de Deus havia tomado para alimentar-se durante uma grande parte do dia'. (...)

'Para chegar a essa sobriedade excessiva ter-lhe-ia custado horrivelmente'. Assim se expressou o conde de Garets, testemunha emocionante de uma existência totalmente mortificada.

E se para apreciar o Cura d'Ars penitente é mister ouvir um especialista em matéria de penitência, eis aqui um padre da Grande Cartuxa: 'Vemo-nos obrigados a confessar, nós os solitários eremitas, monges e penitentes de toda a classe, que não nos atrevemos a seguir o Cura d'Ars senão com o olhar de nossa afectuosa admiração, e que não somos dignos de beijar os seus pés, nem a poeira dos seus sapatos.'''


Francis Trochu in 'O Santo Cura d'Ars' (Edit. Líttera Maciel, 1997, pp. 334-337)

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

A oração une a alma a Deus




A oração une a alma a Deus. Mesmo que a nossa alma, pela sua natureza, se assemelhe sempre a Deus, restaurada que foi pela graça, de facto ela é-Lhe muitas vezes dissemelhante por causa do pecado. A oração testemunha então que a alma deveria querer o que Deus quer; reconforta a consciência; torna-nos aptos a receber a graça. 

Deus ensina-nos, assim, a rezar com uma confiança firme de que receberemos aquilo que pedimos em oração; porque Ele olha-nos com amor e quer associar-nos à sua vontade e às suas acções benfazejas. Incita-nos, assim, a rezar para que seja feita a sua vontade […]; parece dizer-nos: «Que Me poderia satisfazer mais do que ouvir uma súplica fervorosa, sábia e insistente para que os Meus desígnios se cumpram?» Portanto, pela oração, a alma entra em concordância com Deus. 

Mas quando, pela sua graça e a sua cortesia, Nosso Senhor Se revela à nossa alma, então obtemos o que desejamos. Nesse momento já não conseguimos ver que mais poderíamos pedir. Todo o nosso desejo, toda a nossa força, estão inteiramente concentrados nele, para O contemplar. Parece-me ser uma oração muito alta, impossível de sondar. 

O objectivo da nossa oração é estarmos unidos, pela visão e pela contemplação, Àquele a Quem rezamos, com uma alegria maravilhosa e um temor respeitoso, numa doçura e delícia tão grandes que, nesses momentos, não podemos rezar senão como Ele nos conduz a fazê-lo. Bem sei que, quanto mais Deus Se revela a uma alma, mais ela tem sede dele, pela sua graça; mas, quando não O vemos, sentimos a necessidade e a urgência de rezar a Jesus, por causa da nossa fraqueza e da nossa incapacidade.

Santa Juliana de Norwich

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Um santo monge explica o que é a oração


A oração é, quanto à sua natureza, a conversa e a união da alma com Deus; quanto à sua eficácia, é a conservação do mundo e a sua reconciliação com Deus, um ponto elevado acima das tentações, uma muralha contra as tribulações, a extinção das guerras, a alegria futura, a atividade que não cessa, a fonte das graças, a dadora dos carismas, um progresso invisível, o alimento da alma, a iluminação do espírito, o machado que corta o desespero, a expulsão da tristeza, a redução da ira, o espelho do progresso, a manifestação da nossa medida, o teste ao estado da nossa alma, a revelação das coisas futuras, o anúncio seguro da glória.

Tem coragem e terás o próprio Deus como mestre de oração. É impossível aprender a ver por meio de palavras, porque ver é um efeito da natureza. Assim também é impossível aprender a beleza da oração através dos ensinamentos de outros. A oração só se aprende na oração e o seu mestre é Deus, que ensina ao homem a ciência, que concede o dom da oração àquele que ora, que abençoa os anos dos justos.

São João Clímaco (c. 575-c. 650), monge do Monte Sinai in 'A Escada Santa'

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

O que quer dizer cada petição do Pai-Nosso?








Entenda cada uma das 7 petições da oração que Jesus nos ensinou

A oração mais excelente é o Pai-Nosso; porque nos foi ensinado pelo próprio Jesus Cristo. No Pai-Nosso há sete petições e é a oração cristã fundamental e mais perfeita.
Quando for rezar o Pai-Nosso, esteja atento ao que diz e ao que pede, para que sua oração seja mais autêntica.
As Petições do Pai-Nosso
Lendo os Evangelhos, encontramos duas versões da Oração do Pai-Nosso:
Uma mais longa em Mateus, com sete pedidos(6,7-15); e outra no Evangelho de Lucas, mais curta, com cinco pedidos(11,2-4).
A Oração do Pai-Nosso do texto de hoje, consta de sete pedidos:
1 – Na primeira petição: santificado seja o vosso nome, pedimos que Deus seja conhecido, amado, honrado e servido por todos os homens, e por nós em particular.
2 – Na segunda petição: Por venha a nós o vosso Reino entendemos um tríplice reino espiritual, a saber: o reino de Deus em nós, ou o reino da graça; o reino de Deus na terra, isto é, a Santa Igreja Católica; e o reino de Deus nos céus, ou o Paraíso.
3 – Na terceira petição: seja feita a vossa vontade, assim na terra como no Céu, pedimos a graça de fazer em todas as coisas a vontade de Deus, obedecendo aos seus santos Mandamentos tão prontamente como os Anjos e os Santos Lhe obedecem no Céu. Pedimos, além disso, a graça de corresponder às inspirações divinas e de viver resignados à Vontade de Deus, quando Ele nos manda tribulações.
4 – Na quarta petição: o pão nosso de cada dia nos dai hoje, pedimos a Deus o que nos é necessário cada dia para a alma (pedimos a Deus o sustento da vida espiritual, isto é, pedimos ao Senhor que nos dê a sua graça, da qual a todo o instante temos necessidade) e para o corpo (pedimos o que é necessário para o sustento da vida temporal).
5 – Na quinta petição: perdoai-nos as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores, pedimos a Deus que nos perdoe os nossos pecados, como nós perdoamos aos que nos ofendem.
6 – Na sexta petição: e não nos deixeis cair em tentação, pedimos a Deus que nos livre das tentações, ou não permitindo que sejamos serrados, ou dando-nos graças para não sermos vencidos.
7 – Na sétima petição: mas livrai-nos do mal, pedimos a Deus que nos livre dos males passados, presentes, futuros, e especialmente do sumo mal, que é o pecado, da condenação eterna, que é o seu castigo.
Amém quer dizer: assim seja, assim desejo, assim peço ao Senhor e assim espero.
Para se alcançarem as graças pedidas no Pai-Nosso, é necessário rezá-lo sem precipitação, com atenção e acompanhá-lo com o coração.
Devemos rezar o Pai-Nosso todos os dias, porque todos os dias temos necessidade do auxílio de Deus.

Catecismo Maior de São Pio X 

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Vantagens da Boa Intenção



A boa intenção, como que uma varinha mágica, transforma as ações mais simples e insignificantes em gemas preciosas. Ela é para a ação o que é o alicerce para o edifício, a raiz para a árvore, a alma para o corpo.

Sem o alicerce, o edifício cai por terra; sem a raiz, a árvore seca; se, a alma, o corpo não é mais que um cadáver. Sucede o mesmo com a boa intenção. Além de alcançar méritos, a boa intenção influi para que seja bem feita a ação toda. Ela ainda facilita a posse do céu, por tornar meritórias as mais ordinárias ações, tais como descansar, dormir, comer, etc.

“Eles já receberam suas recompensas”
Muitos desconhecidos do mundo adquirem, por meio da boa intenção, méritos grandes, enquanto tu talvez percas inúmeras ocasiões de ganhar recompensas eternas.

(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 246)

http://paramaiorgloriadedeus.blogspot.com/


segunda-feira, 28 de maio de 2018

As Promessas de Deus e a Eficácia da Oração


Amen, amen dico vobis: si quid petieritis Patrem in nomine meo, dabit vobis – “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai em meu nome, Ele vo-la dará” (Io. 16, 23).
Sumário. Considera como o divino Redentor engrandece a eficácia da oração: Em verdade, em verdade vos digo: que tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo dará. Nem é só neste lugar, mas em muitos outros lugares do Antigo e Novo Testamento, que Deus promete ouvir a quem o roga. Animo pois, e nunca deixemos de recorrer ao Senhor. Peçamos sempre as graças no nome e pelo amor de Jesus Cristo. E para sermos atendidos mais facilmente, valhamo-nos da intercessão de Maria.
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I. Considera como o divino Redentor engrandece no Evangelho deste dia a eficácia da oração. Em verdade, em verdade vos digo: que tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo dará. E não é somente neste lugar, mas em muitos outros, tanto do Antigo como do Novo Testamento, que Deus promete ouvir a quem o roga. Pela boca de Jeremias diz: “Dirigi-te a mim pela orarão, e te atenderei.” (1) Nos Salmos repete: “Chama-me em teu auxílio, e livrar-te-ei.”(2) No Evangelho de São Lucas acrescenta: “Pedi, e dar-se-vos-á …, porque todo aquele que pede, recebe.”(3) No Evangelho de São João, Jesus diz: “Tudo o que me pedirdes em meu nome, fá-lo-ei.” (3) “Pedi tudo que quiserdes, que logo vos será concedido.” (4) E assim há muitas outras passagens.
Por isso o Profeta nos incita a rezar, afirmando-nos que: “o Senhor é suave e benigno e todo misericórdia para os que o invocam” (5). E mais ainda anima-nos São Thiago, dizendo: Si quis vestrum indiget sapientia, postulet a Deo, qui dat omnibus affluenter” (6). – “Se alguém de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente”. Diz este Apóstolo que, quando se ora ao Senhor, este abre as mãos e dá mais do que se Lhe pede. Nec improperat, e não impropéra; parece, ao contrário, que se esquece de todas as ofensas que lhe foram feitas. – Numa palavra, é tão grande a eficácia da oração, que nos pode obter tudo; porque, como diz São João Clímaco, a oração faz de algum modo violência a Deus, obrigando-o a conceder-nos tudo o que Lhe pedimos: Oratio pie, Deo vim infert.
A razão desta eficácia, segundo a explicação de São Leão, é que Deus por sua natureza é uma bondade infinita, e por isso tem um extremo desejo de nos fazer participar de seus bens, e é maior o desejo de Deus de nos fazer bem, do que o nosso de receber. Deus, portanto, não pode deixar de atender a quem o roga; o que leva Santa Maria Madalena de Pazzi a afirmar que Deus, por assim dizer, contrai obrigações com a alma que a ele recorre, porque lhe fornece o ensejo de dispensar as graças conforme almeja o seu coração.
II. Injustamente se queixam alguns, como se o Senhor não os quisesse atender; muito ao contrário, observa São Bernardo, eles mesmos se acham em falta, deixando de Lhe pedir as graças. – Disso parece exatamente que Jesus Cristo se queixou quando, repreendendo docemente a seus discípulos e na pessoa deles a todos nós, acrescenta: “Até agora não pedistes nada em meu nome; pedi e obtereis, afim de que o vosso gozo seja perfeito”: Petite et accipietis, ut gaudium vestrum sit plenum. Como se dissesse: Não vos queixeis de mim, se não tendes sido completamente felizes; queixai-vos antes de vós mesmos, porque não me pedistes graças.
Animo pois, meu irmão, e não deixemos nunca de recorrer a nosso bom Deus, que, particularmente no Sacramento do altar, dá audiência a todos, e está sempre com as mãos cheias de graças para as distribuir a quem as pede. Notemos, porém, as palavras: in nomine meo – “em meu nome”. Pedir em nome de Jesus, não somente quer dizer pedir com confiança nos merecimentos de Jesus, mas também pedir coisas úteis para a nossa eterna salvação. Pelo que Santo Agostinho diz: Não pede em nome de Jesus Cristo, quem pede coisas prejudiciais a própria salvação.
Ó Pai eterno, adoro-Vos, reconheço-Vos por fonte de todo o bem, e graças Vos dou pelos muitos benefícios que me concedestes. Especialmente Vos agradeço a luz pela qual me fizestes conhecer que toda a minha salvação consiste na oração. Quero responder ao vosso convite e Vos peço em nome de Jesus Cristo que me concedais uma grande dor dos meus pecados e a perseverança na vossa graça. “Fazei também, ó meu Deus, que pela vossa inspiração eu conheça o que é reto, e pela vossa graça o execute” (7). Bem sei que não mereço esses favores, mas vosso Filho os prometeu a quem Vo-los pede pelos seus merecimentos, e é pelos merecimentos de Jesus Cristo que Vo-lo peço, e espero obtê-los. – Ó Maria, vossas orações obtêm tudo quanto pedem; rogai por mim. (*II 136.)
1. Ier. 33, 3.
2. Sal. 49, 15.
3. Luc. 1, 9 e 10.
4. Io. 14, 14.
5. Io. 15, 7.
6. Sal 85, 5.
7. Or. Dom. curr.
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II – Santo Afonso

Fonte:
http://catolicosribeiraopreto.com/




11 hábitos que irão transformar a sua vida de oração

segunda-feira, 21 de maio de 2018

AS VIRTUDES E A VIDA INTERIOR A VIRTUDE DA ESPERANÇA


A palavra de Deus é uma luz que no-Lo mostra à nossa inteligência e, assim, estabelece a fé; mas é também uma promessa que nos assegura sua posse e, portanto, estabelece a esperança.
1º Natureza da esperança.
A esperança é uma virtude teológica infusa que nos inclina a esperar, com garantia firme, a bem-aventurança eterna do céu e os meios necessários para alcançá-la. Portanto, a esperança tem como objeto o próprio Deus: Deus como fim e Deus como meio.
 Deus como fim: o objeto principal da esperança é a posse eterna de Deus, ou a bem-aventurança eterna do céu.
2º Deus como meio: o objeto secundário da esperança é o conjunto de socorros úteis ou necessários para chegar à posse de Deus, e que podem ser: — de ordem sobrenatural: o perdão de nossos pecados, a graça santificante, as graças atuais para triunfar contra nossos inimigos espirituais, para praticar as virtudes de nosso estado, para tender eficazmente à perfeição; a graça da perseverança final; — ou também favores temporais, na medida em que se relacionam com a bem-aventurança eterna e nos são necessários ou úteis alcançá-la.
2º Fundamento de nossa esperança.
A esperança cristã apoia-se na natureza de Deus, em suas promessas e em seus dons.
 A natureza de Deus. Tem-se confiança em alguém na medida em que pode e quer socorrer. Agora, Deus, por sua natureza: é todo-poderoso, realiza tudo o que quer, e sabe inclusive transformar em meio soberanamente eficaz o que se levanta como obstáculo insuperável; é infinitamente bom, uma vez que “Deus é caridade” (IJo. 4 16), e quer comunicar-nos os bens e felicidade de que Ele mesmo goza.
2º As promessas de Deus. Deus comprometeu sua divina palavra para tudo o que concerne nossa salvação e perfeição: — palavra escrita, pois as promessas divinas constituem o objeto fundamental de toda a Sagrada Escritura; — a palavra confirmada com juramento reiteradas vezes: “O céu e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão” (Mt. 24 35); — palavra dotada a nossos olhos de todas as garantias imagináveis: Deus a selou com milagres e profecias, fundou a Igreja para guarda-la e transmiti-la, criou o apostolado para pregá-la, o pontificado para interpretá-la, o martírio para confirmá-la.
 Os dons e penhores de Deus. Estes dons e penhores são sobretudo três: Jesus, Maria e a Igreja.
  • JESUS: “Tanto Deus amou o mundo, que deu a seu Filho unigênito, a fim de que todos os que n’Ele creem não pereçam, mas que tenham a vida eterna” (Jo. 3 16). Para ser nosso Salvador, o Verbo se fez carne e habitou entre nós, morreu por nós na cruz, subiu à direita de seu Pai com o fim de ser constituído nosso Advogado e Mediador, e ao mesmo tempo continua misteriosamente entre nós e se dá a cada um de nós, por meio da Eucaristia.
  • MARIA, a que honramos com os títulos de “Mater sanctæ spei” e “Spes mostra”: pois se o Pai nos dá seu Filho como penhor, o Filho por sua vez nos dá como penhor a sua Mãe, tornando-a nossa Mãe: sendo MÃE DE DEUS, está muito próxima de Deus, é todo-poderosa sobre seu Coração e dispõe como quer dos tesouros infinitos de suas graças; e sendo NOSSA MÃE, está muito próxima de nós, é bondade e misericórdia para conosco, e está sempre disposta a dispensar-nos a mancheias as graças divina.
  • A IGREJA: por ela Deus nos assegura as luzes infalíveis da fé, que nos guiam para nossos destinos eternos, e os multíplices e fáceis meios para santificar-nos cada vez mais: Sacramentos, Liturgia, Santa Missa.
3º Qualidades da esperança.
Nossa esperança deve ser inquebrantável, acompanhada de grande desconfiança de nós mesmos, e laboriosa.
1º Incomovível, porque se apoia em Deus. Toda dúvida voluntária seria uma injúria a Deus, à sua bondade, a seu poder, à sua fidelidade; injúria à mediação de Jesus e de Maria.
2º Acompanhada de grande desconfiança de nós mesmos, pela simples razão de que, embora sempre devemos tudo esperar de Deus, também devemos temer tudo de nossa inconstância, de nossa debilidade, de nossas misérias.
3º Laboriosa, ou seja, valorosa e ativa; porque a esperança cristã exige esforços incessantes: — primeiramente, para desprender-se dos gozos terrenos e manter-se no desejo e espera certa dos bens eternos; — e depois, para vencer a preguiça espiritual e empregar todos aqueles meios aos quais Deus prometeu o céu: a oração, os sacramentos, a correspondência às graças divinas, etc.
4º Excelência da esperança.
A esperança é essencial: —  para a salvação, porque é ela que, mediante o desejo e espera segura do céu, mantém nossa alma habitualmente orientada para seu fim sobrenatural; — para a perfeição, porque ao mesmo tempo nos assegura tudo o que pode favorecer nosso progresso espiritual e nossa ação apostólica, a saber, as graças de Deus, nossos esforços de boa vontade, e uma atmosfera de paz e alegria espirituais.
  1. As graças de Deus, primeiro fator de toda atividade sobrenatural. A confiança é a medida das graças de Deus: segundo o dizer dos Santos, Deus é o oceano de todas as graças, e a confiança é a taça que dele bebemos; quanto maior seja, maior será também a abundância de graças que d’Ele obteremos.
  2. Nossos esforços de boa vontade, segundo fator de toda atividade sobrenatural. A perspectiva certa do céu e a segurança de sermos sustentados pela graça de Deus, são um incentivo que nos excita, uma alavanca que multiplica nossas forças, um respaldo que estimula nossa atividade “Inclinei meu coração ao cumprimento de teus mandamentos, pela esperança do galardão” (Sl 118 112).
  3. Uma atmosfera de paz e de alegria sobrenaturais, atmosfera particularmente propícia para o desenvolvimento de nossa vida sobrenatural e para sua irradiação apostólica. Sustentados pela perspectiva do céu e apoiados no socorro de Deus, não nos deixamos entristecer nem abater pelas provas da vida presente, mas, ao contrário, as acolhemos como a mais fecunda semente de alegrias eternas e de colheitas apostólicas.
Por isso dizia Monsenhor Gay que, “se a esperança natural é a alma da vida humana, a esperança sobrenatural, nascida do batismo, é a alma da vida sobrenatural”. E assim, quanto mais perfeita seja nossa esperança, maiores passos nos fará dar na santidade, e maiores obras nos levará a realizar no âmbito do apostolado.
5º Prática da esperança.
A esperança é um dom de Deus: por isso, há que pedir a Deus sem cessar pela oração e os sacramentos que a acrescente em nós. Mas depois há que exercer e desenvolver esta virtude por meio de atos repetidos de esperança inquebrantável na felicidade do céu e nos auxílios necessários que Deus nos outorga para chegar a Ele. Importa muito, sobretudo, fazer atos de esperança e de confiança filial nas seguintes circunstâncias:
 Antes da oração e da recepção dos sacramentos, porque sua eficácia depende do grau de esperança cristã e de confiança filial com que os recebemos.
2º Em presença de atrativo dos gozos e alegrias temporais, que são os adversários natos da esperança cristã, porque tendem a afogar os santos desejos do céu e a colocá-los nos bens desta terra. Há que opor em seguida, a tudo o que o mundo tem de sedutor, a perspectiva certa do céu, e dizer com os Santos: “Eu sou feito para coisas maiores”; “de que me vale isto para a eternidade?”. Deste modo, os gozos temporais, longe de deter-nos, servir-nos-ão de ocasião para tomar um novo impulso para o céu e para Deus, centro e fonte de todo bem.
 Em presença de toda tentação de desânimo, qualquer que seja sua causa: nossos pecados passados, as faltas de momento, tentações violentas de momento, etc.:
  1. Se o desânimo procede de recordação dos pecados passados, devemos apoiar-nos nas promessas de misericórdia de Deus e na eficácia do sacramento da penitência. “Ainda que vossos pecados fossem vermelhos como o escarlate, eles se tornarão brancos como a neve” (Is. 1 18). “Mesmo se reuníssemos em nossa pessoa a rebelião de Lúcifer, a desobediência de Adão, o fratricídio de Caim, a traição de Judas, os escândalos dos heresiarcas e todos os crimes que mancharam a terra antes e depois do dilúvio, ainda seria um dever rigoroso. para nós termos esperança… Se Caim e Judas se condenaram, foi menos por seus crimes do que por haver desesperado de obter perdão” (PADRE CHAMINADE).
  2. Se o desânimo é provocado por uma falta de momento, devemos recordar que o desalento seria mais injurioso a Deus e mais nefasto a nossa alma que a própria falta; que essa falta, seja qual for, desaparece sob o efeito de um ato de penitência e de amor a Deus: “Muitos pecados lhe foram perdoados, porque muito amou” (Lc. 7 47); que esta falta pode inclusive volver-se em proveito de nossa alma se, em lugar de desalento, converte-se em ocasião de um crescimento de humildade, de desconfiança em si mesmo, de confiança em Deus, e de boa vontade em seu serviço. “Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam” (Rm. 8 28), “mesmo os pecados”, acrescentam Santo Agostinho e São Francisco de Sales, dando como exemplo o rei Davi, Maria Madalena e São Pedro.
  3. Se o desânimo procede de tentações violentas e persistentes, ou de grande perigos, ou de grandes provas, ou de deveres que parecem demasiado difíceis, devemos recordar que, embora é certo que nada podemos por nós mesmos, não é menos certo que “tudo podemos n’Aquele que nos fortalece” (Fl. 4 13); e que “tudo é possível para quem se apoia em Deus pela fé e a confiança” (Mc. 22).
4º Ante a perspectiva da morte, devemos aceitá-la quando e como apraza a Deus enviando-a, em um movimento de confiança e abandono filial à sua vontade infinitamente sábia e amável. Desta maneira renderemos a Deus a homenagem mais preciosa a seus olhos, e a mais meritória para nossa alma.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O poder da oração na vida do cristão.



O Que é a Oração?


A oração é uma elevação da alma a Deus, para adora-Lo, para Lhe dar graças e para Lhe pedir aquilo de que precisamos. A oração pode dividir-se em mental e vocal. Oração mental é a que se faz só com a alma; oração vocal a que se faz com as palavras acompanhadas da atenção do espírito e da devoção do coração.


O Que a Oração faz?


- Alimenta nossa alma;
- É o caminho ordinário para receber os dons de Deus;
- É um mandamento de Deus;
- É uma arma poderosa contra os inimigos;
- Faz-nos progredir na virtude;
- Torna as ações fecundas.

E quando devo rezar?


Diz o Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã que, nós cristãos, devemos rezar especialmente nos perigos, nas tentações e no momento da morte; além disso, devemos rezar freqüentemente, e é bom que o façamos pela manhã e à noite, e no princípio das ações importantes do dia.

Para aqueles que não sabem o que rezar de manhã e à noite a seção "Orações da Manhã e da Noite" vem para ajudá-lo. O Rosário é uma importante arma contra o demônio também. Para quem não o conhece, na seção "Rosário" explicamos como rezá-lo e expomos as graças que Nossa Senhora concede a quem o faz.

Cada realidade é diferente uma da outra. Cada alma precisa especificamente de uma coisa ou outra, não podemos recomendar coisas muito específicas para cada necessidade particular... Mas uma coisa é certa que recomendamos: ESTUDO direcionado e ORAÇÃO. Delas, a mais excelente é a oração. É através do constante contato com Deus que a alma vai sendo guiada como uma criança pela mão da mãe.

Como recomendações gerais, também sugerimos a utilização do ESCAPULÁRIO DO CARMO, e o ESCAPULÁRIO VERDE para aqueles que precisam de conversão. Enfim, visite todas as nossas seções se puder, que isso o ajudará muito!




Referências: Catecismo de São Pio X; A Oração - Sto. Afonso de Ligório.

Como Rezar o Terço


http://osegredodorosario.blogspot.com.br/p/como-rezar-o-terco_17.html

quinta-feira, 10 de maio de 2018

O zelo da ORAÇÃO



"A virtude da oração é tão eficaz que só ela vence as tentações e armadilhas do inimigo maligno, que é o único a impedir o vôo da serva de Deus ao céu.


Não é de admirar sucumba muitas vezes miseravelmente às tentações quem não nutrir assiduamente o zelo da oração.

Por isso diz Santo Isidoro: "Este é o remédio para quem sente o fogo das tentações dos vícios: quantas vezes é tentado por algum vício, tantas vezes recorra à oração, porque a oração frequente rebate as impugnações dos vícios."

A mesma coisa diz o Senhor no Evangelho: "Vigiai e orai para não cairdes em tentação."

Tanta é a virtude da oração devota, que com ela o homem pode alcançar tudo e em qualquer tempo: no inverno e no verão, nos dias serenos e de chuva, de noite e de dia...

Às vezes, mesmo numa só hora de oração, ganha mais do que vale todo o mundo, porque com módica oração devota, ganha o homem o reino dos Céus."

Excerto do livro "A direção da alma e a vida perfeita"
São Boaventura

Prática da virtude da ORAÇÃO


Para uma perfeita oração três coisas te são necessárias


1) A primeira é que, quanto te entregares à oração, com o corpo e o coração levantado, e com os sentidos fechados, reflitas, sem ruído, com um coração amargurado e contrito sobre todas as tuas misérias, isto é, sobre as presentes, passadas e futuras.

Diz Santo Isidoro: "Quando, em oração, nos achamos diante de Deus, devemos gemer e chorar, recordando quão grave é o que cometemos, quão duros os suplícios do Inferno que tememos." Essas pungentes meditações devem formar o princípio da tua oração.


2)  É necessário na oração a ação de graças, isto é, que com toda a humildade dê graças a seu Criador pelos benefícios recebidos e ainda a receber.

Tal ação de graças, feita na oração, é sobremodo útil, nem tem valor, sem ela, qualquer oração. Pois "a ingratidão, como diz São Bernardo, é um vento ardente que seca a fonte da piedade, o orvalho da misericórdia e os rios da graça."


3) Exige-se que teu espírito não pense durante a oração, em outra coisa senão naquilo que oras. 

Seria muito inconveniente falar alguém a Deus com a boca e se ocupar com outra coisa no coração; dirigir, por assim dizer, a metade do coração ao Céu e reter a outra metade na terra.

Semelhante oração jamais será atendida pelo Senhor. 

Deve, pois, a serva de Deus, no tempo da oração, afastar o seu coração de todos os cuidados exteriores, de todos os desejos mundanos e de todas as afeições carnais, dirigi-lo ao seu íntimo e levantar todo o coração e toda a alma somente Àquele a quem dirige a sua oração."


Excerto do livro "A direção da alma e a vida perfeita"
São Boaventura

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

AINDA EXISTE, NA ALMA CATÓLICA, VERDADEIRA ORAÇÃO?



O que vem a ser Rezar ?
Mas se é para medir e regular nossa oração, caberia a cada um de nós perguntarmos: e eu rezo? O tempo da Quaresma serviu para melhorar minha oração?
Para responder a esta pergunta é necessário saber o que seja rezar. Ora, tanto o Catecismo como os santos doutores nos falam sobre a boa oração. Diz lá, então, a doutrina perene:
– Rezar é elevar a alma a Deus.
Santo Agostinho nos dará uma compreensão melhor ao afirmar:
– Rezar é ter uma intenção afetiva do espírito para Deus.
Outros santos dirão:
– Rezar é ter uma conversa íntima com Deus.
Ora, estas definições ou explicações se completam maravilhosamente e nos ajudarão a medir o nosso grau de oração, a sabermos se, de fato, rezamos de verdade ou não.
Ainda se encontra quem reze?
Mas a experiência de qualquer sacerdote, nos dias de hoje, deixa-nos assustados, a ponto de podermos interrogar: – O que está acontecendo conosco? Onde estão as almas que rezam de verdade? E se muitos adultos ainda guardam o costume salutar de recolher-se, todos os dias, diante de Deus, já os adolescentes, os jovens, deixando a idade da infância, porque abandonam tão facilmente a prática da oração que nos dá o céu? Onde encontraremos oração que seja elevação da alma, intenção afetiva, ou conversa íntima com Deus?
Não! Não! O que vemos hoje nestas almas é uma oração pesada, um coração irritado, uma oração rápida e mecânica.
Mas se é pesada por causa da contrariedade que se sente em rezar, então não se eleva.
Se vem carregada com irritação, nunca será uma intenção afetiva. Se é mecânica, não se pode pensar em conversa íntima com Deus.
Que quadro desolador o que encontramos nas almas. Passaram-se quatro semanas da Quaresma e nada! O mundo segue seu curso e as almas não se converteram!
Pergunto então, assustado e solene: O que falta à oração da grande maioria dos homens?
O que falta é o AMOR! Falta o Amor do espírito que busca o Espírito do Amor, o Deus que é Caritas, que é Caridade!
Todo amor é um apetite. Se nosso amor vai em busca das coisas sensíveis, será um amor baixo, sensível, humano, animal. Estaremos de corpo e alma entregues às coisas deste mundo, e este amor toma conta do nosso coração, elimina a Presença de Deus, e causa o pecado.
Mas se inclinarmos nosso corpo e nossa alma para o bem, para agradar a Deus em tudo, mesmo quando estamos fazendo algo de humano, estaremos intencionalizando nossos atos na direção de Deus, dando uma intenção nova, elevada, vivificante. Nestes atos de amor espiritual encontraremos a união com Deus, a Presença de Deus em tudo que fazemos, mesmo se não estivermos, naquela hora, pensando Nele.
Por que não se consegue mais rezar?
Devemos então nos perguntar, levando adiante esta pesquisa dos nossos corações:
Porque não se consegue mais rezar direito, segundo a elevação da alma, as intenções santas e a intimidade de Deus?
Porque somos constantemente SEDUZIDOS.
Os nossos três inimigos , o demônio, o mundo e a carne armaram uma guerra sutil e subterrânea que invade nosso coração, nosso corpo, nossas intenções, com todo tipo de sedução. Atraem nossa atenção para afastar-nos do gosto pelas coisas santas, pela vida de Deus.
Como somos seduzidos?
Pelos VÍCIOS. Somos seduzidos todos os dias por vícios antigos e por vícios modernos.
Os vícios antigos são aqueles conhecidos de todos: excesso de bebida, gula, sensualidade, preguiça e todo tipo de vícios capitais.
Os vícios modernos são: a televisão, os video-games, o uso de Messengers, orkut e Internet, telefone celular e todo tipo de modernidade que provoca atitudes compulsivas. Todas estas coisas desviam as almas de seus compromissos, tornando-as agressivas, estressadas, desobedientes, preguiçosas e “burrificadas”.
Formaram uma vida em torno de nós que nos prende, ligados 24 horas por dia: trabalho, dinheiro, saúde, esportes, e os novos vícios, tirando todo o tempo que poderíamos ter para rezar, ler bons livros, pensarmos na nossa salvação eterna. Como rezar bem numa vida assim?
Então passamos quatro semanas da Quaresma onde se constata que, se alguns fizeram algum esforço de penitência e oração, a grande maioria nem se lembra de que os católicos são chamados com toda urgência a se converterem. Continuam no churrasquinho da sexta-feira, nas festas, em muitos pecados. Até quando vamos viver como se a vida da Igreja fosse uma OPÇÃO? Quando muito um dever secundário que realizamos com aquele espírito de revolta de que falamos acima. Como rezar se não combatemos a sedução?
É preciso rezar sempre
Eis o que ensina Nosso Senhor: “Oportet semper orare – É preciso rezar sempre”. E os santos doutores concluirão: “Quem reza se salva, quem não reza fecha as portas do Paraíso”.
Então, católico, levante as armas capazes de vencer o sedutor das almas, capaz de dobrar tua cerviz dura e revoltada. Falta-te o Espírito de Fé!
Não se trata exatamente da fé. A Fé pode ser considerada como o conjunto de verdades reveladas por Deus; é o que os teólogos chamam o Objeto da Fé. Dentro de nós, se produz pela graça divina os Atos de Fé, que são as marcas da nossa adesão ao Objeto da fé, a tudo que Deus nos revelou e a Igreja ensina.
Mas a arma poderosa para combater a sedução dos vícios anti-oração é o Espírito de Fé, que consiste em tomar a fé que está, como um dom divino, colocada em nossas almas, e aplicá-la a todos os momentos, situações, encontros, diversões que fazemos ao longo do dia e da vida. Pelo Espírito de fé fica estabelecida em nossas vidas a Presença de Deus. Esta presença de Deus é que nos aproxima Dele, tornando nosso coração mais próximo, mais íntimo, preparando-o para as conversas sublimes, para a afeição amorosa e para a elevação de nossas almas na verdadeira e pura oração.
É preciso, portanto, intencionalizar todos os nossos atos, transformá-los em armas de combate contra os vícios que nos devoram. É preciso forçar o desejo do nosso coração e todos os sentimentos dele para que não impeçam o momento da oração, da meditação, da leitura espiritual que abre nossas mentes para as coisas divinas.
É preciso acreditar que, perdendo tempo com Deus, o trabalho renderá muito mais  e compensará ao cêntuplo o tempo perdido. Ao contrário, quando não rezamos, acabamos presas fáceis para os vícios modernos e perdemos mais tempo do que seria o da oração.
Meditação sobre a morte
Se ainda agora, depois de pensar nestas coisas, neste diagnóstico terrível que mostra o céu fechado, ainda assim não conseguir se desvencilhar da malha viciosa, então, vamos pensar na morte. Por que não? Afinal de contas, estamos no tempo da Paixão, de luto pela morte de Nosso Salvador. Imaginemos, então, que estamos perto da morte, ou que um ente querido, um filho, um esposo, a mulher, tenha acabado de falecer. Parece duro, pensar nestas coisas? Pior é continuar vivendo sem rezar! O terrível peso que a alma sente pela perda joga por terra todos aqueles vícios horríveis que prendiam a alma. Então, de repente, ela percebe o quanto era fraca, envenenada, ridícula, por não conseguir se dominar e produzir algo de sólido e elevado. A morte nos atrai para o essencial, e é exatamente isso que a Igreja deseja quando vela as imagens no Tempo da Paixão. O Essencial é Cristo, sua Paixão, sua morte na Cruz para nos salvar. O essencial é vivermos unidos todo tempo a Jesus, e dizer com o Apóstolo: “Já não sou  eu que vivo, é Cristo que vive em mim”.
Cabe a cada um de nós mostrarmos aos nossos adolescentes, aos nossos filhos, que é bom rezar. É bom querer rezar. E, mais do que tudo, é muito bom amarmos a oração porque por ela aprendemos a amar a Deus em sua própria intimidade.
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