Mostrando postagens com marcador Virgem Maria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Virgem Maria. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

“Só por meio de Nossa Senhora temos acesso junto a Jesus Cristo”







O que seria de nós sem nossa mãezinha?

Na opinião de S. Caetano bem podemos buscar as graças, mas obtê-las não podemos sem a intercessão de Maria. Confirma-o S. Antonino com estas belas palavras: “Quem pede sem ela pretende voar sem asas”.
Quer dizer o Santo: Quem pede e quer alcançar graças, sem a intercessão de Maria, pretende voar sem asas.
“A terra do Egito está em tuas mãos” – disse o Faraó a José, e a ele enviava quantos lhe vinham pedir socorro, respondendo-lhes: “Ide a José! Da mesma forma Deus, ao lhe pedirmos graças, manda-nos a Maria: Ide a Maria!”
O Senhor decretou, como diz S. Bernardo, não conceder favor algum sem a mediação de Maria. Por isso, conforme Ricardo de S. Lourenço, nas mãos dela está nossa salvação, e, com mais direito que os egípcios a José, podemos nós, cristãos, dizer à Santíssima Virgem: “Nossa salvação está em tuas mãos!”
O mesmo escreve o abade de Celes: “Em tuas mãos foi colocada nossa salvação”.
Quem é protegido por ela se salva; perde-se quem o não é. Isto leva S. Bernardino de Sena a exclamar: “Ó Senhora, porque sois a dispensadora de todas as graças, e só de vossas mãos há de vir a salvação, de vós também depende a nossa salvação.”
E por isso razão tinha Ricardo ao escrever: “Assim como a pedra cai logo que é tirada a terra que a sustém, assim uma alma, tirado o socorro de Maria, cairá primeiramente no pecado e depois no inferno.”
“Deus não nos há de salvar sem a intercessão de Maria”, assevera S. Boaventura. “Tenha por conseguinte a tua alma”, exorta o Santo, “uma verdadeira sede de devoção a Maria; conserve-a sempre, não a deixes até que vás receber no céu a maternal bênção de Maria”.
“Ó Virgem Santíssima”, exclamava S. Germano, “ninguém pode chegar ao conhecimento de Deus senão por vós, ó Mãe de Deus, ó Virgem Mãe, ó cheia de graça!”
E de novo: “Se não nos abrísseis o caminho, ninguém escaparia às solicitações da carne e do pecado.”
Como só por meio de Jesus Cristo temos acesso junto ao Pai Eterno, igualmente, observa S. Bernardo, “só por meio de Maria temos acesso junto a Jesus Cristo”.
E a tal resolução de Deus, isto é, que sejamos salvos por intermédio de Maria, dá o Santo este belo motivo: “Por meio de Maria receba-nos aquele Salvador, que por meio dela nos foi dado! Dá-lhe, por isso, o nome de Mãe da graça e da nossa salvação.”
“Que seria, pois, de nós”, indaga S. Germano, “que esperança nos restaria de salvação, se nos abandonásseis, ó Maria, vida dos cristãos?”
Fonte: Retirado do livro “Glórias de Maria” de Santo Afonso de Ligório

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

A intercessão de Nossa Senhora na hora da morte




















“Rogai por nós pecadores, agora… e na hora de nossa morte.” Qual a razão de tanta insistência em pedir que Maria nos assista no fim de nossa vida?

Na oração que tantas vezes dirigimos a Nossa Senhora há duas partes distintas, as quais convém analisar: uma diz respeito ao presente, a outra ao futuro. A primeira muda continuamente no que diz respeito ao tema do pedido; a segunda não varia, roga sempre a mesma graça.
Rogai por nós agora é o pedido da hora presente, cujo objeto será diferente conforme nossas necessidades. Por vezes será a solicitação de uma graça protetora, outras vezes de consolo, às vezes de alívio e de cura de alguma enfermidade.
Mas, rogai por nós na hora de nossa morte diz respeito ao futuro, e é sempre o mesmo pedido que fizemos ontem, fazemos hoje, repetido 200 vezes no Rosário, e voltaremos a fazer amanhã, se Deus nos conceder um novo dia e se nele rezarmos a Saudação Angélica.
Então, por que a Santa Igreja, por meio da Ave Maria, oração quotidiana e familiar a todos os cristãos, até mesmo aos mais indiferentes, formulou este pedido: Rogai por nós na hora de nossa morte? Só pode ser por razões muito dignas de sua sabedoria; é porque na hora da morte a intercessão da Santíssima Virgem Maria nos é soberanamente necessária e em extremo eficaz.
Necessidade da assistência de Maria nos derradeiros momentos
Para compreender bem quão necessária é a assistência de Nossa Senhora em nossos derradeiros momentos, deve-se lembrar que a hora da morte é propriamente a hora decisiva e difícil entre todas. Nela será fixado nosso destino para toda a eternidade. Quando cai uma árvore, à direita ou à esquerda, lá onde cai, fica, bem diz o Eclesiastes (11, 3). Se cair para o lado certo, se morrermos na graça de Deus, seremos felizes para sempre; mas se cair do lado errado, se morrermos na inimizade de Deus, nosso lugar será junto aos réprobos. A hora da morte é a hora do combate supremo. Se triunfarmos do demônio, todas as nossas derrotas passadas serão reparadas, seremos vitoriosos para sempre, tomaremos lugar entre os eternos triunfadores e o Rei do Céu nos cingirá com a coroa da glória eterna.
Vejamos o bom ladrão. Sua vida estava manchada por vários crimes. Tinha sido um infame criminoso que tingiu suas mãos no sangue de irmãos; alguns instantes antes de morrer, se arrependeu, foi perdoado, seus crimes foram apagados e – qual piedoso ladrão do Céu, como é chamado -, por um instante de sincera penitência, foi compartilhar as alegrias do Paraíso com os patriarcas e os profetas que passaram a vida inteira na prática de boas obras.
Se, pelo contrário, no último momento, nosso inimigo, o demônio, triunfar sobre nós, nossas vitórias já adquiridas, por mais numerosas ou retumbantes que tenham sido, nos serão inúteis. Nossas boas obras, embora tivéssemos vivido como justos durante longos anos, estariam perdidas para sempre e se volatilizariam como simples nuvem dispersa pelo vento. Ficaríamos como navegadores que, após triunfarem sobre várias tempestades em alto mar, vêm soçobrar no próprio porto de chegada.
Uma trágica defecção de última hora
Lembremos-nos da história dos 40 mártires de Sebaste. Eram 40 soldados que, juntos, nas tropas do exército romano, travaram inúmeros combates nesta terra, além de ganharem combates no Céu, pela prática das virtudes cristãs, sob o estandarte de Jesus Cristo. Para defenderem a Religião, compareceram diante do tribunal de seus perseguidores, confessando valentemente sua fé, sem se deixarem intimidar por ameaças nem seduzir por promessas. Foram todos jogados no calabouço e condenados a morrer num lago gelado. Os anjos já os sobrevoavam, trazendo nas mãos as coroas destinadas a esses gloriosos atletas, quando um deles, vencido pelo frio, saiu do lago para um banho de água morna preparado com vistas à desistência de algum deles. Pouco depois ele morreu (devido à mudança brusca de temperatura), perdendo por um instante de fraqueza os frutos de uma longa vida passada no exercício das virtudes, os méritos reluzentes de sua confissão de fé e a glória de um martírio quase consumado, deixando seus companheiros imersos na incomparável dor de sua defecção.
A hora da morte é uma hora decisiva, mas é também uma hora difícil.
Angústias dos moribundos
Como são atrozes as angústias dos moribundos, que não tenham perdido completamente a fé, quando os remorsos da consciência, o temor do julgamento iminente e a incerteza quanto à salvação eterna se unem para enchê-los de perturbação e pavor! Os demônios redobram de raiva para agarrar essa presa que lhes escapa. Acorrem numerosos em torno da cama do doente para tentar um supremo esforço.
Pudesse ainda o moribundo reagir na plenitude de suas forças! Mas não pode! Nunca terá sido atacado com tanta violência e jamais esteve tão fraco para se defender. A deficiência do corpo provoca um desastroso contragolpe na alma. A imaginação fica de todo desordenada. É como se fosse um campo aberto que os animais selvagens – melhor seria dizer fantasmas dos mais lúgubres e dos mais espantosos – atravessam livremente em todas as direções. O espírito fica repleto de trevas, a vontade sem energia e cheia de languidez.
Necessidade imperiosa do auxílio de Deus na hora da morte
Como o socorro de Deus é necessário nessa hora! Quão indispensável é a graça divina para perseverar! Entretanto, a graça, sobretudo a graça da perseverança final, é um dom de Deus que não nos é dado merecer, mas podemos obter infalivelmente pelas nossas orações.
Ora, como por um privilégio todo especial de Deus, o qual quer assim honrar sua Mãe, a Santíssima Virgem é a Medianeira obrigatória por cujas mãos todos os favores do Céu devem passar, a Ela é que devemos pedir esta graça das graças. Compreendamos então por que a Santa Igreja nos leva a pedir tantas vezes a assistência de Maria Santíssima para a hora de nossa morte. Compreendamos também o motivo pelo qual ela nos incita a repetir todos os dias: Santa Maria, rogai por nós na hora de nossa morte.
Nessa hora, intercessão infalível de Maria Santíssima
A intercessão de Maria Santíssima nos é tão necessária quanto eficaz nessa suprema e solene circunstância. Como são felizes as almas assistidas por Maria nessa hora! Elas não podem perecer. Ainda que estejam cativas da tirania do demônio, esta boa Mãe romperá seus grilhões e lhes obterá os frutos benfazejos de uma sincera conversão, instando-as a fazerem verdadeira penitência. Lá estará Ela perto de seu leito de dores, como uma mãe à cabeceira do filho moribundo, dissipando suas angústias, acalmando suas dores, adoçando suas penas, proporcionando uma santa paciência e tomando sua defesa ante os ataques furiosos e múltiplos do espírito das trevas.
Quando chega a derradeira hora de algum devoto de Nossa Senhora, diz São Boaventura, esta boa Mãe lhe envia os espíritos angélicos que estão às suas ordens, juntamente com São Miguel, seu chefe. E Ela, que é o flagelo do inferno – como diz São João Damasceno – Ela que tem, por missão, o ódio à serpente infernal, lhe faz sentir, sobretudo quando algum de seus devotos vai abandonar este mundo, todo o seu vitorioso poder. Ela é para o demônio, nessa ocasião, terrível como um exército em ordem de batalha. Torna-se contra ele como essa torre da qual fala o Cântico dos Cânticos, onde mil escudos estão levantados com as armas dos mais valorosos.
Não, um servidor de Maria não pode perecer! – declara São Bernardo. – Não, aquele por quem Maria se dignou rezar não pode mais ter dúvida de sua salvação e de sua ida à glória do Céu! – diz Santo Agostinho.
Não, aquele pelo qual Maria rezou uma vez não perecerá! Não, quem recitou piedosamente todos os dias a Ave Maria não será abandonado na última hora! – exclama também Santo Anselmo. Esta oração possui todas as qualidades capazes de torná-la infalivelmente vitoriosa.
Em primeiro lugar, ela é santa em sua motivação. Com efeito, o que pedimos por ela? A perseverança final “na hora de nossa morte”. Depois, ela é humilde. Por ela confessamos a Maria Santíssima nossa miséria, revestindo-nos de um título que nos convém tão bem: “pobres pecadores”.
Ela é também confiante, pois nos dirigimos à mais poderosa intercessora que possa haver, Àquela que é chamada de “Onipotência suplicante”, em vista de sua santidade proeminente e de sua dignidade incomparável de Mãe de Deus: “Santa Maria, Mãe de Deus”.
Esta oração é perseverante. Qual oração pode ser mais perseverante? Ainda que, por suposição, só rezássemos uma Ave Maria por dia, quantas vezes durante nossa vida teríamos pedido a Ela para interceder por nós na hora da morte? E como será então se rezarmos ao menos uma dezena do Rosário? Mais ainda se tomarmos o costume de rezar diariamente um terço inteiro? Será possível que Maria Santíssima, tão zelosa de nossa salvação, não nos ouça? Não! Isso é impossível! A isso se opõem as promessas, os juramentos de Jesus Cristo Nosso Senhor relativos à oração, assim como a bondade e a ternura de sua Mãe Santíssima.
Tomemos, pois, a resolução de rezar todos os dias de nossa vida, com uma nova fé, uma nova confiança e um novo cuidado, esta curta mas tão bela e eficaz oração da Ave Maria. Assim obteremos a cada dia aquelas graças particulares das quais precisamos e, sobretudo, a graça necessária no fim da vida, a maior delas, a mais importante de todas as graças, a graça da perseverança final.
Santo André Avelino
Segundo se narra, na hora da morte de Santo André Avelino, um grande servo de Maria, seu leito estava envolto por mais de dez mil demônios; durante sua agonia, ele teve de travar contra o inferno um combate tão terrível que deixou estupefatos todos os religiosos ali presentes. Viram seu rosto decompor-se e ficar lívido. Ele tremia em todos os seus membros, rangia os dentes, lágrimas abundantes corriam-lhe pela face, testemunhando a violência do assalto ao qual estava sujeito. O espetáculo arrancou lágrimas de todos os assistentes. Cada qual redobrava as orações e tremia por si, ao ver um santo morrer dessa maneira. Uma única coisa consolava os religiosos: o moribundo muitas vezes voltava o rosto para uma imagem da Virgem, indicando assim pedir seu socorro e lembrando- lhes ter dito várias vezes durante a vida que Maria Santíssima seria seu refúgio na hora da morte.
Afinal, aprouve a Deus pôr um término a esse combate, outorgando ao santo a mais gloriosa vitória. As agitações cessaram, o rosto do moribundo retomou sua serenidade primeira; viram- no permanecer tranquilo, mantendo o olhar em direção à imagem, inclinar-se em sinal de reconhecimento e, em seguida, expirar docemente nos braços da Santíssima Virgem, que ele tanto invocara em vida e que vinha fazê-lo sentir sua todo-poderosa proteção naquele supremo momento.
Imitemos a devoção de Santo André Avelino e, como ele, em nossa última hora seremos assistidos e socorridos pela misericordiosíssima Rainha dos Céus.
(Tradução, com adaptações, de “L’Ami du Clergé” nº 39, de 23/9/1880)

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Um sinal infalível para distinguir um inimigo de Deus: o desprezo por Maria



Um dos santos católicos mais conhecidos pela devoção mariana declara, contundente: “Quem não tiver Maria por mãe, não tem Deus por Pai”

Autor do “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria“, São Luís Maria Grignion de Montfort é um dos santos católicos mais conhecidos por viver e espalhar o amor a Nossa Senhora.
Nessa missão devocional, ele às vezes precisou empregar palavras contundentes, voltadas não àqueles que não conhecem Maria e por isso não compreendem o seu amor, mas sim àqueles que, conhecendo-a e sabendo que o próprio Jesus a confiou a nós e nos confiou a ela, ainda assim a desprezam, detestam ou propositalmente a ignoram.
Algumas dessas palavras fortes podem ser conferidas no seguinte extrato do mesmo tratado:
“Tal como na geração natural e corporal existe um pai e uma mãe, assim também na geração sobrenatural e espiritual há um pai que é Deus e uma mãe que é Maria. Todos os verdadeiros filhos de Deus têm Deus por Pai e Maria por sua mãe; quem não tiver Maria por mãe, não tem Deus por Pai.
É por isto que os infames, tais como os hereges e os cismáticos, que detestam, desprezam ou ignoram a Santíssima Virgem, não têm Deus por pai apesar de cheios de arrogância proclamarem que têm, porque não têm Maria por mãe. De fato, se eles a tivessem por mãe iriam amá-la e honrá-la como os bons e verdadeiros filhos naturalmente amam e honram a mãe que os deu à vida.
Um sinal infalível e sem engano pelo qual podemos distinguir um herege, um homem de doutrina falsa, um inimigo de Deus, de um dos verdadeiros amigos de Deus é que o herege e o pecador endurecido não mostram nada a não ser desprezo e indiferença por Nossa Senhora. Eles se esforçam, com palavras e exemplo, aberta ou insidiosamente, algumas vezes sob pretextos enganadores, para rebaixar o amor e a veneração a ela”.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

13 DE MAIO – FESTA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA









QUEM SE LEMBRA DE FÁTIMA?
O esquecimento sobre as aparições
No dia 13 de maio de 1995 ocorreu o 78o. aniversário da primeira aparição da Santíssima Virgem Maria em Fátima, Portugal, em 1917. Esse grande evento, manifestação realmente excepcional da Misericórdia divina, é agora deixado no mais profundo esquecimento e isso, precisamente, por culpa da hierarquia católica. Sobre o único sobrevivente dos três pequenos videntes1, Irmã Maria Lúcia do Coração Imaculado, mais conhecida sob o nome de irmã Lúcia (Lúcia dos Santos), paira o silêncio há vários anos. Enclausurada no Carmelo de Coimbra desde março de 1948, ela recebia periodicamente visitas autorizadas  das mais diversas personalidades eclesiásticas, de cardeais a simples pesquisadores sobre as aparições, assim como uma importante correspondência vinda de todos os cantos do mundo. Mas já a partir de 1954 (durante os três últimos anos do reinado de Pio XII) as visitas começaram a ser reduzidas pelas autoridades competentes, para terminar por serem completamente suprimidas a partir de 1960. Nesse ano estava prevista a leitura pública, pelo papa, do famoso “terceiro segredo” de Fátima, leitura que — como se sabe — não foi feita2. Ao contrário, a partir desse ano, Irmã Lúcia não pôde mais falar com ninguém sobre as aparições, nem mesmo por carta. Com exceção dos cardeais, aos quais não se aplicam as proibições da clausura, dos parentes mais próximos e benfeitores conhecidos das autoridades, ninguém pode se aproximar do parlatório do convento. As permissões de visita são dadas pelo prefeito da Congregação pela Doutrina da Fé, mas este (o Cardeal Ratzinger) há muitos anos não concede nenhuma.
Assim, foi imposto à Irmã Lúcia uma clausura dentro da clausura. É um fato surpreendente que, por si só, já dá uma idéia do ambiente no Vaticano. Aquela que, nesse século, pode testemunhar ter visto e ouvido a Santíssima Virgem Maria (e Nosso Senhor) é mantida num isolamento total, muito além das regras mais rígidas da clausura. Que o Vaticano tenha adotado a orientação de apagar e de fazer esquecer Fátima, resulta também do fato de que a obra científica fundamental e oficial sobre as aparições — os quatorze volumes do padre Alonso, nos quais esse pesquisador de valor recolheu, classificou e comentou 5396 documentos — essa obra esteja pronta desde 1976, mas sua publicação ainda não tenha sido autorizada pelas autoridades competentes3. Na realidade, a hierarquia parece não ter compreendido a importância da “mensagem de Fátima”. Senão os Papas teriam se empenhado com outro ardor em satisfazer os pedidos. Começando pelos atos de culto ordinário e extraordinário, pedidos repetidas vezes por Nossa Senhora e por Jesus em pessoa, nas visões e nas mensagens com as quais a Irmã Lúcia foi gratificada de 1917 à 1952 (pelo que sabemos). Nos referimos ao pedido de instituir a Comunhão reparadora dos cinco primeiros sábados do mês em honra do Imaculado Coração de Maria e de Lhe consagrar publicamente, explicitamente e solenemente a Rússia, em união manifesta de todos os bispos.
Pio XI e Pio XII não fizeram a verdadeira consagração da Rússia
Nenhum dos dois pedidos foram ouvidos. O primeiro não foi nem mesmo tomado em consideração. Para o segundo, houve consagrações, mas nenhuma válida, porque não estavam conformes às modalidades expressamente pedidas pelo Céu. Os dois pedidos estão, aliás, ligados, porque no segredo comunicado no dia 13 de julho de 1917, a Santíssima Virgem disse: “Para impedir isso [a guerra mundial que acabava de ser profetizada em punição pela infidelidade e malícia humanas] virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora dos primeiros sábados [do mês]. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá é terão paz. Se não, ela espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, meu Coração Imaculado triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia que se converterá e será concedido ao mundo algum tempo de paz“.
Essa consagração ao Imaculado Coração de Maria foi, depois, pedida numa visão, no convento de Tuy, na Espanha, no dia 13 de junho de 1929, e o Papa reinante Pio XI, foi certamente informado antes de agosto de 1931: “É chegado o momento em que Deus pede ao Santo Padre de fazer, em união com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia ao meu Coração Imaculado, prometendo salvá-la por esse meio“.
Trata-se de uma consagração solene, unicamente da Rússia, feita pelo Papa e simultaneamente pelos bispos de todo o mundo, consagração cujo fruto será a conversão da Rússia ao catolicismo. A Rússia, cismática e herética, comunista e atéia, não pode evidentemente se converter à verdadeira Fé (e pôr seu braço poderoso ao seu serviço) senão por uma intervenção divina explícita, na qual, entretanto, os homens (no caso o alto escalão da Igreja Católica) são chamados a participar — num ato solene — com a adesão plena e corajosa da sua inteligência e vontade.
Mas esse ato de consagração não deve, evidentemente, ser muito fácil de se fazer, pois até hoje os papas ainda não conseguiram fazê-lo! O medo das reações da Rússia e das outras potências desse mundo foi, até hoje, mais forte que o desejo de satisfazer ao pedido divino! E talvez esse pedido nunca tenha sido levado a sério, isto é, com a humildade e o zelo que a Fé exige. Depois de Pio XI, que não fez absolutamente nada, empenhado que estava num começo de tentativa — catastrófica — de abertura à União Soviética, houve de fato consagrações concernentes à Rússia, sob diversas modalidades, mas nunca respeitando a forma prescrita pela Santíssima Virgem. No dia 31 de outubro de 1942, Pio XII — numa rádio-mensagem dirigida à nação portuguesa — consagrava a Igreja e o mundo ao Imaculado Coração de Maria, com uma menção especial, mas muito discreta, da Rússia. Esse ato, entretanto, foi demonstrado completamente ineficaz para a conversão dessa nação por falta manifesta de algumas condições essenciais requeridas. A Santíssima Virgem Maria pediu de fato, expressamente, que a consagração tenha por objeto unicamente a Rússia, e a Irmã Lúcia, várias vezes chamou a atenção sobre esse ponto. Além disso, a consagração deve se fazer em união explícita com todos os bispos do mundo (e não somente com alguns). Nenhuma dessas duas condições essenciais foi realizada na ocasião da rádio-mensagem papal.
No dia 7 de julho de 1952, Pio XII, na sua carta apostólica Sacro vergente anno, dirigida aos povos da Rússia, efetuava uma consagração “de todos os povos da Rússia” ao Imaculado Coração de Maria para que, com a Sua ajuda, se realizasse “uma paz verdadeira, a concórdia fraterna e a liberdade que é devida a cada um”. Trata-se, pois, de uma consagração feita em termos vagos, na qual não se fala nem em reparação nem de conversão ao catolicismo, mas de paz, de concórdia e de liberdade em termos quase leigos: ainda mais, de uma consagração sem nenhuma solenidade. Não houve, realmente, uma ordem dada aos bispos do mundo inteiro de se unirem explicitamente ao Papa na consagração. Esse ato passou praticamente inadvertido e, além disso, que conversões foram produzidas? João XXIII, muito empenhado na Ostpolitik, nada fez. Paulo VI, referindo-se aos atos de Pio XII, limitou-se em consagrar à Maria Imaculada “toda a família humana”, no seu discurso de clausura da sessão conciliar, no dia 26 de novembro de 1964. Em relação à mensagem de Fátima, esse papa guarda sempre um desapego cético, como alto prelado refinado, “aberto ao mundo”, que ele era. Esteve em Portugal na ocasião do Jubileu das aparições (em 13 de maio de 67), mas limitou sua visita a um só dia, não foi no lugar das aparições, não deu à Irmã Lúcia — que tinha sido convocada à tribuna papal — a audiência privada que ela desejava. Segundo Jean Guitton, eis o seu julgamento sobre a vidente: “… uma moça muito simples! Ela é uma camponesa sem complicação. O povo queria vê-la e eu lhas mostrei“.
João Paulo II continua pelo mesmo caminho
O papa atual [N. da P., o autor refere-se ao papa João Paulo II, então reinante] só mostrou um certo interesse por Fátima depois do conhecido atentado que sofreu no dia 13 de maio de 1981. Cerca de um mês mais tarde confiou a “família humana” inteira à proteção da Bem-aventurada Virgem. Mas a Irmã Lúcia continuava a sustentar, nas suas raras entrevistas com autoridades eclesiásticas, que as consagrações de Pio XII não eram válidas do ponto de vista da conversão da Rússia (conversão da qual não se via nenhum traço). João Paulo II fez, assim, novas consagrações, sob a forma de um “ato de oferenda” do mundo (e mentalmente ‘ da Rússia também) a Deus, por intermédio do Imaculado Coração de Maria, em união puramente espiritual com “todos os pastores da Igreja” que, no entanto, por seu lado, não consagraram coisa nenhuma. Esse ato foi repetido dia 16 de outubro de 1983 e, em face dos protestos dos católicos, no dia 25 de março de 1984 em Roma. Mas esses três “atos” devem ser considerados como totalmente inválidos no que concerne à conversão desejada da Rússia, por causa da falta das condições pedidas pela Santíssima Virgem Maria. Com efeito, eles deveriam referir-se somente à Rússia (que, ao contrário, nem mesmo foi citada) e serem realizados simultaneamente por todos os bispos do mundo. Em seguida, diante das novas tentativas de alguns especialistas em Fátima (com o padre Caillon em primeiro lugar), de obter uma consagração da Rússia conforme ao pedido divino, o papa e as autoridades eclesiásticas reagiram incomodados, afirmando que já se havia feito (e mais de uma vez) o necessário. A questão devia ser considerada como terminada. Em 1989 fizeram circular declarações e cartas (datilografadas) atribuídas à Irmã Lúcia, nas quais se afirmava que o ato de oferenda de 1984 correspondia ao pedido por Nossa Senhora. Mas nessas cartas estava dito que o ato de oferenda do papa tinha satisfeito o pedido de Nossa Senhora de lhe consagrar o “mundo”, enquanto que todo mundo sabe que a Irmã Lúcia sempre disse que a Santíssima Virgem lhe falou somente da Rússia e nunca falou do mundo. A autenticidade dessas declarações, assim, parece duvidosa. Procurou-se, depois, criar a opinião que os transtornos do leste da Europa e a crise do comunismo demonstravam que o ato de oferenda de João Paulo II produziu seus frutos: a Rússia começaria a se converter. Nossa Senhora, no entanto, não pediu a conversão da Rússia à liberdade de consciência ou à democracia, mas sim ao catolicismo. Ora, dessa conversão ao catolicismo (a única que conta) não se vê sinal na Rússia de hoje que gosta de se definir como “pós-comunista”. O Vaticano afirma que a questão está encerrada. Onze anos se passaram depois do ato de oferenda do papa; a Rússia se converteu? Categoricamente, a resposta é: Não. O que vemos na Rússia atual? Uma desordem moral espantosa, talvez mesmo pior que a que aflige o Ocidente há vários anos. O hedonismo e o materialismo os mais ativos, se expandem, numa orgia de seitas e falsas religiões, de neopaganismo bárbaro e decadente.
Os católicos russo-ucranianos (os uniatas), foram completamente abandonados, em homenagem à política do “diálogo” com os ortodoxos e o poder político local. Em vez de se expandir, o catolicismo na Rússia sofreu, ao contrário, uma nova perseguição! Podemos então continuar a afirmar que os “atos de oferenda” do papa conduzem a Rússia para a verdadeira Fé? Que foram atos conformes à vontade divina? Os fatos demonstram que o papa não satisfez os pedidos da Santíssima Virgem Maria.
Uma terrível advertência!
Quando o céu ordena, o homem nada pode fazer conforme o seu parecer. Ele deve, ao contrário, seguir o exemplo de Naaman, o Sírio, que se deixou convencer em entrar sete vezes nas águas do Jordão para curar a lepra, obedecendo assim literalmente ao que lhe tinha ordenado o profeta Eliseu, apesar da coisa lhe parecer, no momento, absurda, ofensiva e mesmo ridícula (2o. Livro dos Reis). Curar-se da lepra apenas com sete imersões consecutivas nas águas de um rio! E, no entanto, isso acontece justamente porque a onipotência divina é capaz disso e de qualquer outra coisa. Os papas citados acima não tiveram, evidentemente, a Fé de Naaman. Não creram que, de um simples ato de consagração, pudesse decorrer, pela vontade divina, um evento imenso, de porte histórico decisivo, tal como a conversão da Rússia ao catolicismo.
Mas, então, a consagração da Rússia se fará? Os papas continuarão a ignorar os pedidos divinos? Não. A consagração será feita, mas tarde. E o que profetizou Nosso Senhor à vidente, repetindo o que a Santíssima Virgem Maria tinha dito em Fátima, numa visão que remonta à 1931, em Rianjo, na Espanha, diante da atitude passiva de Pio XI: “Dê a conhecer a meus ministros, dado que eles seguem o exemplo do Rei de França, atrasando a execução de meu pedido, que continuarão na infelicidade. Nunca será tarde demais para recorrer à Jesus e a Maria… Como o Rei de França, eles se arrependerão e o farão, mas será tarde…”.
A referência ao rei de França concerne à visão de santa Margarida Maria Alacoque, que a transmitiu a Luís XIV em 1689, de consagrar explicitamente a França ao Sagrado Coração de Jesus; mas nem o rei de França, nem seus sucessores responderam a esse pedido, com exceção de Luís XVI, que fez a consagração quando já era “tarde”, isto é, quando a monarquia já tinha sido abatida e ele encontrava-se prisioneiro no Templo, na véspera da sua execução. Segundo a profecia, deveria acontecer aos papas alguma coisa parecida, por causa da sua negligência e da sua obstinação: um papa fará finalmente a consagração, levado pelas circunstâncias gravíssimas, situação que se pode imaginar de extremo perigo para a Igreja. Sobre o papado flutua, ex voce Christi, mesmo se expressa numa revelação privada, a profecia de um castigo severo por causa da desobediência e da sua falta de Fé repetidas vezes, profecia cuja realização pode naturalmente tornar-se inútil por uma mudança de sentimento e de conduta dos destinatários, do momento que Deus nos deixa o uso do nosso livre arbítrio. Profecia terrível, na qual não foi dita, no entanto, “tarde demais”, mas “tarde”, deixando assim entendido que, depois desse ato tardio, haverá para a Igreja o renascimento. Nenhum papa depois de Pio XII pareceu inquietar-se com essa terrível advertência, talvez porque a profecia e praticamente todo o conjunto da mensagem de Fátima sejam, de fato, consideradas como divagações da reclusa de Coimbra.
A questão do terceiro segredo
A omissão, por uma recusa obstinada e constante, perdurou em seguida de maneira mais grave em relação à divulgação do terceiro segredode Fátima. Por esse nome entende-se, como se sabe, a terceira parte do segredo comunicado aos três videntes na sexta-feira, 13 de julho de 1917, segredo divulgado depois gradualmente no decorrer dos anos seguintes, por Irmã Lúcia (com exceção do terceiro segredo). Osegredo (que os videntes disseram ter recebido, sem no entanto nada revelar, não obstante as pressões, intimidações ou ameaças) é, na realidade, um todo coerente. Ele contém “três coisas”: a visão do inferno; a proclamação da vontade de Deus de estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria para salvá-lo do castigo da II guerra mundial (profetizada com extrema clareza), devoção cujas manifestações deveriam ser a prática da comunhão reparadora dos cinco primeiros sábados do mês e a consagração da Rússia, a qual nos referimos mais acima. Na segunda parte do segredo, Nossa Senhora, depois de ter dito que a I guerra mundial acabaria em breve, parece vincular a eclosão da II guerra mundial à falta de conversão da Rússia. Enfim, há a terceira parte ou o “terceiro segredo”, posto por escrito pela vidente em janeiro de 1944 numa página de caderno que foi enviada dentro de um envelope fechado, no dia 17 de maio de 1944, para o bispo de Leiria (que não quis ler) e transmitido a Roma, dia 16 de abril de 1957. Pio XII também não quis lê-lo. Segundo as indicações da Irmã Lúcia, a publicação do segredo deveria ter sido feita em 1960. A vidente sempre deu a compreender que essa parte do segredo de Fátima não podia, por causa do seu conteúdo, ser do domínio público como as duas outras: quanto à sua divulgação, ela a confiava às autoridades eclesiásticas superiores e não à simples ordem do seu confessor. Os papas que leram o 3o. segredo e que são responsáveis da sua não difusão são: João XXIII, Paulo VI e o papa atual, João Paulo II. O terceiro segredo começa quase com certeza, com a última frase do texto no qual Irmã Lúcia nos fez conhecer as duas outras partes da mensagem de Fátima. E essa frase é: “em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé etc”. A presença do “etc” demonstra que Irmã Lúcia quis dar a entender que a frase em questão não é uma profecia isolada dirigida exclusivamente a Portugal. (o que alguns tentaram sustentar), mas o início de um anúncio sobre a manutenção do dogma da Fé nas nações cristãs. O terceiro segredo concerne, segundo todas as probabilidades, à manutenção do depósito da Fé, o que quer dizer que seu objeto específico é a Santa Igreja. É muito provável que nele estejam sinteticamente profetizados os graves transtornos que o catolicismo viria sofrer, por causa da hierarquia impregnada de modernismo, “estuário de todas heresias”, a partir do Concílio Vaticano II. A traição da Fé por culpa de pastores, escravos da heresia, é certamente antecipada no terceiro segredo: é por isso que a Igreja oficial atual, que é a Igreja na qual esses pastores detém as alavancas do poder, evita torná-lo público e tudo faz para deixá-lo cair no esquecimento. Não se trata pois do fim do mundo, como se procuro insinuar, embora não se possa excluir à priori que sejam anunciados também castigos materiais (aliás já claramente previstos na segunda parte da mensagem de Fátima). O terceiro segredo concerne à Igreja, à dolorosa obscuridade da Fé da qual somos testemunhas cada vez mais horrorizadas. Podemos também deduzir que seja assim pelo que disse o papa atual à Irmã Lúcia no seu breve encontro de 13 de maior de 1982, e que ela relatou ao cardeal Oddi em 1985: que não era oportuno divulgar o segredo porque o mundo “não o compreenderia”. Ou, como disse o cardeal Ratzinger ao jornalista Messori, que não era oportuno divulgá-lo porque se exporia “ao perigo de utilizarem o seu conteúdo com sensacionalismo”. Se se tratasse do fim do mundo, o público não compreenderia? Ele compreenderia, e como! E o que poderia haver no segredo que, não somente faça sensação, mas seja difícil de compreender pelos fiéis, se não a revelação ex voce divina, sancionada por um papa que clamará ao mundo quando fizer uma leitura pública do famoso texto, que a Igreja oficial atual é uma Igreja apóstata da verdade católica, dessa verdade proclamada e defendida durante dezenove séculos? 
Será que os fiéis não deveriam já ter percebido isso há muito tempo? O que eles pensam de uma Igreja que, no lugar do culto de Deus, pratica o culto do homem e da mulher, que tirou a Santíssima Trindade da Santa Missa, dos seus discursos e dos pensamentos dos fiéis; que afirma crer em um “Deus único” idêntico para todas as religiões, inclusive as mais hostis ao Cristianismo; que não fala mais do pecado original, nem da imortalidade da alma, nem do Julgamento particular e, finalmente, nem do Paraíso; que deixa crer que o inferno está vazio; que, quando é constrangida a lembrar, no Novo Catecismo, as verdades tradicionais do catolicismo, o faz apresentando-as comoopiniões (subjetivas) da tradição da Igreja e não como verdades (objetivas) em si e por si; que instituiu um Novus Ordo Missae considerado como aceitável  pelos protestantes, quer dizer, por heréticos; que passa sempre sob silêncio a natureza divina de Cristo, porque se a proclamasse, como é seu dever, desapareceria rapidamente o que chamam “diálogo”; que afirma que Jesus já salvou todo o mundo, morrendo sobre a Cruz, mesmo aqueles que não crêem que Ele é o Filho de Deus; que não considera mais a conversão do mundo a Cristo como seu dever fundamental, porque tentar converter seria uma violência à “liberdade de consciência” dos adeptos das outras religiões; que abraçou em tudo e por tudo os métodos e os conceitos e, assim, os erros da teologia protestante; que honra os “mártires” dos heréticos e elimina os seus próprios do calendário; que trabalha incansavelmente a unificar o catolicismo com todas as outras religiões e seitas, dissolvendo-o, assim, no abraço do falso ecumenismo; que fala somente, e de maneira inoportuna, dos problemas desse mundo, políticos em particular, e nunca da vida Eterna; para a qual no lugar do catolicismo inventou-se um humanismo deísta, parecido ao dos maçons, o qual, em nome de um igualitarismo abstrato e verbal, fomenta o espírito de rebelião e o ódio por toda autoridade legítima, incitando grupos sociais inteiros a esperança messiânicas completamente anticristãs?
Poderíamos continuar. Poderíamos encher páginas com a lista das infidelidades e traições cometidas pelos homens atuais da Igreja. Não todos, certamente, apesar de ser verdadeiro o provérbio: Quem cala consente. E que acabam tornando-se cúmplices, mesmo sem querer. Será que não há, em toda a Igreja Católica, um só bispo ou cardeal, capaz de elevar-se contra a moda dominante, para defender em alta voz o dogma da Fé? Além do mais, a Irmã Lúcia, no que seria sua última entrevista, o seu famoso encontro com o padre Fuentes, de 26 de dezembro de 1957, tinha já denunciado a surdez espiritual crescente e o início da perda da Fé: “Padre, a Santíssima Virgem está muito triste porque ninguém faz caso de Sua mensagem, nem os bons nem os maus. Os bons continuam seu caminho, mas sem se preocupar da mensagem. Os maus, visto que o castigo de Deus não os fere no momento, continuam sua vida de pecado sem fazerem caso da mensagem. Mas, creia-me padre, Deus vai castigar o mundo e o fará de uma maneira terrível [estávamos na véspera do Concílio Vaticano II, que representou para a Igreja — segundo Congar — o que os États Generaux representaram para a Revolução Francesa]. Diga-lhes [ao bispo de Leiria e a Pio XII que não quiseram ler o terceiro segredo] que a Santíssima Virgem disse várias vezes, a meus primos Francisco e Jacinta e a mim, que muitas nações desaparecerão da face da terra, que a Rússia será o instrumento da punição do Céu em relação ao mundo inteiro, se não conseguirmos obter antes, a conversão dessa pobre nação (…) Padre, o diabo vai começar uma batalha terrível contra a Virgem, e como ele sabe o modo de ofender mais a Deus e perverter em pouco tempo o maior número de almas, ele faz tudo para ganhas as almas das pessoas consagradas a Deus (…). Padre, não esperamos que venha de Roma um apelo à penitência da parte do Santo Padre para o mundo inteiro. Nem esperemos tampouco que venha dos nossos bispos um apelo das suas dioceses respectivas, nem das congregações religiosas. Não, Nosso Senhor já utilizou muitas vezes esses meios e o mundo os ignorou. É por isso que, agora, é necessário que cada um de nós comece em si mesmo a sua própria reforma espiritual. Cada um deverá salvar não somente sua alma, mas também todas as almas que Deus colocou no seu caminho“.
E os meios para realizar a “reforma espiritual” para nós e para os outros são os verdadeiros instrumentos católicos para a salvação das almas, isto é, “a oração e o sacrifício”, “o santo Rosário” e a “devoção ao Imaculado Coração de Maria”.
Jamais exprimiremos o suficiente a nossa admiração e gratidão pela Irmã Lúcia, essa figura exemplar de religiosa, exemplo perfeito, pela graça de Deus, de virtude cristã, simples, humilde e devota, que resiste e persevera até o fim, no silêncio hostil que a cerca, para levar a seu termo a missão que Nosso Senhor lhe confiou há tantos anos. 
Ela é para nós um modelo no combate que devemos levar todos os dias contra nós mesmos e contra o mundo. Seu sofrimento, sua luta intrépida pela defesa e o triunfo do dogma da Fé, nos são de grande ajuda e reconforto, cercados como estamos pelas trevas que parecem se espessar sempre mais, enquanto a tempestade se levanta na Igreja a cada dia que passa. A carmelita de Coimbra nos lembra que, apesar das aparências, Deus não nos abandonou, que devemos permanecer sempre sólidos na Fé porque “no fim“, depois das provas que só Deus conhece, o Imaculado Coração de Maria “triunfará“.
Aemilianus
**************************
1.[N. da P] Irmã Lúcia faleceu no dia 13 de fevereiro de 2005, cerca de 9 anos após a publicação deste artigo.
2.[N. da P] No dia 26 de janeiro de 2000, numa conferência de imprensa, foi apresentado um texto que, segundo o Vaticano corresponderia à totalidade do “terceiro segredo”. Por todo mundo, uma onda de ceticismo se formou. Leia nossos comentários nesse site.
3.[N. da P] A obra monumental do padre Alonso, fruto de um labor de 10 anos e considerada de grande valor por quem o leu, teve sua publicação suspensa em 1976 por ordem do bispo de Fátima, Mons. D. Alberto Cosme do Amaral. Anos depois, 2 dos 24 volumes viriam a ser publicados, assim mesmo em edições alteradas. Qual seria o conteúdo desses documentos e o que teria o padre Alonso concluído das suas pesquisas? Podemos apenas adivinhar com base em alguns trechos de artigos publicados pelo mesmo em periódicos. A citação abaixo, que tiramos do artigo “Crônica de um Encobrimento”, publicado no site da Associação de Fátima, reforça a idéia de que o conteúdo do Terceiro Segredo se referiria a onda de apostasia do após Concílio Vaticano II: “No período que precede o grande triunfo do Coração Imaculado de Maria, sucederão coisas tremendas que são objecto da terceira parte do Segredo. Que coisas serão essas? Se ’em Portugal, se conservará sempre o dogma da Fé, …’ pode claramente deduzir-se destas palavras que, em outros lugares da Igreja, estes dogmas vão tornar-se obscuros ou chegarão mesmo a perder-se …”; “Seria, então, de toda a probabilidade que, nesse período ‘intermédio’ a que nos estamos a referir (depois de 1960 e antes do triunfo do Imaculado Coração de Maria), o texto (do Terceiro Segredo) faça referências concretas à crise da Fé na Igreja e à negligência dos Seus próprios Pastores.” O Padre Alonso fala ainda de “lutas intestinas no seio da própria Igreja e de graves negligências pastorais por parte das altas hierarcas” e, mesmo, de “deficiências na alta Hierarquia da Igreja…”; “Falaria o texto original (e inédito) de circunstâncias concretas? É muito possível que não só fale de uma verdadeira ‘crise de fé’ na Igreja durante este período intermédio, mas ainda, como acontece com o segredo de La Salette, por exemplo, que haja referências mais concretas às lutas internas dos católicos ou às deficiências de sacerdotes e religiosos. Talvez se refira, inclusivamente, às próprias deficiências da alta Hierarquia da Igreja.” “Por isso, nada disto é alheio a outros comunicados que a Irmã Lúcia tenha feito sobre este assunto.”. Significativamente, a Irmã Lúcia nunca corrigiu estas conclusões do Padre Alonso – quando nunca hesitou em corrigir outras declarações de clérigos e de vários autores sobre Fátima, sempre que estavam enganados. Ora o Padre Alonso teve acesso tanto aos documentos como à própria Irmã Lúcia. Assim, o seu testemunho é de importância capital.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

VIRGEM MARIA BUSCOU O MENINO DURANTE A NOITE



Vocês todos sabem o que é o escapulário de Nossa Senhora do Carmo. Se não souberem perguntem à mamãe. Quem recebe esse escapulário e traz consigo devotamente, vai para o Céu. Foi Nossa Senhora mesma quem o prometeu. Em lugar do escapulário também pode-se trazer uma medalha que tenha um lado a imagem do S. Coração de Jesus e no outro a do Puríssimo Coração de Maria. (Outro nome, para escapulário, é bentinho).
Quem de vocês ainda, por acaso, não tenha recebido do Sacerdote o escapulário, procure quanto antes consegui-lo, e depois trazê-lo sempre com respeito e amor.
Um exemplo de um menino que não quis dormir sem o escapulário.
O Padre Reitor de um colégio, fazendo, certa noite, a visita aos dormitórios, encontrou um aluno, de joelhos, ao pé da cama, enquanto os outros já estavam dormindo. O menino entregara seu escapulário ao porteiro, que era também alfaiate, para emendar as fitas. Não queria deitar-se, com o receio de morrer durante a noite.
– Faça um ato de contrição e deita-se: amanhã o bentinho ser-lhe-á entregue, disse o Padre Reitor.
– Não posso deitar-me sem meu escapulário, respondeu o bom menino.
Vendo isso, o Padre foi buscar o bentinho e lho entregou. Satisfeito, adormeceu logo cheio de alegria.
Na manhã seguinte, na hora de levantar, o menino ficou na cama. O Padre quis acorda-lo, mas em vão. Estava  morto.
Com um angélico sorriso nos lábios, apertava nas mãos o escapulário.
Maria Santíssima viera buscar o piedoso menino para premia-lo no Céu.
Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

O poder de Maria contra os demônios e as tentações









Felizes de nós se recorrermos sempre a esta Mãe divina e imaculada

Santo Afonso Maria de Ligório diz, com muita razão, que a Santíssima Virgem Maria é comparada a um exército em ordem de batalha, porque ela sabe ordenar o seu poder e a sua misericórdia para confusão dos inimigos infernais e benefício dos seus devotos. Felizes de nós, se nas tentações recorrermos sempre a esta Mãe divina e imaculada, invocando o seu doce nome juntamente com o de seu Filho Jesus Cristo.
O ato de benevolência mais agradável a Virgem Maria é recomendarmo-nos muitas vezes a ela e colocarmo-nos debaixo da sua proteção, como faziam os primeiros cristãos: “Sub tuum praesidium confugimos, sancta Dei Genitrix – Sob tua proteção nos refugiamos, ó santa Mãe de Deus!”
O poder da Virgem Maria contra os demônios
Maria Santíssima não é somente a Rainha dos Céus, dos Anjos e dos Santos, mas também, de certo modo, do inferno e dos demônios, pois os venceu intrepidamente com as suas virtudes. Todos os Santos Padres concordam em dizer que a Bem-aventurada Virgem Maria é aquela mulher poderosa, prometida por Deus desde o princípio do mundo, que juntamente com o Filho estará em perpétua inimizade com a serpente infernal e, a seu tempo, haverá de lhe esmagar a cabeça, abatendo-lhe o orgulho: “Inimicitias ponam inter te et mulierem … Ipsa conteret caput tuum – Porei inimizade entre ti e a mulher… Ela te esmagará a cabeça” (Gn 3, 15). Por isso, Satanás se vê constrangido a prostrar-se aos pés da Virgem Maria.
O espírito maligno, para vingar a sua derrota, volta toda a sua fúria contra nós, devotos da Mãe de Deus. A Santíssima Virgem, porém, não permite que este espírito do mal nos cause o menor dano.
Maria foi simbolizada na coluna, ora de nuvem, ora de fogo, que guiava o povo de Israel para a Terra prometida (cf. Ex 13, 21). A coluna representava os dois ofícios que a Virgem Santíssima exercita continuamente em nosso favor. Como nuvem, ela nos protege do ímpeto da justiça divina e, como fogo, nos defende dos demônios. Assim como os homens caem por terra quando um raio do céu parece cair sobre eles, da mesma forma, os espíritos do mal caem abatidos somente ao ouvir o nome de Maria.
Pela mesma razão, a Virgem Santíssima é chamada pelo divino Esposo de terrível contra o poder do inferno, como um exército bem-ordenado: “Terribilis ut castrorum acies ordinata” (Ct 6, 4). Ela sabe ordenar bem o seu poder, a sua misericórdia e as suas súplicas para confusão dos inimigos e benefício dos seus devotos e servos, que nas tentações invocam o seu poderosíssimo socorro.
O auxílio de Nossa Senhora nas tentações
Conforme uma revelação divina a Santa Brígida, o orgulhoso Lúcifer antes quer que se multipliquem as suas penas no Inferno do que ver-se dominado pelo poder de uma Mulher. Felizes seremos nós se, nas nossas lutas contra o Inferno, recorrermos sempre a Maria Santíssima e invocarmos o seu belo e santo nome.
Habituemo-nos à bela prática de invocar sempre os nomes santíssimos de Jesus e Maria em todas as nossas necessidades, nos perigos de ofender a Deus, especialmente nas tentações contra a pureza. Entre todos os favores que possamos prestar a Santíssima Virgem, nenhum agrada mais a nossa Mãe do que recorrermos frequente e insistentemente à sua intercessão e colocarmo-nos debaixo da sua poderosa proteção:
“Sub tuum praesidium confugimus, Sancta Dei Genetrix. Nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus, sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta. Amen.
À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém”
Oração de Santo Afonso a Maria Santíssima nas tentações
“Eis aqui a vossos pés, ó Maria, minha esperança, este pobre pecador, que tantas vezes por sua culpa se fez escravo do inferno. Reconheço que me deixei vencer pelos demônios, porque não recorri a vós, meu refúgio. Se eu tivesse recorrido sempre a vós, e vos tivesse invocado, nunca teria caído. Espero, Senhora minha amabilíssima, que por vosso intermédio já estou livre das mãos do demônio e que Deus me perdoou. Mas temo que no futuro venha a cair de novo no cativeiro do inferno. Sei que meus inimigos ainda não perderam a esperança de me tornar a vencer. Já me preparam nossos assaltos e novas tentações. Ah! Minha Rainha e meu refúgio, ajudai-me metei-me debaixo de vosso manto; não permitais que torne a ser escravo dos demônios.
Sei que vós me ajudareis e me fareis vitorioso, sempre que eu vos invocar. É este, porém, o meu receio, receio de que nas tentações eu me esqueça de chamar por vós. Eis, portanto, a graça que vos peço e de vós espero, oh Virgem Santíssima, que eu me lembre sempre de vós, especialmente quanto estiver em luta com o demônio. Fazei com que então não deixe de vos invocar frequentemente, dizendo: Maria, ajudai-me, ajudai-me, Maria! – E quando chegar finalmente o dia da minha última contenda com o inferno, na hora da minha morte, ah, Senhora e Rainha, assisti-me então muito mais e lembrai-me de vos invocar então com mais frequência, com os lábios ou com o coração, afim de que, com o vosso dulcíssimo nome e com o de vosso Filho Jesus na boca, possa ir bendizer-vos e louvar-vos, para nunca mais me apartar dos vossos pés por toda a eternidade, lá no paraíso.”

Referências:

[1]  Sub tuum praesidium é a oração mariana mais antiga de que se tem conhecimento, composta provavelmente no II século da era cristã.
[2]  SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. Meditações para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II, p. 90-91.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Os santos explicam 7 características do Santo Nome de Maria




.


"Este nome foi escolhido pelo céu e imposto pelo arranjo divino"

Por volta do século XVIII adeptos da heresia jansenista começaram a divulgar que a devoção a Santa Maria era uma superstição. Santo Alfonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja, saiu em defesa da Mãe de Deus e publicou seu famoso livro “As Glórias de Maria”.
Podemos encontrar no capítulo 10 desta obra as 7 importantes características do Santo Nome de Maria que todo cristão sempre deve recordar:
1. Nome Santo
“O nome augusto de Maria, como Mãe de Deus, não era coisa terrena, ou inventada pela mente humana ou escolhido por decisão humana, como acontece com todos os outros nomes que são impostos. Este nome foi escolhido pelo céu e imposto pelo arranjo divino, como evidenciou São Jerônimo, Santo Epifânio e outros santos”.
2. Cheio de doçura
“O glorioso Santo Antônio de Pádua, reconheceu no nome de Maria, a mesma doçura de São Bernardo, no nome de Jesus. ‘O nome de Jesus’, dizia este, ‘o nome de Maria’, dizia aquele, ‘é alegria para o coração, mel para a boca, melodia para o ouvido de seus devotos’… Lê-se no Cântico dos Cânticos, na Assunção de Maria, os anjos perguntaram três vezes: ‘Quem é esta que vem subindo do deserto, como colunas de fumaça? Quem é esta que está a aurora? Quem é esta que sobe do deserto repleto de alegria?’(Ct 3, 6, 6, 9, 8, 5)”.
“Pergunta Ricardo de São Lourenço: ‘Por que os anjos muitas vezes perguntam o nome da rainha?’ E ele respondeu: ‘Era tão doce ouvir os anjos pronunciarem o nome de Maria, por isso fazem tantas perguntas. Mas eu quero falar sobre a doçura saudável, conforto, amor, alegria, confiança e força que o nome de Maria concede àqueles que o pronunciam com fervor’”.
3. Alegra e inspira amor
“Vosso nome, ó Mãe de Deus, como disse São Metódio, é cheio de graça e de bênçãos divinas. Assim, como São Boaventura disse, não podemos pronunciar o vosso nome sem receber alguma graça ao invocá-lo devotamente. Quando um coração está endurecido, como vós podeis imaginar, e todos desesperados, se ele vos chama, ó Virgem cheia de graça, tal é o poder do vosso nome, que suavizarás a sua dureza, porque sois quem conforta os pecadores com a esperança do perdão e da graça”.
4. Concede fortaleza
“Pelo contrário, os demônios, diz Tomás de Kempis, tanto receiam a Rainha do Céu que, como do fogo, fogem de quem invoca o seu grande nome. A própria Virgem revelou o seguinte a Santa Brígida: ‘Por mais endurecido que seja um pecador, imediatamente o abandona o demônio, se invoca meu nome com o propósito de emendar-se’”.
“Isso mesmo lhe confirmou em outra revelação, dizendo: ‘Todos os demônios têm um grande pavor e respeito diante de meu nome. Assim que o ouvem invocar, largam de pronto a alma presa em suas garras. E se os anjos maus se afastam dos pecadores que chamam pelo nome de Maria, os anjos bons tanto mais se chegam às almas justas que o pronunciam com devoção’”.
5. Promessas de Jesus
“São maravilhosas as graças prometidas por Jesus Cristo aos devotos do nome de Maria, como disse Santa Brígida, conversando com a sua Mãe, revelando que todo aquele que invocar o nome de Maria com confiança e propósito de emenda, receberá estas graças especiais: dor de coração pelos pecados e a fortaleza para alcançar a perfeição e, finalmente, a glória do paraíso. Porque, disse o Divino Salvador, são para mim tão doces e queridas suas palavras, ó Maria, que não posso negar-vos o que pedistes”.
“Em suma, Santo Efrem também disse que o nome de Maria é a chave que abre a porta do céu para aquele que o invoca com devoção”.
6. Oferece consolo
“São Camilo de Lellis, recomendou fortemente aos seus religiosos que ajudassem os moribundos com frequência a invocar os nomes de Jesus e de Maria como ele mesmo sempre fazia; e praticou consigo mesmo na hora da morte, como relata em sua biografia, repetindo os nomes tão docemente, tão amados por ele, de Jesus e de Maria, que inflamavam de amor a todos os que o ouviam”.
“E finalmente, com os olhos fixos naquelas amadas imagens, com os braços abertos, pronunciando pela última vez os doces nomes de Jesus e de Maria, o santo expirou com uma paz celestial”.
7. O que dizia São Boaventura
“Roguemos, pois, meu amado e devoto leitor; roguemos a Deus que nos conceda a graça de ser o nome de Maria a última palavra que a nossa língua pronuncie, como Lhe pediu São Germano”.
“Para a glória do vosso nome, ó bendita Senhora, quando minha alma sair deste mundo, vinde-lhe ao encontro e tomai-a em vossos braços. Dignai-vos vir consolá-la com a vossa doce presença; sede o seu caminho para o Céu, alcançai-lhe a graça do perdão e o eterno descanso. Ó Maria, advogada nossa, a vós pertence defender os vossos devotos, e tomar a vosso encargo a sua causa diante do tribunal de Jesus Cristo”.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Como surgiu o “Santa Maria, rogai por nós”

Nossa Senhora e o Concilio de Éfeso

A história da Ordem do Carmo é cheia de riquezas. Seu fundador, Santo Elias, 400 anos antes de Nosso Senhor Jesus Cristo, já venerava a Mãe de Deus que iria nascer.

Afirmava São Epifânio que já na primeira metade do século IV, existia uma associação de mulheres cristãs que prestavam um culto a Maria Santíssima.Vemos na história quantos Santos tiveram grande devoção à Mãe de Deus, e que muitos a conheciam como Santa Maria.

Porém, foi depois do Concílio de Éfeso, realizado no ano de 431, por convocação do Papa Celestino I, que surgiu um culto litúrgico em honra à Mãe de Deus.

O Concílio de Éfeso foi convocado para combater as heresias do Pelagismo e Nestorismo, dirimindo equívocos sobre a Doutrina Cristã, ao mesmo tempo em que definia uma sublime prerrogativa de Maria e o seu verdadeiro posicionamento na economia da salvação, culminando por decretar o Dogma de SUA Maternidade Divina.

Os erros das heresias espalharam-se rapidamente, fazendo muitos adeptos como normalmente acontecia de inicio com todas as heresias. Mas esses erros que versavam sobre a Divindade de Jesus Cristo e a Maternidade de Sua Santa Mãe, foram logo e energicamente combatidos.

São Cirilo, Bispo de Alexandria, foi o Presidente do Concílio em Éfeso, que defendeu dignamente as verdades do cristianismo, contra as investidas herejas.

No dia do encerramento, após a leitura da sentença que condenava os heresiarcas, expressando o pensamento unânime de todos os presentes, foi lido o decreto do Dogma da Maternidade Divina de Maria Santíssima, proclamado e justificado com toda honra, para a maior Glória de Deus. O Papa São Celestino emocionado e com lágrimas nos olhos, ajoelhou-se e respeitosamente saudou-a assim:

“Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amem”

Essa saudação de Sua Santidade, ficou sendo a segunda parte da AVE MARIA, que tem como primeira parte dois trechos. Um formado pelo cumprimento feito pelo Arcanjo São Gabriel a Maria, no dia da Anunciação, em Nazaré:

“Ave Maria, cheia de graça. O Senhor é convosco”.

O outro trecho é constituído pela frase pronunciada por Santa Isabel, prima de Maria, quando a Santíssima Virgem foi a Ain Karin para ajuda-la durante os três últimos meses de gravidez, do qual nasceu São João Batista. Disse Isabel:

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre”.

Fonte: “Pelos Caminhos do Amor” – Jusan F. Novaes – 1ª Edição – ano 1983 – Com Aprovação Eclesiástica
.