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segunda-feira, 9 de julho de 2018

NOSSA SENHORA, NOS TEMPOS DO ANTICRISTO



Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est
Este artigo do Padre Calmel, OP – uma grande figura do tradicionalismo católico – mostra-nos como devemos pedir a intercessão da Santíssima Virgem em nosso tempo de confusão geral.
“Quisera eu viver nos tempos do Anticristo” escrevia a pequena Teresa em seu leito de agonia. Não há dúvida de que a carmelita que se ofereceu como vítima de um holocausto ao Amor Misericordioso intercederá por nós quando surgir o Anticristo, nem há dúvida que já está intercedendo especialmente em nosso tempo, em que os precursores do Anticristo se introduziram no seio da Igreja. Também não há dúvida de que sua oração está unida com a súplica infinitamente mais poderosa da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus. Aquela que esmaga a cabeça do dragão infernal em sua Imaculada Conceição e sua Maternidade virginal, a que foi glorificada de corpo e alma e que reina no céu com seu Filho. Ela domina como soberana todos os tempos de nossa história e, particularmente, os momentos mais tremendos para as almas, a saber, os da vinda do Anticristo e aqueles em que seus diabólicos precursores prepararão esta vinda.
Maria se manifesta não somente como Virgem Poderosa e consoladora nos momentos de angústia para a cidade terrestre e a vida corporal, mas se mostra, sobretudo, como Virgem auxiliadora, forte como um exército em ordem de batalha, em tempos de devastação da Santa Igreja e de agonia espiritual de seus filhos. Ela é a rainha da história do gênero humano, não somente para os tempos de angústia, mas também para os tempos do Apocalipse.
A Primeira Guerra Mundial foi um desses tempos de angustia: matanças de ofensiva mal preparadas, derrota implacável sob um furacão de ferro e fogo … Quantos homens ao apertarem seus cintos saíam com a terrível certeza de perecer neste tornado alucinante sem nunca ver a vitória; mesmo às vezes, e era o mais atormentador, as dúvidas lhes vinham à mente a respeito do valor de seus chefes e a prudência em suas ordens. Mas, no final, em um ponto eles não tinham dúvidas e essa questão superava todas: a da autoridade espiritual. O capelão que auxiliava esses homens a serviço da pátria até sua morte era absolutamente firme em todos os artigos da fé e nunca teria pensado em adaptar pastoralmente a Santa Missa. Celebrava o Santo Sacrifício da Missa segundo o rito e as palavras antigas; celebrava com uma piedade muito mais profunda, que o sacerdote sem armas e seus paroquianos armados, poderiam ser chamados a unir, de um momento a outro, seu sacrifício de pobres pecadores com o único sacrifício do Filho de Deus que tira os pecados do mundo. 
A mesma fidelidade do capelão se fundava tranquilamente na fidelidade da autoridade hierárquica que conservava e defendia a doutrina católica e o culto tradicional e não hesitava em apartar da comunhão católica os hereges e traidores. Depois, em poucos instantes talvez, na frente de batalha, os corpos iam ser esmagados, mutilados em um horror sem nome, talvez se sufocariam inexoravelmente e se asfixiariam lentamente em meio a uma camada de gás. Mas, apesar do suplício dos corpos, as almas permaneceriam intactas, sua serenidade inalterada, seu interior preservado, e o mais negro de todos os demônios, o das supremas mentiras, não deixaria escutar seus sarcasmos. A alma não ficaria abandonada aos ataques traiçoeiros, covardemente tolerada dos pseudo-profetas da pseudo-Igreja; apesar do suplício dos corpos, a alma voaria do local de uma fé protegida ao recinto luminoso da visão beatífica no paraíso.
A Primeira Guerra Mundial foi um tempo de angústia. Mas agora, entramos em um tempo do Apocalipse. Todavia, sem dúvida, ainda não chegamos ao furacão de fogo que enlouquece os corpos, mas já presenciamos a agonia das almas, porque a autoridade espiritual parece já não querer defendê-las e se desinteressa da verdade da doutrina como da integridade do culto, ao não condenar ostensivamente os culpáveis. Eis aqui a agonia das almas na Santa Igreja, solapada desde o interior por traidores e hereges ainda não exilados.
Na história, houve outros tempos do Apocalipse. Lembremo-nos, por exemplo, dos interrogatórios à Santa Joana d’Arc, privada dos sacramentos por homens da Igreja, relegada ao fundo de um calabouço escuro, sob a guarda de horríveis carcereiros.
Mas as vitórias da graça sempre selam os tempos do Apocalipse. Porque embora as bestas do Apocalipse adentrem até a cidade santa e a coloquem em grande perigo, a Igreja não deixa de ser Igreja, cidade muito amada, inexpugnável para o demônio e seus asseclas, cidade pura e imaculada cuja Rainha é Nossa Senhora.
Ela, a Rainha Imaculada, é a que abreviará os sinistros anos do Anticristo através de Jesus Cristo, seu Filho. E ainda, mais do que nunca, ela nos obterá durante esse tempo a graça de perseverar e nos santificar. Ela nos preservará a parte da autoridade espiritual legítima que absolutamente precisamos. Sua presença no Calvário, em pé próxima da cruz, nos anuncia isso infalivelmente. Ela estava de pé próxima da cruz de seu Filho, o próprio Filho de Deus, para unir-se mais perfeitamente ao seu Sacrifício redentor e merecer toda a graça para seus filhos adotivos. Toda a graça: a graça para enfrentar-nos as tentações e tribulações semeadas até nas vidas mais unidas; mas também a graça de perseverar, de voltar a levantar-se e santificar-se nas piores provas, provas de exaustão do corpo e as provas mais negras da agonia da alma, tempos em que a cidade carnal é invadida e os tempos em que a Igreja de Jesus Cristo deve resistir a auto-destruição. Ao estar em pé próxima da cruz de seu Filho, a Virgem Maria, cuja alma foi trespassada por uma espada de dor, a divina Virgem exausta e atônita como nenhuma criatura nunca será, nos dará a entender, sem dúvida, que será capaz de sustentar os redimidos nas provações mais terríveis com uma intercessão materna, de toda pura e poderosa. Esta Virgem muito doce e Rainha dos mártires nos persuade de que a vitória está oculta na própria Cruz e que muito depressa se manifestará; a brilhante manhã da Ressurreição logo surgirá sobre o dia sem fim da Igreja triunfante.
Na Igreja de Jesus, presa do modernismo até em sua cabeça, o sofrimento das almas e a queimadura do escândalo alcançam uma intensidade comovente. Tal drama é sem precedentes, mas a graça do Filho de Deus Redentor é mais profunda do que este drama. E nada interrompe a intercessão do Imaculado Coração de Maria, que alcança toda a graça. Nas almas mais abatidas e mais próximas da morte, a Virgem Maria intervém dia e noite para colocar fim, misteriosamente, a este drama e também misteriosamente romper as cadeias que o demônio acreditava ser inquebráveis: Solve vincla reis (Aos réus desata os grilhões).
Todos nós, a quem Nosso Senhor Jesus Cristo, por uma marca especial de honra, chama à fidelidade em meio a novos perigos e em uma forma de luta que nunca havíamos experimentado – luta contra os precursores do Anticristo infiltrados na Igreja – voltemos ao essencial: nossa fé. Lembremo-nos que cremos na divindade de Jesus, na maternidade divina e na maternidade espiritual de Maria Imaculada. Consideremos um pouco a plenitude de graça e sabedoria escondida no coração do Filho de Deus feito homem e que flui eficazmente em todos aqueles que crêem. Consideremos também a plenitude de doçura e da intercessão que é privilégio exclusivo do Imaculado Coração de Maria. Rezemos como as crianças a Nossa Senhora e façamos a experiência inefável que os tempos do Anticristo são tempos de vitória: vitória da Redenção plena de Jesus Cristo e da intercessão soberana de Maria
Padre R.-Th. CALMEL OP – 1975

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O IMPÉRIO DO ANTICRISTO (DRAMA DO FIM DOS TEMPOS)

danielVisão do profeta Daniel
I – Uma noite, o profeta Daniel teve uma visão terrificante. Enquanto os quatro ventos do céu se combatiam sobre um vasto mar, ele viu surgir do meio das vagas quatro bestas monstruosas. Eram: um leão, um urso, uma pantera, e um quarto animal medonho de quatro cabeças, dotado de força prodigiosa, tendo dentes e unhas de ferro, e dez chifres na testa. Foi revelado ao profeta que estas quatro bestas significavam quatro impérios que se elevariam sucessivamente sobre as vagas movediças da humanidade.
Ora, enquanto Daniel considerava com horror a quarta besta, viu um chifrezinho nascer no meio dos dez outros, abater três, e crescer acima de todos; e este chifre tinha olhos de homem, e uma boca que falava com insolência; fazia guerra aos santos do Altíssimo, e levava a melhor sobre eles. O profeta perguntou o sentido desta estranha visão. Foi-lhe respondido que os dez chifres representavam dez reis; o chifrezinho era um rei que acabaria por dominar sobre toda a terra com inaudito poder. “Vomitará, lhe foi dito, blasfêmias contra Deus, esmagará debaixo dos pés os santos do Altíssimo; ele pensará que pode mudar os tempos e as leis; e tudo lhe será entregue durante um tempo, dois tempos, e a metade de um tempo”. (Dn. VII).
II – Por este rei todos os intérpretes entendem o Anticristo. Qual é a besta sobre a qual surgiu, no tempo marcado, este chifre de impiedade? É a Revolução, pela qual se entende todo o corpo dos ímpios, obedecendo a um motor oculto e se insurgindo contra Deus: a Revolução, poder Satânico e bestial; satânico, porque animado por um espírito infernal; bestial, porque entregue a todos os instintos da natureza degradada. Ela tem dentes e unhas de ferro: pois forja leis despóticas por meio das quais esmaga a liberdade humana. Procura apoderar-se dos reis e dos governos, que têm de fazer um pacto com ela. Quando o Anticristo aparecer, ela terá dez reis a seu serviço, como os dez chifres da testa.
O Anticristo – nos diz Daniel – aparecerá como um chifrezinho; terá um começo obscuro. Não sairá da família real; será um Maomé, um Mahdi, que se levantará pouco a pouco pela audácia de suas imposturas, secundadas pela cumplicidade do diabo. O chifre que o representa é muito diferente dos outros. Tem olhos de homem; pois o novo rei é um vidente, um falso profeta. Tem uma boca que faz grandes discursos; pois se impõe não menos pelo brilho da palavra e a sedução das promessas, do que pela força das armas e das intrigas políticas.
Cedo todo o mundo terá os olhos voltados para o impostor, seus grandes feitos serão celebrados pelas trombetas de uma imprensa complacente. Sua popularidade sombreará a de muitos soberanos apóstatas, que dividirão então entre si o império da besta revolucionária. Seguir-se-á uma luta gigantesca, na qual, segundo Daniel, o Anticristo abaterá todos os seus rivais. Neste momento todos os povos, fanatizados por seus prodígios e suas vitórias, o aclamarão como o salvador da humanidade. E os outros reis não terão outro recurso que se submeterem a ele. Este será o começo de uma crise terrível para a Igreja de Deus. Pois o chifre da impiedade, alcançando o auge do poder, fará guerra aos santos e prevalecerá contra eles.
III – É provável que durante esse período que poderá durar muitos anos, o homem do pecado afetará ares de moderação hipócrita. Judeu, se apresentará aos judeus como o Messias esperado, como o restaurador da lei de Moisés; tentará torcer a seu favor as misteriosas profecias de Isaias e Ezequiel; reconstruirá, no dizer de muitos Padres da Igreja, o templo de Jerusalém. Os judeus, ao menos em parte, ofuscados por seus falsos milagres e seu fausto insolente, o receberão, o falso Cristo; porão ao seu serviço as altas finanças, toda a imprensa, e as lojas maçônicas do mundo inteiro.
É muito crível também que o Anticristo disporá, para subir, de todos os partidários das falsas religiões. Ele se anunciará como cheio de respeito pela liberdade dos cultos, uma das máximas e uma das mentiras da besta revolucionária. Dirá aos budistas que é um Buda; aos muçulmanos, que Maomé é um grande profeta. Nada impede que o mundo muçulmano aceite o falso messias dos judeus como um novo Maomé.
O que sabemos? Talvez irá até dizer, em sua hipocrisia, como Herodes seu precursor, que quer adorar Jesus Cristo. Mas isso não passará de uma zombaria amarga. Malditos os cristãos que suportam sem indignação que seu adorável Salvador seja posto lado a lado com Buda e Maomé, em não sei que panteon de falsos deuses! Todos esses artifícios, parecidos com a carícia no cavalo do cavaleiro que o quer montar, arrebanharão insensivelmente o mundo para o inimigo de Jesus Cristo; mas uma vez firme nos estribos, usará do freio e das esporas; e a mais terrível tirania pesará sobre a humanidade.
IV – São Paulo nos faz conhecer com um só traço toda a extensão dessa tirania, a mais odiosa que houve e que haverá em todos os tempos. O homem da perdição, diz ele, o filho da perdição, o ímpio, “se oporá e se levantará contra tudo o que se chama Deus ou que é adorado como Deus, até se sentar no templo de Deus, apresentando-se como se fosse Deus”. (II Tess. II, 4). Daniel tinha predito antes de São Paulo: “Não terá em conta para nada o Deus de seus pais; ele mergulhará em deboches; não terá preocupação com Deus algum, levantar-se-á contra tudo”. (Dn., XI, 17).
Assim, quando o Anticristo tiver escravizado o mundo, quando tiver colocado em toda parte seus ordenanças e suas criaturas, quando puder puxar à sua vontade todos os fios de uma centralização levada ao extremo: ele tirará a máscara, proclamará que todos os cultos estão abolidos, se aclamará como deus único e, debaixo das penas mais terríveis e mais infamantes, quererá forçar todos os habitantes da terra a adorar, excluindo qualquer outra, sua própria divindade.
É nisto que desembocará a famosa liberdade de culto da qual se faz tanto alarde; a promiscuidade dos erros exige logicamente esta conclusão. Enquanto esteve na terra, o adorável Jesus, manso e humilde de coração, nunca se propôs à adoração de seus apóstolos sendo Ele Deus; muito ao contrário, pôs-se de joelhos diante deles e lhes lavou os pés. O Anticristo, monstro da impiedade e de orgulho, far-se-á adorar pela humanidade enlouquecida e seduzida; ela terá escolhido este mestre de preferência ao primeiro.
E não se pense que a armadilha será grosseira! Não esqueçamos, diz São Gregório, que o monstro disporá do poder do diabo para fazer falsos prodígios; ao contrário do começo, quando os milagres estavam do lado dos mártires, parecerá que agora estão do lado dos carrascos. Haverá uma ofuscação, uma vertigem. Somente os humildes e firmes em Deus,distinguirão a mentira e escaparão à tentação.
Mas onde o Anticristo estabelecerá seu novo culto? São Paulo nos diz: no templo de Deus; Santo Irineo, quase contemporâneo dos Apóstolos, esclarece melhor e diz: no templo de Jerusalém que ele fará reconstruir. Este será o centro da horrível religião. São João em outro lugar nos dá a conhecer a imagem do monstro será proposta por toda parte à adoração dos homens. (Apoc., XIII, 24).
Então budismo, islamismo, protestantismo, etc. serão suprimidos e abolidos. Mas não é preciso dizer que o furor do mundo se dirigirá contra Nosso Senhor e sua Igreja. Fará cessar o culto público; desaparecerá, diz Daniel, o Sacrifício perpétuo. Só se poderá celebrar a Santa Missa em cavernas e em lugares escondidos. As igrejas profanadas só apresentarão ao olhar a abominação da desolação, a saber, a imagem do monstro elevada aos altares do verdadeiro Deus. (Daniel, pass.). Houve um ensaio dessas coisas na Revolução Francesa.
Aí a mão de Deus se fará sentir. Ele abreviará esses dias de suprema angústia. Essa perseguição, que fará vacilar as colunas do céu, só durará um tempo, dois tempos e a metade de um tempo, a saber, três anos e meio.
O Drama do Fim dos Tempos  –  Pe. Emmanuel-André

quinta-feira, 5 de maio de 2016

O HOMEM DO PECADO (DRAMA DO FIM DOS TEMPOS)

Fim_dos_TemposI – Está entre as coisas possíveis, se bem que a apostasia já esteja muito avançada, que os cristãos, por um esforço generoso, façam recuar os promotores da descristianização, e propiciem assim, para a Igreja, dias de consolação e de paz antes da grande provação. Este resultado nós o esperamos, não dos homens, mas de Deus, não tanto dos esforços, mas das orações.
Nesta ordem de idéias, alguns autores piedosos esperam, depois da crise presente, um triunfo da Igreja, qualquer coisa como um dia de Ramos, no qual esta Mãe seria aclamada pelos gritos de amor dos filhos de Jacó, reunidos às nações, na unidade de uma mesma fé. Nós nos associamos com prazer a essas esperanças, que visam um fato formalmente anunciado pelos profetas, e do qual falaremos a seu tempo.
Qualquer que seja esse triunfo, se Deus no-lo conceder, não será de longa duração. Os inimigos da Igreja, atordoados por um momento, retomarão sua obra satânica com redobrado ódio. Pode-se imaginar o estado da Igreja, então, como semelhante ao estado de Nosso Senhor nos dias que precederam sua Paixão.
O mundo será profundamente agitado, como estava o povo judeu reunido para as festas pascais. Haverá imensos rumores, cada um falando da Igreja, uns para dizer que ela é divina, outros que ela não o é. Ela será o alvo dos ataques mais insidiosos do livre pensamento; mas nunca terá reduzido tão bem ao silêncio seus contraditores, pulverizando seus sofismas.
Em resumo, o mundo será posto face à verdade; será atingido em pleno rosto pelo esplendor divino da Igreja; mas ele voltará as costas, e dirá: “Não a quero!”. Esse desprezo da verdade, esse abuso de graças será a introdução do homem do pecado. A humanidade estará querendo esse mestre imundo: e ela o terá. E por ele se produzirá uma sedução de iniqüidade, uma eficácia do erro (é assim que Bossuet traduz São Paulo) que punirá os homens por terem rejeitado e odiado a Verdade.
Falando assim, não estamos fabricando imaginações, seguimos o Apóstolo. Segundo ele, com efeito, toda sedução de iniqüidade agirá “sobre aqueles que perecem, como não tendo recebido o amor da Verdade que os teria salvado. Por essa razão, Deus lhes enviará a eficácia do erro, a fim de que creiam na mentira; e assim serão julgados aqueles que não creram na verdade, mas se comprazeram na iniqüidade”. (Tess. II, 11-12).
II – Quando o homem do pecado aparecer será, pois, como diz São Paulo, a seu tempo; quer dizer, no momento em que o corpo dos maus, fechado aos golpes da graça, tornado compacto e intratável pela obstinação de sua malícia, estiver pedindo uma cabeça como essa. Ele surgirá, e Satã fará explodir nela toda a extensão de seu ódio contra Deus e os homens. O homem do pecado, o Anticristo, será um homem, um simples viajante para a eternidade. Alguns autores supuseram nele a encarnação do demônio; essa imaginação é sem fundamento. O diabo não tem o poder de tomar e se unir a uma natureza humana, de macaquear o adorável mistério da Encarnação do Verbo.
Os Padres pensam unanimemente que ele será judeu de origem. Acrescentam mesmo que será da tribo de Dan, fundando-se em que essa tribo não é nomeada no Apocalipse como fornecendo eleitos ao Senhor. Santo Agostinho faz eco a essa tradição em seu livro “Questões sobre Josué”. Ela se torna bastante verossímil pelo fato de que a franco-maçonaria é de origem judaica; que os judeus dirigem-na espalhados pelo mundo inteiro; o que deixa crer que o chefe do império anticristão será um judeu. Os judeus, aliás, que não querem reconhecer Jesus Cristo, esperam sempre seu Messias. Nosso Senhor lhes dizia: “Eu vim em nome de meu Pai, e vós não me recebestes: se outro vier em seu próprio nome, vós o recebereis”. (Jo V, 43). Por esse outro os Padres entendem comumente o Anticristo.
Apesar de o Anticristo ser chamado o homem do pecado, o filho da perdição, não se deve pensar que ele será voltado fatalmente e irremissivelmente ao mal. Ele receberá graças, conhecerá a verdade, terá um anjo da guarda. Terá os meios de alcançar a salvação, e se perderá por sua própria culpa. No entanto São João Damasceno não hesita em dizer que ele será impuro desde seu nascimento, todo impregnado do hálito de Satã.
E é de crer que desde a idade da razão ele entrará em relação tão constante e tão estreita com o espírito das trevas, se voltará para o mal com tal teimosia que não deixará penetrar em sua alma nenhuma luz sobrenatural, nenhuma graça do alto. Ele ficará imutavelmente rebelde a todo bem. É isto que lhe valerá o nome de homem do pecado. Ele levará ao seu máximo, fazendo de toda sua vida um só ato de revolta contra Deus; por essa constante aplicação do mal, atingirá um requinte de impiedade que nenhum homem nunca alcançou.
A qualificação de filho da perdição que lhe é comum com Judas, quer dizer que sua perda eterna está prevista por Deus, querida por Deus, em punição por sua terrível malícia, a ponto dela estar inscrita nas Escrituras e como que registrada de antemão. É provável, e isto é o que diz São Gregório: o monstro conhecerá de uma luz que sai das profundezas do inferno a sorte que o espera, mas renunciará a toda esperança de salvação para odiar a Deus mais à vontade, e isso o fixará desde esta vida na irremediável obstinação dos danados. E assim ele realizará o terrível nome de filho da perdição.
Desta maneira ele será verdadeiramente o Anticristo, a saber, o antípoda de Nosso Senhor. Jesus Cristo estava elevado acima do alcance do pecado; o Anticristo se porá fora do alcance da graça, por um abandono de todo seu ser ao espírito do mal. Jesus Cristo se volta para seu Pai com todo o impulso de uma natureza divinizada e preservada das más influências; o Anticristo se voltará para o mal com todo o impulso de uma natureza profundamente viciada e que renunciará mesmo à esperança.
III – Estando assim diametralmente oposto a Nosso Senhor, ele fará obras em oposição direta às suas. Ele será para Satã um órgão de escol, um instrumento de predileção. Assim como Deus, enviando seu Filho ao mundo, o revestiu do poder de fazer milagres, e mesmo de dar a vida aos mortos, assim também Satã fazendo um pacto com o homem do pecado, lhe comunicará o poder de fazer falsos milagres.
Por isto São Paulo diz que “sua vinda é obra de Satanás com o desdobramento de poder, de sinais e de prodígios mentirosos”. Nosso Senhor só fez milagres de bondade, recusou fazer prodígios de pura ostentação; o Anticristo se comprazerá em fazê-los, e os povos, por um justo julgamento de Deus, se deixarão prender por suas artimanhas.
Está claro, pelo que precede que o Anticristo se apresentará ao mundo como o tipo completo desses falsos profetas que fanatizam as massas, e que as arrastam a todos os excessos, sob o pretexto de uma reforma religiosa. Sob este ponto de vista, Maomé parece ser seu verdadeiro precursor. Mas ele o ultrapassará de imediato em perversidade, em habilidade, como também pela plenitude de seu poder satânico.
Estudaremos em próximo artigo as origens e os desenvolvimentos de seu poder, assim como as fases da guerra de extermínio que ele desencadeará contra a Igreja de Jesus Cristo.
O Drama do Fim dos Tempos  –  Pe. Emmanuel-André
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