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quinta-feira, 15 de março de 2018

Da caridade fraterna


Diliges proximum tuum tamquam teipsum – “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12 ,31)
Sumário. Ninguém pode amar a Deus sem que tenha amor ao próximo, porquanto o amor de Deus e o do próximo nascem da mesma caridade, e o mesmo preceito que nos obriga ao primeiro, obriga-nos também ao segundo. Examinemos em que estima tivemos até agora um preceito tão importante, e, se porventura tivermos de reconhecer faltas, façamos firme propósito de ser para o futuro mais exatos, lembrando-nos que da observância da caridade depende o sermos cristãos, não só de nome, mas de fato..
I. Não se pode amar a Deus sem amar ao mesmo tempo ao próximo. O mesmo preceito que nos manda o amor para com Deus, manda-nos igualmente o amor para com os nossos irmãos: Et hoc mandatum habemus a Deo, ut, qui diligit Deum, diligat et fratrem suum (1) — “Nós temos de Deus este mandamento, que o que ama a Deus, ame também a seus irmão”. D’onde infere Santo Tomás de Aquino, que da mesma caridade nasce o amor para com Deus e o para com o próximo, porque a caridade nos faz amar tanto a Deus como ao próximo, visto que assim o quer o próprio Deus. — Deste modo compreende-se o que São Jerônimo refere de São João Evangelista. Perguntando-lhe os seus discípulos, porque tão repetidas vezes lhes recomendava o amor fraternal, respondeu o Santo: “Porque é o preceito do Senhor; sendo bem observado, basta para a salvação.”
Certo dia Santa Catarina de Sena disse ao Senhor: “Meu Deus, quereis que eu ame ao meu próximo; mas eu não posso amar senão a Vós.” Respondeu-lhe o nosso Salvador: “Minha filha, aquele que me ama, ama todas as coisas que eu amo.” — Com efeito, quem ama alguma pessoa, ama também os parentes, os servos, as imagens e até as vestes da pessoa amada, pela razão que esta ama tais coisas. E porque é que nós devemos amar ao próximo? Porque aqueles a quem amamos são objeto da benevolência de Deus.
Por isso escreve São João que é mentiroso o que diz que ama a Deus e odeia a seu irmão (2). Ao contrário, diz Jesus Cristo que aceitará como feita a si próprio a caridade de que usarmos para com o mais pequenino de seus irmãos, que tais são os nossos próximos (3). — Examina-te aqui, se tens até agora tido na devida estima o preceito tão importante da caridade, e toma a resolução de seres mais exato para o futuro. Lembra-te que da observância deste preceito depende o seres cristão não só de nome, mas também de fato: In hoc cognoscent omnes, quia discipuli mei estis: si dilectionem habueritis ad invicem (4) — “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”.

II. Induite vos ergo, sicut electi Dei, viscera misericordiae (5) — “Vós, como escolhidos de Deus, revesti-vos de entranhas de misericórdia”. Eis aí o que, segundo São Paulo, deve fazer o cristão para conservar a caridade para com o próximo. Ele diz: induite: revesti-vos, de caridade. Assim como o homem leva para toda parte o seu vestido, que o cobre inteiramente, assim deve levar consigo a caridade em todas as suas ações e cobrir-se todo inteiro com ela. Diz ainda: induite viscera misericordiae — “revesti-vos de entranhas de misericórdia”. O cristão deve revestir-se, não somente de caridade, mas de entranhas de caridade, o que quer dizer que deve ter para com os seus irmãos tão grande ternura de afeto, como se cada um fosse o seu predileto particular.

Quem ama vivamente uma pessoa, pensa sempre bem dela, alegra-se pela sua prosperidade e entristece-se pelos seus males, como se fossem os próprios. Quando a pessoa amada comete uma falta, que empenho em defendê-la, ao menos em diminuir-lhe a culpa! Quando, ao contrário, faz algum bem, o amigo se desfaz em louvores e enaltece-a até às estrelas. Eis o que faz a paixão. Ora, o que a paixão faz nas pessoas mundanas, deve fazê-lo em nós a santa caridade, e não só para com aqueles que nos fazem bem, mas ainda para com aqueles que nos tenham ofendido.
Ah, meu Redentor, quão longe estou de me parecer convosco! Vós não fostes senão caridade para com os vossos perseguidores, e eu rancoroso e odiento para com o meu próximo! Vós rogastes com tanto amor pelos que Vos crucificaram, e eu só penso em tomar vingança de quem me desagradou! Perdoai-me, ó meu Jesus, não quero mais ser o que fui. Proponho firmemente imitar-Vos de hoje em diante, custe o que custar; proponho amar a quem me ofende e fazer-lhe bem. Dai-me a graça de Vos ser fiel.
— Ó Maria, Mãe de Deus, rogai a Jesus por mim; dai-me uma parte de vosso amor para com o próximo; a vossa proteção é a minha esperança.
Referências:
(1) 1 Jo 4, 21
(2) 1 Jo 4, 20
(3) Mt 25, 40
(4) Jo 13, 35
(5) Cl 3, 12

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(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 21-24)

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Caridade

Antologia de São João Crisóstomo


Caridade

Se a simples circunstância de serem de uma mesma cidade é suficiente para que muitos se façam amigos, como não terá de ser o amor entre nós, que temos a mesma casa, a mesma mesa, o mesmo caminho, a mesma porta, idêntica vida, idêntica cabeça, o mesmo pastor e rei e mestre e juiz e criador e Pai? (Homilias sobre São Mateus, 32, 7)

Procuremos aquelas virtudes que, além de nos darem a salvação, aproveitam principalmente ao próximo. [...] Nas coisas terrenas, ninguém vive para si mesmo. O artesão, o soldado, o lavrador, o comerciante, todos sem exceção contribuem para o bem comum e para o proveito do próximo. Por maioria de razão nas coisas espirituais, porque isto, acima de tudo, é que é viver. Aquele que vive só para si, e despreza os outros, é um ser inútil, não é um homem, não pertence à nossa linhagem.

Também nós seremos chamados a prestar contas dos mandamentos que nos foram dados, e, por mais que façamos, não teremos com que pagar. Por isso Deus nos deu um caminho chão e fácil para pagar, um meio simples de saldar toda a nossa divida: não guardar nunca rancor ao nosso próximo. (Homilias sobre São Mateus, 61, 3)

Nada nos assemelha tanto a Deus como o estarmos sempre dispostos a perdoar. (Homilias sobre São Mateus, 19, 3)

Deus a ninguém aborrece e rejeita tanto como ao homem que se lembra da injúria, ao coração endurecido, ao ânimo que conserva o ressentimento. (Homilia sobre a traição de Judas, 2, 6)

Quem é humilde é útil a si e aos outros. (Homilias sobre os Atos dos Apóstolos, 6).

Fonte:http://associacaosantoatanasio.blogspot.com.br

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O Mandamento da Caridade



Segundo Santo Tomás de Aquino
Três coisas são necessárias à salvação do homem: A ciência do que se há de crer; a ciência do que se há de desejar; e a ciência do que se há de fazer. A primeira é-nos ensinada no Credo. A segunda, no Pai-Nosso. A terceira, na Lei. Agora vamos tratar desta última. Existem quatro leis:
A Lei da Natureza: é a luz da inteligência posta em nós por Deus, pela qual conhecemos o que devemos fazer. De fato, ninguém ignora que aquilo que não queremos que seja feito a nós não o devemos fazer ao outro.
“Sobre nós está assinalada a luz do teu semblante.”
A Lei da Concupiscência: Quando Deus criou o homem, a carne era submissa em tudo à alma, ou à razão. Mas, depois que o demônio pela tentação afastou o homem da observância dos preceitos divinos, também a carne se tornou desobediente à razão. Donde suceder que, ainda que o homem queira o bem segundo a razão, está todavia inclinado ao contrário pela concupiscência.
“Mas vejo outra lei nos meus membros, a qual se opõe à lei da minha razão.”
A Lei da Escritura, ou do Temor: A lei da natureza estava destruída pela lei da concupiscência. Fazia-se, portanto, necessário que o homem fosse restituído à obra da virtude e fosse afastado dos vícios. Para isto foi necessária a lei da Escritura. Deve-se saber, porém, que o homem é afastado do mal e induzido ao bem por duas coisas, a primeira das quais é o temor. De fato, a primeira coisa por que alguém começa a evitar o pecado é a consideração das penas do inferno e do juízo final. Conquanto não seja justo aquele que por temor não peca, daqui no entanto principia a justificação.
“O início da Sabedoria é o temor do Senhor.”
“O temor do Senhor expulsa o pecado.”
A Lei Evangélica, ou do Amor. Há outro modo de afastar do mal e induzir ao bem, a saber, o modo do amor, e deste modo foi dada a lei de Cristo, a lei Evangélica, que é Lei de Amor.
A lei do amor torna livre: Quem age somente pelo temor age ao modo de servo; quem, porém, o faz por amor, fá-lo ao modo de livre, ou de filho.
A lei do amor introduz nos bens celestes: Os observadores da primeira lei eram introduzidos nos bens temporais, mas os observadores da segunda lei são introduzidos nos bens celestes.
A lei do amor é leve:
“Não recebestes um espírito de servidão para recairdes no temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos.”
“O meu jugo é suave, e o meu peso é leve.”
Conclusão: Como nem todos podem ser versados na ciência, foi-nos dada por Cristo uma lei breve, para que todos a pudessem saber, e para que ninguém por ignorância pudesse escusar-se de sua observância, e esta é a lei do amor divino.
Esta lei deve ser a regra de todos os atos humanos. Qualquer obra humana é reta e virtuosa quando concorda com a regra do amor divino. Quando, porém, discorda desta regra, não é boa, nem reta, nem perfeita. Portanto, para que os atos humanos se tornem bons, é necessário que concordem com a regra do amor divino.


Fonte: Associação Cultural Santo Tomás
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