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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Quem te ocupa mais? A glória de Deus ou seus interesses?

Excerto retirado do
Manual da Almas Interiores
Compêndio de Opúsculos Inéditos
Pe. Grou
Livro de 1932 - 428 págs


Do Aniquilamento
O meu ser está diante de Vós como o que não é. (David)

Quando nos falam de renunciarmos a nós mesmos, de aniquilar-nos; quando nos dizem ser esse o fundo da moral cristã, consistir nisso a adoração em espírito e verdade, tal palavra nos parece dura e até injusta: não queremos ouvi-la e repelimos quem no-lo prega da parte de Deus. Convençamo-nos, uma vez por todas, de que esse preceito nada de injusto encerra e na prática é mais suave do que pensamos. Em seguida, humilhemo-nos se nos faltar coragem para pô-lo em prática e, ao invés de condená-lo condenemos a nós mesmos.
 Que nos pede o Senhor, ordenando que nos aniquilemos? Pede fazermos justiça a nós mesmos, colocarmo-nos em nosso lugar e reconhecermo-nos tais quais somos. Quando mesmo tivéssemos nascido e vivido sempre na inocência, quando jamais houvéssemos perdido a graça original, outra coisa não seríamos, por nós mesmos, senão nada; não poderíamos consider-nos de outro modo sem nos desconhecermos e injustos seríamos pretendendo que diversamente Deus ou os homens nos tratassem. Que se pode dever ao que nada é? Que pode exigir o que nada é? Se a sua própria existência é uma graça, também e com razão maior é tudo quanto tem.
Há, portanto, injustiça formal da nossa parte em recusarmos ser tratados e tratar-nos a nós mesmos como verdadeiros nadas.
 Diz-se nada custar e ser justa essa confissão em relação a Deus; mas que assim não é a respeito dos homens, porquanto estes, nada sendo, como nós, não têm título algum para obrigar-nos a tal confissão e às suas consequências. A confissão nada custa em relação a Deus, se nos limitamos a fazê-la de boca; porém, quando faz-se mister procedermos de acordo com ela, deixarmos que Ele se arrogue e exerça sobre nós todos os direitos que Lhe pertencem, consentirmos em que disponha ao Seu talante de nosso coração, de todo o nosso coração, de todo o nosso ser, custa-nos infinitamente e com grande dificuldade não chamamos ser injustiça. Ele, todavia, poupa a nossa fraqueza, não usa dos Seus direitos com todo o rigor, jamais nos expõe a certas provas aniquiladoras, sem ter obtido o nosso consentimento.
 Quanto aos homens, concordo não terem por si mesmos domínio algum sobre nós e que injusto é da sua parte qualquer desprezo, humilhação ou ultraje. Mas nem por isso temos direito de nos queixarmos dessa injustiça, porque no fundo não é injustiça a nós, que nada somos, a quem nada é devido, mas para com Deus, cujo mandamento violam desprezando-nos, humilhando-nos, ultrajando-nos.  É, pois, o Senhor quem deve ressentir-Se da injúria que Lhe fazem maltratando-nos e não nós, que em tudo quanto nos acontece não devemos ser sensíveis senão à injúria feita a Deus. Meu próximo despreza-me; não tem razão, porque não é mais do que eu e Deus lho proíbe. Mas não terá ele razão porque eu sou verdadeiramente digno de estima, porque em mim nada há merecedor de desprezo? Não, porque se ele arrebata meus bens, mancha a minha reputação, atenta contra a minha vida, é certamente culpado e muito culpado para com Deus; mas será também para comigo? Estarei autorizado a querer-lhe mal, a vingar-me?
 Não: porque tudo quanto possuo, tudo quanto sou, não pertence propriamente a mim; que só tenho de meu o nada e a quem nada se pode tirar. Se assim encarássemos, sempre do lado de Deus e jamais do nosso, tudo que nos acontece, não seríamos tão melindrosos, tão sensíveis, tão sujeitos a nos queixarmos e irritarmos. Toda a desordem vem sempre de supormos que somos alguma coisa, de nos arrogarmos direitos que nos falecem, de em tudo começarmos sempre por nos considerarmos diretamente e não prestarmos atenção aos direitos e aos interesses de Deus, os únicos lesados no que nos concerne.
 Confesso que isso é de prática muito difícil e para consegui-lo faz-se mister renunciarmos, absoluta e completamente, a nós mesmos. Mas, em suma, é justo e a razão coisa alguma pode opor.
 Deus, portanto, nada exige de nós que não seja razoável, quando a Seu respeito e a respeito do próximo quer que nos portemos como nada sendo, nada tendo, nada pretendendo.
Isto como já se disse, seria justo, quando mesmo tivéssemos conservado a nossa primeira inocência. Mas, se nascemos culpados, se estamos inteiramente cobertos de pecados pessoais, se contraímos infinitas dívidas para com a justiça divina, se merecemos não sei quantas vezes a condenação eterna, não é para nós castigo demasiado brando só sermos tratados como nadas?  E não deve o pecador colocar-se infinitamente abaixo do que nada é? Se qual for a provação imposta a ele por Deus, sejam quais forem os maus tratos suportados do próximo, terá direito de se queixar? Poderá acusar de rigor excessivo a Deus ou de injustiça os homens? Não deve, antes, considerar-se muito feliz em resgatar, com alguma pena temporal, tormentos eternos? Se a religião não é uma ilusão, se é verdade o que a fé nos ensina acerca do pecado e dos suplícios que lhe estão reservados, como pode entrar no espírito de um pecador - a quem Deus se dispõe a perdoar - que não merece tudo quanto se possa suportar de males neste mundo, embora dure sua vida milhões de séculos? Sim, é injustiça soberana, é monstruosa ingratidão de quem ofendeu a Deus (e quem de nós não O ofendeu?) não aceitar de boamente, em reconhecimento, por amor, por dedicação aos interesses de Deus, tudo quanto de sofrimentos, se essas humilhações aprouver à divina bondade enviar-lhe. E que será se tais sofrimentos, se essas humilhações passageiras são, não só a compensação do inferno, mas o preço de uma felicidade eterna, o preço da posse eterna de Deus; se no céu seremos glorificados na proporção do nosso aniquilamento aqui na terra? Teremos ainda horror a nos aniquilarmos?  Pensaremos que é nos fazer mal, quando, por sermos pecadores e para emergirmos do nada, exige-se a renúncia completa do nosso eu, com a promessa de uma recompensa que sempre durará?
 Acrescento que semelhante forma de aniquilamento, contra a qual a natureza tanto se insurge e clama, ao invés de tão penosa como imaginamos, é até suave, porque antes de tudo Jesus Cristo a declarou tal:Tomai sobre vós o meu jugo, disse Ele; é doce e leve. Por mais pesado que seja esse jugo, Deus o suaviza para os que o tomam de boa vontade e consentem em carregá-lo por Seu amor. O amor não nos impede de sofrer, mas faz como que amemos o sofrimento e torna-o preferível e a todos os prazeres.
 A recompensa presente do aniquilamento é a paz do coração, a calma das paixões, a cessação de todas as agitações do espírito, das murmurações, das revoltas interiores.
 Vejamos, em pormenores, a prova disto. Qual é o maior mal do sofrimento? Não é a própria dor, é a revolta, a sublevação interior que a acompanha. A alma aniquilada sofreria todos os males imagináveis sem perder o repouso conexo ao seu estado: é fato de experiência. Custa-nos conseguir o nosso aniquilamento, temos que fazer grandes esforços sobre nós mesmos: mas também gozamos da paz na proporção das vitórias alcançadas.
 O hábito de renunciarmos a nós mesmos, de não atendermos ao nosso eu, torna-se cada dia mais fácil; admiramo-nos de que não nos faça mais sofrer, no fim de certo tempo, aquilo que nos parecia intolerável, assustava a imaginação, sublevava as paixões e punha a natureza em estado violento.
 Nos desprezos, nas calúnias, humilhações, o que no-las torna tão duras de suportar é o nosso orgulho; é o nosso desejo de ser estimados, considerados, tratados com certas atenções; é o pavor que temos das zombarias e do desprezo do próximo. Eis o que nos agita e enche de indignação, o que nos torna a vida amarga e insuportável.  Trabalhemos com afinco para aniquilar-nos; não demos alimento nenhum ao orgulho, deixemos caírem todos os artifícios de estima e amor próprio, aceitemos interiormente as pequenas mortificações que se apresentarem.
 Pouco a pouco chegaremos a não mais nos inquietarmos com o que se pensa e diz de nós, nem com o modo pelo qual nos tratam. Um morto nada sente; para ele não há honra nem reputação; os louvores e as injúrias lhe são indiferentes.
 A maior parte dos sofrimentos e desgostos por que passamos no serviço de Deus provém de não estarmos bastante aniquilados em Sua presença, de conservarmos certa vida própria no meio dos nossos exercícios, de imiscuir-se um secreto orgulho em nossa devoção. E por isso não somos indiferentes às consolações e à sua falta; sofremos quanto Deus parece afastar-Se de nós; esgotamo-nos em desejos e esforços tendentes a fazê-Lo voltar; ficamos abatidos e desolados, se o afastamento perdura muito. Por isso também temos falsos alarmes a respeito do nosso estado. Afigura-se-nos estarmos mal com Deus, porque Ele nos priva de algumas doçuras sensíveis. Julgamos más as nossas comunhões, porque as fazemos sem gosto, a mesma coisa acontecendo quanto às nossas leituras, orações e outras práticas.  Sirvamos a Deus com espírito de aniquilamento; sirvamo-Lo por Ele e não em atenção a nós; sacrifiquemos os nossos interesses à Sua glória e ao Seu bel-prazer; então, estaremos sempre contentes com o Seu modo de tratar-nos, persuadidos de que nada merecemos e de ser imensa a bondade de Sua parte, não digo aceitando, porém suportando os nossos serviços.
 Nas grandes tentações contra a pureza, a fé, a esperança,o que há de mais penoso para nós não é precisamente o temor de ofender a Deus, senão o medo de perder-nos, ofendendo-O. É o nosso interesse que nos ocupa muito mais do que a Sua glória.
 Eis a razão de ter um confessor tanta dificuldade em tranquilizar-nos e reduzir-nos à obediência. Cremos que ele nos engana, transvia e perde, porque nos obriga a deixar de lado as nossas vãs apreensões. Aniquilemos o nosso conceito; não julguemos por nós mesmos... Encontraremos a paz e paz perfeita, no esquecimento total de nós mesmos.
Nada há no céu, na terra, nem do inferno, capaz de perturbar a alma verdadeiramente aniquilada.

Fonte:

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Deus...

Dom Marcel Lefebvre
A exemplo de Santo Tomás e seguindo-o, nossas considerações serão estabelecidas sobre a fé, sobre a Revelação, e mesmo eventualmente sobre argumentos de razão. “Justus ex fide vivit”o justo, o santo, vive da fé. Porque a fé trás em si, como que em germe, a visão beatífica, ora, nós fomos criados para esse fim. A fé ilumina nossa inteligência, conferindo-lhe uma sabedoria incomparável.

O primeiro assunto apresentado para estudo na Suma Teológica é Deus. E também o primeiro assunto da oração de Nosso Senhor. “Pai nosso que estais no céu”. É a primeira afirmação do Credo: “Creio em Deus…”, é o primeiro mandamento: “Adorarás a um só Deus”.

Deus é o primeiro bem do homem e é o último, sua origem e seu fim, sua felicidade de todos os dias e da eternidade. Desde os seus primeiros momentos de consciência, a alma da criança deve-se voltar para Deus e desabrochar banhada pelo grande sol de Deus qui iIluminat omnem hominemvenientem in hunc mundum”: “que ilumina todo homem que vem a este mundo” (Jo. 1, 9).

Bem-aventurados os anjos que guardaram inscrito em seus corações “ quis ut Deus.”, “quem é como Deus” e que perseveraram na provação.
Bem-aventurada a Virgem Maria, imaculada em sua Conceição, que voltou para sempre sua alma a Deus, desde a mais tenra infância.
Bem-aventurada a alma de Nosso Senhor, iluminada pela visão beatífica desde o instante da Criação.
Por que esta lentidão, por que este atraso, por que esta cegueira no conhecimento do amor de Deus, mesmo em muitos batizados?…
Esta constatação suscita lamentações de Nosso Senhor nos Salmos, nos impropérios da Sexta-feira Santa, no primeiro capítulo de São João. Pode-se dizer que a sua agonia no Jardim das Oliveiras era a comprovação desse ateísmo… O amor não é amado: “Non requirunt Deum”… “Non receperunt”,“Não procuram a Deus”, “Não O receberam”.
Este drama nos deixará indiferentes? Esta realidade da ignorância sobre Deus nos excede. O que podemos fazer? Toda a sociedade moderna leva a esta ignorância. Mas não haveria muito dessa ignorância até mesmo em nós? Fazemos um esforço para meditar em Deus, para nos aproximar desse mistério insondável do “Alpha et Omega”, do “Principium et Finis”, do Mistério do amor manifestado no Verbo Encarnado?
Santo Tomás nos convida a conhecer melhor a Deus em sua unidade, em sua Trindade, em suas obras.
Essa contemplação da Trindade bem-aventurada, que fará nossa felicidade eterna, não poderá, na fé do Espírito Santo, dar-nos um esboço, um eflúvio dessa felicidade?
Eis abaixo, alguns estudos que podem ajudar a completar ou explicar o ensinamento da Suma Teológica de Santo Tomás:
-        “O Mistério da Santíssima Trindade”, Pe. Emmanuel
-        “Jesus Cristo Ideal do Monge” cap. I, Dom Marmion
-        “Lês Perfections Divines” do Pe. Garrigou-Lagrange
-        “Commentaires de la Somme Théologique”, Pe. Pegues e Pe. Hugon
-        “Lês Noms Divins” do Pe. Lessius.

Não se trata de fazer um estudo teológico, mas de aproximar-nos um pouco da grande
realidade de Deus e, diante de seus atributos e suas perfeições infinitas, nos lançarmos em adoração, em humildade, em oblação ardente imitando Jesus Cristo e a Virgem Maria.
Um pouco mais de conhecimento da infinidade de Deus, de sua infinita caridade e misericórdia deveria nos fazer progredir na Caridade de Deus, afastar-nos do pecado e nos confirmar na virtude; aliás, é este o caminho que seguiram as almas santas, sob a influência do Espírito de Jesus.
A EXISTÊNCIA DE DEUS
A fé, que é a ciência mais certa, à qual nos referimos, nos ensina a existência de Deus: “Credo in unum Deum Patrem Omnipotentem, creatorem coeli et terrae, visibilium et invisibilium”.
Ela nos ensina que Deus é espírito: “Deus spiritu est”, Nosso Senhor o ensinou à Samaritana. É, pois, um Espírito todo poderoso que tudo criou.
Houve um momento em que o mundo não existia, onde somente Deus existia eternamente, em sua santidade e sua felicidade, perfeita e infinita, não tendo nenhuma necessidade de criar. No princípio de sua oração sacerdotal, Jesus faz alusão a esta época: “E agora Pai, glorificar-me-ei com aquela glória que eu tinha junto de ti, antes que houvesse mundo” (Jô XVII,5).
A fé nos ensina que a razão pode chegar à conclusão da existência de Deus, e São Pedro em sua primeira Epístola (IPÊ I,18) repreende os homens com veemência por não haverem conhecido o verdadeiro Deus que se manifesta em suas obras.
Realmente, tudo o que é, tudo o que somos, proclama a existência de Deus e canta suas perfeições divinas. Todo o Antigo Testamento e, particularmente, os Salmos e os Livros Sapienciais cantam a glória do Criador. É por isso que na oração litúrgica e sacerdotal os Salmos têm um lugar primordial.
É bom meditar sobre a criação “ex nihilo sui et subjecti”, feita do nada, pela simples decisão do Criador“qui putas se esse aliquid, cum nihil sit, ipse seducit: se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, ilude-se a si mesmo” (Gal VI,5).
Quanto mais nos aprofundamos nessa realidade, mais ficamos espantados com a onipotência de Deus e com nosso nada, com a necessidade de toda criatura ser constantemente sustentada nesta existência, sob pena de desaparecer, de voltar ao nada. É isso que nos ensinam tanto a fé como a filosofia.
Essa meditação e essa constatação deveriam bastar para nos lançar humildemente em adoração profunda, numa atitude imóvel semelhante à imobilidade do próprio Deus. Deveríamos ter uma confiança sem limites naquele que é nosso Tudo e que decidiu nos criar e nos salvar.
Com que devoção e sinceridade deveríamos todas as manhãs, no começo das Matinas, recitar o Salmo XCIV: “Vinde, alegremo-nos… Vinde, adoremos… Seu é o mar pois Ele o fez, e a terra firme que suas mãos formaram, vinde adoremos e prosternemo-nos diante de Deus, choremos diante do Senhor que nos criou, porque Ele é o Senhor nosso Deus e nós somos seu povo e as ovelhas que Ele pastoreia”.
Como não agradecer à Igreja que põe suas palavras em nossos lábios para exprimir os mais profundos sentimentos de nossas almas de criaturas!
Se a criação é um grande mistério, é que Deus é para nós o grande Mistério e o permanecerá eternamente na visão beatífica. “Jamais alguém viu a Deus, senão aquele que vem de Deus”, somente o Verbo e o Espírito Santo vêm Deus, sendo de Deus e um só Deus com o Pai. (Jo VI,46).
Abordar os atributos e perfeições de Deus, realidade espiritual que abrange tudo, que vivifica tudo, que sustenta tudo na existência, só poderá aumentar o Mistério divino, para nossa maior satisfação, edificação e santificação.
Santo Tomás diz: “Quanto mais conhecermos perfeitamente a Deus aqui em baixo, melhor nós compreenderemos que Ele ultrapassa tudo o que a inteligência compreende” (II-II/8/3).
Vindo a fé em socorro da razão para nos convencer da existência de Deus e nos abrindo horizontes maravilhosos sobre a intimidade de Deus pela Revelação e, sobretudo, pela Encarnação do Verbo divino, devemos interroga-la para saber se podemos dar a Deus um nome que será próprio de Deus e nos ajudará a melhor conhecê-lo.
Ora, é precisamente o que Deus fez, tanto no Antigo Testamento como no novo. Disse Moisés: “Eu lhes direi, o Deus de vossos pais me enviou a vós. Se eles me perguntarem qual é o seu nome, que lhes responderei? E Deus diz a Moisés: eu sou Aquele que sou. E ele continua: é assim que responderá aos filhos de Israel: Aquele que é, me envia a vós” (Ex III,13-14); assim também Nosso Senhor com os judeus, que lhes dizem: “Vós não tendes ainda cinqüenta anos e vistes Abraão? Jesus lhes respondeu: Em verdade, em verdade vos digo, antes que Abraão fosse, eu sou” (Jô VIII,5-9).
Nunca serão suficientemente admiradas essas respostas luminosas que correspondem, aliás, às conclusões de nossa razão. “Deus é”, Ele é “ens a se”, o ser por Ele mesmo; todos os outros seres são“ab alio”, não têm sua razão de ser por eles mesmos.
Essas afirmações simples são uma fonte de meditação e de santificação interminável. Quer seja o olhar sobre Deus que termina no infinito, quer seja a constatação dos laços da criatura ao Criador, ou a visão do nada da criatura, estamos diante do que há de mais verdadeiro, de mais profundo e de mais misterioso em Deus e em nós.
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