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quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

São Tomé, o Apóstolo que duvidou



Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Só este discípulo estava ausente; e, ao voltar e ouvir contar o que acontecera, negou-se a acreditar no que ouvia. Veio outra vez o Senhor e apresentou ao discípulo incrédulo o seu lado para que lhe pudesse tocar, mostrou-lhe as mãos e, mostrando-lhe também a cicatriz das suas chagas, curou a ferida daquela incredulidade. Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Julgais porventura ter acontecido por acaso que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que ao voltar ouvisse contar, que ao ouvir duvidasse, que ao duvidar tocasse e que ao tocar acreditasse?

Tudo isto não aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A bondade de Deus atuou de modo admirável, a fim de que aquele discípulo que duvidara, ao tocar as feridas do corpo do seu Mestre curasse as feridas da nossa incredulidade. Mais proveitosa foi para a nossa fé a incredulidade de Tomé do que a fé dos discípulos que não duvidaram; porque, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde tocar, a nossa alma põe de parte toda a dúvida e confirma-se na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e tocou, tornou-se testemunha da realidade da ressurreição. Tocou e exclamou: Meu Senhor e meu Deus. Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, acreditaste. 

Ora, como o apóstolo Paulo diz: A fé é o fundamento dos bens que se esperam, a prova das realidades que não se vêem, torna-se claro que a fé é a prova da verdade daquelas coisas que não podemos ver. Pois aquilo que se vê já não é objecto de fé, mas de conhecimento directo. Então, se Tomé viu e tocou, porque é que lhe diz o Senhor: Porque me viste, acreditaste? É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e fez profissão de fé na sua divindade exclamando: Meu Senhor e meu Deus. Portanto, tendo visto acreditou, porque tendo à sua vista um homem verdadeiro, exclamou que era Deus, a quem não podia ver.

Muita alegria nos dá o que se segue: Felizes os que não viram e acreditaram. Por esta frase, não há dúvida que somos nós especialmente visados, pois não O vimos em sua carne, mas possuímo-l’O no nosso espírito. Somos nós visados, desde que as obras acompanhem a nossa fé. Na verdade só acredita verdadeiramente aquele que procede segundo a fé que professa. Pelo contrário, daqueles que têm fé apenas de palavras, diz São Paulo: Professam conhecer a Deus, mas negam-n’O por obras. A este respeito diz São Tiago: A fé sem obras é morta.

São Gregório Magno (Papa) in Hom. 26, 7-9: PL 76, 1201-1202 (Séc. VI)

sexta-feira, 20 de abril de 2018

O Sacerdote e seus maus exemplos

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Na verdade, ninguém causa maior dano à Igreja do que aquele que, tendo um título e uma posição que comportam santidade, vive uma vida corrupta. Ninguém se atreve a denunciar suas faltas; e a falta se torna um exemplo que se difunde amplamente quando o pecador é reverenciado por causa do respeito devido à sua posição. Esses indignos evitariam as responsabilidades de uma culpa assim tão grave se meditassem em seus corações com ouvido atento a sentença da Verdade, que afirma: Quem escandalizar um só destes pequeninos que acreditam em mim, melhor seria para ele pendurar uma pedra de moinho no pescoço, e ser jogado no fundo do mar. (Mt 18,6)
A “pedra de moinho” simboliza o ciclo da vida neste mundo e a sua fadiga, e “o fundo do mar” designa a condenação eterna. Portanto, quando um homem posto em condição que exige santidade escandaliza os outros com a palavra e com o exemplo, seria melhor para ele que as suas ações mundanas o tivessem levado à morte, quando ainda vivia em estado laical, antes que as suas funções sacras o tivessem indicado aos outros, ele, pecador, como exemplo a ser imitado. Porque, caindo somente ele, as penas do inferno o atormentariam de modo mais suportável.
São Gregório Magno – Regra Pastoral

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A SABEDORIA DESTE MUNDO X A SABEDORIA DOS SANTOS














A sabedoria deste mundo consiste em:

  • esconder com astúcia o fundo de seu pensamento,
  • a disfarçar seus sentimentos sob as palavras,
  • a persuadir que as coisas falsas são verdadeiras, e
  • a demonstrar que as verdadeiras são falsas!


O uso desta "prudência" começa na idade mais tenra; ensina-se mesmo às crianças!

 Aqueles que a aprenderam, do alto de seu orgulho têm apenas desdém por aqueles que o ignoram, e estes, subjugados e medrosos, caem de admiração diante dos outros; porque aprecia-se esta horrível duplicidade velada sob um falso nome, já que chamamos "saber viver" esta perversidade mental.


Este "saber viver" aprendem aqueles que o adotam para buscar o cimo das honras; a aproveitar com alegria a magnificência da glória mundana que se adquire; a devolver aos outros – e a que preço! – o mal que tiverem feito; a nunca ceder, quando se tem os meios, a alguém que quisesse resistir, e quando toda possibilidade virtuosa faz falta, a camuflar sob a máscara de uma acalmante bondade tudo o que a malícia é impotente para realizar.

A sabedoria dos santos, ao contrário, consiste em:
  • nunca dissimular;
  • a descobrir seus sentimentos em suas palavras;
  • a amar a verdade como ela é;
  • a fugir de todas as falsidades;
  • a fazer o bem gratuitamente;
  • a suportar o mal antes de provocá-lo;
  • a não buscar vingança pela injúria que se recebe e
  • a considerar como de um enorme proveito os opróbrios que nos vale a verdade.


Somente, zomba-se desta simplicidade dos justos, porque aos olhos dos sábios deste mundo, a inocência é taxada de insensatez; eles chamam estupidez tudo o que é feito com sinceridade, e tudo o que a verdade aprova em um comportamento humano é tido por ridículo por esta sabedoria mundana.

Não há nada mais tolo aos olhos do mundo que revelar o que se diz do fundo do coração, de nada disfarçar com artifício, de não devolver injúria por injúria, de rezar por aqueles que nos maldizem, de procurar a pobreza, de abandonar o que se possui; de não resistir àquele que nos fere e estender a outra face àquele que nos esbofeteia.


Excerto de “Morais de São Gregório o Grande.”
 (pg. 456)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Os verdadeiros milagres e a tendência modernista

(São Gregório Magno, Papa, Sermões sobre o Evangelho, Livro II, Les éditions du Cerf, Paris, 2008, volume II, pp. 205 a 209).

Eis os sinais que acompanharão aqueles que terão acreditado: em meu nome, eles expulsarão os demônios, eles falarão em línguas novas, eles pegarão em serpentes, e se tiverem bebido algum veneno mortal, ele não lhes fará nenhum mal. Eles imporão suas mãos aos doentes e estes serão curados” (São Marcos, XVI,16).


Será que, meus caros irmãos, pelo fato de que vós não fazeis nenhum destes milagres, é sinal de que vós não tendes nenhuma fé?

Estes sinais foram necessários no começo da Igreja. Para que a Fé crescesse, era preciso nutri-la com milagres. Também nós, quando nós plantamos árvores, nós as regamos até que as vemos bem implantadas na terra. Uma vez que elas se enraizaram, cessamos de regá-las.

Eis porque São Paulo dizia:”O dom das línguas é um milagre não para os fiéis, mas para os infiéis” (I Cor, XIV,22).

Sobre esses sinais e esses poderes, temos nós que fazer observações mais precisas?

A Santa Igreja, faz todo dia, espiritualmente, o que ela realizava então nos corpos, por meio dos Apóstolos. Porque, quando os seus padres, pela graça do exorcismo, impõem as mãos sobre os que crêem, e proíbem aos espíritos malignos de habitar sua alma, faz outra coisa que expulsar os demônios?

Todos esses fiéis que abandonam o linguajar mundano de sua vida passada, cantam os santos mistérios, proclamam com todas as suas forças os louvores e o poder de seu Criador, fazem eles outra coisa  que falar em línguas novas?

Aqueles que, por sua exortação ao bem, extraem do coração dos outros a maldade, agarram serpentes.

Os que ouvem maus conselhos sem, de modo algum, se deixar arrastar por eles a agir mal, bebem  uma bebida mortal, sem que ela lhes faça mal algum.

Aqueles que todas a vezes que vêem seu próximo enfraquecer, para fazer o bem, e o ajudam com tudo o que podem, fortificam, pelo exemplo de suas ações, aqueles cuja vida vacila, que fazem eles senão impor suas mãos aos doentes, a fim de que recobrem a saúde?


Estes milagres são tanto maiores pelo fato de serem espirituais, são tanto maiores porque repõem de pé, não os corpos, mas as almas.

Também vós, irmãos caríssimos, realizais, com a ajuda de Deus, tais milagres, vós os realizais, se quiserdes.

Pelos milagres exteriores não se pode obter a vida. Esses milagres corporais, por vezes, manifestam a santidade. Eles não criam a santidade.

Os milagres espirituais agem na alma. Eles não manifestam uma vida virtuosa. Eles fazem vida virtuosa.

Também os maus podem realizar aqueles milagres materiais. Mas os milagres espirituais só os bons podem fazê-los.

É por isso que a Verdade diz, de certas pessoas:

“Muitos me dirão, naquele dia: “Senhor, Senhor, não foi em teu nome que nós profetizamos, que nós expulsamos os demônios e que realizamos muitos prodígios? E Eu lhes direi:”Eu não vos conheço. Afastai-vos de Mim, vós que fazeis o mal” (São Mateus VII, 22-23).


Não desejeis, ó irmãos caríssimos, fazer os milagres que podem ser comuns também aos réprobos,, mas desejai esses milagres da caridade e do amor fraterno dos quais acabamos de falar: eles são tanto mais seguros pelo fato de que são escondidos, e porque acharão, junto a Deus, uma recompensa tanto mais bela quanto eles dão menor glória diante dos homens”.
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