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terça-feira, 12 de abril de 2016

O PADRE DE “ONTEM” É O MESMO DE “HOJE”?

Quando falamos na palavra “padre” qual é o primeiro pensamento que nos vem em mente?
– Um homem de batina preta? Um homem rezando uma Missa com uma “túnica branca”? Um homem comum como todos os outros?
Nos dias de hoje pensamento mais adequado seria o da última opção, não por apelação, mas sim por que os próprios padres contribuem com a construção de tal imagem.
Tendo como referência esta foto acima, algumas pessoas perguntariam: “Em mil novecentos e quanto foi tirada esta foto?”, ao passo que outras que possuem um pouco mais de conhecimento poderiam até ironizar: “Esta foto foi tirada nos tempos do Concílio de Trento?”. Vemos nada mais que dois padres caminhando em uma calçada e vestindo suas respectivas batinas que eram tão comuns em sua época quanto a famosa “camisa clerical” é nos dias de hoje.
A foto foi tirada em um tempo onde era perfeitamente normal os padres usarem batina, saturno e/ou barrete; seminaristas vestidos da mesma forma “sem vergonha” alguma. São imagens como estas que, infelizmente, são raras atualmente. É triste não apenas nós fieis leigos mas também para os próprios clérigos que conservam o amor por esta veste talar, verem aos poucos a maioria dos demais padres abandonarem a veste que é e continuará sendo tão importante até o fim dos tempos para os padres do mundo inteiro, pois a batina é um sinal, um sinal de consagração, um sinal de morte para o mundo. 
Nos dias atuais, a maioria dos padres optaram por usar roupas que os façam parecer mais com os leigos, mas apenas tendo uma pequena característica que os distinguem dos mesmos: Uma pequena palheta branca que se usa entre as duas aberturas de uma camisa, como se vê nesta foto.
Já ouvi pessoas dizendo: “A camisa clerical faz o padre da cintura para cima, basta tirar a palheta e pronto! Não se parece mais com um padre! Estará vestida de forma social.”
Não temos autoridade alguma para condenar ou fazer juízo do padre que gosta de usar tal veste, tanto que a mesma é defendida pelo próprio Código de Direito Canônico (cf. cân. 284), mas o que ninguém poderá negar é que a roupa própria do padre é nada mais e nada menos que a batina. Muitas pessoas – inclusive padres – acreditam que tudo e todos devem modernizar-se e adaptar-se com as inconstâncias dos tempos atuais, o que não passa de uma errônea compreensão de “adaptação ao mundo moderno”. À partir do momento em que o Sacerdote é ordenado como tal pelas mãos de um legítimo sucessor dos Apóstolos, o Bispo, a natureza deste homem é mudada. Repito: a natureza deste homem é mudada. A pessoa do padre, tanto exterior como interior deve ser um constante reflexo do Cristo, daquele Cristo que é o mesmo ontem, hoje e sempre. Cristo não muda nem mudará, portanto, como um filho da Igreja, membro do Corpo Místico de Nosso Senhor e Sacerdote do Altíssimo, o sacerdote também não deve mudar segundo os ventos do mundo: deve ele ser o mesmo que a Santa Igreja – Esposa Mística de Jesus Cristo – sempre exigiu dos seus presbíteros. Eles não podem aderir às modernidades (não importando se a maioria já adere) e deixar sua veste talar de lado, trocando-a por uma camisa que não é criação da Santa Madre Igreja, mas sim uma invenção não católica; mas qual padre hoje em dia se importa com isto?
Para muitos o padre evoluiu deixando de usar a batina, usando roupas comuns, tendo um linguajar informal, gírias – e até mesmo palavrões -, agindo então de uma forma que não convém à natureza de um sacerdote, sendo então algo non clericat – não clerical. Quem vê um padre caminhando na rua é capaz até mesmo de faltar com respeito para com ele, pois a seriedade e admiração que se tinha pela pessoa do sacerdote há 50 anos se perdeu quase que totalmente. Quem acredita que a algumas décadas até mesmo os protestantes e membros de outras religiões respeitavam o sacerdote?
Antigamente, ver um padre era sinônimo de ver o Cristo; assim era sacerdote: respeitado por todos, que o fazia então revelar a sua verdadeira autoridade agindo In Persona Christ Caput Ecclesia, Em Pessoa de Cristo Cabeça da Igreja. O dever do sacerdote é o de pregar o Evangelho com autoridade com e por amor, não por rotina ou por um simples dever de estado; de ser o dispersor das graças divinas; administrador dos sacramentos e uma infinidade de deveres que não se pode enumerar, mas que pode ser resumido da seguinte forma: o sacerdote deve ser um Alter Christus, um outro Cristo. É inexplicável o poder que o padre tem em suas mãos… literalmente.
A imagem “tão comum” que se tinha dos padres há algumas décadas foi destruída em seus principais pontos. Hoje em dia ele é apenas chamado, de forma extremamente vulgar, de um “trabalhador” de Cristo, que está alí apenas para suprir as necessidades espirituais (ou emocionais?) do povo que lhe foi confiado, e estando ali apenas para celebrar Missas, ministrar a Primeira Eucaristia às crianças, celebrar casamentos, batismos, matrimônios e outras funções convenientes à um padre, mas tudo de forma mecânica, de forma não mais sobrenatural, mas mecânica. Para muitos deles, celebrar Missa, assistir casamentos, ministrar uma extrema-unção, confissão e outros, se tornou algo rotineiro. Quem hoje chega a acreditar plenamente que um padre pode salvar uma alma? Poucas pessoas, e existem próprios padres que carecem deste simples conhecimento. Quem hoje crê na Eucaristia como deveria crer? Poucas pessoas! E quantos padres negam a presença real de Nosso Senhor no Sacramento do Altar? Quem hoje acredita e respeita o padre como verdadeira Pessoa de Cristo? Quase ninguém! E quantos padres não se fazem serem respeitados como um Ministro do Altíssimo Deus? Se até mesmo os católicos – ou que se dizem católicos – chegam ao ponto de ridicularizar e xingar os padres, imaginemos então o que não falaria uma pessoa que não seja católica? De um padre ou falar bem ou não falar.
Neste último exemplo, não é culpa das pessoas, mas sim dos próprios padres que se deixam guiar por uma perigosa corrente de pensamento, que os fazem querer “aproximar-se do povo, não sendo radical, mas dócil com todos”. É tão normal o padre passar a imagem de uma pessoa qualquer, de ativista social, ou a de “padre galã”, o que leva às pessoas um pensamento – que talvez já beire o senso-comum – de que nos dias de hoje este é o caminho certo que um sacerdote deve seguir, o que estimula o padre a usar roupas apertadas, camisas curtas mostrando um braço “malhado” e um corpo trabalhado, cantando músicas que envolvem sentimentalmente as pessoas com os piores pensamentos possíveis, e chegando até mesmo a mudar completamente o próprio padre, que termina se vendo (e se vendendo) com um perfil de “estrela”, que seu dever é o de realizar shows, levando as pessoas – principalmente as mulheres – ao delírio com o seu jeito de agir no palco. Non-clericat! Isto não convém a um padre, pois como já foi afirmado pelo Magistério Infalível da Santa Igreja, o Padre é um Cristo. Portanto, deve agir como Cristo! Ele está na Pessoa do Cristo vivo em nossa frente. Por acaso, na segunda vinda de Nosso Senhor, Ele se submeteria a subir em um palco e começaria a cantar musicas melosas que mexem com os sentimentos? Para melhor discernir o que um padre deve ou não fazer, basta olhar para a pessoa de Nosso Senhor. 
O que é hoje em dia a o Sacramento da Confissão? Antigamente, era tido (e continua sendo) como o Tribunal de Deus, onde ali entramos como pecadores, reconhecendo e acusando os nossos pecados, mas sendo este o único tribunal onde nos acusamos e somos absolvidos de nossos erros. Na confissão, o sacerdote prudente – que ali está como o Cristo Juiz – nos ensina como e o que devemos fazer para evitar o pecado, como odiar o pecado. Dizia São João Bosco: “Muitas almas se perdem por causa das más confissões”, imaginemos então quantas mais hão de se perder por conta dos maus aconselhamentos dos padres? Existem casos – que não é muito difícil de se encontrar – em que os padres dizem  a seus penitentes que não é pecado manter relações sexuais antes do casamento, o que não é pecado masturbar-se. Pasmem! Um padre jamais pode aconselhar isto a uma pessoa, ainda mais aos jovens de hoje que, não tendo um correto conhecimento da Sã Doutrina, buscam alguém experiente para ajudá-los em questões deste tipo, mas que, infelizmente, se deparam com padres mal preparados que mais fazem almas caírem no Inferno que levá-las para o Céu.
O dever do padre é o de salvar almas, não o de deixar uma alma se perder e ser condenada ao inferno. O padre tem como dever ouvir todos os pecados dos que estiverem se confessando para poder dar a absolvição, lembrando que o padre mesmo após ouvir todos os pecados de seu penitente poderia ou não absolvê-lo.
Há um caso bastante interessante de São Padre Pio, que foi um dos maiores santos confessores que a Santa Igreja já teve. Ele tinha recebido a graça de Deus do dom de saber o que se passava na mente das pessoas, medir a contrição delas, de perscrutar seus corações, ou seja: Se uma pessoa não tivesse firme e verdadeiro arrependimento de ter pecado ou se ela não contasse tudo o que tinha de contar, omitindo pecados, ele não dava a absolvição à mesma. Isto não é errado, além de prudente, é correto, pois na confissão não se deve esconder pecado algum, ou estaríamos mentindo para próprio Cristo que está ali na pessoa do Padre. Lembrando as palavras das Escrituras que diz: “Deus abomina a língua mentirosa” (cf. Prov. 6, 17)
Na imagem ao lado vemos a correta administração do Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Um padre entregando a Sagrada Comunhão a uma senhora, ajoelhada (com uma patena embaixo da Santíssima Eucaristia) e recebendo em sua boca Nosso Senhor: o jeito mais piedoso e correto de se comungar. O Papa São Pio X em seu Catecismo Maior, nos ensina a forma correta de se receber Nosso Senhor: “No ato de a Sagrada Comunhão, devemos estar com a boca suficientemente aberta e com a língua um pouco estendida sobre o lábio inferior (…)
Com esta tal onda de “modernização” da Igreja, alguns padres perderam o amor e a devoção com a Santíssima Eucaristia. Quantos são os sacerdotes que hoje não acreditam mais na presença viva e real de Jesus na Eucaristia? Isto é equivalente a dizer que as Santas Missas que hoje se celebram em todo o mundo já não tem valor para os próprios sacerdotes, e isso representa uma perda irreparável, uma perda terrível.
Nos vemos em uma situação triste, pois se os padres, aqueles que tem o poder de consagrar o pão e o vinho e realizar com suas mãos consagradas e com sua voz, o milagre da Transubstanciação, fazendo que se torne presente nestas duas espécies o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor, são eles próprios que não acreditam nesta presença Real de Nosso Senhor no Sacramento da Eucaristia, fazendo com que a Missa se torne algo mecânico e sem valor, ao menos para eles. Não buscando cair em saudosismos vazios, podemos afirmar que antigamente se tinha um amor incondicional pela Santíssima Eucaristia, enquanto nos dias de hoje, comungar na boca ou de joelhos pode ser escandalizante para muitos. Chegamos a um ponto onde os padres negam a Comunhão àqueles que querem recebe-La de joelhos. A instrução Redemptionis Sacramentum de 2004 ensina que “os fiéis têm sempre o direito de escolher se desejam receber a Comunhão na boca (…)”, tendo assim como finalidade instruir a forma correta de se receber Nosso Senhor, buscando assim, […] “não se calar ante aos abusos, inclusive gravíssimos, contra a natureza da Liturgia e dos sacramentos, também contra a tradição e autoridade da Igreja, abusos que em nossos tempos, não raramente, prejudicam as Celebrações litúrgicas em diversos âmbitos eclesiais. Em alguns lugares, os abusos litúrgicos se têm convertido em um costume, no qual não se pode admitir e se deve terminar” (cf. 4).
Infelizmente, com toda uma onda de modernismos e progressismos, o Catecismo Maior do Papa São Pio X e os documentos dos antigos Papas, assim como as Doutrinas dos Concílios Infalíveis, foram abandonados e tidos como “velhos”, “desnecessários”, já que eles continham a concreta doutrina e ensinamentos da Santa Igreja em relação à Sagrada Comunhão, elevando este Sacramento como o centro da Vida Cristã. Com todos estes “progressos”, a devoção pela Eucaristia tornou-se algo “comum”, como apenas se tratasse de um rito, uma simples cerimônia. Esta nova “onda” diminuiu o valor dos Sacramentos, principalmente o da Eucaristia e da Santa Missa.
E quando falamos na Santa Missa, qual a postura que o Sacerdote deve adotar perante ela? A Missa de uma forma clara e definida, é o Calvário. É o Sacrifício de Cristo na Cruz. O padre é aquele que deve obedecer ao mandamento de Cristo, na Última Ceia: “Hoc facite in meam commemorationem”. 
O que Cristo disse e fez, o padre repete e faz em todas as Missas, na pessoa do próprio Cristo. Mas porque muitos dos padres de hoje celebram uma Missa de forma “mecânica”? O Missal formulado pelo Papa São Pio V foi reduzido, transformado, simplificado em um novo Missal, o “Novus Ordus Missae”, que, apesar de ter sido promulgado com a autoridade apostólica, não possui a mesma riqueza espiritual e teológica do Rito celebrado por toda a Igreja, em todos os séculos de sua existência, até o fim dos anos de 1970. O sentido sacrifical da Santa Missa foi perdido. A Santa Missa não é mais entendida como o sacrifício Incruento de Nosso Senhor. Existem padres que gostam de fazer as pessoas sorrirem, cantarem, dançarem, baterem palmas e outras barbaridades durante a Santa Missa, algo que não convém à realidade católica, mas a faz ser bastante semelhante a qualquer culto protestante.
Em uma entrevista bastante profunda acerca dos aspectos místicos da Santa Missa, perguntaram a São Padre Pio sobre como devemos assisti-la, e ele logo respondeu: “Como estivéssemos assistindo ao Sacrifício de Cristo na Cruz, da mesma forma que Maria e o discípulo amado assistiram ao sofrimento e agonia de Jesus na Cruz”. É interessante notar que Padre Pio se negou a celebrar a Missa Nova pedindo permissão ao Papa Paulo VI, e recebeu dele uma “licença” para não celebrar neste novo rito proposto pelo Concílio Ecumênico do Vaticano II.
Dizia Santa Terezinha: “Se eu ver um Anjo e um padre em minha frente, eu me ajoelharei aos pés do padre, pois ele pode me dar o Cristo, o Anjo não.” São citações como estas que muitos tomam como sentido figurado. Mas é inegável, o padre é um Cristo em nossa frente, não importa o padre, seja ele o mais pecador ou o mais santo, todos possuem as mãos ungidas, todos eles conseguem com algumas poucas palavras tornar presente o Filho de Deus nas espécies do pão e do vinho. Seja no Céu, no Purgatório ou até mesmo no Inferno, o padre jamais deixará de ser padre. Santa Catarina de Sena costumava dizer: “O chão do Inferno é pavimentado com crânios de padres”. E em outra ocasião ela dizia que “ela viu no Inferno multidões estolas, mitras e tiaras”. Será que a responsabilidade dos sacerdotes diminuiu por causa dos “tempos modernos”? Todos eles merecem respeito apenas pela autoridade que lhes foi concedida, pois JAMAIS, nem no Céu, Purgatório ou Inferno, nem nos fins dos tempos, o Padre deixará de ser Padre.
Este é o perfil de que todo padre deveria possuir: Santo. Todo padre é um Cristo, deve ser um espelho de Cristo. Todos os padres podem nos dar o Cristo, basta ele querer. Todo padre deve ser tratado e respeitado por sua altíssima dignidade, pois o Cristo se faz presente na Santa Missa em Corpo, Sangue, Alma e Divindade simplesmente pelas palavras do Padre.
Se o Padre pode nos dar o Cristo, ele também pode nos dar o céu.
Rezemos pelos Bispos, Presbíteros e Diáconos do mundo inteiro! Rezemos pelo Papa e pelo Clero, os Sacerdotes do reino de Deus!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O Cacique, o Padre e a Missa

“Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos”. (Mat. 11, 25)

A história relatada abaixo é verídica, e põe em xeque alguns questionamentos acerca da Missa de Paulo VI e da Missa de São Pio V. Deus, em sua sabedoria infinita, muitas vezes prefere se ocupar dos humildes e ignorantes para mostrar seu poder, sua santidade e sua justiça. Agradeçamos a Deus por esta graça que Ele concede: da conversão de uns pela boca de outros que jamais teriam a condição de saberem de algumas coisas por si mesmos, pois como Jesus mesmo disse: “Todas as coisas me foram dadas por meu Pai e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo” (Mat. 11, 27).
Introibo ad altare Dei

Havia um Padre, ordenado há cerca de 3 meses na Congregação Missionária dos Xaverianos, que foi designado para trabalhar como missionário na Amazônia brasileira, onde há tribos que ficam muito tempo sem Missa, às vezes até três anos sem nem mesmo ver um Padre; só Deus sabe mesmo de quanto em quanto tempo essas tribos indígenas têm Missa.

Este Padre recém-ordenado foi rezar a Missa Nova em uma tribo no meio da selva que havia sido evangelizada pelos Missionários Montfortinos franceses, há muito tempo atrás. Depois que o Padre rezou a Missa Nova dele, todo contente, um velho Cacique da tribo veio até ele e disse-lhe: 

- “Não tem mistério nenhum nisso que você acabou de fazer”. 

E o Padre disse: 

- “Como não tem mistério? Isso aqui é Missa! Como você pode dizer que não tem mistério?”

- “Isso não é a Missa”, respondeu o Cacique.

- “E qual que é a Missa?”, indagou o Padre.

- “É aquela que o Padre diz: Introibo ad altare Dei”, falou o Cacique.

Esse Padre nunca tinha ouvido falar dessa Missa onde se dizia “introibo ad altare Dei”. No entanto, essa era a Missa da qual esses índios ficaram privados durante tanto tempo e na qual aquele velho Cacique havia sido acólito e coroinha do missionário, já falecido, que evangelizou aquela tribo há tantos anos atrás.

O Padre, ao retornar à sua casa, foi falar sobre a Missa com seu Superior, que lhe disse: 

- “Esses índios ignorantes não sabem nada, por que é que você está indo atrás deles? Eles não conhecem nada”. 

Porém, o Padre foi à biblioteca e encontrou uma foto do seu Superior rezando a Missa de São Pio V, usando uma casula e na posição versus Deum. Então ele começou a querer saber sobre isso e acabou entrando numa crise espiritual. Perdeu tudo o que tinha (carro, celular, rádio, etc.) e ficou 6 meses sem conseguir rezar a Missa Nova, aliás, nenhuma Missa, porque ele não conhecia mais a Missa. 

O Padre voltou para sua terra, a Colômbia, onde encontrou o Pe. Rafael Navas, que naquela época pertencia à FSSPX (Fraternidade Sacerdotal São Pio X), e foi quem lhe explicou qual era o problema do Concílio Vaticano II e da Missa Nova. Pe. Navas conseguiu que ele fosse para La Reja, na Argentina, no seminário São Pio X. Lá, esse Padre ficou 4 ou 5 anos, onde aprendeu a rezar a Missa de São Pio V. (Atualmente, Pe. Rafael Navas é o superior do IBP do Chile e de toda a América Latina)

Voltando para a Colômbia, este Padre não foi aceito por bispo algum e se tornou padre vago. Por causa disso, ele não tinha onde dormir, nem onde comer, mas ele tinha a Missa do “introibo ad altare Dei”, e por isso não desanimou. Durante aproximadamente 8 anos ele ficou nessa situação: morava com pessoas que queriam a Missa Gregoriana, rezava a Missa na casa delas, suas coisas ficavam guardadas na rodoviária, com chave alugada, num armário e por muitas vezes ele não tinha o que comer.

Quando o IBP (Instituto Bom Pastor) foi fundado, o Pe. Navas, que já estava lá incardinado, chamou esse Padre para que ele também se incardinasse no IBP. Este Padre, convertido pelo índio, é o Pe. José Luiz Pinzón, atual Superior do IBP em Bogotá, na Colômbia.

Vejam que ele teve a graça da conversão pelas palavras saídas da boca de um índio que nada sabia sobre fenomenologia e nem sobre filosofia escolástica para saber a diferença entre elas. O que é o sensus fidei! Deus dá a graça, mesmo a um índio no meio da selva. Às vezes, um índio que está no meio da selva consegue entender melhor um problema do que a gente aqui, na “civilização”. Notem como a sabedoria de Deus foi proferida pela boca de um índio: “a Missa é aquela que o Padre diz introibo ad altare Dei, não é isso aí que você fez”.

Como dizia São Pio de Pietrelcina: “É mais fácil o mundo ficar sem o sol do que ficar sem a Missa”. O mundo está de pé porque a Missa Gregoriana nunca deixou de ser rezada. Mesmo quando Paulo VI “proibiu-a”, houve padres idosos, em comunhão com Roma, para os quais Paulo VI deu a dispensa para rezá-la e, além disso, em outros locais continuou-se também rezando a Missa Gregoriana, como em Campos e na FSSPX. Portanto, a Missa de São Gregório Magno nunca foi interrompida, desde Nosso Senhor até hoje, e assim ela irá até o final dos tempos.

História relatada pelo Subdiácono Rafael Scolaro, do Instituto Bom Pastor, no dia 21 de Julho de 2010, em aula/palestra para o Grupo São Pio V de Curitiba.

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