sexta-feira, 10 de maio de 2013

A Mulher e o Cuidado do Lar


 Quaesivit lanam et linum, et operata est consilio manuum suarum. 
Ela procurou a lã e o linho, e trabalhou-os com mãos sábias e engenhosas.
(Prov., XXXI, 13) 

Começamos no passado entretenimento a copiar o retrato da mulher forte, tal como o Espírito Santo o traçou no livro dos provérbios: a mulher forte, de caráter simultaneamente doce e enérgico, compreendendo os seus deveres e cumprindo-os com uma perseverança que nada abala; a mulher forte, superior as misérias deste mundo, a malícia dos homens, e a injustiça da opinião; a mulher forte, presidindo com nobre dignidade a todas as minudencias da sua casa, semelhante ao sol que ilumina e aquece o universo:Sicut sol oriens mundo in altissimis Dei. (Eccl. XXVI)

A mulher forte é uma coisa rara, e tão preciosa como as pérolas que vêem das extremidades do mundo. Depende isto da delicadeza da constituição, que tivesse grandíssima influência sobre a moral e comunicasse as idéias, as resoluções, aos projetos, alguma coisa de menos enérgico e mais mobilidade? S. Thomaz, e Alberto, o Grande, não receiam dar esta primeira razão. Depende da indolência da educação, da enervação dos hábitos, da ausência dos princípios religiosos, perfeitamente conservados, que encadeiam a vida íntima?

Eu creio que todas estas causas podem contribuir para isso, e ajuntarei, tomando as coisas pelo melhor lado, que o Criador derramou os seus dons, de um modo desigual, sobre as obras de suas mãos, e que em face de uma criatura que possua uma qualidade predominante, se acha outra, em a qual ou não existe essa qualidade, ou existe em diferentes graus. Os dois versículos seguintes forneceram-nos um resumo muito exato dos principais deveres da mulher, com respeito a seu marido: deve-a merecer-lhe a confiança pela virtude e conjunto de qualidades preciosas; deve consagrar a vida a embelezar a dele por uma constante benevolência: Reddet ei bonum et non malum, omnibus diebus vitae suae.

***

O sábio prossegue: A mulher forte procurou a lã e o linho e trabalhou-os com mãos sábias e engenhosas. Este versículo leva-nos a falar dos trabalhos da mulher; e para que nada fique incompleto neste assunto, trataremos hoje dos vossos trabalhos manuais e na seguinte conferência dos intelectuais. Umas das principais ocupações da mulher deve ser o cuidado do lar doméstico. Ao homem os trabalhos exteriores, o movimento dos negócios, o manejo das funções civis e militares, o foro, a medicina, as preocupações científicas. Á mulher, um papel mais modesto, o domínio da sua casa, o império do interior, cujos vassalos são as pessoas e as coisas que tem relação com as minudencias da vida doméstica: Sicut vir publicis officiis, diz Santo Ambrósio: ita mulier domesticisministeriis habilior aestimatur (De Parad. c. II, nº 50).

A missão da mulher, como a do homem tem suas vantagens e inconveniências; em todos os jardins da terra, pertença à mulher ou ao homem, se há flores há também espinhos; e, muitas vezes, a ventura depende da maneira mais ou menos hábil e prudente com a qual se colhem as rosas, deixando os espinhos de parte. Há caracteres que tem o desgraçado talento de não encontrarem um espinho sem se aproximarem dele com uma espécie de desastrada complacência; deste modo as feridas não podem faltarlhes, e tanto mais quando eles sabem - aonde os não há - fixar os espinhos da própria natureza, que não são os menos numerosos nem os menos pungitivos.

Aceitai, pois, senhoras, a posição que Deus vos deu neste mundo; aceitai a esfera de ação que vos foi imposta pela divina Providência. Sede rainhas no vosso império, mas pela vossa felicidade, pela vossa tranqüilidade pelo bom êxito nos vossos serviços, não procureis ser rainhas em outra parte. Aconselhai, insinuai, dirigi pela afeição se a prudência vo-lo permite, se a sabedoria vo-lo aconselha; mas serei tanto mais fortes, quanto mais fordes, principalmente, o que deveis ser, o que Deus vos fez. Fazer o bem  dentro da devida esfera de ação, sem procurar sair dela, a menos que vo-lo supliquem, é, muitas vezes, a melhor prédica e o meio mais ativo para regular indiretamente o que não marcha ao vosso lado.

São Gregório Nazianzo diz, falando de sua mãe: Praticava perfeitamente os conselhos encerrados no livro dos Provérbios: de tal modo fez prosperar os negócios domésticos, que dir-se-ia que nem tempo tinha para se ocupar das coisas do céu. E, todavia, era tão piedosa que até parecia estranha aos serviços do lar. Nenhuma destas duas obrigações era prejudicial à outra: bem pelo contrário mostravam fortificar-se e aperfeiçoar-se reciprocamente: Quin potius utrumque alterius ope fulcivit et confirmavit" (Orat. 18, nº 8) Estas palavras, senhoras, são a evidentíssima confirmação de várias verdades muito pouco conhecidas, e que muitas vezes tenho tentado desenvolver nas nossas piedosas reuniões. Nada prejudica a piedade quando é verdadeira, antes melhora tudo, mesmo até os cuidados dos negócios temporais. Duplica as forças do espírito e do coração, e dá uma atividade maravilhosa; e o que se concede a Deus, muito longe de ser nocivo aos nossos negócios, antes nos multiplica a atenção por eles, a dedicação e os faz produzir melhor resultado. A piedade e os deveres religiosos semelham-se então ao alimento e a bebida que se dá ao ceifador, no meio do trabalho e durante as grandes calmas do estio.

Evidentemente, sob o ponto de vista matemático, este ceifador perde algum tempo a tomar a refeição e a beber o vinho e a dar descanso ao corpo. No, entretanto, quem ousaria dizer que perde o seu tempo? Dá-se o mesmo com a piedade: se for esclarecida e bem entendida, em nada prejudicará o cuidado do lar e a atenção que se deve aos negócios domésticos.

Eu desejo, senhoras, que cada umas de vós possa merecer o elogio que São Gregório fez a sua mãe; e se todas as mulheres compreendessem assim a piedade, essa filha do céu seria menos maltratada no mundo. Quereria que se pudesse dizer de cada uma de vós: esta mulher encontra o meio de trabalhar tão bem e tão produtivamente para os interesses da sua família, que parece não reservar nenhum tempo para Deus e para os interesses de sua alma; e, todavia, é tão piedosa que mostra viver independente das coisas externas. É difícil de operar esta divina mistura, convenho; mas porque não tentála, se seria tão bela tão útil para os vossos interesses e para a honra da religião?

Após estas considerações preliminares voltemos à explicação do nosso versículo: - “Ela procurou a lã e o linho e trabalhou-os com mãos sábias e engenhosas” e a Escritura ajunta mais adiante: - A mulher forte tomou o fuso: Et digiti ejus apprehenderunt fusum.

Umas das grandes calamidades de muitas mulheres é a de não saberem ocupar-se, e ocuparem-se de trabalhos de inteligência, e em breve vos falarei deles. Mas, senhoras, não se ferem impunemente as leis da Providência, e se há casos excepcionais, a regra geral nem por isso subsiste menos. Deus fez-vos para as ocupações do lar, para o regulamento dos negócios do interior, para o cuidado das mínimas particularidades.

Para isto tendes uma certa soma de atividades que a Providência vos repartiu; se a não a empregais poderá voltar-se contra vós, mudar-se em veneno ou talvez em vício. Que há mais comum na vossa época do que a mulher incompreensível? Não quero dizer demasiado mal dessas imaginações, muitas vezes doentias, e que, sob este ponto de vista, tanto são para lamentar, como para censurar; mas não trabalham elas próprias em tornar o seu mal incurável? E se a alma é incompreensível, não vem isso de ser o seu gênero de vida também alguma coisa incompreensível? Em vez de se ocuparem de coisas que convenham ao seu sexo, gastam o tempo a sonhar; tem o cérebro em constante trabalho fantástico; levantam castelos no ar.

As mulheres sérias preferem o terreno das realidades e naturalmente não compreendem aquelas quando as encontram. Nada há mais próprio para o desenvolvimento de vapores ilusórios do que o gênero de existência mais ou menos chimericos; os nervos continuamente distendidos fastigam-se e acabam por se irritarem, tomando uma tensão doentia; a doença torna-se crônica, e deste modo nascem às existências inclassificáveis, que são, no meio das realidades da vida, como verdadeiras sensitivas que tudo retrai e que tudo irrita, e das quais a primeira causa de irritação está no próprio interior sem que elas o pensem.

Recordo-me de ter outrora encontrado nas montanhas de Morvan mulheres que viviam em uma espécie de covis; levantando-se ao romper da manhã, e passeando por toda a parte uma saúde florescente e um rosto sempre radioso; posso assegurar-vos que elas não tinham ilusões, porque lhes falecia o tempo para as alimentarem.

Se quereis, senhoras, passar bem de corpo e espírito, evitai, com extremo cuidado os estados cismadores, os hábitos dos passeios aéreos, em que a inteligência e o coração se esgotam no vácuo.

Eu gostaria se não tivésseis outra ocupação, que fosseis passear ao Mail (Passeio de La Rochelle, junto ao mar); ao menos a brisa do mar faz bem e dilata o peito, enquanto a atmosfera de certos devaneios estiola a existência física e moral, sobretudo quando se junta a isto a desgraça das leituras de romances mais ou menos sensuais que são para a alma o que são para o corpo o ópio e certas plantas marcóticas do Oriente. Devaneios indolentes, pesarosos, e, algumas vezes, voluptuosos! Devaneios acompanhados de
leituras romanescas, vós tendes matado mais mulheres do que as enfermidades!

A ocupação é um dos principais remédios contra esse mal, mais grave do que se julga, e eu falo primeiro da ocupação exterior, do trabalho manual. Escutai Clemente de Alexandria: "Os trabalhos do corpo convém às mulheres: todas as obras de agulha e bordado, todos os diversos cuidados, que delas reclama o bem estar interior da família, de que são as protetoras naturais e obrigadas. Cumpre-lhes velar pelos objetos de que há necessidade seus maridos, e de lhos darem elas próprias; conservar e entreter em bom estado os vestidos ás suas famílias; arranjar por suas próprias mãos, em caso de necessidade, o beber e o comer, e apresentá-los a seus maridos com a graça de uma afetuosa amenidade... Atuando assim, a saúde fortifica-se em um sábio equilíbrio, e
Nosso Senhor ama as mulheres deste caráter; gosta de vê-las se, preocupadas com trabalhos úteis, tomando o fuso e agulha...e não corando por darem, como Sara, aos viandantes fatigados, todos os cuidados de uma benévola hospitalidade." (Pedag. 1.3, c. 10)

As mulheres mais distintas da antiguidade, senhoras, as princesas e as rainhas, entregavam-se aos trabalhos de agulha; faziam vestuários de lã, e não desdenhavam nenhum dos trabalhos que outra talvez considerassem em nossos dias como uma desonra.

O historiador latino conta que depois de ter feito prisioneiras a mãe de Dário e uma parte da família real, Alexandre, o Grande, lhes enviou vestidos feitos por Macedônia, com os próprios alfaiates, a fim de que a família de Dário pudesse tirar os modelos e fazê-los iguais. A rainha-mãe pôs-se a soluçar, considerando esta proposição como uma injúria, e realmente os persas, nação afeminada e abastardada, tinham tal serviço como indigno de mulheres educadas. Alexandre, sabendo-o, julgou-se na obrigação de lhes pedir desculpa: "Eu enganei-me-lhes disse ele - tratando-vos conforme os usos da Grécia, pois este vestuário que trago é não só um presente de minhas irmãs, mas um trabalho das mãos delas."

Plutarco diz, na vida de Augusto, que este imperador romano não usava senão os vestidos feitos por sua esposa, sua irmã, sua filha e pelos outros membros de sua família. Forçoso é confessarmos que estamos muito distanciados destes hábitos passados. Valemos mais por isso? Floresce mais a saúde? São mais severas as imaginações? Os usos mais verdadeiros e mais em harmonia com a sã natureza?

Seja, ao menos, permitido duvidá-lo.

Desejais autoridades cristãs sobre o mesmo assunto? Temo-la de sobra.

São Jerônimo aconselha as mulheres os trabalhos de lã, o exercício do fuso, e tudo quanto se relaciona a este gênero de ocupação (Epist. Ad Demed.), e chama as coisas pelos seus verdadeiros nomes, não receando designar o fio, o fuso, a trama, a roca, o açafate, sem contar o polegar que faz habilmente manobrar o que se lhe confia: Discat et lanam facere, tenere colum, ponere in grêmio colathum, rotare fusum, stamina pollice ducere. (Idem ad Laetem).
Carlos Magno mandava ensinar as suas filhas todo o trabalho manual, e perguntando-selhe a razão disto, respondeu: - “É, primeiro, para lhes evitar a curiosidade, e depois, não podemos garantir-vos contra os golpes da sorte, se alguma vez a adversidade as ferir, terão um meio de preverem as suas necessidades”.

As razões de Carlos Magno são sérias e profundas; meditai-as alguns instantes comigo.

Primeiramente é essencial evitar a mulher à ociosidade, porque é a mãe de todos os vícios. A mulher ociosa experimenta a necessidade de sair de casa e de passear por toda a parte a sua inação; sem este cuidado, que se lhe torna uma necessidade desgraçada, abafaria em casa. Mas, saindo, fere a caridade, cria inimigos, divulga os segredos de família e comete uma multidão de imprudências pelas palavras e ações, e quando se recolhe vai mais doente do que quando saíra. É a ociosidade a que, arrancando a mulher ao seu centro e criando-lhe urgências externas, introduz no lar a mais completa desordem, a mais deplorável negligência. Tudo se entrega aos criados-serviços e crianças; tudo se deteriora física e moralmente; o marido descontenta-se; nada avança, vai tudo em debandada, e o interior da família, que deveria ser um ninho de amor e de repouso, torna-se insuportável para todos!

Os maus pensamentos também tomam facílimo nascimento em uma alma entregue a ociosidade, e esta semente perigosa espalha-se e pulula em breve como as parasitas em um jardim abandonado. Um momento chega em que a mulher cai: ignora-se como, e nem ela própria sabe. A queda foi tão rápida como uma escorregadela no gelo. A primeira e a principal causa foi à ociosidade. Foi ela que insensivelmente e a maneira de recreio, conduziu a alma ao canteiro verdejante, o canteiro tinha em alguns pontos inclinação para os precipícios; um passo bastou, e, uma vez no declive, rola-se, e não há parar.

Um outro inconveniente da ociosidade é o enfado que ela passeia como um véu fúnebre sobre a existência inteira. O trabalho, que é um peso, é, também, uma felicidade.

Substitui a existência, fecunda-a, e a gente sente que vive e é feliz na plenitude desta força vital. Mas o homem ocioso está no vácuo, abafa, estiolam-se-lhe as faculdades, e enervam-se, e ao estilarem-se fazem sofrer uma agonia cruel à alma que se envenena lentamente. Um homem riquíssimo, cuja família conheci, passava uma parte de cada dia a dizer: Como me aborreço! Sou rico e sempre aborrecido! Teria sido muito mais feliz com a pobreza por patrimônio e o trabalho por tesouro!

A causa principal era uma vida sem ocupações, vazia, e recaindo sobre si própria como os ramos de um chorão. A segunda razão dada por Carlos Magno é verdadeiramente admirável na boca deste imperador. Receava que suas filhas empobrecessem um dia, e, queria que estivessem prevenidas contra a miséria. Concebia-se que as testas coroadas da nossa época tivessem esta linguagem, mas que Carlos Magno, à frente de um vasto império, em que as idéias revolucionárias eram desconhecidas, exprima semelhantes temores, eis o que, pelo menos a primeira vista, pode parecer bem extraordinário. Mas este monarca tinha o olhar perspicaz e desconfiado do gênio; como os homens superiores, elevados acima dos outros, sentia mais o vácuo das coisas humanas, tinha pouca confiança na mobilidade das coisas passageiras. Seja como for, o seu conselho é de excessiva utilidade para as gerações atuais. Vivemos em uma época de tal modo atormentada, que uns por um motivo, outros por outro, se podem achar em graves embaraços, e bom é sempre ter várias cordas o seu arco...

Quantas famílias eu conheço eu que tem abençoado a Providência, por lhes ter inspirado o gosto do trabalho, mesmo em dias de prosperidade! Uma hora soou na existência e a família inteira pôde assentar-se à sombra de um talento exercido de há muito tempo, e de uma honesta abundância procurada por antigos e preciosos hábitos. Ninguém podia ter maior certeza no futuro do que Carlos Magno, e uma vez poderoso imperador receava pelo futuro de seus filhos, não vos deixais adormecer, por modo algum; sem que sejais pessimistas, não vos entregueis a uma confiança ilimitada; respeitai para vós e para vossos filhos o trabalho como uma coisa santa, e, ao menos, altamente útil, e inspirai sempre em volta de vós o amor das ocupações sérias.

Há uma objeção a que quero responder e então terei ocasião de tirar dela um conselho salutar para vossas almas. Notou-se que os trabalhos manuais, os trabalhos de agulha, em particular, tinham um grande inconveniente para as mulheres e era que a cabeça caminhava ainda mais depressa que o instrumento; a cada golpe da agulha a imaginação efervescente andava vários quilômetros, e, muitas vezes em países áridos, doentios, ou sob uma atmosfera abafadiça; o cérebro excita-se os nervos sobem, e deste modo, o trabalho manual apresenta dupla fatiga. (Jornal de M.elle Eugenie de Guerin). Outrora, quando a piedade reinava nas almas e as faculdades estavam equilibradas pela tranqüilidade da fé, o trabalho das mulheres não tinha este perigo, ou pelo menos não o tinha em tão elevado grau; as almas abertas tinham sempre sítios verdejantes para descansarem; as penetrações da agulha apenas fatigavam a mão, e em conseqüência de um exercício prolongado. Hoje, que as imaginações são exaltadas por mil criações das cabeças em movimento, e, muitas vezes, pelas leituras de obras, em que se poderia dizer, que os autores depuseram grânulos de pólvora, que esperam à hora da explosão, entre os espíritos ardentes; hoje, que nem as idéias, nem os sentimentos, nem as convicções estão assentes em certas almas, concebo que uma ocupação puramente manual fatigue e opere reações perigosas em um cérebro já incandescente. E para mal tão sério apenas vejo um remédio.

Sede verdadeiramente cristãs, e não tereis a cada instante a cabeça e o coração como leite sobre o lume; assentai os pensamentos e as afeições na serenidade de uma consciência tranqüila, e podeis crer que o trabalho das mãos não será deste modo, ocasião e origem de vertigens morais, nem de febres da idéia que atormenta a nossa época. Imitai mesmo os nossos bons antepassados. Se a decência e o lugar o permitirem cantai. Trabalhando; não receeis os cânticos alegres e as ingênuas expressões de uma alma feliz. O canto parece ter asas que arrebatam a tristeza e tudo harmonizam. Mesmo as cabeças desconcertadas.


Na próxima instrução, senhoras, a fim de que este assunto não fique incompleto, tratarei dos trabalhos intelectuais da mulher.

Hoje termino por expor ainda alguns pensamentos. - Ocupai-vos seriamente no interior do vosso lar; é certo que não podeis fazer tudo, mas fazei, ao menos, alguma coisa, e quando não façais tudo, lançai a tudo os vossos olhos. Não tenhais como indigno o descer à tulha, ao celeiro, a adega: a vigilância é sempre útil. Fazei compreender aos vossos criados que irradiais luz em toda a casa, que não desconheceis a mínima coisa, que não vos escapa um recanto, que em qualquer ocasião podereis dizer que tal objeto falta em determinado lugar, e que podeis dar-lhes lições práticas sobre as suas diferentes funções. Nada põe tanto em alerta os criados, como esta convicção, e suponho até que, deste modo, tudo se faz sem embaraço, com prudência e caridade. É ainda para se notar, que quando a dona da casa exerce vigilância e atividade, embora não toque em nenhum objeto, há sempre uma circulação de vida, reina sempre um ardor e uma avidez alegre que outra coisa não poderia produzir. É que a mulher forte, segundo a esplendida imagem dos livros santos, é, em verdade, como o sol no interior da casa. Suponde um instante que o astro desaparece subitamente: os objetos da natureza permaneceriam do mesmo modo, mas ainda assim em breve se extinguiriam, secariam e morreriam; faça-se com que o astro reponte no horizonte e tudo renascerá logo, tudo se aquecerá, animará e desenvolverá.

Do mesmo modo, a mulher ativa e boa, é o sol que reponta nas alturas, projetando pelo rosto a luz em todo o lar: - Sicut sol oriens mundo inm altissimis Dei, sic mulieris bonae species in ornamentum domus ejus. (Ecles. XXVI, 21)

Fonte: Mulher Forte - Monsenhor Landriot Arcebispo de Reims – Segunda Conferência feita às senhoras da Associação de Caridade

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