terça-feira, 19 de junho de 2018

Do zelo da salvação das almas que devem ter os religiosos

Congregação do Santíssimo Redentor, os Redentoristas
Recupera proximum tuum secundum virtutem tuam – “Assiste ao teu próximo segundo as tuas forças” (Eclo 29, 27)
Sumário. Quem ama muito o Senhor, não se contenta de ser só em amá-Lo; desejaria atrair todo o mundo ao seu amor. E que maior glória para o homem, que ser cooperador de Deus na grande obra da salvação das almas? Correspondamos, pois, à nossa sublime vocação, abrasando-nos sempre mais de santo zelo, dirijamos para este fim todos os nossos empenhos. Deste modo, à medida que socorrermos as almas do nosso próximo, asseguraremos a nossa própria salvação, e obteremos um lugar alto no paraíso.
I. Quem é chamado à Congregação do Santíssimo Redentor (a alguma ordem de vida ativa), nunca será verdadeiro seguidor de Jesus Cristo, e nunca será santo, se não cumprir o fim de sua vocação e não tiver o espírito do seu Instituto, que é o de salvar as almas, e as almas mais privadas de socorros espirituais, como são os pobres moradores do campo.
Foi este também o fim com que o Redentor veio ao mundo, pois declara “que o espírito do Senhor repousou sobre ele e que o consagrou com a sua unção para pregar o Evangelho aos pobres” (1). Em nenhuma outra coisa quis experimentar se São Pedro o amava, senão na sua dedicação à salvação das almas: Simon Ioannis, diligis me?… Pasce oves meas – simão, filho de João, amas-me?… Apascenta as minhas ovelhas” (2). Não lhe impôs, diz São Crisostomo, esmolas, penitências, orações ou coisas semelhantes, mas somente que procurasse salvar as suas ovelhas: Apascenta as minhas ovelhas. Jesus Cristo declarou que teria como feito a si mesmo todo o benefício que fosse feito ao mínimo dos nossos semelhantes: Amen dico vobis: Quamdiu fecistis uni ex his fratribus meis minimis, mihi fecistis – “Na verdade vos digo, que o que fizerdes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim é que o fizestes” (3).
Deve, portanto, qualquer membro da Congregação nutrir em supremo grau este zelo, este espírito de socorrer as almas. A este fim deve cada um dirigir todos os seus empenhos. E quando algum tempo os superiores o empregarem neste ministério, deve pôr nele todo o seu pensamento e toda a atenção. Já não se poderia considerar como verdadeiro membro da congregação aquele que não aceitasse com todo o afeto este emprego, quando imposto pela obediência, para tratar só de si mesmo, na vida de solidão e de retiro. – E que maior glória para o homem, que ser cooperador de Deus, como diz São Paulo, na grande obra da salvação das almas? Quem muito ama ao Senhor, não se contenta de ser só a amá-Lo. Quisera atrair todo o mundo ao seu amor dizendo com Davi: “Engrandecei o Senhor comigo, e exaltemos juntos o seu nome” (4). Portanto, como exorta Santo Agostinho todos os que amam a Deus: Si Deum amatis, omnes ad amorem eius rapite – “Se amais a Deus, atrai todos ao seu amor”.
II. Grande motivo para esperar a sua salvação eterna tem aquele que com verdadeiro zelo se emprega em salvar almas. Diz Santo Agostinho:
“Se salvaste uma alma, predestinaste ao mesmo tempo a tua”.
E o Espírito Santo promete (5): Cum effuderis esurienti animam tuam – “quando te tiveres empenhado pelo bem de um pobre”, et animam afflictam repleveris – “e o tiveres enchido da graça divina por meio do teu zelo”, – implebit splendoribus animam tuam, requiem dabit tibi Dominus – “o Senhor te encherá a alma de luz e de paz”. São Paulo punha a esperança da sua salvação eterna na salvação dos outros que ele procurava; pelo que diz aos seus discípulos de Tessalônica: Vos enim estis gloria nostra et gaudium – “Vós sois a nossa glória e alegria” (7).
Senhor meu Jesus Cristo, como posso agradecer-Vos dignamente, vendo-me por Vós chamado ao mesmo mistério que Vós exercitastes na terra, ao ministério de, com as minhas fracas forças, ajudar as almas a se salvarem? Como merecia eu esta honra e este prêmio, depois de VOs haver oefendido tão gravemente, e sido causa de que outros Vos ofendessem? Sim, meu Salvador, já que me chamais a ajudar-Vos nesta grande obra, quero servir-Vos com todas as minhas forças. Eis-me aqui a oferecer-Vos todos os meus trabalhos, e ainda o sangue e a vida para Vos obedecer. Não pretendo com isto satisfazer ao meu próprio gênio, ou receber a estima e os aplausos dos homens; outra coisa não pretendo senão ver-Vos amado de todos, como mereceis.
Bendigo a minha sorte e me dou por feliz, por me haverdes escolhido para tão sublime ofício, no qual desde já faço o sincero protesto de renunciar a todos os louvores dos homens e a todas as minhas satisfações, e de querer só a vossa glória. Seja vossa toda a honra e satisfação, e para mim sejam somente os incômodos, os desprezos e as amarguras. Aceitai, Senhor, esta oferta que Vos faz um miserável pecador, o qual Vos quer amar e ver-Vos também amado dos outros; dai-me forças para a executar. – Maria Santíssima, minha advogada, vós que tanto amais as almas , ajudai-me.
Referências:
(1) Lc 4, 18
(2) Jo 21, 17
(3) Mt 25, 40
(4) Sl 33, 2
(5) Is 58, 10
(6) 1 Ts 2, 20
(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 100-102)

segunda-feira, 18 de junho de 2018

A EUCARISTIA, ANTÍDOTO UNIVERSAL AO VENENO DO LIBERALISMO


Hoje as pessoas, famílias e sociedades agonizam e morrem pelo pior dos venenos: o liberalismo. Esse é o seu nome científico: consiste em uma falsa concepção da liberdade, que a coloca como o valor máximo, essencial, em certo modo único para a humanidade. Os sábios antigos sempre definiram o homem como um animal racional. Mas o liberalismo o redefine como um animal livre: o que é próprio e específico da pessoa humana, que a distingue de tudo o mais, já não é mais sua racionalidade, mas sua liberdade.
Tomemos nota do diagnóstico! Acaso não é passo fundamental que o médico consiga descobrir o que está matando o paciente? E não é qualquer veneno, mas a essência mesma de todo tóxico da alma. A ilusão que está no fundo de todo pecado, que lhe dá força, seu mecanismo mais íntimo, é a ilusão liberal: “Non serviam!” Não servirei, não serei escravo de ninguém!
Bem, esse veneno universal, ocasionador de todas as doenças, tem remédio? Os remédios que curam todas as outras enfermidades espirituais, são apenas paliativos do liberalismo, causador de todas elas. Há apenas um antídoto universal ao liberalismo: o Santíssimo Sacramento da Eucaristia; e isso tanto no indivíduo, como na família e na sociedade.
1º A Eucaristia, antídoto do liberalismo no indivíduo.
LIBERDADE DE PENSAR
A primeira liberdade que o liberalismo reclama é a liberdade de pensamento. És livre para pensar o que quiseres, para ter tua opinião; se não, não tens personalidade. E embora haja menos espaço para a liberdade nas ciências exatas, deve haver liberdade acima de tudo na ciência do bem e do mal: só posso julgar o que me beneficia ou prejudica. E daí a primeira renúncia: Não aos magistrados da autoridade, que aprisionam a inteligência ao ditar o que pensar. Não ao Magistério da Igreja.
E por que a Eucaristia é o remédio apropriado para esse mal? Porque é o mistério da nossa fé, que exige a maior entrega e rendição da inteligência, e o que mais pedagogicamente explica e faz aceitar os outros mistérios. A Eucaristia pede para acreditar na Trindade e na Encarnação, pois nos são oferecidos a carne e o sangue do Filho, pela obra do Espírito Santo, para a glória do Pai; crer na redenção através da Cruz, no Sacerdócio, nos Sacramentos, na santidade da Igreja. E tudo deve ser acreditado sem poder tocar, como Tomás, as chagas de Nosso Senhor, nem ver seus milagres. Mysterium Fidei: exigência máxima de fé.
LIBERDADE DE AGIR
Da liberdade de pensamento segue-se a liberdade de comportamento. Se recebo de Deus os dez mandamentos que me dizem o que é certo ou errado, tenho que obedecer; mas se sou livre na ciência do bem e do mal, faço o que quero. Pais e professores não estão lá para projetar suas maneiras de agir sobre as crianças, mas para lhes ampliar e assegurar seus limites de liberdade. A única lei, o único limite, é a liberdade dos outros.
Mas o que diz Jesus Eucaristia? Eu sou Deus, e tu não vês minha docilidade? Eu resisto ao sacerdote quando me traz ao altar, ou a ti quando te aproximas da comunhão? Eu, Deus, fui obediente ao meu Pai até a morte da Cruz, e aos homens até a morte do Altar, e tu, pequeníssima criatura, queres alcançar a liberdade pelos caminhos que queres? Eu sou o Caminho: segue o exemplo da minha submissão eucarística e alcançarás a verdadeira liberdade.
LIBERDADE DE SENTIR
Dá liberdade a teus sentidos, para quê os tens? Reprimir teus desejos restringe tua personalidade e acaba por te deixares doente. Nada roubas  à tua namorada se ela consente em dar; tu és livre, ela é livre. Vista-te como bem entenderes, a outra não é dona dos olhos do seu marido: deixe-o ser livre. O único pecado é não respeitar a liberdade dos demais.
No entanto, Jesus eucarístico nos diz: Eu, que sou a Pureza encarnada, envolvo-me no branco manto das espécies de pão para ainda permanecer entre os filhos. Eu me entrego a ti, mas “não me toques” (João 20: 17); consagrei as mãos de meus sacerdotes, exijo que eles vivam em pureza, e ainda assim cubro-me em sua presença. Eu, que sou a própria Pureza e a Santidade, renunciei em sentir e a que me sintam, e tu não queres deixar de ver e seres visto? Se queres “provar e ver como o Senhor é bom” (Sl. 33 9), esconde-te como outra eucaristia.
LIBERDADE DE SER
Os sofismas do liberalismo desencadeiam um processo que termina em loucura. “O agir segue o ser”, diziam os escolásticos, e eles, por sua vez, estavam certos. Se és livre para agir, és livre para ser. Que não te determinem os demais, quer seja homem ou mulher. És divino, tu podes se autocriar com toda a liberdade!
Mas tamanha soberba, que chega à insanidade infernal, encontra remédio na humildade eucarística, que parece loucura à sabedoria humana. Porque na Eucaristia Nosso Senhor renuncia até a dignidade de sua natureza humana, para dar-se em alimento e fazer-nos partícipes da natureza divina. “Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens”. (1Cor 1 25). Se queremos nos tornar deuses de verdade, a Eucaristia nos ensina a humildade de aceitar não ser considerados nem mesmo homens.
LIBERDADE DE EXISTIR
És livre para dar e tirar a vida! Sim, o liberalismo chega a tal ponto. Deus não te dá filhos? Fabriquemo-los em uma proveta, para isso progrediu a ciência. Um filho limita tua liberdade? Mata-o antes que o vejas, porque depois pode ser que te dê pena; mas não te preocupa, não é uma pessoa porque ainda não tem liberdade. Falta-te um órgão para continuar vivendo? Tu tens o direito de viver e, portanto, tira os órgãos do primeiro a perder a consciência, afinal, uma vez que não há consciência, não há mais liberdade e já não é mais uma pessoa humana. Teus pais estão velhos e atrapalham? Mata-os, os idosos tampouco são pessoas, já não mais decidem por si mesmos, não têm liberdade. Aquele que não tem liberdade não tem nenhum direito de limitar-se aos demais. Só a liberdade estabelece limites à liberdade.
E o que Jesus Eucaristia diz? Eu sou a Vida, e só quem me come tem a vida verdadeira, a vida eterna. E todos os dias no Altar estou dando a minha vida em sacrifício para que tu não a percas, para cada um de teus filhos. Eu sou o Viático que suaviza a agonia dos enfermos. Eu sou o Pão que sustenta as debilidades da velhice, e faz com que suas humilhações sejam purgatório que lhes abre as portas da glória celestial. Deixa que as crianças venham a mim! Deixa-me ser o Cireneu de todos os doentes, aproximando-lhes a comunhão! Deixa-me ser a coroa de todos aqueles que combateram comigo em uma longa vida! A única verdadeira instituição Pró-vida é a Eucaristia.
2ª Eucaristia, antídoto contra o liberalismo na família.
LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA
Quantas discussões acontecem em família! Pois bem, o liberalismo vem nos oferecer a paz familiar, e para isso é suficiente a liberdade de consciência. Não te metas com a minha consciência: que ninguém me julgue, porque ninguém conhece o meu interior; que te importa o que faço ou não faço, desde que isso não te impeças de ser livre como eu? Assim fala o marido à esposa, a esposa ao marido, os filhos a seus pais. E a família de três, cinco ou sete pessoas é dividida em três, cinco ou sete pedaços, cada um com excelente personalidade.
Mas o que faz a Eucaristia na família? Obriga-nos, ó horror! a revelar nossa consciência. Porque a Missa é celebrada no mesmo lugar, e se estamos em pecado mortal não podemos comungar diante de toda a família! Então a esposa ao marido, o pai ao filho, pode delicadamente dizer-lhe: Por que não te confessas? Que bens enormes são derramados na família quando a Eucaristia nos impede da liberdade de consciência e abre as portas da verdadeira caridade!
3º A Eucaristia, antídoto do liberalismo na sociedade.
LIBERDADE RELIGIOSA
A sociedade é a grande família, e o liberalismo também aí mente prometendo a paz. O principal motor de todas as guerras — dirá o liberalismo — é o fanatismo religioso. Eu, sim, sei respeitar a religiosidade dos homens e valorizo enormemente a dimensão espiritual. Mas, defendo acima de tudo a necessária liberdade espiritual que deve existir entre os homens e a divindade, e por isso me declaro protetor da convicção religiosa de cada homem. Para viver juntos em harmonia pacífica, basta distinguir o religioso do social. Que cada um respeite os semáforos e pague os impostos; e então sejas tão religioso quanto queiras, segundo o que mais te convença; só tens que saber respeitar a religiosidade dos outros.
Antes, isso não era possível porque os homens adoravam os ídolos de pedra e ouro, e lutavam para saber qual deveria estar no centro da cidade. Agora sabemos que a divindade é espiritual, que não está aqui nem ali, mas dentro das consciências; que não tem um rosto próprio, mas o que cada um quer pintar. Jesus não disse à mulher samaritana que “Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade” (Jo 4, 24)?
Sim, assim disse Nosso Senhor. Mas Deus se fez Eucaristia, e acontece que o Deus Eucarístico ocupa um lugar! Um lugar minúsculo, mas muito preciso na cidade. E o Deus eucarístico ainda tem um rosto! Um rosto simples, mas que nos obriga a olhar ou fechar os olhos. E então não permite a ilusão liberal. O presidente pode subir a rampa presidencial e governar em nome da democracia, embora em seu coração se declare muito católico. Mas se da Catedral vem a procissão do Santíssimo Sacramento, ou se ajoelha e adora, ou permanece em pé e blasfemando. A Eucaristia impede que ele seja liberal.
E a Eucaristia impede que sejam liberais os próprios sacerdotes. Porque eu, sacerdote, poderia muito bem dizer: Que cada qual responda por sua consciência, e que quem quiser se confessar que venha, pois não tenho que ir buscar ninguém. Mas acontece que a mim me toca dar ou não dar a Comunhão, e se a dou ao pecador público, Deus me reclamará. Agora já não posso dizer: Quem sou eu para julgá-lo? Sim, devo julgar, porque em minhas mãos está a Eucaristia, e tenho que decidir se devo dá-la ou não.
Conclusão
Os protestantes, que não têm Eucaristia, poderão ser liberais; poderão ser os judeus e os muçulmanos, que dizem adorar um Deus espiritual que está em toda parte ou em nenhuma; mas não pode ser um católico que não tenha perdido a fé na Presença Real. O católico liberal deve necessariamente negar o dogma eucarístico. E só a Eucaristia é capaz de triunfar sobre a atração diabólica da bandeira da liberdade: “E quando eu for elevado sobre os Altares, atrairei tudo a mim” (Jo 12 32). Não, as manifestações contra o-aborto e contra todas as abominações liberais não triunfarão até serem encabeçadas pelo Santíssimo Sacramento.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Saiba como fazer a consagração a Virgem Maria conforme o Tratado da Verdadeira Devoção




Para fazer a consagração a Maria segundo a “Tratado da Verdadeira devoção à Santíssima Virgem”, de São Luís Maria Grignion de Montfort, a primeira coisa a fazer é conhecer esse precioso livro, que é um método de consagração. O Santo escreveu este livro no final de sua vida. Neste livro, ele nos dá a conhecer a reflexão e a experiência que desenvolveu em seu apostolado de propagar esta devoção, levando muitos muitos a se consagrarem a Nossa Senhora. Você pode encontrar o livro para comprar em livrarias Católicas, ou pode baixá-lo em PDF, no seguinte link: Downloads.

Tendo em vista a riqueza que é este pequeno livro, não podemos deixar de recomendar insistentemente que se leia o livro antes de começar a preparação para a consagração. Esta leitura é necessária para conhecer esta devoção, que é a consagração total a Virgem Maria. O Tratado nos ajuda a conhecer a nós mesmos, nossas misérias e fraquezas, e nos faz tomar consciência da necessidade do auxílio de Nossa Senhora. O livro também nos ajuda a conhecer a Virgem Maria a quem nos consagraremos e a Jesus Cristo, que é o fim último da consagração.

Ninguém poderá consagrar-se eficazmente à Santíssima Virgem sem antes compreender a quem se consagra e porque se consagra, e para  isso é necessário estudar - ou conhecer ao menos - o Tratado da Verdadeira devoção à Santíssima Virgem, ou qualquer outro estudo que forneça a compreensão necessária da devoção a Nossa Senhora e da escravidão de amor a ela.

Depois da leitura do Tratado, escolhe-se uma data para fazer a consagração. Não há nenhuma indicação no Tratado, mas costuma-se fazer a consagração em uma data mariana. Outra indicação que podemos dar é fazer a consagração no dia de São Luís, que é 28 de abril, ou no dia da Imaculada Conceição de Maria, dia 8 de dezembro, pois quem se consagrar neste dia ou renovar a consagração ganha indulgência plenária (desde que a pessoa tenha se confessado recentemente e reze um Pai-nosso, uma Ave-Maria, e um Glória, pelas intenções do Papa). A data não pode ser muito próxima, pois antes de fazer a consagração é preciso fazer uma preparação de trinta dias.

Esta preparação pode ser feita somente recitando as orações indicadas no Tratado (cf. TVD 227-230). Porém, recomenda-se também o uso de livros próprios para a preparação (exercícios espirituais para a consagração), e se faça as reflexões propostas para cada dia antes de fazer as orações. Outra coisa que ajuda é fazer a preparação para a consagração em grupo, pois, apesar da consagração ser pessoal, ela tem um caráter comunitário. Nesta preparação em grupo, pessoas que já fizeram a consagração e se disponham a ajudar são bem-vindas para orientar quem se prepara. Próximo do final da preparação, recomenda-se fazer uma boa confissão.

Após a preparação, no dia da consagração deve-se participar da Eucaristia e depois da comunhão se faz a consagração conforme a fórmula prevista no Tratado (cf. TVD 231). Caso não seja possível a participação da Santa Missa, pode-se fazer a consagração diante de uma imagem de Nossa Senhora. A fórmula da consagração deve ser escrita antes, de preferência de próprio punho. Depois da consagração, quem se consagrou assina a folha com a fórmula e, se houver um Sacerdote ou outra pessoa que possa ser testemunha, ele também deve assinar. São Luís Maria recomenda que a consagração seja renovada todo ano, na mesma data que foi feita pela primeira vez, com as mesmas orações preparatórias (cf. TVD 233).

Certamente, esta devoção a Nossa Senhora, ensinada por São Luís Maria, será de grande auxílio na nossa busca pela fidelidade à Igreja e aos mandamentos de Deus. Dessa forma, pelas mãos da Virgem Maria, nos aproximamos cada vez mais de Nosso Senhor Jesus Cristo e do Seu Reino.

Perguntas Frequentes:


1) É necessário a presença de um sacerdote no dia da consagração?
R: A consagração perfeita consiste em um ato interior, e não depende de nenhum rito ou de alguma cerimônia. Não há necessidade da presença do sacerdote, apesar de ser muito recomendável que algum possa acompanhar, principalmente se for o pároco ou o diretor espiritual. Mesmo sendo um ato pessoal, a consagração também pode ser feita em coletivo. 

2) É obrigatório usar algum sinal externo da escravidão (correntes, etc)?
R: Não é obrigatório, porém é altamente recomendável, assim como diz no tratado da Verdadeira devoção. São Luís Maria de Montfort recomenda que, após a consagração, o devoto carregue consigo algum sinal que manifeste e indique a escravidão de amor a Jesus Cristo por Maria. Era comum o uso de pequenas correntes, usadas na cintura, que simbolizavam esta escravidão. Hoje é mais conveniente algum outro sinal da devoção, especialmente algum sacramental, como o rosário, o escapulário, a medalha milagrosa, etc. Cabe ao consagrado escolher com o seu confessor ou diretor espiritual o que e como deve usar, pois esta prática é recomendável, mas não obrigatória. Também é oportuno pedir ao sacerdote - principalmente se algum puder presencial e acompanhar a consagração - que benza estes sinais exteriores da escravidão de amor. 

As demais dúvidas que aparecem frequentemente de como realizar a consagração, que orações fazer, quando confessar, comungar, estão todas descritas inteiramente no livro citado acima de São Luis Maria de Montfort. Por isso aconselhamos fortemente a leitura completa antes de iniciar a consagração e marcar uma data para realizá-la. 

Salve Maria Santíssima.



Fonte excelente blog !!!!


quinta-feira, 14 de junho de 2018

São João Bosco anuncia a Pio IX: um Papa abandonará Roma em ruínas, mas voltará




No Segredo de La Salette, Nossa Senhora anunciou um histórico castigo proximamente vindouro sobre a cidade de Roma, com sanguinária perseguição do clero, apostasias inclusive de bispos e destruição de igrejas e conventos.


Entre o 24 de maio e o 24 junho de 1873, São João Bosco escreveu uma carta profética ao bem-aventurado Papa Pio IX, então felizmente reinante em meio a tempestades temíveis suscitadas pelos inimigos da Igreja, internos e externos.

semelhança de certos aspectos da profecia do grande santo italiano com a previsão de Nossa Senhora em La Salette se patenteia nos termos em que está redigida a carta:

“Era uma noite escura, os homens já não podiam distinguir qual fosse o caminho a ser seguido para voltar sobre os próprios passos, quando apareceu no céu uma luz fortíssima que iluminava as passadas dos viajantes como se fosse pleno dia.

Naquele momento, viu-se uma multidão de homens, mulheres, velhos, crianças, monges, monjas e sacerdotes, tendo à frente o Santo Padre, sair do Vaticano ordenando-se como se fosse uma procissão.

Mas sobreveio um temporal furioso que, obscurecendo um pouco essa claridade, parecia travar uma batalha entre luz e trevas.

Nesse meio tempo, chegou-se a uma pequena praça coberta de mortos e feridos, vários dos quais pediam conforto com fortes gritos.

A fila da procissão foi rareando bastante.

Beato Papa Pio IX recebeu a carta profética de Don Bosco
Beato Papa Pio IX recebeu a carta profética de Don Bosco
Depois de ter caminhado por um tempo correspondente a duzentos nasceres do sol, cada um percebeu que não estava mais em Roma.

O desconcerto tomou conta de todos e todos se reuniram em volta do Santo Padre para proteger sua pessoa e assisti-lo em suas necessidades.

Naquele momento apareceram dois anjos portando um estandarte que foram apresentar ao Santo Padre, dizendo:

– Recebe a bandeira d'Aquele que combate e dispersa os exércitos mais fortes da Terra. Os teus inimigos desapareceram, os teus filhos invocam teu retorno com lágrimas e suspiros.

Levantando-se o olhar para o estandarte, via-se escrito, de um lado, Regina sine labe concepta (N.T.: Rainha concebida sem pecado original) e, do outro, Auxilium Christianorum (N.T.: Auxílio dos Cristãos).

O Pontífice pegou com alegria o estandarte, mas, vendo o pequeno número de pessoas que haviam sobrado à sua volta, mostrou-se muito aflito. Os dois anjos acrescentaram:

– Vai logo consolar os teus filhos. Escreve aos teus irmãos dispersos nas várias partes do mundo que é necessário fazer uma reforma dos costumes dos homens. Isso não poderá ser alcançado senão distribuindo aos povos o pão da Palavra Divina.

'Catequizai as crianças, pregai o desapego das coisas terrenas. Chegou o momento em que os pobres evangelizarão os povos, concluíram os dois anjos. Os levitas serão procurados entre a enxada, a pá e o martelo, para que se cumpram as palavras de Davi: “Deus levantou o pobre da terra para colocá-lo no trono dos príncipes de teu povo”.'

São João Bosco escrevendo
São João Bosco escrevendo
Após ouvir tudo isso, o Santo Padre moveu-se e as fileiras da procissão começaram a engrossar. Quando, por fim, pôs os pés na Cidade Santa, começou a chorar pela desolação em que estavam os habitantes, muitos dos quais haviam morrido.

Retornando a São Pedro, cantou o Te Deum, e lhe respondeu um coro de Anjos cantando Gloria in excelsis Deo et in terra pax hominibus bonae voluntatis. 

Concluído o cântico, cessou totalmente a escuridão e abriu-se um sol claríssimo.

As cidades, as vilas, os campos tinham sua população bastante diminuída. A terra estava pisada como se tivesse passado um furacão, um temporal, o granizo, e as pessoas iam umas ao encontro das outras dizendo com a alma comovida: Est Deus in Israel. (Há Deus em Israel)

Do início do exílio até o Te Deum, o sol levantou-se duzentas vezes. Todo o tempo que passou durante a realização desses fatos corresponde a quatrocentos amanheceres”.

terceiro segredo de Fátima, o Beato Palau e o sonho das duas colunas do próprio São João Bosco, acenam perspectivas semelhantes e desfechos análogos.


FONTES

1) Archivio Salesiano Centrale, Roma, (AS S132 Sogni 1). Fotocopia del manoscritto di Don Gioacchino Berto segretario, con postille marginali autografe di San Giovanni Bosco, descritto e trascritto da Don Angelo Amadei nel vol. X delle Memorie Biografiche.

2) P. Giovanni Battista Lemoyne S.D.B., “Memorie Biografiche del Venerabile Don Giovanni Bosco”, Tipografia S.A.I.D. “Buona Stampa”, Torino, 1917, volume IX. (Appendice “B”, pp. 999-1000).

3) Cecilia Romero, “I sogni di Don Bosco – edizione critica”, Elle Di Ci, Leumann (Torino), 1978, pp. 27-32).

Catecismo Ilustrado - Parte 41 - 4º Mandamento de Deus: Não matar

Catecismo Ilustrado - Parte 41

Os Mandamentos

5º Mandamento de Deus: Não matar

1. Este mandamento proíbe matar injustamente o nosso semelhante, e também o matar-se alguém a si mesmo.

2. Dizemos injustamente, porque há casos em que pode ser lícito matar alguém, como seria em própria defesa, numa guerra justa ou por sentença de magistrados.

3. Não é somente réu de homicídio aquele que mata com as próprias mãos; também o é quem para ele concorre com ordens, conselhos, auxílio, ou de qualquer outro modo.

4. Nunca é permitido matar-se alguém a si mesmo, por mais infeliz que seja, porque a nossa vida pertence a Deus e só Ele tem direito a lhe pôr termo.

5. Aquele que se mata a si expõe-se à maior das desgraças, porque ordinariamente não tem tempo para fazer penitência do seu crime e cai sem recurso na condenação eterna.

6. O matar alguém, chama-se homicídio, o matar-se a si mesmo chama-se suicídio.

7. O suicídio é um crime tão grande, que a Igreja recusa a sepultara cristã àquele que se suicida, quando se sabe ao certo que gozava das suas faculdades.

8. Desejar a morte a alguém é pecado, quando é por ódio, impaciência, ou outro afim interesseiro e mau.

9. Não é permitido abreviar a vida d’alguém com o fim de acabar com os seus sofrimentos.

10. Nunca é lícito, nem mesmo à autoridade pública, matar um inocente, ainda que o bem comum o exigisse e que o inocente o consentisse, porque ninguém é senhor de sua vida.

11. Não nos é lícito desejar a morte a não ser para gozarmos a presença de Deus no Céu ou ainda para não o tornar a ofender na Terra.
12. Os que se desafiam a duelo cometem dois crimes, porque se expõem a si próprios à morte, e procuram matar os outros.

13. As testemunhas dos que se batem em duelo são tão culpadas como aqueles, porque autorizam o duelo com a sua presença.

14. Diz Nosso Senhor no Evangelho: “Ouvistes que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, digo-vos: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos Céus, o qual faz nascer o sol sobre os maus e bons, e manda a chuva sobre os justos e injustos. Porque, se amais somente os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem também assim os próprios gentios? Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito”. (Mat. V, 43-48)

15. Este mandamento proíbe também o ódio e a vingança.

Explicação da gravura

16. Na parte superior, está representado Caim que acaba de matar seu irmão Abel. Quando procura fugir, chama-o Deus, censura-lhe o crime cometido, lança-lhe a maldição e expulsa-o da sua presença. Foi a inveja que causou este primeiro homicídio.

17. Na parte inferior direita, vê-se Architophel que se enforcou na sua casa depois de ter levado Absalão a revoltar-se contra o rei David, seu pai, com o fim de usurpar o trono.

18. Na parte inferior esquerda, estão representados dois homens que se desafiaram para um duelo. Chega um bom cristão que, interpondo-se, os acalma e lhes mostra a Cruz da qual Nosso Senhor os vê e condena o seu procedimento.

Índice das sessenta e oito gravuras


quarta-feira, 13 de junho de 2018

Santo Antônio, Confessor e Doutor.

Jew Drawing - Saint Anthony Of Padua Made A Wonder With Donkey Kneeling by Pieter De Bailliu (i) And Pieter De Bailliu I 



Santo António (português europeu) de Lisboa, internacionalmente conhecido como Santo António de Pádua, OFM (Lisboa, Pádua, 13 de Junho de 1231), de seu nome de batismo Fernando Martins de Bulhões, foi um Doutor da Igreja que viveu na viragem dos séculos XII e XIII. Primeiramente foi frade agostiniano, tendo ingressado como noviço (1210) no Convento de São Vicente de Fora, em Lisboa, indo posteriormente para o Convento de Santa Cruz, em Coimbra, onde fez seus estudos de Direito. 

Jesus o Médico das nossas Almas


Et orietur vobis, timentibus nomen meum, sol iustitiae, et sanitas in pennis eius – “Para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e estará a salvação nas suas asas” (Ml 4, 2)
Sumário. Por muito que os médicos terrestres amem os doentes, nenhum tomará sobre si as doenças a fim de as curar. Somente Jesus Menino foi o médico tão caridoso, que tomou sobre si todas as nossas enfermidades, e para delas nos livrar tomou o remédio amargoso de uma vida de trabalhos contínuos e de uma morte dolorosíssima sobre um patíbulo infame. Admiremos a grande bondade do divino Redentor, agradeçamo-la e retribuamos-Lhe com o nosso amor.

I. Virá, disse o Profeta, o vosso médico para curar os enfermos; e virá depressa, qual pássaro que voa, ou qual sol que ao sair no horizonte já envia os seus raios até à extremidade da terra. Mas eis que já veio. Consolemo-nos e rendamos-lhe ações de graças. Diz Santo Agostinho: Descendit usque ad lectum aegrotantis. Jesus abaixou-se até ao leito do enfermo, quer dizer, até tomar a nossa carne; porquanto os corpos são como que os leitos das nossas almas enfermas. Por muito amor que os outros médicos tenham aos doentes, por muito que se esforcem para lhes restituir a saúde: qual é o medico que para curar um doente toma sobre si a doença? Tal médico tem sido tão somente Jesus Cristo, que para nos curar tomou sobre si todas as nossas enfermidades.
Nem quis mandar outro qualquer; ele mesmo quis vir para desempenhar o oficio de médico piedoso, a fim de ganhar todo o nosso amor:
Languores nostros ipse tulit, et dolores nostros ipse portavit — “Tomou sobre si as nossas fraquezas, e ele mesmo carregou com as nossas dores” (1)
Com o seu próprio Sangue quis Jesus sarar as nossas chagas e com a Sua morte livrar-nos da morte eterna por nós merecida. Numa palavra, quis tomar o remédio amargo de uma vida de trabalhos contínuos e de uma morte crudelíssima, para nos dar a vida e nos livrar de todos os nossos males.
Calicem quem dedit mihi Pater, non bibam ilium? — “Não queres”, disse o Senhor a São Pedro, “que eu beba o cálice que o Pai meu deu?” (2)
Foi necessário que Jesus Cristo abraçasse tantas ignomínias, para curar o nosso orgulho; que abraçasse uma vida tão pobre, para curar a nossa cobiça; que abraçasse um oceano de sofrimentos até morrer de pura dor, para sarar a nossa avidez de prazeres.
II. Para retribuirmos a Jesus o seu entranhado amor para conosco, amemo-Lo com todas as nossas forças, e não recuemos diante de qualquer sacrifício por amor dEle. E visto que Ele disse que considera como feito a si o que fizermos a um dos seus irmãos mais pequeninos (3), amemos também ao próximo por amor de Jesus Cristo; saibamo-nos compadecer das suas fraquezas e socorrê-lo em suas necessidades.
Ó amado Redentor, seja para sempre louvado e bendito o Vosso amor! Que seria da minha alma, enferma e chagada como estava, pelos meus pecados, se Vós, ó meu Jesus, a não pudésseis e quisesses sarar? Ó Sangue do meu Salvador, em Vós confio; limpai-me e curai-me. Meu amor, pesa-me de Vos haver ofendido. Para me provar o amor que me tendes, levastes uma vida tão cheia de tribulações e uma morte tão amargosa. Também eu quisera provar-Vos o meu amor; mas que posso fazer, fraco e enfermo como sou? Ó Deus de minha alma, Vós sois Todo-Poderoso, Vós me podeis curar e fazer-me santo.
Ó Senhor, acendei em mim um grande desejo de Vos dar gosto. Renuncio a todas as minhas satisfações para Vos agradar, meu Redentor, que tanto mereceis que a todo o custo Vos procuremos agradar. O Bem supremo, amo-Vos e estimo-Vos acima de todos os bens; fazei com que Vos ame de todo o meu coração e Vos peça sempre o Vosso amor. Pelo passado Vos ofendi e não Vos amei, porque não pedi o Vosso amor. Agora vo-lo peço, juntamente com a graça de o pedir sempre. Atendei-me pelos merecimentos da vossa Paixão.
— Ó Maria, minha Mãe, vós estais sempre disposta a atender a quem vos roga, e amais a quem Vos ama: amo-vos, minha Rainha; alcançai-me a graça de amar a Deus; é tudo quanto vos peço.
Referências:
(1) Is 53, 4
(2) Jo 18, 11
(3) Mt 25, 40
(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 377-379)

terça-feira, 12 de junho de 2018

Caminhos para entrar na vida eterna


Caminhos para entrar na vida eterna


Sermão sobre o diabo tentador



Quereis que vos indique os caminhos da conversão? São numerosos, variados e diferentes, mas todos conduzem ao céu.

O primeiro caminho da conversão é a condenação das nossas faltas. "Aviva a tua memória, entremos em juízo; fala para te justificares!" (Is 43,26). E é por isso que o profeta dizia: "Eu disse: «confessarei os meus erros ao Senhor» e Vós perdoastes a culpa do meu pecado" (Sl 31,5).
Condena pois, tu próprio, as faltas que cometeste, e isso será suficiente para que o Senhor te atenda. Com efeito, aquele que condena as suas faltas, tem a vantagem de recear tornar a cair nelas...



Há um segundo caminho, não inferior ao referido, que é o de não guardar rancor aos nossos inimigos, de dominar a nossa cólera para perdoar as ofensas dos nossos companheiros, porque é assim que obteremos o perdão das que nós cometemos contra o Mestre; é a segunda maneira de obter a purificação das nossas faltas. "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós" (Mt 6,14).


Queres conhecer o terceiro caminho da conversão? É a oração fervorosa e perseverante que tu farás do fundo do coração... 

O quarto caminho, é a esmola; ela tem uma força considerável e indizível...

Em seguida, a modéstia e a humildade não são meios inferiores para destruir os pecados pela raiz. Temos como prova disso o publicano que não podia proclamar as suas boas ações, mas que as substituiu todas pela oferta da sua humildade e entregou assim o pesado fardo das suas faltas (Lc 18,9s).


Acabamos de indicar cinco caminhos de conversão... Não fiques pois inativo, mas em cada dia utiliza todos estes caminhos. São caminhos fáceis e tu não podes usar a tua miséria como desculpa.


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 Comentário ao Evangelho feito por S. João Crisóstomo (cerca 345-407), bispo de Antioquia e de Constantinopla, doutor da Igreja.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

QUAL A DIFERENÇA ENTRE FÉ E SENTIMENTO RELIGIOSO


A senhora leu com atenção minha carta anterior e pede-me para que eu a ajude a compreender bem a diferença que há entre Fé e sentimento religioso. A tarefa será fácil, desejo que meu trabalho lhe seja útil.
Lembre-se das breves palavras do Pe. Lacordaire: A Fé é a Fé.
O sentimento é assim o respeito que temos, como criaturas, por nosso Pai que está no Céu e que, unicamente porque nos criou, nos olha como filhos, nos dá o pão de cada dia, a luz de seu sol, os frutos da terra, a vida, a saúde, e mil outros bens igualmente da ordem natural.
O sentimento religioso sendo natural ao homem, se encontra em todos os homens fiéis ou infiéis; pois todos têm esse fundo comum de respeito a Deus, que algumas vezes se traduz por um ato religioso fundado sobre a verdade, como entre os cristãos; outras vezes por um ato religioso manchado de erros como entre os infiéis, os idólatras, etc.
Entre os povos, há alguns cujo sentimento religioso é naturalmente muito profundo, por exemplo os árabes.
Um árabe não faltará à prece da manhã, à do meio dia e à da noite. Ao escutar o muezzin gritar do alto do minarete a fórmula sagrada: La Allah, etc., imediatamente ele se põe a rezar, esteja na companhia de quem quer que seja, no lugar que for, no meio de uma praça ou no trabalho; quando chega a hora, ele reza. Por este mesmo sentimento religioso, o árabe relaciona tudo à vontade de Deus; os acidentes da vida, a saúde, a doença, mesmo a morte, ele relaciona com Deus e em todas as circunstâncias ele repete: Deus é grande!
Eis o sentimento religioso em todo seu poder.
Mas lembre-se que nossa natureza decaiu com Adão, e uma natureza decaída só pode ter um sofrimento religioso também abatido pela decadência. A natureza não pode se elevar sozinha; o sentimento religioso puramente natural não pode, de modo algum, levar o homem a Deus nem tirá-lo do pecado.
Com toda a religiosidade natural, este mesmo árabe conservará todos os vícios que infelizmente lhe são também naturais: ele será vaidoso, mentiroso, ladrão; praticará, por exemplo, a hospitalidade, mas sabendo por onde seu hóspede vai passar, mandará alguém para o assaltar, ou irá ele mesmo fazer ao longe o que não faria estando em sua tenda.
Por este traço característico a senhora poderá reconhecer o sentimento natural; este sentimento nada vê, nada quer, nada pode contra o pecado. O sentimento religioso quando permanece em estado natural, é indiferente em matéria de religião. O sentimento religioso se acomoda a tudo, se arranja com tudo, se presta a tudo e não se entrega a nada. Perdão, pode entregar-se à maçonaria, ao menos quando os maçons reconhecem o Grande Arquiteto, como ele dizem.
Tendo mostrado o primeiro quadro, chego ao segundo.
– A Fé não é um sentimento, a Fé não é da ordem natural.
– A Fé é um assentimento de nosso espírito à verdade revelada por Deus. É um bem que não deriva de nossa natureza, mas lhe é dado para curá-la.
– A Fé é essencialmente purificante. Fide purificans corda – Purificando pela Fé os corações.(At. 15,9).
– A Fé esclarece o espírito e o despoja do erro; levanta o homem caído, recoloca-o no caminho de Deus: a Fé põe as bases da obra da salvação, encaminha o homem para o bem.
– A Fé é essencialmente fortificante. Confortus fide, diz São Paulo (Rom. 4,20). E ainda, Fide stas: se estás em pé, é pela Fé (id. 11,20).
– A Fé é vivificante: o justo vive da Fé, diz São Paulo (Gal. 3,11)
– Se o sentimento religioso nos deixa frios em relação a Nosso senhor Jesus Cristo, já não é assim com a Fé; pela Fé, Nosso Senhor Jesus Cristo se torna presente, vivo em nossos corações: Christum habitare per fidem in cordibus vestris – Cristo habite pela Fé em vossos corações. (Ef. 3,17).
– A Fé é o princípio de um mundo novo, regenerado em Jesus Cristo Nosso Senhor; a Fé é a luz que anuncia os esplendores da eternidade onde veremos Deus; a Fé é a mãe da santa Esperança e da divina Caridade.
– A Fé é sobre a terra, a fonte pura de todas as verdadeiras consolações. É ainda São Paulo quem nos diz: Simul consolari per eam quae invicem est, fidem vestram atque meam – Consolemo-nos juntos na Fé que nos é comum, a vós e a mim (Rom. 1,12).
Quando se fala da Fé, São Paulo é um mestre incomparável. Dele é que tomo uma última palavra para terminar esta carta: Saluta eos qui nos amant in fide – Saudai os que nos amam na Fé.
Digamos juntos: Credo.
Cartas sobre a Fé – Pe. Emmanuel-André
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