sexta-feira, 13 de maio de 2022

13 DE MAIO – FESTA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

 

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Outros excelentes textos sobre Fátima:

quarta-feira, 11 de maio de 2022

O SINAL DA BESTA

 

CITAÇÕES SOBRE O ANTICRISTO | DOMINUS EST

O que se segue é a transcrição de um sermão proferido pelo Revmo. Pe. Gabriel Billecocq, FSSPX, na St. Nicolas-du-Chardonnet, a principal igreja da nossa Fraternidade em Paris. É um texto muito equilibrado, uma advertência salutar para evitar os excessos na qual podemos nos inclinar nestes tempos difíceis e um lembrete ainda mais salutar de que devemos permanecer sempre focados na “única coisa necessária”: Deus e Sua vontade.

Fonte: SSPX Great Britain – Tradução: Dominus Est

É uma visão verdadeiramente apocalíptica que a Igreja nos dá hoje no Evangelho, com Nosso Senhor descrevendo o que aparentemente é o final dos tempos – tempos difíceis, dolorosos, cujos dias serão abreviados pelo bem dos eleitos, como nosso próprio Senhor nos diz.

Percebam que todos nós temos uma pequena de curiosidade em saber como essas coisas vão acontecer, como será o final dos tempos, e talvez alguns dos senhores tenham sido curiosos o suficiente para pegar e ler o livro do Apocalipse e tentar adivinhar muito concretamente, muito materialmente, como essas coisas vão acontecer. Os senhores terão lido sobre as famosas bestas e a “marca da Besta”, o sinal da Besta.

Meus queridos fiéis, nossa curiosidade sobre essas coisas tende a ser mórbida. A curiosidade mórbida existe: uma curiosidade que nos atrai mais para o pecado do que para o belo e o bom. Podemos vê-la por nós mesmos – há exemplos ao nosso redor. É triste ver quantos jovens são atraídos por imagens ruins, ao invés de ler o Evangelho ou se interessar pelo que nosso Senhor fez durante Sua vida. E temos que admitir que podemos ser afetados por essa curiosidade mórbida quando pensamos no final dos tempos, imaginando como será o Anticristo, como nascerá, quem será, como seremos capazes de reconhecê-lo, qual será a marca do Anticristo… E sabemos que as pessoas agora estão fazendo todo tipo de especulação sobre essas coisas. Ao mesmo tempo que o Apocalipse diz no que cada um dos eleitos será marcado com o selo de Deus – e eu nunca tive um único fiel que se aproximasse de mim e me perguntasse o que é o selo de Deus. Todos perguntam: “O que é o selo do demônio? Qual é a marca da Besta?” Ninguém pergunta: “O que é o selo de Deus?” Meus queridos irmãos, este é apenas um exemplo de como nossa curiosidade se volta mais facilmente para o que é mau e feio do que para o que é bom e belo, e isso é uma coisa triste.

Assim, para dissipar um pouco toda essa curiosidade, hoje vamos falar sobre esse sinal da Besta, como aparece no Apocalipse e como certos Padres da Igreja o entendem. Ouvimos muito falar sobre essas coisas hoje em dia, infelizmente, com tudo o que estamos vivendo em nosso mundo.

É verdade que o Apocalipse inclui aquela famosa afirmação de que aqueles que seguem a Besta terão uma marca na testa e no braço, e que não poderão comprar nada se não tiverem essa marca. Muitas pessoas estão se perguntando se a vacina pode ser a marca da Besta – da mesma forma que essas mesmas pessoas se perguntavam se os cartões de crédito eram a Besta, e depois se os códigos de barras eram, talvez, o sinal da Besta.

Então o Apocalipse acrescenta o nome da Besta, dizendo que é o nome de um homem, e o número do seu nome é 666. As pessoas também especulam sobre essas expressões no Apocalipse.

Em primeiro lugar, a marca da Besta é um selo na mão e na testa, e Santo Agostinho explica realmente o que isso significa. Santo Agostinho não descreve este selo como uma marca visível aos olhos, como uma tatuagem que uma pessoa faz ou como um chip inserido em nosso corpo. Ele diz que a marca na mão e o caracter na testa significam duas formas de pertencer ao demônio.

A primeira forma de pertencimento é a marca na testa, que significa o pertencimento por confissão aberta. A primeira maneira pela qual pertencemos à Besta – a marca em nossa testa – é proclamando abertamente que a Besta é toda-poderosa e ao mesmo tempo negando que Deus é todo-poderoso. Outro Padre da Igreja dá a mesma interpretação, que uma das marcas de pertença à Besta é a negação: a negação de Deus, a negação de Seu poder onipotente, a negação de que Deus criou o mundo, a negação de Sua Encarnação, a negação da Redenção… Em uma palavra, esta marca na testa equivale a apostasia, apostasia no coração. A testa é o que aparece abertamente, e Santo Agostinho explica que o que aparece em nossa testa é o que mostramos exteriormente de nosso pensamento interior, assim como o sinal do cristão é o sinal da cruz, que começamos em nossa testa, com a nossa mão. Assim como o sinal do cristão é o sinal da cruz, pelo qual o cristão mostra exteriormente que pertence a Jesus Cristo – ou seja, quer seguir Jesus Cristo seu Mestre e carregar sua própria cruz – do mesmo modo o primeiro sinal do demônio, aquela marca na testa, significa que um homem nega abertamente a Deus e afirma que o demônio tem poder onipotente.

A segunda marca é a da mão. Mais uma vez Santo Agostinho explica que essa marca não é uma espécie de tatuagem ou chip que alguém impõe na mão de uma pessoa. Ele explica que nas Escrituras as mãos expressam obras. A segunda marca de pertencer à Besta são as más ações, as obras do pecado. Aquele que pertence à Besta é aquele que segue o demônio fazendo o mal, pela realização do mal, pela obra do pecado.

Meus queridos fiéis, tendes aí o significado dessas marcas, os sinais da Besta.

Nossa salvação, antes de mais nada, não é material, tal como nosso combate, antes de mais anda, não é material.

Portanto, nossa pertença a Deus ou ao demônio não é, antes de tudo, algo material. Não é primeiro inscrevendo algo em nosso corpo que pertencemos ao demônio, nem é primeiro inscrevendo algo em nosso corpo que pertencemos a Deus. A primeira marca de nossa pertença a Deus é um caráter, um caráter indelével, impresso em nossa alma pelo batismo. Essa é a primeira marca da pertença do cristão a Deus. E é esse caráter que lhe dá acesso a todos os outros sacramentos. A marca de pertença à Besta é também um caráter da alma, não indelével, graças a Deus, mas o caráter de uma vontade que se volta para o mal e comete pecado.

Nosso combate é espiritual e, portanto, nossa pertença a Deus é espiritual. E a pertença ao demônio também é espiritual. a pertença a Deus acontece pela graça, e esse é o sinal pelo qual reconhecemos os eleitos de Deus. Os eleitos são aqueles que são marcados com o selo da graça, ou seja, o selo da caridade. Pertencer ao demônio significa pecado. Esse homem pertence ao demônio que não tem o amor de Deus nele, mas apenas o amor das coisas terrenas, materiais, sensíveis, ou mesmo simplesmente humanas, sem nada além.

Quanto a este número 666 de que fala o Apocalipse, esse livro também diz que este número da Besta é “o número de um homem”. Santo Irineu dá talvez a melhor explicação para este número. Muitas pessoas tentaram encontrar esse número literalmente ou encontrar o nome que ele contém, como os rabinos costumavam fazer, já que os números nas Escrituras sempre têm algum simbolismo. Existe até uma ciência chamada numerologia, que dá a interpretação dos números. Santo Irineu diz mais do que apenas isso.

Os Padres da Igreja concordam que este nome será desconhecido para nós até que o Anticristo apareça de fato. Esta profecia do Apocalipse é como qualquer outra profecia: só se torna clara no seu cumprimento. Mas Santo Irineu ainda pode explicar que o número 666 está cheio de simbolismo, tal como o número de 144 mil eleitos que são contados no Apocalipse (12 mil de cada tribo), como ouvimos na Festa de Todos os Santos. Os números nas Escrituras são realmente simbólicos. O 7 representa a perfeição, o 8 representa a plenitude e o 6 representa uma imperfeição. Não apenas uma imperfeição qualquer, mas os Padres dizem que parar em 6 significa impedir que o número se abra para Deus. Assim, o número 6 indica não alguma imperfeição natural inerente à criatura, mas um retorno do homem sobre si mesmo. E Santo Irineu continua explicando que o triplo seis (666) representa uma tripla volta do homem sobre si mesmo: não apenas um pecado do corpo, mas um pecado da alma, ou seja, do intelecto e da vontade, e também um terceiro pecado que ele chama de pecado do espírito.

Esse pecado do corpo, como sabemos, significa todos aqueles pecados que são muito difundidos hoje: pecados contra a natureza, aqueles pecados que clamam vingança ao Céu. O pecado da alma, isto é, do intelecto e da vontade, corresponde ao pecado de obstruir ou distorcer o intelecto para que ele seja incapaz de alcançar a verdade. Meus queridos irmãos, precisamos agradecer àqueles que se dedicam aos nossos filhos e dar-lhes uma educação genuína na verdade que os leva a Jesus Cristo. Mas esse pecado da alma, de fazer tudo para impedir que a criança chegue à verdade, também afeta a vontade. É outro lado desses programas de educação modernos, de impedir que a criança conheça o bem, o verdadeiro bem e como praticar o bem. O último dos três 6 significa o pecado do espírito, o pecado de nos fecharmos a Deus; é o pecado pelo qual o homem recusa a Deus. Este pecado corresponde à abominação da desolação no templo sagrado, talvez como o vemos hoje com esta nova Missa em que a adoração é totalmente orientada para o homem.

Meus queridos fiéis, vejam como os Padres da Igreja explicam essas misteriosas palavras do Apocalipse, que ainda permanecem misteriosas. Temos que nos impedir de correr atrás de interpretações, cada uma mais louca que a outra. Não importa quais dificuldades estamos passando hoje, não importa quais mentiras e erros estão nos sendo servidos – e muitas mentiras e erros estão nos sendo servidos! – por mais perigosos que sejam certos produtos que as pessoas querem injetar em nós, não esqueçamos que a marca da Besta é algo espiritual: significa pecado. Pertencemos ao demônio pelo pecado; pertencemos a Deus pela graça e pela caridade.

Nosso Senhor é muito claro neste ponto, e Ele nos diz: “Não temais aqueles que podem matar o corpo” – e hoje temos uma aplicação direta – “Não temais aqueles que podem matar o corpo; antes temais Aquele que tem o poder de lançar no fogo do inferno”. E novamente, Nosso Senhor disse a Seus Apóstolos pouco antes de deixá-los: “Coragem; Eu venci o mundo.” Não temos nada a temer das coisas materiais deste mundo. Devemos temer o pecado. Não devemos temer a morte do corpo; devemos temer a morte eterna.

É verdade, meus queridos fiéis, que o futuro nos é desconhecido e pode parecer muito sombrio, de fato. No entanto, há coisas que sabemos com absoluta certeza: Deus é nosso Pai; Deus não se esquece de Seus filhos; Deus protege Seus filhos; Deus alimenta Seus filhos. 

Sejam quais forem as provações que teremos de enfrentar, estejamos perfeitamente confiantes: podemos não saber nada sobre os sofrimentos que virão, mas sabemos com absoluta certeza que a graça nunca nos falhará. Essa é a nossa esperança e nossa alegria neste mundo de tristeza.

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Dois outros excelentes textos sobre o tema:

“NOSSA ÚNICA PREOCUPAÇÃO”- PE. GABRIEL BILLECOCQ, FSSPX

ELES TREMIAM DE MEDO ONDE NÃO HAVIA NADA A TEMER – PE. FRÉDÉRIC WEIL, FSSPX


terça-feira, 10 de maio de 2022

A perda da Salvação é um mal sem remédio

 "Quem não treme pelo temor de se perder, não se salvará"

Qui poenas dabunt in interitu aeternas a facie Domini – “Os quais, longe da presença de Deus, sofrerão por castigo eterno a perdição” (2 Ts 1, 9)

Sumário. Para todos os males há remédio; só para o condenado não. Morre-se uma vez, e, perdida a alma uma vez, está perdida para sempre e só lhe resta lamentar eternamente a sua perdição eterna, causada pela sua própria culpa. Avivemos, pois, a nossa fé, e lembrando-nos que nos caberá por sorte o céu ou o inferno, tomemos as providências apropriadas para nos assegurarmos a salvação eterna. Sejamos especialmente devotos à Santíssima Virgem e examinemos frequentes vezes, se por ventura nos temos relaxado nesta devoção.

I. O negócio da salvação eterna é não somente o nosso negócio mais importante, o nosso negócio único; é, além disso, o nosso negócio irreparável. “Não há falta que se possa comparar à do descuido da salvação eterna”, diz Santo Euquério. Para todos os outros males há remédio. Perdidos os bens, podem-se adquirir outros; perdido o emprego, pode-se obtê-lo de novo; ainda no caso de se perder a vida, contanto que se salva a alma, está tudo reparado. Só o condenado não tem remédio. — Morre-se uma vez; e perdida a alma uma vez, está perdida para sempre: Periisse semel, aeternum est. Só lhe resta gemer eternamente no inferno com os outros infelizes insensatos. Ali o pesar maior que os atormenta é o pensar que para eles acabou o tempo de remediar seus males: Finita est aestas, et nos salvati non sumus (1) — “O estio findou-se e nós não fomos salvos”.

Perguntai a esses sábios do mundo, que já estão mergulhados no abismo de fogo, perguntai-lhes que pensam hoje e se estão contentes por terem feito fortuna na terra, agora que estão condenados a uma prisão eterna. Ouvi o que respondem, gemendo: Ergo erravimus a via veritatis (2) — “Assim, nos desencaminhamos da estrada da verdade”. — Mas para que lhe serve reconhecerem o seu erro, já que não há mais remédio para a sua eterna condenação?

Qual não seria o pesar de um homem que, tendo podido com pequena despesa acudir ao desabamento de sua casa, a encontrasse um dia em ruínas e pensasse em sua negligência, quando não havia mais remédio? Muito maior é a pena que os réprobos sentem, pensando que perderam a alma e se condenaram por sua própria culpa: Perditio tua, Israel; tantummodo in me auxilium tum (3) — “A tua perdição, ó Israel, toda vem de ti; só em mim está o teu auxílio”. Ó céus! Qual não será o desespero de um cristão, no momento em que cair no inferno, quando, vendo-se encerrado nesse lugar de tormentos, refletir na sua desgraça e reconhecer que por toda a eternidade não haverá meio de a reparar! Assim, dirá ele, perdi a alma, o paraíso e Deus; perdi tudo para sempre; e como? Por minha própria culpa!

II. Cum metu et tremore vestram salutem operamini (4) — “Com temor e tremor empenhai-vos na obra da vossa salvação”. Meu irmão, avivemos a nossa fé, que tanto o inferno como o céu são eternos; lembremo-nos que um ou outro nos caberá por sorte. Este grande pensamento nos encherá de medo e nos fará evitar as ocasiões de ofendermos a Deus e empregar os meios necessários para alcançarmos a salvação. Quem não treme pelo temor de se perder, não se salvará. — Façamos sobretudo por adquirir uma devoção verdadeira para com a Santíssima Virgem e examinemos frequentes vezes se porventura nos tenhamos relaxado neste ponto. Oh, quantos cristãos estão ardendo no inferno por terem deixado de honrar à grande Mãe de Deus!

Ah Senhor, como é possível que, sabendo que pelo pecado me condenava a uma eternidade de penas, Vos tenha ofendido tantas vezes e perdido a vossa graça? Sabendo que sois meu Redentor, morto na cruz para minha salvação, como pude voltar-Vos tantas vezes as costas por um desprezível prazer? Meu Senhor, pesa-me sobre todos os males de Vos ter assim ofendido e quisera morrer de dor. Agora amo-Vos sobre todas as coisas, de hoje em diante sereis o meu único bem, o meu único amor, e antes quero perder tudo, antes quero perder mil vezes a vida, do que perder a vossa amizade.

Rogo-Vos, meu Jesus, não me repilais de vossa presença, como bem merecia; tende piedade de um pecador que volta arrependido aos vossos pés e Vos quer amar muito, porque muito Vos ofendeu. Que seria de mim, se me tivésseis deixado morrer quando estava na vossa inimizade? Ó Senhor, já que tivestes tamanha piedade de mim, dai-me força para Vos ser sempre fiel e me santificar. Espero-o pelos vossos merecimentos. Espero-o também pela vossa intercessão, ó grande Mãe de Deus e minha Mãe, Maria.

Referências:

(1) Jr 8, 20
(2) Sb 5, 6
(3) Os 13, 9
(4) Fl 2, 12

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(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 178-181)

quarta-feira, 4 de maio de 2022

NOVENA DAS CRIANÇAS PELAS VOCAÇÕES – DE 5 A 13 DE MAIO

 

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Milhões de almas estão quase prontas para receber a graça e a verdade, mas faltam-lhes os instrumentos divinos para as transmitir: os sacerdotes. Este é o plano de Deus. É, portanto, inevitável. Eis porque Nosso Senhor nos suplica no Evangelho: “Rogai pois ao Senhor da messe, que mande operários para a sua messe!””

As crianças, através da suas orações, têm uma importância particular a este respeito. Suas almas, ainda não sobrecarregadas pelos desejos do mundo, podem refletir sobre a vocação sacerdotal, o destino mais belo do mundo e podem pedir ao Bom Deus que nos conceda muitos.

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ORAÇÃO

“Ó Virgem Santíssima, quão feliz seria se todas as ações da minha vida fossem dedicadas a Deus, como foram as vossas. Mas não sendo assim, resta-me apenas um desejo, ó Virgem Santa, que é rogar-vos para que me obtenhais este favor, que desde agora siga a benevolência de Deus, e que desapegue os meus afetos de tudo o que não seja d’Ele, a fim de amá-Lo com todas as minhas forças e com todo o meu coração para sempre.”

São Francisco de Sales

Senhor, dai-nos muitos santos sacerdotes.

domingo, 1 de maio de 2022

Jesus, o bom Pastor

 Jesus Divino Pastor

Tire o maior proveito desta Meditação seguindo os passos
para se fazer a Oração Mental proposta por Santo Afonso!

Meditação para o 3º Domingo depois da Páscoa

Ego sum pastor bonus. Bonus pastor animam suam dat pro ovibus suis – “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas” (Jo 10, 11)

Sumário. O ofício de um bom pastor não é outro senão guiar as suas ovelhas para bons pastos e defendê-las contra os lobos. Mas, ó meu dulcíssimo Redentor, que pastor levou jamais a sua bondade tão longe como Vós, que quisestes dar a vida por nós, vossas ovelhas, e nos livrastes dos castigos merecidos? Não satisfeito com isso, quisestes ainda, depois da morte, deixar-nos o vosso corpo na santa Eucaristia, para sustento de nossas almas. Quem, pois, não Vos amará com todo o afeto? Mas infelizmente muitos Vos pagam com a mais negra ingratidão..

I. Assim diz Jesus Cristo mesmo no Evangelho deste dia: Ego sum pastor bonus — “Eu sou o bom pastor”. O ofício de um bom pastor não é outro senão guiar as suas ovelhas para bons pastos e defendê-las contra os lobos. Mas, ó meu dulcíssimo Redentor, que pastor levou jamais a sua bondade tão longe como Vós, que quisestes dar o vosso sangue e a vida para salvar as vossas ovelhas, que somos nós, e livrar-nos dos castigos merecidos? Vós mesmo, diz São Pedro, levastes os nossos pecados em vosso corpo pregado na cruz, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas vossas chagas fomos curados: Cuius livore sanati estis (1). Para nos curar de nossos males, este bom Pastor tomou a si todas as nossas dívidas e pagou-as com o seu próprio corpo, morrendo de dor sobre a cruz.

Este excesso de amor de Jesus para conosco, as suas ovelhas, fazia Santo Inácio Mártir arder do desejo de dar a vida por Jesus Cristo, dizendo, assim como se lê numa carta sua: Amor meus crucifixus est — “O meu amor foi crucificado.” Quis o santo dizer: Como! Meu Deus quis morrer crucificado por meu amor, e eu poderei viver sem desejo de morrer por Ele? – Com efeito, que grande coisa fizeram os mártires dando a vida por Jesus Cristo, que morreu por amor deles! Ah! A morte que Jesus Cristo padeceu por eles, suavizava-lhes todos os tormentos, os açoites, os cavaletes, as unhas de ferro, as fogueiras e as mortes mais dolorosas.

Não se contentou, porém, o nosso bom Pastor com dar a vida pelas suas ovelhas; ainda depois de sua morte quis deixar-lhes na santíssima Eucaristia o seu próprio corpo, já sacrificado uma vez na cruz, a fim de que fosse o alimento e sustento das suas almas. O ardente amor que nos dedicava, diz São João Crisóstomo, levou-O a unir-se a nós e fazer-se uma coisa conosco: Semetipsum nobis immiscuit, ut unum quid simus.

II. “O mercenário”, assim continua o Evangelho, “e o que não é pastor, vê o lobo vindo e deixa as ovelhas e foge; e o lobo rouba e dispersa as ovelhas. O mercenário foge, porque é mercenário e não lhe importam as ovelhas.” Não é assim que faz Jesus Cristo, o bom pastor, ou antes o melhor de todos os pastores. Cada vez que vê as suas ovelhas assaltadas pelo lobo infernal e estas lhe bradam por socorro, logo acode a defendê-las e a combater por elas.

Quando vê uma ovelha tresmalhada, que não faz? Quantos meios não emprega para reavê-las? Jesus Cristo não deixa de buscá-la enquanto não a achar. E depois de a achar, a põe contente sobre seus ombros, chama aos seus amigos e vizinhos (isto é, os Anjos e os Santos), e convida-os a alegrarem-se com Ele, por ter achado a ovelha que se tinha perdido: Congratulamini mihi, quia inveni ovem meam quae perierat (2) — Quem, pois, não amará com todo o afeto a este bom Senhor, que se mostra tão amoroso mesmo para com os pecadores que lhe viraram as costas e quiseram voluntariamente perder-se?

Ah, meu amável Salvador! Eis aqui a vossos pés uma ovelha perdida: afastei-me de Vós, mas Vós não me abandonastes; fizestes todo o empenho para me reaver. Que seria de mim, se Vós não tivésseis pensado em me buscar? Ai de mim, que passei tanto tempo longe de Vós! Pela vossa misericórdia espero agora estar na vossa graça. Se outrora fugia de Vós, já não desejo outra coisa senão amar-Vos e viver e morrer abraçado aos vossos pés. Mas enquanto vivo, estou em perigo de Vos abandonar. Por piedade, prendei-me com os laços de vosso santo amor e não permitais que em tempo algum eu me desprenda de Vós.

— “Ó Pai Eterno, que pela humilhação de vosso Filho levantastes o mundo prostrado, concedei-me alegria perpétua, para que, assim como me livrastes da morte eterna, me façais gozar dos prazeres eternos.”(3) Fazei-o pelo amor de Jesus Cristo e de Maria Santíssima, minha querida Mãe.

Referências:

(1) 1 Pd 2, 24
(2) Lc 15, 6
(3) Or. Dom. curr.

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(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 37-39)

sexta-feira, 29 de abril de 2022

Maria Santíssima, modelo de caridade para com o próximo

 Virgem Maria

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para se fazer a Oração Mental proposta por Santo Afonso!

Hoc mandatum habemus a Deo: ut qui diligit Deum, diligat et fratrem suum – “Nós temos de Deus este mandamento, que o que ama a Deus, ame também a seu irmão” (1 jo 4, 21)

Sumário. O amor para com o próximo nasce do amor para com Deus. Ora, como nunca existiu, nem jamais existirá, quem mais que Maria Santíssima amasse a Deus, assim nem houve, nem haverá, quem mais que a Santíssima Virgem tenha amado e ame o próximo. Basta saber que esta sua caridade a levou a oferecer à morte, entre as dores mais acerbas, e pela nossa salvação, o seu Filho unigênito. Felizes de nós se soubermos imitar uma Mãe tão carinhosa. Ela usará para conosco da mesma caridade que tivermos para com o próximo..

I. O amor para com Deus e para com o próximo nos é imposto no mesmo preceito: Nós temos de Deus este mandamento, diz São João, que o que ama a Deus, ame também a seu irmão. A razão é óbvia, diz Santo Tomás; porque quem ama a Deus, ama todas as coisas amadas por Deus. Mas visto que não existiu, nem jamais existirá, quem mais que Maria amasse a Deus, também não houve, nem haverá, quem mais que a Santíssima Virgem tenha amado o próximo. Sobre esta passagem dos Cânticos: Ferculum fecit sib rex Salomon… media caritate constravit, propter filias Ierusalem (1) —– “O rei Salomão fez para si uma liteira… revestiu-a de caridade por causa das filhas de Jerusalém”, o Padre Cornélio a Lapide diz que esta liteira foi o seio de Maria, no qual habitou o Verbo incarnado, enchendo sua Mãe de caridade, a fim de que auxiliasse a qualquer que a ela recorresse.

Vivendo neste mundo, foi Maria tão cheia de caridade, que socorria os necessitados, mesmo sem que lho pedissem; como fez precisamente nas bodas de Caná, quando pediu ao Filho o milagre do vinho, expondo-Lhe a aflição daquela família: Vinum non habent (2) — “Eles não tem vinho”. — Oh, quanto ela se apressava quando se tratava de socorrer o próximo! Quando, por ofício de caridade, visitou a casa de Isabel, foi com pressa às montanhas: abiit in montana cum festinatione (3). Não pode, porém, demonstrar melhor a sua grande caridade que oferecendo à morte o seu Filho pela nossa salvação, pelo que São Boaventura diz: “Maria amou o mundo de tal modo, que deu por ele o seu Filho unigênito.”

Esta caridade de Maria para conosco não é menor agora que ela está no céu; muito ao contrário, como diz o mesmo São Boaventura, ali muito se tem aumentado, porque conhece melhor as nossas misérias. Pobres de nós, se Maria não rogasse a nosso favor! Revelou Jesus Cristo à Santa Brígida que, se as súplicas da divina Mãe não intercedessem por nós, não haveria esperança de misericórdia.

II. Bem-aventurado aquele (diz a divina Mãe), que presta atenção aos meus preceitos e observa a minha caridade, para depois, à minha imitação, praticá-la com os outros: Beatus homo qui audit me (4) — “Bem-aventurado o homem que me ouve”. Afirma São Gregório Nazianzeno que, para adquirirmos o afeto de Maria, não há coisa melhor do que usar caridade para com o próximo. Por isso, assim como Deus nos exorta: Sede misericordiosos, como vosso Pai é misericordioso (5); assim parece que Maria diz a todos os seus filhos: Sede misericordiosos, assim como é misericordiosa a vossa Mãe.

É certo que segundo a caridade que nós usarmos para com o próximo, Deus e Maria a usarão para conosco, conforme diz Jesus Cristo, que nos medirá com a mesma medida com que tivermos medido aos outros (6). — Numa palavra, conclui o Apóstolo, a caridade para com o próximo é útil para tudo, e nos faz felizes nesta vida e na outra, porque tem a promessa da vida presente e da futura (7); e quem socorre os necessitados faz com que o próprio Deus lhe fique sendo devedor (8).

Ó Mãe de misericórdia, vós sois cheia de caridade para com todos; não vos esqueçais de minhas misérias. Vós as conheceis. Recomendai-me a Deus, que nada vos nega. Alcançai-me a graça de poder imitar-vos na santa caridade tanto para com Deus como para com o próximo. — E Vós, ó meu Jesus, tende piedade de mim; perdoai-me todos os desgostos que Vos dei, particularmente pela minha pouca caridade com o próximo. Perdoai-me, Senhor, e não me entregueis à mercê das minhas paixões, como mereceria. Se prevedes que para o futuro eu tenho de Vos ofender novamente, deixai-me antes morrer agora, que espero estar na vossa graça. Fazei-o pelos merecimentos da caridade de Maria Santíssima, vossa querida Mãe.

Referências:

(1) Ct 3, 9
(2) Jo 2, 3
(3) Lc 1, 39
(4) Pv 8, 34
(5) Lc 6 ,36
(6) Lc 6, 38
(7) 1 Tm 4, 8
(8) Pv 19, 17

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(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 34-37)

quarta-feira, 27 de abril de 2022

“O DEVER DOS FIÉIS PARA A RESTAURAÇÃO DO REINO SOCIAL DE JESUS CRISTO”

 

ESTE CAPÍTULO FOI RETIRADO DO LIVRO ORIGINAL: LA ROYAUTÉ SOCIALE DE N.S . JÉSUS-CHRIST D ‘ APRÈS LE CARDINAL PIE- PE . THEOTIME DE S. JUST 

NIHIL OBSTÁT KR. EVARISTUS A LUGOUNO, Cens. dep. Cristae, 25 Martii 1925.IMPRIMI POT EST KR. KUNESTUS A S ° STEPHOJO, Min. Prov.
Lugduni, 13 Aprilis 1920.IMPRIMATUR J. CAMVKT.
Vic. gen. Namurci, 5 Oecembris 1925.

Tradução: Witor Lira

CAPÍTULO I:

O DEVER DOS FIÉIS PARA A RESTAURAÇÃO DO REINO SOCIAL DE JESUS CRISTO

A família e a prática pública do culto cristão-A afirmação da sua fé na vida pública e na sua vida social. Afirmação da sua fé na vida pública e nas suas relações sociais. – Oração para o reino social.

O primeiro dever dos fiéis, para ajudar a restauração social-cristã, é sobretudo fazer reinar Jesus Cristo em suas mentes por meio da instrução religiosa.

“A única esperança de nossa regeneração social, diz o bispo Pie, repousa no estudo da religião… o primeiro passo de volta para a paz e a felicidade será “o retorno à ciência do cristianismo.” [1]

O Bispo Pie insiste neste ponto que é essencial para ele, porque, aos seus olhos, o renascimento social-cristão da França está intimamente ligado ao renascimento catequético. Em quatro sermões pregados na catedral de Chartres, explicou longamente aos fiéis a importância do estudo da religião e indicou-lhes os método a ser utilizado neste estudo. [2]

Estes sermões do jovem vigário da catedral de Chartres, dados em 1840, ainda são notavelmente atuais, e não conhecemos nada mais claro e mais persuasivo. Ao relê-los, todos os fiéis serão fortemente encorajados a dar em suas vidas o primeiro lugar à instrução religiosa.

Com efeito, como não ser tocado por palavras tão verdadeiras e tão fortes?

“Afastar a mente da verdade, ficar indiferente a ela, é precisamente o crime que Deus castigará com maior severidade e justiça… É evidente que a mera ignorância intencional da religião é em si um crime digno de morte, porque contém desprezo por Deus e o desejo de “escapar de sua mão todo-poderosa.’’ [3]

Esta sólida instrução religiosa exigida aos fiéis deve ser neles o alimento de uma fé integral e completa, e ,para Dom Pie, a fé completa, a única fé verdadeira,  é aquela que não só afirma a Divindade e Humanidade de Jesus Cristo, mas também proclama a sua Realeza Social.

Ouçamo-lo comentar uma passagem de S. Gregório aos fiéis, respondendo assim ao cristão dos nossos dias, imbuídos de falsas ideias modernas.

“Meu irmão, tens a consciência tranquila, dizes-me, e embora aceite o programa do catolicismo liberal, pretendes permanecer ortodoxo, pois acreditas firmemente na divindade e na humanidade de Jesus Cristo, o que é suficiente para constituir um cristianismo inatacável. Pense de novo. Desde o tempo de S. Gregório havia hereges, alguns hereges, que acreditavam nesses dois pontos como você, e sua “heresia” consistia em não querer reconhecer em Deus feito homem uma realeza que se estendia a tudo: sed hune ubi que regnare nequaquam creduni.

Não, você não é irrepreensível em sua fé; e o Papa S. Gregório, mais enérgico que o Syllabus, inflige a nota de heresia em ti se és um daqueles que, tendo como dever oferecer a Jesus o incenso, não quer oferecer também o ouro,[4] isto é, reconhecer e proclamar a sua realeza social.

Assim, se eles querem ter um cristianismo inatacável e permanecerem irrepreensíveis em sua fé, se eles querem ser fiéis e não heréticos, os católicos devem acreditar firmemente que Jesus Cristo deve reinar sobre as instituições sociais, penetrando-as com seu espírito e tornando sua legislação consistente com as leis de seu evangelho e de sua igreja.”

Esta fé na realeza social de Cristo deve antes de tudo vivificar a família cristã, submetendo-a perfeitamente ao Rei Divino. O Bispo Pie, o Doutor do Reinado Social, mostrou como Nosso Senhor quer reinar sobre os lares cristãos. Ele fez isso em 1854, na carta sinodal dos Padres do Concílio de Rochelle, inserida em suas obras. Citemos as principais passagens. É uma magnífica pintura da família cristã:

“Na linguagem de São Paulo, cada casa é um “santuário”. Que ali encontremos a Cruz de Jesus Cristo, que é o sinal de cada família cristã e que a imagem de Maria, a Mãe de Deus e nossa mãe, seja inseparável do crucifixo! Que a água benta e o ramo abençoado protejam a morada contra as ciladas do inimigo; que a vela da Candelária seja mantida ali para ser acesa nos momentos de perigo, na hora da agonia e da morte. Ah! nossos pais possuíam o segredo dessa vida totalmente cristã na qual a religião tinha seu lugar marcado em todas as coisas. A refeição foi santificada pela bênção que recitava o chefe da família. Três vezes por dia, quando o bronze sagrado ressoava no alto do campanário do Pate Roissial, cada um suspendia a sua tarefa e invocava com amor a Virgem que deu ao mundo o Verbo feito carne. No limite da propriedade foi plantada uma cruz, que o trabalhador saudou piedosamente na virada de cada sulco. Ainda se encontravam momentos durante o dia para rezar o rosário, para ler algumas páginas de um livro hereditário que continha os principais fatos dos dois Testamentos e as mais belas características da vida dos santos. [5]

A mãe de família não acreditava que tivesse cumprido todos os seus deveres religiosos quando tinha sido capaz de explicar aos seus filhos e criados algum artigo da doutrina cristã. Se acontecesse que a morte anunciasse sua sentença, todos os irmãos e todas as irmãs em Jesus Cristo do falecido apressavam-se a conceder-lhe os benefícios de seus votos; e o culto dos mortos, hoje tão negligenciado, foi produzido por vários testemunhos e por práticas que não podem ser lembradas com demasiada frequência. Finalmente, quando o último raio do dia levou a família dispersa à volta da lareira, como foi tocante ver velhos e crianças, criadas e criados ajoelhados perante as santas imagens, fundindo na mesma oração as suas vozes e o seu amor!

Estes costumes piedosos atraíram à terra as bênçãos do céu; enobreceram o lar, bem como o santificaram, e refletiram na sociedade algo sério, algo digno, que, juntamente com a unidade dos dogmas da fé, manteve a inocência das almas e a união das vontades. Que possamos ver estes comoventes hábitos da era cristã reavivados. [6]

Uma vida familiar tão bela não pode ser mantida por muito tempo sob o cetro do Rei Jesus se a educação das crianças não for profundamente cristã. Nós não podemos resumir aqui todos os ensinamentos do Cardeal Pie sobre este assunto. [7]Note-se simplesmente a insistência com que ele recorda aos pais que não podem enviar os seus filhos para escolas ateístas ou mesmo simplesmente escolas indiferentes. Ouçamo-lo, fazendo suas as palavras de São João Crisóstomo:

“O crime dos pais que mandam os filhos para tais escolas é mais atroz do que infanticídio Patres parricidis ipsis cruliores. Seria menos cruel pegar a espada e cravá-la no peito dessa vítima inocente. O crime do pai não tornaria a criança culpada, apenas separaria sua alma de seu corpo; ao passo que enquanto você entregar o seu corpo e alma ao inferno agora, ele engolirá o inferno dentro de si próprio por toda a sua vida, e depois cairá no fogo eterno.

Este texto refere-se à escola positivamente e abertamente má. Mas a escola neutra ou indiferente é referida diretamente na passagem seguinte:

“Mandar os filhos para um lar onde a religião não vale nada é um pensamento que faz estremecer, lê-se que é, acrescenta São João Crisóstomo, o crime de muitos pais. Se os informássemos que a peste está na cidade onde residem seus filhos, eles não encontrariam palavras para nos agradecer. E quando uma praga mil vezes mais terrível penetrou em todo o lado, o nosso conselho é acusado de indiscrição, isso se não formos colocados entre os inimigos da paz pública.[8]

Se os pais souberem impor-se sacrifícios para afastar os filhos de uma educação sem Deus, Jesus Cristo será verdadeira e para sempre o rei das famílias. [9]

A fé na realeza social de Cristo será irradiada para fora da família pela prática pública da religião cristã. Isto é para mostrar a todos que Cristo deve dirigir os atos públicos do cristão, bem como os seus atos individuais e domésticos.

A religião cristã é uma religião pública e os fiéis são obrigados a praticá-la abertamente. O Bispo Pie, que justamente viu neste carácter público da religião o caminho normal para o reinado social de Jesus Cristo, insistiu em recordar aos fiéis a necessidade do culto público [10] e do que este impõe.

Temos dele três sermões sobre a santificação,[11]os quais mais tarde desenvolveram-se em duas magníficas instruções pastorais sobre a lei dominical, [12]que ele chama de a obra-prima da legislação social. [13]

Temos várias das suas instruções sobre a missa, o sacrifício público da religião cristã. [14]

Sobre a liturgia, que é todo o culto público, encontramos nas obras do Bispo de Poitiers uma série de instruções que formariam um volume precioso em si mesmas. [15]Também não se esqueceu de tratar da observância da lei quadragesimal, que para a felicidade do povo tinha anteriormente um carácter eminentemente social. [16] Outra manifestação pública de fé, a peregrinação, foi estudada por ele cuidadosamente. [17]

Esta rápida enumeração das práticas externas e públicas da religião mostra-nos o quanto o grande bispo queria que os fiéis estivessem bem conscientes da sua importância e do seu elevado significado social.

Finalmente, numa magnífica instrução pastoral sobre a obrigação de confessar publicamente a fé cristã, o Bispo Pie mostra-lhes que não só devem associar-se ostensivamente ao culto, mas também ser cristão em toda a sua conduta pública.

Depois de ter estabelecido pela Escritura a necessidade rigorosa de não se envergonhar de Jesus Cristo perante os homens, depois de ter recordado sem desvios com São João que os “tímidos” que não ousam confessar a sua fé terão o mesmo destino daqueles que não acreditam, e cuja parte será o lago de fogo. «Timidis autem et incredulis, pars illorum erit in stagna ardenti » ( Apoc. X X I ,8), o Bispo Pie refuta a objeção que a covardia, infelizmente, coloca hoje em dia nos lábios de quase toda a gente. Aqui está:

“A esfera em que estou necessariamente colocado não é uma esfera cristã”, diz o tímido católico; posar como cristão seria uma singularidade e um contraste, por vezes seria até uma provocação ao sarcasmo e à blasfémia, é necessário curvar-se às exigências dos tempos e às necessidades das posições.

“Então, meu querido irmão”, responde o bispo, “é porque Jesus Cristo é desconhecido para muitos dos vossos contemporâneos que vos julgais no direito de O ignorardes. É porque um sopro maligno e irreligioso passou sobre a geração atual que reivindicas o direito de participar do contágio.

Esta infidelidade geral que invoca como desculpa é uma circunstância que agrava em vez de atenuar a sua culpa. Perante esta apostasia de muitos, és obrigado a declarar mais fortemente a sua fé e assim tornar-se um exemplo e um protesto. Não ouve nos vossos ouvidos a afirmação solene do Salvador? “Aquele que tem vergonha de mim e do meu Evangelho perante esta geração corrupta e pecadora, terei vergonha dele quando aparecer na glória do meu Pai, na companhia dos meus anjos.””[18]

Iluminado e confortado por tais palavras, que pessoa fiel, desprezando o respeito humano, não trabalhará com todas as suas forças pela prática pública do cristianismo para o reinado social de Cristo? [19]

O grande meio, portanto, de promover este reino é a oração, que vivifica a ação e obtém do céu o sucesso que nossos esforços sozinhos não podem obter.

O bispo Pie nos mostrou os três primeiros pedidos do Pai Nosso: santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu, a oração por excelência para o advento do reino social aqui embaixo.

Ele quer que os fiéis compreendam o pleno significado desta oração e saibam que o reino de que se fala não é apenas o céu, mas também o reino social de Cristo na terra. Eles devem, portanto, ao recitá-lo, desejar este reino e orar com confiança ao Pai celestial para conceder ao mundo esse benefício inestimável.

Ouçamos o Bispo de Poitiers recomendar a oração pelo reino. É a uma freira que ele se dirige e, por meio dela, a todos os fiéis que amam N. S. Jesus Cristo:

“A cura espiritual não avança entre aqueles que estão no comando dos negócios, sejam homens de poder ou homens do futuro. Deus não é colocado em seu lugar por ninguém. Infelizmente! Aprenderemos às nossas custas que não se dispensa o Ser Necessário impunemente. O mundo perdoa-lhe a sua existência, desde que esteja disposto a deixar o seu trabalho ir sem ele, e este mundo não é apenas o mundo sem Deus, mas um certo mundo político cristão.  Para nós, esforcemo-nos por nos sentirmos melhor, por salientar melhor do que nunca os três primeiros pedidos do Pai Nosso. E enquanto o mundo atual durar, não nos deixemos levar a confinar o reino de Deus ao céu, ou mesmo ao interior das almas: sicut in caelo et in terra? O abandono terreno de Deus é um crime: nunca nos resignemos a ele!”

E como o destronamento de seu representante visível está intimamente ligado a ele, rezemos sem cessar para que a grande iniquidade consumada em Roma possa chegar ao fim. Então, como a libertação de Roma só pode vir através da França, coloquemos nosso patriotismo nacional mais do que nunca, mas acima de tudo coloquemos todo o ardor do nosso amor a Deus e à sua Igreja para trabalhar pela recuperação da França através de nossas orações e nossos sofrimentos!”  [20]

Que os fiéis não se cansem de rezar pela vinda do Reino e que a sua oração, nos nossos dias de apostasia nacional, seja mais fervorosa e mais confiante do que nunca! Esta é a palavra de ordem do Cardeal Pie.[21]

Aprender toda a religião e praticá-la em família e publicamente, crer na realeza social de Jesus Cristo e orar para que ela aconteça, tal é o dever dos fiéis.

[1] Œuvres sacerdotales, 1. 137

[2] Ibid., i 98-189.

[3] Œuvres sacerdotales, 1 133-134.

[4] vin 62-63. Homélie sur l’étendue universelle de la Royauté de Jé-
sus-Christ US janvier 1874)

[5] Un abrégé de l’Ecriture Sainte et la vie des Saints: deux livres indispensables. Les autres livres ne sont pas exclus, mais l’Evêque de
Poitiers veut que la bibliothèque familiale soit composée uniquement de
bons livres. 11 faisait siennes les recommandations précises d’un évêque
son ami : « Fouillez vos bibliothèques et vos maisons, comme on fouille
une forêt ou une demeure où l’on soupçonne la présence d’un assassin
ou d’un voleur et déclarez une guerre à mort aux mauvais livres. » rv.
134. Quant aux journaux, il avertit le père de famille de surveiller le
journal qui entre chez lui. De ce journal, dépend la vie ou la mort de la
famille. Pas de mauvais journal, pas de journal neutre, mais le bon
journal, entièrement et franchement catholique, n. 344-345. ni. 238, 454.
v. 394 sq. — Parlant ici de la lecture, nous devons signaler l’importance que
l’Evêque de Poitiers attachait à la question de la presse. « Quand même, disait-il, une population tout entière viendrait encore autor de la chaire, le peuple le plus religieux du monde qui lirait de maii- vais journaux, deviendrait, au bout de trente ans, un peuple d’impies et de révoltés. Humainement parlant, il n’y a pas de prédication qui tienne devant la mauvaise presse. » Card. Piecité par E. AuGiER dans Vade-mccum du Conférencier. 419.

[6] ir 149-150. Voyez encore v. 21, 29. Allocution prononcée à la suite
de la consécration de l’autel d’une chapelle particulière, 4 août 1863.
Rien n’est oublié dans ce programme de vie familiale chrétienne. Mais
Mgr Pie savait qu’un rôle important et délicat est réservé dans la famille à la femme chrétienne: c’est elle qui doit veiller à la garde de la
foi. Il l’exhorte à remplir avec perfection ce rôle sublime et, pour l’encourager, il lui montre qu’elle travaille ainsi, à sa manière, à la restauratien sociale chrétienne. Ecoutons: « Durant la première moitié de ce
siècle, l’Eglise n’a rencontré sous sa main qu’un élément vraiment
« conservateur, qu’une puissance sérieusement conservatrice : la femme
« française.. Ce sont les femmes françaises qui ont empêché le culte et
<: !e nom de Dieu de périr sur la terre et qui, malgré les sarcasmes et
les dédains, ont conservé dans leurs cœurs et dans leurs habitudes
« ia religion de Jésus-Christ. » Mais pour que les femmes chrétiennes
d’aujourd’hui soient dignes de celles qui les ont précédées, il les conjure
« de conserver en elles la vie de la foi et de la grâce, l’esprit de renoncoment et d’immolation ». 2\ les exhorte à s’opposer énergiquement « à
<- ce? habitudes nouvelles, à ces allures étrangères aux traditions de
-iot”e éducation nationale ci chrétienne, qui menacent de se substituer
« à cette modestie suave, à cette aisance noble et réservée, à cette grâce
<‘ enjouée et bénigne, en un mot, à toutes ces qualités inexprimables qui
« ont vendu les femmes françaises l’admiration du monde entier. » 11,
1-14. Eloge de sainte Theudosie.

[7] Or. les trouvera /;; extenso dam Œuvr. sac. 1: Devoirs des parents
pî-r rapport à l’éducation de famille de leurs enfants, 29-50 ; par rapport
? L’éducation publique de? enfants. 50-64 ; par rapport à la vocation des
cr.fents, 73-°0 ; complément des instructions sur les devoirs des parents
concernant l’éducation de leurs enfants. 90-98.

[8] Œuvr. sac. 1 . 5 4 Ainsi lcrolc ouvertement mauvaise est comparée à un glaive qui tue, Iïvolc neutre à un pohon qui, lentement, amè-
ne la mort. ïl n’y a rien d’exagéré rinns cette doctrine de S. Chrysoslô-
me rappelée par le Cardinal Pie. C’est la doctrine de l’Eglise qui, toujours, a condamné 1 école neutre. Lire sur ce sujet l’Encyclique Xobilissimn gaUorv.m yens de L é o n x m . (Edit. Ronnc Presse. T. I. 2 3 0 ) . Il y
est dit : 4. Semper schnlas guas appelant mixtas vel ncutras aperte, damnavit Ecclesia».

[9] Un des plus puissants moyens de rappeler à la famille tous ses
devoirs envers le Roi Jésus, c’est l’intronisation du Sacré-Cœur dans les
foyers. L’Intronisation, c’est N.-S. venant réclamer sa place au foyer,

comme autrefois, au soir de ses courses apostoliques, il demandait l’hospitalité à Béthanie, place d’honneur parce qu’il est Roi et doit réçner
sur chaque famille afin de régner bientôt sur la société, place intime et
familiale, car il est YAmi et c’est par son Cœur, par son Amour qu’il veut

régner. L’Intronisation constitue un état où l’Evangile devient la Règle
et comme l’âme dv foyer dont le Sacré-Cœur est le Roi. L’Intronisation a été hautement approuvée par Pie x, Benoît xv, Pie

xi. Voir la belle lettre de Benoît xv au P. Mathéo Crawley-Boevey du
27-4-1915 dans Âcta Ap. Sedls. 1915. p. 203 et dans Régna bit. vnr. 402-
404. Le Cardinal Pie qui a consacré toutes les familles de son diocèse
au Sacré-Cœur (vi. 614) aurait accueilli avec bienveillance et enthousiasme l’idée de l’Intronisation.

[10] Œuvres sacerdotales, 1 506-519

[11] Ibid., I 562-604.

[12] m 564-597

[13] n i 594. Au sujet de la sanctification du dimanche, Mgr Pie a écrit:
< L’institution du dimanche, avec les salutaires observances qu’elle
réclame, suffirait à elle seule pour faire fleurir la plus parfaite morale
sur la terre. » Œuvr. sacerd. 1 329.

[14] Œuvres sacerd. u 1-38. Nous savons par Mgr Gay (corresp. 1 240)

[15] Sur les temples catholiques. Œuvres sacerd. 1 5119-535.
Sur le caractère dramatique du culte catholique, it. 535-562.
Sur les offices de l’église. Œuvres sacerd. n 38-52.
Sur le cycle ecclésiastique. Ibid. 11 52-67.
Sur la journée sanctifiée par l’Eglise. Ibid. it 76-92.
Résumé des instructions sur le culte. Ibid. n 92-102.

[16] vi 40-60. Dom Guéranger (L’année liturgique. Le Carême) a bien
fait ressortir le caractère profondément social du Carême: « La société
€ chrétienne empruntait à Tannée liturgique ses saisons et ses fêtes,
€ particulièrement le temps du Carême, pour y asseoir les plus précieuses
« institutions, par exemple la trêve de Dieu…
« II ne faut pas réfléchir longtemps pour comprendre la supériorité
« d’un peuple qui s’impose, durant quarante jours chaque année, une
« série de privations dans le but de réparer les violations qu’il a com-
« mises dans l’ordre moral, sur un peuple qu’aucune époque de l’année
4 ne ramène aux idées de réparation et d’amendement. » L. c. ch. 2 et 3.

[17] Voyez p. ex. vu 584-587.

[18] VUT 81-82-83. Instruction pastorale sur l’obligation de confesser
publiquement la foi chrétienne. (Carême 1874.)

[19] Pour aider à la perfection de la vie publique du chrétien, Mgr Pie
encourageait vivement les associations chrétiennes qui sont une force imposante dans la cité de l’Eglise. Il affectionnait particulièrement les
associations qui développent ia vie paroissiale, iv 277. — rv 189 et suiv.
Notons qu’il n’eût pas manqué de recommander instamment, dans le
même but de restauration sociale, le Tiers-Ordre de S. François d’Assise,
lui qui s’était fait recevoir tertiaire de S. François le 30 Mars 1879, trois

/.ns avant la fameuse encyclique « Auspicato x de LÉON x m . Histoire du
Card. Pie, / / . 1. n. p. 672.

Rappelons aussi qu’il s’est intéressé spécialement aux Cercles catholiques d’ouvriers, fondés par le Comte de Mun. Il voyait dans cette œuvre
« un effort persévérant pour arracher la classe populaire aux étreintes
dť lantichristianismc incarné dans la Révolution et la rejeter dans les
bras de N. S. J . – C . toujours enseignant et agissant par son Eglise. » ix
633; vu 410-411 — ix 631 et suiv. Voyez également: Discours du comte
Albert de Mun, accompagnés de notices par C H . GEOFFROY DE GRAND-

ÎTAISOX, t. I. Questions sociales, p. 32 et p. 133-134.
Le Cardinal Pie ne pouvait concevoir que confessionnelles les Associations ouvrières et autres, car la souveraineté de J.-C. doit s’exercer sur
titut l’ordre social, sur ses groupements naturels, tels que la famille, lu
cité et la nation et aussi sur les groupements professionnels et conventionnels. Il était sur ce point, comme sur tous les autres, en conformité
parfaite avec la doctrine de l’Eglise. Voir Cité chrétienne, par Henri
BRUN. 221-492.
Relativement aux obligations électorales des fidèles en vue du Rè^ne
social, voir plus bas : Devoirs des prêtres : Note finale. Il y est dit que les
fidèles ne peuvent, sans péché grave, voter pour un sectaire notoire, ou
pour un candidat affilié aux sociétés secrètes.
Si déplorable que soit le système électoral moderne, les fidèles ne doivent pas, en règle générale, s’abstenir de voter, Mgr Gay nous donne sur
ce point la pensée du Card. Pie. « La Révolution nous a condamnés à
« tirer du suffrage populaire et nos législateurs et jusqu’à nos gouver-
< nements. C’est risquer de faire monter du sein de la mer ces bêtes
« néfastes dont parle l’Apocalypse. Mais enfin, tel est notre sort, et,
« s’il nous fait courir d’effroyables dangers, il nous impose de graves
« devoirs. Peut-être que notre principale, sinon même notre unique
« ressource est de les bien connaître et de les remplir fidèlement. » Mgr
Gay à Mgr Freppel 11 Juin 1881. Dans Mgr Gay, Sa vie, ses œuvres par
Dom BEKXAKD de Bois Rouvray, n 383. Documents et pièces justificatives.

[20] Histoire du Card. Pie, T. n I. rv. ch. 11 p. 435. A la prière, le fidèle
ccit joindre la souffrance, la pénitence, la réparation, Mgr Pie cherchait
à éveiller dans ses fidèles l’idée de la réparation nationnale. Au sujet
c’.’un jeûne prescrit, il écrivait en 1373 : « Ce jeûne devra être offert en
esprit de réparation nationale. » vu, 584.

[21] Pour obtenir de Dieu que la Royauté du Christ soit reconnue dans
h monde entier, S. S. PIE XI a recommandé la prière suivante, accordant aux fidèles qui la récitent une indulgence plénière, qu’ils peuvent
gagner chaque jour aux conditions ordinaires (Rescrit du 25 février
1923) :
« O CHRTST JÉSUS, JE VOUS RECONNAIS POUR ROI UNTVEPTEL. TOUT
T CE QUI A ÉTÉ FAIT, A ÉTÉ CRÉÉ POUR VOUS. EXERCEZ SUR MOI TOUS VOS
< DROITS. JE RENOUVELLE MES PROMESSES DU BAPTÊME, EN RENONÇANT A
« SATAN, A SES POMPES ET A SES ŒUVRES ET JE PROMETS DE VIVRE EN BOX
« CHRÉTIEN. E T TOUT PARTICULIÈREMENT JE M’ENGAGE A FAIRE TRIOM-
* PHER SELON MES MOYENS LES DROITS DE DLEU ET DE VOTRE EGLISE.
r. DIVIN CŒUR DE JÉSUS, JE VOUS OFFRE MES PAUVRES ACTIONS POUR
< OBTENIR QUE TOUS LES CŒURS RECONNAISSENT VOTRE ROYAUTÉ SACREE
« ET QU’AINSI LE RÈGNE DE VOTRE PAIX S’ÉTABLISSE DANS L’UNIVERS £ N –
« ÏTER. AlNST SOIT-IL. »
Citons aussi cette belle prière du Cardinal Pie à la Sainte Vierge pouť
obtenir le Règne social de son Fils :
< O Vierge Marie, jetez un regard de pitié sur le monde. La religion
de Jésus-Christ avait été pour les nations chrétiennes le principe d’une
stabilité, d’une liberté, d’une gloire que n’avaient pas connue les peuples et les siècles païens. « Comment cette couronne est-eUe tombée de notre
iHe ? » Ah! le prophète a fait la réponse: « Malheur à nous parce que
nous avons péché! » Reine de l’Univers, ramenez-nous, ramenez le monde
entier à Dieu, ramenez les nations à Jésus-Christ: vous rendrez ainsi à la
société terrestre sa plus noble couronne, sa couronne de pierre précieuse
ou plutôt vous rendrez à cette société depuis longtemps mutilée et décapitée sa véritable tête qui est Jésus-Christ, votre Fils. A Lui soit louange,
jmour, puissance et empire pendant tous les siècles des siècles! Amen. »
v. 280.