quarta-feira, 17 de junho de 2026

Aquele outro segredo de Fátima

 


Para a mente humana, as ações de Deus na história muitas vezes parecem absurdas. Quando nações tremem, impérios ascendem e caem, e a religião da civilização fica por um fio, esperamos ações de reis, generais, eruditos ou grandes príncipes eclesiásticos. Particularmente em uma era como a nossa — uma era que testemunhou duas guerras mundiais, terrorismo internacional, ameaças nucleares, migração em massa e o surgimento de tecnologias capazes de remodelar a sociedade da noite para o dia.

Esperamos que gigantes movam as peças gigantes de xadrez no tabuleiro. Esperamos que a história seja dirigida por aqueles que possuem riqueza, influência, exércitos e autoridade. Quando tais figuras nos decepcionam — ou desaparecem por completo — ficamos atordoados e confusos, sem saber o que acontecerá a seguir.

Mas o que o Senhor fez para preparar nosso povo para toda essa loucura? No caso de Fátima e La Salette, Ele enviou a mãe de Cristo para falar às crianças. Então... por que essa decisão? Por que escolher esse meio para nos transmitir informações cruciais?

A Confusão das Pessoas Hoje

O mundo é, obviamente, um caos geopolítico. Temos à nossa disposição ferramentas modernas maravilhosas, mas também existem abusos maliciosos correspondentes. O mesmo acontece na Igreja Católica. Esta Instituição Divina pode alcançar todos os portos e províncias do mundo, mas nunca vimos a Igreja com os problemas que agora temos de enfrentar.

Particularmente na hierarquia católica, vemos que ela já não inspira. A liderança já não nos transmite a confiança de outrora. Bispos e prelados costumavam ser guias firmes através das tempestades da história. A Igreja já foi um guia inabalável que nos ajudava a manter o rumo, independentemente do que acontecesse no mundo. Era uma estrutura antiga que se erguia como um farol de pedra contra as piores tempestades.

E agora? O mais educado a dizer é que os católicos estão desorientados. Há agora muitas controvérsias que antes eram impensáveis. Os fiéis estão perplexos com mensagens contraditórias, disputas públicas e uma aparente relutância da hierarquia em falar abertamente sobre questões de fé e moral. Muitos de nós já percebemos isso, e houve muitas respostas tradicionalistas diferentes a essa crise contínua nos últimos sessenta anos. As pessoas estão sinceramente tentando lidar com isso da única maneira que conhecem.

Essa situação persiste porque ninguém em posição de liderança adequada está disposto a resolvê-la. O dogma claro da Fé, ensinado nas Escrituras e transmitido por dois mil anos, não está mais sendo proclamado explicitamente. Assim, os fiéis se sentem constantemente manipulados.

E o que podem fazer os leigos ou o clero de baixo escalão para mudar isso? Estão à mercê dos outros. Não têm autoridade e não ocupam cargos de influência. As pessoas comuns não podem obrigar ninguém com poder a ouvi-las. Não podem resolver a crise — mesmo sabendo que algo terrível está acontecendo. Só lhes resta receber a Fé, crer nela, perseverar, sofrer e apegar-se ao que as Escrituras e a Tradição lhes ensinam. Este é o destino do católico comum hoje.

Crianças impotentes

Quando digo "crianças indefesas" aqui, parece que ainda me refiro aos leigos confusos do século XXI. Mas não — estou falando literalmente de todas as crianças. Porque as crianças não sabem o que estão fazendo. Elas são as pessoas mais vulneráveis ​​que temos. Elas nem sabem o que não sabem. São tão maleáveis. Tão ingênuas. Tão facilmente enganadas. Elas realmente precisam de adultos para ajudá-las a evitar abusos psicológicos, para que possam crescer e se tornar pessoas plenamente maduras.

Não me interpretem mal. As crianças possuem muitas virtudes. São humildes, confiantes e receptivas. Não são pessoas cínicas, amarguradas e orgulhosas. Não têm aquela arrogância que se acumula na idade adulta. Estão mais dispostas a acreditar no que veem e ouvem — mesmo que isso as coloque em desacordo com tudo ao seu redor. Não é que as crianças sejam exatamente “sábias”, mas sim que são excepcionalmente abertas a receber sabedoria dos outros.

As crianças são receptoras adequadas da graça. Sem dúvida, esta é provavelmente uma das razões pelas quais Nosso Senhor enviou Sua Mãe para falar com os três pastorinhos em Fátima, Portugal. Ou mesmo em La Salette, França.

Filhos de Fátima

Vamos nos concentrar nas crianças de Fátima; consideremos quem elas eram, especificamente. Não eram filhos e filhas de nobres, políticos, eruditos ou membros do clero. Eram crianças pastoras de uma comunidade agrícola pobre, muito distante dos centros de poder político e eclesiástico.

Seus pais pertenciam a uma das camadas mais humildes da sociedade. Estavam à margem de muitas instituições. Não possuíam riqueza significativa, influência, educação formal ou qualquer posição de destaque entre os poderosos. Nenhum funcionário do governo buscaria seus conselhos. Nenhum bispo os consultaria sobre assuntos de Estado. Eram, sob todos os aspectos mundanos, completamente insignificantes.

E, no entanto, foi a essas crianças que o Céu confiou uma mensagem concernente ao destino das nações, à disseminação do erro pelo mundo, à perseguição da Igreja e à salvação de inúmeras almas.

Mas tudo bem: já vimos isso antes, não é? Davi e Golias vêm à mente. O jovem José contra os irmãos que o jogaram no poço é outra história familiar. Ou mesmo o jovem Samuel, a quem Deus falou diretamente enquanto o sacerdote Eli, já idoso, lutava para reconhecer a voz do Senhor. Em todas essas histórias, vemos o tema recorrente de Deus escolhendo os jovens inocentes em vez dos adultos que deveriam saber mais.

Mas será que a escolha das crianças de Fátima por Deus não é apenas um mero tema? Será que existe uma mensagem ainda mais profunda nessa decisão?

Considerem isto: Deus estava revelando o destino do mundo a essas três humildes crianças camponesas. No entanto, essas jovens almas não tinham autoridade, não ocupavam nenhum cargo importante, não podiam obrigar ninguém com poder a ouvi-las ou levá-las a sério, e certamente não podiam resolver a crise mundial. Elas só podiam receber as graças sobrenaturais de Deus e praticar a Fé.

Se isso lhe parece familiar, é porque eu já disse isso sobre os leigos no início deste artigo.

Impotência tipológica

Assim como as crianças de Fátima, nós, leigos, não detemos nenhuma autoridade. Como elas, tudo o que podemos fazer é receber as graças de Deus e praticar a fé. Elas são nós, e nós somos elas. O exemplo delas foi uma janela, mostrando ao mundo quem seriam os protagonistas no Jogo Final do mundo. Éramos nós.

As crianças de Fátima foram um exemplo de onde estaríamos em todo esse drama mundial do século XXI. Como se Deus estivesse dizendo: “As pessoas daquela época serão tão vulneráveis ​​e indefesas quanto essas crianças”. Lúcia, Jacinta e Francisco não iriam consertar a Rússia, reformar governos ou conduzir corretamente os concílios do Vaticano. Eles estavam sujeitos aos caprichos dos poderosos.

Na verdade, veja o que aconteceu com eles. Foram presos pelo administrador civil maçônico local, interrogados e encarcerados. Ele (e muitos outros) tentaram forçá-los a revelar o segredo que Nossa Senhora lhes havia dado. Ameaçadas de morte, as crianças foram interrogadas repetidamente — e até mesmo colocadas entre os prisioneiros comuns. Suas famílias e vizinhos foram pressionados. As crianças foram acusadas de mentir. A própria família de Lúcia não acreditou nela. Foram ridicularizadas pelos moradores da vila. Consideradas problemáticas, ainda tiveram que carregar essas visões e mensagens pesadas sobre o Inferno e o cataclismo mundial. E Francisco e Jacinta sofreram intensamente com doenças antes de morrerem jovens.

Somos nós.

Nos dias de hoje, estamos fadados a ser presos. Seremos pressionados, interrogados, encarcerados e jogados no meio de criminosos. Nossos pares e familiares nos envergonharão socialmente por nossas crenças. Seremos ridicularizados. E, enquanto tudo isso acontece, carregaremos o fardo pesado de saber exatamente qual é a nossa realidade. E quando chegar o momento da nossa morte, talvez não seja a aposentadoria gloriosa que almejamos.

Somos eles, e eles são nós. Marginalizados, vulneráveis ​​— não oficiais. Há tantas coisas importantes que precisam ser realizadas oficialmente, e as pessoas que reconhecem a realidade do que está acontecendo não podem fazê-lo porque essa não é a nossa função na vida. Esse dilema mostra quem somos e onde estamos. Isso não é algo não planejado ou imprevisto. Deus sabia o que aconteceria nestes tempos que estamos vivendo, e Ele tem nos avisado o tempo todo de muitas maneiras. Talvez nossa situação pareça única, estranha ou não convencional, mas tudo isso aconteceu, como um prenúncio, com as crianças de Fátima. Deus é tão bom que nos avisou sobre isso e nos deu exemplos vivos. Elas eram pequenas, simples e humildes, para que pudéssemos nos identificar facilmente com elas. Mesmo assim, foram heroicas. Precisamos usar o exemplo delas e as instruções do Céu para superar esta crise extremamente difícil e trabalhar pela salvação de muitas almas.

Conclusão

Jesus sabia que estaríamos na situação em que nos encontramos hoje. Ele conhecia nosso nível de inocência, credulidade e suscetibilidade a sermos enganados. Por isso, Ele nos advertiu. Disse para termos cuidado para que ninguém nos seduzisse, pois muitos viriam em Seu Nome, dizendo: "Eu sou o Cristo". E disse que muitos seriam enganados. Nosso Senhor chegou a nos dizer que tais enganadores tentariam nos conquistar com maravilhas e espetáculos.

Mas os exemplos sagrados já nos foram apresentados tantas vezes.

Somos nós que temos que atirar pedras em gigantes. Somos nós que, como José, seremos jogados em um poço e vendidos como escravos, sofrendo no presente sem ainda compreender o propósito por trás disso. Somos o jovem Samuel, ouvindo a voz de Deus em meio à escuridão enquanto as autoridades ao nosso redor lutam para reconhecê-la. E, claro, somos filhos de pastores que, conhecendo o destino da civilização, não podem compelir os "grandes do mundo" a acatarem os avisos do Céu. Somos impotentes diante de forças muito maiores do que nós.

Não estamos sozinhos. Nossa história, a história da humanidade, permanece constante.

A lição de Fátima vai muito além do que qualquer um de nós imagina. O Céu não escolheu as crianças simplesmente porque “crianças são humildes”. O Céu também as escolheu porque elas eram a imagem perfeita dos católicos fiéis que um dia enfrentariam crises muito maiores do que elas próprias.

Assim como Lúcia, Jacinta e Francisco, nós possuímos pouca autoridade. Não podemos dirigir nações. Não podemos governar a Igreja. Não podemos obrigar outros a crerem no que o Céu revelou. Podemos apenas receber a Fé, permanecer firmes em meio à confusão, sofrer o que deve ser sofrido e transmitir e guardar fielmente o que nossos ancestrais nos legaram.

Nesse sentido, as crianças de Fátima não eram meras mensageiras. Eram sinais proféticos vivos. Poderíamos até dizer… outro segredo de Fátima.

Fonte:

https://fatima.org/news-views/that-other-secret-of-fatima/

terça-feira, 16 de junho de 2026

São Poemen: aprendeu a guardar o coração antes de julgar o próximo

 




São Poemen, cujo nome significa “pastor”, nasceu por volta de 340 d.C., foi um dos mais importantes mestres espirituais entre os monges do deserto do Egito. Viveu na região de Scetis, em meio a uma comunidade de monges dedicados à oração, ao silêncio e à luta interior. Após a destruição de Scetis por invasores, Poemen e seus irmãos foram obrigados a deixar o lugar, passando a viver como peregrinos.
Apesar das dificuldades externas, sua vida permaneceu centrada na busca de Deus. Diferente de outros Padres mais rigorosos em penitências exteriores, Poemen destacou-se por sua sabedoria equilibrada e profunda compreensão da fragilidade humana. Segundo os relatos preservados no (Apophthegmata Patrum), muitos monges vinham procurá-lo em busca de orientação espiritual. Certa vez, um irmão perguntou-lhe o que deveria fazer ao ver o pecado de outro.
Poemen respondeu:
“Se vires o pecado do teu irmão, cobre-o. E Deus cobrirá o teu.” — (Apophthegmata Patrum)
Ou seja, para Poemen o necessário é: tratar o pecado do outro como desejas que Deus trate o teu. Pois, o próprio Senhor Jesus Cristo disse:
"Com a medida com que medirdes, sereis medidos” (cf. Mt 7,2)
Para os Padres do Deserto, isso não exclui correção fraterna quando necessária com devida caridade para com o próximo. Mas, nos recorda que a forma como tratamos a fraqueza dos outros influencia como Deus tratará a nossa. Para São Poemen, o maior perigo não era o pecado do outro em si para nossa caminhada espiritual, era o orgulho escondido de quem os observa.
Em outra ocasião, ele disse:
“Não dês ouvidos aos defeitos dos outros, mas guarda teu coração.” — (Apophthegmata Patrum)
Seus ensinamentos eram voltados para a vigilância interior. Ele compreendia que o julgamento do próximo frequentemente nasce do orgulho escondido e faz-nos compararmos em sentirmos superiores ao próximo. Pois, para São Poemen vale recordarmos esta sentença do próprio Senhor Jesus Cristo:
“Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho?
Ou como dirás a teu irmão: ‘Deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tens uma trave no teu?
Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão.”— (cf. Evangelho de Mateus, 3–5)
Assim, Cristo nos ensina que devemos corrigir primeiro a nós mesmos, antes de julgar os outros.
O “cisco” representa os pequenos erros alheios, enquanto a “trave” simboliza nossas faltas maiores que muitas das vezes ignoramos.
Com efeito...
Para Poemen, a verdadeira luta espiritual está em purificar o próprio coração. Pois, como ele dizia:
“O homem que ensina deve primeiro curar a si mesmo.”
Outro ensinamento marcante que mostra sua sabedoria prática foi: Um monge lhe perguntou como deveria viver. Poemen respondeu:
“Fica na tua cela, e tua cela te ensinará tudo.” — (Apophthegmata Patrum)
Essa frase tornou-se um dos pilares da espiritualidade monástica. A “cela” não era apenas um lugar físico, mas o símbolo do recolhimento e reconhecimento interior. Era ali, no silêncio e na perseverança, que o monge enfrentava a si mesmo. Apesar de sua autoridade espiritual, Poemen evitava qualquer forma de dureza excessiva. Sabia adaptar seus conselhos conforme a fraqueza de cada um.
E dizia:
“Ensina teu coração a fazer o bem, e não a exigir perfeição imediata.” — (Apophthegmata Patrum)
Para São Poemen a santidade é um processo de aprendizado interior. Em vez de nos preocuparmos apenas em exigirmos perfeição imediata, devemos formar o coração com pequenas escolhas constantes pelo bem. Lembremos que Deus vai transformando o coração de quem persevera, mesmo entre quedas.
Assim, a sabedoria de São Poemen, consistia em voltar sempre para dentro de si, onde acontece o verdadeiro combate. Essa é a chave da vida de São Poemen: a santidade começa quando deixamos de olhar para fora e passamos a vigiar o nosso próprio coração.
— Referências:
[Apophthegmata Patrum]
[Historia Monachorum in Aegypto]
[Patrologia Graeca]
[Enciclopédia Católica]
E as almas dos fiéis defuntos pela misericórdia de Deus descansem em paz!
℣. Dai-lhes Senhor, o descanso eterno.
℟. E a luz perpétua os ilumine.
Descansem em paz. Amém.
℣. Senhor, escutai a minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.
"Para Cristo,
por Maria e José,
em súplicas pelas
almas do purgatório".
🙏🏾
† Jesus e Maria eu vos amo, salvai almas!

segunda-feira, 15 de junho de 2026

O Amor se consome na Cruz


Quem pôde, alguma vez, levar Deus a morrer condenado em uma cruz no meio de dois criminosos, com tanta vergonha para sua grandeza de Deus?
Quem fez isto? Pergunta São Bernardo.
E responde:
— “Foi o amor, que esqueceu sua dignidade”. — (A Prática do Amor a Jesus Cristo - Santo Afonso Maria de Ligório)
Assim...
“Considera, ó homem, quanto te amou aquele que por ti quis morrer.” — (São Gregório Magno -
Homilias sobre os Evangelhos, Homilia 20)
Como dizia Santo Afonso:
“Jesus Cristo nada fez senão por amor; e tudo o que sofreu foi por amor.”— (A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo)
Pois...
“Cristo na cruz é como um livro aberto, onde podemos ler quanto Deus nos ama.” — (Santa Catarina de Sena - Diálogo da Divina Providência)
E...
“Jamais compreenderemos o amor de Cristo crucificado, enquanto não procurarmos sofrer por Ele.” — (Santa Teresa de Ávila - Caminho de Perfeição, síntese fiel do ensinamento)
"O amor prova-se mais nas obras do que nas palavras.” — (Santo Inácio de Loyola - Exercícios Espirituais)
Com razão devemos dizer sempre:
“Ó caridade incompreensível! Para resgatar o escravo, entregaste o Filho.” — Santo Agostinho
(Sermão 130, sobre a Paixão do Senhor)
“Ó meu Senhor crucificado, quanto mais Vos contemplo, mais Vos amo.” — Santa Gemma Galgani - Diário espiritual)
E as almas dos fiéis defuntos pela misericórdia de Deus descansem em paz!
℣. Dai-lhes Senhor, o descanso eterno.
℟. E a luz perpétua os ilumine.
Descansem em paz. Amém.
℣. Senhor, escutai a minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.
"Para Cristo,
por Maria e José,
em súplicas pelas
almas do purgatório".
🙏🏾
† Jesus e Maria eu vos amo, salvai almas!


 

Santa Gertrudes e Santa Teresa e a visão da oração

 


Nas revelações de Gertrudes de Helfta, encontra-se uma visão que teve acerca da oração feita com negligência e às que se elevavam até Deus.
Estando em oração, viu como as preces de algumas almas se elevavam até Deus com grande beleza, enquanto outras mal se levantavam da terra, caindo de volta sem força. Ao mesmo tempo, foi-lhe dado a compreender o significado dessa visão:
As orações que subiam com clareza e vigor eram aquelas feitas com devoção e atenção interior; as que se elevavam com dificuldade representavam as almas tíbias (frias no amor), que rezavam com pouca aplicação; e aquelas que não se elevavam indicavam as orações feitas com negligência, distração voluntária e sem amor.
Com razão Santa Teresa D'Ávila em uma visão disse uma vez também:
"Vi almas que rezavam sem atenção e sem devoção. Suas orações não passavam do teto, mas caíam de volta sobre elas, sem fruto algum.” — (Teresa de Ávila, Caminho de Perfeição, cap. 31)
E assim...
Meditemos um pouco sobre a nossa oração:
Como está a minha caminhada de oração?
Às minhas orações se elevam a Deus com amor ou caem por falta de atenção e frieza?
Busco estar consciente de que estou diante de Deus quando rezo?
Quantas vezes nossos lábios apenas se movem, mas o coração está pensando na morte da bezerra?
Luto contra as distrações ou me entrego a elas com facilidade?
Até mesmo a distração involuntária na oração, ou seja, aquelas em que sem você queira, quando é humildemente combatida por nós durante a oração, pode se transformar em mérito diante de Deus. E há ainda um modo simples de santificá-la: quando, no meio das nossas orações, surgirem em nossa mente a lembrança de alguma pessoa ou situação, não a rejeite com inquietação, stress e irritação. Antes, eleve por ela uma breve súplica. Assim, aquilo que seria distração torna-se caridade, aquilo que parecia transformar-se em distração, torna-se caminho de intercessão e de oração, oferecendo a Deus, orações por aquela pessoa que muitas das vezes precisa de muitas das nossas orações.
E assim. . .
O que posso mudar hoje para que minha oração seja mais viva, atenta e amorosa para com o Senhor?
— Referencias:
[Legatus Divinae Pietatis (O Arauto do Amor Divino), Livro III]
[Teresa de Ávila, (Caminho de Perfeição, cap. 31)]
E as almas dos fiéis defuntos pela misericórdia de Deus descansem em paz!
℣. Dai-lhes Senhor, o descanso eterno.
℟. E a luz perpétua os ilumine.
Descansem em paz. Amém.
℣. Senhor, escutai a minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.
"Para Cristo,
por Maria e José,
em súplicas pelas
almas do purgatório".
🙏🏾
† Jesus e Maria eu vos amo, salvai almas!

 Fonte: https://www.facebook.com/ApostoliPurgatoriorum

O dia que o Senhor Jesus supriu a fraqueza de Santa Gertrudes

 



Esse relato de Santa Gertrudes abaixo toca na nossa experiência humana: do desânimo diante das próprias limitações na vida espiritual. Muitas pessoas, ao rezar, participar da missa ou tentar meditar, percebem cansaço, às vezes falta de fervor ou distrações não por vontade própria e concluem que sua oração não tem valor. E às vezes imaginamos que rezar bem significa sentir fervor, consolação ou profunda concentração. A santa vive exatamente esse momento. Por isso, quando percebermos distrações na oração, falta de fervor, não devemos desanimar.
Ocorreu com Santa Gertrudes o seguinte: um dia em que a Santa, estando no coro da Igreja, se dispunha a cantar à Missa, não conseguiu, por humana fraqueza, concentrar a sua atenção. E Desanimada disse consigo mesmo:
— Para que me serve rezar tão distraidamente?
— Mais vale não continuar.
E dispunha-se a retirar-se, quando o Próprio Senhor Jesus lhe apareceu; trazia nas mãos o Seu Coração e disse-lhe:
— Aqui tens o meu Coração que ponho ao teu serviço, para que lhe mandes executar tudo quanto as tuas forças te não permitem realizar. Dessa maneira nada poderás ter de repreensível aos meus olhos.
Santa Gertrudes admirada, parecia-lhe impossível, à Santa, que tão sublime Coração quisesse suprir à sua incapacidade; mas Jesus expôs-lhe a seguinte comparação:
«Se tivesses uma voz e experimentasses grande prazer em cantar, não te pareceria mal que alguma das tuas companheiras, com voz inferior à tua, se quisesse antepor (colocar-se a frente) a ti? Assim do mesmo modo o Meu divino Coração deseja ardentemente que descarregues nEle todos os deveres de que não podes desempenhar-te convenientemente»
Que excelente lição!
Assim como alguém que possui uma bela voz gostaria de cantar em favor de quem canta menos, o Sagrado Coração de Jesus deseja completar aquilo que não conseguimos realizar dignamente. Ele não nos humilha por nossas limitações; Ele nos convida a colocá-las em Seu Sagrado Coração.
Não sentis favor ardente, mas cansaço na devoção? Dizei a Jesus:
«Senhor, eu Vos ofereço as minhas fragilidades. Onde falta meu amor, colocai o Vosso. Onde falta minha atenção e fervor, supram Vossa misericórdia e Vosso Divino Coração.»
Que esta piedosa súplica não impeça porém de recorrer a outros meios que Santa Igreja dispõe.
Lembremos, pois...
Que não é a nossa perfeição que sustenta a vida espiritual, mas a confiança perseverante que depositamos no Coração de Jesus. O perigo não está em sermos fracos, mas em desistirmos por causa da nossa fraqueza. Quem persevera humildemente, mesmo entre fraquezas, quedas e infelicidades, mas se ergue com a Graça, jamais estará sozinho; É Jesus unindo o mais pobre que somos, em o mais Ricos que podemos sermos com Ele. O que mais agrada a Deus não é a perfeição das nossas capacidades, mas a humildade de reconhecer nossa pobreza e confiar n'Ele.
— Referência:
[E.D.M, Padre Paul Henry O’Sullivan. As Maravilhas da Santa Missa. Lisboa, 1925, p. 71-83]
E as almas dos fiéis defuntos pela misericórdia de Deus descansem em paz!
℣. Dai-lhes Senhor, o descanso eterno.
℟. E a luz perpétua os ilumine.
Descansem em paz. Amém.
℣. Senhor, escutai a minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.
"Para Cristo,
por Maria e José,
em súplicas pelas
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 Fonte: https://www.facebook.com/ApostoliPurgatoriorum

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