sexta-feira, 15 de junho de 2018

Saiba como fazer a consagração a Virgem Maria conforme o Tratado da Verdadeira Devoção




Para fazer a consagração a Maria segundo a “Tratado da Verdadeira devoção à Santíssima Virgem”, de São Luís Maria Grignion de Montfort, a primeira coisa a fazer é conhecer esse precioso livro, que é um método de consagração. O Santo escreveu este livro no final de sua vida. Neste livro, ele nos dá a conhecer a reflexão e a experiência que desenvolveu em seu apostolado de propagar esta devoção, levando muitos muitos a se consagrarem a Nossa Senhora. Você pode encontrar o livro para comprar em livrarias Católicas, ou pode baixá-lo em PDF, no seguinte link: Downloads.

Tendo em vista a riqueza que é este pequeno livro, não podemos deixar de recomendar insistentemente que se leia o livro antes de começar a preparação para a consagração. Esta leitura é necessária para conhecer esta devoção, que é a consagração total a Virgem Maria. O Tratado nos ajuda a conhecer a nós mesmos, nossas misérias e fraquezas, e nos faz tomar consciência da necessidade do auxílio de Nossa Senhora. O livro também nos ajuda a conhecer a Virgem Maria a quem nos consagraremos e a Jesus Cristo, que é o fim último da consagração.

Ninguém poderá consagrar-se eficazmente à Santíssima Virgem sem antes compreender a quem se consagra e porque se consagra, e para  isso é necessário estudar - ou conhecer ao menos - o Tratado da Verdadeira devoção à Santíssima Virgem, ou qualquer outro estudo que forneça a compreensão necessária da devoção a Nossa Senhora e da escravidão de amor a ela.

Depois da leitura do Tratado, escolhe-se uma data para fazer a consagração. Não há nenhuma indicação no Tratado, mas costuma-se fazer a consagração em uma data mariana. Outra indicação que podemos dar é fazer a consagração no dia de São Luís, que é 28 de abril, ou no dia da Imaculada Conceição de Maria, dia 8 de dezembro, pois quem se consagrar neste dia ou renovar a consagração ganha indulgência plenária (desde que a pessoa tenha se confessado recentemente e reze um Pai-nosso, uma Ave-Maria, e um Glória, pelas intenções do Papa). A data não pode ser muito próxima, pois antes de fazer a consagração é preciso fazer uma preparação de trinta dias.

Esta preparação pode ser feita somente recitando as orações indicadas no Tratado (cf. TVD 227-230). Porém, recomenda-se também o uso de livros próprios para a preparação (exercícios espirituais para a consagração), e se faça as reflexões propostas para cada dia antes de fazer as orações. Outra coisa que ajuda é fazer a preparação para a consagração em grupo, pois, apesar da consagração ser pessoal, ela tem um caráter comunitário. Nesta preparação em grupo, pessoas que já fizeram a consagração e se disponham a ajudar são bem-vindas para orientar quem se prepara. Próximo do final da preparação, recomenda-se fazer uma boa confissão.

Após a preparação, no dia da consagração deve-se participar da Eucaristia e depois da comunhão se faz a consagração conforme a fórmula prevista no Tratado (cf. TVD 231). Caso não seja possível a participação da Santa Missa, pode-se fazer a consagração diante de uma imagem de Nossa Senhora. A fórmula da consagração deve ser escrita antes, de preferência de próprio punho. Depois da consagração, quem se consagrou assina a folha com a fórmula e, se houver um Sacerdote ou outra pessoa que possa ser testemunha, ele também deve assinar. São Luís Maria recomenda que a consagração seja renovada todo ano, na mesma data que foi feita pela primeira vez, com as mesmas orações preparatórias (cf. TVD 233).

Certamente, esta devoção a Nossa Senhora, ensinada por São Luís Maria, será de grande auxílio na nossa busca pela fidelidade à Igreja e aos mandamentos de Deus. Dessa forma, pelas mãos da Virgem Maria, nos aproximamos cada vez mais de Nosso Senhor Jesus Cristo e do Seu Reino.

Perguntas Frequentes:


1) É necessário a presença de um sacerdote no dia da consagração?
R: A consagração perfeita consiste em um ato interior, e não depende de nenhum rito ou de alguma cerimônia. Não há necessidade da presença do sacerdote, apesar de ser muito recomendável que algum possa acompanhar, principalmente se for o pároco ou o diretor espiritual. Mesmo sendo um ato pessoal, a consagração também pode ser feita em coletivo. 

2) É obrigatório usar algum sinal externo da escravidão (correntes, etc)?
R: Não é obrigatório, porém é altamente recomendável, assim como diz no tratado da Verdadeira devoção. São Luís Maria de Montfort recomenda que, após a consagração, o devoto carregue consigo algum sinal que manifeste e indique a escravidão de amor a Jesus Cristo por Maria. Era comum o uso de pequenas correntes, usadas na cintura, que simbolizavam esta escravidão. Hoje é mais conveniente algum outro sinal da devoção, especialmente algum sacramental, como o rosário, o escapulário, a medalha milagrosa, etc. Cabe ao consagrado escolher com o seu confessor ou diretor espiritual o que e como deve usar, pois esta prática é recomendável, mas não obrigatória. Também é oportuno pedir ao sacerdote - principalmente se algum puder presencial e acompanhar a consagração - que benza estes sinais exteriores da escravidão de amor. 

As demais dúvidas que aparecem frequentemente de como realizar a consagração, que orações fazer, quando confessar, comungar, estão todas descritas inteiramente no livro citado acima de São Luis Maria de Montfort. Por isso aconselhamos fortemente a leitura completa antes de iniciar a consagração e marcar uma data para realizá-la. 

Salve Maria Santíssima.



Fonte excelente blog !!!!


quinta-feira, 14 de junho de 2018

São João Bosco anuncia a Pio IX: um Papa abandonará Roma em ruínas, mas voltará




No Segredo de La Salette, Nossa Senhora anunciou um histórico castigo proximamente vindouro sobre a cidade de Roma, com sanguinária perseguição do clero, apostasias inclusive de bispos e destruição de igrejas e conventos.


Entre o 24 de maio e o 24 junho de 1873, São João Bosco escreveu uma carta profética ao bem-aventurado Papa Pio IX, então felizmente reinante em meio a tempestades temíveis suscitadas pelos inimigos da Igreja, internos e externos.

semelhança de certos aspectos da profecia do grande santo italiano com a previsão de Nossa Senhora em La Salette se patenteia nos termos em que está redigida a carta:

“Era uma noite escura, os homens já não podiam distinguir qual fosse o caminho a ser seguido para voltar sobre os próprios passos, quando apareceu no céu uma luz fortíssima que iluminava as passadas dos viajantes como se fosse pleno dia.

Naquele momento, viu-se uma multidão de homens, mulheres, velhos, crianças, monges, monjas e sacerdotes, tendo à frente o Santo Padre, sair do Vaticano ordenando-se como se fosse uma procissão.

Mas sobreveio um temporal furioso que, obscurecendo um pouco essa claridade, parecia travar uma batalha entre luz e trevas.

Nesse meio tempo, chegou-se a uma pequena praça coberta de mortos e feridos, vários dos quais pediam conforto com fortes gritos.

A fila da procissão foi rareando bastante.

Beato Papa Pio IX recebeu a carta profética de Don Bosco
Beato Papa Pio IX recebeu a carta profética de Don Bosco
Depois de ter caminhado por um tempo correspondente a duzentos nasceres do sol, cada um percebeu que não estava mais em Roma.

O desconcerto tomou conta de todos e todos se reuniram em volta do Santo Padre para proteger sua pessoa e assisti-lo em suas necessidades.

Naquele momento apareceram dois anjos portando um estandarte que foram apresentar ao Santo Padre, dizendo:

– Recebe a bandeira d'Aquele que combate e dispersa os exércitos mais fortes da Terra. Os teus inimigos desapareceram, os teus filhos invocam teu retorno com lágrimas e suspiros.

Levantando-se o olhar para o estandarte, via-se escrito, de um lado, Regina sine labe concepta (N.T.: Rainha concebida sem pecado original) e, do outro, Auxilium Christianorum (N.T.: Auxílio dos Cristãos).

O Pontífice pegou com alegria o estandarte, mas, vendo o pequeno número de pessoas que haviam sobrado à sua volta, mostrou-se muito aflito. Os dois anjos acrescentaram:

– Vai logo consolar os teus filhos. Escreve aos teus irmãos dispersos nas várias partes do mundo que é necessário fazer uma reforma dos costumes dos homens. Isso não poderá ser alcançado senão distribuindo aos povos o pão da Palavra Divina.

'Catequizai as crianças, pregai o desapego das coisas terrenas. Chegou o momento em que os pobres evangelizarão os povos, concluíram os dois anjos. Os levitas serão procurados entre a enxada, a pá e o martelo, para que se cumpram as palavras de Davi: “Deus levantou o pobre da terra para colocá-lo no trono dos príncipes de teu povo”.'

São João Bosco escrevendo
São João Bosco escrevendo
Após ouvir tudo isso, o Santo Padre moveu-se e as fileiras da procissão começaram a engrossar. Quando, por fim, pôs os pés na Cidade Santa, começou a chorar pela desolação em que estavam os habitantes, muitos dos quais haviam morrido.

Retornando a São Pedro, cantou o Te Deum, e lhe respondeu um coro de Anjos cantando Gloria in excelsis Deo et in terra pax hominibus bonae voluntatis. 

Concluído o cântico, cessou totalmente a escuridão e abriu-se um sol claríssimo.

As cidades, as vilas, os campos tinham sua população bastante diminuída. A terra estava pisada como se tivesse passado um furacão, um temporal, o granizo, e as pessoas iam umas ao encontro das outras dizendo com a alma comovida: Est Deus in Israel. (Há Deus em Israel)

Do início do exílio até o Te Deum, o sol levantou-se duzentas vezes. Todo o tempo que passou durante a realização desses fatos corresponde a quatrocentos amanheceres”.

terceiro segredo de Fátima, o Beato Palau e o sonho das duas colunas do próprio São João Bosco, acenam perspectivas semelhantes e desfechos análogos.


FONTES

1) Archivio Salesiano Centrale, Roma, (AS S132 Sogni 1). Fotocopia del manoscritto di Don Gioacchino Berto segretario, con postille marginali autografe di San Giovanni Bosco, descritto e trascritto da Don Angelo Amadei nel vol. X delle Memorie Biografiche.

2) P. Giovanni Battista Lemoyne S.D.B., “Memorie Biografiche del Venerabile Don Giovanni Bosco”, Tipografia S.A.I.D. “Buona Stampa”, Torino, 1917, volume IX. (Appendice “B”, pp. 999-1000).

3) Cecilia Romero, “I sogni di Don Bosco – edizione critica”, Elle Di Ci, Leumann (Torino), 1978, pp. 27-32).

Catecismo Ilustrado - Parte 41 - 4º Mandamento de Deus: Não matar

Catecismo Ilustrado - Parte 41

Os Mandamentos

5º Mandamento de Deus: Não matar

1. Este mandamento proíbe matar injustamente o nosso semelhante, e também o matar-se alguém a si mesmo.

2. Dizemos injustamente, porque há casos em que pode ser lícito matar alguém, como seria em própria defesa, numa guerra justa ou por sentença de magistrados.

3. Não é somente réu de homicídio aquele que mata com as próprias mãos; também o é quem para ele concorre com ordens, conselhos, auxílio, ou de qualquer outro modo.

4. Nunca é permitido matar-se alguém a si mesmo, por mais infeliz que seja, porque a nossa vida pertence a Deus e só Ele tem direito a lhe pôr termo.

5. Aquele que se mata a si expõe-se à maior das desgraças, porque ordinariamente não tem tempo para fazer penitência do seu crime e cai sem recurso na condenação eterna.

6. O matar alguém, chama-se homicídio, o matar-se a si mesmo chama-se suicídio.

7. O suicídio é um crime tão grande, que a Igreja recusa a sepultara cristã àquele que se suicida, quando se sabe ao certo que gozava das suas faculdades.

8. Desejar a morte a alguém é pecado, quando é por ódio, impaciência, ou outro afim interesseiro e mau.

9. Não é permitido abreviar a vida d’alguém com o fim de acabar com os seus sofrimentos.

10. Nunca é lícito, nem mesmo à autoridade pública, matar um inocente, ainda que o bem comum o exigisse e que o inocente o consentisse, porque ninguém é senhor de sua vida.

11. Não nos é lícito desejar a morte a não ser para gozarmos a presença de Deus no Céu ou ainda para não o tornar a ofender na Terra.
12. Os que se desafiam a duelo cometem dois crimes, porque se expõem a si próprios à morte, e procuram matar os outros.

13. As testemunhas dos que se batem em duelo são tão culpadas como aqueles, porque autorizam o duelo com a sua presença.

14. Diz Nosso Senhor no Evangelho: “Ouvistes que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, digo-vos: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos Céus, o qual faz nascer o sol sobre os maus e bons, e manda a chuva sobre os justos e injustos. Porque, se amais somente os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem também assim os próprios gentios? Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito”. (Mat. V, 43-48)

15. Este mandamento proíbe também o ódio e a vingança.

Explicação da gravura

16. Na parte superior, está representado Caim que acaba de matar seu irmão Abel. Quando procura fugir, chama-o Deus, censura-lhe o crime cometido, lança-lhe a maldição e expulsa-o da sua presença. Foi a inveja que causou este primeiro homicídio.

17. Na parte inferior direita, vê-se Architophel que se enforcou na sua casa depois de ter levado Absalão a revoltar-se contra o rei David, seu pai, com o fim de usurpar o trono.

18. Na parte inferior esquerda, estão representados dois homens que se desafiaram para um duelo. Chega um bom cristão que, interpondo-se, os acalma e lhes mostra a Cruz da qual Nosso Senhor os vê e condena o seu procedimento.

Índice das sessenta e oito gravuras


quarta-feira, 13 de junho de 2018

Santo Antônio, Confessor e Doutor.

Jew Drawing - Saint Anthony Of Padua Made A Wonder With Donkey Kneeling by Pieter De Bailliu (i) And Pieter De Bailliu I 



Santo António (português europeu) de Lisboa, internacionalmente conhecido como Santo António de Pádua, OFM (Lisboa, Pádua, 13 de Junho de 1231), de seu nome de batismo Fernando Martins de Bulhões, foi um Doutor da Igreja que viveu na viragem dos séculos XII e XIII. Primeiramente foi frade agostiniano, tendo ingressado como noviço (1210) no Convento de São Vicente de Fora, em Lisboa, indo posteriormente para o Convento de Santa Cruz, em Coimbra, onde fez seus estudos de Direito. 

Jesus o Médico das nossas Almas


Et orietur vobis, timentibus nomen meum, sol iustitiae, et sanitas in pennis eius – “Para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e estará a salvação nas suas asas” (Ml 4, 2)
Sumário. Por muito que os médicos terrestres amem os doentes, nenhum tomará sobre si as doenças a fim de as curar. Somente Jesus Menino foi o médico tão caridoso, que tomou sobre si todas as nossas enfermidades, e para delas nos livrar tomou o remédio amargoso de uma vida de trabalhos contínuos e de uma morte dolorosíssima sobre um patíbulo infame. Admiremos a grande bondade do divino Redentor, agradeçamo-la e retribuamos-Lhe com o nosso amor.

I. Virá, disse o Profeta, o vosso médico para curar os enfermos; e virá depressa, qual pássaro que voa, ou qual sol que ao sair no horizonte já envia os seus raios até à extremidade da terra. Mas eis que já veio. Consolemo-nos e rendamos-lhe ações de graças. Diz Santo Agostinho: Descendit usque ad lectum aegrotantis. Jesus abaixou-se até ao leito do enfermo, quer dizer, até tomar a nossa carne; porquanto os corpos são como que os leitos das nossas almas enfermas. Por muito amor que os outros médicos tenham aos doentes, por muito que se esforcem para lhes restituir a saúde: qual é o medico que para curar um doente toma sobre si a doença? Tal médico tem sido tão somente Jesus Cristo, que para nos curar tomou sobre si todas as nossas enfermidades.
Nem quis mandar outro qualquer; ele mesmo quis vir para desempenhar o oficio de médico piedoso, a fim de ganhar todo o nosso amor:
Languores nostros ipse tulit, et dolores nostros ipse portavit — “Tomou sobre si as nossas fraquezas, e ele mesmo carregou com as nossas dores” (1)
Com o seu próprio Sangue quis Jesus sarar as nossas chagas e com a Sua morte livrar-nos da morte eterna por nós merecida. Numa palavra, quis tomar o remédio amargo de uma vida de trabalhos contínuos e de uma morte crudelíssima, para nos dar a vida e nos livrar de todos os nossos males.
Calicem quem dedit mihi Pater, non bibam ilium? — “Não queres”, disse o Senhor a São Pedro, “que eu beba o cálice que o Pai meu deu?” (2)
Foi necessário que Jesus Cristo abraçasse tantas ignomínias, para curar o nosso orgulho; que abraçasse uma vida tão pobre, para curar a nossa cobiça; que abraçasse um oceano de sofrimentos até morrer de pura dor, para sarar a nossa avidez de prazeres.
II. Para retribuirmos a Jesus o seu entranhado amor para conosco, amemo-Lo com todas as nossas forças, e não recuemos diante de qualquer sacrifício por amor dEle. E visto que Ele disse que considera como feito a si o que fizermos a um dos seus irmãos mais pequeninos (3), amemos também ao próximo por amor de Jesus Cristo; saibamo-nos compadecer das suas fraquezas e socorrê-lo em suas necessidades.
Ó amado Redentor, seja para sempre louvado e bendito o Vosso amor! Que seria da minha alma, enferma e chagada como estava, pelos meus pecados, se Vós, ó meu Jesus, a não pudésseis e quisesses sarar? Ó Sangue do meu Salvador, em Vós confio; limpai-me e curai-me. Meu amor, pesa-me de Vos haver ofendido. Para me provar o amor que me tendes, levastes uma vida tão cheia de tribulações e uma morte tão amargosa. Também eu quisera provar-Vos o meu amor; mas que posso fazer, fraco e enfermo como sou? Ó Deus de minha alma, Vós sois Todo-Poderoso, Vós me podeis curar e fazer-me santo.
Ó Senhor, acendei em mim um grande desejo de Vos dar gosto. Renuncio a todas as minhas satisfações para Vos agradar, meu Redentor, que tanto mereceis que a todo o custo Vos procuremos agradar. O Bem supremo, amo-Vos e estimo-Vos acima de todos os bens; fazei com que Vos ame de todo o meu coração e Vos peça sempre o Vosso amor. Pelo passado Vos ofendi e não Vos amei, porque não pedi o Vosso amor. Agora vo-lo peço, juntamente com a graça de o pedir sempre. Atendei-me pelos merecimentos da vossa Paixão.
— Ó Maria, minha Mãe, vós estais sempre disposta a atender a quem vos roga, e amais a quem Vos ama: amo-vos, minha Rainha; alcançai-me a graça de amar a Deus; é tudo quanto vos peço.
Referências:
(1) Is 53, 4
(2) Jo 18, 11
(3) Mt 25, 40
(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 377-379)

terça-feira, 12 de junho de 2018

Caminhos para entrar na vida eterna


Caminhos para entrar na vida eterna


Sermão sobre o diabo tentador



Quereis que vos indique os caminhos da conversão? São numerosos, variados e diferentes, mas todos conduzem ao céu.

O primeiro caminho da conversão é a condenação das nossas faltas. "Aviva a tua memória, entremos em juízo; fala para te justificares!" (Is 43,26). E é por isso que o profeta dizia: "Eu disse: «confessarei os meus erros ao Senhor» e Vós perdoastes a culpa do meu pecado" (Sl 31,5).
Condena pois, tu próprio, as faltas que cometeste, e isso será suficiente para que o Senhor te atenda. Com efeito, aquele que condena as suas faltas, tem a vantagem de recear tornar a cair nelas...



Há um segundo caminho, não inferior ao referido, que é o de não guardar rancor aos nossos inimigos, de dominar a nossa cólera para perdoar as ofensas dos nossos companheiros, porque é assim que obteremos o perdão das que nós cometemos contra o Mestre; é a segunda maneira de obter a purificação das nossas faltas. "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós" (Mt 6,14).


Queres conhecer o terceiro caminho da conversão? É a oração fervorosa e perseverante que tu farás do fundo do coração... 

O quarto caminho, é a esmola; ela tem uma força considerável e indizível...

Em seguida, a modéstia e a humildade não são meios inferiores para destruir os pecados pela raiz. Temos como prova disso o publicano que não podia proclamar as suas boas ações, mas que as substituiu todas pela oferta da sua humildade e entregou assim o pesado fardo das suas faltas (Lc 18,9s).


Acabamos de indicar cinco caminhos de conversão... Não fiques pois inativo, mas em cada dia utiliza todos estes caminhos. São caminhos fáceis e tu não podes usar a tua miséria como desculpa.


***

 Comentário ao Evangelho feito por S. João Crisóstomo (cerca 345-407), bispo de Antioquia e de Constantinopla, doutor da Igreja.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

QUAL A DIFERENÇA ENTRE FÉ E SENTIMENTO RELIGIOSO


A senhora leu com atenção minha carta anterior e pede-me para que eu a ajude a compreender bem a diferença que há entre Fé e sentimento religioso. A tarefa será fácil, desejo que meu trabalho lhe seja útil.
Lembre-se das breves palavras do Pe. Lacordaire: A Fé é a Fé.
O sentimento é assim o respeito que temos, como criaturas, por nosso Pai que está no Céu e que, unicamente porque nos criou, nos olha como filhos, nos dá o pão de cada dia, a luz de seu sol, os frutos da terra, a vida, a saúde, e mil outros bens igualmente da ordem natural.
O sentimento religioso sendo natural ao homem, se encontra em todos os homens fiéis ou infiéis; pois todos têm esse fundo comum de respeito a Deus, que algumas vezes se traduz por um ato religioso fundado sobre a verdade, como entre os cristãos; outras vezes por um ato religioso manchado de erros como entre os infiéis, os idólatras, etc.
Entre os povos, há alguns cujo sentimento religioso é naturalmente muito profundo, por exemplo os árabes.
Um árabe não faltará à prece da manhã, à do meio dia e à da noite. Ao escutar o muezzin gritar do alto do minarete a fórmula sagrada: La Allah, etc., imediatamente ele se põe a rezar, esteja na companhia de quem quer que seja, no lugar que for, no meio de uma praça ou no trabalho; quando chega a hora, ele reza. Por este mesmo sentimento religioso, o árabe relaciona tudo à vontade de Deus; os acidentes da vida, a saúde, a doença, mesmo a morte, ele relaciona com Deus e em todas as circunstâncias ele repete: Deus é grande!
Eis o sentimento religioso em todo seu poder.
Mas lembre-se que nossa natureza decaiu com Adão, e uma natureza decaída só pode ter um sofrimento religioso também abatido pela decadência. A natureza não pode se elevar sozinha; o sentimento religioso puramente natural não pode, de modo algum, levar o homem a Deus nem tirá-lo do pecado.
Com toda a religiosidade natural, este mesmo árabe conservará todos os vícios que infelizmente lhe são também naturais: ele será vaidoso, mentiroso, ladrão; praticará, por exemplo, a hospitalidade, mas sabendo por onde seu hóspede vai passar, mandará alguém para o assaltar, ou irá ele mesmo fazer ao longe o que não faria estando em sua tenda.
Por este traço característico a senhora poderá reconhecer o sentimento natural; este sentimento nada vê, nada quer, nada pode contra o pecado. O sentimento religioso quando permanece em estado natural, é indiferente em matéria de religião. O sentimento religioso se acomoda a tudo, se arranja com tudo, se presta a tudo e não se entrega a nada. Perdão, pode entregar-se à maçonaria, ao menos quando os maçons reconhecem o Grande Arquiteto, como ele dizem.
Tendo mostrado o primeiro quadro, chego ao segundo.
– A Fé não é um sentimento, a Fé não é da ordem natural.
– A Fé é um assentimento de nosso espírito à verdade revelada por Deus. É um bem que não deriva de nossa natureza, mas lhe é dado para curá-la.
– A Fé é essencialmente purificante. Fide purificans corda – Purificando pela Fé os corações.(At. 15,9).
– A Fé esclarece o espírito e o despoja do erro; levanta o homem caído, recoloca-o no caminho de Deus: a Fé põe as bases da obra da salvação, encaminha o homem para o bem.
– A Fé é essencialmente fortificante. Confortus fide, diz São Paulo (Rom. 4,20). E ainda, Fide stas: se estás em pé, é pela Fé (id. 11,20).
– A Fé é vivificante: o justo vive da Fé, diz São Paulo (Gal. 3,11)
– Se o sentimento religioso nos deixa frios em relação a Nosso senhor Jesus Cristo, já não é assim com a Fé; pela Fé, Nosso Senhor Jesus Cristo se torna presente, vivo em nossos corações: Christum habitare per fidem in cordibus vestris – Cristo habite pela Fé em vossos corações. (Ef. 3,17).
– A Fé é o princípio de um mundo novo, regenerado em Jesus Cristo Nosso Senhor; a Fé é a luz que anuncia os esplendores da eternidade onde veremos Deus; a Fé é a mãe da santa Esperança e da divina Caridade.
– A Fé é sobre a terra, a fonte pura de todas as verdadeiras consolações. É ainda São Paulo quem nos diz: Simul consolari per eam quae invicem est, fidem vestram atque meam – Consolemo-nos juntos na Fé que nos é comum, a vós e a mim (Rom. 1,12).
Quando se fala da Fé, São Paulo é um mestre incomparável. Dele é que tomo uma última palavra para terminar esta carta: Saluta eos qui nos amant in fide – Saudai os que nos amam na Fé.
Digamos juntos: Credo.
Cartas sobre a Fé – Pe. Emmanuel-André
Fonte:

sábado, 9 de junho de 2018

Devoção ao Sagrado Coração de Jesus - Inclui Manual de Entronização



Poder de Maria Santíssima para nos defender nas tentações




Inimicitias ponam inter te et mulierem … Ipasa conteret caput tuum – “Porei inimizade entre ti e a mulher… Ela te esmagará a cabeça” (Gen. 3,15).
Sumário. Com muita razão a Santíssima Virgem é comparada a um posto em ordem de batalha, porque ela sabe ordenar o seu poder e a sua misericórdia para confusão dos inimigos infernais e benefício dos seus devotos. Felizes de nós, se nas tentações recorrermos sempre a esta divina Mãe, invocando o seu doce nome juntamente com o de Jesus. O obséquio mais agradável a Maria é: recomendarmo-nos muitas vezes a ela e metermo-nos debaixo da sua proteção: Sub tuum praesidium confugimos, sancta Dei Genitrix – “Sob tua proteção nos refugiamos, ó santa Mãe de Deus!
****************
Maria Santíssima não é só Rainha do céu e dos Santos, mas também do inferno e dos demônios, por tê-los vencido intrepidamente com as suas virtudes. Todos os Santos Padres concordam em dizer que a Bem-aventurada Virgem é aquela mulher poderosa, prometida por Deus desde o princípio do mundo, a qual, juntamente com o Filho, deveria estar em perpétua inimizade com a serpente infernal e, a seu tempo, havia de lhe esmagar a cabeça, abatendo-lhe o orgulho. Por isso Lúcifer se vê constrangido a ficar prostrado debaixo dos pés de Maria. – O espírito maligno, para vingar a sua derrota, vira toda a sua sanha contra os devotos da divina Mãe; esta, porém, não permite que lhes cause o menor dano.
Maria foi figurada na coluna, ora de nuvem, ora de fogo, que guiava o povo escolhido para a terra prometida (1). A coluna representava os dois ofícios que a Virgem exercita continuamente para o nosso bem. Como nuvem, ela nos protege do ardor da divina justiça, e como fogo, nos defende dos demônios. Assim como os homens caem na terra quando um raio do céu lhes parece cair sobre eles, assim caem abatidos os espíritos rebeldes só ao ouvirem o nome de Maria.
Pela mesma razão a Virgem é chamada pelo divino Esposo terrível contra o poder do inferno: como um exército bem ordenado: Terribilis ut castrorum acies ordinata (2). Ela sabe ordenar bem o seu poder, a sua misericórdia e os seus rogos para confusão dos inimigos e benefício dos seus servos, que nas tentações invocam o seu poderosíssimo socorro. Como foi revelado a Santa Brígida, o orgulhoso Lúcifer antes queria que se lhe multiplicassem as penas do que ver-se dominado pelo poder de uma mulher. Feliz, pois, aquele que nas lutas com o inferno recorre sempre à divina Mãe e invoca o belo nome de Maria.
Habitua-te à bela prática de invocar sempre os nomes santíssimos de Jesus e Maria em todas as tuas necessidades, nos perigos de ofenderes a Deus e especialmente nas tentações contra a pureza (3). Digo que entre todos os obséquios que possamos prestar à Santíssima Virgem, nenhum agrada tanto a nossa Mãe como o recorrermos freqüentemente à sua intercessão e colocarmo-nos debaixo da sua poderosa proteção:Sub tuum praesidium confugimos, sancta Dei Genitrix– “Sob a tua proteção nos refugiamos, santa Mãe de Deus”.
Eis aqui a vossos pés, ó Maria, minha esperança, este pobre pecador, que tantas vezes por sua culpa se fez escravo do inferno. Reconheço que me deixei vencer pelos demônios, porque não recorri a vós, meu refúgio. Se eu tivesse recorrido sempre a vós, e vos tivesse invocado, nunca teria caído. Espero, Senhora minha amabilíssima, que por vosso intermédio já estou livre das mãos do demônio e que Deus me perdoou. Mas temo que no futuro venha a cair de novo no cativeiro do inferno. Sei que meus inimigos ainda não perderam a esperança de me tornar a vencer. Já me preparam nossos assaltos e novas tentações. Ah! Minha Rainha e meu refúgio, ajudai-me metei-me debaixo de vosso manto; não permitais que torne a ser escravo dos demônios.
Sei que vos me ajudareis e me fareis vitorioso, sempre que eu vos invocar. É este, porém, o meu receio, receio de que nas tentações eu me esqueça de chamar por vós. Eis, portanto, a graça que vos peço e de vós espero, oh Virgem Santíssima, que eu me lembre sempre de vós, especialmente quanto estiver em luta com o demônio. Fazei com que então não deixe de vos invocar freqüentemente, dizendo: Maria, ajudai-me, ajudai-me, Maria! – E quando chegar finalmente o dia da minha última contenda com o inferno, na hora da minha morte, ah, Senhora e Rainha, assisti-me então muito mais e lembrai-me de vos invocar então com mais frequência, com os lábios ou com o coração, afim de que, com o vosso dulcíssimo nome e com o de vosso Filho Jesus na boca, possa ir bendizer-vos e louvar-vos, para nunca mais me apartar dos vossos pés por toda a eternidade, lá no paraíso. (*I 69.)
  1. Ex. 13, 21.
    2. Cant. 6, 3.
    3. Indulg. de 25 dias cada vez que se invoca devotamente o santíssimo nome de Jesus, e outros tantos pela devota invocação do nome de Maria.
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II – Santo Afonso

PRÁTICA DA DEVOÇÃO A MARIA SANTÍSSIMA


O AVISO DA IRMÃ LUCIA - Os últimos tempos do mundo



Fonte:

sexta-feira, 8 de junho de 2018

A Elegância e a Etiqueta da Mulher Católica


O que é a Elegância?


A Elegância não tem nada a ver com "nariz em pé". Ela está intimamente ligada à vida Cristã. A Elegância é lícita e boa, entretanto é preciso saber o que de fato ela significa. Padre Daniel Pinheiro nesse sermão sobre modéstia explica isso e diz o seguinte:

"(...) a mulher tem uma inclinação natural a buscar agradar o homem pelo seu aspecto físico e o homem tem uma inclinação natural a deixar-se levar por isso. Vemos isso claramente no livro do Gênesis, em que Eva é apresentada a Adão, que encontra nela agrado. Se essa inclinação permanece sóbria e moderada, dentro da modéstia, ela é algo bom. Se ela se torna excessiva pela indecência, pelo excesso de ornato ou pelo luxo no ornato, ela se torna ruim. Desse modo, a modéstia não é sinônimo de deselegância. A modéstia não se opõe à elegância. A elegância é perfeitamente bem-vinda, desde que seja modesta e sem excessos, sem atrair para si os olhares".

Nesse trecho podemos ver três coisas:

1) A Elegância é lícita e completamente bem vinda;
2) A Modéstia não é sinônimo de deselegância, uma mulher modesta pode e deve ser elegante;
3) É preciso equilibrar as duas coisas para não cair em pecados.

Quanto falamos a palavra "elegância" imaginamos uma mulher bem vestida, mas a elegância vai muito além das vestes, não é apenas na aparência externa mas também comportamentos, modos, o agir na hora certa, o que falar, como proceder, apresentação, etc. A Elegância é algo difícil de definir, podemos dizer que é um modo de vida e um modo de se comportar. 

Assim dizia o Rei Salomão: “Como joia de ouro em focinho de porco, assim é a mulher formosa que não tem discrição” (Provérbios 11,22). Ou seja, a discrição é um ponto fundamental para ser elegante, e perceba o quanto está relacionada à virtude da Modéstia, que também é bíblica:

“Da mesma forma, quero que as mulheres se vistam modestamente, com decência discrição, não se adornando com tranças e com ouro, nem com pérolas ou com roupas caras, mas com boas obras, como convém a mulheres que declaram adorar a Deus”(1 Timóteo 2,9-10).

"O vosso adorno não seja um enfeite exterior, como as tranças nos cabelos, o uso de jóias de ouro, ou o luxo dos vestidos mas seja o do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito manso e tranquilo, que és, para que permaneçam as coisas." 1 Pedro 3-3,4

Ser elegante não significa ter dinheiro, ser elegante não significa usar apenas roupas de marcas caras e famosas, ser elegante não significa luxo. Imagina uma mulher rica, que se adorna, está sempre impecável, compra roupas caras e jóias. E esta mesma mulher maltrata / zomba de uma mulher mais simples, ela está sendo elegante? Certamente não. Quem sabe a mulher simples, humilde era mais elegante que a senhora soberba e arrogante que a maltratou. Portanto podemos perceber que a elegância não é uma "carcaça" de aparência, mas é algo interior. Se tentássemos embelezar um porco com joias ele continuaria sendo…um porco. Os adornos e jóias não mudam a essência do animal e também não muda a nossa. Sendo assim, separamos por temas como ser uma pessoa Elegante e Modesta. Ambas as virtudes devem estar relacionadas. Acompanhem.

1. Seja discreta e modesta



A discrição é importante para ser uma mulher elegante. Não chamar a atenção pra si mesma, não chegar em locais gritando, falando alto, não se exaltar, saber se impor sem fazer escândalo, silenciar quando preciso dentre uma série de condutas importantes. Essa discrição é um ato interno, que deve ser trabalhado. Também temos a discrição no vestir, que está relacionada com a virtude da modéstia no vestir: Não usar roupas muito chamativas, com excesso de brilho, onde você será o centro das atenções (as vezes até cafona), saber combinar as cores, sapatos, roupas, acessórios, não usar roupas escandalosas e imodestas / indecentes. Uma mulher que usa roupas provocativas / colantes não é elegante, é vulgar. Não busque chamar a atenção para si, seja por roupas ou comportamentos. “Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens.” (Filipenses 4,5). A Mulher elegante não é consumista, exagerada, e nem uma vítima da moda, ao contrário tem uma sobriedade no vestir.

2. Seja Humilde 


Uma mulher elegante é sempre humilde. Não humilha o próximo, não empina o nariz se achando melhor que os outros, não zomba de outras mulheres. Inclusive a zombaria pode até ser pecado mortal segundo o doutor Angélico São Tomás de Aquino, principalmente quando se zomba de alguma virtude. Uma mulher elegante sabe se portar com o próximo o tratando com caridade, sem mentir, zombar, ferir. Quando questionada sobre algum tema responde de forma honesta e séria, sem precisa humilhar o próximo para conseguir o que quer.

A pessoa humilde quer sempre ocupar o último lugar, não quer ser elogiada e ser bem vista pelo mundo, mas somente por Deus. Os Santos sempre queriam ser mal vistos pelo mundo e assim teriam maior glória no céu. Eles sempre nos ensinaram que é preciso se desprender do amor próprio e não querer as honras do mundo, para assim ser amado por Deus. Santo Afonso de Ligório diz:

"Quem desejar, pois, atingir a caridade perfeita, deverá praticar a pobreza de espírito em seu sentido mais amplo. Em primeiro lugar, deverá desprender-se dos bens da terra; em segundo lugar, das honras deste mundo; em terceiro lugar, de seus semelhantes e, em quarto lugar, de si mesmo." [1]

E ainda o mesmo santo diz: "Se quisermos pertencer a Deus devemos renunciar ao apego aos bens deste mundo. Quem aspira os bens terrenos diz S. Felipe Néri, nunca se tornará santo. As riquezas que devemos desejar são as virtudes e não os bens temporais, diz S. Próspero; a caridade, a piedade, a humildade, a mansidão constituirão a nossa grandeza no céu, depois de nos haverem auxiliado na terra no combate contra os inimigos de nossa salvação." [1]

Uma mulher elegante é humilde, e esta virtude não é necessária somente para ser elegante, mas também para ser uma mulher virtuosa, que agrada a Deus, uma mulher que Ama a Jesus Cristo de todo coração. 

Uma mulher verdadeiramente humilde não quer aparecer, não se exibe. O que mais vemos hoje é exibicionismo, pessoas que querem aparecer, mostrar que tem dinheiro, posse, classe, posição. E esse exibicionismo ocorre dentro das Igrejas, nas ruas, no trabalho e até nas redes sociais. Fazer por exemplo um book fotográfico com milhares de fotos em todas as posições para ficar constantemente sendo vista e elogiada não é ser elegante, tem pessoas que só não tiram foto e postam "eu no banheiro" porque não tiveram coragem ainda, mas quem sabe ainda veremos esses tipo de coisa facebook afora. Isso é ser verdadeiramente humilde? Ou exibicionismo? Precisamos mesmo ficar nos expondo o tempo inteiro para ganhar elogios?

As vezes se ocultar faz bem a nossa alma. Todos nós temos essa má inclinação em exaltar a si mesmo, gostar de ser elogiada, amada, paparicada, mas essas inclinações devem ser combatidas e mortificadas para quem quer de fato agradar a Deus. Assim diz Santo Afonso de Ligório:

"O orgulhoso é como um balão cheio de vento que se sente grande diante de si mesmo. Na verdade toda a sua grandeza se reduz a um pouco de ar que se esvai rapidamente, quando o balão se rompe. Quem ama a Deus é verdadeiramente humilde. Não se orgulha vendo em si algumas boas qualidades. Sabe que tudo quanto possui é dom de Deus; de seu, só tem o nada e o pecado. Por isso conhecendo os dons concedidos por Deus, mais se humilha, sentindo-se indigno e tão favorecido por Deus." [2]

E ainda ele continua mais adiante: "Dizia Santa Teresa: 'Não acrediteis ter progredido na perfeição, se não vos julgardes piores de todos e se não desejais ser tratados como os últimos. Assim fazia Santa Teresa e todos os outros santos. São Francisco de Assis, Santa Maria Madalena de Pazzi e outros julgavam-se os maiores pecadores do mundo." [2]

exibicionismo nas redes sociais hoje em dia virou uma marca do nosso tempo. Um lugar onde as pessoas muitas vezes passam uma imagem do que não são, se exibem com milhares de fotos, até mesmo indecentes e imodestas quando não semi-nuas (biquinis, maiôs, shorts) e ficam esperando serem louvadas e admiradas. Época decadente a nossa, que tristeza. Obviamente não é errado tirar uma foto ou outra, com amigos, com familiares, algo curioso, mas essa atitude é bem diferente de fazer para se exibir e chamar a atenção, ou para ser louvada, admirada, para levantar seu ego. Temos que ter discernimento para separar as coisas, tudo depende da intenção em que colocamos no ato. Portanto aqui vão algumas dicas: Antes de postar uma foto nas redes sociais pense: para quê estou postando? Porque? Para ser louvada? Porque me achei linda, maravilhosa? Porque quero que as pessoas apreciem a saia nova e cara que comprei? Para que as pessoas fiquem comentando abaixo: 'linda' 'parabéns', etc. 

Assim diz Santo Agostinho"Não há riqueza mais perigosa do que uma pobreza presunçosa." Querem ser de fato mulheres piedosas, elegantes, humildes e virtuosas? Pense nas suas atitudes, pense antes de falar, antes de fazer as coisas, analise com calma a situação e lute contra si mesma! Você que está lendo esse artigo e se identificou, saiba que não é a única que tem essa tendência de se exibir, todas as mulheres já a possuem naturalmente e justamente por isso é necessário a mortificação e negação de si próprio. A bíblia também fala da humildade e a necessidade de não se vangloriar:

“Seja outro o que te louve, e não a tua boca; o estrangeiro, e não os teus lábios.” (Provérbios 27,2)

E ainda um bom sacerdote fala sobre o tema: "Incluída na virtude da modéstia, está não somente a humildade - se queremos praticar essa virtude plenamente temos que ser humildes - mas também incluído está como a pessoa se veste, muitos hoje estão cegos para necessidade de praticar essa virtude, que é desesperadamente necessária na nossa cultura atual." Fr. Dominic Mary.

3. Seja Amável com o próximo e tenha mansidão



Uma mulher elegante é amável no trato com o próximo, não trata mal, não humilha os outros. É sempre mansa, pura, e amável. Cremos de fato que não é fácil agir assim em todas as ocasiões pois somos pecadores e temos inclinações ruins, entretanto é extremamente necessário lutar contra nós mesmos e vencer as tentações. O importante não é se você já cometeu estes pecados, mas o que você fará para mudar daqui para frente e se de fato quer mudar.

Como já viram que nosso blog ama Santo Afonso de Ligório,continuaremos citando esse doutor da Igreja sobre as virtudes necessárias para ser Modesta e Elegante. Continuemos, ele diz:

"O espírito de mansidão é próprio de Deus. 'Meu Espírito é mais doce do que o mel'. A pessoa que ama a Deus, ama a todos os que são amados por Deus, isto é, todos os homens. Por isso procura sempre socorrer, consolar, contentar a todos na medida do possível. Eis o que diz São Francisco de Sales, mestre e modelo da mansidão: 'A humilde mansidão é a virtude das virtudes que Deus tanto nos recomendou. É necessário praticá-la sempre e em toda parte. (...) Diz São Francisco de Sales: 'Não há nada que tanto edifique o próximo como a caridosa benignidade no trato.' Ele tinha ordinariamente o sorriso nos lábios. Sua aparência, suas palavras, suas maneiras respiravam mansidão. São Vicente de Paulo afirmava jamais ter conhecido um homem mais manso, parecendo-lhe ver a imagem viva da bondade de Jesus Cristo."  [2]

Portanto a amabilidade e mansidão são características de uma mulher também Elegante. A bíblia diz:

"Revesti-vos pois, como eleitos de Deus, santos e amado, de coração compassivo, de benignidade, humildade mansidão, longanimidade." Colossenses 3,12

"E ao servo do Senhor não convém contender mas sim ser brando para com todos, apto para ensinar, paciente." 2 Timóteo 2,24

"Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente pura depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia." São Tiago 3,17

Para ser elegante e modesta não fale palavrões: "Nem baixeza, nem conversas tolas, nem gracejos indecentes, coisas essas que não convém; mas antes ações de graças." Efésios 5,4


"Mas agora despojai-vos também de tudo isso: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes de vossa boca." Colossenses 3,8

4. Seja honesta


Quem nunca falou isso: "Diz que eu não tô" quando toca o telefone ou então "Inventa uma desculpa". "To chegando" quando nem saiu de casa? A mulher elegante é honesta, não mente, não inventa, não deturpa, é pontual, e quando se atrasa explica-se ao menos e pede desculpas. Mentira pequena ou grande é pecado. Uma mentira grande pode ser pecado mortal, pois viola um dos mandamentos da Lei de Deus que é "Não julgar falso testemunho". Uma mentira por brincadeira pode ser pecado venial. Assim diz São Francisco de Sales: "Mentir por exemplo, habitualmente e com gosto é muito diferente do que mentir uma ou duas vezes por brincadeira. Não podemos preservar-nos completamente de todo pecado venial de tal sorte que nos conservemos por muito tempo nessa perfeita pureza da alma; o que com a graça de Deus podemos é destruir o afeto ao pecado venial, e para isso é que nos devemos esforçar. (...) qualquer pecado venial, por menor que seja, desagrada a Deus." [3]

Não é elegante uma mulher mentirosa, cínica, e que não cumpre com sua palavra. A bíblia também condena tais atos, vejam:

"Malho, e espada, e flecha aguda é o homem que levanta falso testemunho contra seu próximo."Provérbios 25,18

"Pesos fraudulentos são abomináveis ao Senhor e balanças enganosas não são boas." Provérbios 20,23

"O Senhor odeia os lábios mentirosos mas se deleita com os que falam a verdade." Provérbios 12,22

"Pois zelamos o que é honesto, não diante do Senhor, mas também diante dos homens." 2 Corintios 8,21

Isso incluí muitos outros fatores em relação à honestidade: devolver o troco quando vemos que a pessoa errou, devolver uma carteira com dinheiro sem tocar nele, e outras "pequenas corrupções" que também são pecados: Roubar sinal de antenas pagas (muito comum), falsos atestados médicos, mentiras no trabalho por conveniências, etc. Existem mil maneiras de ser uma pessoa desonesta sem se dar conta. E a elegância de uma pessoa está aí refletida também.


5. Seja Caridosa e Generosa


"Acolhe os necessitados e estende às mãos aos pobres" (Provérbios 31,21). A Caridade é uma virtude cristã, tão importante até mesmo para nossa salvação, assim diz São Tiago: "A fé sem obras é morta." (Tg 2,26). É preciso dar pão aos que tem fome, água aos que tem sede. E sem se vangloriar por isso, assim nos diz o Senhor: "Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu. Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa". (Mateus 6-1,2). 

6. Fique longe de Fofoca e Maledicência


Assim diz o Padre Daniel Pinheiro: "A língua é pequeno membro do nosso corpo, mas grande é a sua importância e a sua influência sobre a nossa vida espiritual. Com a língua podemos louvar a Deus, adorá-lo, rezar, fazer Deus conhecido, podemos edificar o próximo. Com a língua, podemos favorecer as virtudes. Todavia, com a língua podemos também pecar contra praticamente todas as virtudes, o que leva o Apóstolo São Thiago a dizer: “Também a língua é um fogo, um mundo de iniqüidade. A língua está entre os nossos membros e contamina todo o corpo; e sendo inflamada pelo inferno, incendeia o curso da nossa vida.” Podemos pecar contra a virtude de religião, blasfemando, falando mal de Deus ou dos santos, por exemplo. Podemos pecar contra a humildade alardeando nossas próprias qualidades. Podemos pecar contra a castidade, com linguajar baixo ou de duplo sentido, por exemplo. Podemos pecar contra a virtude da veracidade, mentindo. Todavia, os pecados mais comuns que se cometem com a língua são os pecados contra a justiça e contra a caridade. Nós podemos pecar fazendo juízos temerários, fazendo injúrias ou, amaldiçoando, etc. Falaremos hoje dos pecados da língua que atingem a fama, a boa fama do próximo. Esses pecados da língua que atingem a fama são os pecados de difamação". Você pode ler sobre isso em específico no link: [Sermão]: Os pecados da língua: a detração, ou maledicência e a calúnia.


Uma mulher elegante não fala mal do próximo, não o calunia, não inventa mentiras, é calma e comedida, sabe se portar. Imagina a seguinte cena: duas senhoras muito bem vestidas sentadas em um restaurante frequentado pela classe alta. Chegam com um carro importado e uma aparência de quem tem dinheiro. Agora imagina estas duas senhoras sentarem a mesa e começarem a falar mal de outras pessoas, de outras mulheres, criticando, julgando, rindo, debochando, bebendo demais etc. Poderíamos dizer que são senhoras elegantes? Certamente não. Por isso percebemos que é o nosso porte, o nosso comportamento que vai dizer se de fato somos elegantes e se essa elegância está moldada com a decência cristã que os santos e a Igreja sempre nos ensinaram. 

"O que guarda sua boca preserva a sua vida; mas o que muito abre os seus lábios traz sobre si a ruína."Provérbios 13,3


7. Ser Elegante e Modesta não é o mesmo que ser relativista



Tudo o que falamos aqui é extremamente importante para ser elegante e uma modesta filha de Nossa Senhora. Entretanto não podemos deturpar o verdadeiro sentido da caridade cristã, do amor ao próximo e mansidão que são virtudes importantes. 

Santo Afonso de Ligório disse (como viram atrás) que São Francisco de Sales é um modelo de mansidão. Sempre estava sorrindo, bem humorado, alegre e tratava bem a todos, entretanto sabemos muito bem que ele não foi relativista, ou seja, não aceitava de bom grado os erros da sociedade para agradar os outros. Aceitar o erro / o pecado para agradar o outro se chama "Respeito humano" e isso é pecado e é demoníaco quando é causa de ofensa a Deus. Silenciar no momento errado pode ser pecado também por exemplo quando vemos alguém atacando a Igreja e não a defendemos. É nosso dever e obrigação defender a nossa fé. "Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da vossa esperança." (1 Pd 3, 15).

O próprio São Francisco de Sales, exemplo de amor e mansidão não deixava de condenar os erros quando preciso, no livro Filoteia, ele diz o seguinte:

“Os inimigos declarados de Deus e da Igreja devem ser difamados tanto quanto se possa, desde que não se falte à verdade, sendo obra de caridade gritar ‘eis o lobo!’ quando está entre o rebanho ou em qualquer lugar onde seja encontrado.” [3]

Portanto, podemos ver que é perfeitamente possível e até mesmo necessário condenar os erros e heresias, e isso também é um ato de caridade de nossa parte. 

Outro santo que não media palavras para condenar os erros era São Pe. Pio de Pietrelcina. Chegava a chamar as mulheres imodestas no confessionários de "porcas". Ele não errou em fazer isso. Por que? a) Ele não mentiu. Ele falou a verdade; b) Não foi intuito zombar de alguém gratuitamente; c) Não quis zombar de uma virtude, mas alertou uma pessoa que estava cometendo um erro. d) É dever de todo sacerdote orientar as mulheres e homens quanto a modéstia, ele estava fazendo seu dever. Dentre outras razões. Assim ele também nos dizia:

"Eu quero que todos vocês meus queridos filhos espirituais, combatam com o exemplo, e sem respeito humano uma santa batalha contra a moda indecente. Deus estará com vocês e irá salvá-los." São Pe. Pio de Pietrelcina

"Sem respeito humano". Ou seja: sem medo de dizer a verdade para agradar aos outros. Sem ocultar a verdade para ser bem visto, ou agradável. Dizer a verdade também é um ato de caridade. Sejamos portanto, caridosos. 

8. Beleza e Boa apresentação


Assim diz o Papa Pio XII“Sem dúvida o vestir obedece ao familiar requerimento de higiene, decência, e adorno.” (Pio XII, 8 de novembro de 1957). E ainda: "Alguns aspectos gerais da moda - Sem dúvida ele obedece às muito bem conhecidas exigências da higiene, do pudor e do decoro. São três necessidades tão profundamente radicadas na natureza, que não podem ser ignoradas nem contrariadas sem provocar repulsa e dano. Conservam seu caráter de necessidade hoje como ontem; verificam-se quase em todas as raças; reconhecem-se sob cada forma da longa sucessão na qual se concretizou, histórica e etnologicamente, a necessidade natural da veste. É importante notar a estreita e solidária interdependência entre as três exigências, não obstante brotarem de fontes diversas: uma do lado físico, outra do espiritual, a terceira do complexo psicológico artístico".

Portanto três coisas são importantes: Higiene, pudor, decoro. E seguindo estas três coisas é possível também ser uma mulher elegante. Na verdade a elegância está sempre relacionada à modéstia.  Pense no seguinte: Uma mulher muito bonita, bela, com o corpo esbelto, sabe se portar, mas sai semi nuas em revistas (só de calcinhas) poderia ser considerada elegante? Certamente não é elegante, nem decente uma mulher mostrar o corpo para ser objeto de cobiça para os homens. O mundo costuma enaltecer esse tipo de mulher. No passado como podem ver no link "canonizados pelos mundanos", e no presente com tantas outras que fazem parte do cinema brasileiro, no exterior, que estão presentes nas novelas e filmes. Uma mulher vulgar não pode ser elegante nunca. Se uma mulher mostra seu corpo com leggings, shorts, calças coladas não poderá nunca seguir a moral católica e agradar Nosso Senhor. É o mesmo que colocar "um colar de pérolas em um focinho de porco" como a bíblia nos diz. É bela, bonita, se porta bem, se enfeita, mas é imodesta, vulgar e algumas nem o espírito Cristão possuem. Beleza não é sinônimo de elegância! Uma mulher pode ser bonita, linda, ter traços femininos, corpo esbelto e entretanto não ser elegante nem modesta! É claro que uma mulher usando legging é bonita, entretanto vulgar. 

Portanto, estas três palavrinhas devem estar relacionadas: Higiene, pudor, decoro. Na questão da Higiene, vemos o quanto é agradável conversar com uma mulher que se cuida: Unhas limpas, cabelo bem cuidado, sem relaxamentos etc. 

9. Vaidade Fútil versus Modéstia Santa.


Existe muita diferença entre se adornar de uma forma pura e ser extremamente vaidosa a ponto de cometer pecados. Lembramos então de um dos 7 pecados capitais: A soberba. 

A soberba é conhecida também como vaidade ou orgulho. Está associado ao orgulho excessivo, arrogância. Segundo São Tomás de Aquino, a soberba é um pecado tão grande que está fora de série, devendo ser tratado em separado do resto e merecendo uma atenção especial. A Santa Igreja então, decidiu unir a vaidade à soberba, acreditando que neles havia um mesmo componente de vanglória

“Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2.3).

São Tomás de Aquino portanto, chama a soberba de Mãe de todos os pecados, pois o soberbo coloca a si mesmo acima do amor a Deus. A Soberba é um sentimento negativo caracterizado pela pretensão de superioridade sobre as demais pessoas. O soberbo se basta. Uma pessoa que tem soberba as vezes nem percebe que é, por tão habitual a si próprio que seu comportamento se tornou. Um pequeno elogio se transforma numa verdade absoluta. Basta um "Este é o cara", para o fulano se julgar de fato ‘o cara’ e passar a agir como tal. Para o soberbo, tudo que ele faz tem um sentido maior, mesmo que outras pessoas já tenham feito algo parecido: seu discurso é o melhor, seu trabalho é o melhor, suas aulas são as melhores, seu modo de agir é o exemplo a ser copiado por todos, pois é o melhor. "Os outros são os outros e só". Para ele não basta ser um urso; tem de ser um urso pardo, o maior dentre todos. Resumindo o Soberbo se acha melhor que os outros, algumas características de uma pessoa soberba:

a) Quer sempre ser louvado e elogiado;
b) Quer ser o centro das atenções;
c) Se acha melhor que os outros;
d) Humilha os outros / zomba / etc;
e) Sempre quer mostrar as coisas que tem: dinheiro, vários empregados, roupas caras, precisa sempre que os outros o vejam como "o cara" literalmente. Dentre outras coisas que são totalmente opostas a humildade.

Uma pessoa soberba jamais pode ser elegante, pois fere praticamente todas as qualidades que descrevemos acima. Justamente por isso São Tomas de Aquino afirma que é um pecado que deve ser levado em conta separado dos outros, porque geralmente é a causa dos demais.

"S. Tomás definiu o orgulho/soberba como um extraordinário amor à nossa própria excelência. O homem orgulhoso deseja, de fato, parecer superior ao que ele realmente é: essa é a falsidade em sua vida. Orgulho é, como diz S. Agostinho, um amor perverso pela grandeza."[4]

"Pela soberba/orgulho, nós nos achamos melhores que todo mundo, não respeitando o próximo e passando por cima de tudo e de todos. O soberbo se torna o seu próprio Deus, pois a glória de tudo o que você faz sempre vai para você mesmo. O seu umbigo passa a ser o centro do universo". [4]

"Ser soberbo é querer ser melhor que os outros, aparecer mais, não tolerar competidores. Não podendo vencê-los os diminui, ridiculariza. O soberbo olha o mundo ao redor de si, achando-se o centro do universo, e que fora do seu umbigo não há salvação. Ele é o próprio deus sol, o centro de tudo. Na escola, no trabalho, no cotidiano, conhecemos muitas pessoas assim. Alguns fingem ser o que não são, são como gralhas com penas de pavão, que desmascaradas, são enxotadas do mundo dos ricos e dos sábios, e ridicularizadas no seu próprio meio. Como todo pecado avaliado pela igreja como capital (pois vem do latim: caput, cabeça) a soberba/orgulho traz consigo um leque de “amigos”, todos de uma forma ou de outra ligados a ela. São amigos da soberba/orgulho: a luxuria, a altivez, a presunção, a vaidade, e a arrogância". [4] Mais algumas frases dos santos sobre o tema: 

"O Orgulho não é grandeza, é inchaço. E o que está inchado parece grande mas não é saudável." Santo Agostinho

"Muitas vezes, vangloria-se o homem do seu desprezo à vanglória". Santo Agostinho.

Podemos perceber o quanto a vaidade está relacionada à soberba e vanglória. E a vaidade no porte de forma exagerada também entra nesse quesito. Não é em vão que várias vezes a bíblia nos alerta:

“Da mesma forma, quero que as mulheres se vistam modestamente, com decência e discrição, não se adornando com tranças e com ouro, nem com pérolas ou com roupas caras, mas com boas obras, como convém a mulheres que declaram adorar a Deus”. (1 Timóteo 2,9-10).

"O vosso adorno não seja um enfeite exterior, como as tranças nos cabelos, o uso de jóias de ouro, ou o luxo dos vestidos mas seja o do íntimo do coração (...)" (1 Pedro 3-3,4)

Portanto tomemos cuidado com a Vaidade fútil, ou melhor dizendo, com a Vaidade pecaminosa trajada de "elegância". Aquela pessoa que se acha melhor que os outros que diz estar sempre "impecável", quer sempre os melhores vestidos, as melhores marcas, de preço alto, quer um topete enorme na cabeça e um nariz empinado. Cuidado, estas pessoas não são elegantes, elas são o oposto da elegância! 

Um Texto para meditação sobre o tema: Jesus fala à Santa Angela de Foligno sobre a Vaidade

Como dizia São Felipe Néri"Eu prefiro o Paraíso!" Exatamente essa é a frase de uma mulher católica realmente. Eu prefiro o paraíso. Ela é boa, generosa, é modesta, é discreta, se esconde, não se exibe, é bonita, sabe se portar, não sacrifica o que mais agrada a Deus pelo louvor de si próprio. Ela é o que a bíblia chama de Mulher Virtuosa. Temos que almejar isso! Deus nos ajudará, porque é possível! 

Acabou? O Artigo ficou realmente enorme, mas não acabou! Aguardem os próximos artigos sobre o tema: A Elegância e a etiqueta da Mulher Católica. Salve Maria.

"A Beleza é enganosa, e a formosura é passageira; mas a mulher que teme ao Senhor será elogiada. Que ela receba a recompensa merecida e as suas obras sejam elogiadas à porta da cidade." 
Provérbios 31-30,31

"A beleza é realmente um bom dom de Deus; mas que os bons não pensem que ela é um grande bem, pois Deus a distribui mesmo para os maus. "
Santo Agostinho

Fontes:
[1] Santo Afonso de Ligório - Escola da Perfeição Cristã.
[2] Santo Afonso de Ligório - A Pratica do Amor a Jesus Cristo.
[3] São Francisco de Sales - Filoteia.
[4] Padre Alírio: Tirado do link.
Fonte: