
“Amortalhou-O no sudário, e depositou-O no sepulcro”
Sumário. Consideremos como a Mãe dolorosa quis acompanhar os discípulos que levaram Jesus morto à sepultura. Depois de O ter acomodado com suas próprias mãos, diz um último adeus ao Filho e ao sepulcro, e volta para casa, deixando o coração sepultado com Jesus. Nós também, à imitação de Maria, encerremos o nosso coração no santo tabernáculo, onde reside Jesus, já não morto, mas vivo e verdadeiro como está no céu. Para isso é mister que o nosso coração esteja desapegado de todas as coisas da terra.
Quando uma mãe assiste a seu filho que padece e morre, sem dúvida ela sente e sofre todas as penas do filho; mas quando o filho atormentado, já morto, deve ser sepultado e a aflita mãe deve despedir-se dele, ó Deus! O pensamento de o não tornar a ver é uma dor que excede todas as outras dores. Essa foi a última espada que traspassou o coração aflito de Maria.
Para melhor considerá-la, voltemos ao Calvário e observemos atentamente a aflita Mãe, que ainda tem abraçado seu Jesus morto e se consome de dor ao beijar-Lhe as chagas. Os santos discípulos, temendo que ela expirasse pela veemência da dor, animaram-se a tirar-lhe do regaço o depósito sagrado, para o sepultarem. Com violência respeitosa tiraram-lh’O dos braços, e embalsamando-O com aromas, envolveram-No em um sudário adrede preparado. Eis que já O levam à sepultura; já se põe em movimento o cortejo fúnebre. Os discípulos carregam o corpo exânime; inúmeros anjos do céu O acompanham; as santas mulheres O seguem e juntamente com elas vai a Mãe aflitíssima, acompanhando o Filho à sepultura.
Chegados que foram ao lugar destinado, a divina Mãe acomoda nele com suas próprias mãos o corpo sacrossanto; e, ó! Com quanta vontade Maria se sepultaria ali viva com seu Jesus! Quando depois levantaram a pedra para fechar o sepulcro, afigura-se-me que os discípulos do Salvador se voltaram para a Virgem com estas palavras: Eia, Senhora, deve-se fechar o sepulcro: tende paciência, vede pela última vez o vosso Filho e despedi-vos d’Ele. Ah! Meu querido Filho (assim deve ter falado então a aflita Mãe), não te hei então de tornar a ver? Recebe, pois, nesta última vez que te vejo, recebe o último adeus de mim, tua afetuosa Mãe.
Finalmente os discípulos levantam a pedra e encerram no santo sepulcro o corpo de Jesus, aquele grande tesouro, a que não há igual nem na terra nem no céu. Diz São Boaventura, que a divina Mãe, antes de deixar o sepulcro, abençoou aquela sagrada pedra. E assim dando o último adeus ao Filho e ao sepulcro, volta para sua casa, mas deixa o seu coração sepultado com Jesus.
Sim, porque Jesus é todo o seu tesouro, e, como disse Jesus: “Onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. E nós, onde teremos sepultado o nosso coração? Talvez nas criaturas? No lodo? E porque não o teremos sepultado com Jesus, o qual, bem que subido ao céu, contudo quis ficar, não morto, mas vivo, no Santíssimo Sacramento do altar, precisamente para ter consigo e possuir os nossos corações? Imitemos, pois, Maria; encerremos os nossos corações no santo Tabernáculo, para não mais o tornarmos a tomar. Entretanto, colocando-nos em espírito com a dolorosa Mãe junto ao sepulcro de Jesus, unamos os nossos afetos com os de Maria e digamos com amor:
Ó meu Jesus sepultado! Beijo a pedra que Vos encerra. Mas ressuscitastes ao terceiro dia. Ah! Pelos méritos de vossa gloriosa ressurreição, fazei com que no último dia eu ressuscite convosco na glória, para estar sempre unido convosco no céu, para Vos louvar e amar eternamente. Eu Vo-lo peço pela vossa paixão, e pela dor que sentiu a vossa querida Mãe, quando Vos acompanhou ao sepulcro.
As promessas de Nossa Senhora para quem medita suas dores
Nossa Senhora revelou à Santa Brígida da Suécia sete promessas para os devotos das suas Dores. Essa devoção, profundamente enraizada na espiritualidade católica, nos convida a unir nossas aflições às de Maria, encontrando nela um modelo de fortaleza e fidelidade a Deus.
Ao contemplarmos seus sofrimentos, aprendemos a perseverar na fé mesmo nas provas, confiando que ela nos acompanha e intercede por nós junto a seu Filho. Com imenso amor materno, Maria promete graças especiais àqueles que acolhem essa devoção com sincera devoção e confiança.
Paz nas dificuldades.
Proteção especial em tempos de tribulação.
Maior compreensão dos mistérios divinos.
Consolo e força nas provações.
Intercessão especial na hora da morte.
Defesa contra os ataques espirituais.
Graça de alcançar a felicidade eterna.
A importância das Sete Dores de Maria na espiritualidade católica
A devoção às Sete Dores de Maria é um convite para meditarmos sobre o sofrimento, mas com uma perspectiva de fé, aprendendo a suportá-lo. Maria, em sua vida, experimentou momentos de dor profunda, mas sempre com confiança inabalável em Deus. Sua entrega e perseverança são um exemplo de como devemos lidar com nossas próprias dificuldades.
Através da meditação dessas dores, aprendemos a suportar o sofrimento com paciência e esperança, unindo-nos aos sofrimentos de Jesus e de Maria. Oferecer nossas dores a Deus, como Maria fez, é um caminho de santificação e de confiança no plano divino. Em cada dor, encontramos uma oportunidade de nos aproximarmos mais de Deus, tornando-nos mais fortes na fé e mais generosos em nossa entrega ao Senhor.
As Sete Dores de Maria são um convite para aprofundar nossa relação com a Mãe de Deus. Por meio dessa devoção, aprendemos a confiar na providência divina, mesmo nos momentos mais difíceis. Maria é um modelo de fé, coragem e entrega, que nos ensina a aceitar a cruz com esperança.
Sua vida é um testemunho de que, mesmo diante da maior dor, a esperança na ressurreição e na promessa divina deve prevalecer. Ela nos convida a segui-la no caminho da cruz, com fé, sabendo que temos o auxílio divino e a ressurreição é uma recompensa final para todos os que perseveram.











