quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

“Vida e milagres de São Bento”

 Detail of stained glass window depicting face of St. Benedict of Nursia

Logo de início, devemos dizer que esta é a única fonte próxima que temos sobre São Bento. Foi escrita, num estilo histórico-catequético, pelo Papa São Gregório Magno († 604), antigo abade do mosteiro de São Sérgio em Roma.

Ela narra que nosso santo nasceu, no ano 480 aproximadamente, de uma nobre família, na região de Núrsia, e, na idade oportuna, foi enviado pelos pais a Roma a fim de estudar as Letras, como se dizia na época. Temendo, no entanto, os perigos do mundo, retirou-se dele e, logo depois, se fez monge eremita (solitário), numa gruta, em Subiaco. Aí, passou três anos lutando contra as tentações advindas do demônio e da carne, mas ele as enfrentava com o poder da oração (o sinal da cruz contra o maligno) e da penitência (frente aos ataques contra a castidade), até ser encontrado por pastores daquela região, que dele se aproximaram, recebendo belas doutrinas e ofertando-lhe ajuda material.

Fama

Eis que a fama de Bento se espalhou e um grupo de monges não muito distante de Subiaco pediu, com insistência, que ele aceitasse ser seu abade. Depois de muitas recusas, o homem de Deus aceitou, finalmente, a incumbência, mas impôs aos seus novos filhos na vida monástica normas sérias. Os monges acostumados à vida fácil recusaram, no entanto, as diretrizes do novo abade e ainda tentaram matá-lo com uma taça de vinho envenenada. Bento, no entanto, como de costume, com o sinal da cruz, venceu o mal fazendo, a certa distância, o cálice de vinho se espatifar em pedaços.

Diante desse atentado, nosso santo deixou os monges mal intencionados e “retornou então ao lugar de sua amada solidão, pretendendo viver sozinho, sob o olhar de Deus. Mas como ia crescendo em virtudes e milagres, muitos seguidores se congregaram no local para, sob sua direção, se consagrarem ao serviço de Deus; de sorte que com o auxílio de Nosso Senhor Jesus Cristo, foram construídos ali doze mosteiros; para cada um deles Bento designou um abade e designou doze monges; conservou consigo somente uns poucos, que preferiu continuar formando pessoalmente” (p. 13-14).

Atos prodigiosos

Por um tempo, a vida do homem de Deus seguiu o seu curso normal com a realização de impressionantes atos prodigiosos, bem como a formação de seus monges e também de leigos necessitados que, de perto ou de longe, vinham procurá-lo. Eis, porém, que, de novo, a santa fama de Bento causou gratuito incômodo a um clérigo e este se pôs a persegui-lo. Colocou, inclusive, sete moças seminuas para dançarem despudoradamente no jardim do mosteiro a fim de perverterem o próprio santo e/ou seus monges.

O abade, vendo aquilo, decidiu distribuir os integrantes do seu cenóbio nas abadias vizinhas e sair ele mesmo com outro grupo para Monte Cassino – região montanhosa entre Nápoles e Roma, mais precisamente a 138 km de Roma e a 77 km de Nápoles – com a intenção de não mais incomodar o clérigo raivoso. Aí, continuou erigindo, espiritual e materialmente, o mosteiro e realizando prodígios. São Gregório narra até mesmo milagres de primeira grandeza como, por exemplo, a ressurreição de um morto (cf. p. 106-107).

Popularidade

Tendo levado uma vida tão cheia de Deus, escrito a Santa Regra, feito milagres e realizados fatos providenciais, anunciou aos monges, seis dias antes, a sua própria morte. Mandou cavar a sepultura e, no dia marcado para entregar sua alma a Deus, quis ir à capela. Ali, sustentado pelos braços dos irmãos, de pé, rezando entre eles, exalou o seu último suspiro. Foi sepultado na cova que pedira para abrir junto à igreja de São João Batista, logo tornada local de peregrinações e onde, por sua intercessão, Deus opera milagres de curas e de libertações dos mais diversos males que acometem os seres humanos de todos os tempos e lugares (cf. p. 117-120).

São Bento, inspirador de numerosas fundações monásticas, também goza de grande popularidade entre o Povo de Deus, que o invoca – junto com São José – como padroeiro da boa morte, além de recorrer à sua já célebre medalha usada no combate às maldades espirituais e humanas, contra doenças, especialmente as contagiosas, contra picadas de serpentes e de outros animais peçonhentos ou na proteção de animais domésticos, de veículos etc.

Ante tudo isso, pedimos: São Bento, rogai por nós que recorremos a vós!

Entenda o uso do escapulário

 szkaplerz z Maryją

Mesmo sendo uma das devoções católicas mais populares, há muitas pessoas que desconhecem sua origem e significado autênticos, pelo que, infelizmente, não é raro ver quem a subestime ou reduza a uma espécie de "amuleto" de superstição, fato é, no entanto, que a festa de Nossa Senhora do Carmo, que a Igreja celebra dia 16 de julho, está intimamente ligada ao seu uso.

A expressão "escapulário" vem da palavra latina scapula e quer dizer, aquilo que se traz sobre os ombros. A princípio, tratava-se realmente de um hábito comprido que todos os monges carmelitas estavam obrigados a vestir, em sinal de obediência e como símbolo do jugo suave e o fardo leve de Cristo (cf. Mt 11, 30). Com o passar do tempo e a expansão dessa devoção, todavia, o escapulário foi diminuindo de tamanho, até a forma reduzida que se vê hoje. Especialmente após a aparição de Nossa Senhora a São Simão Stock, em 16 de julho de 1251, a essa devoção acresceu-se um novo significado: o escapulário passou a ser o "hábito da Virgem Maria" e quem quer que começasse a usá-lo deveria procurar consagrar-se à Mãe de Deus e imitar-lhe as virtudes, recebendo dela a tríplice promessa de proteção durante a vida, assistência na hora da morte e salvação eterna.

Trata-se de um "sacramental", verdadeiro instrumento da graça divina para que nos convertamos e levemos uma vida nova e de fervorosa oração. Inúmeras pessoas foram, de fato, conduzidas a Deus por meio dessa devoção, sem falar de tantas outras que, por misericórdia divina, receberam graças extraordinárias no momento de sua morte e salvaram as suas almas. É por isso que, em carta endereçada aos superiores da Ordem dos Carmelitas, por ocasião do 700 anos de aniversário do escapulário, o Papa Pio XII exortava todo o povo de Deus a não receber em vão o hábito carmelita: "Este Sagrado Escapulário é, de fato, como um hábito mariano, sinal e penhor da proteção da Mãe de Deus. Ninguém pense, todavia, que, usando essa veste com preguiça ou torpor espiritual, mesmo assim terá assegurada a sua salvação eterna, porquanto adverte o Apóstolo: Com temor e com tremor operai a vossa salvação” (Fl 2, 12). 

Nossa esperança, ao trazermos sobre os ombros esse piedosos sacramental, é que ele seja "força salvadora de Deus" para nós que cremos (cf. Rm 1, 16), assim como era curado, durante a vida terrena de Jesus, quem quer que tocasse ainda que fosse somente nas orlas do Seu manto (cf. Mc 5, 25-34).

O escapulário deve ser usado constantemente, de dia e de noite. Quando, por alguma razão, seu uso se torne dificultoso, a Igreja dá a possibilidade de substituí-lo por uma medalha em que, na frente, esteja cunhada a imagem de Nossa Senhora do Carmo, e, atrás, a do Sagrado Coração de Jesus. É a medalha de Nossa Senhora do Carmo que, no lugar do escapulário, deve ser sempre carregada com a pessoa.

Da primeira vez que se recebe o escapulário, é necessário apresentá-lo ao sacerdote, a fim de que ele o abençoe e o imponha. É também interessante lembrar que o uso do escapulário permite aos fiéis lucrarem algumas indulgências:

Indulgência parcial – O uso piedoso do escapulário ou da medalha (por exemplo: um pensamento, uma lembrança, um olhar, toque ou beijo etc.), além de favorecer a união com Maria Santíssima e com Deus, obtém uma indulgência parcial, cujo valor aumenta na proporção das disposições de piedade e fervor da pessoa.

Indulgência plenária – Pode-se lucrá-la no dia em que se recebe pela primeira vez o escapulário, na festa de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho), de Santa Teresa de Ávila (15 de outubro), de São João da Cruz (14 de dezembro), de Santo Elias (20 de julho), de Santa Teresinha do Menino Jesus (1º de outubro), de todos os santos carmelitas (14 de novembro) e de São Simão Stock (16 de maio). Para lucrar tais indulgências plenárias, são exigidas as seguintes condições: Confissão, Comunhão eucarística, oração pelo Sumo Pontífice e propósito firme de querer observar os compromissos da associação do escapulário.

O mundo no qual vivemos é uma constante batalha muito além das guerras vistas e presenciadas entre os humanos; há, todavia, um verdadeiro combate espiritual ocorrendo diariamente e com o qual, muitas vezes, não nos damos conta. Nunca é demais insistir nesta passagem: “Sede sóbrios e vigiai, porque o vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar” (1Pd 5, 8). A batalha espiritual já está acontecendo ao nosso redor, e precisamos entender para quem e por qual motivo lutamos. Devemos nos armar com tudo o que Deus nos concedeu através de sua Igreja, e o escapulário é uma forte arma nessa guerra.