segunda-feira, 7 de outubro de 2024

A BATALHA DE LEPANTO E O ROSÁRIO

 

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”Nem as tropas, nem as armas, nem os comandantes,
mas a Virgem Maria do Rosário foi quem nos deu a vitória”
 

Fonte: Hojitas de Fe, 216, Seminário Nossa Senhora Corredentora, FSSPX
Tradução: 
Dominus Est

São Pio V, eleito Papa em 1566, teve o desejo de convocar a Cristandade para um duplo combate: contra o protestantismo e contra o Islã. Contra este último convidou os príncipes católicos a contrair uma aliança, mas todos eles, ocupados por seus problemas internos, não responderam à iniciativa. Em 1569 os otomanos souberam que o arsenal veneziano havia sido destruído pelo fogo, e que além disso toda a península itálica estava ameaçada pela fome devido a uma má colheita. Selim II aproveitou a ocasião para romper a trégua com Veneza e enviou um ultimato: ou entregaria a preciosa posse de Chipre, ou lhe declararia guerra. Veneza pediu auxílio, mas não queria fazer aliança com a Espanha, nem a Espanha com Veneza, pois Veneza várias vezes fizera aliança com os turcos. São Pio V interveio exortando a Espanha a enviar uma armada para proteger Malta e garantir a rota que levaria auxílio até a Ilha de Chipre.

Felipe II aceitou e enviou seus embaixadores, diante do qual Sua Santidade nomeou Marco Antonio Colonna, bem visto por Filipe II e Veneza, como chefe da armada pontifícia. Sob o comando e mediação do Supremo Pontífice tiveram início as negociações entre a Espanha e Veneza, mas desconfiança mútua e os interesses de ambas as partes, influenciara na demora dos acordos. São Pio V mediou nas discussões com paciência heroica e cordura, e sugeriu a Dom João da Áustria, bastardo irmão de Felipe II, então jovem de 24 anos, como generalíssimo dos exércitos cristãos.

Durante as negociações, uma peste dizimou a esquadra veneziana, e os turcos conquistaram a ilha de Chipre, após 48 dias de resistência heroica. A perda de Chipre desanimou toda a Cristandade. São Pio V culpou os príncipes católicos por aquela perda, que deveriam abandonar suas atitudes antes que fosse tarde demais, e só expiariam suas culpas se resolvessem se unir em defesa da Cristandade.

Em março de 1571 chegaram a Roma as respostas afirmativas do Rei da Espanha e do Doge de Veneza. Superadas as divergências, formou-se uma Liga entre ambas as potências com caráter defensivo e ofensivo para agir contra o Sultão e seus estados tributários, Argel, Tunísia e Trípoli. A Liga contaria com 200 galés, 1.000 transportes, 50.000 infantes espanhóis, italianos e alemães, 4.500 de cavalaria ligeira e o número necessário de canhões.

1º Preparativos para a batalha.

Sua Santidade enviou à Liga um estandarte de damasco de seda azul com a imagem do Crucificado, tendo a seus pés as armas do Papa, da Espanha, de Veneza e de Dom João da Áustria. Dom João da Áustria recebeu o estandarte das mãos do cardeal Granvela, que lhe disse:

“Toma, ditoso Príncipe, a insígnia do Verbo Humanado; tem o vívido sinal da Santa Fé, da qual és defensor nesta empresa. Ele te dará uma gloriosa vitória sobre o inimigo ímpio, e por tua mão será abatida a soberba. “

Preocupado com as notícias do avanço turco, São Pio V enviou uma carta a Dom João, exortando-o a zarpar o mais depressa possível para Messina, prometendo-lhe pouco depois, através de seu núncio Odescalchi, a vitória acima de todos os cálculos humanos. Encorajado por essas palavras, Dom João agiu rapidamente. Para preservar o caráter sagrado da empresa, proibiu as mulheres a bordo, ditou a pena de morte contra os blasfemos e impôs um jejum de três dias. Nenhum dos 81 mil marinheiros e soldados ficou sem confessar e receber a comunhão, até mesmo os galeotes.

2º Em formação para a batalha.

Nos dias 16 e 17 de setembro a frota cristã partiu do porto de Messina. A frota turca estava localizada em Lepanto, um porto localizado ao sul do estreito que une o Golfo de Patras com o Golfo de Corinto. Em 6 de outubro, o vento deteve os católicos e empurrou os otomanos para fora do estreito de Lepanto, facilitando assim o combate. No domingo, 7 de outubro, antes do amanhecer, os navios católicos levantaram âncoras e adentraram o Estreito de Lepanto. Um canhão ordenou o início da batalha e o estandarte da Liga foi hasteado no principal mastro da nau capitânia. Dom João, da Áustria, exclamou: “Aqui venceremos ou morremos”.

Dom João comandou o centro, flanqueado por Colonna e Veniero; os Requesens catalães vinham um pouco mais atrás. A esquadra espanhola de Andrea Doria, com 60 navios, formava a ala direita em direção ao alto mar. Os 35 navios do Marquês de Santa Cruz aguardavam ordens na retaguarda para sua eventual intervenção.

Ali Paxá, o almirante otomano, também dispôs sua frota de combate. O generalíssimo turco parecia querer atacar pelo centro e ao mesmo tempo envolver os cristãos, aproveitando-se de sua superioridade numérica de 286 navios contra 208. O vento soprava do leste, favorável aos infiéis, enquanto os católicos se aproximavam do inimigo pela força dos remos. Quando as esquadras estavam à vista, o vento diminuiu.

Na praça católica Andrea Doria propôs um conselho de guerra para discutir se convinha ou não combater um inimigo numericamente superior; mas Dom João da Áustria contestou: “Não é hora de falar, mas de lutar”. Andrea Doria aconselhou então a cortar os enormes esporões das galés católicas, para ter uma linha de fogo mais poderosa.

O comandante supremo, Dom João de Áustria, passou em revista todas as naves de crucifixo em mãos e arengando com ardor para a luta iminente: “Este é o dia em que a Cristandade deve mostrar seu poder, para  aniquilar esta seita amaldiçoada e obter uma vitória sem precedentes… Estais aqui por vontade de Deus, para castigar o furor e a maldade desses cães bárbaros; depositai vossa esperança unicamente no Deus dos exércitos, que reina e governa o universo… Recordai que combatereis pela Fé; nenhum covarde ganhará o Céu”. Então ele se ajoelhou em La Real e rezou, fazendo o mesmo todos os seus homens. Em meio a um imponente silêncio, os religiosos deram a última bênção e a absolvição geral àqueles que se expunham a morrer pela Fé.

Enquanto isso, o inimigo cortava o silêncio com suas cornetas, blasfêmias, zombarias e imprecações, e dizia: “Esses cristãos vieram como um rebanho de ovelhas para que nós os degolemos “. A ordem de Ali Paxá era não fazer prisioneiros.

3º A batalha.

Ali Paxá deu um tiro de canhão para chamar os cristãos para a luta. Dom João aceitou o desafio, respondendo com outro tiro de canhão. Naquele momento, o vento mudou inesperadamente em favor dos cristãos.

Os turcos procuravam dar maior amplitude ao seu movimento, para envolver um dos os flancos do adversário. Doria tentava impedir a manobra, mas afastou-se muito da área designada, abrindo uma brecha perigosa entre a ala de seu comando e o centro da esquadra. O apóstata italiano Uluch Ali entrou pelo espaço vazio deixado por Doria. Com seus melhores navios, ele se lançou em combate para o centro dos cristãos, e com algumas galeras pesadas manteve Doria longe. Nesta manobra, as tropas de Doria quase foram aniquiladas, e a reserva do marquês de Santa Cruz não pôde socorrê-lo, pois estava empenhado em ajudar os venezianos na ala esquerda ao longo da costa.

Ali Paxá, conhecendo pelos santos estandartes a galera de Dom João, investiu pela proa de La Real, e lançou sobre ela uma horda de janízaros selecionados. Naquele momento, o conselho dado por Doria provou sua eficácia: desembaraçado do peso representado pelo esporão, a artilharia do navio católico dizimou a tripulação de La Sultana, o navio de Ali Paxá. Em socorro desta chegaram 7 galeras turcas, que lançaram mais janízaros à luta sobre a ensanguentada ponte da nave capitã de Dom João.

Por duas vezes a horda turca penetrou no mastro principal de La Real, mas os bravos veteranos espanhóis forçaram-nos a retroceder. Os galeotes, armados com espadas, abandonavam os remos quando havia abordagens e lutavam bravamente contra os turcos. Mesmo assim, a situação estava se tornando mais perigosa: Dom João contava apenas com dois barcos de reserva, sua tropa sofrera muitas baixas e ele próprio fora ferido em um pé. Foi então quando o marquês de Santa Cruz, depois de libertar os venezianos, veio em socorro de Dom João, e este foi capaz de rechaçar os janízaros.

Quando o momento era mais crítico, Ali Paxá, defendendo La Sultana de outro ataque cristão, caiu morto por um tiro de arcabuz espanhol. Eram 4 da tarde. O corpo do generalíssimo dos infiéis foi arrastado aos pés de Dom João; um soldado espanhol cortou sua cabeça, que por ordem de Dom João foi enfiada na ponta de uma lança para todos verem. Um clamor de alegria vitoriosa surgiu da nave capitã. Os turcos estavam derrotados, e o pânico rapidamente apoderou-se de suas hostes desde que o estandarte de Cristo começou a flamejar na Sultana.

As perdas dos infiéis eram enormes: 30.000 mortos, 10.000 prisioneiros, 120 galeras capturadas e 50 afundadas ou incendiadas, tomadas numerosas bandeiras e grande parte da artilharia. 12.000 cristãos escravizados pelos mouros ganharam a liberdade. O resto da esquadra inimiga bateu em retirada, enquanto as trombetas católicas proclamavam aos quatro ventos a vitória da Santa Liga na maior batalha naval registrada pela história. Soube-se mais tarde que, no calor da batalha, os soldados de Maomé viram sobre os principais mastros da esquadra católica uma Senhora que os aterrorizava com seu aspecto majestoso e ameaçador.

4º Notícias da vitória chegam em Roma.

Enquanto isso, em Roma, o Papa jejuava e redobrava suas orações pela vitória, exortando cardeais, monges e fiéis a fazer o mesmo, confiando na eficácia do Santo Rosário. No dia 7 de outubro, enquanto trabalhava com seu tesoureiro Donato Cesi, o Papa de repente deixou seu interlocutor, abriu uma janela e entrou em êxtase; e, voltando-se para o seu tesoureiro, disse: “Ide com Deus. Agora não é hora de negócios, mas de dar graças a Jesus Cristo, pois nossa esquadra acaba de vencer”; e dirigiu-se para a sua capela.

Na noite de 21 a 22 de outubro, o Cardeal Rusticucci despertou o Papa para confirmar a visão que ele tivera. Em um pranto varonil, São Pio V repetiu as palavras do velho Simeão: “Agora, Senhor, já podes deixar o teu servo ir em paz” (Lc 2 29). Na manhã seguinte, a feliz notícia foi proclamada em São Pedro, após uma procissão e um solene Te Deum.

Desde então, o dia 7 de outubro foi consagrado a Nossa Senhora das Vitórias, e mais tarde ao Santo Rosário; e a invocação “Auxílio dos Cristãos” foi adicionada nas Litanias Lauretanas. O senado veneziano, agradecido, fez pintar um quadro retratando a batalha, com a inscrição: “Nem as tropas, nem as armas, nem os comandantes, mas a Virgem Maria do Rosário foi quem nos deu a vitória.” Gênova e outras cidades mandaram pintar a imagem da Virgem do Rosário em suas portas. Em toda parte, na Espanha e na Itália, foram erigidas capelas em homenagem a Nossa Senhora das Vitórias;

A história testemunha que o lento declínio do poder naval dos otomanos começou com a jornada de Lepanto.

terça-feira, 1 de outubro de 2024

OUTUBRO: MÊS DO ROSÁRIO

 

Nossa Senhora do Rosário – História Nossa Senhora

Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nesse mês de outubro que se inicia amanhã, o mês do Rosário, disponibilizamos abaixo os links para as Encíclicas de Leão XIII sobre o Rosário e Nossa Senhora.

“Ora pro nobis, sancta Dei Genetrix, Ut digni efficiamur promissionibus Christi.”

Aproveitamos para disponibilizar alguns textos já publicados em nosso blog sobre o Rosário:

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

PADRE PIO RELATA SUA “CRUCIFICAÇÃO”

 

Padre Pio: a partir de 29 de abril, serão tornadas públicas dez fotos  inéditas - Vatican News

Padre Pio, o santo sacerdote capuchinho estigmatizado, conta-nos como os sinais da Paixão do Senhor foram impressos em seu corpo, em 20 de setembro de 1918.

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est

“Era a manhã do dia 20 de setembro passado, no coro, após a celebração da santa Missa, que fui surpreendido por um repouso, semelhante a um doce sono. Todos os sentidos internos e externos, bem como as próprias faculdades da alma, se encontravam em uma quietude indescritível. Em tudo isso houve um silêncio completo ao meu redor e também dentro de mim. Subitamente sucedeu uma grande paz e abandono à completa privação de tudo e uma trégua na própria ruína. Tudo isso aconteceu num piscar de olhos. E, enquanto tudo isso acontecia, vi-me diante de um misterioso personagem, semelhante àquele visto na noite de 5 de agosto, diferindo apenas no fato de que suas mãos, pés e laterais escorriam sangue. 

A visão dele me aterrorizou; não sei dizer o que senti naquele instante. Sentia-me como se estivesse morrendo e teria morrido realmente se o Senhor não tivesse intervindo para sustentar meu coração, que eu sentia saltar-me do peito. A visão do personagem desapareceu e percebi que minhas mãos, pés e lado estavam perfurados e expeliam sangue. Imagine o tormento a que me submeti naquele momento e que continuo a viver quase todos os dias.

O sangue continua a verter da chaga do coração incessantemente, sobretudo da noite de quinta-feira até o sábado. Meu Pai, morro de dor devido a esse suplício e pela subsequente confusão que sinto no fundo da minha alma. Temo sangrar até a morte se o Senhor não ouvir os gemidos do meu pobre coração e retirar de mim esta operação. Será que Jesus, que é tão bom, me concederá esta graça? Será que Ele, ao menos, tirará de mim essa confusão que experimento por causa desses sinais externos? Elevarei forte minha voz à Ele e não cessarei de suplicar-Lhe, para que, na Sua misericórdia, afaste de mim não o tormento, não a dor, porque vejo que isso é impossível e sinto querer me embriagar da dor, mas desses sinais externos, que são de uma confusão e humilhação indescritíveis e insuportáveis.

O personagem sobre o qual eu pretendia falar em meu comentário anterior não é outro senão aquele mesmo que outrora havia falado, visto em 5 de agosto.  Ele segue sua operação incessantemente, com superlativo tormento de alma. Ouço em meu interior um barulho contínuo, semelhante ao de uma cachoeira, que sempre derrama sangue. Meu Deus! É justo vosso castigo e reto vosso julgamento, use de misericórdia para comigo.”

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Livre de todas as tentativas maliciosas dos ímpios, dos incrédulos, dos hipercríticos e dos seguidores de uma ciência de falso nome, o fenômeno milagroso das feridas impressas no corpo do Padre Pio permanece humanamente inexplicável até hoje, como explicou o professor Ezio Fulcheri.

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

FESTA DO SANTÍSSIMO NOME DE MARIA




Et Nomen Virginis Maria — «E o Nome da Virgem era Maria» (Luc 1, 27)

Sumário. O santíssimo Nome de Maria é, depois do de Jesus, superior a todo outro nome, e, assim como o de Jesus, é para nós um nome de salvação, esperança e amor. Procuremos, portanto, tê-lo sempre no coração e nos lábios: em todos os perigos, em todas as angústias, em todas as dúvidas invoquemo-lo sempre juntamente com o do seu divino Filho, dizendo: Jesus e Maria, salvai-me! Lembremo-nos, porém, que para experimentarmos todos os efeitos do nome de Maria, é preciso que imitemos as virtudes daquela que o possui.

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O santíssimo Nome de Maria não foi achado na terra, mas desceu do céu e foi imposto à divina Mãe por ordem expressa de Deus, como atestam São Jerônimo, Santo Epifânio e outros. É, pois, este nome, depois do de Jesus, superior a qualquer outro nome, e, assim como o de Jesus, é para todos nós um nome de salvação, de esperança, de amor.

É um nome de salvação; porque, conforme a revelação feita pela Bem-Aventurada Virgem mesma a Santa Brígida, quando o invocamos devotamente, afastam-se os demônios, e mais se chegam a nós os anjos bons para nos defender contra os assaltos do inferno. E, falando em particular das tentações contra a pureza, é geralmente sabido que este nome poderoso dá grande força para as vencer, de modo que São Pedro Crisólogo não hesita em dizer que o nome de Maria é indício de castidade: Nomen hoc indicium castitatis. Quem, na dúvida de ter consentido nas tentações, se lembra de ter invocado o nome de Maria, tem um sinal certo de que não ofendeu a castidade.

O nome de Maria é um nome de esperança, pois, como diz São Boaventura, este nome está tão cheio de graças, que não pode ser proferido sem comunicar alguma graça a quem devotamente o invoca. Pelo que diz Pelbarto que, assim como Jesus com as suas cinco chagas deu ao mundo o remédio para os seus males, também Maria com o seu santíssimo nome, que é composto de cinco letras, alcança todos os dias os bens celestes para os homens.

Finalmente, o nome de Maria é um nome de amor, porque encerra um certo quê de admirável, de suave, de divino. Santo Antônio de Pádua experimentava neste nome a mesma doçura que São Bernardo experimentava no nome de Jesus, e dizia: «O nome desta Virgem Mãe é alegria no coração, mel na boca, melodia no ouvido dos seus devotos». — O grande nome de Maria contém uma virtude tão admirável, que, ainda que os seus devotos o ouçam mil vezes, sempre lhes parece novo, e lhes faz experimentar a mesma doçura. Por isso exclamava o Bem-aventurado Henrique Suso: «Ó Nome suavíssimo! ó Maria! qual sereis vós mesma, se o vosso só nome é tão amável e gracioso?»

Meu irmão, valhamo-nos sempre do excelente conselho que São Bernardo nos dá. Em todos os perigos de perder a graça divina, em todas as angústias, em todas as dúvidas, pensemos em Maria, e invoquemos o seu nome juntamente com o nome de Jesus, porque andam sempre juntos estes dois nomes(1). Não se apartam nunca estes dois dulcíssimos e poderosíssimos nomes, nem do nosso coração, nem da nossa boca. Com eles chegaremos seguros ao porto da eterna salvação. — Mas lembremo-nos que, para obter o socorro deste grande Nome de Maria, é necessário que imitemos os exemplos de suas virtudes: Et ut impetres eius orationis suffragium, non deseras conversationis exemplum.

† Ó Mãe do Perpétuo Socorro, concedei-me a graça de invocar sempre o vosso poderosíssimo Nome; pois é ele o nosso auxílio na vida e a nossa salvação na morte. Ó Maria, puríssima e dulcíssima Virgem, fazei que o vosso Nome seja daqui em diante o alento da minha alma. Apressai-vos, ó Rainha, em socorrer-me sempre que vos invocar, pois, em todas as tentações que me assaltarem, em todas as necessidades que me oprimirem, jamais deixarei de chamar por vós, dizendo e repetindo: Maria! Maria! Que consolação, que doçura, que confiança, que ternura não sente a minha alma, somente com invocar-vos e até somente pensando em vós! Dou graças ao Senhor que, para o meu bem, vos deu esse nome tão suave, tão amável e tão poderoso. Não me basta, porém, só pronunciar o vosso Nome; quero pronunciá-lo com amor, pois é o amor que me lembrará de vos invocar com o título de Mãe do Perpétuo Socorro(2).

«Ó Deus onipotente, concedei-me propício que, assim como me alegro sob o Nome e a proteção da Santíssima Virgem Maria, mereça pela sua intercessão ser livre na terra de todos os males, e depois ser digno de possuir no céu os gozos eternos»(3).

1. Indulgência de 25 dias cada vez que se invoca o Nome de Jesus, e outros tantos pelo Nome de Maria.

2. Indulgência de 100 dias.

3. Or. festi.

Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III – Santo Afonso

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Com a severidade própria dos Santos, João Maria Vianney combateu os insultos a Deus. Era o zelo pela Casa do Senhor que o consumia

 n/d

Era 1827 e as multidões que chegavam à aldeia de Ars vinham de toda parte. A fama do Padre Vianney já havia se espalhado pelos quatro cantos da França. Barões, clérigos, camponeses, curiosos; todos queriam conhecer aquela figura a qual tinham por santo. Um médico, tomado pelas intrigas dos colegas, decidira visitar o sacerdote, a fim de confirmar suas injustas suspeitas. De volta à capital, Paris, não pôde dizer aos amigos outra coisa sobre o pobre cura senão: "eu vi Deus num homem".

A santidade de João Maria Vianney causava constrangimentos. Apegado desde cedo à oração, agia em tudo conforme à vontade divina, fazendo de sua vida um perpétuo louvor a Deus. Tinha um fervor imensurável. Passava horas à frente do sacrário, gastando-se em severas penitências e na meditação dos santos mistérios: "O meu terço vale mais que mil sermões". Por isso, não poupou esforços no combate às blasfêmias e à libertinagem. Era o zelo pela casa do Pai que o consumia.

n/d

Os primeiros anos de Vianney em Ars foram de grandes desafios. A pequena aldeia estava atolada no indiferentismo. Trabalhava-se no domingo, blasfemava-se no campo, a falta de modéstia e os divertimentos profanos reinavam no coração daquela gente. A situação era desesperadora. E para uma alma apaixonada como a do Cura D'Ars, assistir àquele espetáculo de imoralidades era como ver a Cristo sendo crucificado. Com efeito, tratou logo de agir.

Sem fazer concessões, apressou-se em instruir os mais novos na catequese e nas práticas piedosas. Vianney estava convencido de que a ignorância religiosa era a causa de todos os males: "Este pecado condenará mais almas do que todos os outros juntos, porque uma pessoa ignorante quando peca não conhece nem o mal que faz, nem o bem que perde". Do alto do púlpito, atacava a todos pulmões as tabernas e o trabalho no domingo. Começava uma guerra sem tréguas, e o santo não iria recuar enquanto não visse a sua paróquia, de joelhos, diante do Senhor.

"Ah! Os taberneiros, o demônio não os importuna muito, pelo contrário, despreza-os e cospe-lhes em cima". Com essas palavras, o humilde cura fustigava a bebedeira, para desespero daqueles que se lançavam a tão vergonhoso vício. E assim também procedia com o trabalho nos dias de guarda. "Se perguntássemos aos que trabalham nos domingos: 'Que acabais de fazer?' - repreendia o Cura D'Ars - "eles bem poderiam responder: 'Acabamos de vender a nossa alma ao Demônio e de crucificar a Nosso Senhor… Estamos no caminho do inferno". Pouco a pouco, as blasfêmias foram desaparecendo e as tabernas se fechando. Pesava-lhes a maldição de um homem santo. "Vós vereis, profetizava, vereis arruinados todos aqueles que aqui abrirem tabernas". Mas um derradeiro combate ainda estava por vir.

Em 1823, erguia-se na pequena paróquia de Ars uma segunda capela. Atendendo à vontade do pároco, ela seria dedicada a São João Batista, santo que tomara por patrono no dia de sua Confirmação. A cerimônia de inauguração foi de grande júbilo. Contudo, para os amantes dos prazeres profanos, motivo de despeito. Vianney mandara esculpir no arco do pequeno oratório a seguinte inscrição: "A sua cabeça foi o preço de uma dança". Uma alusão ao martírio de São João Batista e uma clara reprimenda aos bailes.

A luta de Vianney contra os serões durou cerca de dez anos. A ele se opunha grande parte da comunidade, sobretudo os rapazes apegados aos encantos da luxúria. À medida que o povo se afastava das danças, com efeito, mais raiva tinham do sacerdote os fanfarrões. Chegaram a organizar encontros a fim de puni-lo, mas o brado de Vianney foi tão forte que a eles não restou outra alternativa senão ceder. "O demônio rodeia um baile como um muro cerca um jardim… As pessoas que entram num salão de baile deixam à porta o seu Anjo da Guarda e o Demônio substitui-o, de tal modo que há tantos Demônios quantos são os dançadores." Era o fim dos bailes em Ars.

Os hereges também não tinham vez com o santo. Certo dia, um jovem de espírito petulante resolveu atacá-lo na frente da multidão. "Quem é o senhor, meu amigo?" questionou Vianney. O rapaz disse que era protestante. Com a firmeza de um verdadeiro pastor, retorquiu-lhe o santo padre: "Oh! meu pobre amigo, o senhor é pobre e muito pobre: Os protestantes nem sequer possuem santos cujos nomes possam dar aos filhos. Veem-se obrigados a pedir nomes emprestados à Igreja Católica". Foi o suficiente para que o sujeito se colocasse no seu lugar.

A santa intransigência de Vianney tinha um motivo igualmente santo: ele amava a seus paroquianos com amor de predileção. Por isso faria tudo que estivesse a seu alcance para lhes assegurar a salvação eterna. E seus esforços foram recompensados. Após poucos anos de ministério, Ars não era mais Ars. O povo havia se convertido, já não se trabalhava mais aos domingos e a igreja permanecia sempre cheia. Vencera a santidade do pobre cura. Os paroquianos compreenderam o que há tanto lhes ensinava o São Cura D'Ars: "Tão grande é o amor de Deus, é um fogo que queima na alma sem, contudo, a consumir. Ter Jesus no coração é já possuir o céu".

TROCHU, Francis. O Cura D'Ars. Ed. Theologica. Braga. 1987.

Fonte: Christo Nihil Praeponere

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Lembrando o artigo:

"Santo Cura d’Ars: Zelo pelo Senhor Deus dos Exércitos".

n/d

Ao chegar às cercanias de Ars, no vale do Saône, na França, o peregrino descortina um panorama grandioso e fascinante, evocativo de muita paz e muita bondade, que coexiste harmoniosamente com o heroísmo decorrente de grandes feitos de seu glorioso passado. Apenas mais um cenário francês?  — Não! Ali viveu e santificou-se um homem que foi proclamado padroeiro de todos os párocos do mundo, São João Maria Vianney, o Cura d’Ars.

n/d

Casa em que viveu São João Maria Vianney, o Cura d’Ars

Impossível não imaginar que naqueles belos campos cultivados, onde prepondera o trigo, camponeses não contemplassem a figura do Pe. Vianney caminhando por ali e desfiando as contas de seu rosário em conversa com Deus, com sua Mãe Santíssima, os Anjos e os santos, louvando e pedindo graças para as almas a ele confiadas.

Nessa ocasião, uma jovem passa por ele na estrada. Com perfil ascético, esquelético mesmo, olhar profundo, observador sutil, capaz de penetrar os corações e as consciências dos interlocutores, ele se dirige a ela, e admoestando-a de modo peremptório, diz-lhe que, se não mudasse de vida, certamente se condenaria. Ao que ela responde: — “Mas eu não quero ir para o inferno. Vou me confessar”.

O santo retruca: — “Não adianta se confessar se você não fugir das ocasiões próximas de pecado. Confessando-se, você vai voltar para a sua região e continuará levando a mesma vida pecaminosa”. Assustada, ela lhe pergunta: — “Então, para mim não há mais jeito?” O padre Vianney aconselhou-a a vender o que possuía e mudar-se para Ars, pois só naquelas condições ele a atenderia em confissão. Assim ela fez, e seguramente encontrou o caminho da salvação.

Em outra ocasião, um camponês violador do preceito do descanso dominical, ao perceber que o Cura d’Ars vinha pelos campos na sua direção, procurou quase instintivamente esconder-se atrás de sua carroça cheia de feno, na tentativa vã de defender-se do olhar contrafeito do santo, pois tinha consciência de que violava a Lei de Deus não guardando o dia do Senhor.

Com bondade paternal, o virtuoso padre chamou sua atenção, dizendo-lhe que aquela carroça simbolizava o transporte de sua alma para se queimar nas regiões eternas… E prosseguiu silencioso seu caminho por aquelas paragens, sempre rezando, meditando na bondade de um Pai que tudo criou para o bem dos filhos, e destes que se esquecem dessa infinita bondade.

Enquanto isso, na sua pequena igreja, com os poucos fieis que a frequentavam, ele podia avaliar a decadência religiosa advinda de outros tempos, de maus pastores que por ali passaram, de padres pouco zelosos e sem interesse de povoar o Céu, de instruir as almas dos jovens, de formar as consciências para cumprir melhor os desígnios de Deus e da santa Religião.

Segundo seus biógrafos, sua grande luta foi contra a indiferença e a ignorância religiosa reinantes em sua paróquia. Às noites de sábado para domingo os jovens se aglomeravam numa taberna para beber, se divertir num salão de baile.

Para o Cura d’Ars, não havia mandamento que o baile não violasse, pois assim como um muro cerca o jardim, assim os demônios estão em torno do baile. Para ele há tantos demônios quantos são os dançadores.

Naquela época, poucos sacerdotes combatiam tão pernicioso divertimento. No dia a dia, o trabalho, sem descanso e intermitente, duro e exigente, preenchia a vida daquelas pessoas, tão acomodada aos bens da terra. Quanto às coisas do alto, estavam longe de suas cogitações. O sino do campanário tocava em vão para aqueles ouvidos insensíveis e a igrejinha de Ars continuava vazia, ou quase tanto. O que poderia fazer um vigário que pregasse e desse o exemplo ilibado de vida sacerdotal?

n/d

Ars, França, cidade em que viveu São João Maria Vianney, o Cura d’Ars

Os habitantes de Ars tinham uma fala vagarosa que revelava vontade entorpecida, ávidos de bem estar, inflamados pelo prazer. Tudo era pretexto para se reunirem em torno de um violão ou uma sanfona e ali passarem horas em bebedeiras, cantigas, gargalhadas e danças. Padre Vianney não se conformava e fez o propósito de não descansar enquanto não extirpasse as ocasiões de pecado de sua paróquia.

O zelo pastoral do Cura d’Ars fez com que, na cidade, o respeito humano fosse invertido: tinha-se vergonha de não fazer o bem e de não praticar a Religião. O que consiste num auge de vitória de seu apostolado! Ars tornou-se também um centro de piedade e religiosidade.

Por isso, peregrinos admiravam nas ruas da cidade a serenidade de certos semblantes, reflexo da paz perfeita de almas que vivem constantemente unidas a Deus. A cidade de Ars continuou pequena, com cerca de 1.200 habitantes. Mas sua fama tornou-se demasiadamente grande mundo afora, pois mais de 400.000 peregrinos oriundos de todo o mundo a vistam anualmente. Com efeito, a verdadeira glória é a dos heróis e dos santos.

Fonte: http://ipco.org.br

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