sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Maria Santíssima é cheia de Graça

 



Ave, gratia plena, Dominus tecum — “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 28)

Sumário. Querendo a Santíssima Trindade ostentar as suas grandezas, criou a Santíssima Virgem, destinou-a para Mãe do Verbo encarnado, e em vista desta dignidade imensa e incomparável, enriqueceu-lhe a alma bendita de toda a espécie de graças, superiores às repartidas entre todas as criaturas. Por isso a Santíssima Virgem está no céu assentada num trono de majestade, à direita de Jesus Cristo, forma uma hierarquia separada, e só ela dá mais brilho à pátria bem-aventurada do que tudo o mais que há no paraíso. Façamos ato de fé nesta grandeza inefável de nossa querida Mãe, rendamos graças a Deus e unamo-nos aos espíritos angélicos para a amar e bendizer.

I. Consideremos que a Santíssima Trindade, querendo ostentar as suas grandezas, criou Maria Santíssima, destinou-a para Mãe do Verbo divino, e, em vista desta dignidade imensa e incomparável, enriqueceu-lhe a alma bendita com todas as prerrogativas, virtudes, dons e santidade, repartidos entre as demais criaturas. Assim como um artista que resolveu fazer um primor de arte, sempre nele está pensando e com toda a aplicação forma projetos, a fim de que saia uma obra-prima; da mesma forma, conforme a divina Mãe revelou à Santa Matilde, “a Santíssima Trindade em mim se deleitava e regozijava, comprazendo-se na obra maravilhosa, que pelo seu poder, sabedoria e infinita bondade queria formar em mim”.

A divina Mãe é, pois, mais rica em graça, em merecimentos, em privilégios, em grandezas, em glória, do que todos os anjos e santos juntos. Como Primogênita do Pai Eterno, como Mãe do Filho de Deus e como Esposa do Espírito Santo está ela assentada num trono de majestade, à direita de Jesus Cristo, formando uma hierarquia separada e superior às outras. Por conseguinte, ela por si só dá ao céu mais glória e esplendor, mais luz e graça, mais alegria e júbilo do que tudo o mais o que há no paraíso. Numa palavra, só Deus é superior a Maria e só Ele, no dizer de São Bernardino, pode conhecer a sublimidade da elevação da Virgem.

Pelo que o anjo revelou a Santa Brígida que as hierarquias angélicas, pasmadas à vista do trono sublime preparado pela Santíssima Trindade para a futura Mãe de Deus, conceberam para com Maria tamanha reverência e respeito, tanta satisfação e complacência, que começaram a amá-la mais do que a si próprios, e alegraram-se mais pelas graças que Deus resolvera dar a Maria, que pela sua própria criação. Unamo-nos a estes espíritos celestiais no amor e respeito para com a nossa grande Rainha.

II. Alegremo-nos frequentemente com a divina Mãe pelas suas graças e pela sua glória e digamos-lhe com Carlos, filho de Santa Brígida:

“Ó Maria, amo-vos tanto, que antes quisera sofrer toda a pena, a fim de que não ficásseis privada, um só instante, da vossa dignidade e grandeza; e, se estivesse ao meu alcance, de boa vontade me privaria de todos os meus bens, a fim de os dar a vós, minha Mãe queridíssima”

Demos todos os dias graças à Santíssima Trindade pelos privilégios concedidos a Maria, rezando três Glórias ao Pai; e façamos por ela três atos de amor e de mortificação. Quando ouvirmos o nome de Maria, inclinemos a cabeça, avivemos a nossa fé na maternidade divina e agradeçamos a Jesus Cristo o querer fazer-se filho de Maria, e dar-no-la por Mãe.

Ó Virgem Santíssima, Mãe de Deus e minha Mãe, Maria, permiti que, prostrado diante do trono da vossa Majestade, una a minha voz à do arcanjo São Gabriel e vos diga: Ave, gratia plena, Dominus tecum! Deus vos salve, ó Maria, cheia de graça; o Senhor é convosco. Vós sois a bendita entre as mulheres; bendita entre todas as gerações presentes, passadas e futuras; bendita por todas as línguas, por todas as nações, por todos os reinos e por todos os povos. E convosco seja bendito o fruto do vosso ventre virginal, Jesus: Et benedictus fructus ventris tui (1).

Ó Virgem Santíssima, lembrai-vos de mim, pobre pecador, alcançai-me as graças de que necessito: fazei com que comece uma vida nova e a termine com uma boa morte. E assim como eu, miserável, vos bendigo na terra, assim abençoai-me vós, juntamente com Jesus Cristo, lá do alto do céu, a fim de que possa um dia ir louvar-vos e agradecer-vos no paraíso. Ó minha querida Mãe, fazei-o pela honra do vosso nome e pelo muito que amais à Santíssima Trindade que vos comunicou tamanha grandeza. “E Vós, ó meu Deus, que pela virgindade fecunda de Maria concedestes ao gênero humano a graça da Redenção, concedei-me que, invocando cá na terra à mesma Bem-aventurada Virgem como Mãe da graça, mereça gozar no céu a sua perpétua companhia. Fazei-o pelo amor de Jesus Cristo” (2).

Referências:
(1) Lc 1, 42.
(2) Or. eccles.

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(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até à Undécima semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 409-411)

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

É PECADO OMITIR AS ORAÇÕES ANTES E DEPOIS DAS REFEIÇÕES QUANDO ESTOU ENTRE NÃO CATÓLICOS?

Pe. Peter Scott – FSSPX

Quem faz essa pergunta, talvez, tenha em mente a reação do pequeno João Maria Vianney, o futuro Cura d’Ars, que, quando à mesa com um mendigo que omitiu essa ação, deixou a mesa e passou a noite em jejum. Quando perguntado sobre essa reação por seus pais, ele simplesmente disse que não conseguiria comer diante de alguém comportando-se como um animal! Essa história nos lembra que fazer orações antes e após as refeições é um piedoso costume entre os católicos. Nosso Senhor, frequentemente, abençoava o pão e o repartia de uma maneira tão especial e religiosa que esse ato entregou Sua identidade aos discípulos de Emaús.

Porém, o que pensar de quem omite essas orações em público e entre não católicos? Por uma questão de princípio, devemos começar dizendo que não há nenhum preceito formal sobre orações nas refeições em qualquer dos ensinamentos de Cristo ou da Igreja. E, se não há nenhuma obrigação de rezá-las, então não há pecado em omiti-las. Além disso, essa omissão não necessariamente significa que a fé de alguém está esmorecendo ou que essa pessoa está sendo negligente com suas orações.

Estaríamos, aqui, lidando com um caso de dissimulação da fé? Poderia haver ocasiões em que o mero fato de fazer um sinal da cruz em público poderia causar uma intriga entre trabalhadores e levar a zombarias contra nossa religião. Esse fato, por si só, é uma razão suficiente para omitir essas orações em público, e bastaria rezá-las mentalmente.

Porém, em geral, a questão de rezar ou omitir as orações das refeições quando na presença de não católicos é mais uma questão de coragem vs respeito humano. Com mais frequência que o contrário, principalmente em um restaurante, onde as pessoas têm mais o que fazer além de denegrir a religião dos outros clientes, o fato de rezar as orações das refeições em família vai gerar respeito entre os outros clientes e entre os garçons. E isso pode levar até ao início de uma conversa sobre a fé com algum dos presentes.

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domingo, 6 de setembro de 2020

Restaurar Todas as Coisas em Cristo

 

Revmo. Sr. Pe. Carlos Mestre, Priorado de São Pio X, Lisboa, Portugal Por ocasião do 14º Domingo depois de Pentecostes e Solenidade de São Pio X (FSSPX)

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Comunhão Espiritual - Santo Afonso Maria de Ligório

 

Os meum aperui, et attraxi spiritum — “Abri a minha boca, e atraí o alento” (Ps. 118, 131).

Sumário. A comunhão espiritual consiste num desejo ardente de receber Jesus sacramentalmente e num amoroso amplexo, como se fosse recebido realmente. Esta devoção é um meio eficacíssimo para chegar à perfeição e ao mesmo tempo é uma devoção facílima, porque pode ser praticada todos os dias, por todos, e quantas vezes se quiser, sem ser vista ou observada por pessoa alguma. Pratica-a, pois, com frequência, em particular, na oração mental, na visita ao Santíssimo Sacramento e na assistência à Missa à hora da comunhão do sacerdote.

I. Segundo Santo Tomás, a comunhão espiritual consiste num desejo ardente de receber Jesus Cristo sacramentalmente e num amplexo amoroso, como se já fora recebido. O santo Concílio de Trento louva muito a comunhão espiritual e convida todos os fiéis a que a ponham em prática. E Deus mesmo, repetidas vezes, tem dado a entender às almas devotas quanto Lhe agrada esta devoção.

Um dia apareceu Jesus a Soror Paula Maresca, fundadora do convento de Santa Catarina de Sena em Nápoles, e mostrou-lhe dois vasos preciosos, um de ouro e outro de prata, dizendo-lhe que o no primeiro guardava as suas comunhões sacramentais e no segundo as espirituais. Em outra ocasião disse o Senhor também à Venerável Joana da Cruz que, sempre que comungava espiritualmente, concedia-lhe uma graça semelhante à que lhe dava na comunhão sacramental. 

Mais tocante é o que um autor fidedigno (1) refere de outro servo de Deus. Quando este fazia na missa a comunhão espiritual, sentira a partícula consagrada levar-se-lhe aos lábios e experimentava na alma uma doçura indizível, querendo o Senhor recompensar desta forma o desejo de seu bom Servo.

Por isso todas as almas devotas costumam praticar com frequência o santo exercício da comunhão espiritual. A Bem-aventurada Angela da Cruz, dominicana, chegou a dizer que, se o confessor não lhe tivesse ensinado este modo de comungar, não teria podido viver. Fazia cem comunhões espirituais durante o dia, e outras cem durante a noite. Nem é de admirar, pois que este modo de comungar, sobre ser uma devoção muito proveitosa, é também facílimo e pode ser praticado cada dia por todos, e quantas vezes se quiser.

A já mencionada Joana da Cruz exclamava: “Ó meu Senhor, que bela maneira de comungar é essa! Sem ser vista por ninguém, sem ter de dar conta a meu diretor espiritual, sem dependência de ninguém senão de Vós, que alimentais minha alma na solidão e lhe falais ao coração!”


II. Procura fazer com frequência a comunhão espiritual; tanto mais que ela é também um meio valiosíssimo para dispor a alma a fazer com mais fruto a comunhão sacramental. Por isso, nas tuas visitas ao Santíssimo Sacramento, na tua oração mental, em cada missa que ouvires, no momento da comunhão do celebrante, faze a comunhão espiritual.

Faze então um ato de fé, crendo firmemente que na Eucaristia está o corpo, o sangue, a alma e a divindade de Jesus Cristo, tão vivo como está no céu. Faze também um ato de amor, unido ao arrependimento dos teus pecados; e em seguida um ato de desejo, convidando Jesus Cristo a entrar em tua alma afim de a fazer toda sua. Agradece-lhe, afinal, como se já o tivesses recebido. 

Para que essas comunhões espirituais te sejam mais proveitosas, une-as aquelas que fizeram todos os santos e em particular a tua querida Mãe Maria. Quantos frutos colherás desta forma para tua alma! Representa-te que cada uma de tuas comunhões será uma pedra preciosa que ornará a tua coroa no céu.

Ó meu Redentor amabilíssimo, agradeço-Vos o me haverdes ensinado este grande meio de santificação e com o vosso auxilio quero aproveitá-lo sempre, a começar pelo dia de hoje. Sim, meu Jesus, creio que estais presente no Santíssimo Sacramento. Amo-Vos sobre todas as coisas e desejo possuir-Vos em minha alma. Visto que não posso agora receber-Vos sacramentalmente, vinde ao menos espiritualmente ao meu coração. Abraço-Vos, como se já tivesses vindo, e me uno inteiramente a Vós; não permitais que jamais me aparte de Vós.

Ó Maria, vós que tanto desejais ver vosso Filho amado de todos, se me amais, eis aí a graça que vos peço e que me haveis de alcançar: obtende-me um grande amor a Jesus. Obtende-me também um grande amor a vós, que sois a criatura mais amante, a mais amável e a mais amada de Deus. O amor para convosco é uma graça que Deus não concede senão a quem deseja salvar. 

(1) P. J. Bider O. P.

Santo Afonso Maria de Ligório in 'Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano' (Tomo III)

domingo, 23 de agosto de 2020

Quem é o sacerdote? - Santo Cura d'Ars

 


Quem é o sacerdote? Um homem que ocupa o lugar de Deus, um homem que é revestido de todos os poderes de Deus. "Ide. - diz Nosso Senhor ao sacerdote - Assim como Meu Pai me enviou, assim Eu vos envio... Todo poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide, pois, instruí todas as nações... Quem vos escuta a Mim escuta; quem vos despreza a Mim despreza". 

Quando o padre perdoa os pecados, não diz: "Deus vos perdoe". Diz: "Eu vos absolvo". Na Consagração, ele não diz: "Isto é o Corpo de Nosso Senhor". Diz: "Isto é o Meu Corpo".

S. Bernardo diz-nos que tudo veio por Maria, pode-se dizer também que tudo nos veio pelo sacerdote: sim, todas as venturas, todas as graças, todos os dons celestes.

Se não tivéssemos o sacramento da Ordem, não teríamos Nosso Senhor. Quem foi que o pôs aí nesse tabernáculo? Foi o Padre. Quem foi que recebeu vossa alma à sua entrada na vida? O Padre. Quem a alimenta para lhe dar a força de fazer a sua peregrinação? O Padre. Quem a prepara para comparecer perante Deus, lavando essa alma pela primeira vez no sangue de Jesus Cristo? O Padre, sempre o Padre. E se essa alma vier a morrer, quem a ressuscitará? Quem lhe restituirá a calma e a paz? Ainda o Padre. Não vos podeis lembrar de um só benefício de Deus sem encontrardes, ao lado dessa lembrança, a imagem do Padre.

Ide-vos confessar à Santíssima Virgem ou a um anjo: eles vos absolverão? Não. Dar-vos-ão o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor? Não. A Santíssima Virgem não pode fazer descer Seu Divino Filho à hóstia. Tivésseis aí duzentos anjos, e eles não poderiam absolver-vos. Um padre, por mais simples que seja, pode-o; pode dizer-vos: "Ide em paz, eu vos perdoo". Oh! Como o padre é alguma coisa de grande!

O padre só será bem compreendido no Céu... Se o compreendêssemos na terra, morreríamos não de pavor, mas de amor...

Os outros benefícios de Deus de nada nos serviriam sem o padre. De que serviria uma casa cheia de ouro, se não tivésseis ninguém para vos abrir a porta? O padre tem a chave dos tesouros celestes; é ele quem abre a porta; ele é o economista de Deus, o administrador dos seus bens. Se não fosse o padre, a Morte e a Paixão de Nosso Senhor de nada serviriam. Vede os povos selvagens: de que lhes serviu que Nosso Senhor morresse? Ai! Eles não poderão ter parte no benefício da redenção enquanto não tiverem padres para lhes fazerem a aplicação do Seu Sangue. O padre não é padre para si: não dá a si a absolvição, não administra a si os sacramentos. Ele não é para si, é para vós.

Depois de Deus, o sacerdote é tudo!... Deixai uma paróquia vinte anos sem padre, adorarão ali os animais. (...) Quando se quer destruir a religião, começa-se por atacar o padre, porque onde quer que não haja mais padre, não há mais sacrifício, e onde não há mais sacrifício, não há mais religião. (...)

Vede o poder do padre! A língua do padre, de um pedaço de pão faz um Deus! É mais do que criar o mundo. Alguém dizia: "Santa Filomena obedece então ao Cura d'Ars?" Certo, ela bem pode obedecer-lhe, já que Deus lhe obedece.

Se eu encontrasse um padre e um anjo, cumprimentaria o padre antes de cortejar o anjo. Este é o amigo de Deus, mas o padre faz as vezes de Deus... Santa Teresa beijava o lugar por onde um padre havia passado... (...)

O sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo.


São João Maria Vianney in 'Catecismo sobre o sacerdote - Espírito do Cura d'Ars' (Abbé A. Monnin)

sábado, 22 de agosto de 2020

GRANDEZAS INEFÁVEIS DE MARIA SANTÍSSIMA

 


Ego ex ore Altissimi prodivi, primogenita ante omnem creaturam — “Eu saí da boca do Altíssimo, a primogênita antes de toda a criatura” (Ecclus. 24, 5)

Sumário. Assim como o divino Redentor, a Santíssima Virgem pode ser também chamada Filha primogênita de Deus. Primogênita na ordem da natureza; porque na criação do universo, depois da glória de si mesmo e de Jesus Cristo, o Senhor teve em mira a de Maria. Primogênita na ordem da graça; porque mais do que qualquer outro foi cheia de todas as graças celestiais. Primogênita na ordem da glória; por ser a Rainha de todos os Santos. Façamos um ato de fé acerca de todas estas grandezas da divina Mãe; demos graças a Deus em seu nome e pelos nossos obséquios procuremos desagravá-la de todos os ultrajes que recebe.

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É com razão que a Igreja põe na boca da Santíssima Virgem este elogio da divina Sabedoria: Eu saí da boca do Altíssimo como a primogênita; porquanto, semelhante a Jesus Cristo, ela é verdadeiramente a Filha primogênita de Deus, na ordem da natureza, da graça e da glória.

Primogênita na ordem da natureza, não quanto ao tempo, mas, como afirma São Bernardo, quanto à intenção; porque o eterno Artífice, projetando a formação do universo, dirigiu tudo, depois da sua própria glória e depois da de Jesus Cristo, para a glória de Maria. — Por isso se diz de Maria que ela não somente escolheu as coisas mais excelentes, mas dentre as coisas mais excelentes a ótima parte; porque o Senhor a dotou, em grau supremo, de todos os dons gerais e particulares conferidos às demais criaturas: Optimam partem elegit (1).

Maria é também a primogênita de Deus na ordem da graça; porque, sendo destinada a ser Mãe de Deus, foi, desde o primeiro instante de sua imaculada Conceição, tão enriquecida de graças, que levava vantagem a todos os anjos e santos juntos. — Nem deixou o grande cabedal de graças desaproveitado; mas, como estivesse dotada do uso perfeito da razão desde o seio de sua mãe, começou desde logo e continuou sempre a fazê-lo rendoso, e mesmo, como dizem os teólogos, a duplicá-lo em cada momento de sua longa vida. De sorte que ela pode dizer com verdade: Senhor, se não Vos amei tanto como o mereceis, ao menos Vos amei quanto me foi possível.

Se é certo, como é certíssimo, que Deus retribuirá a cada um segundo as suas obras (2), segue-se que a Bem-aventurada Virgem é a primogênita de Deus também na ordem da glória; gozando, em contraste dos outros Santos, uma beatitude plena e completa sob todos os pontos de vista. “De tal modo”, diz São Basílio, “que, como o esplendor do sol, a nosso ver, excede o brilho de todas as estrelas juntas, assim a glória da divina Mãe é superior a de todos os Bem-aventurados”. — Façamos um ato de viva fé, e regozijemo-nos com Maria pela sua tríplice primogenitura; em seu nome demos graças a Deus. Ao mesmo tempo congratulemo-nos conosco, porque a grandeza de uma Mãe redunda em honra e vantagem dos filhos: Gloria filiorum patres eorum (3).

Apesar de ser a Filha primogênita de Deus na ordem da natureza, da graça e da glória, Maria Santíssima é pouco, muito pouco venerada pela maior parte dos homens. Nem mesmo faltam homens desnaturados que chegam ao excesso de blasfemar contra ela. — Se nos quisermos mostrar dignos filhos de tão grande Mãe, não basta que nos abstenhamos de a ofender; devemos também, quanto estiver a nosso alcance, espalhar por palavras e exemplos a sua devoção e reparar as ofensas que lhe são feitas. Digamos-lhe, portanto, com amor:

† “Gloriosíssima Virgem, Mãe de Deus e nossa Mãe, Maria, volvei o vosso olhar piedoso a nós, pobres pecadores, que, aflitos pelos muitos males que nos cercam na vida presente, sentimos dilacerar-se o nosso coração ao ouvir as injúrias e blasfêmias atrozes que muitas vezes ouvimos vomitar contra vós, ó Virgem imaculada. Oh! quanto ofendem aquelas palavras ímpias à Majestade infinita de Deus e de seu Filho unigênito, Jesus Cristo! Quanto provocam a sua indignação e nos fazem temer os efeitos terríveis de sua vingança! Se com o sacrifício de nossa vida pudéssemos impedir tantos ultrajes e blasfêmias, sacrificá-la-íamos de boa vontade, porque, ó Mãe Santíssima, desejamos amar-vos e venerar-vos de todo o coração, já que é esta a vontade de Deus. E porque vos amamos, faremos quanto nos for possível, para que de todos sejais honrada e amada.

Entretanto, ó Mãe piedosa, soberana consoladora dos aflitos, aceitai este ato de reparação que vos oferecemos em nosso nome e no de todos os nossos; também por todos aqueles que, não sabendo o que dizem, blasfemam impiamente contra vós; afim de que, impetrando de Deus a conversão deles, torneis mais patente e gloriosa a vossa piedade, o vosso poder, a vossa grande misericórdia; e eles se unam conosco para vos proclamar a bendita entre as mulheres, a Virgem imaculada, a piedosíssima Mãe de Deus”. (4)

  1. Off. Assumpt.
    2. Rom. 2, 6.
    3. Prov. 17, 6.
    4. Quem rezar este Ato de reparação, ajuntando-lhe três Ave Maria, ganha uma indulgência de 300 dias, e se o rezar cada dia, uma indulgência plenária uma vez por mês, debaixo das condições de costume.

Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III – Santo Afonso

Fonte http://www.catolicosribeiraopreto.com/

Corramos para os irmãos que nos esperam - São Bernardo

 

Hoje é dia de São Bernardo de Claraval, Doutor da Igreja, Pregador das Cruzadas e fundador dos Cistercienses.

Que aproveitam aos Santos o nosso louvor, a nossa glorificação e até esta mesma solenidade? Para quê tributar honras terrenas a quem o Pai celeste glorifica, segundo a promessa verdadeira do Filho? De que lhes servem os nossos panegíricos (discursos de louvor)? Os Santos não precisam das nossas honras e nada podemos oferecer lhes com a nossa devoção. Realmente, venerar a sua memória interessa nos a nós e não a eles.

Por mim, confesso, com esta evocação sinto me inflamado por um anseio veemente. 

O primeiro desejo que a recordação dos Santos excita ou aumenta em nós é o de gozar da sua amável companhia, de merecermos ser concidadãos e comensais dos espíritos bem aventurados, de sermos integrados na assembleia dos Patriarcas, na falange dos Profetas, no senado dos Apóstolos, no inumerável exército dos Mártires, na comunidade dos Confessores, nos coros das Virgens; enfim, de nos reunirmos e nos alegrarmos na comunhão de todos os Santos. 

Aguarda-nos aquela Igreja dos primogénitos e nós ficamos insensíveis; desejam os Santos a nossa companhia e nós pouco nos importamos; esperam-nos os justos e nós parecemos indiferentes.

Despertemos, finalmente, irmãos. Ressuscitemos com Cristo, procuremos as coisas do alto, saboreemos as coisas do alto. Desejemos os que nos desejam, corramos para os que nos aguardam, preparemo-nos com as aspirações da nossa alma para entrar na presença daqueles que nos esperam. Não devemos apenas desejar a companhia dos Santos, mas também a sua felicidade, ambicionando com fervorosa diligência a glória daqueles por cuja presença suspiramos. Na verdade, esta ambição não é perniciosa, nem o desejo de tal glória é de modo algum perigoso.

Ao comemorarmos os Santos, um segundo desejo se inflama em nós: que, tal como a eles, Cristo, nossa vida, Se nos manifeste também e que nos manifestemos também nós com Ele revestidos de glória. É que de momento a nossa Cabeça revela-Se-nos não como é, mas como encarnou por nós, não coroada de glória, mas rodeada dos espinhos dos nossos pecados. Envergonhemo-nos de sermos membros tão requintados sob uma Cabeça coroada de espinhos, à qual por agora a púrpura não proporciona honras mas afronta. 

Chegará o momento da vinda de Cristo; e já não se anunciará a sua morte, para sabermos que também nós estamos mortos e que a nossa vida está escondida com Ele. Aparecerá a Cabeça gloriosa e com ela resplandecerão os membros glorificados, quando Ele transformar o nosso corpo mortal e o tornar semelhante ao corpo glorioso da Cabeça que é Ele mesmo.


Desejemos pois esta glória com total e segura ambição. Mas para podermos esperar tal glória e aspirar a tamanha felicidade, devemos desejar também ardentemente a intercessão dos Santos, a fim de nos ser concedido pelo seu patrocínio o que as nossas possibilidades não alcançam.

in Sermão 2 dos Sermões de São Bernardo, abade

sábado, 15 de agosto de 2020

Assunção de Maria Santíssima

 


Revmo. Sr. Pe. Samuel Bon, Priorado de São Pio X, Lisboa, Portugal Por ocasião da solenidade da Assunção de Maria Santíssima, 2020

15 DE AGOSTO – ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

 



Para ler a Meditação de Santo Afonso para essa data, clique aqui.

Para ler a belíssima Encíclica MUNIFICENTISSIMUS DEUS, de Pio XII, que define o Dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu em Corpo e Alma, clique aqui.

Abaixo colocamos o momento da proclamação do dogma pelo Papa Pio XII


Fonte

http://catolicosribeiraopreto.com/

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