quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

O Sacrifício da Missa é o mesmo Sacrifício de Cristo na Cruz






A maior das excelências da Santa Missa, explicada por um santo franciscano

O seguinte texto vem do livro “As Excelências da Santa Missa”, publicado em 1737 por São Leonardo de Porto-Maurício  (1676-1751), da Ordem dos Frades Menores. É um clássico da espiritualidade católica e nos conduz, como bem resume o título, por uma profunda meditação.
O fragmento a seguir abrange a introdução e a primeira das excelências:
É uma verdade incontestável que todas as religiões, que existiram desde o começo do Mundo, tiveram sempre algum sacrifício como parte essencial do culto devido a DEUS.
Mas porque essas religiões eram vãs ou imperfeitas, seus sacrifícios, também, eram vãos ou imperfeitos. Totalmente vãos eram os sacrifícios do paganismo, e nem acode ao espírito falar sobre eles.
Quanto ao dos hebreus, eram imperfeitos. Se bem que professassem, então, a religião verdadeira, seus sacrifícios eram pobres e defeituosos, infirma et egena elementa, como qualifica São Paulo. Não podiam, assim, apagar os pecados nem conferir graça.
Só o Sacrifício que temos em nossa santa religião, que é a Santa Missa, é um sacrifício santo, perfeito, e, em todo sentido, completo: por ele, cada fiel honra dignamente a DEUS, reconhecendo, ao mesmo tempo, o próprio nada e o supremo domínio de DEUS. Davi o chama: Sacrifício de Justiça, sacrificium justitiae; tanto porque contém o Justo dos justos e o Santo dos santos, ou, melhor a própria Justiça e Santidade, como porque santifica as almas pela infusão das graças e abundância dos dons que lhes confere.

Primeira Excelência:

O SACRIFÍCIO DA SANTA MISSA É O MESMO QUE O SACRIFÍCIO DA CRUZ

A Santa Missa é um sacrifício tão santo, o mais augusto e excelente de todos, e a fim de formardes uma ideia adequada de tão grande tesouro, algumas de suas excelências divinas; pois dize-las todas não é empreendimento a que baste a fraqueza da minha inteligência.
A principal excelência do santo Sacrifício da Missa consiste em que se deve considerá-lo como essencialmente o mesmo oferecido no Calvário sobre a Cruz, com esta única diferença: que o sacrifício da Cruz foi sangrento e só se realizou uma vez e que nessa única oblação JESUS CRISTO satisfez plenamente por todos os pecados do Mundo; enquanto que o sacrifício do altar é um sacrifício incruento, que se pode renovar uma infinidade de vezes, e que foi instituído pra nos aplicar especialmente esta expiação universal que JESUS por nós cumpriu no Calvário, Assim o SACRIFÍCIO CRUENTO foi o MEIO de nossa REDENÇÃO, e O SACRIFÍCIO INCRUENTO nos proporciona as GRAÇAS da nossa REDENÇÃO.
Um abre-nos os tesouros dos méritos de CRISTO Nosso Senhor, o outro no-los dá para os utilizarmos.
Notai, portanto que na Missa não se faz apenas uma representação, uma simples memória da Paixão e Morte do nosso Salvador; mas num sentido realíssimo, o mesmo que se realizou outrora no Calvário aqui se realiza novamente: tanto que se pode dizer, a rigor, que em cada Santa Missa nosso Redentor morre por nós misticamente, sem morre na realidade, estando ao mesmo tempo vivo e como imolado: Vidi agnum stantem tanquam accisum (Apoc 5, 6). No santo dia de Natal, a Igreja nos lembra o nascimento do Salvador, mas não é verdade que Ele nasça, ainda, nesse dia.
Nos dias da Ascensão e Pentecostes, comemoramos a subida do Senhor JESUS ao Céu e a vinda do ESPÍRITO SANTO, sem que, de modo algum nesses dias o Senhor suba ainda ao Céu, ou o ESPÍRITO SANTO desça visivelmente à Terra.
A mesma coisa, porém, não se pode dizer do mistério da Santa Missa, pois aí não é uma simples representação que se faz, mas, sim, o mesmo sacrifício oferecido sobre a Cruz, com efusão de sangue, e que se renova de modo incruento: é o mesmo corpo, o mesmo sangue, o mesmo JESUS, que se imola hoje na Santa Missa. Opus Redemptionis exercetur, diz a Santa Igreja.
A obra de nossa Redenção aí se exerce: sim, exercetur, aí se exerce atualmente. Este santo sacrifício realiza, opera o que foi feito sobre a Cruz. Que obra sublime! Ora, dizei-me sinceramente se, quando ides à Igreja para assistir a Santa Missa, pensásseis bem que ides ao Calvário assistir à morte do Redentor, que diria alguém que vos visse ai chegar numa atitude tão pouco modesta? Se Maria Madalena fosse ao Calvário e se prostrasse aos pés da Cruz vestida, perfumada e ataviada como em seus tempos de desordem, quanto não seria censurada! E que se dirá de vós que ides à Santa Missa como se fôsseis a uma festa mundana?
Que aconteceria, sobretudo se profanásseis este ato tão santo, com gestos, risadas, cochichos, encontros sacrílegos? Digo que, em qualquer tempo e lugar, a iniquidade não tem cabimento; mas os pecados que se cometem na hora da Santa Missa e na proximidade do altar, são pecados que atraem a maldição, de DEUS: Maledictus qui facit opus Domini fraudulenter (Jer 48,10). Meditai seriamente sobre esse assunto.
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São Leonardo de Porto-Maurício, em “As Excelências da Santa Missa” (1737)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Está em dificuldades? Invoque Maria!






Conselhos filiais de São Bernardo de Claraval

O texto a seguir é de um dos santos católicos mais fervorosamente devotos a Nossa Senhora: São Bernardo de Claraval. É especialmente motivador para os momentos de dificuldade de todo tipo.
E o nome da Virgem era Maria (Lc. 1, 27). Falemos um pouco deste nome que significa, segundo se diz, Estrela do Mar, e que convém maravilhosamente à Virgem Mãe. …. Ela é verdadeiramente esta esplêndida estrela que devia se levantar sobre a imensidade do mar, toda brilhante por seus méritos, radiante por seus exemplos.
Ó tu, quem quer que sejas, que te sentes longe da terra firme, arrastado pelas ondas deste mundo, no meio das borrascas e tempestades, se não queres soçobrar, não tires os olhos da luz desta estrela.
Se o vento das tentações se levanta, se o escolho das tribulações se interpõe em teu caminho, olha a estrela, invoca Maria.
Se és balouçado pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência, da inveja, olha a estrela, invoca Maria.
Se a cólera, a avareza, os desejos impuros sacodem a frágil embarcação de tua alma, levanta os olhos para Maria.
Se, perturbado pela lembrança da enormidade de teus crimes, confuso à vista das torpezas de tua consciência, aterrorizado pelo medo do Juízo, começas a te deixar arrastar pelo turbilhão da tristeza, a despenhar no abismo do desespero, pensa em Maria.
Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria.
Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, jamais abandone teu coração; e para alcançar o socorro da intercessão dela, não negligencies os exemplos de sua vida.
Seguindo-A, não te transviarás; rezando a ela, não desesperarás; pensando nela, evitarás todo erro.
Se ela te sustenta, não cairás; se ela te protege, nada terás a temer; se ela te conduz, não te cansarás; se ela te é favorável, alcançarás o fim.
E assim verificarás, por tua própria experiência, com quanta razão foi dito: “E o nome da Virgem era Maria“.
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São Bernardo de Claraval, em Louvores da Virgem Maria, Super missus, 2ª homilia

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

A jovem que se livrou do diabo graças ao nome de Maria






Um relato popular contado por Santo Afonso Maria de Ligório

No capítulo décimo do livro “As Glórias de Maria”, Santo Afonso Maria de Ligório nos relata uma popular história piedosa a respeito de um episódio que teria ocorrido por volta do ano 1465.
Segundo esse relato, morava na localidade holandesa de Güeldres uma jovem chamada Maria, que havia ido até a cidade de Nimega para levar um recado, mas ali sofrera um tratamento agressivo por parte de uma tia.
Retornando para casa ofendida e com raiva, ela invocou a ajuda do demônio, que lhe apareceu em forma de homem e lhe impôs algumas condições para auxiliá-la:
– Não te peço outra coisa: de agora em diante, não faças mais o sinal da cruz. Também mudarás de nome.
– Não farei mais o sinal da cruz, mas não mudarei o meu nome de Maria. Gosto muito dele.
– Então não te ajudarei.
Depois de muita discussão, a jovem e o diabo chegaram a um acordo: ela se chamaria apenas pela primeira letra do nome de Maria, M. Depois desse pacto, ambos foram para Amberes, onde a jovem levou má vida durante seis anos na companhia diabólica até lhe dizer, certo dia, que desejava voltar para a sua terra. O demônio detestou a ideia, mas consentiu. Chegados a Nimega, viram que estava sendo representada em praça pública a vida de Santa Maria.
Ao ver a representação, a pobre M começou a chorar, pois, no fundo, a sua frágil devoção à Mãe de Deus continuava viva. O companheiro a puxou pelo braço para levá-la dali, mas ela resistia. Vendo que a perdia, o diabo a levantou, enfurecido, e a jogou para o meio do teatro.
A jovem foi se confessar com o pároco, que a remeteu ao bispo e este ao Papa. Depois de ouvir sua confissão, o Pontífice lhe impôs como penitência levar sempre três argolas de ferro: uma no pescoço e as outras nos braços.
A jovem Maria obedeceu e se retirou como penitente a um mosteiro em Maastricht, onde viveu durante quatorze anos. Certa manhã, notou, ao levantar-se, que as três argolas tinham se rompido. Passados mais dois anos, ela morreu com fama de santidade e, conforme um pedido que tinha feito em vida, foi enterrada com aquelas três argolas: elas simbolizavam que, de escrava do inferno, a jovem pôde transformar-se em feliz escrava de Maria Santíssima, sua libertadora, graças ao Santo Nome de Maria.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Blindagem espiritual contra o mal: a poderosa consagração ao Sagrado Coração de Jesus






Repita com fé esta oração de Santa Margarida Maria Alacoque

Entrego-me ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, consagro – sem reservas – minha pessoa, minha vida, minhas obras, minhas dores e sofrimentos.
Este é meu propósito imutável: ser eternamente seu e fazer todas as coisas por Seu amor. Ao mesmo tempo, renuncio, de todo coração, aquilo que lhe desagrada.
Sagrado Coração de Jesus, quero ter-te como único objeto de meu amor. Sê, pois, meu protetor nesta vida e a garantia da vida eterna. Sê fortaleza na minha debilidade e inconstância.
Coração cheio de bondade, sê para mim o refúgio na hora da minha morte e meu intercessor diante de Deus Pai. Desvia de mim o castigo da justa ira. Coração de amor, em Ti deposito toda a minha confiança.
Tira de mim, Senhor, tudo o que te desagrada ou possa me afastar de Ti. Que teu amor se imprima tão profundamente no meu coração que eu jamais seja capaz de te esquecer e de separar-me de Ti.
Senhor e Salvador meu, te rogo, pelo amor que tens em mim, que meu nome fique gravado em teu Sagrado Coração; que minha felicidade e minha glória sejam viver e morrer a Teu serviço.
Amém.

(Santa Margarida Maria Alacoque)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Catecismo Ilustrado - Parte 49 - 8º Mandamento de Deus: Não levantar falso testemunho (continuação)...


Catecismo Ilustrado - Parte 49

Os Mandamentos

8º Mandamento de Deus (continuação): Não levantar falso testemunho

A calúnia

1. A calúnia consiste em levantar a alguém falso testemunho de um defeito que não tem ou de uma falta que não cometeu.

2. A calúnia é um pecado horrendo, que não se perdoa sem que restituamos ao próximo o crédito que lhe tiramos com esse falso testemunho.

3. Restitui-se o crédito desdizendo-se o caluniador diante de todas as pessoas que ouviram a calúnia.

Maledicência ou murmuração

4. A maledicência e a murmuração consistem em dizer mal de alguém em sua ausência, e descobrir, sem necessidade, os defeitos, e faltas do próximo.

5. A murmuração é pecado mortal se descobrimos uma falta grave ou que diminui gravemente a reputação do próximo.

6. Quem murmura tem obrigação de restituir a reputação que prejudicou a reparar todo o dano que tiver causado.

7. Se ouvirmos com gosto a murmuração, ou concorrermos para ela com perguntas, é pecado, porque somos cúmplices do mesmo.

8. São Paulo diz que o Céu está fechado para quem murmura.

9. Quando ouvimos caluniar ou murmurar devemos impedi-lo, se for possível, ou ao menos não tomar parte da calúnia ou murmuração.

O juízo temerário

10. Julgar temerariamente é assentar que o próximo fez algum mal sem termos grave fundamento para assim o julgarmos.
11. A suspeita, quando duvidamos se alguém fazia ou não fazia mal, não é juízo temerário, porque na suspeita duvidamos, e no juízo temerário pensamos que o fez.

12. Se tivermos fundamento grave para julgar, nem o juízo é temerário, nem a suspeita é injuriosa para o próximo. Só é pecado quando julgamos sem fundamento um mal grave.

13. Quando é preciso revelar os defeitos do próximo, não os devemos dar a conhecer senão a quem os possa remediar, ou áqueles que fossem prejudicados se não os advertíssemos.

14. Ainda que uma coisa seja verdadeira, será pecado dizê-la, porque a caridade proíbe-nos de tirar ao próximo a boa reputação de que ele goza.

15. Não é murmurar dizer ao próximo uma falta pública e conhecida: mas então é preciso evitar o que da nossa parte poderia revelar malícia.

16. Há circunstâncias que aumentam a gravidade da calúnia e da murmuração, por exemplo, quando dizemos mal dos nossos superiores, das pessoas consagradas a Deus, ou diante de muita gente.

17. Em geral é proibido contar a alguém o mal que se ouviu a seu respeito. A Sagrada Escritura diz que Deus detesta aqueles que, pelas suas intrigas, semeiam discórdia entre os irmãos.

Explicação da gravura

18. A gravura está dividida em três partes. A parte superior representa José conduzido à prisão por ter sido falsamente acusado pela mulher de Putifar.

19. Na parte inferior à esquerda, vê-se o sumo sacerdote Aarão e Maria sua irmã diante da Arca da Aliança. O Senhor aparecendo-lhes censura-os por terem murmurado contra Moisés. Castiga Maria com lepra que durou sete dias.

20. Na parte inferior direita, vê-se São Paulo na Ilha de Malta, onde tinha desembarcado por causa duma tempestade. Os habitantes desta ilha receberam-no afavelmente; acenderam uma fogueira para se aquecerem. Paulo deitou na fogueira alguma aparas que apanhara, saindo delas uma víbora que se lhe enruscou na mão. Os bárbaros, admirados, exclamavam: “Este homem deve ser um assassino, pois a justiça divina o persegue”. Mas Paulo sacudiu a víbora, ficando ileso. (Atos 28, 4-6)