quarta-feira, 4 de julho de 2018

A DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO – CRIME QUE CLAMA VINGANÇA AO CÉU


O livro de Daniel, ao contar-nos o episódio da casta Susana, em que dois judeus iníquos, velhos maliciosos, tentaram condenar uma mulher inocente à morte, para dissimular a paixão que os inflamava e se vingarem daquela que não cedera, diz deles:
“Naquele ano tinham sido constituídos juízes dois velhos dentre o povo, daqueles de quem o Senhor falou, quando disse: A iniquidade saiu da Babilônia por meio de velhos que eram juízes, os quais pareciam governar o povo.” (Dn13 5).
O mesmo está acontecendo em nossa terra natal [Argentina]. Em 13 de junho de 2018, o projeto de lei de descriminalização do aborto foi aprovado na Argentina, na Câmara dos Deputados da Nação. Já em 25 de maio, havia sido na Irlanda, por 65% dos votos, e no Chile, em setembro de 2017. A iniquidade vem daqueles mesmos que estão encarregados de governar o povo, dando-lhes leis; os inocentes, neste caso os nascituros, são condenados à morte por aqueles mesmos que deveriam velar por suas vidas, e isso por causa de interesses sórdidos, paixões não confessadas.
Confrontado o caos de ideias e argumentos sobre a questão do aborto exibidos, é necessário fazer uma pontuação de esclarecimento, para apresentar a realidade como ela é. Iniciemos com algumas reflexões.
1º Aborto, um crime que clama vingança ao céu.
Pareceria, devido ao amplo “debate” que ocorreu antes da aprovação parcial da lei do aborto, que o aborto é uma questão “discutível”, e que o que está sendo feito através da realização de um aborto não é conhecido: se a mãe está se livrando de um cisto ou de uma doença, se a vida humana está sendo suprimida ou não, se a criança no útero da mãe é um verdadeiro ser humano ou não, se a mãe tem o direito ou não de interromper uma “gravidez indesejada”… Que triste, e que culpável, ter tanta ciência para carecer de tanto senso comum! Mas é que, uma vez que se deixa enredar pela ideologia dos “direitos humanos”, tudo é possível.
Deixemos de lado, pois, toda essa panóplia de argumentos tolos e vamos direto ao verdadeiro argumento, esquecido por todos: a lei de Deus. Que diz ela? Que a criança no seio materno é um verdadeiro ser humano e que, portanto, o aborto é um assassinato puro e simples, expressamente proibido pelo quinto mandamento do Decálogo: “Não matarás”, ou mais exatamente: “Nãoassassinarás”, isto é: “Não matarásoinocente”. Portanto, é Deus, o próprio Deus, que vem em defesa da criança por nascer; e contra essa lei, nada valem as leis humanas.
Eufemisticamente, o aborto é chamado, para livrá-lo de todas as conotações criminosas, “interrupção voluntária da gravidez”. Na verdade, seu verdadeiro nome é“assassinato voluntário no útero materno”, tanto mais grave, porque a criança é um ser por sua vez inocente e extremamente indefeso, cuja vida depende do cuidado e proteção dos pais e das leis humanas. E assim:
  • Uma sociedade justa deveria julgar e condenar os defensores do aborto, e os promotores de sua descriminalização, como verdadeiros criminosos, culpados do crime de “incitação ao homicídio”.
  • A mulher que morre por abortar, lamentamos dizê-lo, tem sua merecida pena, sofrendo em si própria a mesma sentença que impõe a seu filho inocente. Sustentar que ela tem o direito de salvar a sua vida, quando ela está se entregando a um ato criminoso, é o mesmo que dizer que um ladrão tem o direito de salvar sua pele e seu saque depois de assassinar sua vítima para roubá-la. Criemos, então, uma lei para protegê-lo.
Mas a coisa não pára por aí. Se a lei divina protege a vida humana, não é apenas por um “direito à vida” natural, nem por uma simples “dignidade humana”, mas para garantir à criança, através dos pais e das leis, o acesso ao batismo, e por ele à vida eterna, que é o fim para o qual Deus criou todos e cada um dos homens. Privar o filho da vida no ventre da mãe significa condená-lo para sempre a carecer da visão de Deus: um crime imensamente maior do que privá-lo da vida natural, que é ordenada para a vida eterna.
“Apartai-vos de mim, malditos” — dirá o Senhor no dia do juízàqueles que foram condenados por esse crime e dele não se arrependeram devidamente — porque eu estive necessitado de vossa ajuda, de vossa proteção, de vossas leis, e não apenas não me assististes, mas tirastes-me a vida”. Se merecerão a morte eterna aqueles que não praticaram a mais elementar caridade para com o próximo, que pena merecerão por toda a eternidade aqueles que se tornaram culpados diante de Deus por terem impedido filhos e almas capazes da bem-aventurança?
2º Aborto, sinal da apostasia de uma sociedade.
Os três países que recentemente descriminalizaram o aborto, ou estão procedendo a descriminalizá-lo, eram de suposta tradição católica. Dizemos de suposta, porque quando em um país entra em vigor a descriminalização do aborto, esse país deixou de ser católico e voltou a ser pagão. Um país é católico quando é regido pelas leis de Deus e da Igreja; mas deixa de ser assim quando despreza a lei de Deus e aprova ações que vão diretamente contra ela. E a descriminalização do aborto supõe que nossos países desprezam a lei divina em seu princípio, em sua aplicação e em suas consequências.
  • Em seu princípio:jáo simples fato de discutir a descriminalização do abortoéum pecado contra a lei de Deus, pois significa repensar se estábem ou nãomatar a criançainocente. A democracia, entãoaparece como uma instituição nitidamente anticristãassim como a Constituição que dela emergiu, a qual, embora afirme proteger a vida desde o momento da concepção, permite debater e aprovar coisas que a sua própria letra condena.
  • Na sua aplicação: erigir a descriminalização do aborto como uma lei significa declarar que a lei de Deus já não vale mais no momento de sancionar uma ação, a qual jánãoémais julgada boa ou ruim por sua conformidade com a lei divina, mas simem conformidade com a vontade do povo ou dos legisladores, erigidos como norma suprema. É a suma iniquidade.
  • Em suas consequências: uma vez que o aborto é descriminalizado, a lei obriga o país e a todas as suas instituições a se tornarem cúmplices desse crime: hospitais e clínicas, tanto públicos quanto privados, devem garantir abortos e assim se converterem em lugares homicidas; os médicos, se quiserem manter seus postos, devem consentir em matar vidas humanas e se tornarem assassinos; os enfermeiros devem ser treinados para ajudar nos abortos; as próprias escolas devem garantir educação sexual que explique às crianças os métodos abortivos em vigor; os pais não podem mais se opor a que suas filhas abortem, nem os maridos a impedir suas esposas a fazê-lo; a justiça deve penalizar os médicos que se recusem a matar vidas humanas.
O fato de que países outrora católicos descartem tão perversamente a lei divina é um sinal de todo um processo de apostasia, levado a cabo pelo Mistério (hoje triunfante) da Iniquidade, e pelo colapso de toda uma civilização cristã; tudo isso preparado progressivamente por uma série de concomitantes, que deram início a essa apostasia.
  • O aborto supõe a família destruída. Em uma família bem formada, têm-se filhos e protege-se a vida. O aborto ocorre especialmente nas uniões com direito a divórcio. O aborto implica, geralmente, o divórcio promovido e praticado em larga escala.
  • O aborto supõe a destruição da moral. O aborto, diz-se, é um direito da mulher diante de uma gravidez indesejada. O que significa a prática indiscriminada do amor livre ou da infidelidade conjugal, a promoção social da pornografia e da sexualidade, a infância e a juventude expostas à violência das paixões mais infames.
  • O aborto supõe o suicídio de uma sociedade. Deus concedeu ao homem a bênção da fertilidade, necessária para uma sociedade perdurar. Nesse sentido, o aborto se torna a autodestruição de um povo, rematando assim a esterilidade voluntária proporcionada por toda uma série de métodos contraceptivos, também promovida em larga escala como forma de regular a taxa de natalidade. De quem será a terra, de quem será a sociedade? Dos que aceitam ter filhos; e na Europa, dos muçulmanos.
3º O aborto, patente cunho diabólico em uma nação.
Terminemos dizendo que não há sinal mais inequívoco da presença do demônio em uma sociedade, e mesmo da possessão de uma sociedade pelo demônio, do que o aborto. Nosso Senhor declarou que “o demônio é homicida desde o princípio” (Jo8:44), e sempre, em todos os momentos, reclamou sacrifícios humanos nos lugares onde imperava. Por trás da lei do aborto, que é um sacrifício massivo de crianças inocentes, não pode haver outro senão satanás com todo o seu ódio, manipulando como fantoches aqueles que agora atuam como legisladores em nossas sociedades.
Os legisladores que aprovam esta lei, e o governante que a consente, se équenão a impõe, sob pressões internacionais, age de fato como Faraó, figura de satanás, no tempo de Moisés: vendo seu território ocupado por um grande número de pessoas, ele obrigou seus súditos a escravizá-las primeiro, e depois jogar todos os seus recém-nascidos no Nilo. Faraó não apenas se converteu em homicida de inocentes, como forçou todos os habitantes do Egito a serem seus cúmplices nessa ação criminosa. Agem também como o rei Herodes, que, para dar morte ao infante Deus, ordenou que todas as crianças menores de dois anos fossem mortas em toda a região de Belém. Os mesmos interesses terrenos que levaram esse rei crudelíssimo a um massacre de inocentes, arrancados do seio de suas mães, levam agora os governantes, por um lucro sórdido e por interesses não confessados, a aprovar o que não é mais do que um assassinato legalizado dos inocentes. Mas o principal instigador de tudo isso, aquele que inspirou essas atitudes homicidas em Faraó e Herodes, é o demônio.
Conclusão
Lúcifer, o novo Caim, volta a converter-se, através da lei do aborto, no Forte armado do Evangelho. Quem será capaz de arrancar das garras dessa lei penal as pobres crianças a quem, tanto ele quanto sua descendência assassina, têm sentenciados em quase todos os países do mundo? Como Abel, o clamor desse sangue inocente sobe para Deus, sem que saibamos como será vingado pelo justo Juiz.
A punição desse crime deve ser tão severa quanto a do faraó e de todo o Egito. Por ter jogado as crianças no Nilo, aquele povo teve que sofrer a praga de ver suas águas transformadas em sangue humano. Por ter matado os varões hebreus, teve que sofrer a tristeza de encontrar o primogênito de cada família morta. Por ter se tornado cúmplice da malícia de Faraó, teve que sofrer a mais espantosa destruição em sua economia, em suas colheitas, em seu gado, completamente arruinados pelas pragas, e depois ver o seu próprio exército afogado sob as águas do Mar Vermelho.
O único remédio para um mal tão grande está em nossas famílias: • famílias católicas, bem constituídas e temerosas da lei de Deus; • famílias numerosas, com todos os filhos com os quais o Senhor tenha por bem abençoá-las; • famílias virtuosas, que encaminhem seus membros aqui à virtude e à santidade, para fazê-los entrar um dia na visão de Deus no céu.

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