sexta-feira, 13 de março de 2015

Aceitar humilhações por Amor à Deus, é ser verdadeiramente Humilde


"De todas as virtudes é a humildade o fundamento e a guarda, lê-se com razão nos sermões sobre a Salve Rainha. Sem humildade, não há virtude que possa existir numa alma. Possua embora todas as virtudes, fugiriam todas ao lhe fugir a humildade. Pelo contrário, Deus tão amante é da humildade, que se apressa em correr onde a vê, escreve S. Francisco de Sales a S. Joana de Chantal." Santo Afonso Maria de Ligório¹





Segue um trecho extraído do Livro preciosíssimo do Venerável Tomas de Kempis: "Imitação de Cristo" sobre as virtudes da humildade²:

1.” Filho, conserva-te firme e espera em Mim. Que são as palavras dos homens senão palavras? Fendem o ar, mas não ferem a pedra. Se és culpado, pensa em te emendar prontamente. Se de nada te acusa a consciência, pensa que te deve ser agradável sofrer por amor de Deus. Bem pouco é sofreres algumas vezes meras palavras, já que não estás ainda preparado para grandes provas.

E porque se afligirá o teu coração com coisas tão pequenas, senão porque és ainda carnal e demasiado sensível ao juízo dos homens? Tens medo de ser desprezado: por isso não queres ser repreendido das tuas faltas e procuras desculpas para as encobrir.

2. Mas, examina-te melhor e reconhecerás que vive ainda em ti o mundo e o desejo vão de agradar aos homens. De facto, quando foges às censuras e humilhações, fica bem claro que não és verdadeiramente humilde, que não estás de todo morto para o mundo e que nem o mundo está crucificado para ti. Mas ouve a Minha palavra e não farás caso de quanto os homens disserem. Ainda que levantassem contra ti quanto de pior maldade pode imaginar, que mal te faria isso, se tudo deixasses passar como a palha que o vento leva? Acaso, perderias com isso um só cabelo?

3. Quem não tem vida interior, nem a Deus diante dos olhos, facilmente se deixa impressionar por qualquer palavra de censura. Mas, aquele que confia em Mim e não se apega ao próprio juízo, não terá nada que temer dos homens. Eu sou o Juiz que conhece todos os segredos do coração; sei como as coisas se passaram, conheço quem faz a injúria e quem a recebe. Foi com Minha permissão que foi dita aquela palavra e que aquilo aconteceu, para que ficassem patentes os pensamentos de muitos corações. Eu julgarei o réu e o inocente, mas quis primeiro pôr à provas um e outro, com juízo secreto.

4. O testemunho dos homens engana muitas vezes; o Meu Juízo é verdadeiro; subsistirá e não será revogado. Ordinariamente ele está oculto, e a poucos ele se torna manifesto nas suas particularidades; contudo, nunca erra nem pode errar, ainda que pareça falso aos olhos dos insensatos.

A Mim, pois, se deve remeter o juízo de tudo e ninguém se há-de firmar no próprio parecer. O justo não será confundido, suceda-lha o que suceder por permissão de Deus. Permanecerá impassível, mesmo perante as injustiças que contra ele se levantarem. Mas também não se desvanecerá, se por outros for com razão defendido, porque ele sabe que sondo os corações e os rins e que não julgo pelo exterior ou pelas aparências humanas. Com efeito, muitas vezes é culpado aos Meus olhos o que, no juízo dos homens, parece louvável.”

Fontes:
[1] LIGÓRIO, Afonso Maria de. Glórias de Maria: com indicações de leituras e orações para dois meses marianos. Aparecida, SP: Editora Santuário, 1989, p. 410-415.

[2] Imitação de Cristo, Livro III, cap. XLVI, Livraria Apostolado da Imprensa, 6ª Edição- Braga, 1989.

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